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Maratona de Nova York

Sabe quando você sonha com uma coisa por muitos e muitos anos? Aí o tempo vai passando e você nunca sabe quando você realizar.. chega até a duvidar e pensar “se”.

Essa era eu com a Maratona de Nova York.

Pra quem ainda não conhece minha história, por 5 anos eu corri com as pernas antes de sofrer o acidente que me causou a lesão medular. Por 5 anos eu fiz provas de 5km, 10km e 6 ou 7 Meias Maratonas (21km). Sonhava em correr maratona e estava treinando pra isso! Depois de umas 2 ou 3 maratonas, eu queria correr a Maratona das Maratonas em Nova York.

Aí, entrei no liquidificador (capotamento de carro) e saí de lá sem perspectiva alguma de correr com as pernas novamente (mas eu não desisti disso, gente!). [Além dos textos do arquivo do blog, desde janeiro de 2013, você pode ler meu primeiro texto sobre  o acidente https://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2013/01/07/um-relato-de-otimismo-e-coragem/comment-page-3/]

Após 1 ano e 4 meses do acidente, corri minha primeira Meia Maratona com uma adaptação de handbike. (Leia sobre essa prova aqui: http://daninobile.com.br/minha-primeira-e-setima-meia-maratona/)

Depois de alguns meses, ganhei dos meus amigos uma handbike de ferro, modelo nacional, e corri a primeira meia com ela. (Leia sobre essa prova aqui http://daninobile.com.br/golden-four-uma-das-maiores-emocoes-da-minha-vida/)

Em 2016 eu finalmente realizei o sonho de correr uma maratona. Fui maratonista pela primeira vez com a handbike. (Leia sobre essa prova aqui http://daninobile.com.br/eu-maratonista/)

Em 2018 fui novamente maratonista pela primeira vez com a cadeira de corrida. (Leia sobre a Maratona da Disney aqui http://daninobile.com.br/dopey-challenge/ )

Em abril, em um evento que eu fui palestrar, conheci o pessoal da Travel Run. Conversa vai, conversa vem, mencionei a eles sobre meu desejo de correr a maratona de Nova York. Então eu ouvi a notícia: “me mande um email, contando sua história, que nós vamos enviar pra organização da prova e pedir autorização pra te inscrever”. Aqui, farei uma confissão. No decorrer desses 6 anos como cadeirante, ouvi muitas e muitas promessas que não foram cumpridas. Ouvi que ia ganhar handbike, que ia ganhar cadeira de corrida, que teria patrocínio, cheguei a ouvir que se eu fizesse fisioterapia em tal lugar pagando vários mil reais por mês, voltaria a andar em.6 meses. Eu me iludia e criava muitas expectativas, que eram depois frustradas pois as promessas não se cumpriam. Assim, enviei o email pra TravelRun do mesmo jeito que envio pra todo lugar hoje em dia: boto fé, torço muito pra que dê certo, mas não conto com o ovo dentro da galinha pq… vai que ela não bota o ovo, ne?!

Qual não foi a minha surpresa, semanas depois, quando eu estava entrando na piscina pra treinar em Ribeirão, e recebi uma ligação. Era da TravelRun. Eles não só conseguiram realizar minha inscrição pra Maratona de Nova York, como me dariam a inscrição de presente! Chorei igual bebezinho e liguei pro boy, que estava em Porto Alegre. Lógico que ele disse “então vou me inscrever também”.

2018 foi um ano complicado financeiramente pra nós. Então tínhamos que apertar os cintos pra conseguir arcar com os custos da viagem.Tive que desistir de algumas provas pra guardar o dindin e realizar meu sonho.

Como eu estava programando ser a primeira mulher cadeirante a fazer o Meio Iron Man (70.3) no Brasil, meu treino seria focado no meio Iron (que eu planejava fazer em agosto) e após isso focar nos treinos pra fazer a Maratona com a cadeira de corrida.Mas, contudo, entretando, todavia, nem tudo é como a gente planeja, ne?!

Quando a data do Iron Man foi se aproximando, eu não tinha dinheiro suficiente pra arcar com os custos da prova. Surgiu também o convite pra ser entrevistada pro Esporte Espetacular. Assim que souberam dos meus planos sobre o 70.3, disseram que gostariam de acrescentar à entrevista o Meio Iron. Assim, todas as circunstâncias me fizeram mudar a data do IronMan pra novembro. Mesmo mês da maratona de Nova York! A maratona era dia 4 e o Meio Iron dia 26.

Como o ciclismo é minha pior modalidade das 3 no triathlon, eu tinha que focar nisso. Assim, minha ideia de passar 3 meses focada única e exclusivamente nos treinos pra maratona de NY.. foram por água abaixo! Como o Meio Iron seria muito mais difícil, eu focaria nos treinos de pedal e na corrida, daria meu melhor sem ser a prioridade.Mesmo assim, treinei bastante. Chegava a fazer 2 treinos de 20km durante a semana (pois o fds era pro longo de handbike).Meu tempo na corrida melhorou, eu terminava os treinos bem menos cansada, ou seja, estava melhor preparada.

Mas fiz uma cagada homérica. E aqui fica a primeira dica de treino pra quem vai correr NY: treine subida! Eu não treinei (que anta!).

E aí, a data da prova, que parecia tão distante.. chegou!

Eu recebi um grant da CAF pra pagar a minha passagem pra NY. Assim, fomos primeiro pra San Diego (na Califórnia), onde eu pedalei no palco num evento de arrecadação de fundos pra CAF. Se eles me ajudaram, o mínimo que eu tinha que fazer era retribuir. De San Diego (bem calorzinho e gostosinho), fomos pra NY, onde estava um congelante clima com muito vento e temperatura entre 4° e 8°.

A primeira coisa que fizemos no dia que chegamos foi ver a linha de chegada da prova, que já estava montada no Central.Park. Os metros finais da prova são circundados por 2 fileiras (uma de cada lado) com todas as bandeiras dos países de onde veio algum corredor fazer a prova. E aí tem o pórtico da chegada. E eu olhei pra ele e desatei a chorar. Eu nem acreditava que dali uns dias, eu finalmente passaria nesse pórtico!

A segunda coisa foi treinar no Central Park. Sabe aquele sonho que vc tem, qdo vê os filmes de hollywood, o povo “tudo” correndo no glamour?! Então.. não vi glamour, mas vi subida! Hahahha

Como eu e o boy corremos em ritmos diferentes (obviamente), decidimos ir cada um por si e fazer 5km. Eis que estava eu correndo, quando tinha uma bifurcação. Pensei “se eu for por ali, vou voltar muito rápido e nem vai dar 5km. Vou por aqui”.

E aí, tinha um lago lindo, uma casinha la no fundo, as árvores, os pássaros.. e a idiota foi descendo, descendo… Mano do céu, da terra, do ar e do mar! Agora eu tinha uns 2,5km da subida do Everest pra poder voltar.

Como tava frio, saímos do hotel cheios de blusa. Assim que comecei a subida, eu fazia tanta força, e por transpirar, comecei a ferver. Parei a cadeira e fui arrancando tudo. O povo me olhava esquisito, pq aquele friozão e a doida aqui de top!.

Mandei minha localização em tempo real pro boy e ele ria e perguntava pelo whatsapp “como vc foi parar aí?”

Depois da subida, decidi ir pela ciclovia de fora do parque. Mas um pedaço tava fechado por causa da estrutura da prova e eu não sabia como sair dali. Ainda bem que no mundo tem bons samaritanos. Veio um chefão da estrutura, me botou pra dentro das grades, me empurrou por cima de todos aqueles fios e cabos pra cortar caminho e me ensinou como chegar até o boy.

A retirada do kit da Maratona de NY é uma coisa grandiosa. Muita gente trabalhando, uma estrutura gigantesca pra retirar o número. Tem até local pra vc experimentar a camiseta da prova e pegar a do tamanho certo pra vc.

Quando você pensa que acabou, entra na “lojinha” da prova. E ali você se finge de cego ou estoura o cartào de crédito, pq as roupas oficiais ou temáticas da New Balance são muito legais!

Depois que você paga e acha que está a salvo pois conseguiu gastar pouco..entra na parte não oficial da feira, onde há roupas, comidas, suplementos, pacotes de fotos, de viagem, e todo tipo de coisa dos patrocinadores ou expositores. Algumas coisas valem muito a pena, pelo valor que a gente paga, como Gel de carboidrato, por exemplo.

Para os cadeirantes, a organização oferece um serviço importantíssimo: na véspera da prova você leva sua cadeira de corrida ou handbike (ou triciclo, para o caso de quem empurra a criança) nos caminhões da organização. Eles levam seu material de prova pra largada e você não precisa se preocupar se vai ter taxi no dia, se vão aceitar leva sua cadeira pra prova, se vai caber, se você não vai levar o cano e ficar na mão, se vai chegar atrasado na largada porque não achou transporte.. eles já tem uma lista com seu nome e número. Eles etiquetam sua cadeira de corrida/handbike antes de colocar no caminhão, e etiquetam sua cadeira de uso diário, pra que possam pegá-la na largada e te entregar na chegada, junto com seus pertences (mochila, casaco, o que você resolver amarrar na cadeira). Isso é maravilhoso demais e foi minha primeira experiência em prova onde tivemos esse suporte.

Eu e o boy não conseguimos deitar tão cedo quanto gostaríamos, mas tivemos que acordar mega cedo! A largada da prova é em Coney Island, mas a chegada é em Manhatan. Todo mundo costuma ficar hospedado em Manhantan e há 2 jeitos de ir pra largada: os ónibus da organização ou um ônibus fretado incluso no seu pacote de viagem. Pra nossa sorte, a TravelRun um tinha ônibus fretado que sairia da porta do hotel, bem.como bananas, água e barras de cereais para o café da manhã (muitos hotéis nos EUA não oferecem café da manhã. O nosso oferecia, mas não às 3h30 da manhã!).

Chegando ao local da largada, passamos por revista policial (o que acho super importante pra nossa segurança) e fomos procurar o “curral de largada” dos deficientes. Para todos os corredores, a organização oferecia café, leite e chá à vontade, bem como bagels e bananas. O curral dos deficientes era imenso! Muitas e muitas handbikes e algumas cadeiras de corrida. Importante salientar que ali estavam os amadores. Os corredores de cadeira da Elite já tinham largado (e entre eles temos Aline Rocha, a melhor corredora de cadeira do Brasil).

Há voluntários pra separar os cadeirantes, as handbikes (largamos separadamente pra segurança de todos) e os amputados e deficientes visuais (que largaram 1h depois).

Passei pra cadeira de corrida, o boy me ajudou a arrumar minhas “comidas” e água. Me despedi dele, da Adriele e do Fábio, que largariam 1h depois de mim.

Ao sairmos do curral pra nos dirigir à largada, as palmas e o apoio dos demais corredores já começa. Quando começamos a subir a ladeira da largada, ouço a voz de Frank Sinatra cantando “New York, New York” e desabei a chorar. A gente tremia de frio aguardando o tiro de largada. Apesar de estar 8° e sol, a promessa era de chegar a 12° durante a prova, então eu tava só com um blusa por baixo do uniforme. Mas estávamos em cima da ponte e ventava MUITO!

3, 2, 1… largamos! E já começa com 1km de subida! Ô beleza! Aí veio um Pinocchio, voluntário e me disse “já fiz essa prova 14 vezes. Essa é a pior subida”. Ele disse isso só pra me animar.

O visual de cima da ponte é muito incrível! E a descida de quase 2km oferece um respiro pros braços, apesar do medo que fiquei pois é bem íngreme. Desci freando.

Mais uma curva aqui, outra li e avisto as primeiras pessoas da torcida. Escuto “Welcome to Brooklin, my dear”. Aí caiu a minha ficha: eu estava mesmo correndo a maratona de NY! Comecei a chorar muito, muito!

Dali pra frente, tem torcida praticamente o tempo inteiro e eh decidi me divertir na prova. Eu erguia uma das mãos pra cima e gritava. Aí o público enlouquecia e gritava mais!

Eu estava me divertindo, mas bastante preocupada com a minha cadeira. Como o asfalto chacoalhava muito, a cadeira trepidava e elas estava andando muito torta. Eu estava gastando muita energia pra botá-la o tempo todo na direçào certa.

Até o km 18 foi só festa. Ali, porém, o parafuso que segura o pistão da cadeira, e permite que eu faça curvas, soltou e caiu no chão. Isso me deixa desgovernada. Eu fiquei desesperada, comecei a chorar e tive medo que minha prova tivesse terminado ali. Porém, pedi ajuda pra torcedores e um voluntário que passava. Nessa hora eu desesperei várias pessoas que me acompanharam pelo app. Só vi as mensagens depois que terminei e quero pedir desculpas por preocupar vocês… Depois de 15 minutos parada, pude continuar a prova.

A cadeira voltou a fazer curvas, mas ficou torta o resto da prova. Mesmo abalada, fui indo. Voltei a brincar com a torcida como fiz em todos os km anteriores, pra me distrair do momento horrível. Afinal eu estava ali pra me divertir.

Fui assim até o km21. Porém, do 22 ao 24 é uma subida da morte, onde encontrei Jesus. É muito íngreme. Subindo com os braços, parece que não vai ter fim! E não tem torcida nessa hora pra ajudar. Eu pensava “que dia lindo, que árvore linda. Jesus, me ajuda! Olha o barquinho la embaixo. Socorro, Deus.” Hahaha

Até ali, fui sozinha na rua. No km28 a gente encontra com a multidão dos atletas e ali começou a ficar difícil. O pessoal usa fones de ouvido nas duas orelhas e coloca muito alto. Simplesmente não escutam a gente pedir licença. Eu tinha que frear toda hora, seja em retas, descidas e até em subidas, pois o pessoal acha que não vai trombar e colocam o pé bem na frente da nossa roda. Também nâã conseguia beber água nos postos pois os atletas andantes não me  deixavam passar eu não podia atropelar ninguém.

No km30 parei pra tirar a blusa de frio (como não transpiro, mesmo estando 8°, comecei a ferver nas subidas e passar mal) e pensei “como vou continuar essa prova agora? Eu to é morta!”. Fui com a cabeça, com o coração e com a torcida. Minha prova foi um misto de concentração e alegria.

No km35 fui salva por um torcedor que me ofereceu água. Bebi e joguei na cabeça. Isso me deu um gás. Dali pra frente, além de gritar pras pessoas e erguer uma das mãos quando podia, eu batia a mão em todas as mãos de criancinhas e em todos os cartazes que eu podia. Mas eram muitos Hi5 pra uma pessoa só.

Foto Fernanda Paradizzo

No km 38, já no Central Park, uma corredora convencional com fones de ouvido não me ouviu gritar desesperada e não ouviu a multidão gritando pra ela sair. Eu tava a 18km/h freando na descida e ela me derrubou. Caí no chão, bati o ombro, ralei o braço, bati a cabeça (graças ao capacete não machuquei). Fui ajudada por corredores e expectadores. Ela mesma, pediu desculpas e foi embora. Um senhor japonês, corredor, perguntou se eu queria ir pra ambulância. Pensei “to na maratona de NY. Eu vim aqui pra terminar!”

Não sei de onde eu tirei forças, pois sentia muita dor. Mas quando passei naquela linha de chegada, foi só emoção. chorei muito!

Fui levada por uma voluntária para tirar uma foto no painel da prova e encontrei o Tubino, nosso amigo da academia. Ele me ajudou a pegar água e uma maçã e encontrar um voluntário que pudesse me ajudar, pois ele não podia passar pela área dos deficientes. Um americano veio me ajudar, e quando perguntou de onde eu era, começou a falar um pouco de português comigo. Ele me levou até o guarda-volumes dos cadeirantes. Ele e voluntários da Achilles me ajudaram a passar pra minha cadeira do dia a dia (eu não aguentava mais ficar encurvada na de corrida). Pedi pra ir ao banheiro, de onde mandei um áudio num grupo de amigos (grupo que o boy ta) chorando e contando o que houve. Eu estava muito emocionada ainda. Dali fui levada pra tenda médica.

Os médicos são muito cuidadosos. Quando eu disse que bati a cabeça, começaram a perguntar se eu sabia meu nome, se eu sabia onde estava. Mas eu só queria gelo pro meu ombro e minha escápula que doíam muito.

O Márcio tinha largado 1 hora depois de mim. Mesmo eu tendo feito um tempo bem acima do que eu queria, perdido tempo com parafuso, queda e tal… a lógica seria que ele chegasse bem depois de mim. Quando ele terminou, me ligou dizendo que, mesmo estando com a pulseira de acompanhante, não o deixaram ir pela saída dos deficientes. Ele demorou quase mais 1 hora pra dar a volta e me alcançar.

Estava muito frio e os voluntários me deram manta térmica, sopa quente e chocolate quente. Foram maravilhosos demais! Um deles, inclusive, tentou ir atrás do Márcio, pra tentar fazê-lo cortar o caminho e vir me encontrar logo, pois eu não conseguia nem mexer o braço.

Quando ele finalmente chegou, choramos muito ao nos abraçarmos. Ainda ganhamos uma carona da Achilles NY para o hotel

Sim, realizei meu sonho e trouxe a medalha da minha 7° maratona, a de NY, pra casa!

“Ai, Dani. E como é correr a maratona pra quem anda?”

Com  a palavra, o boy!

“Chegamos em Nova Iorque já cercados por placas da maratona. Isso faz a gente entrar no clima da prova. Querer trocar de roupas e ir direto para o Central Park fazer um treino e postar( somente os blogueiros entenderão).

Assim que acordamos, aquela sensação de adrenalina com nervosismo toma conta de você! Já saímos do hotel acelerados, tipo treino de tiro. Uma mistura de euforia com aquela vontade que logo deem a largada da prova.

Já na concentração, enquanto eu ajudava a Dani a se aprontar, revezava os aquecimentos, com idas ao banheiro e donuts com chocolate quente. Uma prova com donuts de graça? Já é um sonho!

 Logo que deu a largada, filmei um pouco pra deixar registrado aquele momento único. Afinal, era a minha primeira Major!

 Nessa prova tudo é alegria, desde as horas que você passa nos postos de hidratação, quanto pelo caminho. Curti cada momento, mas sempre cuidando meu ritmo, pois embora fosse minha quarta maratona no ano, não tinha treinado nada para ela. Achei um ritmo confortável com pace 5 e fui.

 Subidas, descidas, curvas, tudo eu controlava com precisão, pois sabia que depois do km 30, meu corpo sentiria o cansaço. Sofri muito durante o percurso, pois as subidas eram muito mais do que o esperado, muitas mesmo! No km 24 passamos pela ponte do Brooklyn(eu acho! Pois eram muitas!!!), e ali eu vi que seria difícil manter aquele ritmo. Foi uma subida de 1 milha(1,6km) intermináveis! Minhas pernas acabaram!!! Então pensei: “Bom, se não vou terminar num tempo que eu queria, vou curtir a prova!”, e dali para frente, eu bati em cada mão que o público dava, comi doces, bolos, chocolate, etc… curti a prova até mais que a Maratona da Disney!

La no km 38 foi que bateu o desespero. Por que??? Por que entramos no Central Park!!! E pra segurar o choro como faz? Foi incrível!!! A multidão te apoiando! Gritando! Dizendo que a chegada estava logo ali! Foi demais!!! Só de escrever já senti um arrepio!

E a chegada então? Essa sim! Valeu! Valeu cada segundo corrido, sofrido! Cada dor, sede, fome e cansaço! Somente quem corre sabe o quão grande é a vitória de um maratonista contra ele mesmo. Não importa se você termina uma maratona em 3, 4, 5, 8 ou 9 horas… O que vale e sua vitória pessoal! Mostrar pra você que consegue, que pode vencer qualquer obstáculo ou dificuldade. E um maratonista sabe muito bem o caminho sofrido que foi para chegar naquela linha final. Treinos, alimentação, dieta, abrir mão de festas, bebidas. E o mais legal, sentir dor e gostar! Não gostar da dor, mas saber que aquela dor foi porque você venceu mais um treino, uma prova, um limite do seu corpo e mente. Quando e a próxima???”

Como se inscrever pra maratona de Nova York?

Há várias maneiras diferentes de você se inscrever pra TCS New York City Marathon.

A primeira delas é entrando no site da prova e entrar no sorteio (clique na opção DRAWING). É um sorteio mesmo. Você paga uma taxa simbólica (que é doada para instituições listadas no site) e “concorre” à uma vaga. É assim com todas as Majors Marathon. Por isso você, se já corre, vai ver a comunidade dos corredores do mundo desesperada quando “abre o sorteio” de tal prova. Se você for sorteado, será avisado por e-mail e o valor da inscrição será debitado do seu cartão de crédito. A inscrição por sorteio é mais barata que outras formas que colocarei a seguir. Para correr em 2019, a inscrição para o sorteio vai de 14 de janeiro a 14 de fevereiro. O site oficial para inscrição é esse https://www.tcsnycmarathon.org/plan-your-race/run-in-2019

Outra forma de se inscrever, é fazer uma doação para instituições listadas no site da prova. Porém, o valor costuma ser bem alto para meros mortais que ganham em reais! É por isso que a gente vê tantas pessoas em provas fora do país correndo para arrecadar fundos. É pra essa doação.

Outra forma de se inscrever é comprar um pacote de agências de viagem especializadas em corrida. O valor da inscrição é tabelado pela organização (mais alto do que o valor do sorteio, por isso o desespero para ser sorteado). Junto no pacote você compra hotel pelos dias da prova, o transfer para a largada e algumas agências oferecem mais algumas coisas. Depende de cada uma. Para NY, o Márcio comprou o pacote da TravelRun e eu comprei o hotel e o transfer deles.

Mais uma forma de se inscrever é se você tiver índice. Cada Major Marathon estipula um tempo máximo, separado por faixa etária, para os corredores completarem uma maratona. Completando abaixo do índice da sua faixa etária, você envia o comprovante do tempo (geralmente o link com os resultados oficiais da prova que você correu) e paga a taxa como se tivesse sido sorteado. O prazo para pedir sua inscrição por índice também vai de 14 de janeiro a 14 de fevereiro de 2019.

08
jul

2

Exercícios para lesados medulares – Abdominal

Como aqui nesse blog, promessa é dívida, tia Dani ataca novamente contra a preguiça desembestada e as desculpas esfarrapadas.

Muita gente pediu pra eu voltar a postar dicas de exercícios aqui no blog. Mas eu também ouvia “Poxa, tia Dani, você já tá com quase 4 anos de lesão e já recuperou bastante coisa. E quem teve lesão recentemente? Faz o que?”  Cola na tia Dani que é sucesso! Aqui a gente dá jeito pra tudo!

No ano passado, eu conheci a Poli. Ela era minha seguidora e nós nos conversamos pessoalmente na fisioterapia. Ela sofreu um acidente dia 13 de outubro de 2014, quando tinha 30 anos. Ela teve lesão medular em C5 e C6 e traumatismo craniano do lado direito.

Hoje somos amigas e treinamos juntas na academia. No início do ano, perguntei se ela toparia ser nossa modelo do blog! E ela aceitou!!! uhuuuu Assim, teremos vídeos também pra quem está em início de lesão e teve lesão alta.

O treinador da Poliana é o professor Fabio Ibrahim, da Companhia Athletica de Ribeirão Preto. Ele me ajudou há anos atrás e tem bastante experiência com cadeirante, pois o pai dele também é do mundo das  rodinhas.

Segundo Fabio, “o objetivo do trabalho com a Poliana, que tem lesão alta, é fazer com que o sistema nervoso e o sistema neural trabalhem. Trabalhando os dois, a mão começa a funcionar, pois ela recebe os estímulos.”

E sim! A mão da Poli começou a mexer! Mas não é só isso! Ela está tendo grandes avanços pra sentar, sustentar o tronco e se posicionar melhor na cadeira. Eu sei o quanto isso é importante, pois desenvolvi uma escoliose gravíssima devido ao mal posicionamento e fraqueza abdominal.

Então vamos lá? Vamos botar esse corpinho pra mexer?

Os exercícios de hoje são para estímulo abdominal. No início, assim como eu, a Poli não tirava a cabeça do chão. Veja como ela está agora e quais são os estímulos que o corpo dela está recebendo.

 

03
mar

2

Alavancas: Vantagem mecânica na musculação

 

Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.

A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio (articulações).

A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.

A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).

A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.

O seu braço está do tamanho que você deseja?

Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.

Quanto peso você é capaz de erguer?

Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: “É preciso ficar forte para depois aumentar o peso”. Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira.

Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas.

Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.

Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico.

Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia.

Grande abraço.

"Alavancas: Vantagem mecânica na musculação </p>
<p>Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.</p>
<p>A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio      (articulações).</p>
<p>A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.</p>
<p>A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).</p>
<p>A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.</p>
<p>O seu braço está do tamanho que você deseja? </p>
<p>Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.</p>
<p>Quanto peso você é capaz de erguer?</p>
<p>Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: "É preciso ficar forte para depois aumentar o peso". Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.<br />
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira. </p>
<p>Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas. </p>
<p>Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.</p>
<p>Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico. </p>
<p>Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia. </p>
<p>Grande abraço."

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

27
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Core 360 cadeirante – segunda edição

Gente, é com muita alegria que estreio nosso site novo com esse post tão especial!

Há quase um ano atrás, estive em São José dos Campos e pude conhecer pessoalmente o Artur Hashimoto Inoue. Ele é instrutor do Core 360 e foi quem criou o Core 360 cadeirante.

Pra quem nunca ouviu falar sobre esse método de treinamento funcional, expliquei o que é e como funciona nesse post -> http://daninobile.com.br/core-360o-cadeirante/

Nunca escondi de ninguém que meu lado direito é bem mais forte que o esquerdo. Desde o trapézio até o pé, o lado esquerdo tem menos força, menos amplitude e menos movimento. Assim, seu sempre fico meio caída pro lado, principalmente quando estou na cadeira.

Ano passado, com a ajuda do Artur e com os exercícios que ele me passou, comecei a trabalhar o core (região abdominal e lombar, envolvendo todos os músculos dessa circunferência). Porém, como sabemos, depois de um tempo de treino, o corpo acaba se acostumando com os mesmos exercícios e a gente precisa dar novos estímulos. O meu já tava no replay automático.  Então, encarei 8horas de busão e fui pra SJC de novo, nessa semana.

Lá, eu já levei umas broncas do japa, que perguntou se eu não estava fazendo os exercícios direito, porque eu continuo caída. E aí, eu fui pra chibata! O Artur tem uma sala, onde ele atende alunos de personal, e eu apelidei carinhosamente de “sala da tortura”. Depois de aquecer (eu remei! sou viciada naquele trem e não tem na academia onde eu treino), fazemos a ativação do core e partimos pra sessão demolição.

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No meu caso, foram exercícios mais específicos para treinar meu core, minha postura e meu equilíbrio e o que chamamos de “empurrar e puxar”. Com o Artur eu fiz os exercícios de empurrar. E no dia seguinte, com o querido treinador Miltinho Miranda, eu fiz os de puxar.

Gente, ta cheio de vídeos no youtube, com todos os exercícios que eu fiz e como foram os treinos! Tem alguns que estão lindos, com a postura perfeita, e outros que estão horrorosos e eu to toda torta e barriguda. Mas não tem problema! O que vale é vocês aprenderem os exercícios novos. Não se esqueçam que é perigoso fazermos os exercícios sozinhos! Precisamos da supervisão de um educador físico ou fisioterapeuta. Principalmente no começo, pra orientar  nossa postura, se estamos bem alinhados, sentados da maneira correta, fazendo os movimentos da maneira correta…

Também quero lembrar que esses exercícios foram adaptados para a minha realidade. É importante que as modificações sejam feitas, de acordo com o que você precisa! Mas já são ideias do que fazer!

E se você não é cadeirante, também pode fazer os mesmos exercícios, porém, em pé! Mostre os vídeos pro seu educador físico e bóra treinar, minha gente!!!

Nosso canal no youtube: https://www.youtube.com/user/dannyybo

 

Com o treinador Miltinho Miranda
Com o treinador Miltinho Miranda

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Remando

 

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com o treinador Artur Hashimoto
com o treinador Artur Hashimoto

11
dez

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1,2,3, testando…Cadeira de atletismo

Olha só como é a vida, né! Eu passei meses, pra não dizer mais de um ano, querendo experimentar uma cadeira de atletismo. Queria sentar, ver como era, se era mesmo difícil como falavam…Lá na Pampulha, tive problemas pra correr, justamente por não ter uma cadeira dessa, mas usar uma handbike.

Desde que voltei de Rio das Ostras, estava combinado com o técnico que eu viria pra Taubaté, logo após a Pampulha, pra fazer uns testes e adequar meus treinos pra 2015. Chego aqui domingo à noite, e o primeiro treino da segunda de manhã foi…foi… (dou um chocolate pra quem acertar!!). É! Foi na cadeira de atletismo! Fomos pra pista de treinamento da cidade e eu sentei em uma, pela primeira vez.

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É mesmo bem difícil como me falaram. Amarramos meus pés embaixo do assento, pois eu não consigo “sentar” em cima deles, como é costumeiro fazer. Como meu controle de tronco é meio complicado, eu me desequilibrei várias vezes. E meus bracinhos de Horácio também não deixaram que eu desse a volta toda no aro de impulsão. Além disso, to com um roxo gigantesco no braço direito, que ficava batendo no protetor de roda. E meu técnico carrasco disse “e daí?”. Pois é! Como diria minha amiga Fer, “cada um tem o que merece”. Eu devo ter feito muita maldade nesse ano, pra merecer um Capitão Nascimento na minha vida! hahahahhahaha

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Pra quem me acompanha há bastante tempo, sabe que meu lado direito do corpo é bem mais forte que o esquerdo. Assim, eu também me compliquei pra fazer a cadeira andar em linha reta (mesmo o Carrasco tentando regulá-la umas 85 vezes).

Apesar de todas essas dificuldades, eu gostei muito da experiência. Sabe criança quando ganha doce e se lambuza tudo? Essa fui eu, no treino. Claro que eu não contei isso pro Capitão Nascimento, nem pra ninguém! Porém, eu estava sonhando com esse momento há tempos, e me realizei, apesar de ter feito um treino de franga “desequilibrada”.

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Mas, pra quem tá sonhando com o triathlon desde antes do acidente, eu vou ter que dar um jeito desse trem funcionar pra mim. Infelizmente a cadeira é da equipe de Taubaté, não minha. Então, eu só poderei usá-la quando vier pra cá treinar.

Um dos desejos pra 2015? Por um ano com mais equilíbrio de tronco, menos roxos no braço e mais capacidade física de, finalmente, fazer um triathlon! Ou uns…

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09
dez

13

Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

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E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

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Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

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Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

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03
dez

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Copa Brasil de Paraciclismo e Campanha #saidosofa

Gente, demorei pra escrever porque minha viagem de volta foi muito desgastante fisicamente. Mas cá estou, pra contar tudo de maravilhoso que ocorreu durante esse final de semana.

Tudo começou quando eu ganhei a handbike, em junho (se você quer saber como foi, leia aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/06/02/1-fim-de-semana-1-monte-de-presentes/), os cadeirantes do paraciclismo começaram a me mandar mensagens, me convidando para conhecer esse esporte. Mas, eu amo a corrida de rua, principalmente as meias maratonas (novidaaaaaaaade!!! dessa ninguém sabia) e eu só pensava nisso. Não queria saber de outro esporte. Em outubro, quando fiz minha inscrição pra Adidas Boost Endless, no RJ, meu amigo paraciclista Dado Camara, disse que ao invés de ir pra essa prova, eu devia ir pra Curitiba, na Copa Brasil de Paraciclismo, pois isso seria melhor pro meu futuro no esporte. Mas eu já estava com tudo pronto e a caminho do Rio.

Na volta, um colega de Taubaté começou a fazer a lavagem cerebral em mim!hahahaha  O Eduardo fez que fez, me convencendo a todo custo, com uma ajudinha do Fred Carvalho e do Dado, pra que eu fosse pra Rio das Ostras. Mas, eu tinha acabado de chegar da Golden Four Brasília. Eu não tinha um centavo de peso (que vale 5x menos que o real)  pra fazer essa viagem. Então, resolvi postar no facebook, perguntando se alguém sabia de algum empresário que gostaria de me patrocinar nessa prova. Na mesma hora, duas amigas me enviaram a mesma mensagem: faça uma vaquinha on line! Pensei, repensei e montei a vaquinha. Ao ver o link, alguns amigos começaram a compartilhar e outros a contribuir com o que podiam, pra me ajudar a ir. A união faz a força e eu já estava achando que iria conseguir ir mesmo! Então, o Eduardo me deu as instruções pra me Federar e me inscreveu pela Equipe de Ciclismo de Taubaté.

Ao ver a vaquinha on line, um empresário resolveu me patrocinar nessa prova. E entrou em contato com outro. Essas empresas são a HVex e Pando. E eu não tenho como agradecer por isso!! Uma amiga, a Mônica Santiago, também resolveu me ajudar com as passagens. Minha gratidão a eles é infinita, pois me possibilitaram ir pra la, arcando com alguns custos que não seriam cobertos pela Federação e pelo Comitê. Aí, vi uma luz no fim do túnel. Vi que, além de participar da minha primeira prova de Paraciclismo, ainda iria sobrar dinheiro pra comprar as passagens pra ir pra Volta da Pampulha, em BH, no dia 7 de dezembro (e agora, também vou pra Taubaté, em outra prova de Paraciclismo, dia 14 de dezembro, com  o mesmo dinheiro. Sim, gente, eu sou econômica! Segurei as pontas e o dinheiro vai dar!!! Obrigada a todos!!)

Totalmente sem ideia do que iria acontecer e de quantos km eu teria que correr em 2 dias de provas, pois ainda não tinha minha classificação funcional, meus treinadores da Fun Sports mudaram totalmente meu treino, pra que eu pudesse rodar um pouco mais na hand, em 2 semanas.  Sofrimento foi fazer 1h30 de rolo, na quarta, véspera da minha viagem. (O rolo é necessário e imprescindível na minha vida. Mas ainda não aprendi a amá-lo! Vocês já sabem disso também). Meus pais vieram embalar a hand pra mim. E na quinta, na cara e na coragem, sem saber o que me esperava, parti pro RJ.

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Chegando no aeroporto, o João, da Federação de Ciclismo do Estado do RJ, já estava me esperando. Ele me levaria pra Niterói, onde eu ficaria no alojamento da Federação, gentilmente cedido aos atletas de outros estados, esperando ir pra Rio das Ostras na sexta bem cedo. Como o carro não tinha som, eu e o João passamos um bom tempo rindo, falando do Rio, das provas, do esporte. Chegando lá, fui recebida com muito carinho pelo Claudio e pela Sarita.

Pensei que ia dormir cedo, mas… no no no (cantem no ritmo da Amy). Meia noite chegaram mais atletas. E minha noite de sono virou uma noite de muito papo alegre até 3h da manhã, quando eu, delicadamente, com meu jeito Fiona de ser, falei pra todo mundo dormir. 5h da manhã chegou o caminhão pra levar as hands e nossas cadeiras de rodas. 7h da manhã foi o fim do semi-sono. Café da manhã e partimos pra Rio das Ostras. Eu brinquei de bater a cabeça no vidro a viagem inteira, dormindo e acordando. Espero não ter dormido de boca aberta, nem babado.

Não tenho a menor ideia de quanto tempo levamos. Acho que umas 2h30 a 3h. Eu acordei já na entrada de Rio das Ostras. Vou resumir essa parte da minha chegada, senão vou levar uns 3 parágrafos contando até o momento que eu, finalmente, entrei no quarto. Válido é dizer que, enquanto eu esperava “me acharem”, porque a Equipe de Taubaté estava num hotel e eu no outro, eu encontrei a Jady (que desde que nos conhecemos em 2013, me chama pro Paraciclismo) e o Ulisses. E, em uns 30 minutos de conversa, pude aprender muita coisa sobre handbike, com essas duas feras.

No caminho do almoço, fui parada por um moço. Era o Guto, técnico da equipe de Taubaté. Ainda não tínhamos feito contato, pois ele estava viajando com atletas de Taubaté de outras modalidades paradesportivas. Após o almoço, ele ficou comigo, esperando minha vez de passar pela classificação funcional.  Enquanto aguardávamos, o Guto me explicou muitas coisas importantes sobre o esporte profissional, como funciona a distribuição de vagas das modalidades e classes, dentro de Campeonatos Mundiais, Paralimpíadas e Parapan. Nada disso eu sabia. A conversa foi super esclarecedora.

Entrei pra ser avaliada e fui classificada como H2. (Se você quiser entender melhor como isso funciona, entre nesse link http://www.cbc.esp.br/default/admin/arquivos/Para-ciclismo%20-%20Artigo%20Classifica%C3%A7%C3%A3o%20Funcional.pdf ). Na saída, encontrei o Mauro, meu amigo de SP, que também estava estreando no Paraciclismo e ia fazer sua classificação. Ele, o Leandro,  amigo do Mauro, A Jady e o Erick, irmão dela, foram grandes parceiros nessa viagem.

Após confraternizar com todos os atletas e técnicos no jantar, fui milagrosamente deixar tudo pronto para o dia seguinte.

1512307_10205565924967186_3153541964552178363_nNo sábado, foi a prova de estrada. Na classe H2, eu teria que dar 9 voltas no percurso, totalizando 19km. Porém, a regra é clara! Quando o primeiro atleta passa pela linha de chegada, os demais atletas daquela classe, sejam homens ou mulheres, ja param de correr. E eu, essa franga com whey, toda atrapalhada com a novidade, vendo a galera das classes H3, H4 e H5 pegando vácuo, olhando pra tentar aprender, toda destrambelhada com o câmbio desregulado e toda tartaruga…não consegui ser rápida o  bastante pra acompanhar os meninos e completar as 9 voltas. Fiquei devendo umas voltinhas.Tenho que treinar mais!

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Durante a prova, aprendi muito! Observava os outros atletas e seu posicionamento na hand (tudo bem que a deles é mais leve que a minha…), a Jady emparelhou comigo e me deu várias dicas. Ela até tentou me ensinar a pegar vácuo, mas eu não consegui acompanhá-la nas duas primeiras pedaladas!! (eu = franga!). Os meninos, até seus técnicos, me gritavam na primeira volta, pra eu mudar as marchas. E o Guto, posicionado estrategicamente em uma das curvas, também me gritava cada vez que eu passava, pra fazer isso ou aquilo, dessa ou daquela maneira. Na curva oposta à que ele estava, eu quase capotei uma hora (igualzinho aconteceu em Brasília) e também eu e Fred quase trombamos, nessa mesma curva, voltas depois. É muita adrenalina! uhuuuu E eu saí linda, maravilhosa, com a marca de sol da blusa no braço hahahaha

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Eu vi que não entendo nada de ciclismo e de bicicleta! Mas nunca é tarde pra aprender! IMG-20141130-WA0009Eu acabei aquela prova extremamente feliz! Claro, com toda a endorfina liberada pelo exercício, não poderia ser diferente. E ainda saí com minha primeira medalha de ouro no Paraciclismo! Não fiz na frente de ninguém, mas chorei sozinha depois, enquanto tomava banho. O treino é de menininho, mas o coração é de menininha mole com TPM. Passou um filme na minha cabeça. De tudo que aconteceu do acidente até agora e tudo que eu já conquistei, sempre apoiada e amparada pela família, pelos amigos, e até por gente que nunca me viu, mas colaborou pra eu ter chegado até ali.

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Depois da premiação, do banho, do almoço, e de um pouco de descanso, o Guto foi regular a minha bike. Eu observei, sei onde mexe, mas obviamente, não sei fazer! E no dia seguinte, descobri que depois que eu fui dormir, ele ainda regulou outras coisas, como o freio!rs  O resultado disso eu conto depois.

IMG-20141201-WA0024Domingo! Eu nunca tinha feito duas provas em dias consecutivos. Na minha concepção de olhar o céu, ia fazer sol! Mas como meteorologista, eu sou uma ótima cozinheira. Choveu! Ainda bem que eu fui de calça! Nesse dia, era a prova de contra relógio. A cada 1 minuto, larga um atleta. A gente só sabe o resultado depois que todo mundo terminar e e a organização revela quem deu a volta mais rápida em cada classe. Na minha, seriam 3 voltas. A todo vapor, o mais rápido que meu cansaço do dia anterior e da TPM no pico do Everest permitissem. E nesse dia, eu estava cheia de espasmos nas pernas.

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Fazemos uma fila, na ordem que a Federação determina, e esperamos nossa vez de largar. Já começou a chuviscar aí. Mas na hora que eu comecei a correr, a chuva apertou! E eu uso lente de contato. Apesar de estar de óculos de sol e ele proteger um pouco os olhos da chuva, a água entrava por todos os lados e minhas lentes começaram a boiar nos olhos. Eu tinha medo de piscar e elas saírem. Cheguei a dar umas pedaladas de olhos fechados. Eu não sabia o que era pior. Eu só sentia aquele monte de água na roupa e no rosto. As únicas coisas que eu queria eram: a lente não pular pra dar uma nadadinha no asfalto e não sentir dor neuropática por causa do frio.

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Como o Guto regulou a minha handbike, a minha velocidade média aumentou tanto do sábado pro domingo, que quase dobrou! Maaaas, comparada à Jady, que é H3, ou aos meninos H2, ainda continuo uma franga com whey! Eu não tinha muitos parâmetros, pois como a largada é individual, você realmente não sabe quem é o mais rápido. Eu mirava alguns meninos da H1, que largaram antes de mim, e tentava ultrapassá-los, ou pelo menos alcança-los.

Continuou chovendo muito depois que eu terminei a prova. Só parou um tempão depois. Mas ainda tinha atletas na pista. E depois que terminasse a prova de Handcycle, ainda tinha o pessoal da Tandem (deficientes visuais e seus guias) e o pessoal da classe C, que pedalam bikes convencionais, mas que tem algum tipo de deficiência. No começo, eu estava bem. Tirei a blusinha de ciclismo que estava 1425506_909842549026432_5598528202990616210_nensopada, e coloquei um casaquinho. Mas a calça e o tênis continuaram ensopados… E eu fui gelando, gelando…1hora depois eu não estava aguentando de dor. Voamos pro hotel onde parte dos atletas estava hospedada (não o que eu estava), tomei um banho quente num quarto emprestado, peguei roupas emprestadas (dos meninos! Imaginem como eu estava Diva) e voltamos correndo pra tentar pegar minha medalha e ainda ver os outros atletas serem premiados. Cheguei nos 47 do segundo tempo. Mas peguei minha segunda medalha de ouro no Paraciclismo.

Esse final de semana foi de muito aprendizado e muito esclarecedor pra mim! Resolvi que representarei Taubaté em 2015, não só no paraciclismo, mas em outras modalidades esportivas. Não vou parar com as meias maratonas, porque corrida é minha maior paixão! Mas vou ter que conciliar umas 5 ou 6 que quero fazer, com as outras modalidades esportivas mais específicas para cadeirantes, inclusive o Paraciclismo.

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Depois da prova, eu e a Jady decidimos iniciar uma Campanha pra trazer mais meninas pra esse esporte tão gostoso! Chamamos a Campanha de #saidosofa . Temos vagas pra meninas tetras (por favor, venham!!) e paras, em todas as classes. Não vou dizer que vamos encher o paraciclismo de rosa, porque eu gosto é de azul! Mas vamos dar um colorido especial pra esse esporte predominantemente masculino. Gatinhas de rodas, seja qual for a sua lesão, você pode pedalar com a gente. Se você procura um esporte, encontrou! Eu e a Jady fizemos posts nos nossos facebooks e fan pages, nos colocando a disposição para quaisquer informações. Nossos técnicos, Guto e Thiago, também estão à disposição.  Também queremos incentivar os meninos, claro! Mas o nosso foco agora, é trazer meninas pro ciclismo. Se você nunca experimentou uma handbike, fale com a gente, pra dar uma voltinha e ver se você gosta! E se você, cadeirudo, tem uma amiga cadeiruda que ta meio paradinha em casa, manda ela conversar com a gente! Estamos esperando vocês pra correr em 2015, meninas!! bjss

Ah..se você quer ver um pouqinho em vídeo, tem reportagem no G1 do RJ!!  http://globotv.globo.com/inter-tv-rj/rj-inter-tv-1a-edicao/v/rio-das-ostras-rj-recebe-copa-brasil-de-paraciclismo/3802421/

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21
nov

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Rolo – um caso de amor e ódio

Recebi várias perguntas esses dias, sobre as postagens no ig e no fb, com a palavra rolo. Um monte de gente me perguntou o que é. E to aqui pra apresentar pra vocês o trem mais chato e necessário que entrou na minha vida!

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O rolo é um suporte, onde ciclistas colocam a bicicleta, para pedalar em ambientes fechados. Isso salva o pessoal nos dias de chuva, frio ou quando estão sem tempo pra ir pra rua em horário seguro.

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No meu caso, eu uso o rolo pra pedalar em casa, por falta de escolha. Não tenho carro  pra levar a hand e ir pra ciclofaixa aos domingos (que é longe da minha casa) ou pra levá-la pra pedalar na rua em local seguro, sem muito trânsito e correr o risco de ser atropelada. Então, como eu gosto, tenho e preciso treinar, eu uso o rolo pra treinar no apartamento.

 

Alguns cadeirantes também optaram pelo rolo, pelos mesmos motivos. Outros sortudos, conseguem ajuda pra carregar suas handbikes pros parques ou locais seguros.

Tenho amigos que não se importam de ficar pedalando olhando pra parede. Eu quase morro! Mesmo colocando filmes e seriados. Morro de tédio, principalmente depois de ter pedalado na orla do Rio de Janeiro e de Arraial do Cabo. Mas, na falta de opção, eu optei pelo rolo por livre e espontânea pressão.

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Entre não treinar  e olhar pra parede, escolhi olhar pra parede. E você? Continua dando desculpas pra não treinar? Se você consegue caminhar, tenha certeza que é mais legal e libertador que o rolo. E se você é cadeirante, também pare de enrolar a si mesmo e à sua saúde! Projeto sai do sofá! Sua saúde agradece!

Enquanto você escolhe, eu continuo odiando o rolo, pelo tédio que ele me traz, e continuo amando-o pela possibilidade de treinar.

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10
nov

27

2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

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Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

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No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

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Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

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10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

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Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

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10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

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Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

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04
nov

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Privação visual e treinamento de força

Você já pensou em treinar com os olhos vendados?

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Nossos grupo publicou dois estudos em 2007 e 2010 relacionando treinamento de força e privação visual. Em 2007 foi publicado na revista brasileira de cineantropometria e desempenho humano um estudo com 12 homens experientes em treinamento de força que apresentaram significativos ganhos de força quando realizaram o teste de 1RM com privação visual. Entretanto, estes ganhos foram maiores para membros inferiores quando comparado com membros superiores (supino ganhos de 5,37%, puxada pela frente ganhos de 5,12%, leg press ganhos de 8,25%).

Por outro lado, em 2010 publicamos outro estudo na revista brasileira de prescrição e fisiologia do exercício, porém, testamos 11 mulheres. As mulheres foram submetidas ao teste de 1RM com e sem privação visual. Concluímos que as mulheres apresentaram significativos ganhos de força durante o teste com privação visual, porém maior destaque para o desenvolvimento de força nos membros superiores quando comparado aos membros inferiores (supino ganhos de 14,2%, puxada pela frente ganhos de 10,2%, leg press ganhos de 5,6%).

A prática de treinamento de força com privação visual parece ser mais eficaz para os grupos musculares que habitualmente o indivíduo menos treina. Assim, através da privação visual ocorre o aprimoramento dos mecanismos reflexos e princípios homeostáticos que auxiliam no aprimoramento do comportamento institivo que regula as ações motoras através do sistema cognitivo de regulação, consequentemente, aumentando a auto-eficácia (rev bras cineant desemp humano 2007; 9(2):177-182….. Rev Bras Presc Fisiol Exerc 2010; 4(24): 587-592).

Bons estudos
#ondeosfracosnaotemvez

alex4Alex Souto Maior                                         Doutor em Fisiologia. Mestrado em Engenharia Biomédica. Especialista em treinamento de força e possui graduação em Educação Física . Atua no programa de pós graduação stricto sensu em Ciências da Reabilitação. Ministra palestras e cursos em diversas regiões do país sobre treinamento de força, suplementos alimentares e desempenho física, sistema cardioendócrino e atividade física e atividade física para grupos especiais. – Instagram @alexsoutomaior

 

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