08
jul

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Exercícios para lesados medulares – Abdominal

Como aqui nesse blog, promessa é dívida, tia Dani ataca novamente contra a preguiça desembestada e as desculpas esfarrapadas.

Muita gente pediu pra eu voltar a postar dicas de exercícios aqui no blog. Mas eu também ouvia “Poxa, tia Dani, você já tá com quase 4 anos de lesão e já recuperou bastante coisa. E quem teve lesão recentemente? Faz o que?”  Cola na tia Dani que é sucesso! Aqui a gente dá jeito pra tudo!

No ano passado, eu conheci a Poli. Ela era minha seguidora e nós nos conversamos pessoalmente na fisioterapia. Ela sofreu um acidente dia 13 de outubro de 2014, quando tinha 30 anos. Ela teve lesão medular em C5 e C6 e traumatismo craniano do lado direito.

Hoje somos amigas e treinamos juntas na academia. No início do ano, perguntei se ela toparia ser nossa modelo do blog! E ela aceitou!!! uhuuuu Assim, teremos vídeos também pra quem está em início de lesão e teve lesão alta.

O treinador da Poliana é o professor Fabio Ibrahim, da Companhia Athletica de Ribeirão Preto. Ele me ajudou há anos atrás e tem bastante experiência com cadeirante, pois o pai dele também é do mundo das  rodinhas.

Segundo Fabio, “o objetivo do trabalho com a Poliana, que tem lesão alta, é fazer com que o sistema nervoso e o sistema neural trabalhem. Trabalhando os dois, a mão começa a funcionar, pois ela recebe os estímulos.”

E sim! A mão da Poli começou a mexer! Mas não é só isso! Ela está tendo grandes avanços pra sentar, sustentar o tronco e se posicionar melhor na cadeira. Eu sei o quanto isso é importante, pois desenvolvi uma escoliose gravíssima devido ao mal posicionamento e fraqueza abdominal.

Então vamos lá? Vamos botar esse corpinho pra mexer?

Os exercícios de hoje são para estímulo abdominal. No início, assim como eu, a Poli não tirava a cabeça do chão. Veja como ela está agora e quais são os estímulos que o corpo dela está recebendo.

 

12
jun

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Wings for Life 2015

Gente do céu, quase 3 meses sem computador.. Socorro!! Quase morri!! Mas consertou e agora eu já posso voltar a dividir tudo com vocês! To devendo uns mil posts, então, bóra começar a colocar o papo em dia!

Vou começar contando sobre a Wings for Life desse ano. Pra quem me acompanha desde o começo, deve lembrar que, no ano passado, eu venci a primeira edição dessa prova linda aqui no Brasil.

Pra quem nunca ouviu falar da Wings for Life, ela é uma corrida mundial, sem linha de chegada. Após 30 minutos do início da prova, um carro perseguidor sai a 30km/h e, assim que o carro te alcançar, você para! Ou seja, você vai correr no seu limite, o mais longe que puder chegar naquele dia. A prova acontece em mais de 30 países ao redor do mundo, simultaneamente. Em cada país a largada é num horário, de acordo com o fuso. Todos os carros perseguidores saem ao mesmo tempo. Em cada país há o ganhador feminino e masculino, mas há também o ganhador mundial. E onde há cadeirantes participando, há os ganhadores masculino e feminino sobre rodas também. A prova é mundialmente patrocinada pela Red Bull. Pra saber mais, tem tudo e mais um pouco aqui no site oficial  http://live.wingsforlifeworldrun.com/pt-BR

Como prêmio por vencer a edição 2014, esse ano eu pude escolher um país para fazer a edição 2015. E como sou meio italiana (e meio espanhola), eu escolhi a Itália! Lá, a prova acontece em Verona, a cidade de Romeu e Julieta  <3

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Quando eu entrei no site pra olhar a prova italiana de 2014, eu vi que a largada era num piso de paralelepípedo. Mas estava lá que apenas alguns metros eram assim. Esqueceram de avisar que apenas 7km eram assim! Eita nóis! Ou seja, nenhum cadeirante ali foi muito longe. A organização me disse que não havia cadeirantes na prova do ano passado. Esse ano éramos poucos.

Bom, vamos lá. O percurso é liiindo maravilhoso. Largamos no centro histórico, bem em frente ao Teatro Romano, onde também foi a retirada do kit. O percurso passa por praticamente todos os pontos turísticos, incluindo uma vista deslumbrante do Castel Vecchio.

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Durante todo o percurso na cidade (porque os corredores que vão mais longe terminam a prova numa estrada rural, coisa mais linda do mundo), os italianos aplaudem a gente sem parar… e os turistas também! Acabamos passando por ruas bem estreitas, onde quem não está correndo fica limitado à calçada e nós dentro da faixa, na rua. Isso faz com que todos fiquem muito próximos e crie um clima muito legal durante a prova.

20150503_131447Bem no início eu conheci 2 pessoas maravilhosas: Niko e Giggio. O Niko é o cadeirante e Giggio o pai maravilhoso que empurrou o filho durante a prova toda. E, não sei como, queria me empurrar também! Pai super herói.  Até fizemos um trenzinho pra tirar a foto, mas não deu muito certo rsrs Acabei ficando bem próxima deles durante boa parte da prova, então pudemos conversar no máximo que meu italiano ia e o inglês deles vinha.

 

Bom, a corrida foi avançando e eu resolvi filmar o melhor piso em que corremos, pra vocês verem (o pior: sabe aquelas tartarugas que colocam no asfalto em locais onde não podemos mais estacionar? Imaginem uma do tamanho da sua mão. Agora imaginem uma rua inteira feita disso. Era quase igual).

A legenda do vídeo no instagram foi “Se vc for cadeirante e ganhou a Wings For Life, escuta a tia Dani: não escolha Italia pra correr! O país é lindo, Verona é linda, mas até o km7, esse é o melhor piso do percurso (imagine o pior! Tanto que eu preferi ir pela calçada na hora do pior!!). Não é a toa que eu caí. Não uma, mas duas vezes. E nao foi um tombinho qualquer. Foi de joelho e cara no chao! Kkkkkkkkk Ainda bem que eu estava de luvas!! E vieram um moooonte de italianos lindos me ajudar a sentar de novo :p “

É, gente.. eu caí! Não tem aquele vídeo que todo mundo compartilhou “bota a cara no sol, mona..bota a cara no sol”.. eu entendi “bota a cara no chão” e obedeci hahahaha

Pois é, gente. E com isso, eu perdi tempo. Por mais que as pessoas tenham sido mega solícitas, foram tanto e exageradamente cuidadosas que demoraram tempo demais pra me colocar de volta na cadeira e catar água que voou prum lado, celular pro outro.. aí a menina que estava uns 100m na minha frente desapareceu da minha vista.  Também, seria pretensão demais querer ganhar de novo rsrs20150503_140458

Bom, depois que eu caí, uma moça me ajudou na subida, enquanto eu avaliava os ralados (ainda bem que eu estava de luvas, senão “adeus pele das mãos”) e bebia água. Chegamos ao posto de água, ela ficou la pra se hidratar e eu mandei bala embora… Infelizmente, um pouco depois da ponte do Castel Vecchio, o carro perseguidor me alcançou, antes mesmo de eu aproveitar o asfalto pra dar um gás na prova.

Conheci um grupo de austríacas que foi pra correr a prova. Esperamos juntas pelo ônibus que nos levaria até a largada de novo..mas nada de ônibus. Peguei o mapa da cidade, que estava na minha mochila, e decidimos voltar por nossa conta,20150503_150228 conversando e apreciando a cidade.

Assim que chegamos ao local da largada e eu fui direto pra massagem. Estava tensa por ter esfregado a cara no chão e feito exposição da figura na prova. Ali, conheci o Giuseppe, um cadeirante muito legal e engraçado, que estava com uma turma de amigos. Tiramos fotos e trocamos moedas dos nossos países, apesar de eu já ter euros e dizer ao moço que era um péssimo negócio me dar um euro e levar um real, mas ele disse que seriam nossas moedas da sorte.

Logo, a Fer chegou e nós decidimos sentar ali, no meio da praça, onde tantas e tantas pessoas também estavam em frente ao telão, acompanhando a prova. E foi emocionante torcer, pois a Itália se manteve entre as finalistas mundias. Todo mundo gritando, aplaudindo..foi lindo demais e inesquecível!

E a prova no Brasil? Bom, eu não tava aqui pra ver, né?! Então eu mandei os correspondentes hahahaha  Enviados especiais cadeirudos, pra nos contar tudão.

 

 

 

fabiulaA Fabiula Silpin é de Brasília, e conta como foi: “Sobre a corrida de hoje: Cheguei atrasada 10 mim (Quase desisti de correr) rsrs mas decidi ir mesmo sendo uma das últimas. Decidi ir devagarinho, mas sinceramente pensei que faria um percurso de uns 5 minutos, rsrs. Mas graças a ajuda da minha amiga Alana e outras 2 pessoas que não me lembro o nome que encontrei no caminho que tive que pedir ajuda pois me machuquei as mãos, consegui percorrer um longo caminho que não faço a mínima idéia de quantos km foi kkkkkkk. Mas sei que fui muito além do que eu mesma esperava, mesmo sem treino algum e muito menos com condicionamento físico. Mas valeu muito a pena, agora é se preparar pra ano que vem novamente, já que será aqui em Brasília de novo. Dia 8 de maio, galera”.

Stefanny

 

Minha amiga Stéfanny Fernandes, foi pela primeira vez em um corrida! Eu amei a novidade! Nós internamos juntas no Sarah e eu to doida pra arrastar essa mulher pro esporte. Apesar de ter começado a prova com 15 minutos de atraso, conseguiu fazer 3km sozinha, sem ajuda e sem condicionamento físico. “Foi maravilhoso participar. Ver todas aquelas pessoas correndo por nós, foi emocionante! Me senti livre e com as esperanças renovadas!” Ela me prometeu que vai tentar fazer mais provas. Vamos cobrar!

 

 

 

10846164_1019961891347830_5588227109763291989_nTambém estava lá meu amigo Diego Coelho. To feliz da vida por ele, pois o Diego ganhou a prova masculina! Fez 21km sem ajuda. O cara é monstrão! Diego me contou que começou a prova tranquilo, mas lá pelo km15 estava muito cansado. Pelo que ele me contou, na linguagem de corredor, ele ia quebrar jaja. Mas tinha um corredor experiente alinhado com ele há alguns km, que deu um gel de carbo (nosso famoso e adorado gelzinho) pro Diego experimentar. Aí ele se sentiu com aquele gás pra correr mais um pouco. E foi isso que o levou a ganhar a prova. Ele disse que, inicialmente, ficou um pouco chateado, pois a organização não confirmou imediatamente sua vitória. Algumas horas depois da corrida foi que o Monstrão recebeu um email com a confirmação, e foi retirar seu prêmio la na RedBull.

 

 

Também tive um enviado especial na Holanda. Meu amigo Bruno correu em Breda . Foram 14km debaixo de chuva, mas ele curtiu demais! Mas olha a foto que ele me enviou no dia da retirada do kit. Não dava pra imaginar que ia chover. Ele conta que, assim que o carro os alcançou, ele, mais um cadeirante e mais três atletas tiveram que se refugiar numa estábulo (sim, já estavam numa estrada que cortava fazendas) pra não congelarem enquanto esperavam o ônibus que os levaria de volta pra largada. Totalmente diferente do nosso calorão brasileiro! rsrs

largada breda

Se você perdeu essa prova tão especial, que ocorre uma vez por ano, não perca a corrida no ano que vem. É sempre no primeiro domingo de maio. Corra pra se inscrever! Em 2016 vai ser em Brasília de novo. Espero vocês lá 😉

 Sthéfanie Louise Déa, Fernando Fernandes e Walquiria Coimbra
Sthéfanie Louise Déa, Fernando Fernandes e Walquiria Coimbra
Diego Coelho e Suzi
Diego Coelho e Suzi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto da organização da prova, que o pessoal da Itália me enviou 🙂
Roberta Lys, Francisco Xavier Fontenele Júnior, Felipe Costa, Renato Guimarães, Cida Fontenele e Fernanda Fontenele
Roberta Lys, Francisco Xavier Fontenele Júnior, Felipe Costa, Renato Guimarães, Cida Fontenele e Fernanda Fontenele
Kauana Araujo (centro) e amigas
Kauana Araujo (centro) e amigas
Biel e seu pai Rodrigo, com os amigos
Biel e seu pai Rodrigo, com os amigos
Leo Carvalho, Beta CB e a galera na largada
Leo Carvalho, Beta CB e a galera na largada
Morgana de Oliveira
Morgana de Oliveira
Paula Narvaez, Debs Aquino e seus respectivos rsrs
Paula Narvaez, Debs Aquino e seus respectivos rsrs

13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

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Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

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Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

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22
out

0

Tenho 2 anos! Parabéns para mim!! o/

É hoje o diaaaaa, da alegriiii-i-aaaaaa! E a tristezaaaa, nem pode pensar em chegaaaar. Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feeeeliizz que eu! Diz aí! Diz aí!!!

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Sim, siiimmm, siiiiiiiiiiiiiiiimmmmm!!!! Hoje eu completei 2 anos de vida! 2 anos de lesão, 2 anos de acidente, de vida nova, de cadeira de rodas. Sim, eu comemoro! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!”

10325410_791961860814502_2073472362398210166_nEu comemoro sim! E fico muito brava e indignada quando vejo cadeirantes todas/todos tristes, cheios de  lamúrias e lamentos “ai, que droga, hoje completo tanto tempo de lesão”.  Tá louca minha filha? Preferia ter morrido? Preferia causar mais dor à sua família? Preferia estar pior do que você está? Eu não preferia! Eu to bem, obrigada!! É…não to ótima. Estarei ótima quando puder voltar a correr e dançar. Por enquanto, eu to bem, obrigada!

Pra quem não me acompanha desde o começo, o que mudou na minha vida do dia 22 de outubro de 2012 pro dia 22 de outubro de 2014? Tudo! E nada!

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Em 2012, eu era professora. Apesar de morrer de saudade dos meus alunos, hoje não sou mais.  Apesar de ter lesão alta e ser considerada tetraplégica (não é só a questão de movimentação. A tetraplegia envolve também outras demandas, como dores agudas, perda da sensação de frio e calor, ausência permanente da capacidade de transpiração, espasmos, queda de pressão e tudo isso eu tenho de sobra. Minhas pernas esfriam e não esquentam mais, a ponto de eu sentir dor neuropática, outro demanda da tetraplegia) eu recuperei um pouco dos movimentos das mãos. Mas, mesmo com letra feia, não consigo escrever mais que duas linhas. Tenho espasmos nos dedos e a caneta cai da minha mão. No final da primeira linha já estou tremendo.

Acabei me apegando fortemente a esporte, tanto pra me reabilitar quanto pra buscar uma nova profissão. Ainda não sou profissional. Mas, como em qualquer profissão, que você precisa estudar, se empenhar,  se especializar, tentar e tentar, procurar um emprego, começar de baixo e ir devagarzinho subindo os degraus, eu estou tentando. Comecei do zero. Do nada! Estou tentando, estudando, começando de baixo, devagarzinho, tentando subir os degraus.

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Passei muitos percalços no esporte, tentei daqui, tentei dali…Mas agora, graças ao presente dos meus amigos – a handbike – eu to fazendo o que eu queria e mais amo: correr. E estou tentando trilhar um caminho novo. Sozinha está difícil, de vez em quando eu levo uns sustos, mas prefiro esses sustos do que não fazer esporte nenhum!

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Meu equilíbrio de tronco não é aquelas belezas, mas já melhorou muito, com relação ao que era no começo! Ainda tenho o corpo todo bagunçado de temperaturas. Tem dias que coloco  a mão em mim e canto a “Dança da manivela”, dizendo que aqui ta quente, aqui ta frio, muito quente, ta frio. Tem dias que to com calor no tronco e pescoço e dor neuropática porque as pernas estão geladas (como por exemplo, agora!).

Mas por dentro sou a mesma pessoa de antes, que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música e berrar a letra a plenos pulIMG-20140915-WA0077mões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

dani1Ah, eu não deixei a vaidade de lado nem no hospital! E preciso agradecer minhas amigas que me supriam com maquiagem, shampoos…rsrs Eu sempre me maquiava, até pra ficar em casa. Hoje continuo com uma das minhas marcas registradas: lápis preto nos olhos.

No começo manter a vaidade foi bem difícil. Devido à anestesia da cirurgia e muitas medicações, perdi quase 80% do cabelo e minha pele ficou lotada de espinhas.
Agora, meu cabelo está crescendo. Os fios novos estão quase nos ombros. Mas misturados com os fios antigos, meu cabelo ainda tá estranho rsrs Mas nem por isso eu deixo de arrumá-lo pra sair. Passei milhões de cremes nas espinhas, fiz algumas sessões com uma amiga especialista em laser e Led, e agora meu rosto está mais limpo.

natação

Meu corpo é outro. Minhas pernas grossas e musculosas já não são as mesmas faz tempo. E agora, além de finas, uma é mais fina que a outra.Minha barriga sarada foi trocada pela famosa “barriga de tetra (tetraplégica)”, flácida devido à falta de contração muscular, principalmente no abd inferior. Tive que aceitar meu corpo novo. Claro que sinto falta do corpo antigo, mas não adianta viver de passado. Tento me arrumar e ficar bonita o máximo que eu posso.
Gosto de estar sempre cheirosa. Continuo usando anti rugas, porque to com os pés e as rodinhas nos 30 (acabei de fazer 29). Não é porque estou na cadeira de rodas que vou ficar por aí desleixada.

Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo!
Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

IMG-20140216-WA0002Depois que vc vê a morte de perto, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

485462_886413038036050_5727372151154729224_nCom certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma. Vi a morte de perto e Deus me deu outra chance. Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

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Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente.20140907_111440

Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Que vc trabalhar e voltar pra casa e ter uma vida vazia só por dinheiro não vale a pena.
Tem gente que tem um relacionamento e só ta com a pessoa de corpo presente. Chega do trabalho, deita na cama e dorme. Não faz nada junto, não passa tempo de qualidade, não para pra beber uma taça de vinho e conversar, ou pra dividir uma panela de brigadeiro sentados na cama enquanto assistem um filme.

costas

Tem gente que só dá valor pros avós depois que os perdem.
Tem gente que tem filho, mas não cria o filho, não brinca junto, não se diverte junto, não sai pra andar de bicicleta, não lê uma história pra criança, não cria lembranças com a criança.

10678686_879401312070556_2912020854838005937_nTem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

 

buenos aires

15
out

3

Exercício para membros superiores – parte 2 – facilitar as transferências

Oi geeeente!!! Promessa é dívida e eu vim postar um novo exercício.

Recebi muitas mensagens do pessoal cadeirudo que está começando a se exercitar, ou querendo sair do sedentarismo (eeeeeeeeeeee!!!!!!!!). Recebi mensagem até de alguns que se acidentaram há pouco tempo e não sabem por onde começar.

Já postei alguns exercícios aqui, mas esse é dos mais importantes! Transferir-se é ter mais independência! E se você não consegue fazer sozinho, precisa ajudar quem te ajuda!

Pra isso, precisamos fortalecer nossos tríceps! “ôôô tia Daneeeeeeeeeee, eu tenho lesão alta e meus tríceps não respondem.”    Então, se você não estimular, eles vão continuar a não responder! O estímulo é tudo!

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Se você ainda vai começar a estimular esse músculo, você pode começar a exercitá-lo na sua própria cadeira! Eu também usava uma poltrona com braços firmes (nada de sofá, porque é mole demais e você vai perder o equilíbrio).

 

 

 

Depois que você adquirir um pouco de equilíbrio e força, dá pra fazer como no vídeo. Meus pés estão num apoio um pouco instável e eu estou num banco baixo.

20141008_131813tríceps no banco20141006_183915

 

 

Vaaaaaaii gente!! Bóra treinar esse bracinhos!!!rsrs  bjsss

08
maio

6

Wings for Life World Run

Gente, imagino que vocês estivessem loucos pra saber os detalhes da corrida e eu fiquei enrolando pra escrever! Na verdade, é tão difícil sintetizar tudo, mas eu vou tentar!

Primeiro, vou explicar o que é a Wings For Life World Run. Essa é uma corrida mundial, quando atletas de 34 países correm simultaneamente ao redor do mundo. Ela não tem linha de chegada. Na verdade, a linha de chegada persegue você (através de um carro que é o “tapete” que bem conhecemos). O percurso tem 100km, e você corre até esse carro ( que saiu 30min após a largada e anda a 30km/h)  te alcançar. Depois disso, a organização te leva até a arena, onde há as tendas de assessorias, banheiros, lanche, massagem. 100% de tudo o que foi gerado no evento vai ser revertido para a Fundação Wings for Life, que financia a pesquisa para a cura das lesões de medula. Esse foi o primeiro ano da corrida no Brasil e aconteceu em Florianópolis.

No sábado, como é de costume em qualquer corrida, fomos retirar os kits. O local da arena era lindo e quando chegamos, não havia fila.

20140503_145856Nessa viagem, fomos em 3 amigos: Fernanda Balster, Paulo Cesar e eu. Depois de pegarmos nossas sacolinhas e tiramos algumas fotos, um cadeirante veio nos chamar pra  “trocarmos uma ideia sobre a prova”. Quem era? Jaciel Paulino, tetracampeão da Sao Silvestre. Ele precisava trocar ideia conosco, reles cadeirantes mortais? Não! Ele é o melhor! Mas em toda sua humildade, veio nos convidar. Fizemos um grupinho, conversamos sobre a prova, demos risada.Depois, o trio parada dura (Fer, Paulo e eu) fomos almojantar, porque ainda não tinha dado tempo de fazer isso.

20140504_065953Nem preciso falar que eu não dormi, né?! Adrenalina pura, doida pra amanhecer o dia! Amanheceu e…Vento! E todo mundo sabe que vento e Danielle são duas coisas inversamente proporcionais. Antes de começar a prova eu parecia um urubuzão, toda de preto, cheia de blusas e casacos. Foi dada a largada do pessoal que anda e nós tínhamos que esperar 1hora pela largada dos cadeirudos. Aí, foi só festa! Fotos, risadas, zoeira, quem não se conhecia foi virando amigo…foi uma delícia! E eu já estava sem blusa de frio, no vento, arrepiando os pelos dos braços e com o meu bichinho do “ham ham”.

Explicaram que, no nosso caso, o carro não nos perseguiria. Nós iríamos atrás dele. Assim que o primeiro cadeirudo alcançasse o carro, esse parava, todos nós daríamos a volta nele e voltaríamos pra largada (nossa linha de chegada). Todo mundo gritando “corre Jaciel”, pra ele parar o carro e nós não precisarmos morrer em 20km ou mais!

10170957_619183888173207_3797536220335781796_nPediram pra nos posicionarmos em frente à largada! Que sensação maravilhosa! Veio a busina e todos nós saímos juntos! Depois de passarmos pelos fotógrafos, já era. Jaciel distanciou de todo mundo, na caça ao carro. Logo, Fernando Fernandes, que também usava uma cadeira esportiva de alto rendimento, abriu. Paulo e mais um moço também abriram. O resto da galera foi indo num ritmo meio parecido.

20140504_091617Vou confessar uma coisa feia! Mas engraçada. As meninas que me perdoem, por favor! Mas dei uma olhada nos braços delas e disse pra Fer : “Não sei se elas treinam. Elas que não vão chegar na minha frente.” Se a Aline Rocha tivesse ido, eu nem iria me esforçar tanto. Mas já que ela não foi…rs

O percurso não foi muito fácil, pois o asfalto era bem em U e não tínhamos onde andar direito pra cadeira não bater no meio fio. Era aquele sufoco de tocar a cadeira com uma mão e segurá-la com a outra. Nem no meio da rua dava pra acelerar muito. A maioria da galera passou a prova inteira costurando a rua, procurando os locais com menos desnível.

O mais legal era, quando eu passava pelos meninos, ouvir: “Ta forte, hein menina” ou “me espera”.  Sinal de que os treinos dão mesmo resultado! Musculação, tocar a cadeira na rua, tudo isso é essencial. Fui mesmo passando por alguns meninos. As meninas, eu nem via mais…

Quando eu estava feliz e contente, adivinhem! Lá vem o Jaciel voltando! Mas já??

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Um pouco atrás dele veio o Fernando. E mais atrás um pouco, o Paulo, que era o terceiro colocado na prova e o primeiro que estava correndo com a cadeira do dia a dia.

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Eu passei um pouco de frio na ida. E dei uma fervida na volta, porque não transpiro. E essa de “toca a cadeira com uma mão e segura com a outra” destrói os braços. Lembrei que depois da Meia Maratona da Corpore, eu não conseguia levantar os braços nem pra lavar os cabelos.

A Fer foi comigo a prova inteira, conversando, tirando fotos, pegando água…

Aí, quando eu menos esperava, lá estava a linha de chegada. Mesmo com o desnível do asfalto, tentei dar um sprint final. Só tentei! Aí, passei pela faixa, todo mundo gritou e a moça falou no microfone que eu tinha ficado em primeiro lugar. Desci do salto, gritei, coloquei a mãozinha no joelho e fiz um passinho de funk (não me julguem).

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Cada um que chegava era a maior festa! Depois veio a premiação e as fotos finais. E aquela sensação de dever cumprido! De ter ido, de ter participado dessa causa tão importante pra nós, de ter dado meu máximo, de ficar feliz em ver cada um, uns que nunca tinham corrido, ali se superando.

Fomos pra arena e eu segurando meu troféuzinho como se fosse ouro. Na verdade, pra todos nós, lesados medulares, aqueles troféus (o meu, o do Jaciel, do César Miguel e da Ana Lídia) valem ouro mesmo. São o primeiro passo que o Brasil deu, no apoio à luta pela cura da lesão medular.(Brasil não é o governo, viu gente! São as empresas que ajudaram, os atletas envolvidos na organização e participação, etc)

Camera

Meu troféu não é só meu. É de todos nós, cadeirantes, que todo dia nos esforçamos pra melhorar, nem que seja um pouquinho, em todos os aspectos da nossa vida e que buscamos, incansavelmente, a cura. Trazer essa prova pro Brasil é trazer essas pesquisas pra mais perto de nós.

Meu apelo, pra variar, é que todos os cadeirantes pratiquem uma atividade física e agreguem  saúde e qualidade de vida nos seus dias. E peço que, ano que vem, estejam correndo conosco (vocês tem um ano pra se preparar). Peço também pra que mais atletas andantes participem dessa prova tão importante pra nós.

Porque não vamos parar de correr, até encontrar a cura!

 

PS -Todas as fotos do evento vocês encontrarão já já na fan page do Blog, no Facebook. É só digitar “Blog Dani Nobile” na busca.

24
mar

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Os quês e porquês

Sabadão eu completei 1 ano e 5 meses de lesão. E estava me preparando pra falar sobre isso, com um poeminha especial pra dor, que eu criei pra ver se ela tem dó de mim e vai embora ( :p ), e com um texto que um amigo cadeirudo compartilhou no nosso grupo.

Porém, ontem à noite, uma polêmica, sobre a recuperação do lesado medular, foi levantada. Foi ao ar uma reportagem sobre a Laís Souza, atleta brasileira que sofreu uma grave lesão na medula.

Imediatamente fomos todos para o Facebook  e demais redes sociais, expressar nossas opiniões a respeito. Algumas, inclusive a minha opinião (não precisam concordar, porque é minha!rs), compartilharei aqui. Não citarei nomes completos dos amigos, pois não pedi autorização à eles.

superimagem-megacurioso-787462688005967241Escrevi sim, e uma amiga também escreveu, que sentimos inveja da Laís, por poder receber células tronco logo no início da lesão medular. Isso pode ser decisivo nos resultados do tratamento. Vejam bem, PODE! Não quer dizer que será. Isso porque os resultados do tratamento com células tronco ainda não foram comprovados. Como bem disse uma amiga, a reportagem só serve para encher nossa cabeça com “e se”. Sim, e seu eu tivesse tido a oportunidade de receber as células tronco logo no início do tratamento? Seria um ratinho de laboratório, sim, uma cobaia nos estudos. Mas será que eu não estaria melhor? No meu caso, estar melhor não significa necessariamente estar andando. Eu penso, será que eu já conseguiria abrir garrafas de água mineral? Será que a cebola, a carne e a faca não escapariam da minha mão quando eu vou cozinhar e os pedaços não ficariam tão grandes? Será que eu não sentiria tanta dor, todo santo dia, e não precisaria de tantos remédios pra suportar? Será que minhas pernas não seriam tão geladas? E quais seriam os efeitos colaterais do uso de células tronco, a longo prazo? Eles existem? É…um montão de “e se”….

Enquanto isso, Laís recebe tratamento de ponta, com todos os recursos e oportunidades que todos nós desejamos ter recebido no início da lesão (e sonhamos até hoje, por que não?). E não está gastando nada por isso! Mesmo porque, com salário de atleta no Brasil, ela não conseguiria custear o próprio tratamento. E, apesar de ter sofrido o acidente quando estava a serviço do Comitê Olímpico, em treinamento pras Olimpíadas de Inverno, o governo faz vaquinha pra que nós paguemos o tratamento dela. Fala sério? É isso mesmo?

coluna vertebral 61Ontem, Laís deu entrevista e, quando perguntaram à ela “E se a sua recuperação não for como você sonha?”, ela fez cara de pavor e disse que tem medo. Dá medo mesmo, dá pavor mesmo. Mas ela podia ter dado um sorriso e dizer que vai participar de esportes paralímpicos. (Gente, essa é a minha opinião). Quando eu estava com o mesmo tempo de lesão que ela está hoje, eu já tinha o plano A (voltar a andar) e o plano B (caso andar não rolasse, como ainda não rolou). Será que não está faltando alguém sentar com ela e conversar francamente sobre as possibilidades?

A Cris (só vou usar essa parte do nome), disse algo muito legal na nossa discussão: “… eu imaginei que a emissora iria prestar esse desserviço a nós, e fazer milhares de lesionados medular irem dormir com a sensação de “e se”. Ao invés de mostrar a nossa realidade, de que há vida após uma lesão, pow vc mesmo acabou de passar por tudo isso e está aí, recuperou acima das expectativas e está vivendo. Pq não mostrar isso? Mas escolhem sempre mostrar como se uma pessoa com lesão está condenada, e se não for 100% curada será infeliz. Isso me incomoda, pq não ajuda em nada. (…) Com tratamento ultra mega blaster avançado ou não a verdade é uma só. Laís (assim como qualquer um de nós) só volta andar se acontecer um milagre. É uma dura realidade? Sim, é. Mas eu considero melhor viver com fé e ir se virando como dá, do que viver iludido se frustrando a cada tentativa fracassada. Bóra tocar a cadeira e pronto. rsrs”

Aparentemente, os médico só falam pra Laís sobre o tratamento (Não sei, não to lá pra ver. Mas é o que parece!). Mas alguém contou pra ela sobre Fernando Fernandes, Tabata Contri, Carla Maia, Edênia Garcia, Jairo Marques, Carolina Ignarra, Cris Côrrea, Billy Saga, Marcelo Yuka, Mara Gabrili, e tantos outros cadeirantes famosos em suas áreas de atuação, seja no esporte, no trabalho, na música? Alguém? Alguém contou pra ela que existe muita vida, amor, amizade, sexo, casamento, filhos, carreira, esporte, lazer e muito mais, mesmo estando na cadeira de rodas?

Há 10 anos atrás, meus amigos que sofreram com lesão medular, paralisia, mielo e tudo o mais, não tinham a internet à disposição, com tantas informações e tanta gente pra conhecer e com quem aprender. Mas hoje tem, né?!

Eu entendo que cada um tem seu tempo de aceitação. Realmente não é fácil. Tem dias que dá vontade de jogar a cadeira na parede e sair correndo (acho que já falei isso antes). Mas quando não enxergamos sozinhos as possibilidades, talvez precisemos de ajuda pra que isso aconteça.

Torço, do fundo do coração pra que o tratamento da Laís seja o mais eficaz possível. Mesmo porque isso abriria portas pra mim e pra tantos outros que desejam voltar a andar e buscam meios pra isso. Porém, se  não acontecer, vem pra cá, Laís! Como bem disse um amigo cheio de razão, tem um bando de quebrados malacabados, prontinhos pra te ajudar e te ensinar a viver feliz e saudável sobre rodas!