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jul

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Ta tendo Copa – Parte 2. Ops!! Acabou!!

Voltei pra casa!  Não vi a final no estádio. Torci e vibrei pela Alemanha (e pelos alemães gatos – meu deuso do céuso) de casa mesmo.

Além dos jogos já relatados, tive a oportunidade de assistir a mais dois. Conforme prometido, aqui vão minhas impressões sobre eles, torcida, estádios, acessibilidade, etc.

1 – Brasil x Colômbia em Fortaleza. Estádio Castelão.

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Gente, nunca vi uma torcida tão animada antes do jogo. Claro que não podemos atribuir apenas aos cearenses toda a empolgação, pois tivemos ali gente do país inteiro. Mas, eles tinham animadores no bar da Budweiser, bateria de escola de samba, cantor famoso dando palhinha (Solange, do Aviões do Forró – que eu adoro).

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Pra quem viu no instagram, aconteceu algo inédito comigo. Todo mundo sabe que não me contento em ficar lá no fundão, vendo bundas e pernas das pessoas, enquanto a festa rola. Eu gosto de estar lá no meio do trem que tá pegando fogo, perto da música. Então, eu fui pedindo licença, e pedindo licença. E fui parar lá do lado do pessoal que estava tocando instrumentos de samba. 5 minutos depois, o Thiago, que tocava do meu lado, jogou no meu colo um chocalho. Eu olhei pra ele e disse que não sabia tocar. E ele disse “sabe sim! Tá batucando aí na perna faz um tempão.” E eu toquei! Toquei por  1hora e meia. Às vezes com orientação dele, sobre a velocidade dos movimentos do chocalho. Mas foi massa demais! E eu toquei pra Solange, do Aviões, cantar! Ah, eu me deliciei.

Dentro do estádio, foi uma farra. Não saiu a Ola de jeito nenhum. E a música que todo mundo recebeu por facebook e whatsapp, que todo mundo ensaio lá na Budweiser, não emplacou durante o jogo.

O jogo foi bom, sFortaleza4uper animado! Eu consegui filmar o gol do David Luiz. Meus amigos ficaram enlouquecidos. Além do mais, havia um pessoal muito engraçado atrás de nós, que falava gírias cearenses o jogo todo e foi risada garantida. É interessante como cada região tem sua forma de xingar o juíz, reclamar dos jogadores e comemorar.

 

Os banheiros do estádio eram bons, apesar de os banheiros de deficientes não serem respeitados, por ficarem junto aos banheiros “comuns”. Achei a acessibilidade boa, os elevadores bem localizados e as rampas de acesso aos portões são bem tranquilas de serem utilizadas.

Quanto ao espaço, no estádio, entre o local pra cadeira de rodas e a circulação do público. Bem, esse ficou invisível, igualzinho em Natal. Lotado de gente em pé atrás de nós. Ir ao banheiro durante o jogo era missão impossível.

A comida era a de sempre. Cachorro quente sem molho, pipoca cara, chocolate caro, tudo padrão Fifa.

A saída do estádio eu também achei tranquila. Os voluntários tem boa vontade, mas como eu já havia notado nos outros jogos em outros estádios, eles não recebem treinamento pra lidar com a cadeira de rodas. Eles oferecem ajuda, querem nos empurrar. Mas se você passar por um degrauzinho, um desnível no chão e não estiver atento, corre o risco de ir de cara pro asfalto.

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Levantei, sim, pra tirar foto em pé e só! E ninguém me questionou por isso. Eba!

2 – Brasil e Alemanha em Belo Horizonte. Estádio Mineirão.

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Então… 7×1. Posso falar palavrão no meu próprio blog? É…eu não sou comentarista de futebol e pra criticar o Fred Cone, o Hulk que nesse dia não fez nada, o Julio Cesar que de pegador passou a frangueiro, eu ficaria aqui horas, correndo o risco de falar asneira.

O que aconteceu é que eu piscava e era gol. Piscava, outro gol! No quarto gol, falei pro meu acompanhante, Alexandre, que eu ia ao banheiro. Estávamos com 24min do primeiro tempo. To lá (jajá eu falo das condições do banheiro) e chega um zapzap da Fer, indignada, falando um palavrão (será que tem criança que lê meu blog ou eu posso falar os palavrões?). E eu respondo (outro palavrão e) “Não acredito, 4 gols em 25minutos”.  E eu recebo a resposta dela “onde você está?” “no banheiro”. “ah, porque a Alemanha já fez mais um gol. tá 5×0”.

E pra dizer bem a verdade, apesar de toda a tristeza de ver a Seleção fora da final e perder daquele jeito, eu estava lá pra ver o maior massacre da história das Copas do Mundo, ao vivo, à cores e à lagrimas derramadas do povo em volta de mim. Vi tudo de bem perto (estava pertinho do gramado, atrás do povo chic que pagou várias mil dilmas pra estar ali). Deu dó das crianças.

Gente, e esse povo que paga várias mil dilmas, brigou muito na minha frente. Teve cerveja voando na cara de um, cerveja voando na cara do outro, gritaria, um monte de polícia. E eu soube que foi assim no estádio inteiro. Isso porque é só um jogo de futebol. Será que se o Brasil perder medalha de ouro nas Olimpíadas o povo também vai se estapear?

A animação pré e durante o jogo não era mineira, nem brasileira. Que desânimo! Não tinha cantoria, não tinha batuque. O bar da Budweiser estava silencioso e deserto. Só aquela musiquinha de fundo. Era de assustar! Era o prelúdio da derrocada.

Comida: tinha o tropeiro do Mineirão. Mas quando eu cheguei, já não tinha mais! O resto, eram as comidas de sempre, com aparência e preço padrão Fifa!

As rampas de acesso entre os portões (do lado de fora) são bem-feitas. Mas imeeeensas. Tipo Everest mesmo. Mas um Everest de uma escalada só. Se seu acompanhante não te ajudar, você consegue, mas aí, o jogo já começou e já acabou. As rampas de dentro dos portões para o nosso lugar são exatamente as de Natal (veja o post anterior) ao contrário. Você desce lindamente para o seu lugar, com toda a liberdade que as rodas nos permitem. Cuidado nas curvas pra não bater a boca no corrimão. Mas na volta, meu amigo…graças a Deus temos acompanhante! Everest por etapas. Assim, eu até subiria. Demoraria anos luz, mas não sou franga e subiria. Porém, no pós-jogo, a galera cheia de cerveja na cabeça não tem muita paciência (com exceções) de nos esperar subir. Assim, os acompanhantes são importantes e essenciais. Principalmente para nos sermos atropelados pelos sem-roda.

Banheiros. E aí? Querem rir? Então…na primeira vez que fui ao banheiro (entre o quarto e quinto gols da Alemanha, feitos na velocidade da luz), o banheiro não tinha trinco na porta. E ele fica bem na vista de quem passa no corredor. Tive a sorte de ter uma moça gracinha que ficou vigiando a porta pra mim. Senão…Na segunda vez que eu fui (porque o jogo não era imperdível  e eu bebi um monte de água), já não tinha nem maçaneta pro lado de dentro. Aí, não dava. Já pensou se eu fico trancada pro lado de dentro e perco mais dois gols? Eu tive que trocar de banheiro e usar o regular. O detalhe é o seguinte: e as meninas que não conseguem usar esse banheiro? Fariam (ou fizeram) como?

BH3E não teve jeito. Aplaudimos a Alemanha em BH. E chegamos a gritar Olé. E dessa vez meu lugar era perfeito, bem pertinho do gramado. Eu vi tudo de perto, querendo estar lá no infinito e além pra não ver os detalhes. Mas, o plano A não era essa barra de chocolate toda, com recheio trufado. Se bem que, meus vídeos ficaram ótimos (ainda mais porque eu aprendi a usar o zoom do celular enquanto filmo!).

Eu fiquei em BH2pé pra tirar foto de novo (com amigos e com famosos) e ninguém me questionou por isso. A moça que tomava conta, na porta do camarote, deu uma olhadinha. Mas ela me viu ajeitando a perna esquerda várias vezes. Depois ela até me ajudou.

Bom,  perdemos feio, historicamente feio. E eu voltei pra casa. Não tive oportunidade de ir ao Itaquerão, nem ao Maracanã, infelizmente. Por hora, fico devendo minhas impressões sobre ambos.

Teve gente que me criticou muito por sair por aí viajando sozinha, indo aos jogos. Apuros nos aeroportos, cadeirante sempre passa, com Copa ou sem Copa. Isso porque os atendentes não sabem nos atender (com o perdão do trocadilho). Eu aproveite cada minuto, e vivi um momento que, a não ser por um milagre, eu tenha oportunidade de viver novamente: uma Copa do Mundo assim, de pertinho.

 

Como disse um amigo, ficam os aprendizados: Não vaiar o hino do adversário. Porque perdeu, não quebrar, não brigar, não gritar, não chorar. Isso é apenas futebol, é só diversão. Fazer copa é mole, mas com educação, estrutura boa, qualidade nos serviços, é bem mais difícil.

Conforme publiquei essa semana no Instagram, aí vai meu saldo da Copa: : 4 jogos. 4 estados. 4 viagens. 4kg a mais!! Agora tenho mais 4 famílias! Revi minha familia de BSB. Ganhei uma familia em Natal, outra em Fortaleza e outra em BH. Cada uma com seus costumes, seus sotaques, sua cultura, sua culinária. Revi amigos. Matei saudades. Conheci muita gente interessante. Fiz muitos amigos! Conheci muuuitos estrangeiros (uns viraram amigos), aprendi com suas culturas. Recebi muito amor e carinho. Passeei demais! Conheci lugares novos.Pratiquei meu ingles. Desenferrujei o espanhol. Aprendi palavras em Italiano e alemão. Vi o q ja conheço e defendo sobre o esporte, a amizade, o respeito, o amor, a alegria que só o esporte proporciona. Vivi uma Copa do mundo de perto, com sua riqueza e diversidade culturais. Vivi situaçoes e alegrias inesquecíveis. Coisas que dinheiro nenhum no mundo paga. E que tempo algum vai me fazer esquecer! O Brasil perdeu, mas quem ganhou fui eu!!

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30
jun

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Ta tendo Copa – parte 1

Gente, sumi! Fui ver 2 jogos da Copa. Aproveitei pra passear e ver os amigos e amigas. Prometo que semana que vem retomamos com as dicas de atividade física e  contarei como estão as coisas com meus 90 treinos e muito mais.

Hoje, falarei dos jogos que assisti até o momento e dos estádios.

1 – Brasil x Camarões em Brasília. Estádio Mané Garrincha.

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Eu estava com saudade de ir ao estádio. Depois que você vê tudo ali, ao vivo e a cores, assistir na TV não tem graça nenhuma.

O jogo foi massbrasil2a! A torcida se esforçou pra cantar e animar o time. Parece que cantávamos só a mesma música. Porém, ali há uma união de times do Brasil inteiro, cada um com seu hino. Não dá pra emplacar uma música assim tão rápido. Mas, além de “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”, saíram outras músicas. Cantamos! Mas creio que da TV não dá pra ouvir. E em muitos momentos, nossa torcida se cala. O que é uma pena.

 

Comida tá igual a Copa das Confederações ano passado. Cachorro quente sem molho, pipoca salgada, preços altos, filas gigantes. Tudo padrão Fifa.

brasil3A acessibilidade ali melhorou, do ano passado pra cá. A rampa pras dependências do estádio não é muito íngreme, é tranquilo de subir. Há voluntários pra nos empurrar da revista até o nosso “assento” se quisermos. Tem elevadores também, da rampa pra cima, caso seu ingresso te leve para o infinito e além, lá no topo das arquibancadas.

Há muitas cabines nos banheiros adaptados, estavam limpos, mas não tem trinco na porta. Você corre o risco de alguma outra menina, ou as tias da limpeza te pegarem no flagra. Quase aconteceu comigo!

brasilO espaço de circulação entre as cadeiras e o staff (voluntários, polícia, etc)  que ficam em pé assistindo ao jogo é grande, é ótimo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, ou quiser ir comprar algo, dá pra sair e voltar tranquilamente. Se você estiver circulando pelo estádio sozinho, em alguns segundos aparece um voluntário perguntando se você precisa de algo. As filas preferenciais também são respeitadas.

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O jogo? Incrível! A sensação de estar ali é indescritível. A vibração, a torcida, os jogadores estão bem perto da gente (mesmo que você esteja lá no infinito e além).

Ah, sim! Fiquei em pé pra tirar foto! Os amigos me ajudavam a levantar, eu agarrei na grade e tirava foto. Rápido, senão a pressão cai e eu caio junto!

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2 – Itália x Uruguai em Natal. Estádio Arena das Dunas.

italia5Foi o dia mais divertido de toda a minha vida! Gente do mundo inteiro, conversando, tirando foto, confraternizando, torcendo. Gastei meu inglês e meu espanhol enferrujado. Arrisquei umas palavras em italiano. Você já não sabe em que idioma pede licença e agradece. Porque tem gente de um país com a camisa de outro. Tem nigeriano com a camisa do Brasil, americano com a camisa da Italia, e eu quase me lasquei confundindo um brasileiro que vestia a camisa do Uruguai.

italia3Com portões Norte e Sul, um voluntário me mandou dar a volta por fora, pela rua, pra entrar. Um outro correu e me deixou entrar pelo portão norte. Disse que não havia motivos pra ir pela rua sozinha se eu podia ir curtindo a festa. Ainda bem! Pra passar da área “da bagunça cultural” depois da revista (uma das melhores partes do dia) até o meu lugar, eu precisei subir por uma rampa infinita. Me perdi do meu acompanhante e escalei o Everest com a cadeira. Juro que se for alguém que não treina ou que precisa ou um cadeirudo que precisa dos pinos no aro de impulsão, não sobe aquele trem sozinho. Só não suei por motivos óbvios. Já fiz meu treino do dia ali! Pelo amor!  Precisa do acompanhante empurrar! Senão não sobe!

ItaliaLá dentro, achei muito apertado. Depois que encontrei meu lugar, começou a aglomeração atrás de mim. O espaço entre os cadeirantes e a galera do staff que fica em pé lá atrás é invisível. E diferente de Brasília, que se o povo começa a aglomerar ali, os voluntários tiram, em Natal o povo aglomera mesmo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, tá lascado. Uma vez ali, não dá pra sair! Outro defeito é que não há cadeiras suficientes pros nossos acompanhantes. Se você compra o ingresso do cadeirante e vem com o acompanhante, o óbvio seria ter uma cadeira pra cada acompanhante ficar ali do seu lado, pro que você precisar.  Mas não há cadeiras! O acompanhante do meu amigo ficou em pé o jogo todo! Pra cada 2 cadeiras de rodas, há uma cadeira de acompanhante. Falta grave!

Os banheiros são bons, são individuais. Mas há poucos banheiros adaptados. Ficamos eu e uma senhora na fila, enquanto outra senhora usava. Em Brasília não acontece isso. A comida e o preço de lá também seguem o Padrão Fifa.

Também fiquei em pé pra tirar foto, agarrada na grade. E só! rsrs

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Achei as torcidas muito mais animadas que a nossa. Elas apoiam muito os times. Cantam muito mais, gritam muito mais. Adorava ver as torcidas no momento das faltas. A do time que sofreu a falta  gritava. A do time que fez a falta gritava. Era uma explosão de sentimentos que eu nunca tinha visto! Era incrível! Juro que essas torcidas deram um show a parte. Nunca vi nada igual.  A torcida do Uruguai é muito animada. Cantam desde o momento que entraram no estádio. E são muito solícitos com cadeirantes. Eu estava tentando filmá-los cantando, na área em volta das lanchonetes. Eles pegavam meu celular e filmavam de cima, tiravam selfies comigo, empurraram a cadeira.

italia4De modo geral, ta tudo mais pro bom do que pro ruim! Sabemos que a acessibilidade no Brasil já não é aquelas coisas. No estádio tá melhor que na rua, isso eu garanto!

Tentei conversar com cadeirantes estrangeiros, mas não achei nenhum. Só achei um amigo americano de muletas que, assim como eu, estava curtindo horrores e nem ligando pro resto.

Pra falar a verdade, eu só reparei nesses detalhes porque sabia que todo mundo iria me perguntar. Se ficarmos nos apegando a defeitos, vamos encontrar! Como em qualquer situação da vida.Se você caçar pelo em ovo, capaz que até nasça uns.  E eu estava lá pra ver os jogos, cantar, gritar, xingar, aplaudir. Não pra caçar problemas! E foi o que eu fiz: curti muito! Sim, ta tendo Copa! Jogos incríveis, disputas na prorrogação e penaltis, juiz ladrão, torcida animada, jogadores lindos, povo do mundo inteiro. To curtindo muito a Copa das Copas. E semana que vem tem mais!

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20
jun

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A Copa dos Milagres

Gente, essa semana, uns 80 amigos me marcaram em fotos como essa abaixo, onde cadeirantes “milagrosamente” se levantam durante os jogos da Copa do Mundo.

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Então, eu resolvi escrever sobre isso, pra mostrar as duas faces desse acontecimento mirabolante.

A primeira face é uma vergonha mesmo. Tem gente que se aproveita da situação e finge que é cadeirante pra comprar ingressos e assistir aos jogos. O povo brasileiro, que acha que passa impune e imune a qualquer coisa e não está nem aí mesmo. Aí eu e meus amigos – todos cadeirantes de verdade –  ficamos desesperados, tentando comprar ingressos pra abertura e não conseguimos, enquanto esse povo “biito”, uma gracinhas de educação, vão lá, compram nossos ingressos e foram à abertura no nosso lugar. Dá vontade de soltar os cachorros, mas eu sou uma lady e não farei isso fora dos meus pensamentos.

Uma amiga cadeirante chegou a entrar numa página de venda de ingressos, onde existia o seguinte anúncio: “vendo brasil x méxico R$ 400,00 cadeirante. E se precisar vendo cadeira de roda tbm por R$150,00. E ainda com laudo da deficiência .” Esse anúncio não é pra acabar com o piqui do Goiás. É pra acabar com o piqui do mundo inteiro, meu deus do céu. Mais pensamentos pra você, querida pessoa criativa que escreveu isso.

cadeirante-fica-de-pe-em-jogo-no-maracana-e-imagem-repercute-na-internet

Agora, eu vou falar do outro lado. E me usarei de exemplo, pra ninguém mais ser atacado com críticas.

Existe SIM cadeirante que fica em pé. Eu fico! Pode olhar no meu facebook, no meu instagram, na fan page, na academia e no jogo da Copa das Confederações do ano passado.  Eu preciso me apoiar em algum lugar (na grade, por exemplo) ou em alguém. E consigo me sustentar em pé por menos de 2 minutos. Ou seja, eu não vou conseguir me levantar rápido pra ver o lance que vai levar ao gol. Eu não consigo me levantar rápido se alguma coisa for cair na minha cabeça. Eu não consigo ficar em pé filmando ou fotografando o campo ou o jogo. Mas eu consigo ficar em pé sim! Aliás, eu preciso ficar em pé várias vezes durante o dia, pra aliviar a dor gigantesca na minha lombar. Eu tenho 1 ano e 8 meses de lesão (que completarei dia 22) e estou há 1 ano e 8 meses batalhando pra conseguir ficar em pé!  Então, eu vou ficar em pé no intervalo do jogo sim! E quero ver quem vai tirar minha foto e colocar nas redes sociais falando que sou cadeirante fake.

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Eu não consigo andar. Não consigo me locomover, se não for em cadeira de rodas. Mas isso não quer dizer que eu passe 24 horas do dia sentada ou deitada. Apesar de representar uma pequena maioria entre os lesados medulares (sim, existe mais gente como eu, mas não quero citar nomes, pra proteger os meus amigos), existem lesados medulares que conseguem se manter em pé por segundos ou minutos, com ou sem apoio. E existem pessoas que são monoplégicas, existem pessoas com mobilidade reduzida, outros que usam prótese (como a moça loira da primeira foto). A variedade de “cadeirantes” é imensa.

Outro dia uma pessoa me disse “Você nem é cadeirante de verdade. Suas pernas não são tão finas.” Oi? Eu tenho espasmo! E muito! Vocês sabem o quanto isso dói e pode atrapalhar a minha vida? E eu tenho alguns movimentos de uma perna e eu nunca escondi isso de ninguém (por isso uma perna é mais grossa que a outra).

Uma ex-aluna, e hoje minha amiga, a Ana Carolina de Mello,  disse o seguinte sobre esse assunto: “Penso que para que alguém estar/usar este recurso, os motivos podem ser os mais variados, pode ser o pé quebrado, pode ser plegia com lesão medular a depender muito da lesão, pode ser uma dor e pode também ser uma atitude de má fé. Mas fiquei pensando nestes estereótipos que as pessoas fazem, principalmente quem não é/está/foi cadeirante, usando alguns recursos do senso comum e generalizando, algo como: “quem usa cadeira de rodas não se mexe, não fica em pé e não torce? Não vai ao jogo?” Fico pensando neste olhar assistencialista que estamos habituados a ter: ou temos pena ou julgamos. Poxa! Enquanto cidadãos e em especial enquanto Terapeuta Ocupacional, fico pensando neste espaço que “permitimos” que o outro habite, a partir do nosso julgamento e olhar, muitas vezes preenchidos de conceitos sem maiores críticas e aproximações com a realidade. Claro que podem ter pessoas usando disso para furar filas, ter espaços adaptados – pensando que ele não tem aquela necessidade, pois penso na equidade sempre. Não adianta distribuir óculos para toda população brasileira se nem todos precisamos deles não é?”

Assim sendo, não podemos julgar ninguém, nem falar nada sem antes conhecermos a verdade! Enquanto muitos estão realmente agindo de má fé, outros estão ali, como eu estarei, por direito adquirido (e não pense que foi gostoso adquirir esse direito). Estarei cantando, torcendo, gritando, vaiando, vibrando, em pé e sentada.  Vai me ver em pé no intervalo do jogo e me criticar? Senta aqui na minha cadeira, no meu lugar! Quer trocar? :p