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jan

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4 anos de lesão e Retrospectiva 2016

Esse deveria ter sido o último post de 2016, mas virou o primeiro de 2017.

Quem me acompanha faz tempo sabe que, todo ano, no meu aniversário de lesão, eu faço um post grandão falando sobre o acidente e sobre os aprendizados e conquistas do ano, relacionados especificamente à fisioterapia e ao lado emocional.

Aí, esse ano, todo mundo esperou, mas não teve post. Muita gente perguntou o motivo e dei aquela escorregada, feito bagre ensaboado, e não respondia. Mas hoje, decidi contar tudim procêis.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu sempre foco no que eu ganhei. Seja algum movimento quase invisível da mão, seja alguma coisa que melhorou no tronco, seja no campo da amizade, da família, do esporte. Mas eu sempre vejo o copo cheio, e foco no que eu ganhei ou no que eu mantive. Porém, esse ano, com aquela maravilhosa novidade do facebook  “Suas lembranças”, eu fiquei o mês de outubro inteirinho sendo lembrada do que eu perdi. Só recebia foto de corrida, de treino de corrida, de mais corrida e mais e mais… até a última delas, dois dias antes do acidente.

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75 Bertioga-Maresias. 2 dias antes do acidente.

Aí, não teve jeito. Toda a minha fortaleza desabou! Muito se engana quem pensa que eu sou feliz 100% , que não tenho problemas, dores ou tristezas. Mas, eu sempre tentei focar nas coisas boas e não me permitia chorar ou sofrer  mais do que um ou dois dias. Esse ano, eu já comecei a chorar no fim de setembro, quando começaram a aparecer as fotos das reuniões pra Bertioga-Maresias, minha última prova em pé. Por sorte, eu estava na casa do boy e ele me ajudou a não pensar muito.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu viajo pra comemorar. E geralmente eu faço alguma prova, de corrida com a handbike ou de triathlon. Esse ano, eu não tinha nenhuma. Nem dinheiro pra viajar muito longe. Pedi ao boy pra ir pra Ribeirão ficar comigo. E ele teve que me aguentar chorando do dia 20 ao dia 22. Mas eu não quis ficar sozinha. E ainda bem que não fiquei!

Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.
Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.

O que eu aprendi com tudo isso? Aquilo que eu já falo sempre, desde os primeiros dias de acidente. Falo inclusive nas minhas palestras. Tristeza e depressão não resolvem problema. Só pioram! Eu me permito chorar e sofrer, tanto pelo acidente, pelo fato de não andar mais, ou pelas minhas dores. Faz parte da vida nos sentirmos tristes. E segurar a lágrima, não botar sua tristeza pra fora, vai fazer mal pra você! Mas não deixo isso se arrastar por muitos dias. Nem fico o dia inteiro me descabelando. Chorava, conversava com ele, e a gente ia fazer outra coisa pra distrair minha cabeça. Sim, mantenha-se ocupado! Não tem aquele ditado “cabeça vazia oficina do diabo”? É exatamente isso! Se você ficar ocupado, fazendo e falando sobre outras coisas, a razão do seu problema não vai ficar incomodando o dia inteiro. E pensamentos negativos causam doenças físicas! Outra coisa é: peça ajuda. Eu falei pro boy que não ia dar conta de ficar em casa sozinha na data. E lá foi ele ficar comigo. Não é feio assumir alguma fraqueza sua e pedir ajuda. É melhor pra você, que terá alguém pra dividir sua carga. E a pessoa que te ajudar (mas tem que ser alguém que se importe com você de verdade) vai se sentir feliz por poder te ajudar a aliviar a tristeza, nem que seja segurando sua mão e te ouvindo.

“Aaaah, Dani, então seu ano de 2016 foi terrível. Você só chorou”. Té parece, meu bem! Esse ano, o aniversário de lesão foi mais pesado do que eu esperava, mas teve um tantão de coisa boa pra compensar.

Em março, eu realizei um grande sonho, que era conhecer os Estados Unidos. Eu dei aula de inglês 10 anos e nunca tinha ido pra lá. Como em março eu tinha o Panamericano de Paratriathlon, fui de mala e cuia. Pude ver a neve no Central Park, em New York, antes da prova, e pude ver o Mickey, na Disney, depois da prova. E também experimentar aquelas comidas que a gente vê os americanos comendo de café da manhã nos filmes. Coisa de gordinha…

Central Park - NY
Central Park – NY

 

Disney Magic Kingdom
Disney Magic Kingdom

 

 

Fui a primeira brasileira cadeirante a participar de uma prova de triathlon internacionall. E por que eu não fiz post sobre ela? Porque eu passei vergonha na água, meu bem! Eu nunca tinha usado uma roupa de borracha. Como meus pulmões foram comprimidos no acidente, eu tenho uma certa dificuldade pra respirar. Aí aquele trem me apertou dum tanto, que eu apavorei e deixei todo mundo apavorado. Inclusive o boy, que foi comigo em uma prova pela primeira vez. Mas, eu consegui me acalmar na metade do percurso, tirei o atraso na água, mas já tava esbaforida! Ainda não sabia mexer na hand nova, nem na cadeira, pois tinha pego as duas apenas 4 dias antes. Aí, fiz uma cagada atrás da outra.  E a verdade é que eu fiquei me punindo por isso. Fiquei meses ensaiando posts na minha cabeça, pra contar pra vocês, mas eu me punia muito pelo meu medo. E não tive coragem de compartilhar aqui. Bobeira da minha parte? Talvez. Mas eu levei bastante tempo pra aceitar meus erros na prova, que me levaram a ficar em 4º lugar na prova, 6 minutos atrás da terceira. Vendo o copo cheio? Escrevi meu nome na história do triathlon brasileiro. Fui a primeira no Panamericano e a primeira numa prova internacional. Isso ninguém me tira, né?!

Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Panamericano de Paratriahtlon - Flórida
Panamericano de Paratriahtlon – Flórida

Aaaahh, e teve o boy! Ficamos amigos por 6 meses, nos falando por telefone todo santo dia. Não foi amor à primeira vista da parte de nenhum dos dois. Mas na viagem, com a convivência, nos apaixonamos. Sou muito grata por ter alguém do meu lado que soube respeitar minha escolha no esporte e quis fazer parte disso. Ele é meu handler em todas as provas, me apoia, me acalma. E enfia todas as minhas tralhas, aquele mundaréu de roda no carro, e me leva pra treinar na rua. Sem ele eu não teria melhorado tantos meus tempos nesse ano. Fora que encontrei um companheiro pra todos os momentos da vida. Menos pra dieta! Aquele ali nasceu virado pra lua! Come, come e não engorda nunca. Mas, terei que aprender a conviver com isso pro resto da vida. Em 2017 diremos o SIM e trocaremos as alianças de mão!

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21k Golden Run RJ
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Wings For Life World Run – Brasília
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon - Caraguatatuba
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon – Caraguatatuba

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia do pedido de noivado
Dia do pedido de noivado

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto ao esporte, só posso reclamar de não ter conseguido mais patrocínios pra participar de mais provas. Foi um ano muito gostoso! Eu fiz minha primeira maratona. Depois de tantos anos esperando, finalmente pude gritar que sou maratonista. Foi igual? Não! Foi de handbike? Sim. Mas o importante é que eu consegui tirar isso da minha cabeça. E não satisfeita, eu fiz duas! Fiz a Maratona de Porto Alegre, em junho, e a Asics City Marathon, em julho. E deu pódio nas duas!

Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.
Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.

Também fui a primeira a participar do Challenge Florianópolis e fomos super bem recebidos pelo pessoal da organização. Ali, pude enfrentar meu medo do mar agitado, e consegui sair da água na frente de muita gente que anda! E fui Bicampeã Brasileira de Paratriathlon.

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Outra coisa incrível foi o UB515. Formamos a equipe TriFeliz, onde o atleta Reinaldo Tubarão carregou deficientes na prova. Ele puxou Mara Gabrilli na natação, por 10km. Depois carregou a mim  na bicicleta, durante 2 dias de percurso. E no último dia,  Lipe Magela e Jonatan Silva e eu nos revezamos ao sermos empurrados na distância de 2 maratonas. Escrevemos nossos nomes também na história do Ultraman, junto com toda a equipe de apoio.

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Junto com outras mulheres maravilhosas, fui homenageada por Gabi Manssur em sua palestra no TEDx, sobre o empoderamento da mulher através da corrida.

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E teve palestra! Eita que eu gosto pouco de falar, né?! E quando pego no microfone, não quero soltar mais. Gosto mais de ficar ali batendo papo do que de cantar no karaokê! rsrs  Conheci pessoas maravilhosas, tantos entre os que me assistiram, como entre os que me contrataram. É sempre enriquecedor. Eu adoro quando as pessoas vem me cumprimentar no final da palestra e dividem um pouquinho da história delas comigo. Sempre aprendo. E esse ano teve até fila pra me abraçar, em Franca! Como retribuir esse carinho?

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Dei entrevista pro rádio, pra tv. Fui capa de revista. Posei pras fotos de modelete…

“E a fisio, dona Danielle? Não teve fisio?”  Teve sim! Além dos profissionais de Ribeirão que já me atendiam, como o boy é de Porto Alegre e eu vivo no ir e vir, pude conhecer a Mel e sua equipe maravilhosa. Foi desafiador! Esses dias estávamos lembrando como eu chorei no primeiro dia, de medo de ir de cara no chão com os exercícios propostos. E hoje eu faço os mesmos exercícios com menos dificuldade (e menos medo). Aprendi a conhecer meus limites. Nem sempre é fácil encararmos nossos limites de frente e assumirmos que isso a gente não consegue fazer. Pior ainda é quando você acha que consegue e descobre que não consegue. E eu me deparei com isso várias vezes durante esse ano. Não foi fácil. Eu voltei de lá várias vezes frustrada, por ver como meu corpo está e como às vezes ele não responde. Mas, eu tento não ficar pensando só nisso. Tento não ficar pensando só no que eu não consigo fazer ainda. Tento sempre pensar que “isso eu não conseguia e agora já consigo um pouquinho”.

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Verdade seja dita, há 4 anos (e 2 meses) atrás, eu pensava que em 1 ano estaria andando e em 1 ano e meio já estaria correndo. E ainda to aqui, 4 anos depois, tendo a cadeira de rodas como minha fiel escudeira. Todo mundo ri quando eu to sentada no chão e peço pra alguém trazer minhas pernas. É isso que a cadeira é, uma substituição das minhas pernas pra me locomover. Amo? Não. Odeio? Também não. Encaro como algo necessário, mas que me permitiu sair da cama e continuar vivendo e sendo feliz. Já imaginou se não tivessem inventado a cadeira de rodas e eu precisasse passar o resto da vida na cama? Socorro! Um beijo pra quem inventou a cadeira! (falando nisso, não sei quem foi. Preciso dar um google).

4 anos depois, minha ideia de vida continua a mesma. Quem me lê desde sempre deve lembrar, porque eu bato sempre na mesma tecla. O plano A é e sempre será voltar a andar. Ta levando muito mais tempo do que eu imaginava. Há uns 2 anos atrás eu escrevi que tentar voltar a andar tinha deixado de ser a maratona da minha vida, e virado uma ultra. Esse ano percebo que fazer o plano A tornar-se realidade vai ser a maior Ultra já corrida na história! Dói. Cansa. Eu paro pra pegar água. O tênis desamarra. Eu paro pra desamarrar. Diminuo o ritmo na subida. Tento aproveitar o embalo da descida, mas sem descabelar, pra não sobrecarregar o joelho. Descanso quando to cansada. Diminuo e aumento meu pace, de acordo com o sol, a chuva, o vento. Troco a música. Tomo mais um gel. Jogo água na cabeça. Às vezes luto pra não quebrar. Eu só não paro. Não vou parar nunca. Tenho certeza de que vai ser a linha de chegada mais linda da minha vida! Enquanto isso, eu aproveito todas as outras linhas de chegada do meu plano B, que é ser uma grande atleta. Mas em qualquer um dos planos, eu foco em ser feliz. Em aproveitar todos os momentos de felicidade. E sorrir. Sorrir sempre! É isso que importa.

 

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out

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3 anos de vida!!!

Eu queria achar outra música pra começar esse post, mas vou ter que usar a mesma do post de um ano atrás:

“É hooojeee o diiiiaaaaaaa, daaaa aaaaleegriiiaaaaaa”

Sim, hoje completo 3 anos de vida, de vida nova, da minha chance de recomeçar, de me reinventar!

Pra quem é novo por aqui:

Eu era assim
Eu era assim
UTI -  Outubro/2012
Aí eu fiquei assim
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Agora eu sou assim!

Se eu disser pra vocês que foi tudo lindo, maravilhoso, perfeito, estarei mentindo! O começo, a adaptação à nova realidade, é muito difícil pra todo mundo. Tanto pra quem vai pra cadeira, quanto pra família.

No entanto, como eu sempre digo desde o início, eu escolhi viver e não só sobreviver. Eu simplesmente não quis ver a minha vida passar pela janela. Eu quis vivê-la!

Hoje, farei aqui confissões que nunca fiz a ninguém, além de Deus.

De quando sofri o acidente, e até hoje, meu m12036890_1085906698086682_5735296305632359685_naior sonho é voltar a andar, pra poder voltar a correr. Foi isso que me moveu e é isso que me move a cada dia. Estar ali nas provas, enquanto todo mundo corre, enquanto eu ouço as passadas dos outros corredores no asfalto, e eu me movo com os braços, não é fácil. Mas eu prefiro isso, do que não estar mais ali!

Quando mexi meu pé direito pela primeira vez, não escondi de ninguém. Eu estava com apenas 13 dias de acidente Foi uma mexida mínima, quase invisível, mas que me encheu de ânimo! E ali, naquela hora, pensei “Daqui um ano já estarei correndo de novo”.  Quando eu fiquei em pé pela primeira vez, sem precisar da órtese, mesmo que apoiada e apenas por 5 segundos, pensei “Daqui uns 6 meses eu estarei correndo de novo”. 3 anos se passaram e eu ainda estou aqui, na cadeira de rodas e sem correr. A perna direita responde a alguns movimentos, sem muita amplitude. Mas uma perna, um pouco fraca, não é suficiente pra andar. Eu preciso das duas. E a esquerda tá com preguiça de trabalhar hoje. Ela entrega atestado médico diariamente, já faz 3 anos! Tenho tentado fortalecer meu tronco. Pra frente e pra trás ta melhor. Mas pros lados, eu ainda pareço o João do Posto. E eu preciso do core todinho, pra poder andar. 12122410_1091699610840724_6946487073752616231_n

Então, há um tempo atrás, eu pensava que hoje, já estaria andando e correndo de novo. Mas não estou! Isso mostra que a paciência que eu tive que aprender a desenvolver nesse tempo, ainda não é suficiente. Eu tenho que ser ainda mais paciente!

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Também me ensinou que não dá pra ter tudo na vida e nós temos que ser felizes com o que temos. Se eu sou feliz? Muito! E que convive comigo sabe disso! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!” Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física (apesar de odiar minha barriga de tetra e minhas pernas moles, e uma mais grossa que a outra) e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

Eu enxergo muito mais os meus defeitos, e também levo alguns puxões de orelhas às vezes, sobre coisas que eu preciso melhorar. Mas eu tento sorrir mais pra vida! Mais do que eu já sorria! Meu apelido na época de corrida era Dani Sorriso. Engraçado é ver algumas pessoas hoje, novas na minha vida, me chamando da mesma forma, sem saber de nada do que aconteceu antes (vida pré-cadeira fica esquisito, né?!).

Eu costumo dizer que tristeza e depressão não resolvem problemas. Então, eu me permito ficar triste sim! Faz parte da vida. Mas não deixo que isso tome muito meu tempo, ou pior, que roube o meu tempo de outras coisas!

11902326_1095673897126547_3336178662199218584_nO fato de não andar não impediu que eu corresse atrás de alguns sonhos. Um deles foi, finalmente, entrar pro triathlon. E como triathlon é esporte de louco, eu entrei e fiquei e ninguém mais me tira de lá!hahahaha Foi a mesma coisa completar a prova de triathlon do que seria quando eu planejava completar andando? Não, não foi! Mas eu quis fazer, mesmo que fosse tudo diferente. E talvez tenha sido melhor, porque eu fiquei muito tempo esperando e pude curtir cada minutinho. E também, tinha muito mais gente torcendo pra eu conseguir, pelo menos, completar!hahaha

Foto para a Campanha Outubro Rosa desse ano
Foto para a Campanha Outubro Rosa desse ano

Uma das grandes frustrações da minha vida é não ter completado uma maratona com as pernas. Planejo fazer uma com a handbike? Mas é claro! Ia fazer esse ano, mas não tenho mais onde enfiar prova! A não ser que alguém saiba de alguma Maratona de Natal (se alguém souber, me avisa!). Num dos meus grupos de whatsapp, estamos eu e mais dois disputando pra ver quem chega vivo no final do ano, de tanta prova! Então, acho que a maratona com a hand vai ficar pro ano que vem. Mas, vai ser igual, fazer com a handbike do que seria com as pernas? Claro que não! Óbvio que não! O triathlon não foi e a maratona vai ser menos parecida ainda! Isso não quer dizer que não vou fazê-la. E também não quer dizer que eu viva sem esperanças. No dia do IronMan, postaram uma velhinha, de 89 anos que completou uma maratona. Eu olhei a foto e pensei “Nem que eu tiver 89 anos, eu vou completar uma maratona ‘andando’ “(pq eu quero é completar correndo, né?!).

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E eu não desisti de buscar, caçar e perseguir meus outros sonhos.  Um deles é a handbike nova (se Deus quiser, vamos conseguir. Se você quer me ajudar, clica aqui http://www.kickante.com.br/campanhas/vem-com-dani-0 ) .  Outro é ter um carro, pra não depender de mais ninguém pra levar handbike, cadeira de atletismo, cadeira de rodas e eu, pras provas! Mas, tive que aprender que é uma coisa de cada vez. E como eu disse pra uma amiga hoje, nem tudo é nada hora que a gente quer! Tudo tem a hora certo, o tempo certo. Não o nosso tempo, mas o de Deus!

Eu ainda continuo com o mesmo pensamento sobre o tipo de vida que eu quero ter. Porque tem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez. E nesses 3 anos, eu comecei a costurar a minha. Furei o dedo várias vezes, tive que trocar a linha várias vezes. Coloquei uns retalhos lá na barra, porque não quero olhar pra eles todos os dias. Mas não posso esquecer que eles existiram e olhar pra eles me faz lembrar o que aprendi. Mas o meinho da minha colcha, aquela parte que a gente olha todo dia quando vai deitar…aahh, esse ta coloridinho, cheeeeeio de pedacinhos vibrantes, bem vivos e alegres, do jeito que eu gosto! Do jeito que tem que ser!

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22
abr

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2 anos e meio

Já passa da meia noite, então já posso dizer: “Parabéns pra miiiimmmm”. Sim, já é dia 22. O dia mais lindo de todo mês, quando comemoro minha sobrevivência e minha decisão de que não iria ser só isso. Não, eu não ia só sobreviver. Eu escolhi viver!

E também faço questão de comemorar, mesmo já tendo ouvido que é um horror eu fazer isso.

Esse mês, talvez nem todo mundo entenda meu post.Não sei se foi essa coisa toda de “Boston feelings” que invadiu a nossa vida essa semana, mas eu so consigo voltar lá nos primórdios da ideia do meu primeiro post e pensar que eu já corri 30km. Sim, foram 30 meses, 30km da maratona da minha vida. 1km por mês.

 

UTI -  Outubro/2012
UTI – Outubro/2012

Todo mundo sabe que se você sai em disparada, vai faltar no final. Não é prova de 1000m. É maratona! E eu respeito essa senhora. Comecei confortável, ciente do que tava acontecendo. E à medida que os km avançavam, eu ia ficando mais contente, pois o corpo já estava aquecido. Sim, eu ia notando melhorar físicas.

Dezembro/2012
Dezembro/2012

E conforme eu avançava na prova, notava que o percurso ia mudando. Belas paisagens. Teve praia, teve montanha, teve cidade. Teve lugar cheinho de gente assistindo e aplaudindo, gritando, dando aquela força. Teve lugar escuro. Parecia que só tinha eu e mais ninguém ali.

Em alguns km eu cansei. Parecia que faltava ar e o sol tava castigando. Aí tinha meu staff com água geladinha.Em outros km a coisa fluiu, que até parecia prova de percurso plano, sem chuva e sem vento contra.

2013

2013

Então eu cheguei aqui, no km 30. Nesse momento da minha vida, to lutando pra não quebrar. Peguei mais um gel e to bebendo água. E jogando muita água na cabeça, porque ta um sol de rachar.

Calma, gente, eu não cansei. Apesar de que, vou contar pra vocês, tem horas que cansa. O vento contra, o sol castiga e, com o perdão do trocadinho, as pernas cansam. Sim, elas dóem. As panturrilhas ardem. E meu joelho…ah, esse joelho que dói desde a minha primeira prova! Eu to numa fase da reabilitação que “o corpo parou”. Quem ta de fora, meus amigos, meus médicos, dizem que conseguem notar melhoras sutis. Eu, só consigo pensar nas grandes que ainda não apareceram.

Aí, algumas coisas aconteceram. Andaram dizendo por aí que eu ando e to na cadeira porque quero. Na boa, se eu andasse, eu tava correndo com minhas pernocas por esse mundão afora. E como eu queria minhas pernas musculosas de volta. Quando eu ouvi e li isso, fiquei bem triste mesmo. Mas depois, eu pensei: “Cara, se até elas pensam que eu posso, é porque eu devo poder mesmo!” Então, isso foi mais um ânimo pra eu não desistir. A decisão que tomei? Procurar um parceiro pra correr comigo.

Chega uma hora, na maratona, que é bom você ter um parça pra seguir lado a lado. Se não for pra conversar, que seja só pra estar ali do teu lado, dando aquela força. Depois de 18km correndo nessa sozinha, decidi que eu vou voltar pra fisioterapia.  Não que eu esteja totalmente sozinha nesse tempo todo. Sempre tem alguém que passa por mim, corre uns metros, ou 1km. Mas agora to procurando e precisando de alguém pra correr do meu lado um pouco, pra direcionar meu caminho.

2014
2014

“Ah, Dani, mas se você já ta no 30, faltam só 12!”. Aí é que está o problema! Eu não to vendo a linha de chegada. Minha sorte é que, geralmente, nessa altura da prova, ninguém ta!hahahahaaha Mas eu não sei se a maratona da minha vida vai virar uma Ultra.

Tem horas que ela já foi corrida de aventura, pulando (sem pular kkkk) um monte de obstáculos. Também já foi corrida de montanha, subindo e descendo as pirambas, cheia de altos e baixos. Minha amiga Debs me levou pra Boston essa semana. Uma amiga minha, a Dri, fez a BR e me levou no coração. Quando eu acidentei, a Claudinha prometeu que seria minhas pernas e me levou pra Spartathlon. Com elas, e com todos os outros que me mandam mensagens antes e depois de provas, eu vou cada vez mais longe. Mas quantos km tem Minha Prova? Eu ainda não sei.

2015
2015

O que eu peço? Força nos pulmões (que ficaram fracos depois do acidente), que meu coração aguente (porque minha frequência já não sobe mais), que “minhas pernas” sejam fortes o suficiente pra aguentar todos os km que ainda estiverem por vir. E que meu staff esteja sempre ali, pra me dar água, frutas, gel, cápsulas de sal, gritos e empurrões…até prato de comida e puxão de orelha!rsrs

Quando eu não sei, mas eu prometo que te vejo na linha de chegada, da maratona da minha vida!

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