22
abr

2

2 anos e meio

Já passa da meia noite, então já posso dizer: “Parabéns pra miiiimmmm”. Sim, já é dia 22. O dia mais lindo de todo mês, quando comemoro minha sobrevivência e minha decisão de que não iria ser só isso. Não, eu não ia só sobreviver. Eu escolhi viver!

E também faço questão de comemorar, mesmo já tendo ouvido que é um horror eu fazer isso.

Esse mês, talvez nem todo mundo entenda meu post.Não sei se foi essa coisa toda de “Boston feelings” que invadiu a nossa vida essa semana, mas eu so consigo voltar lá nos primórdios da ideia do meu primeiro post e pensar que eu já corri 30km. Sim, foram 30 meses, 30km da maratona da minha vida. 1km por mês.

 

UTI -  Outubro/2012
UTI – Outubro/2012

Todo mundo sabe que se você sai em disparada, vai faltar no final. Não é prova de 1000m. É maratona! E eu respeito essa senhora. Comecei confortável, ciente do que tava acontecendo. E à medida que os km avançavam, eu ia ficando mais contente, pois o corpo já estava aquecido. Sim, eu ia notando melhorar físicas.

Dezembro/2012
Dezembro/2012

E conforme eu avançava na prova, notava que o percurso ia mudando. Belas paisagens. Teve praia, teve montanha, teve cidade. Teve lugar cheinho de gente assistindo e aplaudindo, gritando, dando aquela força. Teve lugar escuro. Parecia que só tinha eu e mais ninguém ali.

Em alguns km eu cansei. Parecia que faltava ar e o sol tava castigando. Aí tinha meu staff com água geladinha.Em outros km a coisa fluiu, que até parecia prova de percurso plano, sem chuva e sem vento contra.

2013

2013

Então eu cheguei aqui, no km 30. Nesse momento da minha vida, to lutando pra não quebrar. Peguei mais um gel e to bebendo água. E jogando muita água na cabeça, porque ta um sol de rachar.

Calma, gente, eu não cansei. Apesar de que, vou contar pra vocês, tem horas que cansa. O vento contra, o sol castiga e, com o perdão do trocadinho, as pernas cansam. Sim, elas dóem. As panturrilhas ardem. E meu joelho…ah, esse joelho que dói desde a minha primeira prova! Eu to numa fase da reabilitação que “o corpo parou”. Quem ta de fora, meus amigos, meus médicos, dizem que conseguem notar melhoras sutis. Eu, só consigo pensar nas grandes que ainda não apareceram.

Aí, algumas coisas aconteceram. Andaram dizendo por aí que eu ando e to na cadeira porque quero. Na boa, se eu andasse, eu tava correndo com minhas pernocas por esse mundão afora. E como eu queria minhas pernas musculosas de volta. Quando eu ouvi e li isso, fiquei bem triste mesmo. Mas depois, eu pensei: “Cara, se até elas pensam que eu posso, é porque eu devo poder mesmo!” Então, isso foi mais um ânimo pra eu não desistir. A decisão que tomei? Procurar um parceiro pra correr comigo.

Chega uma hora, na maratona, que é bom você ter um parça pra seguir lado a lado. Se não for pra conversar, que seja só pra estar ali do teu lado, dando aquela força. Depois de 18km correndo nessa sozinha, decidi que eu vou voltar pra fisioterapia.  Não que eu esteja totalmente sozinha nesse tempo todo. Sempre tem alguém que passa por mim, corre uns metros, ou 1km. Mas agora to procurando e precisando de alguém pra correr do meu lado um pouco, pra direcionar meu caminho.

2014
2014

“Ah, Dani, mas se você já ta no 30, faltam só 12!”. Aí é que está o problema! Eu não to vendo a linha de chegada. Minha sorte é que, geralmente, nessa altura da prova, ninguém ta!hahahahaaha Mas eu não sei se a maratona da minha vida vai virar uma Ultra.

Tem horas que ela já foi corrida de aventura, pulando (sem pular kkkk) um monte de obstáculos. Também já foi corrida de montanha, subindo e descendo as pirambas, cheia de altos e baixos. Minha amiga Debs me levou pra Boston essa semana. Uma amiga minha, a Dri, fez a BR e me levou no coração. Quando eu acidentei, a Claudinha prometeu que seria minhas pernas e me levou pra Spartathlon. Com elas, e com todos os outros que me mandam mensagens antes e depois de provas, eu vou cada vez mais longe. Mas quantos km tem Minha Prova? Eu ainda não sei.

2015
2015

O que eu peço? Força nos pulmões (que ficaram fracos depois do acidente), que meu coração aguente (porque minha frequência já não sobe mais), que “minhas pernas” sejam fortes o suficiente pra aguentar todos os km que ainda estiverem por vir. E que meu staff esteja sempre ali, pra me dar água, frutas, gel, cápsulas de sal, gritos e empurrões…até prato de comida e puxão de orelha!rsrs

Quando eu não sei, mas eu prometo que te vejo na linha de chegada, da maratona da minha vida!

Adriano+Bastos+2013+Walt+Disney+World+Marathon+J07Qv99mbh7l

15
mar

1

Movimento Pela Mulher

Lilás. Uma cor pra qual eu nunca liguei muito. Até hoje! Pintamos o Parque do Ibirapuera num momento lindo  e inédito:  a Corrida Movimento Pela Mulher.

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Pra quem não sabe de onde saiu essa ideia, vou fazer um resumão.

O Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”. O Corra Pela Vida era um treinão livre, para corredoras de todas as distâncias e velocidades. Porém, conseguia apenas a participação de um número limitado de pessoas.

Depois de 3 treinões Corra pela Vida, que foram sucesso no ano passado, as meninas  decidiram que queriam alcançar mais pessoas e ajudar mais mulheres. A partir do trabalho da Gabi, no Ministério Público, defendendo mulheres que sofrem violência, surgiu a ideia de fazer uma corrida e ajudar ONGs que apoiam essas mulheres que precisam de ajuda. Além disso, a ideia é mostrar que a mulher, através da corrida, pode se sentir empoderada para se defender e encontrar apoio e recuperar a auto estima, caso e quando precise. Afinal #NenhumaMulherMereceViolencia . Essa virou a hashtag oficial da corrida e desse movimento maravilhoso.

E  enfim, chegou o grande dia, do sonho dessas minhas 3 amigas virar realidade e de, todos juntos (sim, tinha muitos meninos) corrermos pela causa. A Latin Sports preparou uma estrutura top, o kit estava lindo, a medalha idem e, segundo as meninas, foi mais gente do que elas esperavam pra primeira prova.

E vocês estão achando  que eu só ia contar detalhes técnicos e deixar de lado a minha saga com a handbike nessa prova? Nana nina não! Meu problema, preocupação, ou chamem do que quiserem porque foi de arrancar os cabelos, começou no sábado à tarde. Eu estava na retirada do kit, feliz e contente com a Gabi e a Neide (do Vida Corrida), quando comecei a tentar ligar pro moço que ia levar minha handbike pra prova. Ele faz pequenos carretos e combinamos na sexta-feira que ele faria o trabalho logo cedo. Mas, o moço sumiu! Não atendia o celular e foi me dando desespero. Umas 4 horas depois, quando eu já não tinha unha nos dedos, consegui falar com ele, que estava em Praia Grande e “nem rola de ir” me levar. Ai Gizuis! Sorte a minha que eu tinha falado pros meus amigos, lá na retirada do kit, que não conseguia falar com o moço e ia começar a procurar outra pessoa. O Corretor Corredor postou no facebook que eu estava precisando de ajuda, alguns amigos compartilharam e o Sidney, que nunca tinha me visto na vida, pegou uma fiorino empresatada pra poder me levar! Um anjo que caiu na minha vida!

Domingo de manhã, tudo lindo e certo, exceto pelo banco da handbike que estava ensopado, porque ela tomou chuva, mas pula essa parte. Eu e o Sidney partimos adiantados para o Ibira e ainda passamos no posto pra encher os pneus da hand. Chegamos lá, logo o Fabio da Latin  me viu, veio pegar a hand e levar pra largada, eu arrumei o apoio de pe, arrumei a mochila de hidratação, as luvas, preguei o número no FlipBelt. E estava milagrosamente muito adiantada! Fui procurar as meninas, beijar e abraçar muito a Debs, num abraço de urso de 15minutos, tirar mil fotos e, faltando 20min pra largada, resolvi aquecer. O Corretor Corredor foi me ajudar a me posicionar na hand. Quando fui sentar, percebi que a corrente estava com folga e que o pedal não girava. Fui olhar e, no transporte (ou no busão de Ribeirão pra Sp ou da rodoviária até a casa da Selminha, que me hospedou) a corrente ficou presa entre a catraca e o parafuso que segura a roda. Eu, sozinha, com esses dedos moles, me melequei toda de graxa e não consegui tirar. O Corretor tentou, mas também não consegui. Gente, vieram os bombeiros que ficam ali na largada pra tirar! Tentamos de tudo, tiramos a roda da frente e a corrente saiu. Eles recolocaram no lugar, testamos as marchas, estava passando, graças a Deus. Porém, eu não consegui aquecer. Num dia frio, eu parecendo um aipo cozido, e não deu tempo de aquecer. Tudo bem. Sentei na hand, me arrumei. O pessoal da Latin aguardou meu ok pra largar!

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Fui! Pedalei uns 100m e vi que meu guidão estava torto pra direita! Pois é. Já tive que parar pra soltar a trava e desentortar. Bóra! Aí, eu tava mole, me sentindo lenta e tentando me acostumar com a nova relação da hand. Quem me acompanha sabe que o câmbio quebra em toda santa prova, então eu troquei. Mas ainda não tinha testado na rua. Não sabia nem o que eu estava fazendo.

Enfim, passou o primeiro km sem eu ver. Eu só via o moço da moto na minha frente (que me acompanhou a prova inteira). Mas, minha alegria acabou na placa de 1km. Porque logo tinha uma subida de quase 1km do pico do Everest. Eu só olhei praquilo e lembrei que era o mesmo percurso da prova Eu Atleta, de quando eu ganhei a hand, em junho. E eu não tinha conseguido fazer nenhuma subida daquela prova. Mas, meses depois, eis que eu morri, mas fiz a subida sozinha! Fui tão lesma morta que logo os primeiros colocados da prova começaram a me alcançar e me passar. Depois veio uma reta e uma descida e eu dei uma descansada, lembrando que se eu desci pra ir, ia ter subida pra voltar.

A coisa mais incrível do pessoal me alcançar e correr do meu lado é que todo mundo me grita! E eu amo issooo!!! Porque quando meus braços estão moídos e querendo me sabotar, vem alguém que me grita, me motiva e eu mando os braços calarem a boca (como se tivessem kkkk) e me deixarem pedalar mais e mais, até acabar a prova! 🙂 Na subida, isso é mágico!

E lá fui eu, subindo lentamente, disparando nas retas e parando no meio das descidas pra colocar a corrente na hand. Pois é, a corrente saiu 3 vezes, bem na minha frente, na coroa. Chicoteava na minha perna e eu tinha que parar pra recolocar. Perdi tempo com isso e machuquei a mão. Mas, vambora!

Fiquei mesmo feliz por ter tido força de fazer todas as subidas, apesar da lerdeza. E quase atrolei mil pessoas quando alcancei o pessoal dos 5km e da caminhada, que retornava antes da metade do percurso. Quando eu comecei a gritar “Com licença, por favor”, meu motoqueiro guardião foi buzinando na minha frente, pra tentar liberar espaço. Verdade seja dita, tinha gente que ficava brava com ele. E tinha gente que não saía da frente, ou porque não queria ou porque estava com a música tão alta que não ouvia a moto buzinando há 2 metros de distância! Eu quase bati na moto umas 3 vezes por causa disso. E quase atropelei muita gente muitas vezes. Quase capotei uma vez, pra desviar das pessoas e do posto de hidratação. E acabei perdendo muito, muito tempo freando tantas vezes. Mas o importante é que não houve acidentes.

Quando eu achei que faltavam uns 500m pra terminar, ainda tinha mais um retorno pros 10km! kkkkk Só eu mesma! Mas meu velocímetro ta desregulado, então eu não levei. E o celular, com o Strava, tava dentro do FlipBelt. Eu não tinha  a menor ideia de quantos km faltavam, porque não olhei as placas olhando pras pessoas. E essa foi minha primeira prova de 10km, desde que ganhei  a hand, Nessa hora, pensando nisso, o asfalto ficou um pouco ruim e eu comecei a quicar. Mas logo, eu estava avistando o lago do Ibira de novo, e quase atropelando mais meninas, pois a linha de chegada estava bem na nossa frente!

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Assim que terminei, apareceram muitos amigos. A Fer Baslter, o Fausto (meu professor da academia) com a noiva linda Regiane, a Juliana, o Corretor… muita gente! Logo ganhei um abração da Yara Achoa. E começou a sessão de fotos. Daí pra frente, foi mais festa. E só festa. Que prova incrível! Que clima delicioso! Muitos abraços na Debs, na Gabi, na Paula, na filha linda dele e no pai dela, no casal do Frango com Batata Doce do instagram, na Gi do Divas que Correm, na Ivonete, na Ju Veras, na Dani Barcelos, no Colucci… gente, a lista não tinha fim!  Como eu amo correr em São Paulo e ver tantos amigos! E também amei conhecer tantas pessoas que me seguem e me apoiam, que me motivam com seus comentários todos os dias! Foi bom demais receber tanto carinho!

Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!
Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!

 

Um dos momentos mais emocionantes da prova foi quando as meninas (Debs, Paula e Gabi) entregaram os cheques de doações às ONGs beneficiadas pela corrida. Se você quiser saber quais são as ONGs e quiser ajudar, acesse o site do Movimento Pela Mulher -> http://movimentopelamulher.com.br/

 

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Às meninas de ouro da prova, só tenho mil parabéns pra dar, pela iniciativa e pela prova linda. Muito obrigada pelo carinho comigo, pelo convite em participar, pelo amor de todos os dias. À Latin Sports, muito obrigada pelo carinho desde minha inscrição, até a permissão da entrada do carro pra descarregar a hand pertinho da largada, pelo apoio do motoqueiro, pelo cuidado com a hand, o cuidado de todas e a recepção sempre alegre.  À todos que me gritaram e me motivaram durante a prova, muuuito obrigada pelo carinho! A quem tirou foto comigo: me manda, pra eu colocar no face!!

A todos os deficientes, tenho um convite a fazer: seja você cadeirante, muletante, cego, amputado com prótese..Venham correr conosco no ano que vem! A organização fará a categoria pra nós e estão muito abertos a nos receber nessa festa linda, com causa tão nobre!

A todas as pessoas que estiveram presentes, nosso muito obrigada, por tornar essa corrida um sucesso e permitir que tantas ONGs e tantas mulheres possam ser ajudadas. Pra mim, como mulher, e como mulher que já sofreu violência, correr pela causa foi simplesmente sensacional!

E ano que vem, tem mais! Muito mais!

As fotos serão postadas no face essa semana, conforme eu for recebendo!!

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09
mar

6

Motivação – tirar de onde?

Verdade seja dita: tem dia que é foda! (sim, eu falo palavrão. E não tem outra palavra melhor pra colocar aqui!)

Tem épocas da vida que fica extremamente difícil, senão semi-impossível manter o foco. Treinar cansa. E tem dias que pesar a comida e se entupir de salada também cansa.

Eu to passando por uma fase dessas. Troquei a pípula há 2 meses. E destroquei semana passada, porque meu corpo não acostumou aos novos hormônios. Inchei. Comi igual uma porca véia. Engordei. To lenta e cansada.. Os braços não respondem. Eu olho pra handbike, ela pisca pra mim. Eu me finjo de morta. E quando sento lá, o treino não rende.

Quem nunca? É 10348305_961722823838404_5656666504342499991_na TPM. Os filhos. Namorado/marido. Ou a falta de um deles. Problemas no trabalho. Contas pra pagar. O carro que quebrou. Pneu furou. A lista não tem fim. E tem dias que a gente se sente mais gordinha, ou o cabelo acordou daquele jeito. Sofrer por um ou dois dias é normal! Mas deixar que os dias se arrastem e a situação permaneça, acaba transformando isso numa bola de neve. Aí a gente larga mão de tudo e o trem parece que não vai mais fazer a volta pra te pegar na plataforma e te levar de volta pra sua vida. E aí? O que fazer? Manter-se motivada! Mas como?

Esses dias me perguntaram como eu me mantenho motivada. Não vou mentir pra vocês! Eu simplesmente olho pra minha barriga cheia de banha e falo pra ela: “Sai daquiiiii” ou  “Vai gordinha, vai queimar essa pança”.  hahahahaha

Sério, eu também tenho preguiça. Mas treinar já está tão incorporado à minha rotina, à minha vida, ao meu “eu”, que simplesmente não aceito o fato de não treinar. Eu brigo comigo mesma, de verdade!
Hoje li uma coisa que é muito verdade: a cabeça manda muito! E que o digam os maratonistas e ultras! Escreva o que você quer, pendure o papel num lugar visível e leia várias vezes por dia.
Só isso? Não! Ontem à noite eu fiquei pensando numa lista de coisas  (devia ter acendido a luz e escrito na hora).
Inspire-se em alguém
Não é pra ter inveja, gente! Isso não leva a nada de bom. Não é o “quero aquela vida, quero aquele corpo. #*#*#*  Como ela consegue?”  NÃO!
É o fato de escolher alguém que fez mudanças na vida ou não se deixou abater por algo e pensar “Poxa, se ela consegue, eu também vou conseguir! Vamos lá!”
Eu tenho as minhas inspirações, pessoas com problemas bem maiores que os meus (amigas com, ou que venceram o câncer). E as vejo lutando alegremente durante o processo. Poxa! Quer força maior que isso?
Se a grama do vizinho ta mais verde que a sua, não tente jogar pesticida nele! Compre um regador e regue a sua também!!
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Inspire-se… em si mesmo
Sabe aquelas fotos “antes e depois”?  Olhe sempre as suas caso pense em jacar dias seguidos ou em parar de treinar.
Ou pense em sua vida há 1 ou 5 anos atrás. Pense nas mudanças positivas que você fez e nos resultados que conseguiu. Ta a fim de voltar atrás?
Eu fiz uma pasta no computador, com os vídeos das minhas melhoras. Tem desde a primeira vez que fiquei em pé na barra paralela, com órteses, no Sarah, até os vídeos da academia e meus treinos de marcha da semana passada. Também olho todos os tombos que eu levei e as cicatrizes no joelho e tornozelo. E penso: “Essa cicatriz não ta aqui pra nada, pra eu parar.”
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Ouça música
Sim, eu sempre coloco músicas animadas e com o volume bem alto quando estou pra baixo. A música tem um poder incrível! Pode ser Chopin ou funk. Escolha o que você gosta.
E já que colocou a música, cante, berre a plenos pulmões! E dance!
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 Coloque pra fora o que te aflige
Pode ser com sua avó (eu faço isso), sua amiga, seu amigo, sua esposa, seu namorado, ou escrevendo. Não guarde pra você.
Diario.Journal
Seja compreensivo consigo mesmo
Ninguém é feliz 100% do tempo. Não tem problema nenhum você ficar triste ou pular um dia de treino. Amanhã você retoma a rotina.
Permita-se!
Se você ta a fim de dormir hoje, durma! Se ta a fim de comer um bolo de chocolate com recheio de Nutella, coma! Se ta a fim de ficar lendo ao invés de ir correr no parque, leia! Mas só hoje.  Não faça disso um hábito. Seus hábitos devem permanecer saudáveis. Desvie o percurso, mas volte pra estrada!1507980_369773216499088_1606215610_n
Sorria!
O sorriso tem um  poder incrível sobre você e seu cérebro. Se você está sozinho em casa, saia. Você não vai poder ficar emburrado na rua. Se não dá pra sair, coloque uns vídeos engraçados pra assistir, ligue pra alguém que sempre te faz rir. Mas o simples fato de desemburrar a carranca vai melhorar o seu dia.
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Movimente-se!
Quanto mais parado você ficar, mais parado você vai querer estar. Mexa-se! Obrigue-se a fazer isso. No início vai doer, vai ser um saco. Mas depois, a sensação de bem estar vai tomar conta de você (Santa Endorfina). Depois de uns dias nessa rotina, o corpo vai pedir, implorar uma endorfininha.
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Continue tentando
Li um negócio tão legal esses dias “Continue voltando que funciona”. Persista! Um dia, dois dias, uma semana, três semanas, dois meses… vira hábito e vai funcionar.
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 Não fracasse consigo mesmo.
Arranje uma vida da qual você não precise fugir! Mas só você pode fazer isso. Ninguém mais pode!
Quando me perguntam como eu continuo, sem parar, apesar dos percalços, eu digo uma coisa bem simples: “Se eu não fizer por mim, ninguém vai fazer.”
Posso ter uma carona pra ir pra academia. Mas se eu chegar la e não treinar, ninguém vai treinar por mim.
Posso querer uma medalha com a handbike. Mas se eu não sentar lá e pedalar, ninguém vai pedalar por mim.
Posso conseguir encontrar um bom fisioterapeuta, mas se eu não me esforçar e não fizer os exercícios, eu não vou conseguir realizar meu grande sonho de andar de novo.
Depende de mim! De mais ninguém!
Sua vida e suas mudanças dependem de você! De mais ninguém! Não espere ninguém pra ser feliz!
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03
mar

2

Alavancas: Vantagem mecânica na musculação

 

Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.

A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio (articulações).

A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.

A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).

A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.

O seu braço está do tamanho que você deseja?

Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.

Quanto peso você é capaz de erguer?

Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: “É preciso ficar forte para depois aumentar o peso”. Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira.

Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas.

Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.

Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico.

Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia.

Grande abraço.

"Alavancas: Vantagem mecânica na musculação </p>
<p>Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.</p>
<p>A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio      (articulações).</p>
<p>A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.</p>
<p>A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).</p>
<p>A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.</p>
<p>O seu braço está do tamanho que você deseja? </p>
<p>Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.</p>
<p>Quanto peso você é capaz de erguer?</p>
<p>Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: "É preciso ficar forte para depois aumentar o peso". Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.<br />
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira. </p>
<p>Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas. </p>
<p>Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.</p>
<p>Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico. </p>
<p>Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia. </p>
<p>Grande abraço."

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

27
fev

4

Core 360 cadeirante – segunda edição

Gente, é com muita alegria que estreio nosso site novo com esse post tão especial!

Há quase um ano atrás, estive em São José dos Campos e pude conhecer pessoalmente o Artur Hashimoto Inoue. Ele é instrutor do Core 360 e foi quem criou o Core 360 cadeirante.

Pra quem nunca ouviu falar sobre esse método de treinamento funcional, expliquei o que é e como funciona nesse post -> http://daninobile.com.br/core-360o-cadeirante/

Nunca escondi de ninguém que meu lado direito é bem mais forte que o esquerdo. Desde o trapézio até o pé, o lado esquerdo tem menos força, menos amplitude e menos movimento. Assim, seu sempre fico meio caída pro lado, principalmente quando estou na cadeira.

Ano passado, com a ajuda do Artur e com os exercícios que ele me passou, comecei a trabalhar o core (região abdominal e lombar, envolvendo todos os músculos dessa circunferência). Porém, como sabemos, depois de um tempo de treino, o corpo acaba se acostumando com os mesmos exercícios e a gente precisa dar novos estímulos. O meu já tava no replay automático.  Então, encarei 8horas de busão e fui pra SJC de novo, nessa semana.

Lá, eu já levei umas broncas do japa, que perguntou se eu não estava fazendo os exercícios direito, porque eu continuo caída. E aí, eu fui pra chibata! O Artur tem uma sala, onde ele atende alunos de personal, e eu apelidei carinhosamente de “sala da tortura”. Depois de aquecer (eu remei! sou viciada naquele trem e não tem na academia onde eu treino), fazemos a ativação do core e partimos pra sessão demolição.

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No meu caso, foram exercícios mais específicos para treinar meu core, minha postura e meu equilíbrio e o que chamamos de “empurrar e puxar”. Com o Artur eu fiz os exercícios de empurrar. E no dia seguinte, com o querido treinador Miltinho Miranda, eu fiz os de puxar.

Gente, ta cheio de vídeos no youtube, com todos os exercícios que eu fiz e como foram os treinos! Tem alguns que estão lindos, com a postura perfeita, e outros que estão horrorosos e eu to toda torta e barriguda. Mas não tem problema! O que vale é vocês aprenderem os exercícios novos. Não se esqueçam que é perigoso fazermos os exercícios sozinhos! Precisamos da supervisão de um educador físico ou fisioterapeuta. Principalmente no começo, pra orientar  nossa postura, se estamos bem alinhados, sentados da maneira correta, fazendo os movimentos da maneira correta…

Também quero lembrar que esses exercícios foram adaptados para a minha realidade. É importante que as modificações sejam feitas, de acordo com o que você precisa! Mas já são ideias do que fazer!

E se você não é cadeirante, também pode fazer os mesmos exercícios, porém, em pé! Mostre os vídeos pro seu educador físico e bóra treinar, minha gente!!!

Nosso canal no youtube: https://www.youtube.com/user/dannyybo

 

Com o treinador Miltinho Miranda
Com o treinador Miltinho Miranda
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com o treinador Artur Hashimoto
com o treinador Artur Hashimoto

13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

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Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

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Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

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02
jan

10

Retrospectiva 2014

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Esse era pra ter sido o último post de 2014. Mas em dezembro, minha vida virou de cabeça pra baixo  pela milionésima vez no ano. E em dezembro, eu só pensava em 3 coisas: comer, dormir, treinar. (essa rima parece familiar?)

Pois é, eu tinha várias ideias pra escrever, mas tempo e forças me faltavam. E um dos projetos pra 2015 é organizar melhor o meu sono, pra poder escrever mais aqui no blog. Sobre esporte, sobre as coisas que eu penso, sobre as conquistas dos amigos, além das minhas.

Mas, o que era pra ser o último post do ano que acabou, virou o primeiro post de 2015. Eu só não podia deixar de escrever sobre O MELHOR ANO DA MINHA VIDA!

Meu ano começou a ficar bom logo no começo, em fevereiro. Num impulso, eu decidi fazer minha primeira travessia. Faltavam 9 dias pra prova, eu estava sem nadar, treinei apenas 4 dias, mas fui lá e completei. Aprendi muito ali, naquele momento.1780622_10203440786606617_895058504_n

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Também foi no comecinho do ano que eu dei a minha primeira palestra. O que abriu caminho pra mais convites, para que eu pudesse contar um pouco da minha história, em locais diferentes, com enfoques diferentes, mas sempre tentando mostrar que tudo é possível, basta querer!

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10255280_640129509392645_6986282643584385650_nMas a reviravolta veio em abril. Minha amiga e mãe japa, a Marinoca, me chamou pra ver o pessoal na Meia Maratona da Corpore. Mas com o apoio dela, do Michel, da Lilika, de outros amigos e de uma turma que eu conheci pessoalmente ali, no dia da prova, eu completei os meus primeiros 21km depois do acidente. Eu acredito que esse tenha sido o momento mais importante e emocionante do meu ano. De falar ou escrever sobre isso, eu choro. Eu ainda lembro da emoção que senti que estava pronta 10255858_640129266059336_2088760788231450889_npra largar. A única com uma adaptação de handbike de passeio, no meio de feras do paraciclismo com handbikes tops das galáxias. Mas naquele momento, nada mais importava. E a Marina virou pra mim, me abraçou debaixo do pórtico e disse “Aqui é o seu lugar. O lugar onde você tem que estar e de onde nunca deveria ter saído.” E a emoção de cruzar aquela linha de chegada foi algo indescritível.

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1619361_640129546059308_8820490270297217075_n A partir daquele dia, minha vida não parou mais de mudar pra melhor. Conheci a Fer e o Itimura pessoalmente. E em junho eles fizeram meu ano se transformar totalmente. Mas antes disso, em maio, eu e a Fer, junto com o Paulo, fomos pra Floripa (num outro impulso doido porque nenhum dos 3 bate bem, embalados por uma promoção de passagem aérea). Lá, participamos de um evento histórico no Brasil, tanto no âmbito das corridas como no da lesão medular. Corremos a primeira Wings For Life realizada no wingspaís. Uma corrida patrocinada pela Red Bull, cuja renda é totalmente revertida para o Instituto Wings for Life, que pesquisa a cura da lesão medular. É uma corrida num formato diferente, e foi incrível estar ali. Ganhar essa prova (meu primeiro pódio pós-cadeira), tornou a mim e ao Jaciel embaixadores da Wings for Life 2015 no Brasil e ainda teremos a chance de correr essa prova no país de nossa escolha, nesse ano que começou!

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Depois disso, fui a São José dos Campos, conhecer um cara incrível que ajuda muitos cadeirantes pelo Brasil afora. Fui conhecer o Arthur, idealizador e propagador do Core 360 cadeirante. Aprendi muito com ele e com cursos que ele me proporcionou. Através dele, pude conhecer mestres do esporte e da educação física, com quem aprendi no âmbito pessoal e profissional muita coisa, que serviu pra minha própria reabilitação, e espero que eu tenha conseguido ajudar outros cadeirantes também.

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E chegou junho, e com ele a corrida Eu Atleta, e um grande presente que eu ganhei e que mudou a minha vida para sempre: minha primeira handbike. Aquela prova de 10km me mostrou o quanto eu estava fraca e despreparada pra usa-la. Mas também me mostrou o quanto eu amo estar ali nas corridas. Porém, todo mundo sabe que eu tenho mais dificuldade do lado esquerdo do corpo. E que minha mão esquerda é mais fraca que a direita. O freio e o trocador de marcha veio do lado esquerdo. E lá se foi a handbike para regular.

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italia6Enquanto fiquei sem ela, passei por uma das experiências mais incríveis da minha vida: a Copa do Mundo. Teve um monte de defeitos, teve desvio de dinheiro..todo mundo sabe disso! Porém, culturalmente falando, foi uma experiência riquíssima e inesquecível! Viajei 4 estados em 20 dias. Conheci pessoalmente vários fortaleza2amigos e amigas virtuais. E pude contar com sua hospitalidade em todas as cidades para onde fui. Revi amigos, conheci muita gente legal. E conheci muitas culturas! Conversei com gente do mundo todo. E a cadeira atrai um pouco de atenção de pessoas que não tem preconceito. E eu trouxe pra casa vários presentes e souvenirs do mundo inteiro. Trouxe também recordações que ficarão pra sempre me minha memória. E jamais poderei agradecer a quem me proporcionou tudo isso!

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Acabou a Copa, minha hand voltou pra mim. Mas eu não tinha como treinar nela. (Não tinha rolo, nem como levar a hand pra locais apropriados de treino na rua). Porém, durante a Copa, prometi a mim mesma que eu voltaria pra piscina assim que a IMG-20140809-WA0021Copa acabasse. E na primeira segunda-feira após a final, lá estava eu, lendo na porta da piscina sobre o desafio do Canal da Mancha. Comecei a fazê-lo dias depois do seu início. Pedi pra Ju, minha treinadora aquática, se eu poderia completá-lo apenas como desafio pessoal. Mas todo mundo sabe que eu sou bem competitiva. E quando meu nome apareceu no quadro como 5ª  colocada, a coisa ficou séria! Nadei feito doida e terminei em segundo lugar! Cheguei a nadar 4100m no mesmo dia, pra completar o desafio antes das outras meninas (a doida!!). Isso me preparou pro meu próximo desafio.

 

No início de agosto, fui encarar uma prova pela qual esperei 2 anos: a Golden Four Asics. Foi um momento tão maravilhoso e incrível. E graças à natação e à prova de 33km, eu tinha braços pra completá-la e ainda subir no pódio! E depois dela, veio o rolo de presente, dos amigos Eduardo e Michelle. E começaram os treinos com a Fun Sports.

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E depois da Golden Four SP, graças à Fer, eu fui pra minha primeira viagem internacional e fui correr a Meia Maratona de Buenos Aires. Foi incrível conhecer outra cultura, outro país, ter o meu primeiro pódio internacional, saber que eu ainda lembro bastante de espanhol e me entupir de dulce de leche (quando falo me entupir, foi até sair pelo nariz! Era dulce de leche no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde e no jantar)!

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E depois dessa vieram mais e mais corridas. Veio minha primeira prova em Ribeirão,gripada, acabada, mas com todo o apoio da organização e com a abertura da categoria pra esse ano que está começando. E depois dessa, minha primeira prova na minha cidade mais amada: Rio de Janeiro! Fiz a Adidas Boost Endless e ainda curti vários dias na casa das minhas amigas, naquelas praias maravilhosas, descansei, entrei no mar várias vezes e voltei com energias renovadas pra encarar mais mudanças na minha vida.

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E fui pra minha tão sonhada e esperada Golden Four Asics BSB. E tive que lidar com a frustração de uma prova arruinada pela hand quebrada. Não consegui o resultado que queria, apesar de conseguir termina-la graças à ajuda de um ciclista que ficou anônimo por dias, e agora é um grande amigo!

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E aí, veio mais uma reviravolta: o Paraciclismo. Depois da Copa Brasil, nos últimos 3 dias de novembro, todos os meus objetivos pra 2015 mudaram. E ali algumas coisas mudaram irremediavelmente na minha vida, para sempre!

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E no começo de dezembro, depois de brigar pra completar a Volta da Pampulha, lá estava eu em Taubaté, cidade onde nunca imaginei colocar nem meus pés nem minhas rodinhas, conhecendo mais 4 esportes diferentes e fazendo meu primeiro treino com a handbike na estrada. E a distância foi de, pasmem, uma maratona! Mesmo tendo feito mais que essa distância no rolo 2 dias antes e quase essa distância no rolo, no dia anterior.

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E então eu virei uma lesma morta, que só pensa em comer, dormir e treinar. Meu volume de treino dobrou e meu corpo começou a sentir um cansaço descomunal. Consegui voltar a acordar cedo! E agora estou tentando dormir cedo também.

Em 2014 eu mudei ainda mais a qualidade da minha alimentação. Primeiro sozinha, e depois com a ajuda do meu nutri Hugo. Assisti à duas palestras dele, uma do nutri Rodolfo Peres, e uma do nutri Renato Barbim, e pude aprender muito com eles, sobre a qualidade da alime1512439_910715048939182_8310193419195248385_nntação para atletas e sobre nutrição para todos, seja andante, cadeirante, atleta ou precisando de um puxão de orelha pra sair do sofá.

Falando em sair do sofá, eu e a Jady iniciamos uma campanha pra levar mais meninas ao paraciclismo. E graças a Deus eu tenho recebido muitas mensagens de cadeirudas que querem começar. Só espero que o desejo delas e o nosso se torne realidade!

 

Também passei por experiências importantes, como estar em uma das edições do Corra Pela Vida, pela luta contra a Violência contra a mulher e sua valorização através do esporte. Eu também gravei um comercial pra Globo e um pra Nike!

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Eu também tive muita sorte em 2014, de ter grandes amigos do meu lado, me apoiando em vários aspectos. E também de ter o apoio da minha família no esporte, que, acima de tudo, é o meu modo principal de me reabilitar. Sim, o plano A continua ser voltar a andar. Mas eu ainda continuo convicta que quem fica parado é poste, e enquanto meu corpo não desperta para o andar, eu tenho o plano B, o esporte que só tem me trazido coisa boa!

E graças ao esporte eu conheci muita gente bacana nesse ano! Tanta gente que nem conseguiria contar! E através das redes sociais, tanto aqui no blog, como no face e no instagram, eu recebo muito apoio e motivação. Todas as vezes que penso em parar de escrever aqui, ou postar no ig, eu recebo alguma mensagem de alguém, dizendo que eu pude ajudar dessa ou daquela forma. Aí eu sinto que meu principal objetivo ao fazer o blog, está sendo cumprido. E só posso agradecer a cada um de vocês, que me manda mensagem, agradecendo ou até pedindo pra escrever sobre determinado assunto!

Eu também tive a confiança de muitos profissionais e empresas. Estando do meu lado desde o início, ou entrando na minha vida no decorrer do ano, ou ainda para eventos pontuais, essas pessoas acreditaram em mim como atleta e eu só posso agradecer imensamente por isso! E prometer me esforçar ainda mais para honrar essa confiança.

Tive também o apoio da imprensa. Tanto local, em jornais e revistas da minha cidade, quanto revistas e sites de alcance nacional. Além de alguns programas de TV. Acho que o mais legal de todos foi o Chegadas e Partidas, quando eu e as meninas estávamos indo pra Buenos Aires e fomos paradas pela Astrid no aeroporto. Durante a entrevista eu comentei que faria aniversário de lesão no deia 22 de outubro. E eles passaram a reportagem no dia 22 de outubro. Foi um presente incrível e super significativo pra mim!

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Sim! Comemorei esses 2 anos de vida e comemoro todos os dias 22 de todos os meses.

Esse ano que passou, fiz muita coisa diferente, mas também continuei fazendo muita coisa que sempre fiz. Sou a mesma pessoa que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música cantando e berrarrando a letra a plenos pulmões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

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Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

Nas primeiras horas de 2015, uma pessoa me perguntou se eu estou perto de juntar meu primeiro milhão. Eu ri. Disse pra pessoa bem assim: “Sempre que você me perguntar, eu provavelmente terei pouco dinheiro na conta. Porque provavelmente eu terei acabado de ir viajar pra algum lugar, ou pra passear, ou pra alguma prova. Eu prefiro viver do que juntar dinheiro.”

Eu ainda odeio minha barriga flácida de tetraplégica. Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo! Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

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Depois que vc vê a morte de perto e Deus te dá outra chance, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

Eu já disse um montão de vezes, mas eu não canso de repetir. A repetição é a mãe da retenção, pra mim e pra vocês! Com certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma.  Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que10811258_718742151550713_2064213594_n vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente. Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Tem gente que junta seu “um milhão” em dinheiro, mas não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, va10678686_879401312070556_2912020854838005937_ni fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

Meu ano foi assim, cheio de pedacinhos. Pedacinhos que me viraram de ponta-cabeça mil vezes. Pedacinhos amigos. Pedacinhos amores. Pedacinhos dores. Pedacinhos conquistas. Pedacinhos troféus e pódios. Pedacinhos decepções. Muitos e muitos pedacinhos sorrisos. Com certeza foi o melhor ano da minha vida! Tomara que 2015 seja tão competitivo quanto eu e queira superar 2014!  Mas eu que não vou ficar sentada esperando acontecer, né! Eu vou é correr atrás. Do jeito que eu consigo correr. Do meu jeito!

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17
dez

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Facebook tem legislação pra foto??

Gente, to aqui indignada! Então to passando esse post na frente dos outros que eu tava preparando pra semana!

Na Volta da Pampulha, no meio dos fotógrafos vinculados à organização, havia um fotógrafo, tirando fotos de tooooodo mundo. E ele tirou uma foto da minha chegada e postou numa fan page, lá, abertão, pra todo mundo ver!

Eu, toda boba e feliz com a foto (principalmente após o ocorrido “quase não corri a corrida”), fui lá e postei a foto no post que fiz aqui no blog. (https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/)

E, como pata tecnológica que sou, obviamente preservei a logo e o nome do fotógrafo, que estavam na foto, porque nem sei tirar essas coisas. E (e de novo!), como se não bastasse, ainda fiquei agradecendo “mil” ao fotógrafo, por tirar a minha foto na chegada.

Aí, passaram 2 semanas, o tal fotógrafo me manda uma mensagem. Eu juro que copiarei aqui, sem alterar nada! (Sim, os erros de português são esses mesmo, gente).

Identificamos o uso indebido de una imagen retirada da fan page da tonafotobrasil e posta em seu site sem a nossa previa e expressa autoriza al. Solicitamos a retirada imediata da imagem do site e se abstenham de utilizar nossas imagens sem autoriza al de acordo com a legislacao em vigor.

E assinou a mensagem, como sendo Diretor Proprietário do que eu julguei ser uma empresa de fotografia, pra depois descobrir que é uma fan page, como a que eu tenho e como a que um monte de gente/atletas/empresas/assessorias/todo-mundo-que-quiser tem. E que o fotógrafo é independente, não ligado à alguma empresa que tenha autorização da organização da prova pra estar ali fotografando.

Eu fiquei meio indignada com o jeito que o moço me escreveu (vou tentar me controlar até o fim do post pra não falar nome, sobrenome, nome da empresa e tudo mais! Será que eu consigo?). Primeiro, eu  retirei a foto do meu post e coloquei uma foto preta, no estilo “aqui jaz”. Aí pensei “desde quando existe legislação pra foto publicada em fan page no facebook?”.

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Pra não falar nem fazer besteira, fui consultar. Não os universitários, mas fotógrafos, jornalistas, publicitários e advogados. Até fiz um post no face e tive bastante respaldo de muita gente que entende do assunto. O que um dos advogados me disse é que “a matéria sobre isso ainda é muito controvertida, nosso ordenamento jurídico ainda não absorveu esse impacto que as redes sociais provocaram na população. De toda forma, a lei de direitos autorais e intelectuais é clara quanto a isso. Se na obra intelectual (foto) existe uma pessoa (modelo), essa imagem só pode ser divulgada mediante expressa autorização. Se ele não tem,  o mais errado na questão é ele.”

Além disso, se ele divulgou a foto na fan page dele, ele tem a intenção de divulgar o trabalho dele (mesmo colocando que as fotos não são pra fins comerciais. Se está na fan page, tem caráter comercial, sendo a promoção de um evento ou do trabalho do fotógrafo). E  a matéria é Sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça:

Súmula 403 – Independe de prova ou prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

 

Se o fotógrafo publica uma foto minha sem autorização, o errado é ele de usar a minha imagem sem que eu autorize. O caso se agrava pois eu dei os créditos a ele pelo trabalho realizado, preservando sua logo e nome, pra todo mundo ver, do jeitinho que ele deixou. E ele ainda criou caso comigo!

Na verdade, senhor Marcelo, você devia me pagar uso de imagem, por tirar e divulgar minha foto sem meu consentimento, não eu a você, já que dei a você os créditos pela foto!

Querem saber mais sobre a lei 9610/98 sobre direitos autoriais e, em contrapartida, o respaldo jurídico sobre uso indevido de imagem? Ta tudo aqui, nesse link, num artigo que a Dr. Eliane Y. Abrão publicou  http://www2.uol.com.br/direitoautoral/artigo02.htm

Enquanto isso, meu post ficou sem foto da chegada… Mas não é isso que vai tirar a alegria do que foi aquele momento pra mim! E eu tenho bons amigos fotógrafos, como a Fernanda Balster e o Tiago Barros, que tiraram lindas fotos minhas nessa prova (e em outras!) E se o senhor Marcelo quiser continuar criando caso comigo, eu tenho tudo salvo e uns advogados porretas querendo me ajudar… Quem tem amigo, tem tudo!

11
dez

1

1,2,3, testando…Cadeira de atletismo

Olha só como é a vida, né! Eu passei meses, pra não dizer mais de um ano, querendo experimentar uma cadeira de atletismo. Queria sentar, ver como era, se era mesmo difícil como falavam…Lá na Pampulha, tive problemas pra correr, justamente por não ter uma cadeira dessa, mas usar uma handbike.

Desde que voltei de Rio das Ostras, estava combinado com o técnico que eu viria pra Taubaté, logo após a Pampulha, pra fazer uns testes e adequar meus treinos pra 2015. Chego aqui domingo à noite, e o primeiro treino da segunda de manhã foi…foi… (dou um chocolate pra quem acertar!!). É! Foi na cadeira de atletismo! Fomos pra pista de treinamento da cidade e eu sentei em uma, pela primeira vez.

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É mesmo bem difícil como me falaram. Amarramos meus pés embaixo do assento, pois eu não consigo “sentar” em cima deles, como é costumeiro fazer. Como meu controle de tronco é meio complicado, eu me desequilibrei várias vezes. E meus bracinhos de Horácio também não deixaram que eu desse a volta toda no aro de impulsão. Além disso, to com um roxo gigantesco no braço direito, que ficava batendo no protetor de roda. E meu técnico carrasco disse “e daí?”. Pois é! Como diria minha amiga Fer, “cada um tem o que merece”. Eu devo ter feito muita maldade nesse ano, pra merecer um Capitão Nascimento na minha vida! hahahahhahaha

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Pra quem me acompanha há bastante tempo, sabe que meu lado direito do corpo é bem mais forte que o esquerdo. Assim, eu também me compliquei pra fazer a cadeira andar em linha reta (mesmo o Carrasco tentando regulá-la umas 85 vezes).

Apesar de todas essas dificuldades, eu gostei muito da experiência. Sabe criança quando ganha doce e se lambuza tudo? Essa fui eu, no treino. Claro que eu não contei isso pro Capitão Nascimento, nem pra ninguém! Porém, eu estava sonhando com esse momento há tempos, e me realizei, apesar de ter feito um treino de franga “desequilibrada”.

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Mas, pra quem tá sonhando com o triathlon desde antes do acidente, eu vou ter que dar um jeito desse trem funcionar pra mim. Infelizmente a cadeira é da equipe de Taubaté, não minha. Então, eu só poderei usá-la quando vier pra cá treinar.

Um dos desejos pra 2015? Por um ano com mais equilíbrio de tronco, menos roxos no braço e mais capacidade física de, finalmente, fazer um triathlon! Ou uns…

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09
dez

13

Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

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E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

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Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

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Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

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