09
jun

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Musculação para crianças e adolescentes – por Leonardo Lima

Pessoal, é com muita alegria que venho anunciar uma parceria com nosso blog, que trará ainda mais informações pros nossos treinamentos e pro dia a dia.

Conheci o Mestre Leonardo Lima quando fui à Porto Alegre, para a Convenção Brasil. Lá, além de aprender muito, tive o privilégio de tornar-me sua amiga e agora parceira, com o intuito de divulgar conhecimento e incentivar a prática de atividade física.

Para sua primeira participação no blog, ele fala sobre um assunto bem atual:  musculação para crianças e adolescentes. Bóra!

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Apesar de estarmos no século XXI, ainda existem pessoas, e entre elas até professores de Educação Física, que teimam na proibição de crianças e adolescentes quando se trata de praticar musculação.
Uma das frases que mais escuto é: “A musculação vai fechar a epífise dos ossos e atrapalhar o crescimento” e quando pergunto quem falou isso as respostas são sempre a mesma “Ouvi falar” ou “Dizem”.
Ora, “Ouvi Falar” e “Dizem” não são estudiosos de Anatomia, e nunca vi nenhum artigo deles.
Em português não existem muitos trabalhos científicos sobre os efeitos da musculação em crianças, mas entre os que eu conheço, cujas fontes cito abaixo, não encontraram nenhuma prova que possa proibir uma criança ou adolescente de praticar musculação.
Pelo contrário, nos resultados da pesquisa de LOPES, Andrei Guilherme (2002) consta: “Por outro lado, pôde ser observada uma alteração significativa nos resultados dos testes antropométricos e motores realizados nas crianças da amostra, onde foi possível constatar um incremento nas capacidades físicas necessárias para o dia a dia”
Aliás, temos um problema, não em relação à criança, mas sim em relação aos pais, que levados pela enxurrada de informações sem bases científicas impedem seus filhos de praticar uma atividade muito benéfica no desenvolvimento das habilidades motoras dos seus filhos.
E mais alguns benefícios que crianças e adolescentes podem ter na prática da musculação foram listados por RISSO et all (1999):
1) aumento da força muscular
2) melhora nos testes motores de aptidão física e performance
3) melhoria no desempenho esportivo
4) diminuição de ocorrência de lesões
5) melhoria no desempenho atlético
6) manutenção da saúde
7) redução do estresse emocional
8) redução no tempo de recuperação de lesões
9) auxiliar na prevenção de doenças músculo-esqueléticas
10) aumento da auto-estima, imagem e consciência corporal
11) melhora nas medidas de composição corporal
12) diminuição da pressão sanguínea de adolescentes hipertensos
13) melhoria nos níveis de lipídios sanguíneos
14) diminuição da gordura corporal

No trabalho de Andrei Guilherme Lopes foi feito um exame radiológico dos cotovelos e joelhos das crianças selecionadas, devidamente autorizado pelos pais, depois as crianças passaram por um período de 4 semanas de adaptação ao treinamento e logo a seguir, 12 semanas de treinamento de força com 80% da carga máxima avaliada pelo teste de repetição máxima proposta na literatura por Roberts & Weider 1995.
Após esse período, as crianças repetiram as avaliações radiológicas e foram comparados os resultados pré e pós-treinamento de força, ficou claro que não houve alterações das epífises dos ossos longos.
O que pode realmente atrapalhar o crescimento seria uma lesão na epífise dos ossos longos, e é mais fácil uma criança se lesionar jogando bola com seus amigos do que numa sala de musculação sob uma supervisão competente.

No entanto, qualquer criança ou adolescente normal corre, salta e arremessa e nem por isso deixa de crescer, o problema está no excesso, na orientação inadequada e até na falta de atividade física, pois é ela que acelera o crescimento longitudinal, a espessura dos ossos, a liberação da testosterona e do hormônio de crescimento.
Esses benefícios são ainda mais evidentes na musculação. Fatos comprovado na literatura por Risso et all 1999, Weineck 1999 e Fleck & Kraemer 1999.
É lógico que não quero dizer que as crianças e adolescentes possam sair por aí fazendo musculação de qualquer jeito, alguns cuidados devem ser tomados e em primeiro lugar está a avaliação médica. A criança deve estar física e psicologicamente preparada.
Em segundo luMother with daughtergar temos que encontrar academias onde os equipamentos possam ser adequados ao tamanho das crianças e que disponham de profissionais capacitados a ensinar as técnicas corretas de execução dos exercícios.

Algumas questões precisam ser levadas em consideração antes que a criança ou adolescente inicie um programa de treinamento de força:
Estar fisicamente e psicologicamente preparada para treinar.
Qual programa ela deve seguir.
Conhecer as técnicas corretas dos exercícios.
Os assistentes conhecem os procedimentos de segurança.
A criança/adolescente conhece os procedimentos de segurança.
O equipamento se ajusta a criança/adolescente.
O programa de força é equilibrado, ou seja, participa de atividades cardiovasculares e pratica outros esportes.
Cada sessão de treinamento dura de 45 à 60 minutos com a realização de três sessões por semana. O período de adaptação deverá ser de aproximadamente 4 semanas.

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Orientações básicas para progressão dos exercícios de força para crianças de acordo com a faixa etária.
de 5 a 7 anos: exercícios básicos com pouco ou nenhum peso desenvolvendo o conceito de uma sessão de treinamento; ensinar as técnicas dos exercícios; utilizar o peso do corpo para alguns exercícios; exercícios com parceiros e cargas leves; volume baixo de treinamento.
de 8 a 10 anos: aumentar gradualmente o número de exercícios; praticar técnica de todos os levantamentos; iniciar incremento gradual, progressivo e de carga nos exercícios; manter exercícios simples; aumentar o volume de treino lentamente; monitorar a tolerância ao stress no exercício.
de 11 a 13 anos: ensinar todas as técnicas básicas dos exercícios; aumentar o peso gradativamente nos exercícios; enfatizar a técnica nos exercícios; introdução de exercícios avançados com pouca ou nenhuma carga.
de 14 a 15 anos: programa de força mais avançado progressivamente; incluir componentes específicos do esporte; enfatizar a técnica e aumentar o volume.
de 16 anos ou mais: nível inicial de programas para adultos depois que toda a experiência anterior tenha sido ganha.
Obs.: Se uma criança em uma determinada faixa etária não tem experiência anterior a progressão deve ser iniciada em níveis anteriores, e depois para níveis mais avançados conforme a tolerância ao exercício, a destreza e o entendimento permitirem. (FLECK & KRAEMER, 1999).
Para que programa de força tenha sucesso deve ficar claro para os praticantes e assistentes as expectativas e objetivos realistas, evitando, por exemplo, criar a perspectiva do aumento do volume muscular em crianças que ainda não possuam maturação para tal “acontecimento” fisiológico. Também alertá-las para evitarem a concorrência com outros colegas de treino, pois as adaptações ocorrem em ritmos diferentes. Deve ficar claro que o propósito do treinamento é estimular o potencial genético de cada um em relação a aptidão física.”
Finalmente, a musculação para criança e adolescente é uma atividade física, que embora os estudos provem que ela seja até benéfica, ainda é tratada como vilã do crescimento por pais e professores de educação física mal informados, e apenas a informação correta é capaz de derrubar esse tabu, portanto, passe o conhecimento adiante.

Fontes:
LOPES, Andrei Guilherme. Possíveis alterações epifisárias em função do treinamento de força muscular em pré-puberes. 2002. Monografia (Curso de Educação Física) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 2002. 38p.
MACHADO, Dalmo Roberto Lopes. Maturação esquelética e desempenho motor em crianças e adolescentes. 2004. 91 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
FLECK, Steven J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular – 2ª edição – Porto Alegre – R.S. – Editora Artes Médicas Sul Ltda – 1999;
MCARDLE, William D., Katch I. Frank & Katch L. Victor. – Fisiologia do Exercício. Energia, Nutrição e Desempenho Humano – Ed. Guanabara Koogan S. A. – 4ª edição – Rio de Janeiro R.J. 1998;
ZATSIORSKY, Vladimir M. – Ciência e Prática do Treinamento de Força – São Paulo – S.P. – Phorte Editora

leo limaLeonardo Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

04
abr

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Cadeirante na academia

Galera, muita gente tem me mandado mensagem (meninas e meninos) perguntando como eu faço pra treinar na academia. As perguntas são variadas. “Como você passa pros aparelhos?”, “A academia é adaptada?”, “Quais os exercícios que você faz?”.

Na verdade, talvez esse post seja esclarecedor pra muita gente, mas muitos também vão me odiar! rsrs  Isso porque muita gente me diz assim “Mas não tem academia adaptada perto da minha casa.”.

Olha só, pessoal. Academia adaptada não existe! O que existe é uma academia que permita que você entre (não tenha degraus, por exemplo) e que tenha um banheiro com a porta grande o suficiente pra gente entrar.  E olha que eu já vi gente sendo carregada nos dois ou três degraus de entrada, tudo pra poder ir malhar.

936573_609714165705940_1262672650_nOutra coisa que muitos me perguntam e que não existe são aparelhos adaptados pra cadeirante. O pessoal fala “ah, mas na academia aqui perto de casa não tem aparelho pra cadeirante.” Claro que não! Esses aparelhos não existem! Exceto aqueles aparelhos que imitam uma handbike, o resto é tudo aparelho normal, que qualquer pessoa pode usar! Mas e os aparelhos do Sarah? Eles são iguais a quaisquer outros, de qualquer academia. Mas lá há algumas adaptações, como as garrinhas, que podemos encontrar em academias “normais” também.

Então, o que podemos fazer?

cadeirantes-arturPrimeiro, você precisa querer ir! Precisa querer muito! Precisa sair do sofá, sentar na sua cadeira e ir até lá.  Depois, você precisa estar disposto a adaptar-se e procurar meios de adaptar os exercícios. Chegando lá, você precisa não ter vergonha de pedir ajuda, sorrir para o instrutor e dizer que você precisa dele.  Então, você e o educador físico encontrarão formas de transferir você pros aparelhos e de adaptar alguns exercícios para você e seu tipo de lesão. Aí, você vai estacionar a sua cadeira nos aparelhos, ou se transferir pros que tem banquinho, e fazer os exercícios!

Se você é tetra, e precisa das garrinhas, você pode comprar pela internet e levar com você, caso a academia não tenha. Você também pode levar uma faixa com velcro e pedir pro professor amarrar suas mãos nos aparelhos (assim não gasta dinheiro com as garrinhas).

Mas, pessoal, não adianta dar desculpas que a academia não é adaptada, porque você não vai encontrar nenhuma no mundo que seja feito sob medida para você e para o seu tipo de deficiência. Você precisa adaptar-se ao meio, ou seja, ao mundo. Sempre fazemos isso. Por que não fazer pra ir pra academia também?

core-360c2b0-para-cadeirantes-c3a9-um-treinamento-personalizado-visando-a-melhora-da-capacidade-funcional-do-indivc3adduoO que encontramos também são professores que não sabem o que fazer com a gente! Podem rir, mas é verdade! Eles olham pra gente, pra cadeira e não sabem por onde começar! Além dos exercícios que eu e alguns educadores físicos adaptamos, e dos convencionais, que eu já faço, estou pesquisando muito pra melhorar os meus treinos. E vou começar a dividir tudo com vocês. Não tenho celular top, nem câmera de alta resolução. Não esperem imagens de TV! Mas vai dar pra ver, eu prometo!

Agora, se você está com vergonha, porque está gordinho e não quer chegar sedentário na academia, ou se você não tem mesmo dinheiro para pagar uma mensalidade, ou ainda, se você mora em cidade pequena e não tem academia aí, calma! Seus problemas acabaram! Mentira!hahahaha  Mas eu prometo ajudar também, dividindo com vocês alguns exercícios que podem ser feitos em casa.

Antes de tudo, você precisa querer! Precisa parar de dar desculpas e encontrar justificativas pra ficar em casa. Pra ficar em casa é fácil. Tem dias que eu também quero ficar (tem dias que eu realmente fico, por estar cansada). Não pensem que eu sou um poço sem fundo de animação e que não tenho problemas, pois isso não é verdade! Mas,  se eu ficar só pensando besteira, eu vou pegar uma barra de chocolates por dia, sentar na frente da TV e ficar vendo filme o dia inteiro, ao invés de ir cuidar da minha saúde! Pense nos benefícios que você terá daqui um tempo e comece logo! Não deixe pra segunda-feira, pra semana que vem, pro mês que vem…Comece hoje!

 

19
fev

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A importância da musculação na nossa vida

Todo mundo que me acompanha já percebeu que eu adoro esportes e atividades físicas de modo geral. Além de ser algo que gosto, virou um estilo de vida antes da cadeira, que eu procurei manter após a vida de rodinhas. Mas a questão não é só o gosto pessoal! Quando adotei esse estilo de vida saudável, há quase 10 anos, fiz essa escolha por observar a saúde dos meus pais começar a ficar comprometida devido à falta de atividade física e alimentação inadequada (e eles ainda eram bem novos quando começou a acontecer). Comecei a cuidar mais da alimentação e praticar atividade física com muito mais regularidade.

Mas qual a importância de continuar fazendo atividade física depois que virei cadeiruda?

Não é segredo que fazer atividades físicas, no nosso caso, não é fácil. Academias e profissionais sem informações ou acesso pra nos atender é o que não falta! É difícil chegar aos parques, clubes, ou às próprias academias, devido à falta de acessibilidade nas ruas. Mas muitos cadeirudos vem driblando tudo isso, porque estão seriamente preocupados com a saúde. Agora e no futuro.

Sabemos que usamos os braços para toda e qualquer atividade que realizamos, desde tocar a cadeira, até nos transferir, praticar um esporte, realizar uma atividade do dia a dia. A sobrecarga causada nos músculos dos membros superiores pode ocasionar dores e lesões, caso os músculos não estejam preparados para serem usados. E se não fortalecidos, com o tempo, esses mesmos músculos podem te deixar “na mão” e você vai precisar da ajuda das pessoas pra fazer qualquer coisa. Já dizia o Capital Inicial, procuramos independência. Então, nada de esperar chegar a esse ponto. Mexa-se!

Pra preparar esses músculos, nada melhor que? Musculação! Lá vamos nós, viciados num treino, ratos de academia, doidos pra levantar um peso.Uhuuu

2014-02-01 15.29.40 Sim! Mas saibam que não é só na prevenção de lesões que somos beneficiados.

Segundo o Prof. MSc Fred Ribeiro (sim, ele mesmo, nosso querido Fred, do Sarah), “aumentando a força e massa muscular, melhora o condicionamento físico aeróbio e diminui os riscos cardiovasculares!!! Importante, pois o Treinamento de Força (Musculação) é uma das atividades físicas mais acessíveis para a população usuária em cadeira de rodas. Existem máquinas (como por exemplo o cross over) em que não é preciso qualquer transferência para poder treinar boa parte da musculatura preservada pós lesão. E existe força pós lesão medular!?!? Sim, e MUITA!!! Basta treinar de forma adequada. Artigos científicos mostrando ganhos de força nos diversos níveis de lesão medular não faltam (quem tiver interesse, basta me pedir). Exemplos de pessoas com ganhos significativos de força, melhorando saúde e independência funcional, é mais fácil ainda de achar!!!”

E eu achei um monte de exemplos! Um deles é o Paulo César, que tem 33 anos. A lesão dele é T5 e T6. “Bom, eu sempre treinei mesmo antes do meu acidente que foi por arma de fogo, logo após minha reabilitação a primeira coisa que fiz foi procurar uma academia. Não era adaptada, mas era sem barreiras arquitetônicas. então dava para treinar tranquilo. Daí me matriculei e fui treinar, pois já fazia um ano que não praticava a modalidade. No começo me ajudou demais, pois melhorou minha postura e controle de tronco, que é o que mais nos deixa inseguros nas atividades diárias, como as transferências e tudo mais. Enfim foi a melhor escolha que fiz, pois pratico até hoje e não pretendo parar tão cedo. Abraços e bons treinos!”

paulo depois

Além desses benefícios, o Prof. Fred tocou num assunto delicado, no artigo que ele escreveu sobre nós cadeirudos. Vocês sabiam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na população com lesão medula? Pois é. Por isso eu disse que o caso não é só melhorar a vida agora, mas pensar no futuro também.

Pra quem não está conseguindo ir pra academia, dois professores porretas da Companhia Athletica Ribeirão Preto e eu, estamos montando uma série de exercícios em vídeo pra ajudar quem ta em casa a começar. Enquanto isso, vão criando coragem de mostrar essas rodinhas pro mundo e encarar a academia na cara e na coragem. (Se você tá mais parado que poste, sentadão no sofá, pensando por onde começar,  já pode dar um start com os exercícios que postei semana passada. http://daninobile.wordpress.com/2014/02/15/bora-mexer-esses-corpinhos-primeira-sugestao-de-atividade-fisica/ )

Mas é só a musculação que ajuda, nesses casos? Não! Aí que entram as atividades aeróbicas e os esportes! Mas esse é assunto para os próximos posts (que eu já estou preparando!) 😉

04
fev

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Rodando em busca de saúde

Cadeirudos e cadeirudas queridos, to aqui pra falar do nosso projeto, que dá nome a esse blog “Por uma vida saudável sobre rodas”.

A ideia surgiu hã poucos dias, conforme eu contei no post anterior, que foi originalmente publicado no blog Mãos pelos pés. (Se você não leu, aproveita! É só rolar a barra e ler o texto de baixo rs). Comecei a notar que, infelizmente, a obesidade ou o sobrepeso, tem sido a realidade de alguns (muitos) cadeirantes. Vi gente no shopping, na rua, em várias cidades, nas redes sociais, precisando se preocupar um pouquinho com a saúde. Fica difícil pra se transferir, pra fazer as coisas do dia a dia, a gente perde força nos braços porque só usa pra tocar a cadeira…enfim, a vida fica um horror!

Aí, tive a ideia mirabolante e propus mudarmos isso juntos, quando postei o texto. E o que aconteceu depois da postagem? Em 3 dias, 20 pessoas entraram em contato comigo, por email ou pelo Facebook. Então eu montei um grupo secreto no Facebook. Juntando isso e o pessoal dos emails, em menos de 15 dias, já somamos 40 amigos de rodinhas (verdade seja dita, mais meninas que meninos), tentando ficar saudáveis como nunca antes (na verdade, todo mundo também quer ficar sarado, mas isso é segredo).

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Eu fiquei tão feliz e com tanta vontade de conhecer mais gente e reunir mais amigos, que resolvi montar essa página. Pra que ela vai servir? Aqui darei dicas de alimentação e receitas saudáveis, dicas de atividades físicas e postura na cadeira.  Falarei, também, sobre minha luta pra emagrecer (farei até retrospectiva, porque comecei em maio/2013) e alguma coisa sobre mim mesma.

Aí você me fala: Tudo bem você falar da sua experiência, da sua vida pessoal. Que lindo! Mas se você não é nutricionista, nem educadora física, de onde você vai tirar essas outras dicas, sua doida? Exatamente isso! Como não sou maluca (só pareço), não vou prescrever dieta pra ninguém, nem o tal do “treino”. O que eu farei é passar dicas de alimentação. Pra isso, consultarei meu nutricionista, o André Facchin. Ele também vai postar algumas coisas pra vocês aqui, de vez em quando. E as receitas, serão passadas por ele, inventadas pela maluca que vos fala, ou pesquisadas e testadas, porque não quero ninguém morrendo de vontade ou comendo comida sem-graça pra emagrecer! As dicas de exercícios e como se mexer na cadeira, também não sairão da minha cabeça. Eu vou postar pra vocês fotos e vídeos dos exercícios que eu já faço na academia. Também vou consultar professores especializados, pra passar algumas dicas pra quem tem a lesão mais alta do que a minha. Afinal, cada corpo é um corpo, cada lesão é uma lesão e cada um tem uma dificuldade. E nem todo mundo pode ir pra academia. O que fazer em casa? Também já pensei nisso!

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Outra coisa que quero fazer é falar de experiências da vida real. Entre essa turma que já me procurou, tem muita história legal de gente que já ta emagrecendo, que tem dicas bacanudas, que tem ideias mirabolantes de como se movimentar. E eu quero passar tudo isso pra frente! Então, se você tem alguma coisa legal pra falar, escreve pra mim! Vou adorar! E sua foto vai aparecer aqui. Afinal, ninguém vai aguentar ficar olhando só pra minha cara todo dia.

Gente, é isso! Bóra começar! Colocar nossas rodinhas pra rodar, em busca de uma vida mais saudável!

25
jan

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Por Uma Vida Saudável Sobre Rodas

Minha gente boa,  fiz um post no Facebook, lançando uma Campanha especial pro povo cadeirudo. Pois bem, venho, por meio deste, explicar-me!

É o seguinte. Há uns meses atrás, quando eu voltei do Sarah, eu tava meio porpeta. Eu vi uma foto minha, com a minha irmã, na véspera de ir pra lá, toda lindinha, magrinha, de vestido verde. Na volta do Sarah, eu vi uma foto minha, com uma professora de lá, no dia da despedida. Eu estava com o mesmo vestido e…Com cara de bolacha Trakinas e bração igual do Faustão antes do regime. Note na foto como, com a professora, estou até tentando disfarçar a barriga com o braço na frente.

Quem lê o blog deve lembrar que eu liguei pro André Facchin, meu nutricionista,e comecei meu plano de ação. Mudei a dieta, voltei pra academia e comecei a ter resultados. Até fiz um post sobre isso, em maio, aqui no Running News.

Aí eu conheci o Fernando, meu namorado. Eu estava em processo de emagrecimento. E como é difícil, pra quem ta na cadeira de rodas, emagrecer. Depois de uns meses, Fernando olha pra mim e diz: “Olha, daqui 2 meses será minha formatura. Você vai comigo, tá?!”. Que lindo! Eu disse “ta”  e por dentro eu entrei em desespero! Conhecer todos os amigos, família, entrar num vestido mara, cabelo, maquiagem…eu e minha banha sobrando. Comecei o que chamei de ProjetoFormatura. Meu nutri, minhas amigas, pessoal da academia, meu fisioterapeuta, me apoiaram e ajudaram nesse projeto. Emagreci mais um pouco. Levei minha barriga de tetra comigo porque ela não quer me deixar de jeito nenhum. Ela tava bem menor, mas barriga de tetra gruda mais que carrapato. Enfim, eu fui. Me diverti, dancei, dei risada, chorei de emoção.

Depois da formatura, fizemos a viagem, que relatei no post anterior. E  voltei, toda feliz, apaixonada, amando…e baleiúda de novo! (engordei menos, mas engordei…poxa vida) Recomecei a dieta, o André fez umas modificações.(Já emagreci tudo de novo e estou com o mesmo peso da formatura. Mas ainda tenho muito que melhorar. Minha barriga de tetra ta parecendo que engoli uma melancia. Como tenho lesão alta, não posso sonhar com barriga chapada, mas quero que minha melancia vire cereja)

Nisso, notei que minha amiga, Fabíola Pedroso, também iniciou uma dieta (ela está na terceira semana).  E tome post no facebook, dela falando do novo projeto. Adorei! Sempre conversava com ela sobre isso. Afinal, pra cadeirante é mais complicado emagrecer. Então, resolvemos unir forças. Cada uma na sua dieta, mas nos apoiando.

Há uns 2 dias atrás, vejo outra amiga de rodinhas, a Tabata Contri, postando no Facebook que resolveu entrar na dieta também. Ela chamou de Medida Certa Cadeirante. A dieta dela mesma. Postou uma foto de uns anos atrás, que é onde ela quer chegar, e uma de hoje em dia.

Então, eu comecei a refletir. É realmente mais complicado emagrecer na cadeira. Na verdade, tenho notado que muitos engordam, mesmo que depois de alguns anos, quando se veem na cadeira de rodas. Muitos negligenciam a atividade física, outros se entopem de besteiras e não ligam pra alimentação saudável. Não é só uma questão de corpo bonito, ou magreza. É uma questão de saúde. Nosso corpo muda por dentro, quando temos lesão medular. Outros adquirem outras patologias que os fazer mudar por dentro também. O funcionamento de alguns órgãos fica lento. Temos que nos cuidar. Também temos que prestar atenção ao Triglicérides, Colesterol. Tireóide, Pressão, como qualquer outra pessoa.

Por que não nos unir e um dar força pro outro, buscando uma vida mais saudável, mais ativa, com mais gente feliz, contente, menos problemas de saúde, mais atividade física? Foi então que conversei com meu nutri e resolvi lançar a Campanha. Porém, não poderíamos chamar de Medida Certa Cadeirante, porque somos pobres demais pra gastar com pagamento de direitos autorais pra empresa criadora do programa. Vamos chamar de “Por Uma Vida Mais Saudável Sobre Rodas” (fiz até hashtag #).

A ideia é a seguinte. Um animar o outro na busca de qualidade de vida. Trocarmos dicas, sensações, nos motivar. A ideia é sair do sofá e buscar alguma atividade física que te proporcione prazer. Como bem disse a Selma Rodeguero (tão viciada em musculação quanto eu) “ Cada um faz o que gosta e o que acha que é melhor, mas TODOS devemos fazer uma atividade física.”  A ideia é também parar de se entupir de fritura, de doces, de gordura e trocar por alimentos saudáveis que ajudarão você no futuro. Como disse a Fabíola: ”Odeio legumes e verduras. Claro que dieta inclui esses alimentos e estou comendo e gostando de muitas coisas.” É só tentar!

Preciso deixar claro que nenhum de nós é nutricionista, pra passarmos dietas uns pros outros. As dietas precisam ser personalizadas, pra realidade de cada um. Se alguém mandar cardápio de dieta pros demais, eu ficarei mais malvada que a tal da Amarilys. Se você precisa de uma dieta, eu indico meu nutricionista, a Tabata pode indicar o endocrinologista dela, você procura algum profissional pra te ajudar. Também não somos educadores físicos. Podemos dar dicas, mostrar alguma atividade que fazemos. Mas passar um programa de exercícios, os famosos “treinos”, só os profissionais da área podem passar. A ideia é a motivação mútua. Nada de um se comparar com o outro, mas você olhar suas fotos, daqui 6 meses e perceber “Caramba, como estou melhor, como minha saúde melhorou.”

Então, se você ficou animado a começar ou já começou, escreva pra mim. Uma amiga, a Fabíula (é outra, gente), disse que começou a dieta, mas ta de férias da atividade física. O Vinícius me mandou in box perguntando: “Só tem mulher na foto. Os meninos estão de fora?”. Claro que não! Estão super dentro! Eu coloquei as fotos delas comigo, porque foram as que estão no meu grupo de amigos e se manifestaram sobre a mudança na vida.

O que eu preciso é que todo mundo que aderir, escreva pra mim. Pode ser email (dannyybo@ibest.com.br – Se mandar piadinha, corrente ou sacanagem, vai arder no mármore do inferno) no facebook (http://goo.gl/VO64qx) ou escrever nos comentários aqui do Blog. Quero saber o que vocês já fazem, se fazem dieta, atividade física, se não fazem nada, se vão começar com a gente, se já começaram, quais as dificuldades do início da dieta, quais as dificuldades do início da atividade física, o que é mais gostoso, o que é pior de fazer, quais as sensações de mudar os hábitos, o que isso melhorou na sua vida, quem cozinha pra você na nova dieta? Esse tipo de coisa!

Se for postar nas redes sociais, você pode colocar a hashtag #PorUmaVidaMaisSaudávelSobreRodas

Bóra começar?

Texto originalmente publicado no Blog Mãos pelos Pés, no Running News

14
maio

2

Reflexões sobre rodas: o que mudou depois de 6 meses de lesão medular

Primeiro eu pensei umas mil vezes antes de escrever esse post. Verdade seja dita, e pra quem me conhece desde antes do acidente e leu tudo que eu escrevia todo dia depois que saí da UTI, sabe que eu escrevia pra caramba. Depois parei. Depois retomei, falando sobre esportes adaptados, mas pouco sobre o que se passa aqui dentro.

Eu “escrevia na cabeça” alguns parágrafos. Mas não passava pro computador e esquecia o que e como iria dizer.

Então, na sexta-feira eu recebi uma mensagem assim: “eu estava vendo sua história(…). eu sofri um acidente de moto na Anhanguera faz 10 meses. Também estou sem andar,mas não tenho esse pique que você …me add para conversar mais..”. Fiquei pensando como eu poderia ajudar essa pessoa.

Até que um amigo compartilhou o texto publicado no blog no Jairo Marques, em janeiro (http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2013/01/07/um-relato-de-otimismo-e-coragem/).

Eu li de novo e pensei: “Acho que devo escrever de novo, contando as novidades, após 6 meses de lesão”.

Assim, eis-me aqui, tentando costurar a colcha de retalhos de tudo que aconteceu desde que o texto do Jairo saiu. Vamos por partes (não farei a piadinha do Jack porque já está muito manjada).

Como todo mundo sabe, eu consegui ir pro Sarah! Depois da mobilização de geral de vários amigos, conseguimos o dinheiro pra viagem, eu e meus pais nos aventuramos pela capital. Continuei contando com a ajuda dos amigos enquanto estava lá. Os resultados foram satisfatórios, eu não tinha escara, nem frieira nem pereba, e consegui minha vaga. Fiquei internada no Sarah Centro 1 mês. Depois fiquei hospedada na casa da minha amiga Carla e frequentando o Sarah Lago Norte por mais 1 mês e meio. Lá fui muito feliz, fiz muitos amigos, fiz um monte de esportes e não queria mais voltar. Mas voltei!

Pronto! Minha vida sobre rodas está muito mais fácil. Minha amiga Tábata me emprestou a Ferrari vermelha dela, enquanto meu Porsche azul não chega (uma Tilite linda e leve que chegará na loja da Mobility Brasil em breve). A Ferrari é bem mais leve que o Fusquinha, a cadeira alugada que eu estava.

Eu já aprendi a empinar a cadeira. Outro dia fui empinar a cadeira na academia (o parágrafo da academia será escrito abaixo. Aguentem a ansiedade) e quase matei professores e alunos no coração. Eu devia ter filmado a cara deles! E devia ter filmado um dos professores, tentando empinar e quase caindo (melhor parte do treino foi a cara de desespero dele e nossas risadas depois). Degraus um pouco altos ainda são obstáculos pra mim. Eu não tenho força nas mãos pra subir, nem pra descer. Mas os baixos eu consigo!

E as mãos? Então…parágrafo à parte. Minhas mãos ainda estão fracas. Principalmente a esquerda. Meu dedo indicador esquerdo não serve pra nada. Nem dobrar ele dobra! Está ali pra deixar a mão bonita. Já é uma serventia! Falando em lado esquerdo do corpo, todo o meu lado esquerdo é mais comprometido que o direito. O bíceps é menor, o braço tem menos força, a perna é mais fina. Que lindo! Eu tenho cada lado de uma grossura no corpo! Tenho dois tamanhos e duas forças! Eu ia me comparar a algo, mas não achei nada de tamanha magnitude no universo pra comparar! =O Um lado é estilo “pelos poderes de Grayskull” e do outro lado é tipo “a ponte do rio que cai”. Mas ta bom. Pelo menos Deus conservou um pouco a mão direita e eu consigo escrever. Se eu escrever bem devagar, a letra até que sai bonita.

Mas eu não consigo, por exemplo, usar a tesoura, nem abrir garrafas de água, tampouco usar abridor de latas. Também não consigo segurar a jarra de suco, pra encher meu copo. Nem abrir latinha de refrigerante (ainda bem que não bebo refri há uns 6 ou 7 anos). Não consigo abrir embalagens, como de chocolate ou de chiclete, com as mãos. Eu, geralmente, uso a mão direita e a boca. E quando nem assim eu consigo, eu peço pra alguém.

Mas me maquiar eu consigo! Sim, continuo vaidosa. Tudo bem que a pele encheu de espinhas e o cabelo caiu uns 80%. Mas a pele está começando a limpar (e a maquiagem tampa o que ainda sobrou no rosto. Exceto quando estou na piscina. Ninguém vá me olhar na natação, por favor) e a cabeça está cheia de fios de cabelo novos, cuidadosamente mimados com uma vitamina e um tônico que eu ganhei de uma dermato que nada na raia ao lado. Eu continuo me besuntando de hidratante, pois a piscina resseca a pele pra caramba.

Falando de piscina, assumo! Virei lodinho! Eu faço natação 5 vezes na semana, treinos de uma hora e meia a duas horas de duração. Por mim, ficaria mais, mas os braços ainda não aguentam. Estou desenvolvendo força agora. Meu treinador, muito experiente e perceptivo, monta treinos específicos pra cada dia da semana. E já sabe quando eu fico cansada e não aguento mais de dor no ombro direito, que é o que eu forço mais (estamos trabalhando isso).

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Chamem de baleia, peixa, golfinho, do que quiserem… Mas, descobri que, como não posso ser das pistas, eu sou uma mulher das águas. Eu sinto uma tremenda falta da canoagem (estou devendo o post da canoagem) e da vela. Ainda quero dar um jeito de encaixar isso na minha vida.

Vocês devem estar se perguntando: e as corridas? As corridas ainda me fazem sofrer e chorar! E muito! E sempre! Se eu disser que não, é mentira! Toda vez que estou na academia, e alguém reclama que odeia correr, que odeia a esteira, que odeia aeróbicos, eu olho bem pra cara da pessoa e digo: “me faz um favor? Pare de reclamar e vá logo pra esteira, porque eu daria tudo pra estar lá!”. Mas como quem vive de passado é museu, eu não fico pensando nisso o dia inteiro! Claro que ainda quero voltar pras corridas e pro triathlon. Pra isso, preciso da handbike, Eu e alguns amigos estamos atrás de patrocínio pra conseguir uma. Falta aparecer alguns empresários bonzinhos que querem deduzir minha handbike do imposto de renda deles.

Academia? Eu vou! Depois do treino de natação eu estou lá, firme e forte, puxando ferro, conversando, matando a saudade da galera…Sábado fui lá, com meu antigo treinador de corrida. Ele montou um treino funcional, para que consiga fortalecer o lado esquerdo do meu corpo (foi ele quem me chamou atenção, novamente, pra diferença de força nos braços) e para não lesionar os membros superiores do lado direito, já que faço mais força neles. E para fortalecer minhas costas! Elas não estão tão gelatina como antes, mas a lombar agora parece uma geleia de mocotó. Eu queria uma lombar estilo rapadura, pra ficar mais firminha…eu ainda pendo pros lados,como um pêndulo de relógio-cuco, em certos momentos. Como hoje, na academia. Encontrei duas ex-alunas que eu não via há 8 anos! Uma delas veio me abraçar de um lado e eu quase caí pro outro.

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Temperatura no corpo. Essa é uma coisa que melhorou um pouco. Pensem num mapa mundi. Antes meu corpo era o Mapa Mundi com todas as cidades do mundo (aqui eu sinto, 1 centímetro pra lá não, 2 pra cá sim). Agora você enxerga os estados de todos os países do mundo. Está um pouco mais agrupado…

Balada é uma coisa que não existe pra mim. Fui em uma, depois do acidente, pois era justamente uma das medidas de alguns amigos, pra arrecadar dindin e me ajudar a ir pro Sarah. Vou falar a verdade! Fiquei morta, acabada, destruída, por uns dois dias. E fui em uma, com minha amiga, em Brasília. Fiquei igualmente morta,acabada, destruída, não valia um real no dia seguinte!

Não tem jeito! Eu nasci pro esporte e é assim que quero ficar! É como me sinto bem e feliz!

Estou testando vários esportes diferentes, mesmo depois que saí do Sarah. Esse quesito é igual alimentação: experimentar é a alma do negócio. Só dá pra saber se gosta se você tentar, experimentar, testar. Não diga que não gosta se você nunca tentou. Lembro de um dia, era aula de basquete no Sarah e o professor disse: “Vamos aproveitar a presença de um paciente da seleção e jogar handball adaptado.” Ele disse que deu pra perceber na hora, pela minha cara, que eu não gostei (eu amava jogar basquete). Mas eu testei e amei. Pois, como tenho pouca força nas mãos e nos braços, marcar gol foi mais fácil que fazer uma cesta. Só depois de tentar é que eu tive a opinião formada.

Então, eu não devia ter feito careta (será que foi muito feia?) como as crianças fazem pros legumes, quando os veem pela primeira vez.

Eu ainda leio, escrevo, estou voltando a pintar…Mas todo o tempo que eu tenho, estou, preferencialmente, treinando, experimentando esportes novos, ou conversando com meus amigos. Nem sempre posso estar com eles pessoalmente, mas falo sempre por telefones ou internet.

Algumas pessoas, acabaram se afastando, por falta de tempo, por correria da rotina, porque não me encontram mais nos treinos de corrida ou razões diversas. Mas nem por isso deixo de ter gratidão por eles, pelo que fizeram nos momentos que eu mais precisava. Meus queridos amigos de verdade, continuam presentes, me apoiando de diversas maneiras. E eu procuro estar o mais presente possível na vida deles também, visto que amizade (como qualquer relacionamento) é uma via de mão dupla. Se você não se importa, não espere que a pessoa vai ficar correndo atrás de você pra sempre, pois não vai!

Ontem, depois de 6 meses do meu acidente, eu fui na casa da minha avó pela primeira vez. Alguns se lembram que era com eles que eu morava, quando me acidentei. Choramos muito, minha avó, meu avô e eu, por eu estar viva e estar ali com eles (apesar da escada enorme. Eu subi “de bundinha”, degrau por degrau, pois nem meu pai, tampouco meu avô, teriam forças pra me carregar ali).

Finalmente comi o “franguinho” da minha avó, que fazia parte do meu dia-a-dia, enquanto eu estava com eles (e trouxe um pouco pra comer na janta). Foi um dia muito emocionante pra mim. Também foi a primeira vez, em 6 meses, que eu saí de dentro da garagem (dessa vez no banco de trás do carro do meu avô) e fiz aquele trajeto. O mesmo trajeto que eu fazia todos os dias. O mesmo trajeto que eu fiz acelerando o carro com os pés, pela última vez. Minha avó falou a mesma coisa que me dizia todos os dias de manhã:”Coloca o cinto, chica”.

O cinto que salvou a minha vida! E eu fui olhando a estrada. E um filme passou pela minha cabeça…

Foi quando eu vi! As marcas que meu carro deixou na mureta de concreto na pista. Chorei muito na hora. E choro de novo agora, ao lembrar. Vi alguns pedaços do carro, ainda na grama. O que restou do carro, foi pro ferro-velho. Meu celular e meu computador, que estavam, respectivamente, na bolsa e na pasta, dentro do carro, já pararam de funcionar…

E eu estou aqui! Viva, inteira, renovada! Talvez um pouco mais quieta. Eu falo, brinco, rio, sorrio…Rio e sorrio muito, todos os dias, todos os momentos que posso! E gosto de fazer os outros rirem também! Porém, muita coisa eu guardo pra mim, aqui dentro da cachola (que não para um segundo) e do coração…Mas o que importa mesmo é que estou aqui, nadando muito, malhando muito, sorrindo muito, me divertindo muito, sonhando em voltar pras corridas..e viva!

E feliz!

Texto originalmente publicado no Blog  Mãos Pelos Pés, no Running News