03
mar

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Alavancas: Vantagem mecânica na musculação

 

Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.

A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio (articulações).

A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.

A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).

A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.

O seu braço está do tamanho que você deseja?

Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.

Quanto peso você é capaz de erguer?

Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: “É preciso ficar forte para depois aumentar o peso”. Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira.

Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas.

Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.

Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico.

Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia.

Grande abraço.

"Alavancas: Vantagem mecânica na musculação </p>
<p>Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.</p>
<p>A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio      (articulações).</p>
<p>A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.</p>
<p>A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).</p>
<p>A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.</p>
<p>O seu braço está do tamanho que você deseja? </p>
<p>Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.</p>
<p>Quanto peso você é capaz de erguer?</p>
<p>Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: "É preciso ficar forte para depois aumentar o peso". Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.<br />
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira. </p>
<p>Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas. </p>
<p>Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.</p>
<p>Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico. </p>
<p>Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia. </p>
<p>Grande abraço."

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

28
jul

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Aeróbio antes ou após a Musculação? Por quê?

“Antes de adentrar na leitura abaixo quero destacar que outras direções de treinamento existem sobre o assunto”

spinning

No trabalho de Kang e colaboradores (Kang and Ratamess 2014), os autores pontuam que essa sequência pode inferir sobre a fadiga residual causada pelo treinamento prévio ao outro. A priori, a sessão realizada antes será a priorizada e isso depende dos objetivos do programa. O treinador pode escolhe qual vai priorizar, todavia alguns estudos tem indicado que cada sequência tem suas únicas vantagens que devem ser consideradas.

Antes de discutirmos, gostaríamos apenas de ressaltar apenas um detalhe muito importante. Sua pergunta foi sobre o treino aeróbio, certo? Todavia, na literatura o termo mais coerente seria treino de resistência. Esse predomínio metabólico do exercício (aeróbio ou anaeróbio) é determinado pela intensidade com que o exercício é feito (Lourenço, Tessuti et al. 2007). Aqui para nossa discussão vamos sim utilizar o termo treino aeróbio, mas isso fica implícito que estamos nos referindo a um exercício de baixa intensidade, tudo bem?

esteira

Fazer o aeróbio ANTES da musculação

Realizar o treino aeróbio antes da musculação pode servir como um bom aquecimento, melhorar seu desempenho nas atividades de resistência, mas pode comprometer seu rendimento no treino subsequente de musculação atenuando sua produção d força. A fadiga residual também pode comprometer a liberação do hormônio do crescimento (Goto, Higashiyama et al. 2005), prejudicando de forma aguda a resposta hipertrófica. Segundo os autores a redução no desempenho ocorre pelo fato de exercitar previamente os mesmos grupos musculares a serem usados na musculação. Todavia quando o exercício aeróbio for predominantemente para membro inferiores (corrida ou ciclismo), o desempenho em exercícios para membros superiores não é comprometido.

escadas na academia

Fazer o aeróbio APÓS a musculação

Fazer a musculação antes favorece os ganhos de força e potência muscular. O aeróbio após a musculação pode aumentar a oxidação de gorduras, sugerindo que essa sequência possa ser mais metabolicamente benéfica (Goto, Ishii et al. 2007). Todavia, um estudo recente apresentou uma informação muito importante para essa discussão. Esse comportamento benéfico quanto a maior oxidação de gorduras só foi observado quando a musculação também foi realizada em alta intensidade (Kang, Rashti et al. 2009), ou seja, preocupar-se somente com o treino aeróbio parece não ser o suficiente para redução da gordura corporal. Caso o treino de musculação não tenha uma intensidade adequada, essa vantagem metabólica não ocorrerá.

natação

O treino de resistência pode prejudicar o de musculação?

Algumas pesquisas apontam que a execução de treinos de resistência em conjunto com a musculação pode trazer interferências adaptativas. Esse fenômeno é denominado de treinamento concorrente (Hickson 1980). Todavia as evidências mais recentes não apontam para essa interferência caso o treinamento de resistência seja realizado com baixa intensidade e volume (Hakkinen, Alen et al. 2003). Muito pelo contrário, a execução da musculação com treinos de resistência de baixa intensidade potencializa sim o processo de emagrecimento sem prejudicar o ganho de massa muscular. O que é reportado na literatura é que a partir do momento que os treinos de resistência passam a ficar mais intensos e volumosos essa interferência pode se manifestar (Wilson, Marin et al. 2012)

musculação

Resumindo…

A resposta mais direta seria: para uma pessoa que quer emagrecer, realize o treino aeróbio sempre após a musculação, mas lembre-se de realizar a musculação sempre com alta intensidade, pois caso contrário a redução de gordura não será significativa, tudo bem?

Espero ter respondido e justificado a resposta!

 

Complementando um pouco mais a resposta…

Não podemos também deixar de ressaltar alguns pontos chave nessa questão levantada.

São eles:

1.O processo de emagrecimento não pode ser unicamente creditado a configuração de uma sessão de treino

A pergunta foi feita sobre a configuração de apenas uma sessão, mas sabemos que isso não é o suficiente. A redução na quantidade de gordura é uma adaptação morfológica ao treinamento que pode ser alcançada tanto através da execução tanto de treinos de força (musculação) como treinos de resistência na esteira, bicicleta, natação, ciclismo, etc. A musculação aumenta a massa muscular e portanto seu metabolismo basal. O treino de resistência aumenta diretamente a taxa de oxidação de ácidos graxos. Dessa forma ambos contribuem para o processo através de diferentes mecanismos.

2. Treinos de resistência predominantemente aeróbios não são os mais eficazes para o emagrecimento

A literatura mais atual destaca que os treinos intervalados de alta intensidade (com grande contribuição anaeróbia) são sim muito eficazes para o emagrecimento, se não melhores, que os predominantemente aeróbios. Exemplos de treinamentos intervalados são os estímulos de curta duração e alta intensidade, intercalados por períodos de pausa. Já os predominantemente aeróbios são os de baixa intensidade e longa duração como por exemplo uma caminhada.

3.Podemos emagrecer sem reduzir o peso (o correto seria massa) na balança

Nosso corpo pode ser dividido em 2 compartimentos. Temos a chamada massa de gordura e a massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea e demais tecidos). A soma destes é o que chamamos massa corporal total. O verdadeiro conceito de emagrecimento refere-se a redução na taxa de gordura corporal, mas sem necessariamente uma redução na massa corporal total. Dessa forma, podemos emagrecer reduzindo nossa massa de gordura e aumentando a massa livre de gordura, sem alterar nossa massa corporal total.

Espero ter ajudado um pouco com este esboço de artigo.

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

 

 

09
jun

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Musculação para crianças e adolescentes – por Leonardo Lima

Pessoal, é com muita alegria que venho anunciar uma parceria com nosso blog, que trará ainda mais informações pros nossos treinamentos e pro dia a dia.

Conheci o Mestre Leonardo Lima quando fui à Porto Alegre, para a Convenção Brasil. Lá, além de aprender muito, tive o privilégio de tornar-me sua amiga e agora parceira, com o intuito de divulgar conhecimento e incentivar a prática de atividade física.

Para sua primeira participação no blog, ele fala sobre um assunto bem atual:  musculação para crianças e adolescentes. Bóra!

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Pocket Hercules 402
Apesar de estarmos no século XXI, ainda existem pessoas, e entre elas até professores de Educação Física, que teimam na proibição de crianças e adolescentes quando se trata de praticar musculação.
Uma das frases que mais escuto é: “A musculação vai fechar a epífise dos ossos e atrapalhar o crescimento” e quando pergunto quem falou isso as respostas são sempre a mesma “Ouvi falar” ou “Dizem”.
Ora, “Ouvi Falar” e “Dizem” não são estudiosos de Anatomia, e nunca vi nenhum artigo deles.
Em português não existem muitos trabalhos científicos sobre os efeitos da musculação em crianças, mas entre os que eu conheço, cujas fontes cito abaixo, não encontraram nenhuma prova que possa proibir uma criança ou adolescente de praticar musculação.
Pelo contrário, nos resultados da pesquisa de LOPES, Andrei Guilherme (2002) consta: “Por outro lado, pôde ser observada uma alteração significativa nos resultados dos testes antropométricos e motores realizados nas crianças da amostra, onde foi possível constatar um incremento nas capacidades físicas necessárias para o dia a dia”
Aliás, temos um problema, não em relação à criança, mas sim em relação aos pais, que levados pela enxurrada de informações sem bases científicas impedem seus filhos de praticar uma atividade muito benéfica no desenvolvimento das habilidades motoras dos seus filhos.
E mais alguns benefícios que crianças e adolescentes podem ter na prática da musculação foram listados por RISSO et all (1999):
1) aumento da força muscular
2) melhora nos testes motores de aptidão física e performance
3) melhoria no desempenho esportivo
4) diminuição de ocorrência de lesões
5) melhoria no desempenho atlético
6) manutenção da saúde
7) redução do estresse emocional
8) redução no tempo de recuperação de lesões
9) auxiliar na prevenção de doenças músculo-esqueléticas
10) aumento da auto-estima, imagem e consciência corporal
11) melhora nas medidas de composição corporal
12) diminuição da pressão sanguínea de adolescentes hipertensos
13) melhoria nos níveis de lipídios sanguíneos
14) diminuição da gordura corporal

No trabalho de Andrei Guilherme Lopes foi feito um exame radiológico dos cotovelos e joelhos das crianças selecionadas, devidamente autorizado pelos pais, depois as crianças passaram por um período de 4 semanas de adaptação ao treinamento e logo a seguir, 12 semanas de treinamento de força com 80% da carga máxima avaliada pelo teste de repetição máxima proposta na literatura por Roberts & Weider 1995.
Após esse período, as crianças repetiram as avaliações radiológicas e foram comparados os resultados pré e pós-treinamento de força, ficou claro que não houve alterações das epífises dos ossos longos.
O que pode realmente atrapalhar o crescimento seria uma lesão na epífise dos ossos longos, e é mais fácil uma criança se lesionar jogando bola com seus amigos do que numa sala de musculação sob uma supervisão competente.

No entanto, qualquer criança ou adolescente normal corre, salta e arremessa e nem por isso deixa de crescer, o problema está no excesso, na orientação inadequada e até na falta de atividade física, pois é ela que acelera o crescimento longitudinal, a espessura dos ossos, a liberação da testosterona e do hormônio de crescimento.
Esses benefícios são ainda mais evidentes na musculação. Fatos comprovado na literatura por Risso et all 1999, Weineck 1999 e Fleck & Kraemer 1999.
É lógico que não quero dizer que as crianças e adolescentes possam sair por aí fazendo musculação de qualquer jeito, alguns cuidados devem ser tomados e em primeiro lugar está a avaliação médica. A criança deve estar física e psicologicamente preparada.
Em segundo luMother with daughtergar temos que encontrar academias onde os equipamentos possam ser adequados ao tamanho das crianças e que disponham de profissionais capacitados a ensinar as técnicas corretas de execução dos exercícios.

Algumas questões precisam ser levadas em consideração antes que a criança ou adolescente inicie um programa de treinamento de força:
Estar fisicamente e psicologicamente preparada para treinar.
Qual programa ela deve seguir.
Conhecer as técnicas corretas dos exercícios.
Os assistentes conhecem os procedimentos de segurança.
A criança/adolescente conhece os procedimentos de segurança.
O equipamento se ajusta a criança/adolescente.
O programa de força é equilibrado, ou seja, participa de atividades cardiovasculares e pratica outros esportes.
Cada sessão de treinamento dura de 45 à 60 minutos com a realização de três sessões por semana. O período de adaptação deverá ser de aproximadamente 4 semanas.

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Orientações básicas para progressão dos exercícios de força para crianças de acordo com a faixa etária.
de 5 a 7 anos: exercícios básicos com pouco ou nenhum peso desenvolvendo o conceito de uma sessão de treinamento; ensinar as técnicas dos exercícios; utilizar o peso do corpo para alguns exercícios; exercícios com parceiros e cargas leves; volume baixo de treinamento.
de 8 a 10 anos: aumentar gradualmente o número de exercícios; praticar técnica de todos os levantamentos; iniciar incremento gradual, progressivo e de carga nos exercícios; manter exercícios simples; aumentar o volume de treino lentamente; monitorar a tolerância ao stress no exercício.
de 11 a 13 anos: ensinar todas as técnicas básicas dos exercícios; aumentar o peso gradativamente nos exercícios; enfatizar a técnica nos exercícios; introdução de exercícios avançados com pouca ou nenhuma carga.
de 14 a 15 anos: programa de força mais avançado progressivamente; incluir componentes específicos do esporte; enfatizar a técnica e aumentar o volume.
de 16 anos ou mais: nível inicial de programas para adultos depois que toda a experiência anterior tenha sido ganha.
Obs.: Se uma criança em uma determinada faixa etária não tem experiência anterior a progressão deve ser iniciada em níveis anteriores, e depois para níveis mais avançados conforme a tolerância ao exercício, a destreza e o entendimento permitirem. (FLECK & KRAEMER, 1999).
Para que programa de força tenha sucesso deve ficar claro para os praticantes e assistentes as expectativas e objetivos realistas, evitando, por exemplo, criar a perspectiva do aumento do volume muscular em crianças que ainda não possuam maturação para tal “acontecimento” fisiológico. Também alertá-las para evitarem a concorrência com outros colegas de treino, pois as adaptações ocorrem em ritmos diferentes. Deve ficar claro que o propósito do treinamento é estimular o potencial genético de cada um em relação a aptidão física.”
Finalmente, a musculação para criança e adolescente é uma atividade física, que embora os estudos provem que ela seja até benéfica, ainda é tratada como vilã do crescimento por pais e professores de educação física mal informados, e apenas a informação correta é capaz de derrubar esse tabu, portanto, passe o conhecimento adiante.

Fontes:
LOPES, Andrei Guilherme. Possíveis alterações epifisárias em função do treinamento de força muscular em pré-puberes. 2002. Monografia (Curso de Educação Física) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 2002. 38p.
MACHADO, Dalmo Roberto Lopes. Maturação esquelética e desempenho motor em crianças e adolescentes. 2004. 91 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
FLECK, Steven J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular – 2ª edição – Porto Alegre – R.S. – Editora Artes Médicas Sul Ltda – 1999;
MCARDLE, William D., Katch I. Frank & Katch L. Victor. – Fisiologia do Exercício. Energia, Nutrição e Desempenho Humano – Ed. Guanabara Koogan S. A. – 4ª edição – Rio de Janeiro R.J. 1998;
ZATSIORSKY, Vladimir M. – Ciência e Prática do Treinamento de Força – São Paulo – S.P. – Phorte Editora

leo limaLeonardo Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

19
fev

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A importância da musculação na nossa vida

Todo mundo que me acompanha já percebeu que eu adoro esportes e atividades físicas de modo geral. Além de ser algo que gosto, virou um estilo de vida antes da cadeira, que eu procurei manter após a vida de rodinhas. Mas a questão não é só o gosto pessoal! Quando adotei esse estilo de vida saudável, há quase 10 anos, fiz essa escolha por observar a saúde dos meus pais começar a ficar comprometida devido à falta de atividade física e alimentação inadequada (e eles ainda eram bem novos quando começou a acontecer). Comecei a cuidar mais da alimentação e praticar atividade física com muito mais regularidade.

Mas qual a importância de continuar fazendo atividade física depois que virei cadeiruda?

Não é segredo que fazer atividades físicas, no nosso caso, não é fácil. Academias e profissionais sem informações ou acesso pra nos atender é o que não falta! É difícil chegar aos parques, clubes, ou às próprias academias, devido à falta de acessibilidade nas ruas. Mas muitos cadeirudos vem driblando tudo isso, porque estão seriamente preocupados com a saúde. Agora e no futuro.

Sabemos que usamos os braços para toda e qualquer atividade que realizamos, desde tocar a cadeira, até nos transferir, praticar um esporte, realizar uma atividade do dia a dia. A sobrecarga causada nos músculos dos membros superiores pode ocasionar dores e lesões, caso os músculos não estejam preparados para serem usados. E se não fortalecidos, com o tempo, esses mesmos músculos podem te deixar “na mão” e você vai precisar da ajuda das pessoas pra fazer qualquer coisa. Já dizia o Capital Inicial, procuramos independência. Então, nada de esperar chegar a esse ponto. Mexa-se!

Pra preparar esses músculos, nada melhor que? Musculação! Lá vamos nós, viciados num treino, ratos de academia, doidos pra levantar um peso.Uhuuu

2014-02-01 15.29.40 Sim! Mas saibam que não é só na prevenção de lesões que somos beneficiados.

Segundo o Prof. MSc Fred Ribeiro (sim, ele mesmo, nosso querido Fred, do Sarah), “aumentando a força e massa muscular, melhora o condicionamento físico aeróbio e diminui os riscos cardiovasculares!!! Importante, pois o Treinamento de Força (Musculação) é uma das atividades físicas mais acessíveis para a população usuária em cadeira de rodas. Existem máquinas (como por exemplo o cross over) em que não é preciso qualquer transferência para poder treinar boa parte da musculatura preservada pós lesão. E existe força pós lesão medular!?!? Sim, e MUITA!!! Basta treinar de forma adequada. Artigos científicos mostrando ganhos de força nos diversos níveis de lesão medular não faltam (quem tiver interesse, basta me pedir). Exemplos de pessoas com ganhos significativos de força, melhorando saúde e independência funcional, é mais fácil ainda de achar!!!”

E eu achei um monte de exemplos! Um deles é o Paulo César, que tem 33 anos. A lesão dele é T5 e T6. “Bom, eu sempre treinei mesmo antes do meu acidente que foi por arma de fogo, logo após minha reabilitação a primeira coisa que fiz foi procurar uma academia. Não era adaptada, mas era sem barreiras arquitetônicas. então dava para treinar tranquilo. Daí me matriculei e fui treinar, pois já fazia um ano que não praticava a modalidade. No começo me ajudou demais, pois melhorou minha postura e controle de tronco, que é o que mais nos deixa inseguros nas atividades diárias, como as transferências e tudo mais. Enfim foi a melhor escolha que fiz, pois pratico até hoje e não pretendo parar tão cedo. Abraços e bons treinos!”

paulo depois

Além desses benefícios, o Prof. Fred tocou num assunto delicado, no artigo que ele escreveu sobre nós cadeirudos. Vocês sabiam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na população com lesão medula? Pois é. Por isso eu disse que o caso não é só melhorar a vida agora, mas pensar no futuro também.

Pra quem não está conseguindo ir pra academia, dois professores porretas da Companhia Athletica Ribeirão Preto e eu, estamos montando uma série de exercícios em vídeo pra ajudar quem ta em casa a começar. Enquanto isso, vão criando coragem de mostrar essas rodinhas pro mundo e encarar a academia na cara e na coragem. (Se você tá mais parado que poste, sentadão no sofá, pensando por onde começar,  já pode dar um start com os exercícios que postei semana passada. http://daninobile.wordpress.com/2014/02/15/bora-mexer-esses-corpinhos-primeira-sugestao-de-atividade-fisica/ )

Mas é só a musculação que ajuda, nesses casos? Não! Aí que entram as atividades aeróbicas e os esportes! Mas esse é assunto para os próximos posts (que eu já estou preparando!) 😉