22
set

4

Correndo em casa – Meia Maratona de Ribeirão Preto

Foi 1 ano e meio sem correr. E quase 2 anos sem correr aqui em Ribeirão. 99% dos organizadores de prova gostam de percurso de montanha pras corrida daqui. Você só sobe e desce sem parar. Pros meus amigos expert na handbike, não sei se é possível, mas pra franga que vos fala, percursos “ladeira do Pelourinho” ainda não dá pra fazer.

Aí eu soube que o percurso da Meia Maratona de Ribeirão tinha mudado, com relação às duas primeiras edições que eu tinha feito. Mandei e-mail pra organização quase que implorando participar. Dias depois, o organizador da prova me liga, dizendo que eu poderia participar. Eu não contei nada pra ele, mas eu estava de cama, com uma gripe muito forte! Decidi por livre e espontânea pressão que não treinaria durante  a semana, pra tentar ficar boa até domingo. Na conversa, falamos sobre a estrutura da prova pros cadeirantes participarem (horário da largada, apoio, tudo mais), pois o objetivo é abrir a categoria no ano que vem.

Na sexta eu ainda estava um lixo, quando o pessoal do jornal Tribuna, que organiza a corrida, me ligou. E no sábado, lá estava eu na capa do jornal, como a primeira cadeirante a participar da Meia. Não tinha mais volta! Com gripe ou sem gripe, eu tinha que ir!

jornal

jornal2

 

 

 

 

 

 

 

 

No domingo, o despertador tocou 5:30. O tempo tava nublado e eu morrendo de sono. A primeira coisa que veio na minha cabeça? “O que é que eu tenho na cabeça pra acordar a essa hora, num domingo nublado, com essa gripe?” Resposta:  um tênis no lugar do cérebro. Não tem outra explicação! Me xinguei de todos os nomes enquanto me trocava e esperava o Fávio Tropeço vir me buscar, pra carregar a hand pra mim.

Toda encapotada, levando roupa seca pra trocar, caso chovesse, lá fomos nós. Chegamos ao local da prova e, assim como na retirada do kit, a organização foi impecável! Já tinha gente me esperando. O Bruninho já ajudou o Flávio a tirar a hand do carro, já posicionou no local da largada. Fui pra tenda falar oi pra todo mundo (que saudade eu tinha disso), tive que ir ao banheiro antes da prova e já foram me caçar pra largar.

Gente, não sei se era o Fabiano (diretor da prova), o André (locutor e meu amigo) ou outra pessoa  que estava com o microfone na mão, falando de mim, falando que eu ia fazer a prova…me deu a maior tensão! Senti uma pressão mesmo. Porque eu estava mega gripada e com medo de passar mal na prova. E agora até os mais desatentos sabiam que eu ia correr… Gelei! Me posicionei na hand, a Tarine e a mãe da Ju (minha treinadora de natação) em ajudaram. Eu tava uma pilha! Devia ter tomado um pré-treino (se eu tivesse um em casa).

10668971_10152707925104269_6453297771980010238_o

Larguei, e 3 segundos depois ouvi a buzina. E os corredores mais velozes começaram a passar por mim. Eu sentia a hand pesada, mas achei que fosse cansaço meu, gripe, ou sei lá. O Bruninho ia me acompanhar de bike a prova inteira. Logo, um outro ciclista se juntou a nós (não sei o nome dele. Se alguém souber, me avise!!).

O percurso é bem legal e bem fácil de fazer. Nas poucas e leves subidas do começo, eu fiz força pra caramba. Dei umas tossidas, nariz entupiu, mas eu tentei não prestar muita atenção nisso. Há uma parte que podemos correr na ciclofaixa pra evitar uma subida do viaduto. O Bruninho ia pedindo espaço pros corredores. Como a organização me deixou mesmo largar na frente, não tinha muita gente ali pra eu atropelar. Quando foi possível escolher ciclofaixa ou asfalto, eu optei pelo asfalto, pra poder ficar mais tranquila quanto à segurança dos demais. Eram 3 faixas livres na avenida, pra gente correr. Aí chegou o temido viaduto pra subir. Eu cheguei na metade, fazendo muita força. O Bruninho falou “encaixa uma marcha mais leve”, mas pelo número no trocador, aquela era a mais leve. Então, um corredor que só estava rodando, me ajudou a chegar no topo. Eu fiquei chateada por não conseguir fazer a subida sozinha. Mas, estava há 1 semana sem treinar, 3 dias de cama…achei que fosse isso. Ja já eu conto o que era. Deixa só eu comentar uma coisa…rsrs

10689723_10152707924269269_5998248860379006275_n

Eu sempre odiei corridas de 2 voltas. Sempre achei uma meleca! Mas dessa vez, gostei muito, pelo fato de, quando alcançamos 10,5km, passamos ao lado do pórtico. Logo depois dali, estão as barracas das assessorias e o pessoal que já terminou os 5km. Foi muuuito legal, receber aquela energia, a galera gritando, meus amigos ali..deu um gás a mais! E eu passei nos 10,5km com o relógio do pórtico marcando 46 alto. Fiquei feliz.

Logo depois, conversando com o Bruninho, ele foi me falando pra tentar passar as marchas. E descobri que eu estava correndo com 3 marchas apenas. As mais pesadas!! Sim, o câmbio estourou antes da prova e eu não me dei conta. Por isso não conseguia subir! Creio que tenha estourado no avião, voltando de Buenos Aires (ou será que foi na ida e minha inexperiência fez com que eu não percebesse isso?). Só sei que ali eu entendi muita coisa sobre meu corpo, minha força e a olhar a handbike e entender algumas coisas.  Paramos! Sim, paramos no km 11. Bruninho e o outro ciclista tentaram arrumar a hand. Mas foi em vão. Não conseguimos. Perdi um pouco de tempo ali. Eu queria muito baixar meu tempo, mas achei que parando e arrumando a bike, eu tiraria esse atraso. Não rolou…tudo bem! Eu estava ali pra completar e pra podermos abrir a categoria no ano que vem.

Como eu sempre digo, a corrida só começa a ficar boa pra mim depois do 11. Quando chega no 13 é que eu começo a curtir. E foi assim de novo! Os sintomas da gripe diminuíram, e eu tava bem mais feliz. O ciclista anônimo ia tirando do caminho os copinhos de água e isotônico antes de eu passar. Eu tentava driblar os buracos e irregularidades do caminho. Ribeirão foi o pior asfalto que eu já corri até hoje! E olha que ali o asfalto ta novinho! O Bruninho sempre preocupado comigo, se eu queria água, ou algo. Pedi e ele guardou meus sachês de gel vazios, pra jogar no lixo depois. Conversamos a prova inteira.

No km 18 aquela subida do mal, de novo. Mas agora eu desencanei, sabendo o motivo da minha “não subida”. Bruninho me ajudou e eu estava delirando de felicidade, pois faltava pouco pra terminar. Pela primeira vez, eu desci uma ladeira sem brecar, só pra ter a sensação. Caraca, aquilo corre muito! Se eu caísse da hand eu me estabacaria com força! Quebrar todos os dentes seria o mínimo.

1558491_10152707925284269_6598600455555294244_n

Contar com o apoio de professores da Companhia Athletica, que estavam no caminho, nas duas voltas, foi muito bom! E ver vários amigos no percurso, também foi maravilhoso! Alguns gritavam meu nome. E alguns corredores que eu não conhecia, me incentivaram a prova inteira. Muito obrigada a todos por tanto carinho e apoio!!

E eu avistei o pórtico! Quando fui dar o sprint final, uma corredora forte daqui, uma “sempre-no-pódio”, resolveu fazer o mesmo, correndo em zig zag, de braços abertos. Gente, juro que eu pensei que fosse atropelá-la! Foi Deus que me fez ter noção de espaço naquela hora! E também brecar em cima de outro corredor que terminou e ficou ali paradão depois do pórtico!

10644428_10152707924859269_9025688432654214687_n

Vendo as fotos, depois, eu percebi que tinha duas chegadas. Então, não sei se fui de bicuda na chegada que era só pra ela. Ou se eu tinha que chegar ali mesmo! Mas como eu tenho excesso de coordenação motora, quando eu vi o povo aglomerado embaixo do pórtico, só pensei que era ali!

Chegada Dani

E eu cheguei! Só lembro da  Dani Gil e da Michele me gritando. Lembro da eficiência da Tarine, já com a minha cadeira ali, me esperando (amiga!!!!!!!!). Lembro do André trazendo o microfone e que eu agradeci a organização pela oportunidade maravilhosa de correr em casa. Aí 10685054_10152367340443951_1647572782_nveio o repórter e eu não lembro o que falei! Deus queira que ele edite!hahahahaha  Era sobre a corrida, claro. E eu lembro de contar algumas coisas importantes. Mas não tive tempo de raciocinar, beber água, nem pingar o remédio do nariz, muito menos de ir ao banheiro (eu tava segurando desde o 19, só pra variar. Algumas coisas já estão seguindo um padrão).

Dali pra frente foi uma alegria só. Tanta alegria que eu esqueci de pegar a medalha!hahahahaha  Uma moça da organização que correu atrás de mim, buscou e me entregou!

Além de ter meus amigos comigo, consegui rever muita gente que foi importante na minha vida no esporte. Como o Rangel, meu primeiro treinador em assessoria de corrida, lá em 2009. Também o Murilo Bredariol, um querido, um triatleta maravilhoso, dono da escola de natação onde dei as primeiras braçadas pós-acidente. Foi o primeiro cara que acreditou em mim como atleta na cadeira!

E teve até premiação, gente!!!  Força tarefa, demos um jeito e eu  subi no palco com meu treinador pra ser premiada! Ano que vem, teremos a categoria cadeirante e eu espero bombar essa prova tão deliciosa, com meus amigos sobre rodas da região. Vale muito a pena!!

Quero aproveitar esse post para agradecer demais ao Fabiano, ao José Paulo, a todos do Jornal Tribuna, a todos da organização da prova, os staffs, ao Bruninho, ao clicista, todos mesmo! Fui tratada com muito carinho e amor! Isso é um bem muito precioso e algo que marcará para sempre minha primeira corrida em Ribeirão pós-lesão!

10653630_10152707926519269_1318596528074366728_n

Algumas coisas, graças a Deus não mudam! Correndo em casa, com os amigos, fui a última aluna a sair da tenda, como eu sempre fazia! Eu e algumas professoras da minha época de andante, lembrando as tantas vezes que eu ajudei a montar e desmontar aquela barraca, nas provas! Bons tempos!

Ah, falando em tempo, baixei o meu! Mesmo parando pra tentar arrumar a handbike, eu fiz meu melhor tempo em Meia Maratona:  1:34:11 !!!  To feliz pra caramba!! Treinar muito pra ser sub 1:30!! Será?

(Fotos: Alfredo Risk)

11
set

0

Media Maraton de Buenos Aires

Acabou! Os 90 treinos chegaram ao fim. Há algum tempo fiz o post contando sobre isso. Fer e eu fizemos, cada uma pra si, um plano de 90 treinos. O meu passaria pelo dia 3 de agosto (dia da Golden Four) e terminaria dia 7 de setembro. E finalmente, esse dia chegou!

Chegamos a Buenos Aires, Fer, Pri, Nani e eu, na quinta-feira. Na sexta, tiramos o dia pra pegar o kit e passear pela feira da corrida. O que viesse depois seria lucro. Realmente, passamos quase 5 horas lá, curtindo, tirando mil fotos, personalizando as camisetas. E eu até encontrei uma amiga aqui de Ribeirão!

IMG-20140906-WA0022

IMG-20140906-WA0036

 

20140905_135015

20140905_135346

 

Eu estava realmente preocupada com meu frio e minhas dores decorrentes dele. Choveu a noite inteira, chuviscou de manhã e estava frio na sexta-feira. Eu só pensava nesse frio todo no dia da corrida.

Sorte a nossa (mais ainda minha), sábado amanheceu um sol lindo, um dia azul. Ventava, mas tava uma delícia de dia e eu empolguei, já mais tranquila quanto ao clima do dia seguinte. Passeamos pra caramba o dia inteiro. E as meninas, pra minha sorte de ter amigas assim, não queriam me deixar tocar a cadeira de jeito nenhum, pra descansar os braços pro dia seguinte.

Eu não vou ficar contando os lugares pelos quais passamos, porque o objetivo aqui não é fazer um tour por Buenos Aires. A cidade merece um post só pra ela. Os chicos argentinos merecem 2 posts só pra eles. E o dulce de leche merece uns 5 posts ou mais! Eu enfiei  os 2 pés e as 4 rodas na jaca quando o assunto era dulce de leche. Eu simplesmente não me cansava de comer (coisa de gordinha).

Tínhamos decidido chegar ao hotel à 20h, pra descansar. Fato é que chegamos depois das 22h. Ainda tínhamos que tomar banho e eu tinha que terminar de separar as roupas pra corrida. Quem me lê ou me acompanha sabe que eu sofro de dor neuropática e frio. Eu não sabia se ia com uma calça, com duas calças, com meia-calça por baixo da calça, com blusa de frio, sem blusa de frio… Diferente de correr em SP, cujo clima eu já estou mais ou menos acostumada pra saber como me vestir pra prova (e sempre conto com ajuda das amigas que conhecem esse corpo louco das temperaturas), eu não conhecia o clima da cidade.

Pra ajudar, eu tive dor neuropática a noite inteira! 2 horas da manhã eu tava com uzói pregados no teto, fuçando no celular e tentando tomar o mínimo possível de remédios pra dor, pra não correr o risco de estar dopada no dia seguinte. Fechei os olhos e o despertador tocou. 5h! Hora de pular da cama pra correr. Decidi ir com uma calça, a camiseta de manga comprida da assessoria e um casaco fino por cima.

Eu levo minha própria hidratação por um motivo básico: não dá pra parar e pegar a água do percurso. Ou eu tenho que estacionar a hand (o que a experiência da corrida Eu Atleta mostrou que é uma péssima ideia), ou eu corro o risco de atropelar alguém que esteja servindo a água ou, pior, algum atleta. Também corro o risco de perder o controle da hand, por soltar uma das mãos quando o chão está repleto de copinhos. Então, camel back abastecido, gel, capacete, levei 2 pares de luvas (com dedos e sem dedos).

A moça que ia nos buscar, pra poder levar a hand, atrasou 15minutos que foram preciosos na hora da largada. Tivemos que fazer tudo correndo. E eu tive medo de atrasar as meninas. Elas posicionaram a hand no local indicado pelo staff (antes do tapete) e foram pra trás do tapete, pra largar. Diferente de SP, que eu tenho milhões de amigos que podem guardar a cadeira pra mim durante a corrida, tive que implorar pra organização fazê-lo. Eles não queriam, mas acabaram topando. Optei pela luva de dedos, por causa do frio. O tempo estava indecifrável pra minha inexperiência ali, mas ventava. Mesmo assim, uns 4 minutos antes da largada, eu resolvi tirar o casaco e pedi pra um moço guardar pra mim na mochilinha do camelback. O que também foi uma mão na roda (sem trocadilhos), pois isso ajudou a segurar a mangueirinha, que não me deu trabalho escapando e tentando fugir pra roda da hand, como acontecera na Golden Four.

Um atleta argentino de hand veio falar comigo antes da largada. Foi o único, apesar de estarmos em uns 10 ou mais, entre hands e cadeiras. E a hand dele dá ré! Que inveja hahahahaha

10698533_596623693779309_9095092534405614529_n

 

E sem aviso prévio, 3,2,1…a busina tocou. E eu não tinha visto, devido à correria, que o fio das marchas estava enrolado. Perdi uns 2 minutos tentando desenrolar isso, enquanto a multidão passava por mim. Pois, diferente do Brasil, não largamos antes, junto com a elite. Tudo bem, tentei manter a calma, apesar de ver a galera de cadeira indo e eu ficando. Arrumei e fui.

10614200_766860276710985_5732389269110861283_n

 

Que frio! Eu não dormi a noite inteira e estava inchada e no ápice da TPM. Meus braços doíam muito. Eu estava fazendo tanto esforço que não conseguia ter força nos dedos pra trocar as marchas. Isso foi um grande motivo de preocupação porque eu sabia que teria que fazer trocas rápidas nas subidas. E eu estava com muita dor nos braços. Então, os dedos não respondiam. Resolvi tirar a luva da mão direita, pra ver se ajudava. Ajudou, mas não resolveu.

Decidi fazer o que a Fer me falou: curtir a prova. Era minha primeira viagem pra fora do país, minha primeira prova internacional. Apesar de na véspera termos conhecido muitos pontos turísticos, o percurso é lindo e eu resolvi que iria curtir a paisagem e fazer o que dava. Regulei a marcha pra uma mais leve e comecei a olhar em volta.

Os corredores passavam por mim aplaudindo e me incentivando muito,  o tempo todo. Logo chegou a primeira subida. Posso falar um palavrão?? Pq PQ##.. Que subida era aquela?? E eu ainda não tinha aquecido, estava morrendo de dor nos braços e sono. Mas, tinha que fazer. E dessa vez eu não ia deixar a hand dar ré, como na G4. E fui. Sofrendo. Devagar. As pessoas incentivavam. Cheguei na metade e, pra ajudar, a subida fazia uma curva! Eu ri! Acho que de nervoso. Aí senti um tranco. Um corredor me deu impulso pra sair daquela curva mais rápido. Foi o que me salvou. E fui subindo o resto, devagar, até o topo. Nem acreditei quando cheguei no topo. Só pensei que pior que aquela subida, não poderia existir outra. E eu estava certa! Tinha mais umas 4 subidas, mas que eu fiz com muita facilidade. Até a subida do viaduto (não me perguntem o nome hahahahha) eu fiz tranquilamente.

10606509_769131196467067_2499898896544171807_n

O percurso tem muitas retas, mas tem muita subida disfarçada de reta. Você acha que é plano, mas encontra certa dificuldade pra fazer. Eu comecei a me sentir melhor,com menos dor nos braços, mas ainda cansada. E não encontrava as plaquinhas de sinalização pra saber onde eu estava. Elas são pequenas e ficam no alto. Descobri que já tinha passado do km 11. Comecei a tentar tirar o gel de dentro da calça. Consegui tomá-lo quase 1 km depois.

10592785_595919590516386_6539683358134485350_n

E depois do 13, veio a constatação: meu negócio é prova longa! Eu já desconfiava, Já sabia disso dentro de mim, porque meu prazer numa meia maratona é muito maior do que numa prova de 10. E minha sensação depois de um treino longo de natação nem se compara a um treino curto. Meu negócio é distância, não velocidade. Depois do 13 veio o prazer absoluto. Comecei a curtir a prova 100 vezes mais. O sol já estava mais forte e a dor nos braços diminuiu consideravelmente, pra quase zero.

E eu fui que fui, fazendo força nas subidas, procurando o espaço com menor quantidade de corredores pra descer, e gritando por passagem porque a galera lá corre meio que em zig-zag. De repente não tem ninguém na sua frente. Aí aparecem uns 2 atletas, do nada, e pulam na frente da bike. No km 17 tomei outro gel. Eu sabia que estava ingerindo bem mais líquido que na G4 e ainda não estava com vontade de ir ao banheiro. O que era um milagre. Toquei o pau, literalmente, depois do 18. Sei lá de onde saiu força. E quando eu vi a plaquinha do 19, eu realmente comecei a pedalar forte. Pau no gato, como diz minha amiga Paula.

10620682_766860256710987_6811285923768537088_n

Aí, felicidade de pobre dura pouco. Imagina de pobre aleijado. Deu vontade de ir ao banheiro. Meus dedos, que já estavam cansados, começaram a pular de espasmos, por causa da bexiga cheia. Por sorte começou a tocar uma música do ACDC que eu adoro, e eu resolvi cantar.

Durante o percurso todo fui muito aplaudida por argentinos. Mas, faltando 1,5 km pra prova terminar, formou-se um corredor de espectadores, com muita gente dos dois lados da avenida larga. E as pessoas me viam e começavam a gritar “Fuerza chica”, “va silla de ruedas”. E aplaudiam muito. Eu ria e chorava, com aquela multidão gritando  e aplaudindo e comecei a descabelar na hand, pedalando como eu nunca tinha feito. E cheia de emoção, eu vi o relógio. E passei por baixo dele com 1h34 alto. Eu nem acreditava que eu tinha feito aquele tempo.

10612850_766661106730902_1498304296341181599_n

A moça da prancheta veio anotar meu tempo (porque nosso chip é só de enfeite), e outra moça olhou pra mim e disse “Você foi a primeira”. Aí eu comecei a chorar. Queria muito algum amigo ou amiga ali pra abraçar. Mas as únicas 3 que eu tinha naquele dia, ainda estavam correndo.

10626666_766661163397563_2281872464365057693_n (1)

Terminei a prova e o relógio marcava 18 graus. Fui cumprimentada por muitas pessoas. A organização trouxe minha cadeira, depois de um tempo. Pediram pra eu não ir embora pois teria premiação e troféu. 3 argentinos ficaram comigo por mais de 1hora, enquanto eu não via as meninas. Mexi com alguns brasileiros que passavam. Vários corredores argentinos pediram pra tirar foto comigo. Foi ótimo ficar ali, no sol, vendo a emoção das pessoas, ao concluir a prova.

14956_766661230064223_854726031100062812_n

Nesse meio tempo, apareceu uma atleta cadeirante. Acenei e ela veio. Achei que fosse querer conversar. Mas o “oi” deu lugar a “Você é a brasileira?”. Eu disse que sim. Ela disse “Disseram que a brasileira chegou primeiro.” Fui responder e recebi uma cortada “Só vim aqui pra olhar a sua cara”. Eu fiquei sem reação.

Logo, a Pri apareceu. Fui ao banheiro e a Nani também apareceu. Estava nos procurando há mais de meia hora. Decidimos perguntar onde seria a premiação. Seria do outro lado. E nós ainda não tínhamos encontrado a Fer. Resolvemos ir pra perto do pódio. Foi a nossa sorte, porque ela também foi pra lá.

Logo começou a premiação, mas na categoria de cadeirantes, não fui chamada. Fiquei sem entender. Um atleta amputado e o campeão dos cadeirantes (que também correu de handbike e fez a prova em incríveis 40 minutos) disseram que não seríamos premiados, porque usamos hand. Porém, o regulamento não previa a diferença no uso de equipamentos. Estava “categoria cadeirante”. Ou eles nos premiavam como primeiros, ou premiavam a diferenciação de categorias. Mas eles estavam encerrando a premiação. Fomos todos questionar, pois não havia diferenciação, proibição, nada nada no regulamento que explicasse aquilo. A organização resolveu dar, a mim e aos demais atletas que obtiveram resultado correndo de hand, um troféu. Mas não era o troféu oficial da prova. Nem ganhamos os brindes (apesar de termos visto que sobraram) dados aos demais finalistas.

10626851_766785493385130_4363101619051689310_n

Os atletas de hand disseram que não é a primeira vez que acontece isso. Na minha opinião, eles poderiam ter especificado alguma coisa no regulamento, ou mudado a premiação. Apesar da alegria de ter terminado bem, ter baixado meu tempo, e ter sido a primeira a chegar, esse rolo todo me deixou triste. Como dizemos na gíria, eu dei uma broxada. Vários atletas me enviaram mensagens, dizendo pra eu entrar em contato com a organização, e que eles me apoiarão. Quanto a isso, ainda não decidi o que fazer.

IMG-20140910-WA0008

Dessa vez senti bem menos dor muscular e bem menos cansaço no pós-prova. Fui muito bem preparada pelos meus técnicos (Rodrigo e Eduardo da Fun Sports, meu personal Dola, minha coach de natação Ju Bezzon, meu nutri Hugo Comparotto).

Às meninas, eu nem tenho e nunca terei como agradecer! Pri, Nani e Fer, se não fosse por vocês, por terem me convidado pra viajar, por terem me ajudado, carregado a hand pra todo lado, por terem poupado meus braços na véspera, nada disso teria sido possível!

1910644_863615193649168_1561603471518806949_n

Exceto pelo fato da premiação, eu adorei a prova! Tudo lindo, percurso maravilhoso, muitos pontos de hidratação. Aos hermanos argentinos, só tenho a agradecer, pelo carinho, por fazer dessa a chegada mais emocionante da minha vida corrida, pelo cuidado, pelo dulce de leche e por tornar essa viagem a mais especial e inesquecível de todas!

Mi español no es muy bueno. Pero necesito hablar con los hermanos argentinos. Sólo tengo que agradecer, por el cuidado, por haceren de este el más emocionante final de la carrera en mi vida, por el afecto, por el dulce de leche y por hacer de este el viaje más especial y memorable de todos! Gracias por todo!

*Todas as fotos estarão amanhã no face e na fan page!!! E espero que os argentinos disponibilizem logo a opção de compra de fotos, não apenas visualização hahahahaha   😉

 

10696432_863629956981025_4885354653932243250_n

05
ago

22

Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

g4 25

Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

IMG-20140803-WA0042

 

Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

20140803_094736

20140803_095747

20140803_100007

Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

IMG-20140803-WA0010-1

Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

g4 6

(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)

 

 

 

02
jun

11

1 fim de semana. 1 monte de presentes!

Na verdade, eu nem sei como começar esse post! De verdade! Tá tudo um turbilhão na minha cabeça, de frases, de sensações, de tudo.

A história dele começa quando eu descobri, um pouco depois do acidente, que existia handbike. Um monte de gente me prometeu ajudar a conseguir uma, mas nada acontecia de verdade, porque uma hand não surge das profundezas do oceano do nada. Até que teve um momento que eu pensei “tá, a handbike é só um sonho. Deixa ele aí quieto um pouco.”  E o tempo passou!

No fim de abril, como vocês devem ter lido aqui no blog, eu fiz a Meia 10415683_806298232714198_8641449677357327547_nMaratona da Corpore, com uma adaptação de hand emprestada de um amigo. Aí tudo começou de novo! Uma amiga minha, a Fer Balster, me chamou inbox perguntando se eu aceitaria uma handbike de presente, pois ela e mais algumas pessoas estavam se juntando pra me dar uma. A primeira reação? Chorei! A segunda coisa que fiz? Agradecer! E a terceira (depois de rir e chorar umas oitenta vezes)? Escolher a cor. Quem me conhece, sabe
que nem tem escolha: azul, da cor do céu, do mar, do meu edredom, da minha cadeira de rodas…

1920156_806429419367746_4412539326127279055_nA espera seria de 40 dias, até a hand ser entregue. Meus amigos escolheram uma corrida em SP, pra estar todo mundo junto e me dar. Nesse tempo, eu guardei o máximo de segredo possível. Contei pra minha mãe (mãe é mãe). Faltando uns 10 dias, eu contei pros meus treinadores da assessoria de corrida. Semana passada eu contei pras minhas comadres. Contamos pra mais um amigão super atleta, que tem um pick up, e ele disse “vou te levar nas corridas aqui de Ribeirão”. Na última semana, eu já tinha contado pra alguns amigos próximos, que perguntavam o que ia fazer no final de semana. Eu não aguentava e falava. Já tava me dando comichão esse trem não chegar nunca!

1486707_796188687058314_927124667943925457_nMas, pro meu desespero, na semana da corrida, o tempo fechou, esfriou, e a previsão pra São Paulo era de chuva e frio. Juro, gente, que eu pensei em não vir (saí da corrida, enchi a pança de mil comidas e to aqui escrevendo). Todo mundo sabe que eu morro de dor no frio, que eu não esquento de jeito nenhum (to morrendo de dor agora) e eu não queria sofrer. Resolvi vir, mesmo, de verdade, na sexta-feira. Na mala gigante, só roupa de frio. E eu fui linda pra corrida! Uma calça peruana super grossa por baixo da legging preta, duas meias grossas (que não resolveram nada), uma blusa fina (a preta de sempre, que eu uso por cima das blusas de corrida pra treinar) e 3, sim três casacos. Eu engordei uns 10 kg nas fotos. Mas o importante era ficar quente. Ah, usei luvas! Bem eu, que sou super paquitona, parecia um trembolho, porém um trembolho quente!

Acordei e nem queria sair da cama. 5h30 da manhã tava frio e nublado. O Paulo me pegou 6h30, pra largada 7h15, pra eu passar o mínimo de frio possível la parada no Ibira, e correr o menor risco de sentir dor. Tomei 300 remédios da dor antes da prova, pra prevenir. Tinha tanta roupa que os braços mal mexiam.

Chegamos no ibira e…kd as hands? O moço que ia trazer, o Dinho da Handventus (nosso Mago design das handbikes), se perdeu no meio daquelas ruas fechadas pra prova (nós também nos perdemos). 10 minutos antes da largada começou a chover! Eu só pensava “jura mesmo que eu viajei tudo isso, acordei cedo e to congelada pra ficar debaixo da marquise?” . Aí, a Fer chegou do meu lado e perguntou “quer deixar pra la?” Eu só respondi pra ela o que eu tinha acabado de pensar. A Fer saiu correndo pra ajudar o Dinho a montar as hands.

Deram a largada, Paulo e eu sem as hands, Pedro sem o triciclo. Eita nóis. Se não corrêssemos, não poderíamos mais correr (com o perdão da brincadeira). Íamos voar pro tapete, quando a Fer surgiu com a minha hand. Força tarefa pra eu subir no meu cavalo alado e voar pro pórtico de largada. Força tarefa pra me descer da calçada, os moços do tapete desesperados pra gente passar. O Paulo viria atrás com a hand dele (mas não o vi mais, porque o pneu dele furou com os poucos buracos do percurso..sem comentários).

Partimos! A emoção era tanta, meu coração vibrava mais que bateria de escola de samba no desfile das campeãs. Eu não sabia se ria ou chorava enquanto pedalava. Mas eu mal sabia mexer nas marchas. Como diriam: “qué dizê”, eu não sabia mexer nas marchas! A hand tava pesada demais na reta e eu achei estranho. E como eu tenho excesso de coordenação motora, eu descobri como deixá-la mais pesada. Mais leve, nada. Fiz 2km assim, meio que na empolgação, no desespero, com o Erivaldo (do Klabhia) me ajudando na subidinha, enquanto eu estava bem perdida ali.

Finalmente, por um milagre, eu descobri como diminuir a marcha. Calma gente, não demorei porque sou Kinder Ovo! Demorei porque as marchas e o freio foram colocados do meu lado esquerdo, o meu lado bobo. A minha mão é bem mais fraca ali. Então, eu tinha que ficar tentando mudar com a mão direita, enquanto eu olhava pros buracos, enquanto eu tentava não atropelar outros corredores, enquanto eu pedalava, enquanto eu conversava com o Erivaldo, enquanto eu sorria e agradecia as pessoas que me gritavam pra dar força no percurso. Mas deu certo.

Pra não ficar chato, narrando km por km, eu vou tentar resumir o luxo radioso de sensações, como diria Arnaldo Antunes declamando Eça de Queiroz em “Amor I love you”.

Eu estava muito emocionada mesmo. E a cada km eu encontrava mais e mais gente que eu gosto. A Fer me achou no meio da corrida, junto com o Dinho, que tentaram arrumar meu corpinho na hand. Mas tem tanto ajuste pra ser feito nela (porque eu sou meia porção, mas o Dinho não sabia que ainda vinha faltando pedaço) que eu achei melhor ficar como estava. As pessoas que eu conheço gritavam pra me dar força.

10363359_713721328666483_7235866843267025671_nNas subidas, o Erivaldo me ajudava muito! Nas descidas, vou te falar! Meus dedos tremiam tanto, porque eu não tenho força na mão esquerda e o freio estava muito duro (freio novo deve ser igual tênis novo. Precisa de uns km pra amaciar). Sabe o ditado “nóis capota mais num breca”. Se eu não brecasse eu atropelaria alguém, além de capotar. Então eu apertava o freio com toda a força. Na subida e na reta eu só tinha dois pensamentos: 1 – eu sou retardada? Por que eu exagerei tanto nos treinos de musculação essa semana? Que dor no bíceps. Que dor no trapézio. O que eu tinha na cabeça, @$!@#!, %@#$?? (sim, eu usei palavrões comigo mesma). Pensamento  2 – eu sou retardada? eu sou uma franga fracota! O que eu tenho na cabeça de vir pedalar 10km com tanta subida? Meu Deus, eu tenho que treinar muito! Eu tenho que mudar meu treino todo! @$@#@$@, !$!$!#@#%@.Vai franga!…..  É, foi isso. Eu sou uma pessoa bem tranquila comigo mesma.

Nas curvas, capítulo a parte! O Erivaldo gritava “abre bem”. Mas teve uma curva que tinha espaço pra eu abrir, mas não tinha espaço pra eu virar a hand e voltar. Resultado? Ultrapassei a barreira de cones e brequei bruscamente (e já não sobrou dedo depois disso) em cima dos carros que estavam no trânsito da avenida. Fui salva pelo Erivaldo, que deu ré puxando a hand e me ajudando a virar.

Tinha km que eu ria, tinha km q eu chorava, mas não podia exagerar, porque nem tinha como secar as lágrimas. Mil coisas foram passando na minha cabeça, como um filme, enquanto eu corria (de novo! Isso aconteceu na Meia da Corpore em abril). Mas agora tinha a ver com todas as pessoas maravilhosas que estavam me ajudando, como elas entraram na vida, como elas entraram no meu coração, como cada uma estava presente no meu dia a dia e como elas foram incríveis em fazer isso por mim. Poderiam ter escolhido qualquer outra pessoa. E eu tinha que fazer jus a tudo isso, em retribuição.

Muitas pessoa1904185_232621930280651_7020497081938878933_ns desconhecidas também me ajudaram. Em uma subida tipo Everest, um senhor ajudou o Erivaldo a me dar impulsos sem fim. Quando eu desci esse pico do Everest (e deixei o Erivaldo pra trás, por falta de dedos pra frear mais), encontrei o senhor de novo, que me ofereceu água, me ajudou quando eu parei a hand no meio da subida pra trocar a marcha (parei porque meus bíceps lindos não estavam cooperativos e a mão direita ocupada com a marcha). Muitas pessoas gritavam e batiam palmas no percurso. E eu tenho que agradecer a todas elas! Muitos senhorzinhos estavam correndo e vê-los ali dá muita energia pra nós.

10376917_632246220200307_3520038049093320128_nTenho muito a agradecer ao Erivaldo, que no final, ia abrindo caminho (sim, o homem corre! parece um guepardo) pra que eu pudesse passar sem atropelar ninguém. Passar pela Bia e a turma da Klabhia também dá uma força incrível e uma alegria muito grande!!!

A Fer me achou de novo no finalzinho e me deu muito gás e felicidade ver a minha amiga linda ali e saber que por causa dela e do Itimura (dois anjos sem asas), eu estaria ali, pertinho do meu sonho de correr com os pés de novo, mas correndo como eu posso agora.

 

10375894_806597836017571_4505866901819270242_n

E eu passei a linha de chegada! Mais uma! Uma das mais emocionantes! Numa corrida que tinha tudo pra dar errado e deu tudo certo, porque eu corri com e graças a pessoas maravilhosas e especiais. Tirei as luvas. Os dedos da mão esquerda tremiam sem parar e doíam muito. Mas o sorriso não saía do rosto.

10410852_713812348657381_900692096049689942_n

10403592_795875303756327_6987827692609407767_nE no final, encontrei mais amigos, foi foto pra lá e foto pra cá! A moça dos torrones (lembram que eu amo torrones?) veio com a sacola cheia pra mim e como gulosa que sou, ganhei vários. O tio da água, uma gracinha de senhor, veio dar parabéns, trouxe água, foi com a Fer buscar as medalhas. Ganhei um monte de abraços das pessoas que eu gosto. Um monte de amigos quis fazer um test drive na hand!

1426449_713733555331927_2121712490788000882_n

Ah, querem saber meus outros presentes além da handbike? A Fer me deu um capacete lindo (o que eu usei hoje).O outro? Lembram da foto que postei no Insta, falando que eu não conseguia usar o kettlebel da academia porque tinha 8kg? Então, o Paulo Cesar, junto com amigos dele (que eu não conheço) me deram um kettlebel de 6kg! Lindo! Vou postar a foto no Insta!! Paulo e meninos, muito obrigada!!

Mas os maiores presentes que eu poderia querer são meus amigos. Desde meu acidente, eu fortaleci amizades e ganhei tantos amigos, mais do que muita gente poderia querer. E através deles, só coisa boa aconteceu na minha vida! Coisas materiais que eu e minha família nunca conseguiríamos prover. E coisas que o dinheiro não pode comprar, muitas coisas! Muitas delas que eu recebi aos montes hoje. E só posso dizer OBRIGADA!

10351463_713721491999800_6250228968599156731_n

 

 

 

14
abr

51

Minha Primeira e Sétima Meia Maratona

Essa semana eu to cheia de coisas pra contar pra vocês! Mas a primeira tinha que ser essa!

Todo mundo sabe que eu amo correr, que ta no meu sangue, que ta no meu cérebro, que ta no meu coração, que eu respiro (e gostaria de transpirar também) isso. Mas, não posso correr mais do jeito que eu sempre gostei e gosto! Porém, nem tudo está perdido!

Fui pra São Paulo essa semana, pra participar da Reatech. Eis que sexta à noite, minha mãe japa, Marina Kuriki, me manda um whatsapp assim: “Vai ter a Meia da Corpore domingo. Você não quer ir ver o pessoal? Dá pra fazer os 5km de cadeira.”  A minha cadeira não passa nas portas do apt da Má. Ela acionou outro amigo nosso, o Michel Honda (que me ajuda e me apoia tanto!) e ele imediatamente disse que me hospedaria. Nossa! Que vontade de estar lá na corrida! Porém, no mesmo instante, lembrei que não podia ir com a minha cadeira. Depois de alguns acidentes, as organizações das provas não permitem mais cadeiras do dia a dia em provas. Apenas cadeiras de atletismo e handbikes são permitidas. Além, disso, eu não tinha nem roupa! Só tinha trazido uma legging preta (uniforme oficial das cadeirantes). Mas a Marina disse que ia me emprestar tudo! Camiseta, top, tênis, meia, tudo!

Caramba! Eu tinha 24horas pra conseguir uma handbike! Mandei um post desesperado no sábado de manhã, no facebook, tentando conseguir uma hand emprestada. Alguns amigos indicaram amigos, mas nada de eu conseguir uma. E eu estava na Reatech o dia todinho, caçando gente que poderia ter e que não usaria no domingo. A feira encerrava 19h e nada! Mas, eu tenho um amigo porreta, o Sidney Mayeda, que tem uma hand de passeio. É uma adaptação que ele prende na cadeira de rodas normal, mas ele usa uma esportiva (daquelas de basquete), que é mais leve. Tudo junto, pesa 21kg! Ele usa essa bike pra se exercitar no parque  e estava com ela na Reatech, incentivando a galera a se exercitar também. No mesmo momento que eu pedi, ele disse : “Claro Dani, pode levar.” Meus olhos encheram de lágrimas. Eu nem acreditava que eu ia conseguir! Bom, se eu consegui a hand, eu não ia correr os 5km. Eu ia pros 21km!

A Marina foi me buscar, colocou a hand do Sidão no carro, a minha cadeira, mala e cuia no carro dela, e partimos pra casa do Michel. Aí começou o problema número 1 – começou a cair o maior pé d’água do Brasil. Eu achei que a chuva fosse arrastar o carro na rua. Respira, chegamos no Michel. Jantamos (ele fez um yakissoba caseiro maraviwonderful e pediu pizza), rimos, conversamos. E a chuva não parava nunca mais. A Má foi embora e eu fui pra cama. Mas não conseguia dormir. Problema número 2 – eu estava mortinha de cansada e nada de pregar “uzói”! Mas fiquei orando, pedindo pra Deus (e pra todo mundo que me chamava no whatsapp eu também pedia pra orar) praquela chuva toda parar de chover até de manhã. Fiquei monitorando a chuva até 2h da madruga, agitada. Eu não dormia de jeito nenhum! Estava ansiosa pela prova! Dormi. O despertador tocou 4:40. Ou seja, não dormi nadica de nadéx! Mas, parou de chover! Problema 1 resolvido. Problema 2…deixa pra lá!

Com um olho aberto e outro fechando, abri a bolsa com as roupas da Marina. Coincidentemente, ela me emprestou a camiseta da Maratona de Revezamento Pão de Açucar de 2012. A última prova que eu tinha corrido em SP! E me trouxe um tênis Asics. Eu sempre quis testar um Asics pra ver se era mais confortável que o Mizuno (que eu usava pra correr). Agora estava com um Asics no pé, mas não sabia se era melhor pra correr. Nem saberia, por motivos óbvios! Me troquei, juntei as tralhas. Michel já tinha feito meu café e a Marina já estava lá me esperando. Partimos pra USP. Quando chegamos, meu coração já acelerou, de ver tanta gente ali, pra correr. Lembrei da última vez que estive ali pra uma largada, na Fila Night Run de 2009. E na última vez que passei por ali correndo, quando fiz os 25km na Maratona de SP em 2011.

O moço nos guiou para o local dos cadeirantes estacionarem. Só handbikes top de competição. Descemos do carro, a Má montou a hand do Sidão. Quando desci do carro, um senhor de aproximou, perguntando quantos km eu iria fazer. A Má disse que eram 21. Ele respondeu “Se é a primeira vez dela, e com essa bike, melhor ir pros 5km.” Mas ele não me conhece! Perguntei o nome dele, pois estava com a camiseta da Achilles. Era o senhor Rollo, com quem eu tento falar desde que a Dri, minha amiga corredora aqui de Ribeirão, me falou da Achilles. Ele lamentou não termos conseguido falar antes, me deu um cartão e ofereceu suporte durante a prova. Também me deu um número de peito, pois eu não tinha (ia usar o da Marina e ela ia correr de pipoca).

Partimos pra tenda e, começamos a ver os amigos. Que delícia estar ali, no meio dos amigos. Vi a Drika (cabeça), a Claudinha ( a “papa-pódios” rs), que eu só tinha visto em Maresias, na minha última prova “andando”.E vi mais um monte de gente legal, que eu só conhecia pelo face.

Fomos pra largada, pois a dos cadeirantes seria 15minutos antes. Notei que no km 13, passaríamos por ali. Pensei “Se eu estiver morrendo, eu paro no 13.” Mas isso não estava muito nos planos.  Seria só no caso de eu estar desmaiando, tendo um colapso, tendo disreflexia, ou morrendo mesmo.

1011796_780081265335895_6683714393625711_nLá estava eu, na largada com a galera da handbike. Eu estava morrendo de vergonha, pois eu era uma estranha no ninho. E também era a única com uma handbike de passeio.  E sem nenhum equipamento também! Mas tudo bem. Eu sabia que iria demorar muito mais pra completar a prova (estava com uma bike que pesava 21kg e eles com bikes que pesam menos de 14kg). Comentei com a Marina sobre isso e ela disse algo que me fez chorar: “O que importa é que você está aqui, no seu lugar! Aqui é seu lugar! E do nosso lado.” Sim, ali era meu lugar: numa corrida! E eu não estava ali pra competir, mas pra completar a prova.  A Claudia, mãe da Bia, uma querida,  se ofereceu pra me ajudar e disse que a turma dela, da Klabhia Running, me ajudaria também! Apareceram também voluntários da Corpore.

Largamos! A turma da handbike sumiu em 2 minutos! A Marina do meu lado, a Claudia e a Bia também, além da Laila e da família dela. Primeiro, a Má e o Roberto Itimura começaram a me ajudar, porque a hand era muito pesada! No segundo km, o pai da Laila engatou um guarda-chuvas atrás da minha cadeira, pra facilitar pra galera me dar uma força e não acabarem com as costas. Mas…ai meu bumbum! Tive que ficar a prova inteira indo um pouquinho pra cá e um pouquinho pra lá, com medo de que o guarda-chuvas fizesse pressão e abrisse uma escara.

No primeiro km, algumas pessoas começaram a gritar “vai” , “isso mesmo”. E eu toda distraída, conversando. Até que a Má e meus amigos começaram a responder. Aí eu saquei que aquilo era pra mim! Que bestinha! O povo deve ter achado que eu sou grossa, porque não respondi.

Bom, se eu contar tudo que aconteceu, km por km, vocês vão enjoar. Então, vou tentar resumir, gente! Lá pelo km 3 ou 4, eu acho, a Má foi descansar um pouco! Afinal, semana passada ela fez 42km de montanha, na Maratona do Fim do Mundo.

No km 5, eu pensei “bom, sem ajuda da galera, eu teria que parar aqui. Mas vambora! Não to sozinha. ”

No km 10, assim que passamos a placa, eu dei uma chorada. Mas ninguém viu! Ainda bem…10252114_540776776040302_1872685984668690283_nrs  Foi aqui também que começou meu maior problema na prova! Eu sabia que eu não conseguiria parar durante a prova pra ir ao banheiro. Então, eu estava regulando a água ao máximo, pra não sentir vontade de fazer xixi. Estava bebendo pouco mesmo! Tinha pontos de água que eu nem dava um golinho. Mas, todo km 10 numa meia maratona, vira meu km do mal! Quando eu corria, era aqui que meu joelho acordava e começava a doer. Mas, aqui, minha bexiga começou a dar sinais de que precisaria ser esvaziada. Além disso, eu não forço o joelho. Mas o trapézio! Corpo, você não me dá uma folga, hein?! Fala sério! Ta querendo me boicotar?

Fui controlando a água durante a prova. As pessoas que passavam, me davam muita força! Teve um moço (lindo maravilhoso), correndo com um amigo, que passou por mim lá pelo km 16 e disse “Quando estamos cansados e pensamos em desistir, a gente vê uma menina dessa e sente vergonha”. Não moço! Não sinta vergonha! Corra mais rápido, já que eu não consigo. As pessoas davam bom dia, batiam palma, elogiavam, conversavam um pouquinho. Foi muito legal! O staff de prova também sempre gritava! Isso dava um ânimo pros meus bíceps não desistirem!

Tomei meu gel (presente da Má, ja que eu caí de paraquedas na prova e não levei nada) no km11, com pouca água. A Má apareceu bem nessa hora. Tirou foto e revezou um pouquinho com o Pestana, na ajuda à minha pessoa. Parou no 13km pra descansar de novo, quando chegamos nas tendas. Nessa hora, o pessoal dos 5km e das tendas, gritava muito pra me incentivar. E meus dedos, não aguentavam mais segurar o guidão da bike! Eu tenho lesão alta e meus dedos são fracos. Eles começaram a tremer aqui, enquanto eu passava pela galera da handbike que já tinha terminado a prova. Perguntei pro Pestana quanto tempo tínhamos de prova. Fiz as contas. Se continuássemos nessa média de velocidade, eu acabaria minha primeira Meia na cadeira com o mesmo tempo da minha primeira Meia andando. Vai bracinho, vai bracinho!

No km 15, dei mais uma choradinha. Lembrei da minha primeira Meia, no Rio, quando eu passei debaixo dessa placa. Aliás, todas as minhas outras 6 meias maratonas, foram passando como um filme. E vários treinos também. E as dores nos joelhos, os sacos de gelo, os amigos, as medalhas, as tentativas de baixar o tempo. E agora, eu tinha é que terminar essa meia. Esse desafio. Aqui meus trapézios já estavam adormecidos. Meus bíceps também. Eu nem sentia mais dor. Só nos dedos (agora está difícil pra digitar).

10178001_431206043690481_7887651010500666323_nNas subidas da prova eu sofria. E o Pestana também, pra me empurrar. Nas descidas, eu tinha que frear muito, ou capotava. E capotamentos não me trazem muita sorte!rsrs  Melhor não!

No km 18, meu xixi do mal queria sair. Até pensei em fazer ali mesmo. Tantos corredores fazem no meio da prova. Mas eu iria molhar o forro da almofada. E da corrida, eu iria pra Reatech. Daria tempo de lavar o forro, mas ele não iria secar. Ainda mais num dia sem sol! Eu teria que segurar. Comecei a ter disreflexia, muitos espasmos por estar segurando o xixi. Queria tomar mais água, mas isso me daria mais vontade de fazer xixi. E as pontas dos meus dedos já estavam adormecidas de segurar o guidão. Mas se eu soltasse, seria tombo na certa!

Eu fui a prova inteira com o pessoal da Klabhia (às vezes eu dava uma adiantadinha, às vezes elas me passavam, às vezes íamos juntas) a prova inteira! E eu tenho muito a agradecer a esse time e grupo de amigos! Especialmente depois do km 18, quando eu já estava no pau da goiaba e eles ali do meu lado. – agora tem foto!!! – Klabhia

 

O Marcos Pestana foi meu anjo durante a prova inteira. Eu pedalei os 21km na bike de 21kg, mas ele me empurrou 90% do percurso! Sem ele, eu não teria conseguido! Ele é voluntário da Corpore. Algumas pessoas, também me empurraram, pra revezar com ele. Gente que eu nem conheço! E que sem eles eu não teria conseguido!

No km 19 apareceu a Má! Eu disse que estava com dor e passando mal por causa do xixi, mas que iria terminar, e ela comigo ali, me dando força. Vi a placa do km 20 e com ela, vários amigos que passaram por mim durante a prova e eu disse “Me espera na chegada”, mas como disse a Eliane Lilika “Viemos te buscar”. Ela levou o filho, a Ilzinha…Como é bom ter amigos, que foram aparecendo nesse final. E a placa do km 20 me deu uma força fora do normal! Só faltava 1!

10255280_640129509392645_6986282643584385650_n

10255858_640129266059336_2088760788231450889_n

O Pestana falou “Vamos dar um sprint”. Nem sei de onde ele e eu tiramos forças! E meus amigos juntos com a gente. Foi quando a Lilika disse “Dani, olha o pórtico de chegada”. Eu vi! E eu fui! Quando faltavam alguns metros, já comecei a chorar!

10264933_640129632725966_6523103347251352394_nAs fotos da chegada não tem glamour, só umas caretas de choro sem fim. Eu nem acreditava que isso estava acontecendo! Eu só conseguia chorar e abraçar a Marina. Eu chorava muito! A ideia de participar da corrida foi dela! E quando eu falei de fazer os 21km, ela não tentou me dissuadir em nenhum momento. Pelo contrário. Cansada da maratona da montanha, ela só tentava encontrar alguém pra me ajudar. E apareceu o Pestana, que eu só abraçava e agradecia, porque eu chorava tanto que não conseguia falar.

1619361_640129546059308_8820490270297217075_n

Quem falou foi minha bexiga! Atrás dos enfermeiros da chegada, a Má viu um banheiro. Desmontaram a hand.  A galera me carregou pra porta do banheiro químico, a Ma limpou e forrou o banheiro e eu…desabei! Pouca água, pouca reposição durante a prova, poucas horas de sono à noite e muita emoção = minha pressão caiu! Eu não desmaiei, mas foi por pouco! Eu parei na hora que percebi o trem feder. Aí eu bebi 200litros de água e isotônico.  E comia feito um dragão. O Pestana me deu mel, a marina uma barrinha de frutas. Eu disse que queria o torrone e alguém (foi uma amiga, eu tava bem pra lá de Bagdá. Não lembro quem foi) me deu um pequenininho. Um enfermeiro veio com uns aparelhos e disse que os batimentos e a saturação estavam boas, mas depois do banheiro, era pra me levar até ele. Sim gente, eu sou tão glamurosa, que tudo aconteceu na porta do banheiro químico, com o vaso todo forrado de papel! Um arraso! Melhorei e, ao contrário do que eu pensava (que de segurar tanto o xixi, eu ia demorar mil anos pra uretra e a bexiga pararem de contrair de espasmos), eu não demorei nem 5segundos.

Ali fora, já tinha vários amigos pra me cumprimentar. Saí do banheiro, o enfermeiro veio e eu disse que já estava bem. Todo mundo perguntou se eu precisava de algo e eu disse “Sim! Eu quero a minha medalha.” Todo mundo riu do ser quase tendo um treco e só pensar na medalha.

Mas, eu não tinha chip! Quando a moça da medalha perguntou, eu disse que perdi. O Pestana disse que dava a dele pra mim, mas a moça disse “de jeito nenhum!! Pode levar!” Moça gracinha! <3  Perguntei pro Pestana o tempo: fizemos 2 minutos abaixo na minha primeira Meia.

Lá fomos nós, tirar mil fotos com tantos amigos que apareceram, o José Munhoz, a Fernanda Balster, tanta gente! E com meus anjos Marina e Pestana! obrigada ao Sidão que m10171661_607948799296716_6976369982651109352_ne emprestou a bike e me permitiu realizar esse sonho! E aos poucos que contei que ia fazer essa maluquice, e que me apoiaram incondicionalmente! Obrigada a todos que me empurraram, quem gritou e me incentivou durante a prova!

 

1978836_780080948669260_889663408186375209_n10009897_740556539316526_7901174647936782216_n

 

Quando as pessoas me perguntam do acidente e eu digo que corria, eu sempre falei que era Meia Maratonista. Agora não! Agora eu SOU, de novo, Meia Maratonista!

10153761_779518692058819_4366590049751684209_n

 

02
fev

0

Novas tentativas

Para quem está acompanhando minha vida aqui no “Mãos pelos Pés” ou no Face, sabe que eu estou em Brasília!

Terça-feira, dia 29, cheguei à capital e fui direto pro Hospital Sarah Kubitschek, para fazer minha entrevista e tentar minha primeira internação. Mas, após a entrevista, eu fiz exames e tenho que aguardar uma semana, até a próxima terça, para que os resultados sejam divulgados e eu possa ter uma resposta – interno ou não….Aja coração!

Passar uma semana, todinha, numa cidade desconhecida, com meus pais ansiosos, poderia ser bem difícil. Mas tenho bons amigos que estão tornando tudo mais fácil e até gostoso!

Pra que me lê, sabe que estou nadando há algumas semanas, com ajuda do meu querido professor Jones Miller. Ontem, fui nadar também. Isso me ajudou muuuito a passar bem o dia. Eu ia até escrever sobre a natação adaptada essa semana. Porém, algo aconteceu e minha prioridade para a escrita mudou!

Hoje estava chovendo e eu não sabia o que fazer. Estava um dia chato, meus pais quiseram conhecer um shopping e eu cheguei a sentir sono na volta do passeio. Foi quando meu amigo Guigo Lopes me manda uma mensagem que dizia “O tempo melhorou. Rola até uma handbike”.

Uhuu! Lá fomos nós, pro Parque da Cidade Sarah Kubitschek, para tentar algo novo! Gente, um parto pra subir naquilo! Sorte que minha perninha direita ajuda um pouco e o Gui já tem experiência de sobra na área.

Depois do sufoco pra eu me posicionar (não suei porque lesado medular não transpira), lá fomos nós. Eu, no maior medo! Gui, pedalando uma bike comum, do meu lado o tempo todo, dando instruções, incentivando, diminuindo as marchas pra mim, pois eu só tinha força nos dedos pra deixar a bike mais pesada.

A primeira sensação? Ah, pensei que fosse mais difícil. Eu pensei que eu nem fosse sair do lugar! Mas, nem senti a primeira subida… Na verdade, pensei que estava bem fácil e o Gui disse que eu estava indo super bem. Depois, teve uma descidinha e uma mega subida. Aí eu morri e tive que parar 1 minuto pra descansar. Logo após, teve uma mega descida, quando fiquei desesperada e apertava os freios sem parar (meio freio! Com a mão esquerda eu só tinha força pra apertar com dois dedos, pois o indicador ainda está só de enfeite e o mindinho não estava a fim de trabalhar, e o dedão estava apoiando meu “guidão”).

295364_561723493838341_801379491_n

Em alguns trechos de subida leve, consegui atingir 9km/h (não se empolguem! Na subida forte, a velocidade caiu na mesma proporção em que a subida “subiu”). Na descida, o Gui gritava “força Dani” e eu pedalava forte, mas depois comecei a brecar desesperada pois já tinha atingido 20km/h. Eu me perguntava se os vários pedestres, caminhantes, corredores, tinham amor à vida. Mas eles tinham, saíam da minha frente e eu não atropelei ninguém.

Fizemos 4km e eu saí de lá me sentindo outra pessoa! Na verdade, 8horas depois eu ainda estava extasiada com a sensação! Como diz minha amiga Simone, quem é do esporte é do esporte e pronto! E eu sentia falta da endorfina e da dor muscular!

Minha mãe até brincou, dizendo que a dor que eu sentia nas pernas, por causa da corrida, vou começar a sentir nos braços. E aja braço pra essa handbike! Meu Deus!

Enquanto pedalávamos, o Guigo me explicou que a handbike que eu estava usando é própria para passeio. A hand para competição é mais leve, e um pouco menor. Como ele me chamou atenção para essa diferença, fui pesquisar no nosso amigo Google.

Descobri muita coisa legal, mas acho que ainda falta pesquisar mais. Para quem não conhece, a bike dos cadeirudos possui três rodas, dispositivos configurados com um sistema de pedalar que é operado usando as mãos e os braços em vez de pernas e pés. Os pedais estão localizados em frente do ciclista, mais ou menos, ocupando a posição do guidão de uma bicicleta normal.

Do ponto de vista prático, uma bicicleta de mão é um excelente meio de transporte para quem é incapaz de operar uma bicicleta normal.

Geralmente, elas funcionam bem para lesões de baixo e alto nível e a maioria tem pedaleiras ajustáveis, ângulo do assunto (ainda bem, senão teria sido ainda mais difícil minha primeira sentada!), vem com uma grande variedade de engrenagens de roda, pneus e configurações, dependendo do uso pretendido. A bike exige uma quantidade justa de parte superior do corpo e a força do braço para gerir de forma eficaz (bota força nisso!), tornando-se uma excelente forma de exercício, bem como proporcionar ao indivíduo a capacidade de desfrutar de um grau de mobilidade. Por esta razão, uma bicicleta de mão muitas vezes é uma ótima alternativa para pessoas que têm pouco ou nenhum uso de suas pernas. Dá pra divertir bastante, aproveitar a paisagem, a natureza, dá até pra paquerar os gatinhos e gatinhas que passam correndo ou pedalando (porque hoje, na handbike, só tinha eu no parque!)

No entanto, o custo ainda é elevado para os padrões brasileiros. O valor médio é de R$3.000,00 (claro que as profissionais custam muito mais caro que isso! Esse valor é de uma simples). Assim, nem todos os cadeirudos tem a possibilidade de experimentar a modalidade. Muito menos de ter uma! Eu mesma, só experimentei porque Guigo me emprestou!

Mas, quando você está ali, experimenta a sensação nova, nem te passa pela cabeça “poutz, se eu cair, a roda vai entortar e eu não terei grana pra mandar arrumar”. Imagina! Quando você está ali, tentando algo novo, vendo que você consegue, sendo incentivado, sentindo a endorfina correndo pelo corpo, sorrindo e sentindo o vento bater no rosto enquanto seu braço arde, só dá pra pensar em uma coisa: com certeza eu quero fazer isso de novo!

A primeira pedalada de Handbike

Texto originalmente postado no blog Mãos pelos pés, no Running News

Page 2 of 2