10
fev

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O Sarah (de novo) e minha dieta

Gente, desculpem minha ausência esses dias. Fui pro Sarah (de novo) e não conseguia escrever pra atualizar vocês.

Todo mundo sabe, logo que escrevi o primeiro texto da nossa ” campanha” Por Uma Vida Mais Saudável Sobre Rodas, que tudo começou no ano passado, assim que voltei do Sarah, em maio de 2013.  Tracei um plano de ação e mandei bala na minha dieta “seca pneu, toucinho,pochete”.

Pois bem, chegou o grande dia, o dia de fazer meu retorno de um ano, para exames. E lá fui eu, toda preocupada com a dieta, outra vez. Quem foi há pouco tempo e conseguiu parar pra prestar atenção, notou que, no café da manhã não há outra escolha de proteína além do leite integral. É pão com manteiga pra quem tá internado e geleia, como opção, pra quem está de paciente dia, no Sarah Lago Norte.

Então, eu fiz um diário de tudo que aconteceu, de segunda a sexta, enquanto eu estive lá.

Segunda-feira: Já comecei errado, porque acordei 3h30 da manhã e tomei café. Tomei certinho, mas era cedo demais. Deu fome cedo também.  Fui de avião até SP e mal tive tempo de respirar, pois saí de um avião e entrei no outro. Fugi dos salgadinhos do avião. A minha avó fez um lanchinho  pra mim, pão com presunto e requeijão. Foi o que eu consegui comer. Cheguei em Brasília e ganhei uma carona de um amigo que morou em Ribeirão, mas agora mora lá. Ele me levou pra almoçar num restaurante muito legal. Tem uma salada, igual macarrão ao vivo,  onde há vários ingredientes e você escolhe o que colocar. É uma delícia! Não sei como ninguém teve essa ideia maravilhosa antes. Quem abrir um restaurante assim, fica rico em qualquer cidade! E além dessa salada maraviwonderful (copiei esse termo do amigo Jairo Marques), você ainda tem as opções de pratos quentes e frios como em qualquer restaurante. Gamei no trem.  Cheguei no Sarah e morri quando a enfermeira me pesou! 1kg a mais. Socorro socorrinho,  já mandei mensagem pro André e decidimos cortar o carboidrato à noite, por uns dias. À tarde, comi abacaxi no Sarah e jantei omelete.

Terça-feira: Tomei café da manhã normal, mas mais tarde, pois só tinha consulta no Sarah após o almoço. Ganhei uma carona pra ir pro Sarah Lago e cheguei lá nos 47 do segundo tempo. Tinha 20 minutos pra almoçar e ir pra fisioterapia. Salada, arroz integral e carne. A sobremesa do dia? Pavê de chocolate. Olhei pra ele, ele olhou pra mim, rolou um flerte. Mas resolvi não levar a paquera adiante. Fugi daquele pavê do mal. Levei um iogurte e comi com a salada de frutas que estavam servindo como lanche da tarde. Na janta, minha amiga (onde eu estava hospedada), quis comer tapioca. Comi a minha sem manteiga, com recheio de peito de peru e só. Era bem pequena, feita em casa.

Quarta-feira: Exames em jejum. Resultado? Café da manhã foi pro beleléu. Tomei um suco de caixinha 9h e um mundo de água (quase 1 litro). Fome sem fim. 9h30 comi um mini pão francês integral com geleia, um copo de chá e uma banana. Velejei, fiz fisioterapia. Cheguei pra almoçar tarde, a carne tinha acabado. Entre as opções que sobraram, escolhi torta de frango (tirei as azeitonas e sobrou pouco frango) com um balde de salada. Me perdi no verde e sairia de lá feliz, não fosse a sobremesa…pavê de chocolate do mal, o retorno da tentação. O senhor sentado na minha frente comia dois. A esposa dele, mais dois. E eu? Não levantei e saí por motivos óbvios. Então, eu só saí. Lanche da tarde foi um mini pão sírio com peito de peru e queijo branco. Também  tinha goiaba, mas eu não gosto. Na janta, deu meio que tudo errado e tudo certo. Imprevistos acontecem, né?! Minha amiga, que me daria carona pra casa, sairia do trabalho 20h30. Fui pro Sarah Centro às 17h pra ver a Tuka (se você não conhece essa celebridade é porque nunca se internou no Sarah Centro). Estou lá, colocando meia fofoca de um ano em dia (a outra meia colocamos na segunda-feira) quando minha amiga manda mensagem: “Sairei do trabalho depois das 22h30. Pega a chave de casa com a minha mãe e vai pra lá.” Cacei um carona pra fazer isso. Achei. Demoraria 1hora. E eu, sem comer desde 16h40. A Tuka conseguiu uma marmita-janta pra mim. Comi só a salada, acelga refogada e o filé de frango. Não vou mentir, dei umas 4 garfadas no arroz com cenoura. Ninguém é de ferro.

Quinta-feira: Café da manhã ok. Lanche da manhã ok. Almoço, fiz um prato lindo, mas não consegui comer tudo. Estava sem fome. Lanche da tarde foi uma delícia. Tinha mamão, que eu finjo que gosto porque é necessário, e um bolo simples. Eu estava morrendo de fome (Fiz canoagem, remando a canoa sozinha, porque os dois meninos eram inciantes e cansaram em 5 minutos de uma aula de 1hora. E depois ainda teve basquete. Pra quem lembra, eu não alcançava a cesta. Continuo não alcançando. Então, tenho que compensar isso com marcação cerrada no time adversário).  Jantar, eu cozinhei na minha amiga, fiz um frango gostoso e fiquei firme na dieta, comendo pouquinho, apesar de estar com vontade de comer a tigela inteira com arroz.

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Sexta-feira: café da manhã, ok. Lanche da manhã foi uma pera. Almoço, foi o prato da foto. Chamei a tal da “força,foco e fé”, né?! A opção de carne era? Feijoada! Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim, toda quentinha e cheirosa.  Feijoada metida! Fingi que não vi e mirei no filé de frango. Aconteceu de novo. Olho maior que a barriga e eu não dei conta de comer tudo. Mas deixei menos no prato, dessa vez. Lanche da tarde foi salada de frutas e um pãozinho com creme de cenoura (que eu não comi inteiro, com dor na consciência, mas não tanta dor, porque a senhora que remou comigo não gosta desse “passeio” que é a aula de canoagem. Ficou cansada logo e…acho que não preciso terminar, né?!). Na casa da minha amiga, comi um iogurte desnatado e parti pro aeroporto.

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Foi difícil resistir a algumas delícias, verdade. Mas a recompensa veio depois, quando eu vi que o 1kg a mais, já era de menos de novo!

Agora não tenho mais tanto medo de engordar no Sarah. É só comer com sabedoria e não carregar pra lá uma trufa de sobremesa por dia, como eu fiz da outra vez… Trauma da banha do Sarah? To fora!

02
fev

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Novas tentativas

Para quem está acompanhando minha vida aqui no “Mãos pelos Pés” ou no Face, sabe que eu estou em Brasília!

Terça-feira, dia 29, cheguei à capital e fui direto pro Hospital Sarah Kubitschek, para fazer minha entrevista e tentar minha primeira internação. Mas, após a entrevista, eu fiz exames e tenho que aguardar uma semana, até a próxima terça, para que os resultados sejam divulgados e eu possa ter uma resposta – interno ou não….Aja coração!

Passar uma semana, todinha, numa cidade desconhecida, com meus pais ansiosos, poderia ser bem difícil. Mas tenho bons amigos que estão tornando tudo mais fácil e até gostoso!

Pra que me lê, sabe que estou nadando há algumas semanas, com ajuda do meu querido professor Jones Miller. Ontem, fui nadar também. Isso me ajudou muuuito a passar bem o dia. Eu ia até escrever sobre a natação adaptada essa semana. Porém, algo aconteceu e minha prioridade para a escrita mudou!

Hoje estava chovendo e eu não sabia o que fazer. Estava um dia chato, meus pais quiseram conhecer um shopping e eu cheguei a sentir sono na volta do passeio. Foi quando meu amigo Guigo Lopes me manda uma mensagem que dizia “O tempo melhorou. Rola até uma handbike”.

Uhuu! Lá fomos nós, pro Parque da Cidade Sarah Kubitschek, para tentar algo novo! Gente, um parto pra subir naquilo! Sorte que minha perninha direita ajuda um pouco e o Gui já tem experiência de sobra na área.

Depois do sufoco pra eu me posicionar (não suei porque lesado medular não transpira), lá fomos nós. Eu, no maior medo! Gui, pedalando uma bike comum, do meu lado o tempo todo, dando instruções, incentivando, diminuindo as marchas pra mim, pois eu só tinha força nos dedos pra deixar a bike mais pesada.

A primeira sensação? Ah, pensei que fosse mais difícil. Eu pensei que eu nem fosse sair do lugar! Mas, nem senti a primeira subida… Na verdade, pensei que estava bem fácil e o Gui disse que eu estava indo super bem. Depois, teve uma descidinha e uma mega subida. Aí eu morri e tive que parar 1 minuto pra descansar. Logo após, teve uma mega descida, quando fiquei desesperada e apertava os freios sem parar (meio freio! Com a mão esquerda eu só tinha força pra apertar com dois dedos, pois o indicador ainda está só de enfeite e o mindinho não estava a fim de trabalhar, e o dedão estava apoiando meu “guidão”).

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Em alguns trechos de subida leve, consegui atingir 9km/h (não se empolguem! Na subida forte, a velocidade caiu na mesma proporção em que a subida “subiu”). Na descida, o Gui gritava “força Dani” e eu pedalava forte, mas depois comecei a brecar desesperada pois já tinha atingido 20km/h. Eu me perguntava se os vários pedestres, caminhantes, corredores, tinham amor à vida. Mas eles tinham, saíam da minha frente e eu não atropelei ninguém.

Fizemos 4km e eu saí de lá me sentindo outra pessoa! Na verdade, 8horas depois eu ainda estava extasiada com a sensação! Como diz minha amiga Simone, quem é do esporte é do esporte e pronto! E eu sentia falta da endorfina e da dor muscular!

Minha mãe até brincou, dizendo que a dor que eu sentia nas pernas, por causa da corrida, vou começar a sentir nos braços. E aja braço pra essa handbike! Meu Deus!

Enquanto pedalávamos, o Guigo me explicou que a handbike que eu estava usando é própria para passeio. A hand para competição é mais leve, e um pouco menor. Como ele me chamou atenção para essa diferença, fui pesquisar no nosso amigo Google.

Descobri muita coisa legal, mas acho que ainda falta pesquisar mais. Para quem não conhece, a bike dos cadeirudos possui três rodas, dispositivos configurados com um sistema de pedalar que é operado usando as mãos e os braços em vez de pernas e pés. Os pedais estão localizados em frente do ciclista, mais ou menos, ocupando a posição do guidão de uma bicicleta normal.

Do ponto de vista prático, uma bicicleta de mão é um excelente meio de transporte para quem é incapaz de operar uma bicicleta normal.

Geralmente, elas funcionam bem para lesões de baixo e alto nível e a maioria tem pedaleiras ajustáveis, ângulo do assunto (ainda bem, senão teria sido ainda mais difícil minha primeira sentada!), vem com uma grande variedade de engrenagens de roda, pneus e configurações, dependendo do uso pretendido. A bike exige uma quantidade justa de parte superior do corpo e a força do braço para gerir de forma eficaz (bota força nisso!), tornando-se uma excelente forma de exercício, bem como proporcionar ao indivíduo a capacidade de desfrutar de um grau de mobilidade. Por esta razão, uma bicicleta de mão muitas vezes é uma ótima alternativa para pessoas que têm pouco ou nenhum uso de suas pernas. Dá pra divertir bastante, aproveitar a paisagem, a natureza, dá até pra paquerar os gatinhos e gatinhas que passam correndo ou pedalando (porque hoje, na handbike, só tinha eu no parque!)

No entanto, o custo ainda é elevado para os padrões brasileiros. O valor médio é de R$3.000,00 (claro que as profissionais custam muito mais caro que isso! Esse valor é de uma simples). Assim, nem todos os cadeirudos tem a possibilidade de experimentar a modalidade. Muito menos de ter uma! Eu mesma, só experimentei porque Guigo me emprestou!

Mas, quando você está ali, experimenta a sensação nova, nem te passa pela cabeça “poutz, se eu cair, a roda vai entortar e eu não terei grana pra mandar arrumar”. Imagina! Quando você está ali, tentando algo novo, vendo que você consegue, sendo incentivado, sentindo a endorfina correndo pelo corpo, sorrindo e sentindo o vento bater no rosto enquanto seu braço arde, só dá pra pensar em uma coisa: com certeza eu quero fazer isso de novo!

A primeira pedalada de Handbike

Texto originalmente postado no blog Mãos pelos pés, no Running News