12
ago

27

Sobre Laís, a tocha e voltar a andar

Confesso que deixei passar uns bons dias, porque  achei melhor deixar o assunto esfriar. Aí, pensei em nem falar nada e deixar pra lá. Mas, ainda continuo ouvindo e lendo várias coisas sobre isso. Assim, decidi não me calar.

Durante a passagem da tocha olímpica pelo nosso país, alguns poucos atletas tiveram a honra de carregá-la. Entre esses está nossa querida Laís Souza, atleta olímpica que ficou tetraplégica em um treinamento.

Ao carregar a tocha, Laís optou pelo uso de um equipamento, uma cadeira de rodas que a deixava em pé.

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Quando eu vi a foto, pensei :”Ela foi genial! Assim, quem a ajudaria a segurar a tocha, não precisaria ficar curvado, com perigo de cair no chão ou ter uma baita dor nas costas”.

Muitos brasileiros ficaram extremamente felizes e emocionados ao ver Laís de pé, mesmo que com ajuda da tecnologia.

No entanto, essa pareceu não ser a opinião de todos! Em alguns artigos escritos, e em algumas postagens nas redes, Laís foi acusada de “negar a classe”, rejeitando sua condição de cadeirante, não querendo fica sentada.

Eu respeito todas as opiniões, mas deixo claro aqui, que não concordo!

Eu não conversei com a Laís pra saber porque ela tomou essa decisão. Conversei apenas com Will, o cuidador dela, e deixei uma mensagem pra ela, apenas dando força e falando pra ela deixar pra la.

Ora, convenhamos, desde quando as pessoas não podem tomar suas próprias decisões? Desde quando Laís, eu ou você temos que pedir opiniões alheias ou justificar todas as nossas escolhas?

Algo que me intrigou profundamente foi o fato de que muitos cadeirantes estavam acusando Laís de desvalorizar a identidade do cadeirante e de não aceitar sua nova condição.

Porém, toda essa fomentação começou por parte de um jornalista (que gosto muito e respeito) que também é cadeirante, MAS (e mas com letras garrafais) não tem lesão medular! Pois é! Já expliquei aqui no blog que cadeirante não é tudo igual! O fato de a pessoa estar numa cadeira de rodas não indica que ela tenha a mesma patologia que seu amigo que também é cadeirante, ou o vizinho da sua prima ou até sua avó.  O fato de sermos cadeirantes não nos torna todos iguais!

Quem nasce cadeirante tem a “sorte” de crescer assim e não ter que se acostumar com uma mudança repentina de vida e universo. Eles já aprendem, desde pequenos, a tocar a cadeira (e isso os faz mais corajosos nas manobras) e desenvolver, desde cedo, habilidades que os ajudarão na vida sobre rodas.

Quem não nasce cadeirante tem sua vida tomada por uma nova realidade e tem que reaprender a viver.

Além disso, na grande maioria dos casos, quem nasce cadeirante não tem mais 800mil demandas que um lesado medular tem!

Acredito que, assim como eu, e milhares de pessoas ao redor do mundo, o maior sonho de Laís seja voltar a andar. Porém, voltar a andar não nos cura da lesão medular! Não!

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei que viver com meu maior pesadelo: a dor neuropática. Ela é causada pela lesão medular e, voltar a andar, não vai fazer eu me livrar dela! Ainda terei que tomar remédios, fazer tratamentos, levar injeções, viver encapotada, na esperança de passar algum dia sem dor. E ainda passarei dias na cama (como ontem), porque a dor não passa e não me deixa fazer mais nada.

Se algum dia eu voltar a andar, ainda sofrerei com os espasmos. Ainda terei que tomar mil remédios, na esperança de controlá-los e não ter uma contração muscular involuntária a cada 13 segundos (sim, eu tenho isso!).

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de bexiga e intestino, já que a lesão medular nos deixa com bexiga neurogênica e intestino sem controle. Então, eu ainda terei que tomar remédios pra isso e ainda irei de 2 a 6 vezes ao banheiro durante a noite, enquanto você está dormindo.

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de temperatura com calor. Como tenho lesão alta (C7 – tetraplegia incompleta), eu tive meu sensor de temperatura corporal alterado. Eu não transpiro mais! Então, meu corpo esquenta, esquenta e eu fervo! Pareço uma panela  de pressão, prestes a explodir. Corro o risco de desmaiar. Se você assistiu “Como eu era antes de você”  e prestou atenção na cena em que Clark enche Will de cobertas e, quando o cuidador chega, ele está quase desmaiado, tiram os edredons de cima dele, colocam ventilador pra ele resfriar…então, é exatamente isso!

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de temperatura com frio. Pois é, a coisa é feia pros dois lados. Da cintura pra baixo, eu gelo muito fácil! Chego a usar polainas em casa durante o verão! E, as vezes, eu nem sinto o frio, mas estou uma pedra de gelo! E meu corpo não aquece rápido igual ao de uma pessoa “normal” (sem lesão medular). Não é só sair do vento que ta tudo bem. Não! Uma vez gelada, eu continuo gelada por horas. E esse frio me causa….dor neuropática! Então, mesmo que eu volte a andar, se a lesão medular não for curada, eu ainda terei que usar meia calça no verão, sair com 300 meias, usar polaina no verão e só pegar avião de calça e botas (mesmo que lá fora esteja 40graus).

Se algum dia eu voltar a andar, minhas mãos comprometidas ainda estarão comprometidas. Eu ainda não consegui a coordenação motora fina de volta. A caneta vai continuar caindo da mão, eu ainda não conseguirei abrir embalagens sem usar a boca ou pedir ajuda, eu ainda não conseguirei segurar uma jarra pesada de suco pra me servir no almoço, nem vou conseguir costurar o botão da minha calça que caiu.

Quem nasceu cadeirante não tem nada disso! Quem ficou cadeirante, tem tudo isso e muito mais.

To falando que é melhor ser cadeirante assim ou assado? Melhor desse ou daquele jeito? Não! To falando que é diferente! O melhor é que ninguém fosse cadeirante! O melhor é que ninguém tivesse que passar por nada disso, nem questionar nada, nem ser questionador, nem implorar por uma rampa pra atravessar a rua, nem ter que mudar a opinião das pessoas sobre a deficiência! O melhor é que não precisássemos lutar pra conquistar nosso lugar no mundo e não tivéssemos que provar pra ninguém que somos tão capazes quanto, ou mais capazes do que quem não tem deficiência.

Porém, as diferenças existem e, se eu voltar a andar, não estarei “curada” da lesão medular. Se Laís voltar  a andar ela não estará “curada”.

Eu sei disso. Laís sabe disso. Sabrina sabe disso. Douglas sabe disso. Felipe sabe. Marcelo sabe. Greyce sabe. Carla sabe. Fabiula sabe…

Agora você também sabe.

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08
jul

2

Exercícios para lesados medulares – Abdominal

Como aqui nesse blog, promessa é dívida, tia Dani ataca novamente contra a preguiça desembestada e as desculpas esfarrapadas.

Muita gente pediu pra eu voltar a postar dicas de exercícios aqui no blog. Mas eu também ouvia “Poxa, tia Dani, você já tá com quase 4 anos de lesão e já recuperou bastante coisa. E quem teve lesão recentemente? Faz o que?”  Cola na tia Dani que é sucesso! Aqui a gente dá jeito pra tudo!

No ano passado, eu conheci a Poli. Ela era minha seguidora e nós nos conversamos pessoalmente na fisioterapia. Ela sofreu um acidente dia 13 de outubro de 2014, quando tinha 30 anos. Ela teve lesão medular em C5 e C6 e traumatismo craniano do lado direito.

Hoje somos amigas e treinamos juntas na academia. No início do ano, perguntei se ela toparia ser nossa modelo do blog! E ela aceitou!!! uhuuuu Assim, teremos vídeos também pra quem está em início de lesão e teve lesão alta.

O treinador da Poliana é o professor Fabio Ibrahim, da Companhia Athletica de Ribeirão Preto. Ele me ajudou há anos atrás e tem bastante experiência com cadeirante, pois o pai dele também é do mundo das  rodinhas.

Segundo Fabio, “o objetivo do trabalho com a Poliana, que tem lesão alta, é fazer com que o sistema nervoso e o sistema neural trabalhem. Trabalhando os dois, a mão começa a funcionar, pois ela recebe os estímulos.”

E sim! A mão da Poli começou a mexer! Mas não é só isso! Ela está tendo grandes avanços pra sentar, sustentar o tronco e se posicionar melhor na cadeira. Eu sei o quanto isso é importante, pois desenvolvi uma escoliose gravíssima devido ao mal posicionamento e fraqueza abdominal.

Então vamos lá? Vamos botar esse corpinho pra mexer?

Os exercícios de hoje são para estímulo abdominal. No início, assim como eu, a Poli não tirava a cabeça do chão. Veja como ela está agora e quais são os estímulos que o corpo dela está recebendo.

 

22
jul

1

Athenas 16k e Pernas de Aluguel

Gente, é muita emoção pra um post só! Mas vou segurar as lágrimas e contar pra vcs como foi minha corrida Athenas 16k com o Pernas de Aluguel.

Pra quem acompanha o blog sabe que essa história começou ha 1 ano atrás, laaaa na Golden Four SP. No pós prova o Edu Godoy me parou pra perguntar se eu usava minha cadeira de uso diário pra correr. Eu expliquei que essas cadeiras não são  permitidas pelas organizações de prova, por motivos de segurança, mas que eu uso a handbike, que ele nunca tinha visto. Mostrei pra ele e expliquei como funciona. Mas ele me disse que uma hand nao daria pra ser usada no caso dele. O Edu é voluntário na Instituição Rainha da Paz e, inspirado na história de Dick e Rick Hoyt,  gostaria de levar as crianças do Rainha pras corridas. Mas elas precisariam ser empurradas. Então falei pra ele dos triciclos. Apresentei o Edu pra Fer Balster, falei do Itimura e da empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos que ele precisava.

Pronto! A partir desse dia, o Pernas de Aluguel entrou definitivamente na minha vida!

Minha alegria ficou gigante quando, em outubro, o Pernas conseguiu fazer sua primeira prova. Infelizmente eu não pude pernas-de-aluguel-4estar la, mas publiquei aqui no blog uma entrevista com  o primeiro atleta cadeirante do Pernas, com a família e a equipe do Rainha. (Quer ler? Clique aqui  http://daninobile.com.br/pernas-de-aluguel/ ).

O tempo foi passando, o Pernas foi crescendo, mas eu nunca conseguia ir em nenhuma prova com eles. É logística e grana demais sair de Ribeirão com a hand pra fazer uma prova de 10km em SP. E nas provas longas deles, eu estava competindo.

Há 1 mês e meio atrás eu comecei a batalhar minha inscrição da Athenas 16k, pra poder estar com o Pernas e dar uma treinadinha pra Golden Four. Mas, eu não consegui me inscrever… Porém, nos 45 do segundo tempo, a família Pernas me presenteou com a inscrição! Isso foi na quarta-feira, pra prova ser no domingo. Pergunta se eu ia faltar. Nem morta!

E la fui eu, no sabadão, toda ansiosa pra reencontrar o Edu na rodoviária, após 1 ano! Pois é! Nos falamos todas as semanas nesse tempão, e cresceu uma amizade verdadeira nesse período. Mas só fomos nos ver nesse dia tããão especial. Eu chorei muito quando ele me disse que era o Pernas que me deu a inscrição.. Cachoeira aberta mode on já começou aqui.

De la, partimos pra casa da Vivi Bogus, que não só me hospedou, como aceitou carregar essa mala de rodinhas que voz fala, mais a minha filha gigante (a hand) pra prova. Nem preciso dizer que não dormi de ansiedade. Mais de meia noite e a doida, que tinha que acordar 4:40, tava fazendo snapchat kkkkkkk

Enfim, chegou o grande dia. E a emoção começou a vucuvuzear em mim assim que chegamos na área das tendas e vi aquele mundaréu de gente, com a blusa do Pernas. Ali no meio, ja tinha um monte de amigos meus. Itimura, Pri, Sindo e mais um montão de queridos.

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Depois da reunião que o Edu faz pre-prova, três voluntários,  Marcelo e Andréa Calil  e o Daniel Arita, foram comigo e com a hand até a largada. Maaaas, porem, contudo, entretanto, todavia.. todo mundo sabe que eu não consigo fazer uma única corrida  sem emoção! Apesar de estar na tenda 45min antes da  largada, eu cheguei na largada faltando 1 min! O suporte de pé da hand tava desregulado. Só percebi quando sentei nela e minha perna pegou no pneu (de novo!!). A organização tentou atrasar a largada, mas não puderam esperar mais. Ao invés de eu la11696024_10207141146950747_2309325696470379553_nrgar na frente, eu larguei quase 4min depois! Imagina meu desespero! Os meninos ainda tentaram correr na minha frente, abrindo caminho. e tava bem devagar, porque realmente tinha muita gente e pouco espaço. Mas alguns corredores do fone de ouvido no último volume, não nos ouviam.

Depois de 1km, consegui atravessar a pista e comecei a ir do lado de quem tava voltando, bem encostadinha na fita. Logo, a elite me alcançou, mas como eu estava na contramão, eu não bati em ninguém. Desviei de volta pra pista da ida, pra passar no tapete de cronometragem e voltei pra contramão. Quando o fluxo diminuiu, porque o pessoal dos 8k começou a voltar, eu entrei na pista certa e ja havia bem pouca gente na minha frente.

Verdade seja dita, eu tive que parar uma vez pra puxar a mangueirinha do camelback, que ficara presa. E parei mais duas vezes pra arrumar meu pé, que caiu quando passei em buraco. Numa dessas vezes, o staff veio correndo pra ver se eu estava bem. Por isso eu adoro provas da Iguana! Eles realmente tem um staff excelente!

Comecei a voltar. O percurso é bem tranquilo. Poucas e leves subidas e vários falsos planos. Eu fui pra fazer tempo, mas a largada não me permitiu fazer como eu queria. Mas pula essa parte, gente! Na volta, eu já comecei a procurar o pelotão do Pernas, que estava indo. O combinado era eu fazer a minha prova e voltar pra terminar a deles com eles. Minha emoção foi gigantesca, quando vi aquele enorme grupo de corredores (mais de 50) e 7 cadeirantes, que estavam num posto de hidratação, me gritando e me aplaudindo. Nossa, chorei muito naquela hora!

Também tive apoio de muuuitos corredores, amigos e desconhecidos, que me gritavam, batiam palma. Eu amo demais a corrida! Os últimos 4km foram tensos, pois encontrei novamente a multidão dos 8k. E novamente, eu comecei a correr por fora da fita, na contramão de quem ia (mais ninguém!), pra não correr o risco de atropelar nenhum atleta. Engraçado é que, antes de eu passar pro outro lado da fita, tinha um atleta correndo muuuuito. Fizemos uns 2 km juntos. Quando chegou uma subidinha, eu diminuí, e ele ia na minha frente, pedindo passagem pras pessoas que estavam andando. Acredita que fomos xingados?! Juro! Quase surtei!

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Quando terminei os 16k, em 52minutos (tempo oficial no site da prova), tive que passar pela dispersão.  Fui a primeira cadeirante a terminar a prova, mas não tece pódio pra nós! Peguei minha medalha e voltei pra largada, por fora. O pessoal da organização pediu pra eu aguardar um pouco, pois havia muita gente chegando e eles não queriam ver nenhum acidente. Passados 40min, me liberaram pra voltar e encontrar o Pernas. Assim, fui na contramão de quem ia terminar a prova. Vários corredores me gritavam ” mas vai fazer de novo?”  rsrsrs

De repente, lá pelo km 4, eis que eu me debulho em lágrimas, vendo aquele grupo enorme vindo na minha direção! Mais de 50 atletas, 7 cadeirantes e um carrinho de bebê com nossa mascotinha Lully gritando “Vai Pernas”. Gente, foi demais! Pensar que há menos de um ano atrás, era só um sonho do Edu! Passei por trás deles pra fazer a curva e retornar. E comecei a acompanhá-los, cada hora ao lado de uma pessoa diferente, conversando com todo mundo e vendo a alegria dos cadeirantes. Foram momentos mágicos!

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No último km, a tradição é parar pra tirar uma foto. E pra juntar todo mundo ali?  Fechamos a marginal! Depois, partimos pro último km, todos se ajudando, dividindo água e isotônico. Os batedores iam à frente, pra avisar sobre buracos na pista e avisar os demais corredores que lá vínhamos nós.

11165225_915629005170725_2417092837237912170_nFaltando 50m pra chegada, as palmas altas começaram, e alguns cadeirantes, que conseguem caminhar com apoio, levantaram de seus triciclos e começaram a dar passos lentos, porém firmes e alegres, pra cruzar a linha de chegada. E eu de trás, olhando tudo da hand. Olhando a emoção dos pais, a emoção de quem assistia, a emoção do staff nos vendo chegar. Gente, foi lindo demais. É nessa hora que os ninjas invisíveis começam a descascar cebolas perto dos nossos olhos.  Espero, um dia, poder cruzar a linha de chegada assim com eles!

Terminada a prova e a emocionante entrega de medalhas, rola uma força tarefa pra atravessar a marginal e ir pra tenda da AP academia, que acolhe e ajuda o Pernas em todas as provas. Lá, ia ter outra surpresa! O Marco é pai do Marquinhos. Eles tem ido à várias provas com o Pernas, usando triciclos emprestados. E após a Athenas 21k, foi dia de o Pernas de Aluguel presentear pai e filho com o próprio triciclo deles! Aí foi emoção que não acabava mais! Veio ninja, veio samurai, veio China, Japão e Coreia inteiros descascar cebola perto dos nossos olhos.

Eu e o Edu nos emocionamos muito após a prova, por finalmente podermos correr todos juntos, pela primeira vez. Foi muito incrível! Indescritível! É assim uma corrida com o Pernas de Aluguel. Muita festa, muita risada, superação, amor, companheirismo, cuidado com o próximo. O Pernas já virou uma família. E eu sinto muito orgulho por fazer parte dela!

Se você quiser alugar suas pernas, ou doar para a aquisição de novos triciclos e pro transporte dos cadeirantes até as corridas, entre no site do Pernas e cadastre-se! http://pernasdealuguel.com.br/

 

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13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

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Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

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Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

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09
dez

13

Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

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E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

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Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

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Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

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22
out

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Tenho 2 anos! Parabéns para mim!! o/

É hoje o diaaaaa, da alegriiii-i-aaaaaa! E a tristezaaaa, nem pode pensar em chegaaaar. Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feeeeliizz que eu! Diz aí! Diz aí!!!

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Sim, siiimmm, siiiiiiiiiiiiiiiimmmmm!!!! Hoje eu completei 2 anos de vida! 2 anos de lesão, 2 anos de acidente, de vida nova, de cadeira de rodas. Sim, eu comemoro! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!”

10325410_791961860814502_2073472362398210166_nEu comemoro sim! E fico muito brava e indignada quando vejo cadeirantes todas/todos tristes, cheios de  lamúrias e lamentos “ai, que droga, hoje completo tanto tempo de lesão”.  Tá louca minha filha? Preferia ter morrido? Preferia causar mais dor à sua família? Preferia estar pior do que você está? Eu não preferia! Eu to bem, obrigada!! É…não to ótima. Estarei ótima quando puder voltar a correr e dançar. Por enquanto, eu to bem, obrigada!

Pra quem não me acompanha desde o começo, o que mudou na minha vida do dia 22 de outubro de 2012 pro dia 22 de outubro de 2014? Tudo! E nada!

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Em 2012, eu era professora. Apesar de morrer de saudade dos meus alunos, hoje não sou mais.  Apesar de ter lesão alta e ser considerada tetraplégica (não é só a questão de movimentação. A tetraplegia envolve também outras demandas, como dores agudas, perda da sensação de frio e calor, ausência permanente da capacidade de transpiração, espasmos, queda de pressão e tudo isso eu tenho de sobra. Minhas pernas esfriam e não esquentam mais, a ponto de eu sentir dor neuropática, outro demanda da tetraplegia) eu recuperei um pouco dos movimentos das mãos. Mas, mesmo com letra feia, não consigo escrever mais que duas linhas. Tenho espasmos nos dedos e a caneta cai da minha mão. No final da primeira linha já estou tremendo.

Acabei me apegando fortemente a esporte, tanto pra me reabilitar quanto pra buscar uma nova profissão. Ainda não sou profissional. Mas, como em qualquer profissão, que você precisa estudar, se empenhar,  se especializar, tentar e tentar, procurar um emprego, começar de baixo e ir devagarzinho subindo os degraus, eu estou tentando. Comecei do zero. Do nada! Estou tentando, estudando, começando de baixo, devagarzinho, tentando subir os degraus.

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Passei muitos percalços no esporte, tentei daqui, tentei dali…Mas agora, graças ao presente dos meus amigos – a handbike – eu to fazendo o que eu queria e mais amo: correr. E estou tentando trilhar um caminho novo. Sozinha está difícil, de vez em quando eu levo uns sustos, mas prefiro esses sustos do que não fazer esporte nenhum!

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Meu equilíbrio de tronco não é aquelas belezas, mas já melhorou muito, com relação ao que era no começo! Ainda tenho o corpo todo bagunçado de temperaturas. Tem dias que coloco  a mão em mim e canto a “Dança da manivela”, dizendo que aqui ta quente, aqui ta frio, muito quente, ta frio. Tem dias que to com calor no tronco e pescoço e dor neuropática porque as pernas estão geladas (como por exemplo, agora!).

Mas por dentro sou a mesma pessoa de antes, que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música e berrar a letra a plenos pulIMG-20140915-WA0077mões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

dani1Ah, eu não deixei a vaidade de lado nem no hospital! E preciso agradecer minhas amigas que me supriam com maquiagem, shampoos…rsrs Eu sempre me maquiava, até pra ficar em casa. Hoje continuo com uma das minhas marcas registradas: lápis preto nos olhos.

No começo manter a vaidade foi bem difícil. Devido à anestesia da cirurgia e muitas medicações, perdi quase 80% do cabelo e minha pele ficou lotada de espinhas.
Agora, meu cabelo está crescendo. Os fios novos estão quase nos ombros. Mas misturados com os fios antigos, meu cabelo ainda tá estranho rsrs Mas nem por isso eu deixo de arrumá-lo pra sair. Passei milhões de cremes nas espinhas, fiz algumas sessões com uma amiga especialista em laser e Led, e agora meu rosto está mais limpo.

natação

Meu corpo é outro. Minhas pernas grossas e musculosas já não são as mesmas faz tempo. E agora, além de finas, uma é mais fina que a outra.Minha barriga sarada foi trocada pela famosa “barriga de tetra (tetraplégica)”, flácida devido à falta de contração muscular, principalmente no abd inferior. Tive que aceitar meu corpo novo. Claro que sinto falta do corpo antigo, mas não adianta viver de passado. Tento me arrumar e ficar bonita o máximo que eu posso.
Gosto de estar sempre cheirosa. Continuo usando anti rugas, porque to com os pés e as rodinhas nos 30 (acabei de fazer 29). Não é porque estou na cadeira de rodas que vou ficar por aí desleixada.

Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo!
Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

IMG-20140216-WA0002Depois que vc vê a morte de perto, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

485462_886413038036050_5727372151154729224_nCom certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma. Vi a morte de perto e Deus me deu outra chance. Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

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Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente.20140907_111440

Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Que vc trabalhar e voltar pra casa e ter uma vida vazia só por dinheiro não vale a pena.
Tem gente que tem um relacionamento e só ta com a pessoa de corpo presente. Chega do trabalho, deita na cama e dorme. Não faz nada junto, não passa tempo de qualidade, não para pra beber uma taça de vinho e conversar, ou pra dividir uma panela de brigadeiro sentados na cama enquanto assistem um filme.

costas

Tem gente que só dá valor pros avós depois que os perdem.
Tem gente que tem filho, mas não cria o filho, não brinca junto, não se diverte junto, não sai pra andar de bicicleta, não lê uma história pra criança, não cria lembranças com a criança.

10678686_879401312070556_2912020854838005937_nTem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

 

buenos aires

15
out

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Exercício para membros superiores – parte 2 – facilitar as transferências

Oi geeeente!!! Promessa é dívida e eu vim postar um novo exercício.

Recebi muitas mensagens do pessoal cadeirudo que está começando a se exercitar, ou querendo sair do sedentarismo (eeeeeeeeeeee!!!!!!!!). Recebi mensagem até de alguns que se acidentaram há pouco tempo e não sabem por onde começar.

Já postei alguns exercícios aqui, mas esse é dos mais importantes! Transferir-se é ter mais independência! E se você não consegue fazer sozinho, precisa ajudar quem te ajuda!

Pra isso, precisamos fortalecer nossos tríceps! “ôôô tia Daneeeeeeeeeee, eu tenho lesão alta e meus tríceps não respondem.”    Então, se você não estimular, eles vão continuar a não responder! O estímulo é tudo!

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Se você ainda vai começar a estimular esse músculo, você pode começar a exercitá-lo na sua própria cadeira! Eu também usava uma poltrona com braços firmes (nada de sofá, porque é mole demais e você vai perder o equilíbrio).

 

 

 

Depois que você adquirir um pouco de equilíbrio e força, dá pra fazer como no vídeo. Meus pés estão num apoio um pouco instável e eu estou num banco baixo.

20141008_131813tríceps no banco20141006_183915

 

 

Vaaaaaaii gente!! Bóra treinar esse bracinhos!!!rsrs  bjsss

11
set

0

Media Maraton de Buenos Aires

Acabou! Os 90 treinos chegaram ao fim. Há algum tempo fiz o post contando sobre isso. Fer e eu fizemos, cada uma pra si, um plano de 90 treinos. O meu passaria pelo dia 3 de agosto (dia da Golden Four) e terminaria dia 7 de setembro. E finalmente, esse dia chegou!

Chegamos a Buenos Aires, Fer, Pri, Nani e eu, na quinta-feira. Na sexta, tiramos o dia pra pegar o kit e passear pela feira da corrida. O que viesse depois seria lucro. Realmente, passamos quase 5 horas lá, curtindo, tirando mil fotos, personalizando as camisetas. E eu até encontrei uma amiga aqui de Ribeirão!

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Eu estava realmente preocupada com meu frio e minhas dores decorrentes dele. Choveu a noite inteira, chuviscou de manhã e estava frio na sexta-feira. Eu só pensava nesse frio todo no dia da corrida.

Sorte a nossa (mais ainda minha), sábado amanheceu um sol lindo, um dia azul. Ventava, mas tava uma delícia de dia e eu empolguei, já mais tranquila quanto ao clima do dia seguinte. Passeamos pra caramba o dia inteiro. E as meninas, pra minha sorte de ter amigas assim, não queriam me deixar tocar a cadeira de jeito nenhum, pra descansar os braços pro dia seguinte.

Eu não vou ficar contando os lugares pelos quais passamos, porque o objetivo aqui não é fazer um tour por Buenos Aires. A cidade merece um post só pra ela. Os chicos argentinos merecem 2 posts só pra eles. E o dulce de leche merece uns 5 posts ou mais! Eu enfiei  os 2 pés e as 4 rodas na jaca quando o assunto era dulce de leche. Eu simplesmente não me cansava de comer (coisa de gordinha).

Tínhamos decidido chegar ao hotel à 20h, pra descansar. Fato é que chegamos depois das 22h. Ainda tínhamos que tomar banho e eu tinha que terminar de separar as roupas pra corrida. Quem me lê ou me acompanha sabe que eu sofro de dor neuropática e frio. Eu não sabia se ia com uma calça, com duas calças, com meia-calça por baixo da calça, com blusa de frio, sem blusa de frio… Diferente de correr em SP, cujo clima eu já estou mais ou menos acostumada pra saber como me vestir pra prova (e sempre conto com ajuda das amigas que conhecem esse corpo louco das temperaturas), eu não conhecia o clima da cidade.

Pra ajudar, eu tive dor neuropática a noite inteira! 2 horas da manhã eu tava com uzói pregados no teto, fuçando no celular e tentando tomar o mínimo possível de remédios pra dor, pra não correr o risco de estar dopada no dia seguinte. Fechei os olhos e o despertador tocou. 5h! Hora de pular da cama pra correr. Decidi ir com uma calça, a camiseta de manga comprida da assessoria e um casaco fino por cima.

Eu levo minha própria hidratação por um motivo básico: não dá pra parar e pegar a água do percurso. Ou eu tenho que estacionar a hand (o que a experiência da corrida Eu Atleta mostrou que é uma péssima ideia), ou eu corro o risco de atropelar alguém que esteja servindo a água ou, pior, algum atleta. Também corro o risco de perder o controle da hand, por soltar uma das mãos quando o chão está repleto de copinhos. Então, camel back abastecido, gel, capacete, levei 2 pares de luvas (com dedos e sem dedos).

A moça que ia nos buscar, pra poder levar a hand, atrasou 15minutos que foram preciosos na hora da largada. Tivemos que fazer tudo correndo. E eu tive medo de atrasar as meninas. Elas posicionaram a hand no local indicado pelo staff (antes do tapete) e foram pra trás do tapete, pra largar. Diferente de SP, que eu tenho milhões de amigos que podem guardar a cadeira pra mim durante a corrida, tive que implorar pra organização fazê-lo. Eles não queriam, mas acabaram topando. Optei pela luva de dedos, por causa do frio. O tempo estava indecifrável pra minha inexperiência ali, mas ventava. Mesmo assim, uns 4 minutos antes da largada, eu resolvi tirar o casaco e pedi pra um moço guardar pra mim na mochilinha do camelback. O que também foi uma mão na roda (sem trocadilhos), pois isso ajudou a segurar a mangueirinha, que não me deu trabalho escapando e tentando fugir pra roda da hand, como acontecera na Golden Four.

Um atleta argentino de hand veio falar comigo antes da largada. Foi o único, apesar de estarmos em uns 10 ou mais, entre hands e cadeiras. E a hand dele dá ré! Que inveja hahahahaha

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E sem aviso prévio, 3,2,1…a busina tocou. E eu não tinha visto, devido à correria, que o fio das marchas estava enrolado. Perdi uns 2 minutos tentando desenrolar isso, enquanto a multidão passava por mim. Pois, diferente do Brasil, não largamos antes, junto com a elite. Tudo bem, tentei manter a calma, apesar de ver a galera de cadeira indo e eu ficando. Arrumei e fui.

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Que frio! Eu não dormi a noite inteira e estava inchada e no ápice da TPM. Meus braços doíam muito. Eu estava fazendo tanto esforço que não conseguia ter força nos dedos pra trocar as marchas. Isso foi um grande motivo de preocupação porque eu sabia que teria que fazer trocas rápidas nas subidas. E eu estava com muita dor nos braços. Então, os dedos não respondiam. Resolvi tirar a luva da mão direita, pra ver se ajudava. Ajudou, mas não resolveu.

Decidi fazer o que a Fer me falou: curtir a prova. Era minha primeira viagem pra fora do país, minha primeira prova internacional. Apesar de na véspera termos conhecido muitos pontos turísticos, o percurso é lindo e eu resolvi que iria curtir a paisagem e fazer o que dava. Regulei a marcha pra uma mais leve e comecei a olhar em volta.

Os corredores passavam por mim aplaudindo e me incentivando muito,  o tempo todo. Logo chegou a primeira subida. Posso falar um palavrão?? Pq PQ##.. Que subida era aquela?? E eu ainda não tinha aquecido, estava morrendo de dor nos braços e sono. Mas, tinha que fazer. E dessa vez eu não ia deixar a hand dar ré, como na G4. E fui. Sofrendo. Devagar. As pessoas incentivavam. Cheguei na metade e, pra ajudar, a subida fazia uma curva! Eu ri! Acho que de nervoso. Aí senti um tranco. Um corredor me deu impulso pra sair daquela curva mais rápido. Foi o que me salvou. E fui subindo o resto, devagar, até o topo. Nem acreditei quando cheguei no topo. Só pensei que pior que aquela subida, não poderia existir outra. E eu estava certa! Tinha mais umas 4 subidas, mas que eu fiz com muita facilidade. Até a subida do viaduto (não me perguntem o nome hahahahha) eu fiz tranquilamente.

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O percurso tem muitas retas, mas tem muita subida disfarçada de reta. Você acha que é plano, mas encontra certa dificuldade pra fazer. Eu comecei a me sentir melhor,com menos dor nos braços, mas ainda cansada. E não encontrava as plaquinhas de sinalização pra saber onde eu estava. Elas são pequenas e ficam no alto. Descobri que já tinha passado do km 11. Comecei a tentar tirar o gel de dentro da calça. Consegui tomá-lo quase 1 km depois.

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E depois do 13, veio a constatação: meu negócio é prova longa! Eu já desconfiava, Já sabia disso dentro de mim, porque meu prazer numa meia maratona é muito maior do que numa prova de 10. E minha sensação depois de um treino longo de natação nem se compara a um treino curto. Meu negócio é distância, não velocidade. Depois do 13 veio o prazer absoluto. Comecei a curtir a prova 100 vezes mais. O sol já estava mais forte e a dor nos braços diminuiu consideravelmente, pra quase zero.

E eu fui que fui, fazendo força nas subidas, procurando o espaço com menor quantidade de corredores pra descer, e gritando por passagem porque a galera lá corre meio que em zig-zag. De repente não tem ninguém na sua frente. Aí aparecem uns 2 atletas, do nada, e pulam na frente da bike. No km 17 tomei outro gel. Eu sabia que estava ingerindo bem mais líquido que na G4 e ainda não estava com vontade de ir ao banheiro. O que era um milagre. Toquei o pau, literalmente, depois do 18. Sei lá de onde saiu força. E quando eu vi a plaquinha do 19, eu realmente comecei a pedalar forte. Pau no gato, como diz minha amiga Paula.

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Aí, felicidade de pobre dura pouco. Imagina de pobre aleijado. Deu vontade de ir ao banheiro. Meus dedos, que já estavam cansados, começaram a pular de espasmos, por causa da bexiga cheia. Por sorte começou a tocar uma música do ACDC que eu adoro, e eu resolvi cantar.

Durante o percurso todo fui muito aplaudida por argentinos. Mas, faltando 1,5 km pra prova terminar, formou-se um corredor de espectadores, com muita gente dos dois lados da avenida larga. E as pessoas me viam e começavam a gritar “Fuerza chica”, “va silla de ruedas”. E aplaudiam muito. Eu ria e chorava, com aquela multidão gritando  e aplaudindo e comecei a descabelar na hand, pedalando como eu nunca tinha feito. E cheia de emoção, eu vi o relógio. E passei por baixo dele com 1h34 alto. Eu nem acreditava que eu tinha feito aquele tempo.

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A moça da prancheta veio anotar meu tempo (porque nosso chip é só de enfeite), e outra moça olhou pra mim e disse “Você foi a primeira”. Aí eu comecei a chorar. Queria muito algum amigo ou amiga ali pra abraçar. Mas as únicas 3 que eu tinha naquele dia, ainda estavam correndo.

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Terminei a prova e o relógio marcava 18 graus. Fui cumprimentada por muitas pessoas. A organização trouxe minha cadeira, depois de um tempo. Pediram pra eu não ir embora pois teria premiação e troféu. 3 argentinos ficaram comigo por mais de 1hora, enquanto eu não via as meninas. Mexi com alguns brasileiros que passavam. Vários corredores argentinos pediram pra tirar foto comigo. Foi ótimo ficar ali, no sol, vendo a emoção das pessoas, ao concluir a prova.

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Nesse meio tempo, apareceu uma atleta cadeirante. Acenei e ela veio. Achei que fosse querer conversar. Mas o “oi” deu lugar a “Você é a brasileira?”. Eu disse que sim. Ela disse “Disseram que a brasileira chegou primeiro.” Fui responder e recebi uma cortada “Só vim aqui pra olhar a sua cara”. Eu fiquei sem reação.

Logo, a Pri apareceu. Fui ao banheiro e a Nani também apareceu. Estava nos procurando há mais de meia hora. Decidimos perguntar onde seria a premiação. Seria do outro lado. E nós ainda não tínhamos encontrado a Fer. Resolvemos ir pra perto do pódio. Foi a nossa sorte, porque ela também foi pra lá.

Logo começou a premiação, mas na categoria de cadeirantes, não fui chamada. Fiquei sem entender. Um atleta amputado e o campeão dos cadeirantes (que também correu de handbike e fez a prova em incríveis 40 minutos) disseram que não seríamos premiados, porque usamos hand. Porém, o regulamento não previa a diferença no uso de equipamentos. Estava “categoria cadeirante”. Ou eles nos premiavam como primeiros, ou premiavam a diferenciação de categorias. Mas eles estavam encerrando a premiação. Fomos todos questionar, pois não havia diferenciação, proibição, nada nada no regulamento que explicasse aquilo. A organização resolveu dar, a mim e aos demais atletas que obtiveram resultado correndo de hand, um troféu. Mas não era o troféu oficial da prova. Nem ganhamos os brindes (apesar de termos visto que sobraram) dados aos demais finalistas.

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Os atletas de hand disseram que não é a primeira vez que acontece isso. Na minha opinião, eles poderiam ter especificado alguma coisa no regulamento, ou mudado a premiação. Apesar da alegria de ter terminado bem, ter baixado meu tempo, e ter sido a primeira a chegar, esse rolo todo me deixou triste. Como dizemos na gíria, eu dei uma broxada. Vários atletas me enviaram mensagens, dizendo pra eu entrar em contato com a organização, e que eles me apoiarão. Quanto a isso, ainda não decidi o que fazer.

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Dessa vez senti bem menos dor muscular e bem menos cansaço no pós-prova. Fui muito bem preparada pelos meus técnicos (Rodrigo e Eduardo da Fun Sports, meu personal Dola, minha coach de natação Ju Bezzon, meu nutri Hugo Comparotto).

Às meninas, eu nem tenho e nunca terei como agradecer! Pri, Nani e Fer, se não fosse por vocês, por terem me convidado pra viajar, por terem me ajudado, carregado a hand pra todo lado, por terem poupado meus braços na véspera, nada disso teria sido possível!

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Exceto pelo fato da premiação, eu adorei a prova! Tudo lindo, percurso maravilhoso, muitos pontos de hidratação. Aos hermanos argentinos, só tenho a agradecer, pelo carinho, por fazer dessa a chegada mais emocionante da minha vida corrida, pelo cuidado, pelo dulce de leche e por tornar essa viagem a mais especial e inesquecível de todas!

Mi español no es muy bueno. Pero necesito hablar con los hermanos argentinos. Sólo tengo que agradecer, por el cuidado, por haceren de este el más emocionante final de la carrera en mi vida, por el afecto, por el dulce de leche y por hacer de este el viaje más especial y memorable de todos! Gracias por todo!

*Todas as fotos estarão amanhã no face e na fan page!!! E espero que os argentinos disponibilizem logo a opção de compra de fotos, não apenas visualização hahahahaha   😉

 

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30
jul

0

Abdominais 3 – com bola

Oi gente! Conforme prometido, aí vai mais um exercício de abd com bola!

Eu usei a cama elástica do Sinergy, mas se você não tem uma dessas na sua academia, ou muito menos em casa, pode arremessar a bola na parede.

Usei uma sand bag pra apoiar as costas, senão eu vou e não volto mais rsrs. Mas você pode usar um daqueles triângulos, ou edredom dobrado, ou improvisar, de acordo com sua realidade. E se você vai e não volta, como eu, ou se seu controle de tronco é tipo gelatina derretendo, como o meu, peça pra alguém ficar perto de você, pra evitar acidentes. Não quero ninguém com dente quebrado!!rs

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Geralmente, eu faço 4 séries de 20 repetições cada, com a bolinha de 3kg. Mas não a encontramos na academia. Então usei a bola de 1kg e fiz 4 séries de 60 repetições.

Comece devagar, com uma bola sem peso,  e vá aumentando a intensidade e o número de reps, de acordo com sua evolução!

Para abrir o vídeo, basta copiar o link e colar no navegador, já que eu ainda não aprendi a colocar o vídeo aqui!!rsrs

http://youtu.be/AEzi2c67eQ4

 

 

 

13
jul

0

Ta tendo Copa – Parte 2. Ops!! Acabou!!

Voltei pra casa!  Não vi a final no estádio. Torci e vibrei pela Alemanha (e pelos alemães gatos – meu deuso do céuso) de casa mesmo.

Além dos jogos já relatados, tive a oportunidade de assistir a mais dois. Conforme prometido, aqui vão minhas impressões sobre eles, torcida, estádios, acessibilidade, etc.

1 – Brasil x Colômbia em Fortaleza. Estádio Castelão.

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Gente, nunca vi uma torcida tão animada antes do jogo. Claro que não podemos atribuir apenas aos cearenses toda a empolgação, pois tivemos ali gente do país inteiro. Mas, eles tinham animadores no bar da Budweiser, bateria de escola de samba, cantor famoso dando palhinha (Solange, do Aviões do Forró – que eu adoro).

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Pra quem viu no instagram, aconteceu algo inédito comigo. Todo mundo sabe que não me contento em ficar lá no fundão, vendo bundas e pernas das pessoas, enquanto a festa rola. Eu gosto de estar lá no meio do trem que tá pegando fogo, perto da música. Então, eu fui pedindo licença, e pedindo licença. E fui parar lá do lado do pessoal que estava tocando instrumentos de samba. 5 minutos depois, o Thiago, que tocava do meu lado, jogou no meu colo um chocalho. Eu olhei pra ele e disse que não sabia tocar. E ele disse “sabe sim! Tá batucando aí na perna faz um tempão.” E eu toquei! Toquei por  1hora e meia. Às vezes com orientação dele, sobre a velocidade dos movimentos do chocalho. Mas foi massa demais! E eu toquei pra Solange, do Aviões, cantar! Ah, eu me deliciei.

Dentro do estádio, foi uma farra. Não saiu a Ola de jeito nenhum. E a música que todo mundo recebeu por facebook e whatsapp, que todo mundo ensaio lá na Budweiser, não emplacou durante o jogo.

O jogo foi bom, sFortaleza4uper animado! Eu consegui filmar o gol do David Luiz. Meus amigos ficaram enlouquecidos. Além do mais, havia um pessoal muito engraçado atrás de nós, que falava gírias cearenses o jogo todo e foi risada garantida. É interessante como cada região tem sua forma de xingar o juíz, reclamar dos jogadores e comemorar.

 

Os banheiros do estádio eram bons, apesar de os banheiros de deficientes não serem respeitados, por ficarem junto aos banheiros “comuns”. Achei a acessibilidade boa, os elevadores bem localizados e as rampas de acesso aos portões são bem tranquilas de serem utilizadas.

Quanto ao espaço, no estádio, entre o local pra cadeira de rodas e a circulação do público. Bem, esse ficou invisível, igualzinho em Natal. Lotado de gente em pé atrás de nós. Ir ao banheiro durante o jogo era missão impossível.

A comida era a de sempre. Cachorro quente sem molho, pipoca cara, chocolate caro, tudo padrão Fifa.

A saída do estádio eu também achei tranquila. Os voluntários tem boa vontade, mas como eu já havia notado nos outros jogos em outros estádios, eles não recebem treinamento pra lidar com a cadeira de rodas. Eles oferecem ajuda, querem nos empurrar. Mas se você passar por um degrauzinho, um desnível no chão e não estiver atento, corre o risco de ir de cara pro asfalto.

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Levantei, sim, pra tirar foto em pé e só! E ninguém me questionou por isso. Eba!

2 – Brasil e Alemanha em Belo Horizonte. Estádio Mineirão.

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Então… 7×1. Posso falar palavrão no meu próprio blog? É…eu não sou comentarista de futebol e pra criticar o Fred Cone, o Hulk que nesse dia não fez nada, o Julio Cesar que de pegador passou a frangueiro, eu ficaria aqui horas, correndo o risco de falar asneira.

O que aconteceu é que eu piscava e era gol. Piscava, outro gol! No quarto gol, falei pro meu acompanhante, Alexandre, que eu ia ao banheiro. Estávamos com 24min do primeiro tempo. To lá (jajá eu falo das condições do banheiro) e chega um zapzap da Fer, indignada, falando um palavrão (será que tem criança que lê meu blog ou eu posso falar os palavrões?). E eu respondo (outro palavrão e) “Não acredito, 4 gols em 25minutos”.  E eu recebo a resposta dela “onde você está?” “no banheiro”. “ah, porque a Alemanha já fez mais um gol. tá 5×0”.

E pra dizer bem a verdade, apesar de toda a tristeza de ver a Seleção fora da final e perder daquele jeito, eu estava lá pra ver o maior massacre da história das Copas do Mundo, ao vivo, à cores e à lagrimas derramadas do povo em volta de mim. Vi tudo de bem perto (estava pertinho do gramado, atrás do povo chic que pagou várias mil dilmas pra estar ali). Deu dó das crianças.

Gente, e esse povo que paga várias mil dilmas, brigou muito na minha frente. Teve cerveja voando na cara de um, cerveja voando na cara do outro, gritaria, um monte de polícia. E eu soube que foi assim no estádio inteiro. Isso porque é só um jogo de futebol. Será que se o Brasil perder medalha de ouro nas Olimpíadas o povo também vai se estapear?

A animação pré e durante o jogo não era mineira, nem brasileira. Que desânimo! Não tinha cantoria, não tinha batuque. O bar da Budweiser estava silencioso e deserto. Só aquela musiquinha de fundo. Era de assustar! Era o prelúdio da derrocada.

Comida: tinha o tropeiro do Mineirão. Mas quando eu cheguei, já não tinha mais! O resto, eram as comidas de sempre, com aparência e preço padrão Fifa!

As rampas de acesso entre os portões (do lado de fora) são bem-feitas. Mas imeeeensas. Tipo Everest mesmo. Mas um Everest de uma escalada só. Se seu acompanhante não te ajudar, você consegue, mas aí, o jogo já começou e já acabou. As rampas de dentro dos portões para o nosso lugar são exatamente as de Natal (veja o post anterior) ao contrário. Você desce lindamente para o seu lugar, com toda a liberdade que as rodas nos permitem. Cuidado nas curvas pra não bater a boca no corrimão. Mas na volta, meu amigo…graças a Deus temos acompanhante! Everest por etapas. Assim, eu até subiria. Demoraria anos luz, mas não sou franga e subiria. Porém, no pós-jogo, a galera cheia de cerveja na cabeça não tem muita paciência (com exceções) de nos esperar subir. Assim, os acompanhantes são importantes e essenciais. Principalmente para nos sermos atropelados pelos sem-roda.

Banheiros. E aí? Querem rir? Então…na primeira vez que fui ao banheiro (entre o quarto e quinto gols da Alemanha, feitos na velocidade da luz), o banheiro não tinha trinco na porta. E ele fica bem na vista de quem passa no corredor. Tive a sorte de ter uma moça gracinha que ficou vigiando a porta pra mim. Senão…Na segunda vez que eu fui (porque o jogo não era imperdível  e eu bebi um monte de água), já não tinha nem maçaneta pro lado de dentro. Aí, não dava. Já pensou se eu fico trancada pro lado de dentro e perco mais dois gols? Eu tive que trocar de banheiro e usar o regular. O detalhe é o seguinte: e as meninas que não conseguem usar esse banheiro? Fariam (ou fizeram) como?

BH3E não teve jeito. Aplaudimos a Alemanha em BH. E chegamos a gritar Olé. E dessa vez meu lugar era perfeito, bem pertinho do gramado. Eu vi tudo de perto, querendo estar lá no infinito e além pra não ver os detalhes. Mas, o plano A não era essa barra de chocolate toda, com recheio trufado. Se bem que, meus vídeos ficaram ótimos (ainda mais porque eu aprendi a usar o zoom do celular enquanto filmo!).

Eu fiquei em BH2pé pra tirar foto de novo (com amigos e com famosos) e ninguém me questionou por isso. A moça que tomava conta, na porta do camarote, deu uma olhadinha. Mas ela me viu ajeitando a perna esquerda várias vezes. Depois ela até me ajudou.

Bom,  perdemos feio, historicamente feio. E eu voltei pra casa. Não tive oportunidade de ir ao Itaquerão, nem ao Maracanã, infelizmente. Por hora, fico devendo minhas impressões sobre ambos.

Teve gente que me criticou muito por sair por aí viajando sozinha, indo aos jogos. Apuros nos aeroportos, cadeirante sempre passa, com Copa ou sem Copa. Isso porque os atendentes não sabem nos atender (com o perdão do trocadilho). Eu aproveite cada minuto, e vivi um momento que, a não ser por um milagre, eu tenha oportunidade de viver novamente: uma Copa do Mundo assim, de pertinho.

 

Como disse um amigo, ficam os aprendizados: Não vaiar o hino do adversário. Porque perdeu, não quebrar, não brigar, não gritar, não chorar. Isso é apenas futebol, é só diversão. Fazer copa é mole, mas com educação, estrutura boa, qualidade nos serviços, é bem mais difícil.

Conforme publiquei essa semana no Instagram, aí vai meu saldo da Copa: : 4 jogos. 4 estados. 4 viagens. 4kg a mais!! Agora tenho mais 4 famílias! Revi minha familia de BSB. Ganhei uma familia em Natal, outra em Fortaleza e outra em BH. Cada uma com seus costumes, seus sotaques, sua cultura, sua culinária. Revi amigos. Matei saudades. Conheci muita gente interessante. Fiz muitos amigos! Conheci muuuitos estrangeiros (uns viraram amigos), aprendi com suas culturas. Recebi muito amor e carinho. Passeei demais! Conheci lugares novos.Pratiquei meu ingles. Desenferrujei o espanhol. Aprendi palavras em Italiano e alemão. Vi o q ja conheço e defendo sobre o esporte, a amizade, o respeito, o amor, a alegria que só o esporte proporciona. Vivi uma Copa do mundo de perto, com sua riqueza e diversidade culturais. Vivi situaçoes e alegrias inesquecíveis. Coisas que dinheiro nenhum no mundo paga. E que tempo algum vai me fazer esquecer! O Brasil perdeu, mas quem ganhou fui eu!!

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