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nov

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Pernas de aluguel

Gente, primeiro vou pedir desculpas  por ter sumido do blog uma semana! Quem me conhece sabe que sou a pata tecnológica. E fiz o favor de cagar meu notebook de novo, não sei como! A assistência remota deu falência dos órgãos, mas meu cumpadre Bruno providenciou “a volta dos que não foram”  e salvou meu note, o blog, as fotos de corrida, os vídeos das minhas melhoras e tudo mais! ufa!!

Desde que fiz o blog, eu prometi uma sessão pra falar de outras pessoas, especialmente mas não necessariamente cadeirantes, e suas mudanças na vida, em busca de um estilo de vida saudável. Porque ninguém merece eu só falar de mim, de mim, de mim…Primeiro a coluna não tinha nome. Porque eu queria “Gente como a gente”, mas descobri que no blog da minha amiga Debs tem uma com esse nome também. Inclusive eu já apareci la! 🙂   Depois, eu pedi pra um monte de gente escrever algo pra eu postar. E as respostas eram sempre as mesmas: “deixa eu emagrecer mais um pouco”, “to trocando de nutricionista”, ‘”to mudando meu treino”…e a coluna ficou lá vazia, esperando uma inauguração!

E hoje, com muita alegria, inauguro a coluna Gente Saudável com o projeto Pernas de Aluguel!

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No dia da Golden Four SP, láááá em agosto, acabou a prova, eu passei pra minha cadeira de uso pessoal e fiquei lá, confraternizando com os amigos. Aí, um moço não parava de me olhar. Olhava pra mim, pra cadeira, pra cadeira e pra mim. Tinha um ponto de interrogação bem no meio da cara dele.  Dei oi e a pergunta dele foi “Você correu com essa cadeira?”. Conversamos e naquele dia que conheci um cara super especial chamado Eduardo Godoy.

O Edu é corredor há dois anos e meio e há 12 é voluntário na Associação Beneficente Comunidade Rainha da Paz, em Santana de Parnaíba, que cuida de crianças com deficiências físicas e mentais.  Inspirado pela história  de Dick e Rick Hoyt. (Postei um vídeo com a história deles aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/03/19/historia-inspiradora/ ) o Edu decidiu dar a sensação de correr às crianças atendidas pela Associação e criou o grupo Pernas de Aluguel.

Do sonho pra realidade, o Edu demorou pra conseguir colocar a ideia em prática. Eu apresentei ele pra Fer (que tem muito mais experiência em corridas com triciclo do que eu) e falamos pra ele sobre a empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos. A Fer os colocou em contato e também apresentou o Edu pra um grupo de amigos nossos, o Klabhia, que correm com seus filhos.

pernas de aluguel 2A primeira cadeira que o Pernas de Aluguel conseguiu, foi feita nas medidas da maior criança da Associação, para que pudesse ser adaptada e diminuída para atender outras crianças. Doaçoes de acessórios, como capacetes e itens de segurança foram conseguidos. E toda a equipe de profissionais do Rainha de Paz se reuniu para escolher quem seria o primeiro atleta a participar. O escolhido foi Wesley, de 23 anos. A corrida foi  a meia maratona do Circuito Athenas, dia 2 de novembro.

E eu, através do Edu, consegui conversar com o Wesley e a irmã dele, que estava junto na corrida, pra saber o que eles sentiram e qual a importância da corrida e do esporte pra eles. As respostas do Wesley da Silva Santos, que foram dadas através de gestos, foram transcritas pela irmã Cristina Cavalcante Lima dos Santos

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1) O que vc sentiu com a corrida?

Wesley, com gesto coloca a mão no peito’coração’ e depois abre os braços, com sorriso Largo …fala “gosto muito”. 

E fica agitado pra mostrar a medalha, quando faço a pergunta!
Convivemos com ele, essa reação de colocar a mão no coração é que amou.

2) vc gostou?

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3) a corrida foi importante pra você?

Muitoooo barulho e faz sinal com o polegar de jóia!

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Agora  perguntas pra Cris, a irmã corredora.

1) o que vc sentiu com o evento?

Senti muita emoção, foi possível realizar o sonho dele. Foi um bombardeio de troca de amor fraterno entre todos. Uma experiência única, naquele momento ser uma colaboradora, emprestando as pernas para o meu irmão se sentir como todos. Foi emocionante. Não encontrei nenhuma palavra que expresse o bem que senti! Foi como receber uma benção muitoooo grande! E não quero deixar nunca mais de ser Perna de Aluguel kkkkkk Quero que outras pessoas, como meu irmão, sintam a felicidade que ele vivenciou.

2) Qual foi a importância da corrida pra você, com relaçao ao seu irmao?

 Eu vi meu IRMÃO muitoooo feliz por fazer parte do evento, nenhum momento vi sentimento de inferioridade.  Vejo isto de grande importância pra auto estima dele , a maneira como ele se vê! E é mais uma ferramenta pra usar na motivação do seu tratamento contínuo.

3) Você acha que foi importante pro Wesley? 
S.im Ele virou o assunto na família, amigos, vizinho.Ele quer mostrar a medalha, o vídeo pra todo mundo. Como já mencionei, fez muito bem pra sua auto estima!
Ele fortaleceu vínculo com as pessoas envolvidas ;pede pra eu repetir os nomes dos amigos que passam no vídeo.
Ele é muitoooo amoroso e ficou mais. ..
Quando ele conheceu um amigo que se chama Daniel cadeirante, ele se identificou, como “olha,  ele é o que mais parece comigo!”.
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Conversei também com o Terapeuta Ocupacional Daniele Poppsts Swerts
, profissional do Rainha da Paz que acompanha o Wesley de pertinho. Como ela viu a corrida, com relação ao Wesley?
Quem conhece o Wesley sabe que o seu sorriso expressa ALEGRIA CONTAGIANTE. A corrida  foi ferramenta de expressăo dessa alegria e estreitou relações, como a dos irmăos, que também participaram direta e indiretamente do evento.
A dimensão  e impacto de um evento como esse para um adolescente cadeirante , faz com que ele possa perceber que a cadeira de rodas não é o limite e que podemos sim proporcionar igualdade minimizando as impossibilidades e maximizando as posibilidades. Que muitas outras corridas venham!!!

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Na corrida, o grupo permaneceu unido, pois o esforço de correr empurrando uma cadeira é muito maior, e os corredores fazem sistema de revezamento. Segundo Edu, o apoio de outros corredores e de quem estava assistindo, foi fundamental. “As pessoas passavam acenando, aplaudindo, comemorando. E com isso, o Wesley se sentia ainda mais feliz. No fim da prova, ver o rosto e as reações dele foi algo impagável.

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O Pernas de Aluguel fez um video emocionante, inclusive com o momento em que Wesley pega a medalha. Se você quer chorar, copie o link abaixo e assista o vídeo!

https://www.youtube.com/watch?v=CWArnQsZy2U&feature=youtu.be

Após o sucesso da primeira corrida, um dos apoiadores do projeto doou uma segunda cadeira, que está a caminho. E uma terceira já está nos planos. Isso porque, as crianças do Rainha da Paz estão fazendo fila pra ir pras corridas! Ao ver o vídeo e a medalha do Wesley, todas querem ir também!

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Eu sei que um monte de amigos meus, corredores, vivem em busca de novos desafios. E no começo, todo mundo queria me ver de volta às corridas e um montão se ofereceu pra me empurrar (inclusive na São Silvestre 2012, logo após o acidente!). Agora que eu já tive ajuda que precisava pra estar com vocês, porque não ser um Perna de Aluguel? Como o sistema é de revezamento, dá pra empurrar um pouco e correr um pouco solto pra se recuperar! E você também pode doar para a aquisição de novos triciclos! É só entrar no site  http://pernasdealuguel.com.br/ Tudo por uma vida saudável sobre rodas!

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10
nov

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2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

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Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

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No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

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Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

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10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

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Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

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10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

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Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

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04
nov

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Privação visual e treinamento de força

Você já pensou em treinar com os olhos vendados?

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Nossos grupo publicou dois estudos em 2007 e 2010 relacionando treinamento de força e privação visual. Em 2007 foi publicado na revista brasileira de cineantropometria e desempenho humano um estudo com 12 homens experientes em treinamento de força que apresentaram significativos ganhos de força quando realizaram o teste de 1RM com privação visual. Entretanto, estes ganhos foram maiores para membros inferiores quando comparado com membros superiores (supino ganhos de 5,37%, puxada pela frente ganhos de 5,12%, leg press ganhos de 8,25%).

Por outro lado, em 2010 publicamos outro estudo na revista brasileira de prescrição e fisiologia do exercício, porém, testamos 11 mulheres. As mulheres foram submetidas ao teste de 1RM com e sem privação visual. Concluímos que as mulheres apresentaram significativos ganhos de força durante o teste com privação visual, porém maior destaque para o desenvolvimento de força nos membros superiores quando comparado aos membros inferiores (supino ganhos de 14,2%, puxada pela frente ganhos de 10,2%, leg press ganhos de 5,6%).

A prática de treinamento de força com privação visual parece ser mais eficaz para os grupos musculares que habitualmente o indivíduo menos treina. Assim, através da privação visual ocorre o aprimoramento dos mecanismos reflexos e princípios homeostáticos que auxiliam no aprimoramento do comportamento institivo que regula as ações motoras através do sistema cognitivo de regulação, consequentemente, aumentando a auto-eficácia (rev bras cineant desemp humano 2007; 9(2):177-182….. Rev Bras Presc Fisiol Exerc 2010; 4(24): 587-592).

Bons estudos
#ondeosfracosnaotemvez

alex4Alex Souto Maior                                         Doutor em Fisiologia. Mestrado em Engenharia Biomédica. Especialista em treinamento de força e possui graduação em Educação Física . Atua no programa de pós graduação stricto sensu em Ciências da Reabilitação. Ministra palestras e cursos em diversas regiões do país sobre treinamento de força, suplementos alimentares e desempenho física, sistema cardioendócrino e atividade física e atividade física para grupos especiais. – Instagram @alexsoutomaior

 

30
out

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Outubro Rosa

Está chegando o fim do mês mais lindo do ano! O mês em que eu nasci e renasci. Mas resolveram pintar de rosa o meu mundo azul e eu divido esse mês com mulheres lindas, que lutam pela vida ao redor do mundo.

outubrorosa_0001O Outubro Rosa surgiu nos EUA, começando com ações isoladas, que depois foram unificadas e se transformaram num movimento lindo que, literalmente, dominou o mundo. A primeira Corrida pela Cura aconteceu em NY em 1990. E hoje, temos corridas e caminhadas o mês inteirinho no mundo todo. A primeira ação que chamou atenção no Brasil aconteceu em São Paulo, no dia 02 de outubro de 2002, quando o Obelisco foi todo iluminado pela cor que simboliza a luta contra o câncer de mama.

Eu descobri que o câncer existia quando ainda tinha uns 6 anos de idade, e um amiguinho de 4 anos morreu de leucemia. Acompanhamos o tratamento, ele ficar carequinha e meus pais explicaram o que estava acontecendo com ele. Depois de adulta, convivi de perto com amigas que lutaram contra o câncer de mama. Umas lutaram bravamente até o fim. Outras venceram e tem lindas histórias pra contar.

Aqui em Ribeirão Preto, minha cidade, em Arraial do Cabo (RJ), em São Paulo, e em várias outras cidades do país, tivemos corridas e caminhadas durante todo o mês, pra arrecadar fundos para o tratamento de mulheres no Brasil todo. Mas, eu quero destacar algumas coisas específicas!

Pra quem me acompanha, sabe que sou amiga da Debs (blogdadebs.com.br). Ficamosdebs amigas durante o processo de quimio e eu tentei acompanhar tudo o mais de perto possível, mesmo não morando perto. No Blog dela há várias dicas, desde alimentação, até maquiagem  e motivação, pra quem está passando por esse período de tratamento (seja seu ou de alguém da família).  E não é nada baixo astral. Pelo contrário! Ela encarou tudo de forma positiva e mostrou que a sua atitude é fundamental no processo de cura.

 

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O mês de outubro também me trouxe uma mulher maravilhosa, que agora posso chamar de amiga. A Paty, do Rio de Janeiro. Há 5 meses diagnosticada com câncer, ela tem um astral super mara e, preocupada com outras mulheres que estejam em tratamento, organizou um dia de beleza apenas para pacientes oncológicas. O vídeo ta incrível!

 

https://www.youtube.com/watch?v=B_T-NXaHxvQ&feature=youtu.be

 

Ontem eu participei de um dia de doação de cabelo, conversa e muito carinho no Lunna Spa, aqui em Ribeirão. Gente, teve muuuita mulher doando cabelo. Mas o mais lindo foi ver meninas, de várias idades, doando seus cabelos para outras meninas que precisam. Acreditem: as duas primeiras doações e a última, foram de crianças! O cabelo doado foi para o GAAC. Até sábado, 10% da renda do Salão vai para o Hospital do Câncer de Ribeirão Preto – Fundação SOBECCan. Se você vai se arrumar, fazer unha, escova, passa lá! Além de ficar linda, você estará ajudando essa causa nobre.

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Tenho também grandes amigas, A Fer Bulhões, a Mônica Locchi e a Thatá Rodrigues, que organizam eventos solidários no estado de SP, atrás da Zumba. Há 2 anos atrás, um pouquinho antes do acidente, eu fui voluntária e me diverti muito num evento desses. Esse ano, teve Caminhada, Zumba e venda de camisetas, cuja renda vai para o ABRACCIA.

zumba

 

E pra encerrar esse post, deixo o canal do Youtube do Divas Que Qorrem. Em comemoração ao Outubro Rosa, mulheres como minha amiga Debs e minha amiga Ivonete, contam que em vez de só sobreviver, elas resolveram viver da forma mais intensa possível, um dia de cada vez, um km de cada vez, igual na corrida.  Exemplos de mulheres que em vez de se debruçar na autopiedade, escolheram viver intensamente a vida e não o tratamento, e como a corrida as tem ajudado nisso!

https://www.youtube.com/user/divasquecorrem

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Por que eu escrevi tudo isso?

Pra mostrar a importância de nós, mulheres, estarmos sempre atentas, fazendo o auto-exame, conversando com nossos médicos. Pela nossa saúde! Pela nossa vida!

22
out

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Tenho 2 anos! Parabéns para mim!! o/

É hoje o diaaaaa, da alegriiii-i-aaaaaa! E a tristezaaaa, nem pode pensar em chegaaaar. Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feeeeliizz que eu! Diz aí! Diz aí!!!

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Sim, siiimmm, siiiiiiiiiiiiiiiimmmmm!!!! Hoje eu completei 2 anos de vida! 2 anos de lesão, 2 anos de acidente, de vida nova, de cadeira de rodas. Sim, eu comemoro! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!”

10325410_791961860814502_2073472362398210166_nEu comemoro sim! E fico muito brava e indignada quando vejo cadeirantes todas/todos tristes, cheios de  lamúrias e lamentos “ai, que droga, hoje completo tanto tempo de lesão”.  Tá louca minha filha? Preferia ter morrido? Preferia causar mais dor à sua família? Preferia estar pior do que você está? Eu não preferia! Eu to bem, obrigada!! É…não to ótima. Estarei ótima quando puder voltar a correr e dançar. Por enquanto, eu to bem, obrigada!

Pra quem não me acompanha desde o começo, o que mudou na minha vida do dia 22 de outubro de 2012 pro dia 22 de outubro de 2014? Tudo! E nada!

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Em 2012, eu era professora. Apesar de morrer de saudade dos meus alunos, hoje não sou mais.  Apesar de ter lesão alta e ser considerada tetraplégica (não é só a questão de movimentação. A tetraplegia envolve também outras demandas, como dores agudas, perda da sensação de frio e calor, ausência permanente da capacidade de transpiração, espasmos, queda de pressão e tudo isso eu tenho de sobra. Minhas pernas esfriam e não esquentam mais, a ponto de eu sentir dor neuropática, outro demanda da tetraplegia) eu recuperei um pouco dos movimentos das mãos. Mas, mesmo com letra feia, não consigo escrever mais que duas linhas. Tenho espasmos nos dedos e a caneta cai da minha mão. No final da primeira linha já estou tremendo.

Acabei me apegando fortemente a esporte, tanto pra me reabilitar quanto pra buscar uma nova profissão. Ainda não sou profissional. Mas, como em qualquer profissão, que você precisa estudar, se empenhar,  se especializar, tentar e tentar, procurar um emprego, começar de baixo e ir devagarzinho subindo os degraus, eu estou tentando. Comecei do zero. Do nada! Estou tentando, estudando, começando de baixo, devagarzinho, tentando subir os degraus.

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Passei muitos percalços no esporte, tentei daqui, tentei dali…Mas agora, graças ao presente dos meus amigos – a handbike – eu to fazendo o que eu queria e mais amo: correr. E estou tentando trilhar um caminho novo. Sozinha está difícil, de vez em quando eu levo uns sustos, mas prefiro esses sustos do que não fazer esporte nenhum!

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Meu equilíbrio de tronco não é aquelas belezas, mas já melhorou muito, com relação ao que era no começo! Ainda tenho o corpo todo bagunçado de temperaturas. Tem dias que coloco  a mão em mim e canto a “Dança da manivela”, dizendo que aqui ta quente, aqui ta frio, muito quente, ta frio. Tem dias que to com calor no tronco e pescoço e dor neuropática porque as pernas estão geladas (como por exemplo, agora!).

Mas por dentro sou a mesma pessoa de antes, que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música e berrar a letra a plenos pulIMG-20140915-WA0077mões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

dani1Ah, eu não deixei a vaidade de lado nem no hospital! E preciso agradecer minhas amigas que me supriam com maquiagem, shampoos…rsrs Eu sempre me maquiava, até pra ficar em casa. Hoje continuo com uma das minhas marcas registradas: lápis preto nos olhos.

No começo manter a vaidade foi bem difícil. Devido à anestesia da cirurgia e muitas medicações, perdi quase 80% do cabelo e minha pele ficou lotada de espinhas.
Agora, meu cabelo está crescendo. Os fios novos estão quase nos ombros. Mas misturados com os fios antigos, meu cabelo ainda tá estranho rsrs Mas nem por isso eu deixo de arrumá-lo pra sair. Passei milhões de cremes nas espinhas, fiz algumas sessões com uma amiga especialista em laser e Led, e agora meu rosto está mais limpo.

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Meu corpo é outro. Minhas pernas grossas e musculosas já não são as mesmas faz tempo. E agora, além de finas, uma é mais fina que a outra.Minha barriga sarada foi trocada pela famosa “barriga de tetra (tetraplégica)”, flácida devido à falta de contração muscular, principalmente no abd inferior. Tive que aceitar meu corpo novo. Claro que sinto falta do corpo antigo, mas não adianta viver de passado. Tento me arrumar e ficar bonita o máximo que eu posso.
Gosto de estar sempre cheirosa. Continuo usando anti rugas, porque to com os pés e as rodinhas nos 30 (acabei de fazer 29). Não é porque estou na cadeira de rodas que vou ficar por aí desleixada.

Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo!
Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

IMG-20140216-WA0002Depois que vc vê a morte de perto, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

485462_886413038036050_5727372151154729224_nCom certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma. Vi a morte de perto e Deus me deu outra chance. Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

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Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente.20140907_111440

Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Que vc trabalhar e voltar pra casa e ter uma vida vazia só por dinheiro não vale a pena.
Tem gente que tem um relacionamento e só ta com a pessoa de corpo presente. Chega do trabalho, deita na cama e dorme. Não faz nada junto, não passa tempo de qualidade, não para pra beber uma taça de vinho e conversar, ou pra dividir uma panela de brigadeiro sentados na cama enquanto assistem um filme.

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Tem gente que só dá valor pros avós depois que os perdem.
Tem gente que tem filho, mas não cria o filho, não brinca junto, não se diverte junto, não sai pra andar de bicicleta, não lê uma história pra criança, não cria lembranças com a criança.

10678686_879401312070556_2912020854838005937_nTem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

 

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21
out

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Adidas Boost Endless – um sonho que quase virou pesadelo

Ainda estou digerindo tudo me aconteceu domingo!rs  Juro! Essa corrida foi boa demais, mas também foi um misto de sentimentos, devido ao desafio +1km! Vou contar o motivo!

Primeiro, vou falar sobre a prova em si! Pra quem nunca ouviu falar, o desafio Adidas Boost Endless consiste em algo que eu chamo de “3 corridas em 1”. Primeiro você corre 10km. Descansa (cerca de 30minutos) e corre mais 5km. Os tempos dessas duas distâncias são somados. Os 100 homens mais rápidos e as 50 mulheres mais rápidas disputam um tiro de 1km.

Quem me conhece sabe que sou louca por coisas diferentes e virei a louca das inscrições. E quando soube da prova, eu queria fazê-la. A lógica seria fazer em São Paulo, bem mais perto da minha cidade. Porém, o percurso não favoreceria muito a cadeira/handbike. Então, optei por fazer no Rio de Janeiro. A prova no Aterro seria delícia e eu poderia correr de novo no Rio depois de 2 anos!

Cheguei na sexta-feira pra retirar o kit e fui super bem recebida na loja da Adidas, tanto pelo pessoal da empresa quanto pelo pessoal da Latin, empresa organizadora. Sábado, por um milagre, eu deixei tudo separado, roupa, tênis, número de peito…não deixei nada pra última hora.

Porém, meu medo de perder a prova começou no domingo de manhã, quando um acidente fez com que a via que escolhemos (por ser mais rápida) pra chegar até a prova estivesse bloqueada. Tivemos que dar a maior volta pra conseguir chegar lá (eu estava hospedada na casa da Dani, do outro lado da cidade). O Paulo, meu amigo-anjo, teve que ter a maior paciência comigo, toda desesperada dentro do carro. (Pra quem  não viu no instagram, o Paulo é amigo de um amigo. Ele não me conhecia e anulou sába1620829_884936934850327_7632849102251115215_ndo à noite e domingo de manhã, só pra me levar na corrida, me ajudando a transportar a handbike). E sim, quase perdi a largada mesmo! O staff pelo caminho não sabia nos informar nada e não nos deixava passar com o carro pra descarregar a hand, apesar de eu ter sido autorizada por um moço da Latin, na sexta-feira.

 

Cheguei na largada  faltando 10 minutos, mas sem o chip. Enquanto o Paulo corria pra pegar o chip, eu tentava convencer o pessoal da organização a me ajudar a posicionar a hand, que daria tempo. Mas, acharam melhor eu largar por último. Correria total, a roda da frente da hand soltou e o Paulo teve o maior trabalho pra recolocar. Dois meninos (umas graças, me ajudaram o tempo todo), ajudaram o Paulo a posicionar a hand, me ajudaram a posicionar e amarrar as pernas. E lá fui eu, no desespero, sem dar tchau!

No percurso todo dos 10km, eu tive que pedir licença…tá, eu gritava pra pedir licença! Mas eu pedia por favor!!rs Fui ultrapassando vários corredores, brecando várias vezes pra não atropelar ninguém. Estava sem música, porque não deu nem tempo de colocar os fones e ligar o celular. Desesperei quando vi que a água não saía pela mangueira do camel back. A mangueira devia ter dobrado. Na correria, nem tive tempo de testar. Tive que parar duas vezes pra pegar água na prova. Bebia um pouquinho, coloca o copo aberto no colo e ia bebericando no caminho.Bebendo o que sobrou, né?! Porque a água caía todinha no meu colo hahahaha.Ainda bem que estava calor! Enfim, faltou hidratação pra mim  e eu sabia que isso me prejudicaria na prova de 5km (e talvez na de 1km, se eu fizesse).

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Passei pelo pórtico dos 10km e o relógio marcava 48min. Não estava cansada e não tinha nem ideia do meu tempo, porque larguei atrás e não lembrei de olhar o relógio do pórtico quando larguei. Teria que esperar…Ai meu coração de curiosa!!rs  Qual foi minha surpresa quando o Paulo, meu amigo-anjo, estava ali, me esperando! Achei que ele fosse me deixar lá e ir embora..rs Mas não! Me acompanhou a manhã toda! Me ajudou com água, tirou fotos, ficou comigo no descanso… Optei por ficar na handbike no período entre os 10 e os 5 km. Era so comer e beber..Mas acabei saindo dela e sentando na grama, na sombra, um pouquinho, conversando com o Paulo e vendo o pessoal. Até ali, foi uma coisa meio “Buenos Aires”. To acostumada a correr em SP, cheia de amigos. E ali, no RJ, me senti como em BA enquanto esperava as meninas, sem muitos amigos por perto. Mas isso logo iria mudar.

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10 minutos antes da largada dos 5km, já fui me posicionar, conforme orientação da organização. Dessa vez, largaria na frente. Ao meu lado, uma atleta deficiente visual e sua guia. A guia veio me dar oi e desejar boa prova. Olhei pra ela e disse “acho que conheço você. Você não é amiga do Vinícius (meu amigo corredor – que tá parado – do RJ)?”  Pronto! Foram sorrisos e risadas. E abraços! A Márcia lembrou de mim! E como corre essa mulher. E ela me apontou mais um corredor conhecido, que estava bem atrás de nós, na linha da largada. Largamos! No começo, fui que fui…até que ouvi um “plec” na corrente. A marcha desregulou, a corrente saiu do lugar. Foi pra marcha pesada e não voltava. Estava travada. Olhei pra frente e…subida! Era uma subida besta, que eu faria facilmente…se a marcha não tivesse quebrado…de novo!!! (eu já não sei mais o que fazer com isso).

Quase morri pra hand subir aquilo… Mas continuei pedalando…. Fui beber água e, apesar de ter testado a mangueira antes de sair, ela dobrou de novo e eu não tinha água…de novo!! Resultado? Quebrei! Óbvio! Sem água naquela calor! Mas eu tenho bons amigos que, sem saber, passaram por mim, deram oi, e isso me animou a continuar. Como o Eduardo, que me chamou, deu tchauzinho..não conse10632651_10152370994691283_1635800851599196429_nguimos tirar foto juntos, mas os fotógrafos da prova fizeram isso pra nós!…Dei meu máximo, mas chegou uma hora que os braços já não iam mais. Eu pedalava na reta parecendo que estava na subida. Gente, tem que rir pra não chorar! Nessa hora, eu resolvi pedalar do jeito que dava, curtir minha música e aquele visual maravilhoso. Eu já estava paquerando aquele céu, aquele sol e aquelas montanhas desde a prova dos 10km. Pra quem não sabe, eu e o Rio vivemos num caso de flerte e amor eterno (apesar de eu ter que dividí-lo com minha amiga Kauana). Então, naquele momento, eu não tinha nada melhor pra fazer, a não ser cantar e olhar a paisagem, fingindo que eu estava dando uma voltinha de hand pelo Aterro. Avistei a linha de chegada e quando passei por ela, meus braços caíram de cansaço!

Logo vieram o Paulo e os dois mCYMERA_20141021_123221eninos do staff, me dar água, e me ajudar a passar pra cadeira. Nessa hora, toda descabelada, a corrida começou a ficar boa. Aquela sensação de endorfina, aquela coisa boa de final de prova, invadindo meu corpo. Eu, toda descabelada pelo tira e poe capacete, comecei a encontrar amigos. Primeiro foi o Rafa..aaahh, como eu queria encontrar esse homem! rsrs  Depois foi a Debora! Que surpresa boa!  Delícia abrCYMERA_20141021_122136aça-la e conversar um pouquinho. Pronto! Eu já tinha ganhado o dia!

 

Daí, fui ao banheiro, comi, bebi um monte de água, passeei, fiz massagem, cumprimentei mais amigos e conhecidos. E fui olhar o telão com meu tempo. Pelas minhas contas eu tinha feito os 10km + 5km em 1h10 (mas na verdade deu menos que isso!! uhuuu) e a última das 50 mulheres que disputariam o desafio +1km fez em 1:15..ou seja, eu consegui o índice! Por que meu nome não estava lá?

Ao lado do telão tinha uma mesa com computadores e eu fui perguntar. A moçCYMERA_20141021_122230a não sabia me informar nada, mas disse que procuraria alguém pra me ajudar. Enquanto eu esperava, fui convidada a dar uma entrevista, falando sobre a prova, como foi correr, parar e correr de novo, sendo cadeirante. Gente, vou falar pra vocês o que falei pro moço. Foi difícil! Foi desafio mesmo! To acostumada a correr 21km e minha segunda volta é sempre melhor que a primeira. Essa coisa de parar e correr de novo, ainda mais por ter ficado sem água, foi complicado! Só a massagem pra me salvar!rsrs  Ali no final da entrevista, encontrei a Marcia de novo, rimos, tiramos foto e ela me deu uma dica de prova pro ano que vem!

Logo, fui procurar a moça dos computadores de novo. Já tinha um rapaz me esperando. Ele me indicou a mesa de cronometragem ao lado do pórtico de largada. Cheguei la e fiz a mesma pergunta que tinha feito duas vezes antes: “Pelas minhas contas, meu nome deveria estar entre as 50 pra correr o último km. Você pode ver meu tempo, por favor? Queria saber porque meu nome não está lá”. Aí a coisa começou a ficar séria quando ouvi “vou confirmar, mas deve ser porque você é deficiente e não temos a categoria”. Oi? Gente, fervi por dentro!!! A partir do momento que não há a categoria, mas aceitaram a minha inscrição, se eu consegui o índice, eu tenho que ser aceita pra fazer a prova! Eu fui ali pra isso! Fui, treinei e me matei pra conseguir estar entre as 50. Esse era meu objetivo! Eu sabia que não haveria troféu pois não há a categoria. Mas eu fui pra estar entre as 50,a graça da prova era essa! Se eu consegui, eu queria estar lá! Fervi! O moço disse que ia chamar outro moço. Esperei, esperei e nada! O Paulo, atrás de mim o tempo todo. Olhei bem pro moço e disse, com calma de faz-de-conta (por dentro eu estava uma pilha)  “Ele vai demorar? Se ele só vier falar comigo depois da largada, vou entrar com processo contra a organização”.  Ele avistou outra pessoa de longe e disse “Vai la, que ele pode te ajudar”. Lá vou eu de novo. Pra ouvir a mesma coisa. Aí eu briguei e chorei. Disse pro moço que isso era preconceito! Só porque estou na cadeira de rodas eu não posso fazer um bom tempo? Reclamei mesmo! Eu disse a mesma coisa pra ele:  Se a organização aceitou minha inscrição, mesmo não havendo categoria, e eu consegui o índice, eu queria correr. Ele entrou e saiu da tenda mil vezes. E voltou, falou a mesma coisa. Eu repeti tudo de novo. Ele disse que não haveria premiação, pois não havia categoria. Eu disse que tudo bem. Mas que eu queria meu nome no telão e queria correr. Ele olhou pra mim com cara de dó! Disse que não ia colocar meu nome no telão, mas que se eu SÓ queria correr, eu poderia. Fiquei muito brava! Chorei de ódio e disse à ele que não queria correr por pena, mas por mérito meu, que treinei igual a todo mundo! Não é SÓ correr! Ele sabe o que a corrida significa pra mim? Aposto que ele não corre!

Enfim, me colocaram pra dentro da tenda das 50, porque estava juntando gente em volta. E veio maaaais um falar comigo. Aí veio o argumento de que era injusto eu correr, tirando a oportunidade de outra atleta, pois era injusto eu usar a handbike que é  muito mais rápida que correr com as pernas e que se não o fosse, não haveria Paralimpíadas. Eu disse à ele que se eu fosse tão rápida, teria chegado em primeiro lugar. E se fosse assim, que nem aceitassem minha inscrição. Mas se aceitaram e eu consegui fazer o tempo (beeeeem acima das primeiras colocadas), que eu queria correr sim, e não por dó, mas por mérito meu, que me esforcei igual à todo mundo.

Gente, eu já estava tão nervosa e chateada que meu corpo tava reclamando, com energia ruim de estress correndo dentro dele e pedindo uns sorrisos pra aliviar… Poxa vida!  Respirei fundo, peguei meu chip, minha camiseta (enorme pro meu tamanho) e fui me posicionar na hand. Aí, vem mais uma. Queriam que eu corresse sozinha pra não correr riscos de causar acidentes pras outras atletas. Oi? Na hora de me mandar largar atrás nos 10km e ultrapassar, no mínimo, uns 200 atletas, não pensaram nisso, não? Pedi pra largar na segunda bateria feminina e disse que esperaria as meninas saírem e eu sairia atrás. Concordaram e foi o que eu fiz.

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Largamos. Eu com a hand pesada. O percurso ia 500m e voltava 500m. Eu perdi um tempão na hora de fazer a curva e já estava destruída quando faltavam uns 100m. Mas não cheguei por útimo, apesar de largar por último! Agradeci aos organizadores pela oportunidade, peguei minha medalha, bebi água, dei tchau pros meus amigos e parti, antes mesmo da premiação, pra não alugar ainda mais o Paulo, que estava comigo desde cedo. E já eram quase 11h30 da manhã.

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Conversando com amigos depois da prova, pelo whatsapp, alguns foram a favor da organização, já que não tinha categoria, eu não tinha nada que querer correr. Outros foram a meu favor. Se eu tinha que ter corrido ou não, ou quem tem razão, ou se existe certo ou errado nesse caso, eu não sei.  Só sei que, entre mortos e feridos, eu adorei a prova. Como não amar, depois de toda a sensação boa que a corrida nos trás? Como não amar correr numa cidade tão linda, a minha preferida no Brasil? A organização foi impecável nos quesitos:  água gelada e  isotônico gelado durante o percurso e no pós-prova, nas 3 distâncias, mini barras de proteína e frutas no final de cada distância. Tudo à vontade. Um local com, não sei como descrever, uma garoinha fina, após retirarmos as medalhas, pra nos refrescar do calor – naquele sol, perguntei se eu poderia ficar ali pra sempre. Ofurô de gelo, massagem, tudo funcionando impecavelmente! Eu não ouvi nenhuma reclamação de nenhum corredor sobre isso. Pelo contrário! Depois do 1km, enquanto eu hidratava na sombra junto com mais 2 corredores (uma moça e um moço), estávamos justamente elogiando a Adidas e a Latin sobre isso!

Preciso agradecer o carinho com que fui tratada pelo staff, por todos que me ajudaram no “traz handbike, leva handbike, sobe na handbike, desce da handbike”, a todos que me aplaudiram, torceram, me cumprimentaram durante a prova ou no final dela. Ao Paulo, mil obrigadas por ficar comigo o domingo inteiro no sol!!

Essa prova tão diferente e tão legal, marcou minha volta às corridas no RJ. Tenho planos de voltar em breve, se o dinheiro der e os treinadores não me matarem, nem gritarem “para de fazer inscrição, Dani” hahahahahaha

Também foi minha primeira de shorts, não de calça! To tentando lidar com a temperatura comporal e uma prova nesse lugar lindo e num dia quente foi perfeito pra parar de usar legging e voltar aos shorts que eu tanto amo!

Aaaahh, querem saber meus tempos?? Ta aí :p

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15
out

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Exercício para membros superiores – parte 2 – facilitar as transferências

Oi geeeente!!! Promessa é dívida e eu vim postar um novo exercício.

Recebi muitas mensagens do pessoal cadeirudo que está começando a se exercitar, ou querendo sair do sedentarismo (eeeeeeeeeeee!!!!!!!!). Recebi mensagem até de alguns que se acidentaram há pouco tempo e não sabem por onde começar.

Já postei alguns exercícios aqui, mas esse é dos mais importantes! Transferir-se é ter mais independência! E se você não consegue fazer sozinho, precisa ajudar quem te ajuda!

Pra isso, precisamos fortalecer nossos tríceps! “ôôô tia Daneeeeeeeeeee, eu tenho lesão alta e meus tríceps não respondem.”    Então, se você não estimular, eles vão continuar a não responder! O estímulo é tudo!

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Se você ainda vai começar a estimular esse músculo, você pode começar a exercitá-lo na sua própria cadeira! Eu também usava uma poltrona com braços firmes (nada de sofá, porque é mole demais e você vai perder o equilíbrio).

 

 

 

Depois que você adquirir um pouco de equilíbrio e força, dá pra fazer como no vídeo. Meus pés estão num apoio um pouco instável e eu estou num banco baixo.

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Vaaaaaaii gente!! Bóra treinar esse bracinhos!!!rsrs  bjsss

14
out

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Por quê sumi

Geeente, sumi! Perdão!!  Não me odeiem!!!rs

Eu tive uns contratempos! Quem me acompanha viu que eu fiquei dodói (que palavra mais nhenhenhém) e isso me tirou do eixo porque fique sem comer uns 2 dias e fiquei fraca feito franga recém-nascida! O  tempo que eu tive depois, eu tentava treinar…Cheguei a ficar sem fazer uma prova que eu queria muito, por causa disso. Mas, a gente tem que aprender a respeitar o corpo!

Também aproveitei esse tempo pra refletir, organizar algumas coisas internamente (vocabulário chic pra falar que eu tava cheia de problema hahahaha  Sim! problema todo mundo tem) e pra dar atenção pra alguns amigos que estavam precisando de mim.

Estou tentando também, com a ajuda de uma amiga querida, escrever um projeto de patrocínio. E isso nos ocupou um pouco de tempo. (é…eu não to dando mais conta de bancar tanta viagem de prova…)

outra corrida

E tem mais!!! Pra quem não sabe: EU SOU A LOUCA DAS INSCRIÇÕES!!!kkkkkkk  Meus treinadores estão loucos comigo. Só recebo whatsapp deles assim: “chega de fazer inscrição, loka”. Pois é! E com isso, eu estou tendo que organizar as viagens pra correr. Porque é toda uma logística de onde ficar, taxi que caiba a handbike pra me buscar no aeroporto…e mais todas as demandas que a cadeira exige.

Gente, torçam por mim! Nesse final de semana eu farei minha primeira viagem sozinha, eu, Deus e a handbike, pra correr. Não conheço ninguém que vai fazer a prova, não tem ninguém indo comigo! Ansiedade ta a mil!

so mais essa

Mas não vou deixar vocês sem notícias!! E amanhã tem post no blog, com um exercício pra ajudar a treinar as transferências…que eu recebi umas 80 mensagens pedindo!

bjss e até amanhã

01
out

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Fibras alimentares – efeitos e benefícios

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As fibras são polissacarídeos não amiláceos que não são digeríveis pelo organismo humano. Elas compreendem uma ampla classe de polissacarídeos que fazem parte da parede celular de células vegetais. Elas são consideradas importantes para a manutenção do trato digestivo e no controle da velocidade de absorção dos nutrientes. A classificação das fibras é realizada de acordo com sua solubilidade em água, como solúveis e insolúveis. As fibras solúveis podem ser encontradas principalmente em frutas (mais precisamente nas polpas), na aveia e em leguminosas, enquanto que as fibras insolúveis são encontradas principalmente em legumes, vegetais folhosos, farelos e cereais integrais. Contudo, vale ressaltar que a maioria dos alimentos possuem tanto fibras solúveis como insolúveis, de tipos e em proporções variadas, sendo de modo geral presentes em proporções de um terço de fibras solúveis e dois terços de fibras insolúveis.As fibras solúveis são capazes de exercer diversos benefícios no organismo. No momento que entram em contato com moléculas de água no estômago, adquirem uma consistência viscosa, formando uma espécie de gel, que ajuda na promoção da saciedade e assim auxiliar no controle da ingestão alimentar.
Elas também são responsáveis por diminuir o índice glicêmico dos alimentos, o que torna os processos digestivos e absortivos mais lentos e evita picos glicêmicos após as refeições, fator este que está associado a compulsão alimentar, o que a torna uma aliada no controle da ingestão alimentar. Sendo assim, a sua ação no controle glicêmico é benéfica para todos, mas principalmente para indivíduos diabéticos ou que possuem propensão a desenvolver a doença.
Adicionalmente, elas também atuam na redução das concentrações plasmáticas de colesterol, já que aumentam a excreção nas fezes de sais biliares, que são produzidos a partir do colesterol, o que a torna uma importante aliada para indivíduos com dislipidemia.
Além disso, elas atuam também na produção dos ácidos graxos de cadeia curta(AGCC), produzidos a partir da fermentação das fibras no intestino grosso por certos grupos de bactérias colônicas. Os AGCC promovem efeitos bactericidas locais, atuam na manutenção da integridade das células intestinais, possuem efeito anti-inflamatório e atuam efetivamente na regularização intestinal. Portanto, estão associados com a diminuição no risco de desenvolver-se algumas doenças, como doenças inflamatórias intestinais, doenças cardiovasculares e câncer de cólon.

As fibras insolúveis contribuem principalmente para a formação e o volume do bolo fecal, que favorecem e aceleram o trânsito intestinal, elegendo-a uma importante aliada a indivíduos que sofrem de obstipação. Contudo, o seu efeito sobre o aumento do volume fecal é dependente da sua associação com um adequado consumo de água, mesmo que elas não sejam solúveis na mesma.

De acordo com as Dietary Reference Intakes (DRI’s), que é um arquivo de revisão dos valores de recomendação de diversos nutrientes, as recomendações para homens variam entre 30-38g/dia, para mulheres de 21-26g/dia e para crianças de 1 e 8 anos entre 19-25g dia. Também existem recomendações de ingestão que se baseiam na quantidade calórica ingerida, onde é recomendada a ingestão de 14g de fibras para cada 1000kcal ingeridas.

Sendo assim, a ingestão de fibras advindas da dieta parecem estar associadas reduções significativas dos níveis sanguíneos de glicose , da pressão arterial e de lipídeos séricos. Além disso, existem estudos que mostram que em indivíduos que possuem maior ingestão de fibras alimentares existem menores incidências de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus e o câncer de cólon. Estudos também evidenciaram que a ingestão de fibras pode estar associada a menores valores de marcadores inflamatórios, sendo portanto uma importante ferramenta para auxiliar no tratamento de doenças inflamatórias.

Uma ingestão suficiente de fibras da dieta (em torno de 30g/dia), bem como a ingestão variada de alimentos fontes de fibras (frutas,verduras, grãos integrais e farelos), são fatores relevantes para que os benefícios mencionados sejam alcançados. A presença de vitaminas, minerais e fitoquímicos que estão naturalmente presentes nesses alimentos, são fatores que juntamente com as fibras, agem de modo complementar e sinérgico na atribuição do efeitos protetores apontados.

Referências:

Bernaud FSR, Rodrigues TC. Fibra alimentar – Ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. 57(6): 397-405, 2013.

Araújo EM, Menezes HC. Estudo de fibras alimentares em frutas e hortaliças para uso em nutrição enteral ou oral. Ciência e tecnologia dos alimentos. 30(1): 42-47, 2010.

CARDOSO, M.A. Nutrição Humana. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. v.1. 374 p.

 IMG_9872Hugo Comparotto

Formado em Nutrição e Metabolismo pela FMRP – USP. Especialista em Obesidade e Emagrecimento e Capacitado em Nutrição e Suplementação esportiva, Nutrição Avançada pela IFBB. Consultor científico e desenvolvimento de novos produtos na ADS/Atlhetica Nutrition e Santa Helena.

 

22
set

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Correndo em casa – Meia Maratona de Ribeirão Preto

Foi 1 ano e meio sem correr. E quase 2 anos sem correr aqui em Ribeirão. 99% dos organizadores de prova gostam de percurso de montanha pras corrida daqui. Você só sobe e desce sem parar. Pros meus amigos expert na handbike, não sei se é possível, mas pra franga que vos fala, percursos “ladeira do Pelourinho” ainda não dá pra fazer.

Aí eu soube que o percurso da Meia Maratona de Ribeirão tinha mudado, com relação às duas primeiras edições que eu tinha feito. Mandei e-mail pra organização quase que implorando participar. Dias depois, o organizador da prova me liga, dizendo que eu poderia participar. Eu não contei nada pra ele, mas eu estava de cama, com uma gripe muito forte! Decidi por livre e espontânea pressão que não treinaria durante  a semana, pra tentar ficar boa até domingo. Na conversa, falamos sobre a estrutura da prova pros cadeirantes participarem (horário da largada, apoio, tudo mais), pois o objetivo é abrir a categoria no ano que vem.

Na sexta eu ainda estava um lixo, quando o pessoal do jornal Tribuna, que organiza a corrida, me ligou. E no sábado, lá estava eu na capa do jornal, como a primeira cadeirante a participar da Meia. Não tinha mais volta! Com gripe ou sem gripe, eu tinha que ir!

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No domingo, o despertador tocou 5:30. O tempo tava nublado e eu morrendo de sono. A primeira coisa que veio na minha cabeça? “O que é que eu tenho na cabeça pra acordar a essa hora, num domingo nublado, com essa gripe?” Resposta:  um tênis no lugar do cérebro. Não tem outra explicação! Me xinguei de todos os nomes enquanto me trocava e esperava o Fávio Tropeço vir me buscar, pra carregar a hand pra mim.

Toda encapotada, levando roupa seca pra trocar, caso chovesse, lá fomos nós. Chegamos ao local da prova e, assim como na retirada do kit, a organização foi impecável! Já tinha gente me esperando. O Bruninho já ajudou o Flávio a tirar a hand do carro, já posicionou no local da largada. Fui pra tenda falar oi pra todo mundo (que saudade eu tinha disso), tive que ir ao banheiro antes da prova e já foram me caçar pra largar.

Gente, não sei se era o Fabiano (diretor da prova), o André (locutor e meu amigo) ou outra pessoa  que estava com o microfone na mão, falando de mim, falando que eu ia fazer a prova…me deu a maior tensão! Senti uma pressão mesmo. Porque eu estava mega gripada e com medo de passar mal na prova. E agora até os mais desatentos sabiam que eu ia correr… Gelei! Me posicionei na hand, a Tarine e a mãe da Ju (minha treinadora de natação) em ajudaram. Eu tava uma pilha! Devia ter tomado um pré-treino (se eu tivesse um em casa).

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Larguei, e 3 segundos depois ouvi a buzina. E os corredores mais velozes começaram a passar por mim. Eu sentia a hand pesada, mas achei que fosse cansaço meu, gripe, ou sei lá. O Bruninho ia me acompanhar de bike a prova inteira. Logo, um outro ciclista se juntou a nós (não sei o nome dele. Se alguém souber, me avise!!).

O percurso é bem legal e bem fácil de fazer. Nas poucas e leves subidas do começo, eu fiz força pra caramba. Dei umas tossidas, nariz entupiu, mas eu tentei não prestar muita atenção nisso. Há uma parte que podemos correr na ciclofaixa pra evitar uma subida do viaduto. O Bruninho ia pedindo espaço pros corredores. Como a organização me deixou mesmo largar na frente, não tinha muita gente ali pra eu atropelar. Quando foi possível escolher ciclofaixa ou asfalto, eu optei pelo asfalto, pra poder ficar mais tranquila quanto à segurança dos demais. Eram 3 faixas livres na avenida, pra gente correr. Aí chegou o temido viaduto pra subir. Eu cheguei na metade, fazendo muita força. O Bruninho falou “encaixa uma marcha mais leve”, mas pelo número no trocador, aquela era a mais leve. Então, um corredor que só estava rodando, me ajudou a chegar no topo. Eu fiquei chateada por não conseguir fazer a subida sozinha. Mas, estava há 1 semana sem treinar, 3 dias de cama…achei que fosse isso. Ja já eu conto o que era. Deixa só eu comentar uma coisa…rsrs

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Eu sempre odiei corridas de 2 voltas. Sempre achei uma meleca! Mas dessa vez, gostei muito, pelo fato de, quando alcançamos 10,5km, passamos ao lado do pórtico. Logo depois dali, estão as barracas das assessorias e o pessoal que já terminou os 5km. Foi muuuito legal, receber aquela energia, a galera gritando, meus amigos ali..deu um gás a mais! E eu passei nos 10,5km com o relógio do pórtico marcando 46 alto. Fiquei feliz.

Logo depois, conversando com o Bruninho, ele foi me falando pra tentar passar as marchas. E descobri que eu estava correndo com 3 marchas apenas. As mais pesadas!! Sim, o câmbio estourou antes da prova e eu não me dei conta. Por isso não conseguia subir! Creio que tenha estourado no avião, voltando de Buenos Aires (ou será que foi na ida e minha inexperiência fez com que eu não percebesse isso?). Só sei que ali eu entendi muita coisa sobre meu corpo, minha força e a olhar a handbike e entender algumas coisas.  Paramos! Sim, paramos no km 11. Bruninho e o outro ciclista tentaram arrumar a hand. Mas foi em vão. Não conseguimos. Perdi um pouco de tempo ali. Eu queria muito baixar meu tempo, mas achei que parando e arrumando a bike, eu tiraria esse atraso. Não rolou…tudo bem! Eu estava ali pra completar e pra podermos abrir a categoria no ano que vem.

Como eu sempre digo, a corrida só começa a ficar boa pra mim depois do 11. Quando chega no 13 é que eu começo a curtir. E foi assim de novo! Os sintomas da gripe diminuíram, e eu tava bem mais feliz. O ciclista anônimo ia tirando do caminho os copinhos de água e isotônico antes de eu passar. Eu tentava driblar os buracos e irregularidades do caminho. Ribeirão foi o pior asfalto que eu já corri até hoje! E olha que ali o asfalto ta novinho! O Bruninho sempre preocupado comigo, se eu queria água, ou algo. Pedi e ele guardou meus sachês de gel vazios, pra jogar no lixo depois. Conversamos a prova inteira.

No km 18 aquela subida do mal, de novo. Mas agora eu desencanei, sabendo o motivo da minha “não subida”. Bruninho me ajudou e eu estava delirando de felicidade, pois faltava pouco pra terminar. Pela primeira vez, eu desci uma ladeira sem brecar, só pra ter a sensação. Caraca, aquilo corre muito! Se eu caísse da hand eu me estabacaria com força! Quebrar todos os dentes seria o mínimo.

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Contar com o apoio de professores da Companhia Athletica, que estavam no caminho, nas duas voltas, foi muito bom! E ver vários amigos no percurso, também foi maravilhoso! Alguns gritavam meu nome. E alguns corredores que eu não conhecia, me incentivaram a prova inteira. Muito obrigada a todos por tanto carinho e apoio!!

E eu avistei o pórtico! Quando fui dar o sprint final, uma corredora forte daqui, uma “sempre-no-pódio”, resolveu fazer o mesmo, correndo em zig zag, de braços abertos. Gente, juro que eu pensei que fosse atropelá-la! Foi Deus que me fez ter noção de espaço naquela hora! E também brecar em cima de outro corredor que terminou e ficou ali paradão depois do pórtico!

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Vendo as fotos, depois, eu percebi que tinha duas chegadas. Então, não sei se fui de bicuda na chegada que era só pra ela. Ou se eu tinha que chegar ali mesmo! Mas como eu tenho excesso de coordenação motora, quando eu vi o povo aglomerado embaixo do pórtico, só pensei que era ali!

Chegada Dani

E eu cheguei! Só lembro da  Dani Gil e da Michele me gritando. Lembro da eficiência da Tarine, já com a minha cadeira ali, me esperando (amiga!!!!!!!!). Lembro do André trazendo o microfone e que eu agradeci a organização pela oportunidade maravilhosa de correr em casa. Aí 10685054_10152367340443951_1647572782_nveio o repórter e eu não lembro o que falei! Deus queira que ele edite!hahahahaha  Era sobre a corrida, claro. E eu lembro de contar algumas coisas importantes. Mas não tive tempo de raciocinar, beber água, nem pingar o remédio do nariz, muito menos de ir ao banheiro (eu tava segurando desde o 19, só pra variar. Algumas coisas já estão seguindo um padrão).

Dali pra frente foi uma alegria só. Tanta alegria que eu esqueci de pegar a medalha!hahahahaha  Uma moça da organização que correu atrás de mim, buscou e me entregou!

Além de ter meus amigos comigo, consegui rever muita gente que foi importante na minha vida no esporte. Como o Rangel, meu primeiro treinador em assessoria de corrida, lá em 2009. Também o Murilo Bredariol, um querido, um triatleta maravilhoso, dono da escola de natação onde dei as primeiras braçadas pós-acidente. Foi o primeiro cara que acreditou em mim como atleta na cadeira!

E teve até premiação, gente!!!  Força tarefa, demos um jeito e eu  subi no palco com meu treinador pra ser premiada! Ano que vem, teremos a categoria cadeirante e eu espero bombar essa prova tão deliciosa, com meus amigos sobre rodas da região. Vale muito a pena!!

Quero aproveitar esse post para agradecer demais ao Fabiano, ao José Paulo, a todos do Jornal Tribuna, a todos da organização da prova, os staffs, ao Bruninho, ao clicista, todos mesmo! Fui tratada com muito carinho e amor! Isso é um bem muito precioso e algo que marcará para sempre minha primeira corrida em Ribeirão pós-lesão!

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Algumas coisas, graças a Deus não mudam! Correndo em casa, com os amigos, fui a última aluna a sair da tenda, como eu sempre fazia! Eu e algumas professoras da minha época de andante, lembrando as tantas vezes que eu ajudei a montar e desmontar aquela barraca, nas provas! Bons tempos!

Ah, falando em tempo, baixei o meu! Mesmo parando pra tentar arrumar a handbike, eu fiz meu melhor tempo em Meia Maratona:  1:34:11 !!!  To feliz pra caramba!! Treinar muito pra ser sub 1:30!! Será?

(Fotos: Alfredo Risk)

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