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Panamericano de Paratriathlon – Parte 2

Vamu lá, meu polvo e minha polva. Depois de tomar coragem e contar tudim pra vocês sobre o Panamericano do ano passado (antes tarde do que nunca), vamos falar sobre a prova desse ano.

Em agosto do ano passado, na primeira etapa do Campeonato Brasileiro de 2016, eu já tinha conseguido diminuir aqueles malditos 6 minutos do Panamericano e mais 2. Mas a prova era totalmente plana, então eu não estava com plena certeza de que eu manteria esse tempo numa prova cheia de subidas. E uma coisa que eu posso ter certeza é que nunca devemos ter certeza de nada. Como bem diz a Bíblia em Eclesiastes: o tempo e o  imprevisto sobrevém a todos (que o diga Vanderlei Cordeiro de Lima).

Verdade seja dita, eu não estava muito confiante na natação. Essa coisa do ir e vir pra Porto Alegre fez com que eu treinasse mais hand e mais cadeira, mas nadasse menos no frio. Com isso, meus tempos nos tiros de 50m e 100m pioraram consideravelmente.

Ainda assim, consegui fazer com que a roupa de borracha fosse uma aliada. No caminho pro Challenge de 2016, paramos numa loja  e compramos uma roupa sem mangas e menos apertada pra mim. O defeito dela é que é short (pernas curtas, como shorts mesmo), não long (pernas longas, tipo calça). Então, protege meus órgãos da água fria, mas não as pernas lá onde me causa dor neuropática. Mas, compramos no tamanho certo pra sair mais fácil do corpo (assim não preciso rolar na grama na transição, tipo um croquete sendo empanado). E por não ter mangas, me sufoca menos (não totalmente, mas menos) no pescoço e peito.

Nos treinos de transição em Porto Alegre, o Márcio começou a me acompanhar de bike. Isso me ajudou muito. Verdade seja dita, treinar sozinha é um saco furado hahaha. Ele ir comigo pedalar e correr era ótimo! Além disso, um casal de amigos  e atletas (ele vai fazer o Iron esse ano) começou a ir com a gente alguns finais de semana. Isso também é um incentivo a mais. E ela ajudava bastante, me puxando, e eu não podia reclamar tanto quanto reclamo quando tá só o Márcio :p

A viagem pra prova foi mega cansativa. O voo que deu pra pagar nos fez viajar muitas horas, pois tinha muitas paradas. Da hora que chegamos ao aeroporto aqui até a hora que chegamos na pousada em Sarasota (Flórida), levamos 29horas. Isso foi na quinta-feira. A prova seria sábado.

Dormimos cedo e até 8h da manhã de sexta. Saímos pra comer e, Márcio, Leo (outro atleta que dividiu o carro, as risadas e a companhia conosco) e eu, fomos pra minha reclassificação funcional.  Após as Paralimpíadas, a ITU decidiu fazer algumas mudanças nas categorias dos atletas de Paratriathlon. A reclassificação do Leo foi quinta, mas ele foi com a gente na minha. Amigo é amigo.

Saindo dali, foi o reconhecimento de percurso. A prova é no Nathan Benderson Park, com o percurso dentro e em volta do lago. Primeiro fomos pra  bike, e o Leo quis ir comigo. Não sei porque, a gente anda num sentido na sexta, mas a prova do sábado é no sentido contrário (acho que tem a ver com o trânsito fechado e quantidade de policiais pra fazer nossa segurança). Assim, não deu pra sentir a subida do ciclismo. Mas deu pra lembrar dela quando descemos ali, enquanto o Leo, atleta mais experiente que eu, dividia altruistamente comigo seus conhecimentos sobre pedal no contra vento . Na sexta pegamos vento em alguns trechos,  no sábado seria no sentido oposto, mas teria vento do mesmo jeito.

Saindo do ciclismo, era o reconhecimento da água. Eita nóis! Eu tava tremendo na base. Colocamos minha roupa de borracha e fomos pro píer. A água já estava cheia de paratletas  e atletas do convencional, que fariam sua prova antes da nossa, na manhã seguinte. Sentei ao lado do Aranha, mas ele nem sabia que eu queria um apoio moral e foi pra água. As outras meninas do Brasil também foram. Todo mundo já entra na água e sai nadando, porque ali é bem fundo e bem gelado. Mas eu pedi pro Márcio ficar ali perto. Fiquei dentro da água gelada, segurando no píer. Comecei a fazer os exercícios de respiração que o Juliano Pereira me ensinou e saí pra nadar. Até pensei em alcançar as meninas brasileiras que estavam bem ali. Mas pensei que tinha que ir no meu ritmo, e no meu tempo. Comecei tranquila. Mentira. Tava tranquila nada. Comecei a nadar e já deu aquele pavor e a falta de ar. Parei de nadar, coloquei a cabeça pra fora, respirei nadando cachorrinho e continuei. Se tinha um dia pra ir devagar, era hoje. Aquele trem daquela roupa me sufocando. Eu só repetia “calma, Danielle”. Devagar e sempre, cheguei na primeira bóia. Tinha duas pessoas ali, conversando. Parei pra respirar e olhar em volta. Parei pra me acalmar, mesmo. Eu tinha ainda a segunda boia e só depois começar a voltar. Fiquei com receio de chegar muito depois de todo mundo. Sabe como é, aquele medinho de ficar na água sozinha, não por ser a última, mas por ficar na água sozinha. Decidi voltar por onde eu vim. Hoje não era a prova e não havia problema nenhum nisso. No meio do caminho, veio um grupo no sentido contrário. Acho que eram uns 4 meninos. Mas não sei se eram paratletas ou do convencional. Aí, cheguei no píer e chamei o Márcio, que estava me esperando do outro lado, por onde todo mundo estava indo. Ufa, acabou! Saí da água. Pausei o relógio e vi que nadei 500m, contra os 50m do ano passado.

Troquei de roupa no carro (não havia outra opção. Eu praticamente fiquei parada e o boy me trocou, mas não contem pra ninguém) e fomos pro congresso técnico. Do outro lado do parque, tem um shopping. Comi o lanche (wrap de frango)  que tínhamos comprado lá.  Depois do congresso fomos pro hotel descansar. Apesar de nossa prova ser à tarde, eu não podia dormir tarde e correr o risco de acordar cansada.

No dia seguinte, acordei tranquila. Tínhamos tempo e o Léo precisava de ajuda para comprar alguns presentes pros filhos dele. Sim, ainda tive cabeça pra me distrair vendo as coisas dele. Comprei um wrap igual ao do dia anterior e fui pro parque comendo. Mas não consegui comer o lanche inteiro. Já tava um pouco ansiosa. “Mas, Dani, você não almoçou antes da prova?”. Por acaso alguém consegue bater um pratão de comida de manhã, antes de uma prova? É a mesma coisa, gente. Só mudou o horário. Eu não podia correr o risco de comer um pratão e vomitar no meio da prova. Já pensaram, que mico? Hahaha

Sempre antes da prova, há uma checagem no local da retirada do chip. Eles olham nosso capacete, o número colocado nos dois braços e nas pernas, o número na handbike e na cadeira de corrida, olham nosso macaquinho (se tudo que está escrito nele – nome do atleta, país, patrocinadores – segue as regras da ITU). Já com o chip na handbike e no meu tornozelo, preparamos a transição. Nossa largada é em ondas e  antes da primeira onda, todos devem sair da área de transição.

O sol tava castigando e eu estava com bastante medo de passar mal ali naquela espera. Todo mundo sabe que eu não transpiro e, se ficar no sol direto, posso ferver e até desmaiar. Eu e o boy procuramos uma sombra e ficamos ali por uns 20min. De volta pra largada eu tive 10minutos pra ficar nervosa. Nesses 10, fiquei conversando com o Márcio e ele me motivando e me acalmando. Por isso eu digo que, se você fica nervoso demais, é ótimo ter alguém por perto que te ajude e a focar na prova.

Quando eu menos esperava, começaram a chamar nossos nomes, pra nos dirigirmos ao píer. Funciona assim: a gente vai de cadeira até o píer, senta no chão com os pés na água (gelada). Aí tiram nossa cadeira dali e já levam pra saída da água. A largada dos cadeirantes também era em ondas. Masculino H1, Feminino H1 (a minha classe), Masculino H2 (a classe do Aranha) e Feminino H2 (nessa prova só havia meninas H1). 1 minuto de diferença entre as largadas. Não dá tempo pra pensar. Todos desejaram em voz alta “boa prova, gente”. E começaram os apitos.

Quando foi nossa vez, a americana se jogou na água e partiu. Já fez uma bela diferença com relação a mim.  Se eu me trucidasse, ainda conseguia alcança-la. Mas, pensei “pra que? Ela é mais rápida que eu na bike e na corrida. Eu vou me trucidar pra alcança-la, pode ser que eu não consiga e ainda vou sair da água podre.” Decidi fazer a minha prova. Olhar pra mim! Mas quando estava respirando, bem vi um dos caras da Federação Brasileira lá na beirada da água, acompanhando a mim, e ao Aranha, que largou 1minuto depois e já tava me alcançando (ele é foda! Um puta atleta). Aí eu queria nadar bonito hahahaha Desliguei a chavinha do pavor e fui. Quando cheguei na primeira bóia, eu ia ultrapassar um menino e ele simplesmente parou de nadar. Isso me quebrou. Pq eu tive que parar também pra não trombar com ele, já que ele cortou a minha frente. Ele disse algo sobre a perna dele. E eu vi que ele estava nadando pro lado contrário. Depois da prova fui um pouco criticada por ter perdido alguns segundos nessa hora. Mas eu perguntei se ele precisava de ajuda e disse que ele estava indo pro lado errado e pra ele me seguir. Aí, fui embora… Parecia que a terceira bóia não chegava nunca! Mas chegou e eu saí da água. Nessa hora, a gente nem vê o que acontecendo. Eu só sentei na cadeirinha e os fiscais começaram a me tirar da água. Ele já colocam a gente sentado na nossa cadeira de rodas. Eu também não vi, mas o Márcio já tava atrás de mim, puxando minha roupa de borracha pra baixo.

Da natação até a área de transição, temos que tocar nossa cadeira sem ajuda. Na grama. Adivinha o que aconteceu? Caí! De quatro! Bem bonita com o bundão pra cima e as mãos na terra. Gritei o Márcio. Ele voltou correndo, me botou na cadeira e eu entrei na transição. Aí ele me disse “Corre! Você saiu da água na frente de alguns homens.” Eita! Sério, gente? Então corre.

Mas, o ciclismo já começa com subida  pra sair da transição e eu não sabia nem cadê meus braços. Sobe e entra na pista que contorna o parque. Aí sobe de novo e desce, faz umas curvas e…um que tava atrás de mim já me passou. Fiquei pensando nas brincadeiras que eu fazia nos treinos de rua, quando eu mirava em alguém que tava na minha frente e tentava alcançar a pessoa. Decidi que iria fazer isso com ele. E fui atrás dele dando meu melhor, até no contra vento. Aí chegou aquela subida, pra terminar a primeira volta. E ele foi embora e eu fiquei. Na segunda volta, no mesmo ponto em que ele me ultrapassou na volta anterior, olhei pro garmin no pulso e vi que minha velocidade tinha caído. Pensei “Que isso? Ta maluca? Essa é a prova da sua vida.”

Na reta antes da subidona, fiquei pensando que não tinha visto a americana passar por mim, como no ano passado. Ou eu tava muito bem, e não era retardatária, ou eu tava muito mal. Dito e feito, ela me passou bem nessa hora. Deu um grito tipo “Go Danielle” e terminou o ciclismo dela. Eu ainda tinha mais um volta. Nessa última, eu só pensava “se mata, se vira.” No contravento era “ta esperando o que, franga?” Pedalei enlouquecida porque essa prova era tudo ou nada. E conforme eu acompanhava as parciais no Garmin, nem acreditava que eu ia conseguir fazer aquele tempo. Foi o melhor pedal da minha vida e eu entrei pra transição muito feliz!

A transição pra corrida foi muito rápida. O Márcio solta meus pés, me pega no colo pra me tirar da hand e já me coloca na cadeira. Enquanto ele amarra meus pés, eu coloco as luvas.

Eu saí muito empolgada, fazendo as contas meio que de cabeça, somando os tempos que via no relógio, da natação, da bike e das transições. Eu fui pra prova querendo fazer em 1h55. No meu sonho mais dourado eu queria fazer 1h50.  Mas pelos meus cálculos, eu tinha bastante tempo pra correr e fazer isso. E eu estava empolgadíssima, então ia ser demais.

Minha empolgação durou apenas 1 minuto! Pra corrida, você sai da transição já numa curva. Anda uns 30metros (ou menos) e já tem uma subida animal. Pra vocês terem uma ideia, quando fui tentar virar a roda da frente da cadeira, que ia bater na grade, como eu não dei uma mega impulso pra frente, a cadeira parou e começou a descer. E ali, eu quebrei. Tem que fazer muito esforço pra subir aquela ladeira do pico do Everest. E eu não treinei subida e me fu…

A corrida inteira é subida. Sobe e desce e sobe, sobe, sobe. Só isso. Quando tem uma descida pra aliviar, depois dela tem a mesma subida e a vida acaba. Pra piorar, tem só um ponto de água. Quando passei na ida, avisei o mocinho que queria água na volta. E na volta, o bonito tava la, belo e formoso sentado dentro da tenda. Eu gritei “água, água, por favor”. Ele pegou e, quando foi me entregar (atrasado), não teve a capacidade de andar mais rápido pra me dar a garrada. Tive que parar e virar pra trás pra pegar. Isso quebra o ritmo. E depois disso tinha… tcham tcham tcham tcham.. mais subida! Resumo da ópera: passei a corrida olhando pro garmin de km em km pra ver meu pace e calcular.

Mas, tudo que sobe, desce. Depois que eu trombei com o último cone da curva, desci aquela subida do início, fiz a curva e… vi o pórtico de chegada! Passei por ele e pausei o garmin. 1h48 cravado! E terminei em 2º lugar. Bem melhor que o meu sonho mais profundo. Só chorei. De alívio. De alegria. De dever cumprido. De endorfina. De realização pessoal. De ter baixado 18min do tempo do ano anterior. Foi maravilhoso. O Márcio até comentou que, quando eu saí pra correr, ele achava que eu ia fazer 1h45. Mas eu não treinei subida. E isso é mais um aprendizado pra mim, pra eu poder melhorar.

Aí, veio a hora mais feliz, a hora do pódio. A hora que passa o filme na nossa cabeça. A hora que só tenho a agradecer ao Márcio, por ter a paciência de me levar pra treinar, por ter ido comigo (ele paga a própria viagem), por ser um ótimo handler (nossa T2 foi mais rápida que a da americana), por ser um companheiro tão maravilhoso. Agradecer aos meus patrocinadores (Acquaflora, São Francisco Saúde, Manipularium, Companhia Athlética, Biaggio Calçados), pois sem a ajuda deles, sem que eles tivessem acreditado em mim, eu não conseguiria nem ter ido pra prova. Agradecer ao meu treinador, Rafael Falsarella, por esse 1 ano de parceria. Agradecer às empresas que me apoiam de alguma forma (com desconto, ou produtos). E agradecer a vocês, por estarem sempre comigo, me apoiando, me ajudando, me motivando.

O que ganhei com essa prova? Experiência, amadurecimento, aprendizagem. E uma vaga pro Mundial de Paratriathlon. Agora eu preciso do que? Patrocínio e treino. Muito treino! Quem vem comigo?

03
jan

4

4 anos de lesão e Retrospectiva 2016

Esse deveria ter sido o último post de 2016, mas virou o primeiro de 2017.

Quem me acompanha faz tempo sabe que, todo ano, no meu aniversário de lesão, eu faço um post grandão falando sobre o acidente e sobre os aprendizados e conquistas do ano, relacionados especificamente à fisioterapia e ao lado emocional.

Aí, esse ano, todo mundo esperou, mas não teve post. Muita gente perguntou o motivo e dei aquela escorregada, feito bagre ensaboado, e não respondia. Mas hoje, decidi contar tudim procêis.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu sempre foco no que eu ganhei. Seja algum movimento quase invisível da mão, seja alguma coisa que melhorou no tronco, seja no campo da amizade, da família, do esporte. Mas eu sempre vejo o copo cheio, e foco no que eu ganhei ou no que eu mantive. Porém, esse ano, com aquela maravilhosa novidade do facebook  “Suas lembranças”, eu fiquei o mês de outubro inteirinho sendo lembrada do que eu perdi. Só recebia foto de corrida, de treino de corrida, de mais corrida e mais e mais… até a última delas, dois dias antes do acidente.

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75 Bertioga-Maresias. 2 dias antes do acidente.

Aí, não teve jeito. Toda a minha fortaleza desabou! Muito se engana quem pensa que eu sou feliz 100% , que não tenho problemas, dores ou tristezas. Mas, eu sempre tentei focar nas coisas boas e não me permitia chorar ou sofrer  mais do que um ou dois dias. Esse ano, eu já comecei a chorar no fim de setembro, quando começaram a aparecer as fotos das reuniões pra Bertioga-Maresias, minha última prova em pé. Por sorte, eu estava na casa do boy e ele me ajudou a não pensar muito.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu viajo pra comemorar. E geralmente eu faço alguma prova, de corrida com a handbike ou de triathlon. Esse ano, eu não tinha nenhuma. Nem dinheiro pra viajar muito longe. Pedi ao boy pra ir pra Ribeirão ficar comigo. E ele teve que me aguentar chorando do dia 20 ao dia 22. Mas eu não quis ficar sozinha. E ainda bem que não fiquei!

Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.
Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.

O que eu aprendi com tudo isso? Aquilo que eu já falo sempre, desde os primeiros dias de acidente. Falo inclusive nas minhas palestras. Tristeza e depressão não resolvem problema. Só pioram! Eu me permito chorar e sofrer, tanto pelo acidente, pelo fato de não andar mais, ou pelas minhas dores. Faz parte da vida nos sentirmos tristes. E segurar a lágrima, não botar sua tristeza pra fora, vai fazer mal pra você! Mas não deixo isso se arrastar por muitos dias. Nem fico o dia inteiro me descabelando. Chorava, conversava com ele, e a gente ia fazer outra coisa pra distrair minha cabeça. Sim, mantenha-se ocupado! Não tem aquele ditado “cabeça vazia oficina do diabo”? É exatamente isso! Se você ficar ocupado, fazendo e falando sobre outras coisas, a razão do seu problema não vai ficar incomodando o dia inteiro. E pensamentos negativos causam doenças físicas! Outra coisa é: peça ajuda. Eu falei pro boy que não ia dar conta de ficar em casa sozinha na data. E lá foi ele ficar comigo. Não é feio assumir alguma fraqueza sua e pedir ajuda. É melhor pra você, que terá alguém pra dividir sua carga. E a pessoa que te ajudar (mas tem que ser alguém que se importe com você de verdade) vai se sentir feliz por poder te ajudar a aliviar a tristeza, nem que seja segurando sua mão e te ouvindo.

“Aaaah, Dani, então seu ano de 2016 foi terrível. Você só chorou”. Té parece, meu bem! Esse ano, o aniversário de lesão foi mais pesado do que eu esperava, mas teve um tantão de coisa boa pra compensar.

Em março, eu realizei um grande sonho, que era conhecer os Estados Unidos. Eu dei aula de inglês 10 anos e nunca tinha ido pra lá. Como em março eu tinha o Panamericano de Paratriathlon, fui de mala e cuia. Pude ver a neve no Central Park, em New York, antes da prova, e pude ver o Mickey, na Disney, depois da prova. E também experimentar aquelas comidas que a gente vê os americanos comendo de café da manhã nos filmes. Coisa de gordinha…

Central Park - NY
Central Park – NY

 

Disney Magic Kingdom
Disney Magic Kingdom

 

 

Fui a primeira brasileira cadeirante a participar de uma prova de triathlon internacionall. E por que eu não fiz post sobre ela? Porque eu passei vergonha na água, meu bem! Eu nunca tinha usado uma roupa de borracha. Como meus pulmões foram comprimidos no acidente, eu tenho uma certa dificuldade pra respirar. Aí aquele trem me apertou dum tanto, que eu apavorei e deixei todo mundo apavorado. Inclusive o boy, que foi comigo em uma prova pela primeira vez. Mas, eu consegui me acalmar na metade do percurso, tirei o atraso na água, mas já tava esbaforida! Ainda não sabia mexer na hand nova, nem na cadeira, pois tinha pego as duas apenas 4 dias antes. Aí, fiz uma cagada atrás da outra.  E a verdade é que eu fiquei me punindo por isso. Fiquei meses ensaiando posts na minha cabeça, pra contar pra vocês, mas eu me punia muito pelo meu medo. E não tive coragem de compartilhar aqui. Bobeira da minha parte? Talvez. Mas eu levei bastante tempo pra aceitar meus erros na prova, que me levaram a ficar em 4º lugar na prova, 6 minutos atrás da terceira. Vendo o copo cheio? Escrevi meu nome na história do triathlon brasileiro. Fui a primeira no Panamericano e a primeira numa prova internacional. Isso ninguém me tira, né?!

Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Panamericano de Paratriahtlon - Flórida
Panamericano de Paratriahtlon – Flórida

Aaaahh, e teve o boy! Ficamos amigos por 6 meses, nos falando por telefone todo santo dia. Não foi amor à primeira vista da parte de nenhum dos dois. Mas na viagem, com a convivência, nos apaixonamos. Sou muito grata por ter alguém do meu lado que soube respeitar minha escolha no esporte e quis fazer parte disso. Ele é meu handler em todas as provas, me apoia, me acalma. E enfia todas as minhas tralhas, aquele mundaréu de roda no carro, e me leva pra treinar na rua. Sem ele eu não teria melhorado tantos meus tempos nesse ano. Fora que encontrei um companheiro pra todos os momentos da vida. Menos pra dieta! Aquele ali nasceu virado pra lua! Come, come e não engorda nunca. Mas, terei que aprender a conviver com isso pro resto da vida. Em 2017 diremos o SIM e trocaremos as alianças de mão!

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21k Golden Run RJ
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Wings For Life World Run – Brasília
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon - Caraguatatuba
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon – Caraguatatuba

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia do pedido de noivado
Dia do pedido de noivado

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto ao esporte, só posso reclamar de não ter conseguido mais patrocínios pra participar de mais provas. Foi um ano muito gostoso! Eu fiz minha primeira maratona. Depois de tantos anos esperando, finalmente pude gritar que sou maratonista. Foi igual? Não! Foi de handbike? Sim. Mas o importante é que eu consegui tirar isso da minha cabeça. E não satisfeita, eu fiz duas! Fiz a Maratona de Porto Alegre, em junho, e a Asics City Marathon, em julho. E deu pódio nas duas!

Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.
Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.

Também fui a primeira a participar do Challenge Florianópolis e fomos super bem recebidos pelo pessoal da organização. Ali, pude enfrentar meu medo do mar agitado, e consegui sair da água na frente de muita gente que anda! E fui Bicampeã Brasileira de Paratriathlon.

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Outra coisa incrível foi o UB515. Formamos a equipe TriFeliz, onde o atleta Reinaldo Tubarão carregou deficientes na prova. Ele puxou Mara Gabrilli na natação, por 10km. Depois carregou a mim  na bicicleta, durante 2 dias de percurso. E no último dia,  Lipe Magela e Jonatan Silva e eu nos revezamos ao sermos empurrados na distância de 2 maratonas. Escrevemos nossos nomes também na história do Ultraman, junto com toda a equipe de apoio.

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Junto com outras mulheres maravilhosas, fui homenageada por Gabi Manssur em sua palestra no TEDx, sobre o empoderamento da mulher através da corrida.

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E teve palestra! Eita que eu gosto pouco de falar, né?! E quando pego no microfone, não quero soltar mais. Gosto mais de ficar ali batendo papo do que de cantar no karaokê! rsrs  Conheci pessoas maravilhosas, tantos entre os que me assistiram, como entre os que me contrataram. É sempre enriquecedor. Eu adoro quando as pessoas vem me cumprimentar no final da palestra e dividem um pouquinho da história delas comigo. Sempre aprendo. E esse ano teve até fila pra me abraçar, em Franca! Como retribuir esse carinho?

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Dei entrevista pro rádio, pra tv. Fui capa de revista. Posei pras fotos de modelete…

“E a fisio, dona Danielle? Não teve fisio?”  Teve sim! Além dos profissionais de Ribeirão que já me atendiam, como o boy é de Porto Alegre e eu vivo no ir e vir, pude conhecer a Mel e sua equipe maravilhosa. Foi desafiador! Esses dias estávamos lembrando como eu chorei no primeiro dia, de medo de ir de cara no chão com os exercícios propostos. E hoje eu faço os mesmos exercícios com menos dificuldade (e menos medo). Aprendi a conhecer meus limites. Nem sempre é fácil encararmos nossos limites de frente e assumirmos que isso a gente não consegue fazer. Pior ainda é quando você acha que consegue e descobre que não consegue. E eu me deparei com isso várias vezes durante esse ano. Não foi fácil. Eu voltei de lá várias vezes frustrada, por ver como meu corpo está e como às vezes ele não responde. Mas, eu tento não ficar pensando só nisso. Tento não ficar pensando só no que eu não consigo fazer ainda. Tento sempre pensar que “isso eu não conseguia e agora já consigo um pouquinho”.

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Verdade seja dita, há 4 anos (e 2 meses) atrás, eu pensava que em 1 ano estaria andando e em 1 ano e meio já estaria correndo. E ainda to aqui, 4 anos depois, tendo a cadeira de rodas como minha fiel escudeira. Todo mundo ri quando eu to sentada no chão e peço pra alguém trazer minhas pernas. É isso que a cadeira é, uma substituição das minhas pernas pra me locomover. Amo? Não. Odeio? Também não. Encaro como algo necessário, mas que me permitiu sair da cama e continuar vivendo e sendo feliz. Já imaginou se não tivessem inventado a cadeira de rodas e eu precisasse passar o resto da vida na cama? Socorro! Um beijo pra quem inventou a cadeira! (falando nisso, não sei quem foi. Preciso dar um google).

4 anos depois, minha ideia de vida continua a mesma. Quem me lê desde sempre deve lembrar, porque eu bato sempre na mesma tecla. O plano A é e sempre será voltar a andar. Ta levando muito mais tempo do que eu imaginava. Há uns 2 anos atrás eu escrevi que tentar voltar a andar tinha deixado de ser a maratona da minha vida, e virado uma ultra. Esse ano percebo que fazer o plano A tornar-se realidade vai ser a maior Ultra já corrida na história! Dói. Cansa. Eu paro pra pegar água. O tênis desamarra. Eu paro pra desamarrar. Diminuo o ritmo na subida. Tento aproveitar o embalo da descida, mas sem descabelar, pra não sobrecarregar o joelho. Descanso quando to cansada. Diminuo e aumento meu pace, de acordo com o sol, a chuva, o vento. Troco a música. Tomo mais um gel. Jogo água na cabeça. Às vezes luto pra não quebrar. Eu só não paro. Não vou parar nunca. Tenho certeza de que vai ser a linha de chegada mais linda da minha vida! Enquanto isso, eu aproveito todas as outras linhas de chegada do meu plano B, que é ser uma grande atleta. Mas em qualquer um dos planos, eu foco em ser feliz. Em aproveitar todos os momentos de felicidade. E sorrir. Sorrir sempre! É isso que importa.

 

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08
dez

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#VemComADani e com o Fred

Genteeeee, olha a novidade boa, delícia e maravilhosa (não só pra mim, mas pra vocês também!)

Graças a vocês, eu recebi muito  amor e carinho e conseguirei comprar a handbike de alumínio, que era o objetivo da campanha #VemComADani.

Todo mundo que me acompanha sabe que eu não tenho cadeira de atletismo pra fazer as provas de triahtlon. A equipe Esporte Para Todos, de Taubaté, gentilmente me empresta a cadeira deles pra eu fazer as provas.  Porém, além de a cadeira ser grande pra mim (eu esqueci de crescer e tenho bracinhos de Tiranossauro), eu não posso usar a cadeira pra treinar, só pras provas. Isso atrapalha meu desempenho. Mas eu iria pensar numa solução sóóóó lá pro final do ano que vem.

Mas, aconteceram algumas mudanças e eu vou precisar da cadeira já no início do ano de 2016. Aí bateu o desespero…

Sabendo da história toda, o querido jogador Fred, da Seleção Brasileira e do Fluminense, resolveu me ajudar!

O Fred doou uma camisa do Fluzão, e ainda autografou, pra eu poder rifá-la e conseguir comprar a cadeira.

 

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A cadeira é da mesma marca da handbike, Top End. Mas custa um pouco menos! (obrigada Senhor) E claro, que eu não vou comprar vermelha, né?!hahahaha (não vem com essas rodas, gente! As rodas são à parte. A minha virá com as rodas básicas)

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“Tia Daniiiii, eu quero é ver a camisa do Fluzão”.  Olha que linda!

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“E como faz pra participar da rifa, se eu não moro na sua cidade?”

Fácil! É só entrar no link abaixo, escolher quantos número quiser e comprar a rifa! O sorteio acontece online. E o site manda email pra todo mundo avisando do sorteio (pelo menos é o que tá escrito lá).

http://www.rifadigital.com.br/vemcomadani-e-com-o-fred

Você que ama futebol, você que torce pro Flu, você que tem um amigo/namorado/pai/namorada/mãe que torce ou é fã do Fred, ou você que quer me ajudar, é só clicar!!! 🙂 Bóra participar?

OBRIGADA FRED!!!

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03
nov

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Entenda a Campanha #VemComADani

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Gente, estamos na reta final da Campanha e tenho recebido muitas perguntas sobre ela. Esse post é uma forma de explicar tudim e deixar tudo transparente pra todos vocês, que tem me ajudado com tanto carinho!

Por que eu preciso de uma handbike nova

A minha handbike é de ferro. Ela pesa 3x mais do que a hand de alumínio, usada pelas outras atletas. Além disso,  ela não atende às especificações da UCI (Federação Internacional) pra grandes provas internacionais. Com a minha handbike atual, não posso participar de provas internacionais oficiais, nem de paraciclismo, nem de paratriathlon.

Recompensas

As recompensas são uma forma de agradecer a cada um pela ajuda!

O site que hospeda a campanha exige que a gente dê nome a cada uma das recompensas. E eu daria nome de que? De provas de corrida, claro! Lembrando que as recompensas são cumulativas. Então, a última recompensa (A corrida mais longa, a ajuda de valor mais alto) recebe todas as recompensas dos valores acima!! Quanto mais você doar, mais recompensas ganha.

A Corrida da Caixa foi minha primeira prova da vida, em 2009. Não dava pra começar a dar nomes às recompensas, e deixá-la de fora! Aqui, a recompensa é  o seu  nome na lista que publicarei aqui no blog, ao final da campanha.

Meia Maratona do Rio – foi a minha primeira Meia, em 2010! Escolhi o nome da prova pra segunda recompensa. E essa é um cartão que escreverei a mão, pra cada pessoa que escolher contribuir aqui.

Revezamento Bertioga-Maresias foi minha última prova em pé! Uma prova muito especial e inesquecível! A recompensa aqui, além das acima, é um moleskine personalizado, pra você anotar todos os seus gastos com provas e ver se dá pra fazer mais uma inscrição!rsrs

A Golden Four é uma prova especial, pois eu esperei pra corrê-la por 3 anos (quem me acompanha sabe de toda a história) e aqui, além das recompensas acima, vem uma camiseta de corrida 🙂

A Maratona de NY é um sonho pra todo corredor, inclusive pra mim! Era pra ter feito esse ano, mas com a minha handbike atual, e com o dólar nas alturas, não deu. Se você escolher colaborar na recompensa desse nome, vc ganhará um mês de planilha personalizada da Fun Sports. Se você já corre, uma ótima oportunidade de melhor seu desempenho com a ajuda dos meus treinadores. E se você não corre, nem caminha, e ta morando na preguiça, taí sua chance de sair do sofá e começar uma atividade física orientada por profissionais. É só contribuir no valor dessa recompensa!

O Circuito do Sol é uma das recompensas mais legais, porque aqui você vai mesmo ganhar uma inscrição de corrida! Além de ganhar a camiseta e a planilha personalizada da Fun Sports (e todas as demais recompensas acima), você ainda poderá escolher uma das etapas do Circuito do Sol em 2016! Organizada pela O2, essa prova acontece em 4 cidades diferentes, então você pode escolher a que fica mais perto de você ou a que você quer conhecer. E se você for empresário, pode sortear a inscrição entre seus funcionários e incentivar o esporte e a qualidade de vida dentro da sa empresa!

A recompensa Maratona de Boston  leva esse nome por ser tão especial pra todos os corredores. Afinal, todo mundo quer índice pra estar lá! E se você contribuir no valor dessa recompensa, além de todas as acima, eu ainda irei até você, pra dar a palestra Por Uma Vida Saudável Sobre Rodas, na sua empresa ou na instituição que você escolher. Adequada a todo tipo de público, eu falo o que eu aprendi nesses 3 anos de cadeira e como isso pode ajudar você na vida pessoal e profissional. Além disso, falo como a corrida salvou minha vida 3 vezes e como a atividade física influencia nossa vida em todos os campos. Deve ser uma palestra boa, porque quem assiste bate palma no final rsrsrs

Comrades.  A recompensa leva esse nome pois é uma ultramaratona, uma prova desafiadora e recompensadora. O valor da doação condiz com isso, pois a recompensa é eu estampar o nome da sua empresa na handbike nova e leva-la comigo pra onde eu for, mostrando que você, empresário, apoia o paradesporto e uma atleta que se esforçará pra levar sua marca pro degrau mais alto do pódio!

W21K Asics

Valores

A Campanha toda está no valor de 35mil reais. A que se destina?

A handbike de alumínio que será comprada, é da marca Top End, modelo Force RX. Ela é americana e custa 5,5 mil dólares. Então, transformamos esse valor em reais. Além disso, ainda terei que arcar com as taxas de importação, que infelizmente não são baixas.

Ainda, o site Kickante cobra a porcentagem deles pra hospedar a campanha. Atingindo ou ultrapassando o valor de 35mil reais, o Kickante cobra 12% do valor.

Caso eu nao atinja os 35mil até o fim do prazo, eles cobram 17% do valor, pra eu retirar o que foi arrecadado.

Ou seja, o melhor negócio é bater ou ultrapassar a meta, pra que paguemos uma taxa menor pra eles!

Se sobrar dinheiro

Me perguntaram: “Dani, e se conseguirmos ultrapassar os 35mil? O que você vai fazer com o resto do dinheiro que sobrar?”

Bom gente, como vocês sabem, meu esporte é o triathlon! Usamos a handbike pro ciclismo e a cadeira de atletismo na corrida. E eu não tenho cadeira de atletismo! Eu uso uma emprestada, da equipe de Taubaté, que é de ferro e eu só posso pegar em dias de prova. Ou seja, eu não treino a corrida!

Se sobrar dinheiro, eu vou guardar pra comprar essa cadeira! Também será de alumínio, da marca Top End, a mesma marca da handbike. O valor da cadeira é 3,5mil dólares.

O que você vai fazer com a handbike que tem hoje?”

Essa foi outra pergunta que eu ouvi. Perguntaram “por que você não vende e coloca o dinheiro na campanha?”

Pelo simples fato de que eu ganhei a minha handbike atual! Ela vale 2mil reais. O combinado era eu devolver pra quem me deu, assim que eu conseguisse uma hand melhor. Assim, eles poderiam dar pra outra pessoa.

Porém, conversando com eles, decidimos fazer o seguinte:

Pernas

Todos sabem que eu sou madrinha do Projeto Pernas de Aluguel. São corredores voluntários que empurram crianças deficientes nas provas de corrida. Eu vou doar a handbike pro Pernas! Assim, eles poderão rifar. Com o dinheiro da rifa, poderão comprar mais triciclos, pra levar mais crianças pras provas. E assim, um cadeirante que não tenha condições de comprar uma handbike igual à que eu tenho hoje, poderá ganhá-la na rifa, tendo pago muito menos, ou ainda ganhando de algum amigo que comprou a rifa pra ajudar.

Me ajudando a ter a minha handbike nova, você poderá ajudar muito mais gente!

Já pensou nisso?

Quer colaborar? Clica aqui!

http://www.kickante.com.br/campanhas/vem-com-dani-0

E se você ainda não assistiu o vídeo da campanha, é só clicar lá no kickante mesmo, ou assistir por aqui  🙂

 

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out

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3 anos de vida!!!

Eu queria achar outra música pra começar esse post, mas vou ter que usar a mesma do post de um ano atrás:

“É hooojeee o diiiiaaaaaaa, daaaa aaaaleegriiiaaaaaa”

Sim, hoje completo 3 anos de vida, de vida nova, da minha chance de recomeçar, de me reinventar!

Pra quem é novo por aqui:

Eu era assim
Eu era assim
UTI -  Outubro/2012
Aí eu fiquei assim
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Agora eu sou assim!

Se eu disser pra vocês que foi tudo lindo, maravilhoso, perfeito, estarei mentindo! O começo, a adaptação à nova realidade, é muito difícil pra todo mundo. Tanto pra quem vai pra cadeira, quanto pra família.

No entanto, como eu sempre digo desde o início, eu escolhi viver e não só sobreviver. Eu simplesmente não quis ver a minha vida passar pela janela. Eu quis vivê-la!

Hoje, farei aqui confissões que nunca fiz a ninguém, além de Deus.

De quando sofri o acidente, e até hoje, meu m12036890_1085906698086682_5735296305632359685_naior sonho é voltar a andar, pra poder voltar a correr. Foi isso que me moveu e é isso que me move a cada dia. Estar ali nas provas, enquanto todo mundo corre, enquanto eu ouço as passadas dos outros corredores no asfalto, e eu me movo com os braços, não é fácil. Mas eu prefiro isso, do que não estar mais ali!

Quando mexi meu pé direito pela primeira vez, não escondi de ninguém. Eu estava com apenas 13 dias de acidente Foi uma mexida mínima, quase invisível, mas que me encheu de ânimo! E ali, naquela hora, pensei “Daqui um ano já estarei correndo de novo”.  Quando eu fiquei em pé pela primeira vez, sem precisar da órtese, mesmo que apoiada e apenas por 5 segundos, pensei “Daqui uns 6 meses eu estarei correndo de novo”. 3 anos se passaram e eu ainda estou aqui, na cadeira de rodas e sem correr. A perna direita responde a alguns movimentos, sem muita amplitude. Mas uma perna, um pouco fraca, não é suficiente pra andar. Eu preciso das duas. E a esquerda tá com preguiça de trabalhar hoje. Ela entrega atestado médico diariamente, já faz 3 anos! Tenho tentado fortalecer meu tronco. Pra frente e pra trás ta melhor. Mas pros lados, eu ainda pareço o João do Posto. E eu preciso do core todinho, pra poder andar. 12122410_1091699610840724_6946487073752616231_n

Então, há um tempo atrás, eu pensava que hoje, já estaria andando e correndo de novo. Mas não estou! Isso mostra que a paciência que eu tive que aprender a desenvolver nesse tempo, ainda não é suficiente. Eu tenho que ser ainda mais paciente!

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Também me ensinou que não dá pra ter tudo na vida e nós temos que ser felizes com o que temos. Se eu sou feliz? Muito! E que convive comigo sabe disso! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!” Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física (apesar de odiar minha barriga de tetra e minhas pernas moles, e uma mais grossa que a outra) e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

Eu enxergo muito mais os meus defeitos, e também levo alguns puxões de orelhas às vezes, sobre coisas que eu preciso melhorar. Mas eu tento sorrir mais pra vida! Mais do que eu já sorria! Meu apelido na época de corrida era Dani Sorriso. Engraçado é ver algumas pessoas hoje, novas na minha vida, me chamando da mesma forma, sem saber de nada do que aconteceu antes (vida pré-cadeira fica esquisito, né?!).

Eu costumo dizer que tristeza e depressão não resolvem problemas. Então, eu me permito ficar triste sim! Faz parte da vida. Mas não deixo que isso tome muito meu tempo, ou pior, que roube o meu tempo de outras coisas!

11902326_1095673897126547_3336178662199218584_nO fato de não andar não impediu que eu corresse atrás de alguns sonhos. Um deles foi, finalmente, entrar pro triathlon. E como triathlon é esporte de louco, eu entrei e fiquei e ninguém mais me tira de lá!hahahaha Foi a mesma coisa completar a prova de triathlon do que seria quando eu planejava completar andando? Não, não foi! Mas eu quis fazer, mesmo que fosse tudo diferente. E talvez tenha sido melhor, porque eu fiquei muito tempo esperando e pude curtir cada minutinho. E também, tinha muito mais gente torcendo pra eu conseguir, pelo menos, completar!hahaha

Foto para a Campanha Outubro Rosa desse ano
Foto para a Campanha Outubro Rosa desse ano

Uma das grandes frustrações da minha vida é não ter completado uma maratona com as pernas. Planejo fazer uma com a handbike? Mas é claro! Ia fazer esse ano, mas não tenho mais onde enfiar prova! A não ser que alguém saiba de alguma Maratona de Natal (se alguém souber, me avisa!). Num dos meus grupos de whatsapp, estamos eu e mais dois disputando pra ver quem chega vivo no final do ano, de tanta prova! Então, acho que a maratona com a hand vai ficar pro ano que vem. Mas, vai ser igual, fazer com a handbike do que seria com as pernas? Claro que não! Óbvio que não! O triathlon não foi e a maratona vai ser menos parecida ainda! Isso não quer dizer que não vou fazê-la. E também não quer dizer que eu viva sem esperanças. No dia do IronMan, postaram uma velhinha, de 89 anos que completou uma maratona. Eu olhei a foto e pensei “Nem que eu tiver 89 anos, eu vou completar uma maratona ‘andando’ “(pq eu quero é completar correndo, né?!).

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E eu não desisti de buscar, caçar e perseguir meus outros sonhos.  Um deles é a handbike nova (se Deus quiser, vamos conseguir. Se você quer me ajudar, clica aqui http://www.kickante.com.br/campanhas/vem-com-dani-0 ) .  Outro é ter um carro, pra não depender de mais ninguém pra levar handbike, cadeira de atletismo, cadeira de rodas e eu, pras provas! Mas, tive que aprender que é uma coisa de cada vez. E como eu disse pra uma amiga hoje, nem tudo é nada hora que a gente quer! Tudo tem a hora certo, o tempo certo. Não o nosso tempo, mas o de Deus!

Eu ainda continuo com o mesmo pensamento sobre o tipo de vida que eu quero ter. Porque tem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez. E nesses 3 anos, eu comecei a costurar a minha. Furei o dedo várias vezes, tive que trocar a linha várias vezes. Coloquei uns retalhos lá na barra, porque não quero olhar pra eles todos os dias. Mas não posso esquecer que eles existiram e olhar pra eles me faz lembrar o que aprendi. Mas o meinho da minha colcha, aquela parte que a gente olha todo dia quando vai deitar…aahh, esse ta coloridinho, cheeeeeio de pedacinhos vibrantes, bem vivos e alegres, do jeito que eu gosto! Do jeito que tem que ser!

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Finalmente triatleta!

Essa história começa há alguns anos. Pra ser mais exata, há 3 anos atrás! Pois é, antes do acidente eu já estava treinado pro triathlon. Eu nadei a vida toda. E quando comecei a correr, tinha parado de nadar há poucos meses. Nos últimos treinos de corrida, alguns amigos conseguiam bikes emprestadas pra eu poder treinar depois de correr. E a prova dos sonhos (uma das, porque eu sonho e não tenho miséria com isso) estava se aproximando… Mas eu sofri o acidente um mês antes, e o sonho foi por água abaixo.

Quando eu estava com 6 meses de acidente, já tinha voltado do Sarah e tudo, reunimos alguns amigos e, um deles, o mega triatleta Rafael Falsarella, sentou do meu lado e disse uma única frase que impregnou na minha mente até hoje.

Mais um ano se passou e, já nadando bastante, eu ganhei a handbike dos meus amigos de corrida. E pensei “o sonho não morreu!”. Já em contato com a equipe de Paratriathlon, no ano passado descobri que seria um pouco mais difícil do que eu imaginava, pois não tenho a cadeira de atletismo, necessária para a etapa de corrida. Desanimar? Jamais! Continuei treinando, né?!

Quando o paraciclismo entrou na minha, e eu fui pra equipe de Taubaté, sentei na cadeira de atletismo pela primeira vez na vida (o post da saga da Dani Horácio ta aqui http://daninobile.com.br/123-testando-cadeira-de-atletismo/ ). Aíííí, olha eu sonhando com o triathlon de novo!

Mas, como a minha paciência ta sendo testada, aprimorada, lapidada eeeee trollada depois da cadeira, a primeira prova de 2015 caiu no mesmo dia da Copa Brasil de Paraciclismo. E eu…não pude ir!! Como eu sempre digo, “tem pobrema, não”. Na hora, eu fiquei chateada, mas não era pra ser! Eu não ia dar conta dessa cadeira do mal no fim de um triathlon.20150823_072101

 

Mas, como quem espera sempre alcança, chegou o grande dia! Aaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeee!!!!!!! Eu treinei por meses e meses pra nadar e pedalar no mesmo dia, e alguns dias ainda ia no parque tocar a cadeira. Mas nunca era um treino de transição, eram atividades separadas, com descanso, banho, comida (muita! a monstra aqui é boa de boca) no meio. Mas, eu fui com a cara e com a coragem. E começou a saga de “como buscar a cadeira de atletismo em Taubaté e ir, de busão, pra Caraguatatuba, com cadeira de rodas, cadeira de atletismo, handbike e mala..sozinha! Todo mundo sabe que eu sou meio doida e eu resolvi até que ia fazer duas viagens. Mas resolvi pedir ajuda no nosso grupo (santo whatsapp). A galera não mediu esforços e, graças aos contatos do nosso técnico, um triatleta top (que inclusive foi campeão geral da prova), o Guilherme Gil, se prontificou a levar a cadeira pra mim lá pra Caraguá. Graças a Deus e a ele, eu tinha 3 rodas a menos pra carregar!

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Booooooom, chega de enrolar! Vamos pra prova!

Parte 1 – natação: Que gelo aquele marzão! Mas eu estava tão nervosa que 5minutos depois nem lembrava mais. O pessoal do staff leva a gente em cadeiras anfíbias até metade do caminho pra largada. Depois já vamos nadando e ficamos lá esperando. Claaaro que eu sobrei sem cadeira, então um moço me carregou no colo (que chato). Assim que ele me colocou na água (fingindo que eu era levinha), o Tiago, paratleta de Caragua, ja me deu a mão e foi me carregando. Começaram a vir as primeiras ondas e eu lembrei que já estava de óculos (uso lente de pessoa mega míope) e enfiei a cabeça na água. Mew, que medo de só enxergar tudo marrom! Já faz mais de um ano da travessia que eu fiz. Eu sabia, mas nada como enfiar a cabeça na água e ter certeza que você vai enxergar só a sua mão ou nem isso. Vontade de fazer xixi e péééééé….deram a largada.  Deixei a galera top das galáxias ir na frente. Eu faria com calma.

Nadei meio metro e o óculos já embaçou. Eu nem conseguia ver a primeira bóia. Decidi grudar no caiaque, dar aquela lambida básica no óculos e vambora. Ainda perguntei pro moço do caiaque “eu sou a última?” (eu tinha certeza do “sim”) e, pra minha surpresa, ele disse “vocês dois”. Quem me conhece, sabe o que passou na minha cabeça nessa hora. E eu comecei a nadar enlouquecidamente. Mas só até colocar a cabeça pra fora pra respirar e toda a água do oceano Atlântico me entrar guela abaixo. Pára, né! Nada direito, mulher!  Apesar de o mar estar sujo e mexido, era mais raso do que esperava! Então, toda hora que eu perdia a  bóia de vista, era só me erguer ereta que eu não morria afogada. Na verdade, apesar de estarmos uns 500m mar adentro, dava pé!

Nessas horas, já tinham soltado mais uma bateria de atletas. O mar ficou lotado, mas quando fui da segunda pra terceira bóia, ficamos eu e mais duas pessoas. Essa parte foi a mais difícil, porque tínhamos que nadar na diagonal e a correnteza me levava pro outro lado. Mas eu estava tão feliz de estar conseguindo e só ter bebido água uma vez, que eu não sentia nenhum cansaço. Foi tão maravilhoso. E quando eu avistei a chegada da natação, só conseguia pensar “jura mesmo que eu estou aqui, na minha primeira e tão sonhada prova de triathlon?” . E foi com esse pensamento que eu saí  da água, sorrindo e feliz. E eu não fui a última a sair, como eu achava que aconteceria. Na verdade, já deixei minha casa com esse pensamento, pra não me frustrar. Mas fui surpreendida por mim mesma.

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Transição 1: Como era a primeira prova e eu não estava desesperada, demorei. Eu quis colocar tênis. Ainda bem, pois salvou meu pé na parte da bike. E quis prender bem o cabelo, pra não pegar na roda da hand e eu ficar careca na prova. Nisso, todos os meninos saíram da transição da bike. Como eu não tinha handler, apareceu um árbitro pra colocar meu pé no suporte da bike. Mas logo o Rodrigo (técnico de Caragua, que me ajudou muito na prova) veio correndo pra ajudar também. Partiu!

Parte 2 – ciclismo.Eu pensava em fazer os 20km em 1h. A primeira volta não foi fácil, confesso. Eu achei que essa seria a parte mais fácil, porque eu to mais acostumada. Como diria Chaves: ” que burra! Dá zero pra ela”.
Eram 3 voltas. Na primeira, minha perna esquerda deu muito trabalho! Batia no parafuso (igual a Golden Four). Eu não queria ficar roxa de novo, tentava arrumar e ela caía pro lado, pra fora. A faixa da perna chegou a sair 2 vezes.  Eu passei boa parte do tempo pedalando mal, tentando arrumar essa teimosa.

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A segunda volta foi bem melhor que a primeira. Nessa hora, alguns dos meninos cadeirantes  e alguns outros paratletas já estavam na corrida. Fiquei um pouco tensa com meu tempo, mas eu estava ali  pra terminar.

Nessa volta, também já havia algumas bikes convencionais na pista. Eu tentava ficar bem no cantinho pra não atrapalhar o pessoal que buscava pódios no geral. Como a segunda volta foi melhor, achei que a terceira seria molezinha.  Mas, como diz aquele ditado “fui surpreendida novamente”. Na curva do último retorno, não sei porque atá agora, mas eu caí. A curva era pra esquerda e eu caí pra direita, tamanho excesso de coordenação motora que eu tenho! Bati o braço direito no chão, a perna também. A perna esquerda bateu na hand e os pés, se não fossem os tênis, teria raspado no asfalto quente. Veio uma moça pra me levantar e eu ri e falei “calma, moça, sozinha você não consegue me desvirar”  e ri! Veio mais alguém, eles me desviraram, aquele monta de bike passando por mim e ela perguntou “sua perna já estava assim?” Eu olhei e tava tudo sangrando e ralado. Confesso que pensava que minha sensibilidade era melhor. Mas agradeci por não ter sentido dor naquela hora. A moça perguntou “Quer parar e limpar?” Ta doida, é? Ta louca, é? hahahaha  Eu não cantei isso pra ela, mas pensei. Só disse que não, que depois a gente via isso. Eu já tinha perdido tempo demais.

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Tentei terminar essa volta, mas já não estava mais concentrada. Tentava ir mais rápido, por causa do tempo que eu tinha programado. Mas eu fiquei meio mole depois da queda. Fechei o ciclismo 2minutos acima do que eu tinha me programado.

Transição 2: Aqui começou a burrice da criatura= eu. Assim que eu cheguei na transição, o Rodrigo e mais um professor de Caragua estavam lá pra me ajudar a transferir da hand pra cadeira de atletismo. Eu já tinha deixado um gel em cima da cadeira, pra tomar. Mas eu estava tão passada com a queda, que nem água eu beberia (apesar de ter deixado a garrafinha ali) se o Rodrigo não tivesse falado. Pensei em levar a garrafinha pra tomar um gel no percurso, mas ela caiu no chão quando eu fui sair da transição. Nessa hora, a cadeira também não saiu do lugar! O freio ficou preso. Pra minha sorte, o Mais Bonito Fernando Aranha veio, com ferramentas. Ele e o Rodrigo soltaram um pouco o freio e eu falei que iria daquele jeito mesmo. E fui, com freio enganchando, sem água e sem tomar gel.

Parte 3 – Corrida:
Eu sabia que aqui o bicho ia pegar. Mas não imaginei que fosse tanto.
Minha habilidade com essa cadeira é -5. Eu nao consigo respirar direito nessa posição. Eu sabia que já estaria cansada e o sol iria fritar meus miolos.
A primeira volta foi melhor do que eu esperava. Eu conseguia tocar a cadeira, os atletas convencionais e os poucos paratletas que ainda estavam na prova, me gritavam, me animando. As pessoas que assistiam também me gritavam.

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Porém, fui muito mirim e cometi o erro ridículo de não tomar nenhum gel na corrida. Isso quase me custou a prova! Eu pensava “quando tiver água eu tomo”. A água chegava e eu não tinha tempo de colocar o gel na boca, pegar água e tocar a cadeira. Nessas horas eu queria ser um polvo, mas só tinhas duas mãos. E uma já não é aquelas coisas. Eu pegava a água, bebia metade e jogava metade na cabeça. Eu não transpiro, por causa da lesão, e eu estava fervendo.

Nos últimos 500m eu via tudo preto. Fechei o olho e fui tocando a cadeira. Eu chorava e pensava “Eu vou mesmo terminar minha prova de triathlon?” “Meu sonho está tão perto. Eu vou mesmo conseguir”. Eu estava muito emocionada e isso não deve ter ajudado. Faltando 100m, e depois de novo nos 50m, eu quase desmaiei! Mas eu só pensava: “eu desmaio depois da linha de chegada! Eu vou terminar esse negócio!” Aquelas duas curvas, pelo amor de Deus! Nessa altura, o Hilton já estava do meu lado, ciente do meu estado, me animando. Quando eu avistei a linha de chegada, bem ali na minha frente, eu comecei a chorar de novo e tirei forças sabe deus de onde, pra tocar a cadeira com toda a força que eu ainda tinha e cruzar a linha de chegada!

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Sim, eu consegui! Realizei meu sonho! Não no tempo que eu gostaria, mas eu fiz! E ao cruzar a linha de chegada, eu senti a mesma coisa do dia que terminei a minha primeira prova de corrida: Eu quero fazer isso pro resto da minha vida!! Posso ter passado mal, por burrice minha, cansei, quase desmaiei, mas só  conseguia pensar o que penso agora: quando é a próxima?

Depois de cruzar a linha de chegada, o Hilton já me levou direto pra tenda, onde eu quase desmaiei de verdade. Já bebi um monte de água gelada, jogaram água na minha cabeça, tomei os 2 sachês de gel que estavam no bolso, colocaram gelo na minha nuca e nos pulsos. Além de ter comido e hidratado, o corpo esfriou na sombra e com o gelo em mim. Em poucos minutos eu estava melhor. Eu só conseguia abraçar o Hilton, o Frango e o Clehomens. Logo a Andrea trouxe minha cadeira e duas bananas. Graças a Deus eu tive ajuda dela e do Wagner pra levar minhas coisas de volta pra pousada (apesar de terem roubado minha touca, deixada na transição. Pelo menos não levaram os óculos de natação).

Logo, já chamaram meu nome pra premiação. E nesse dia, eu me tornei a primeira mulher cadeirante triatleta do Brasil!

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Não vou mentir pra vocês que eu estava uma pilha de nervos. E tenho que agradecer imensamente a TODOS  os paratletas que estavam ali e à equipe do Paratri. Ficamos todos na mesma pousada. Sumiu a braçadeira que segura a roda da minha hand (nunca tenho uma prova sem tensão com a minha filha), e o Frango foi caçar bicicletaria na cidade. Os meninos me ajudaram a montar as coisas. Dantas me dando várias dicas de mar. Motorzinho e um outro atleta ficaram até mega tarde, depois do congresso, montando a cadeira de atletismo comigo (que veio desmontada), a linda da Tamiris fez 800 viagens pra levar meus equipamentos pra transição, o mais bonito Aranha parou de almoçar pra buscar chaves pro Gil desmontar a cadeira. Fora o tanto de encorajamento, força, risada que rechearam meu final de semana. Todos da equipe do Paratri foram muito incríveis! Agradeço ao Rodrigo e aos meninos pela ajuda imprescindível nas transições. E a Andrea por me socorrer no final.

Nessa prova, também conheci muita gente legal, fiz várias amizades (até no banheiro do congresso, né Sophia!!), reatei amizades que estavam perdidas e recebi apoio de muita gente! Pessoas que eu conhecia, como  a Márcia, que tirou várias fotos minhas, mas de muitas pessoas que eu não conhecia, mas viam meu nome no número de peito e gritavam, aplaudiam, como que me empurrando no final. Esse apoio todo foi incrível, inesquecível e fundamental pra eu conseguir terminar a prova.

Tenho muito que melhorar, muito que treinar pra baixar meu tempo e muito que batalhar pra conseguir equipamentos melhores. Mas, apesar de todos os perrengues, eu realizei o meu sonho! Curti cada minuto de alegria e de dor. E vou te contar? Se fosse fácil, não teria tanta graça 🙂

 

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