24
nov

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Workshop Nutrição para Todos – parte 1

Ja ta todo mundo me cobrando, me mandando mensagens,me pedindo as dicas  que eu aprendi no curso, no final de semana.

Os nutricionistas que palestraram foram o meu nutri Top das Galáxias Hugo Comparotto, o super nutri Renato Barbim e o nutri The Best Rodolfo Peres. Todos eles são especialistas em nutrição esportiva.

Claro que eu não vou conseguir colocar aqui tudo que eles falaram. Foram muitas horas de informações valiosas. Porém, vou transcrever aqui algumas dicas legais, que eu anotei. Como é muita coisa, vou dividir em posts, ao longo da semana. Espero que gostem.

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– Qual a diferença entre regime e dieta?

O regime é pontual. Quando você quer ver o ponteiro da balança descer, para algum evento. Você não está interessado em massa muscular e % de gordura. No regime você perde músculos e água e sofre várias restrições. Porém, restrições levam a compulsões. Por isso o regime leva ao efeito sanfona.

A dieta é um hábito alimentar, um estilo de vida. São hábitos criados e cultivados diariamente. A perda de peso e o aumento da massa muscular são consequência das escolhas que você faz. Olhar a balança não quer dizer nada. Quem quer ter músculos, quem quer perder gordura e ter rendimento no treino, precisa se alimentar direito.

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– Quero emagrecer = faça atividade física

Mesmo fazendo dieta, você precisa fazer atividade física, com treino montado por um profissional.

Crie o hábito, para fazer diariamente.

Se você fizer atividade física 3x na semana, fará exercícios 12 dias no mês. É menos que a metade do mês. Você trabalha mais que a metade do mês. Por que não pode treinar mais que a metade do mês também?

– Esqueça a balança

Existe peso ideal? Levaram um atleta, fisiculturista, o Claudio Monte. Ele pesa 100kg em 1,66. Se você for calcular o IMC, ele estaria em obesidade mórbida.  Esqueça a balança e mude seu estilo de vida!

– Você só vai perder peso se estimular seu corpo a ganhar massa muscular. Por isso, faça musculação!

– Mude seus hábitos alimentares (Essa parte foi incrivelmente interessante, pois ele nos mostrou como analisar o rótulo dos produtos).

Leite com achocolato light. Veja na lista dos ingredientes, qual é o primeiro. Açúcar!

Bolachas integrais ou barrinhas de cereais também estão repletas de açúcar! FUJA delas! Fuja de sucos em lata e sucos de caixinha, que também estão repletos de açúcar!

Pre-treino – queimadores – excesso de cafeína desregula o metabolismo e traz depressão e ansiedade.

– Seu metabolismo tem que estar favorável à perda de gordura e ganho de massa muscular.

Se você reduzir a quantidade de nutrientes que você ingere, seu corpo vai começar a acumular gordura para a sobrevivência (é isso que o corpo de quem está gordinho faz). Mantenha o nível de glicogênio estável no fígado e no sangue. Se você não tiver o nível de glicogênio no músculo, você irá perder músculo!

– Siga um padrão alimentar e entenda que é um estilo de vida! É pra sempre!

copo-com-agua– A PRIMEIRA  coisa pra quem vai iniciar a dieta: BEBA ÁGUA!

Quantos litros devo beber? Vigia sua urina ao longo do dia, para que fique clarinha. Beba água saborizada (você coloca frutas na garrafa) ou marque horários na sua garrafinha.

– Fracionamento das refeições. Seu corpo não tem horário. A média de 3 horas é o tempo que o corpo leva para digerir, metabolizar e deixar carboidrato e proteína circulando pelo corpo.

– Coma devagar. Não precisa contar a mastigação. Porém, seu corpo leva de 15 a 20 min para reconhecer a saciedade

– Coma com qualidade – invista em nutrientes!

– Coma o suficiente para matar a fome e pare de comer quando sentir-se satisfeito.

– Gordices = prazer momentâneo. Vale a pena? Pense no que está ingerindo e colocando pra dentro do seu corpo.

– Você não tem que comer menos! Você tem que comer direito!

A escolha alimentar não quer dizer quantidade de calorias, mas de nutrientes.

Atente-se a bolacha água e sal, nescau light, toddynho, torradas, chás em caixinha, sucos de caixinha.

1 toddynho por dia, é igual a 1kg de açúcar no mês. É alimento isso?

1 pacotinho de bolachinha integral (estilo Belvita) = 20gr de carboidrato = 2 fatias de pão integral ou 4 colheres de arroz integral ou  1 iogurte com fruta. Qual a melhor escolha?

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– Final de semana: 7 refeições por dia = 49 refeições na semana. Sexta à noite, sábado e domingo = 15 refeições = 30% da sua semana. Vale a pena  chutar o balde?

– Quer comer doce? Coma após a atividade física ou próximo às refeições. A tendência é comer menos.

– Aprenda a excluir maus hábitos da sua dieta

– Furos: cirurgias plásticas, dietas da moda, shakes e restrições – não trazem resultados a longo prazo.

-Seja paciente: leva o mínimo de 8 a 12 semanas para observar os resultados do ciclo de treino e dieta.

– Dieta não é apenas um cardápio. Mude seus hábitos, seu estilo de vida

– Planejamento: planeje as refeições da semana.

– Não faça grandes restrições

– Trace seus objetivos

– busque profissionais da área

MUDE, MAS MUDE DEVAGAR. A DIREÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE A VELOCIDADE.

Reflitam!! Essa semana eu trago mais dicas, no próximo post!

21
nov

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Rolo – um caso de amor e ódio

Recebi várias perguntas esses dias, sobre as postagens no ig e no fb, com a palavra rolo. Um monte de gente me perguntou o que é. E to aqui pra apresentar pra vocês o trem mais chato e necessário que entrou na minha vida!

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O rolo é um suporte, onde ciclistas colocam a bicicleta, para pedalar em ambientes fechados. Isso salva o pessoal nos dias de chuva, frio ou quando estão sem tempo pra ir pra rua em horário seguro.

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No meu caso, eu uso o rolo pra pedalar em casa, por falta de escolha. Não tenho carro  pra levar a hand e ir pra ciclofaixa aos domingos (que é longe da minha casa) ou pra levá-la pra pedalar na rua em local seguro, sem muito trânsito e correr o risco de ser atropelada. Então, como eu gosto, tenho e preciso treinar, eu uso o rolo pra treinar no apartamento.

 

Alguns cadeirantes também optaram pelo rolo, pelos mesmos motivos. Outros sortudos, conseguem ajuda pra carregar suas handbikes pros parques ou locais seguros.

Tenho amigos que não se importam de ficar pedalando olhando pra parede. Eu quase morro! Mesmo colocando filmes e seriados. Morro de tédio, principalmente depois de ter pedalado na orla do Rio de Janeiro e de Arraial do Cabo. Mas, na falta de opção, eu optei pelo rolo por livre e espontânea pressão.

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Entre não treinar  e olhar pra parede, escolhi olhar pra parede. E você? Continua dando desculpas pra não treinar? Se você consegue caminhar, tenha certeza que é mais legal e libertador que o rolo. E se você é cadeirante, também pare de enrolar a si mesmo e à sua saúde! Projeto sai do sofá! Sua saúde agradece!

Enquanto você escolhe, eu continuo odiando o rolo, pelo tédio que ele me traz, e continuo amando-o pela possibilidade de treinar.

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17
nov

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Pernas de aluguel

Gente, primeiro vou pedir desculpas  por ter sumido do blog uma semana! Quem me conhece sabe que sou a pata tecnológica. E fiz o favor de cagar meu notebook de novo, não sei como! A assistência remota deu falência dos órgãos, mas meu cumpadre Bruno providenciou “a volta dos que não foram”  e salvou meu note, o blog, as fotos de corrida, os vídeos das minhas melhoras e tudo mais! ufa!!

Desde que fiz o blog, eu prometi uma sessão pra falar de outras pessoas, especialmente mas não necessariamente cadeirantes, e suas mudanças na vida, em busca de um estilo de vida saudável. Porque ninguém merece eu só falar de mim, de mim, de mim…Primeiro a coluna não tinha nome. Porque eu queria “Gente como a gente”, mas descobri que no blog da minha amiga Debs tem uma com esse nome também. Inclusive eu já apareci la! 🙂   Depois, eu pedi pra um monte de gente escrever algo pra eu postar. E as respostas eram sempre as mesmas: “deixa eu emagrecer mais um pouco”, “to trocando de nutricionista”, ‘”to mudando meu treino”…e a coluna ficou lá vazia, esperando uma inauguração!

E hoje, com muita alegria, inauguro a coluna Gente Saudável com o projeto Pernas de Aluguel!

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No dia da Golden Four SP, láááá em agosto, acabou a prova, eu passei pra minha cadeira de uso pessoal e fiquei lá, confraternizando com os amigos. Aí, um moço não parava de me olhar. Olhava pra mim, pra cadeira, pra cadeira e pra mim. Tinha um ponto de interrogação bem no meio da cara dele.  Dei oi e a pergunta dele foi “Você correu com essa cadeira?”. Conversamos e naquele dia que conheci um cara super especial chamado Eduardo Godoy.

O Edu é corredor há dois anos e meio e há 12 é voluntário na Associação Beneficente Comunidade Rainha da Paz, em Santana de Parnaíba, que cuida de crianças com deficiências físicas e mentais.  Inspirado pela história  de Dick e Rick Hoyt. (Postei um vídeo com a história deles aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/03/19/historia-inspiradora/ ) o Edu decidiu dar a sensação de correr às crianças atendidas pela Associação e criou o grupo Pernas de Aluguel.

Do sonho pra realidade, o Edu demorou pra conseguir colocar a ideia em prática. Eu apresentei ele pra Fer (que tem muito mais experiência em corridas com triciclo do que eu) e falamos pra ele sobre a empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos. A Fer os colocou em contato e também apresentou o Edu pra um grupo de amigos nossos, o Klabhia, que correm com seus filhos.

pernas de aluguel 2A primeira cadeira que o Pernas de Aluguel conseguiu, foi feita nas medidas da maior criança da Associação, para que pudesse ser adaptada e diminuída para atender outras crianças. Doaçoes de acessórios, como capacetes e itens de segurança foram conseguidos. E toda a equipe de profissionais do Rainha de Paz se reuniu para escolher quem seria o primeiro atleta a participar. O escolhido foi Wesley, de 23 anos. A corrida foi  a meia maratona do Circuito Athenas, dia 2 de novembro.

E eu, através do Edu, consegui conversar com o Wesley e a irmã dele, que estava junto na corrida, pra saber o que eles sentiram e qual a importância da corrida e do esporte pra eles. As respostas do Wesley da Silva Santos, que foram dadas através de gestos, foram transcritas pela irmã Cristina Cavalcante Lima dos Santos

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1) O que vc sentiu com a corrida?

Wesley, com gesto coloca a mão no peito’coração’ e depois abre os braços, com sorriso Largo …fala “gosto muito”. 

E fica agitado pra mostrar a medalha, quando faço a pergunta!
Convivemos com ele, essa reação de colocar a mão no coração é que amou.

2) vc gostou?

gosto muito

3) a corrida foi importante pra você?

Muitoooo barulho e faz sinal com o polegar de jóia!

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Agora  perguntas pra Cris, a irmã corredora.

1) o que vc sentiu com o evento?

Senti muita emoção, foi possível realizar o sonho dele. Foi um bombardeio de troca de amor fraterno entre todos. Uma experiência única, naquele momento ser uma colaboradora, emprestando as pernas para o meu irmão se sentir como todos. Foi emocionante. Não encontrei nenhuma palavra que expresse o bem que senti! Foi como receber uma benção muitoooo grande! E não quero deixar nunca mais de ser Perna de Aluguel kkkkkk Quero que outras pessoas, como meu irmão, sintam a felicidade que ele vivenciou.

2) Qual foi a importância da corrida pra você, com relaçao ao seu irmao?

 Eu vi meu IRMÃO muitoooo feliz por fazer parte do evento, nenhum momento vi sentimento de inferioridade.  Vejo isto de grande importância pra auto estima dele , a maneira como ele se vê! E é mais uma ferramenta pra usar na motivação do seu tratamento contínuo.

3) Você acha que foi importante pro Wesley? 
S.im Ele virou o assunto na família, amigos, vizinho.Ele quer mostrar a medalha, o vídeo pra todo mundo. Como já mencionei, fez muito bem pra sua auto estima!
Ele fortaleceu vínculo com as pessoas envolvidas ;pede pra eu repetir os nomes dos amigos que passam no vídeo.
Ele é muitoooo amoroso e ficou mais. ..
Quando ele conheceu um amigo que se chama Daniel cadeirante, ele se identificou, como “olha,  ele é o que mais parece comigo!”.
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Conversei também com o Terapeuta Ocupacional Daniele Poppsts Swerts
, profissional do Rainha da Paz que acompanha o Wesley de pertinho. Como ela viu a corrida, com relação ao Wesley?
Quem conhece o Wesley sabe que o seu sorriso expressa ALEGRIA CONTAGIANTE. A corrida  foi ferramenta de expressăo dessa alegria e estreitou relações, como a dos irmăos, que também participaram direta e indiretamente do evento.
A dimensão  e impacto de um evento como esse para um adolescente cadeirante , faz com que ele possa perceber que a cadeira de rodas não é o limite e que podemos sim proporcionar igualdade minimizando as impossibilidades e maximizando as posibilidades. Que muitas outras corridas venham!!!

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Na corrida, o grupo permaneceu unido, pois o esforço de correr empurrando uma cadeira é muito maior, e os corredores fazem sistema de revezamento. Segundo Edu, o apoio de outros corredores e de quem estava assistindo, foi fundamental. “As pessoas passavam acenando, aplaudindo, comemorando. E com isso, o Wesley se sentia ainda mais feliz. No fim da prova, ver o rosto e as reações dele foi algo impagável.

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O Pernas de Aluguel fez um video emocionante, inclusive com o momento em que Wesley pega a medalha. Se você quer chorar, copie o link abaixo e assista o vídeo!

https://www.youtube.com/watch?v=CWArnQsZy2U&feature=youtu.be

Após o sucesso da primeira corrida, um dos apoiadores do projeto doou uma segunda cadeira, que está a caminho. E uma terceira já está nos planos. Isso porque, as crianças do Rainha da Paz estão fazendo fila pra ir pras corridas! Ao ver o vídeo e a medalha do Wesley, todas querem ir também!

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Eu sei que um monte de amigos meus, corredores, vivem em busca de novos desafios. E no começo, todo mundo queria me ver de volta às corridas e um montão se ofereceu pra me empurrar (inclusive na São Silvestre 2012, logo após o acidente!). Agora que eu já tive ajuda que precisava pra estar com vocês, porque não ser um Perna de Aluguel? Como o sistema é de revezamento, dá pra empurrar um pouco e correr um pouco solto pra se recuperar! E você também pode doar para a aquisição de novos triciclos! É só entrar no site  http://pernasdealuguel.com.br/ Tudo por uma vida saudável sobre rodas!

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10
nov

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2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

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Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

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No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

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Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

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10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

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Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

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10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

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Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

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04
nov

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Privação visual e treinamento de força

Você já pensou em treinar com os olhos vendados?

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Nossos grupo publicou dois estudos em 2007 e 2010 relacionando treinamento de força e privação visual. Em 2007 foi publicado na revista brasileira de cineantropometria e desempenho humano um estudo com 12 homens experientes em treinamento de força que apresentaram significativos ganhos de força quando realizaram o teste de 1RM com privação visual. Entretanto, estes ganhos foram maiores para membros inferiores quando comparado com membros superiores (supino ganhos de 5,37%, puxada pela frente ganhos de 5,12%, leg press ganhos de 8,25%).

Por outro lado, em 2010 publicamos outro estudo na revista brasileira de prescrição e fisiologia do exercício, porém, testamos 11 mulheres. As mulheres foram submetidas ao teste de 1RM com e sem privação visual. Concluímos que as mulheres apresentaram significativos ganhos de força durante o teste com privação visual, porém maior destaque para o desenvolvimento de força nos membros superiores quando comparado aos membros inferiores (supino ganhos de 14,2%, puxada pela frente ganhos de 10,2%, leg press ganhos de 5,6%).

A prática de treinamento de força com privação visual parece ser mais eficaz para os grupos musculares que habitualmente o indivíduo menos treina. Assim, através da privação visual ocorre o aprimoramento dos mecanismos reflexos e princípios homeostáticos que auxiliam no aprimoramento do comportamento institivo que regula as ações motoras através do sistema cognitivo de regulação, consequentemente, aumentando a auto-eficácia (rev bras cineant desemp humano 2007; 9(2):177-182….. Rev Bras Presc Fisiol Exerc 2010; 4(24): 587-592).

Bons estudos
#ondeosfracosnaotemvez

alex4Alex Souto Maior                                         Doutor em Fisiologia. Mestrado em Engenharia Biomédica. Especialista em treinamento de força e possui graduação em Educação Física . Atua no programa de pós graduação stricto sensu em Ciências da Reabilitação. Ministra palestras e cursos em diversas regiões do país sobre treinamento de força, suplementos alimentares e desempenho física, sistema cardioendócrino e atividade física e atividade física para grupos especiais. – Instagram @alexsoutomaior