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ago

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Expo Golden Four Asics SP 2015

Gente, é taaaanta coisa pra falar, que eu nem sei por onde eu começo! Juro!

11695898_1049197961757556_1303694907299877345_nVou voltar no tempo, pro começo desse ano, quando recebi o convite da organização da Golden Four, pra ser palestrante nesse ano. Eu iria falar sobre a Minha História com a Golden Four Asics. Nem preciso falar que só não pulei de alegria porque não pulo! Mas eu já estava esperando ansiosamente por novas informações, enquanto a corrida não chegava. Fiquei em êxtase total quando saiu o informativo sobre a Expo e meu nome tava lá, bem depois do Dr. Drauzio Varella! Eu já tratei de enfiar meu livro na mala, pra tentar um autógrafo.

Nas duas provas anteriores que fiz em Sampa, eu tinha ficado parada na marginal na ida. Então, por puro e total medo de isso acontecer (e aconteceu! Fiquei 1 hora parada e não fiz nem metade do que eu queria na sexta), decidi sair de casa na sexta-feira. Quando cheguei, o Edu já estava lá pra me buscar, junto com toda a minha tropa: cadeira, minha filha handbike e mala (to conseguindo carregar uma mala cada vez menor, apesar das roupas de frio). Fui direto pra loja da Vivian Bógus, que agora me patrocina com roupas da linha fitness. Já peguei a calça nova e o top que eu usaria na prova. Também escolhemos uma blusa pra eu dar a palestra, porque já faz uns 2 anos que eu não compro roupa “de sair” (mais alguém tem mais roupas de academia do que outra coisa?).

Eu já estava sem dormir há 2 semanas. Imagina se eu dormi naquela noite! No sábado, eu não via a hora de chegar logo na Expo! A Fabi passou pra me buscar e lá fomos nós. Já no estacionamento, comecei a encontrar os amigos. Eu adoro buscar kit de corrida! Assim, eu tenho 2 dias pra ver o pessoal que faz tempo que eu não vejo. Verdade seja dita, pouca gente que eu vi sábado, consegui encontrar domingo, depois da prova. E já na entrada da Expo, estava aquela placa linda dos 21k. E esse ano ela era azul! Ali eu já vi que as coisas seriam maravilhosas no meu final de semana.

Eu e a Fabi rodamos aquela Expo toda, pegando kit, tentando trocar minha camiseta (que veio tamanho vestido, pra mim, que pareço um Minion),vendo algumas coisas, encontrando as pessoas e tirando fotos. Mas eu estava bem preocupada com a palestra. E vou falar pra vocês o motivo. Eu tinha tempo limite pra falar! E todo mundo que quando eu começo a falar, eu não para nunca mais na minha vida! E eu também não queria chorar, porque eu sempre choro quando falo da Golden Four.

Encontrei o Marcelo (de Assis Marques), meu amigo querido, que ia dividir o palco comigo e também contar a história dele. Então, combinamos que ele falaria primeiro, assim eu usaria o tempo que sobrasse. Depois disso, eu e Fabi sentamos num cantinho pra devorar o kit lanche, porque minha pressa era tanta, que eu nem deixei minha amiga almoçar!

Logo, começou a palestra do Drauzio Varella. Como o pessoal disse lá, ele parece nosso avô (e realmente tem a idade do meu). Calmo, tranquilo. Muito engraçado. Falou várias verdades sobre saúde, necessidade de fazer atividade física e que, essa história de que correr faz mal é tudo balela. Na minha opinião, é lorota pra vender mais remédio ao invés de vender tênis! A única coisa que ele disse, e que incomodou alguns corredores,é que ninguém gosta de levantar super cedo pra treinar. E tem muita gente que gosta sim, porque rende mais de manhã do que à noite. Mas eu sou do time que dorme mais um pouquinho e rende mais depois das 18h rsrs

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Gente, a palestra dele foi uma muvuca de tanta gente! Todo mundo juntinho, apertadinho, pra tentar ouvi-lo falar. E ele também levou a Adriana Aparecida, medalha de prata no Pan de Toronto. Quando ela estava terminando de falar, eu já estava explodindo de vontade de ir ao banheiro (e todo mundo sabe que lesado medular não consegue segurar). Eu só pensava que se não fosse naquela hora, não conseguiria ir antes da minha palestra. Aí veio a notícia de que o Drauzio não esperava tantas pessoas e percebeu que não daria tempo de autografar os livros, visto que ele tinha outro compromisso. Mas e meu livro? O Edu já tirou o livro da minha mão e eu fugi pro banheiro. Sorte a minha, pois quando saí, tinha uma fiiiiila pra entrar. Soube que meu livro desapareceu com o pessoal da Iguana Sports, lá pra dentro do camarim do Drauzio. E voltou autografado, cheio de carinho! <3

Ta. Nossa vez de subir. Minha e do Marcelo. Enquanto todo mundo tietava a Adriana, eu aproveitei e também fui. Ela é muita linda e me disse “Segura a medalha”. Coração da gente dispara, né! Desci, e fomos, Marcelo e eu, na mesa de som. Maaas, cadê nossas apresentações? Esperamos 10 minutos pra descobrirem quem estava tomando conta delas com a vida. Mentira, só tava num pen drive. Mas, foram 10 minutos que duraram 10 séculos. Eu só pensava que não ia ter sentido falar, falar, sem mostrar fotos. Sorte que a Adriana estava lá, no palco, enquanto o pen drive chegava.

Eu subi crente que o Marcelo ia falar primeiro. Mas deram dois microfones pra nós. Eu só dei uma olhadinha pros banquinhos e vi apenas nossos amigos (meus e dele) e mais algumas pessoas. Aí, na televisão bem na minha frente, aparece minha foto! Gelei! Assim, a sangue frio, sem avisar, sem preliminar? O moço me entregou o passador de slides, e eu comecei a falar. Percebi que quando eu disse assim “vocês devem estar se perguntando o que uma pessoa na cadeira de rodas veio falar sobre corridas”, um monte de gente que estava nas filas virou o rosto e começou a olhar pra mim. E assim que eu comecei, foi vindo gente, vindo gente, e mais gente pra me ouvir.

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Eu tentava não parecer uma metralhadora, mas também não podia ficar totalmente zen, pra contar meus 3 anos de história com a Golden Four. Era muita história pra pouco minuto. Mas eu fui contando, contando… Tinha gente rindo, tinha gente chorando, a Dani tirando foto (mas na verdade estava filmando, ainda bem que só me contou depois). Umas duas vezes me deu vontade de chorar, mas eu engoli o choro, pra não passar vergonha bem ali.

Eu não ensaiei falar nada. Coloquei as fotos da história pra serem meu guia e fui contando. Depois que eu desci, pensava “poxa, não falei isso”, “eu devia ter falado aquilo”. Mas em nenhuma palestra minha eu faço diferente do que fiz ali. Eu simplesmente falo da minha cabeça, que é onde a história e as emoções estão guardadas. Engraçado que, várias vezes, enquanto eu falava, eu via as situações na minha frente. Eu, sentada na cama do hospital, vendo as fotos da Golden Four 2012 no facebook. Vários amigos dedicando as medalhas pra mim. E eu ali, digitando igual cata-milho, porque nem os dedos funcionavam direito (não que hoje eu não apague 200 vezes as letras que eu aperto trocadas sem querer. Mas em quase 3 anos, melhorou muito!). Depois, 2013, eu vendo, de novo, as fotos, enquanto eu pensava em como eu poderia estar la. E que só ir pra assistir ia ser sofrimento demais.

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Depois eu comecei a falar sobre as etapas do ano passado. E parecia que via, ali na minha frente, aquela subida dos infernos, e a hand dando ré, na minha estréia. E ouvia a galera me passando e eu ouvindo os passos de cada um no asfalto. Lembrei até das sombras das árvores no caminho. E aí a minha chegada, e a minha alegria em pegar a medalha. Eu nem acreditava. (a etapa SP 2014, eu contei aqui http://daninobile.com.br/golden-four-uma-das-maiores-emocoes-da-minha-vida/ )

Depois, parece que eu via Ivone atrás de mim, me empurrando, enquanto a Gi e o Vandi traziam a hand desesperados. A Márcia parando a van e nos resgatar. Eu também vi o chão quando eu caí de cara na largada. E ouvia a voz do Gustavo, meu ciclista anjo, falando pra eu me acalmar, enquanto o gel estourava na minha blusa, a hand quebrada e eu chorando sem parar. E depois a busca por ele, pra agradecer! (a etapa BSB 2014, eu contei aqui http://daninobile.com.br/2-anos-depois-golden-four-asics-brasilia/).

Eu fui lembrando e falando o que vinha na minha memória e no meu coração. Todas aqueles momentos, que eu resumi em 25 minutos. Pois é, passei do tempo! Só soube depois, que a Dani me falou! E enquanto eu falava, eu via os amigos e amigas chegando pra me ouvir, me dando tchauzinho, me mandando beijinho. E a reação das pessoas. Aí, no final, todo mundo bateu palma. Acho que quando batem palma é porque não foi tão ruim assim hahahahaha

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Quando o Marcelo começou a dar a palestra dele, eu já estava tão relaxada, que só curti. E até consegui fazer pose pra foto e piadinhas quando as pessoas tinham perguntas. Mas a surpresa maior ainda foi o pós-palestra. O feedback dos outros atletas foi muito incrível! Muita gente vindo conversar comigo, tirar fotos. E eu também recebi muitas mensagens lindas nas redes sociais! Eu não tenho nem como agradecer a cada pessoa que esteve ali presente, e cada palavra de carinho que eu recebi. Vocês tornaram o meu dia incrível!

Depois disso, eu destruí o lanche que a Dani levou pra mim (quem contou pra ela que eu sou uma draga, eu não sei. Mas ela sabia que eu ia descer do palco morrendo de fome). Finalmente fui personalizar minha camiseta e fui a última a subir na maca pra fazer a massagem. Ouvi do senhor que me atendeu que eu tava com as costas podres. Mas o mais legal foi ouvir do pessoal da massagem “Nossa, eu amei sua palestra. A gente estava trabalhando, mas ouvindo tudo que você falava aqui do fundo”.

Não preciso nem dizer que eu estava mega master radiante. Cheguei na casa da Vivi, abri meu tênis lindo que ganhei da Asics, arrumei tudo pra corrida e…. não dormia nem pagando mil reais!!

Quer saber como foi a prova? Amanhã eu conto! Esse post já ficou gigante demais!rsrs

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10
nov

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2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

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Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

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No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

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Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

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10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

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Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

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10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

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Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

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Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

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Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

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Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

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Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

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Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

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(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)