03
jan

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4 anos de lesão e Retrospectiva 2016

Esse deveria ter sido o último post de 2016, mas virou o primeiro de 2017.

Quem me acompanha faz tempo sabe que, todo ano, no meu aniversário de lesão, eu faço um post grandão falando sobre o acidente e sobre os aprendizados e conquistas do ano, relacionados especificamente à fisioterapia e ao lado emocional.

Aí, esse ano, todo mundo esperou, mas não teve post. Muita gente perguntou o motivo e dei aquela escorregada, feito bagre ensaboado, e não respondia. Mas hoje, decidi contar tudim procêis.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu sempre foco no que eu ganhei. Seja algum movimento quase invisível da mão, seja alguma coisa que melhorou no tronco, seja no campo da amizade, da família, do esporte. Mas eu sempre vejo o copo cheio, e foco no que eu ganhei ou no que eu mantive. Porém, esse ano, com aquela maravilhosa novidade do facebook  “Suas lembranças”, eu fiquei o mês de outubro inteirinho sendo lembrada do que eu perdi. Só recebia foto de corrida, de treino de corrida, de mais corrida e mais e mais… até a última delas, dois dias antes do acidente.

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75 Bertioga-Maresias. 2 dias antes do acidente.

Aí, não teve jeito. Toda a minha fortaleza desabou! Muito se engana quem pensa que eu sou feliz 100% , que não tenho problemas, dores ou tristezas. Mas, eu sempre tentei focar nas coisas boas e não me permitia chorar ou sofrer  mais do que um ou dois dias. Esse ano, eu já comecei a chorar no fim de setembro, quando começaram a aparecer as fotos das reuniões pra Bertioga-Maresias, minha última prova em pé. Por sorte, eu estava na casa do boy e ele me ajudou a não pensar muito.

Todo ano, no meu aniversário de lesão, eu viajo pra comemorar. E geralmente eu faço alguma prova, de corrida com a handbike ou de triathlon. Esse ano, eu não tinha nenhuma. Nem dinheiro pra viajar muito longe. Pedi ao boy pra ir pra Ribeirão ficar comigo. E ele teve que me aguentar chorando do dia 20 ao dia 22. Mas eu não quis ficar sozinha. E ainda bem que não fiquei!

Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.
Chegada dos 75km Bertioga-Maresias, com as duas amigas com quem eu formei o trio de revezamento.

O que eu aprendi com tudo isso? Aquilo que eu já falo sempre, desde os primeiros dias de acidente. Falo inclusive nas minhas palestras. Tristeza e depressão não resolvem problema. Só pioram! Eu me permito chorar e sofrer, tanto pelo acidente, pelo fato de não andar mais, ou pelas minhas dores. Faz parte da vida nos sentirmos tristes. E segurar a lágrima, não botar sua tristeza pra fora, vai fazer mal pra você! Mas não deixo isso se arrastar por muitos dias. Nem fico o dia inteiro me descabelando. Chorava, conversava com ele, e a gente ia fazer outra coisa pra distrair minha cabeça. Sim, mantenha-se ocupado! Não tem aquele ditado “cabeça vazia oficina do diabo”? É exatamente isso! Se você ficar ocupado, fazendo e falando sobre outras coisas, a razão do seu problema não vai ficar incomodando o dia inteiro. E pensamentos negativos causam doenças físicas! Outra coisa é: peça ajuda. Eu falei pro boy que não ia dar conta de ficar em casa sozinha na data. E lá foi ele ficar comigo. Não é feio assumir alguma fraqueza sua e pedir ajuda. É melhor pra você, que terá alguém pra dividir sua carga. E a pessoa que te ajudar (mas tem que ser alguém que se importe com você de verdade) vai se sentir feliz por poder te ajudar a aliviar a tristeza, nem que seja segurando sua mão e te ouvindo.

“Aaaah, Dani, então seu ano de 2016 foi terrível. Você só chorou”. Té parece, meu bem! Esse ano, o aniversário de lesão foi mais pesado do que eu esperava, mas teve um tantão de coisa boa pra compensar.

Em março, eu realizei um grande sonho, que era conhecer os Estados Unidos. Eu dei aula de inglês 10 anos e nunca tinha ido pra lá. Como em março eu tinha o Panamericano de Paratriathlon, fui de mala e cuia. Pude ver a neve no Central Park, em New York, antes da prova, e pude ver o Mickey, na Disney, depois da prova. E também experimentar aquelas comidas que a gente vê os americanos comendo de café da manhã nos filmes. Coisa de gordinha…

Central Park - NY
Central Park – NY

 

Disney Magic Kingdom
Disney Magic Kingdom

 

 

Fui a primeira brasileira cadeirante a participar de uma prova de triathlon internacionall. E por que eu não fiz post sobre ela? Porque eu passei vergonha na água, meu bem! Eu nunca tinha usado uma roupa de borracha. Como meus pulmões foram comprimidos no acidente, eu tenho uma certa dificuldade pra respirar. Aí aquele trem me apertou dum tanto, que eu apavorei e deixei todo mundo apavorado. Inclusive o boy, que foi comigo em uma prova pela primeira vez. Mas, eu consegui me acalmar na metade do percurso, tirei o atraso na água, mas já tava esbaforida! Ainda não sabia mexer na hand nova, nem na cadeira, pois tinha pego as duas apenas 4 dias antes. Aí, fiz uma cagada atrás da outra.  E a verdade é que eu fiquei me punindo por isso. Fiquei meses ensaiando posts na minha cabeça, pra contar pra vocês, mas eu me punia muito pelo meu medo. E não tive coragem de compartilhar aqui. Bobeira da minha parte? Talvez. Mas eu levei bastante tempo pra aceitar meus erros na prova, que me levaram a ficar em 4º lugar na prova, 6 minutos atrás da terceira. Vendo o copo cheio? Escrevi meu nome na história do triathlon brasileiro. Fui a primeira no Panamericano e a primeira numa prova internacional. Isso ninguém me tira, né?!

Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Na área de transição, minutos antes da largada do Panamericano de Paratriathlon
Panamericano de Paratriahtlon - Flórida
Panamericano de Paratriahtlon – Flórida

Aaaahh, e teve o boy! Ficamos amigos por 6 meses, nos falando por telefone todo santo dia. Não foi amor à primeira vista da parte de nenhum dos dois. Mas na viagem, com a convivência, nos apaixonamos. Sou muito grata por ter alguém do meu lado que soube respeitar minha escolha no esporte e quis fazer parte disso. Ele é meu handler em todas as provas, me apoia, me acalma. E enfia todas as minhas tralhas, aquele mundaréu de roda no carro, e me leva pra treinar na rua. Sem ele eu não teria melhorado tantos meus tempos nesse ano. Fora que encontrei um companheiro pra todos os momentos da vida. Menos pra dieta! Aquele ali nasceu virado pra lua! Come, come e não engorda nunca. Mas, terei que aprender a conviver com isso pro resto da vida. Em 2017 diremos o SIM e trocaremos as alianças de mão!

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21k Golden Run RJ
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Wings For Life World Run – Brasília
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon - Caraguatatuba
Campeonato Brasileiro de Paratriathlon – Caraguatatuba

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia do pedido de noivado
Dia do pedido de noivado

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto ao esporte, só posso reclamar de não ter conseguido mais patrocínios pra participar de mais provas. Foi um ano muito gostoso! Eu fiz minha primeira maratona. Depois de tantos anos esperando, finalmente pude gritar que sou maratonista. Foi igual? Não! Foi de handbike? Sim. Mas o importante é que eu consegui tirar isso da minha cabeça. E não satisfeita, eu fiz duas! Fiz a Maratona de Porto Alegre, em junho, e a Asics City Marathon, em julho. E deu pódio nas duas!

Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.
Feliz da vida na chegada da minha segunda maratona.

Também fui a primeira a participar do Challenge Florianópolis e fomos super bem recebidos pelo pessoal da organização. Ali, pude enfrentar meu medo do mar agitado, e consegui sair da água na frente de muita gente que anda! E fui Bicampeã Brasileira de Paratriathlon.

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Outra coisa incrível foi o UB515. Formamos a equipe TriFeliz, onde o atleta Reinaldo Tubarão carregou deficientes na prova. Ele puxou Mara Gabrilli na natação, por 10km. Depois carregou a mim  na bicicleta, durante 2 dias de percurso. E no último dia,  Lipe Magela e Jonatan Silva e eu nos revezamos ao sermos empurrados na distância de 2 maratonas. Escrevemos nossos nomes também na história do Ultraman, junto com toda a equipe de apoio.

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Junto com outras mulheres maravilhosas, fui homenageada por Gabi Manssur em sua palestra no TEDx, sobre o empoderamento da mulher através da corrida.

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E teve palestra! Eita que eu gosto pouco de falar, né?! E quando pego no microfone, não quero soltar mais. Gosto mais de ficar ali batendo papo do que de cantar no karaokê! rsrs  Conheci pessoas maravilhosas, tantos entre os que me assistiram, como entre os que me contrataram. É sempre enriquecedor. Eu adoro quando as pessoas vem me cumprimentar no final da palestra e dividem um pouquinho da história delas comigo. Sempre aprendo. E esse ano teve até fila pra me abraçar, em Franca! Como retribuir esse carinho?

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Dei entrevista pro rádio, pra tv. Fui capa de revista. Posei pras fotos de modelete…

“E a fisio, dona Danielle? Não teve fisio?”  Teve sim! Além dos profissionais de Ribeirão que já me atendiam, como o boy é de Porto Alegre e eu vivo no ir e vir, pude conhecer a Mel e sua equipe maravilhosa. Foi desafiador! Esses dias estávamos lembrando como eu chorei no primeiro dia, de medo de ir de cara no chão com os exercícios propostos. E hoje eu faço os mesmos exercícios com menos dificuldade (e menos medo). Aprendi a conhecer meus limites. Nem sempre é fácil encararmos nossos limites de frente e assumirmos que isso a gente não consegue fazer. Pior ainda é quando você acha que consegue e descobre que não consegue. E eu me deparei com isso várias vezes durante esse ano. Não foi fácil. Eu voltei de lá várias vezes frustrada, por ver como meu corpo está e como às vezes ele não responde. Mas, eu tento não ficar pensando só nisso. Tento não ficar pensando só no que eu não consigo fazer ainda. Tento sempre pensar que “isso eu não conseguia e agora já consigo um pouquinho”.

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Verdade seja dita, há 4 anos (e 2 meses) atrás, eu pensava que em 1 ano estaria andando e em 1 ano e meio já estaria correndo. E ainda to aqui, 4 anos depois, tendo a cadeira de rodas como minha fiel escudeira. Todo mundo ri quando eu to sentada no chão e peço pra alguém trazer minhas pernas. É isso que a cadeira é, uma substituição das minhas pernas pra me locomover. Amo? Não. Odeio? Também não. Encaro como algo necessário, mas que me permitiu sair da cama e continuar vivendo e sendo feliz. Já imaginou se não tivessem inventado a cadeira de rodas e eu precisasse passar o resto da vida na cama? Socorro! Um beijo pra quem inventou a cadeira! (falando nisso, não sei quem foi. Preciso dar um google).

4 anos depois, minha ideia de vida continua a mesma. Quem me lê desde sempre deve lembrar, porque eu bato sempre na mesma tecla. O plano A é e sempre será voltar a andar. Ta levando muito mais tempo do que eu imaginava. Há uns 2 anos atrás eu escrevi que tentar voltar a andar tinha deixado de ser a maratona da minha vida, e virado uma ultra. Esse ano percebo que fazer o plano A tornar-se realidade vai ser a maior Ultra já corrida na história! Dói. Cansa. Eu paro pra pegar água. O tênis desamarra. Eu paro pra desamarrar. Diminuo o ritmo na subida. Tento aproveitar o embalo da descida, mas sem descabelar, pra não sobrecarregar o joelho. Descanso quando to cansada. Diminuo e aumento meu pace, de acordo com o sol, a chuva, o vento. Troco a música. Tomo mais um gel. Jogo água na cabeça. Às vezes luto pra não quebrar. Eu só não paro. Não vou parar nunca. Tenho certeza de que vai ser a linha de chegada mais linda da minha vida! Enquanto isso, eu aproveito todas as outras linhas de chegada do meu plano B, que é ser uma grande atleta. Mas em qualquer um dos planos, eu foco em ser feliz. Em aproveitar todos os momentos de felicidade. E sorrir. Sorrir sempre! É isso que importa.

 

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15
dez

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Quando o corpo fala

Algumas pessoas que eu conheço são um pouco teimosas. Eu sou uma delas! Depois do acidente, minha teimosia foi especialmente importante para não aceitar o “diagnóstico médico definitivo” e simplesmente lutar, com todas as forças, pra mudar o que hoje é meu presente, e talvez o meu futuro.

Há 2 meses to sendo de uma teimosia tamanha contra um dos fatores principais para atletas e para qualquer pessoa no mundo: o descanso (pensou que era dieta, né?! Tudo bem… te perdoo!).

Pois é, meu bem. A gente começa só negligenciando uma horinha de sono hoje e mais uma amanhã. E quando vê, o trem virou uma bola de neve e a gente ta descendo ladeira abaixo. Eu me transformei numa avalanche.  Foi uma hora aqui, outra ali, treinando loucamente porque tinha competição. Quem me acompanha no Snapchat viu que tive mudanças pessoais e de treino também. E continuava dormindo pouco e sempre me sentindo cansada.

Depois de pouco mais de um mês, eu tentei gostar de uma coisa que não me desce: café. Dr. Barakat, Lara, e mais um monte de gente tomando o tal do bulletproof, o famoso Café com Óleo de Coco. A Mide disse que também não é fã, mas toma antes de treinar  porque parece que ta com um foguete enfiado no botão (entendedores entenderão). Protelei, protelei e decidi tentar descer café pela goela abaixo. Lembra quando a gente era criança e tinha que tomar remédio ruim, e a gente tampava o nariz e engolia o negócio? Foi tipo isso. Mas eu sentia ânimo por 15min apenas e, tomando o café antes das 7h da manhã (às vezes antes das 6h, pq eu inventei de nadar 6:45), depois do meio dia eu mal conseguia ficar de olho aberto e parar sentada na cadeira de rodas.

olheirasMaaas, teimosa que sou, eu continuava tentando acordar cada vez mais cedo, sem conseguir dormir cada vez mais cedo e com horas e horas de sono atrasado acumuladas. Tomava Advil como se não houvesse amanhã, porque minha cabeça ficava explodindo 24 horas por dia. Porém, toda teimosia tem um fim. Sabe aquela criança birrenta que grita e chora no shopping, aí o pai dá uma chinelada e acabou a teimosia? (nossa, no meu tempo isso era comum, mas hoje parece que é proibido usar a chinela e a criança é livre para fazer o que quiser, né?! que coisa!). Ontem meu corpo pegou o chinelo e sentou o reio.

O boy chegou em casa e me pegou estacionada (pq quem usa cadeira de rodas não para, estaciona!) na porta, aos prantos, dizendo: “não consigo mais! Preciso de férias”. Desculpe, amor! Te coloco em cada cilada. Ele não sabia o que fazer além de me abraçar e me ouvir reclamando que tô cansada enquanto a cascata de lágrimas rolava.

Tô cansada pacas! Uma seguidora esses dias me mandou inbox no Snap e disse “Te conheço. Você ta estressada.” Até sumi do Snap porque ninguém me merece assim. Nem eu!

Resolvi que era hora de parar uns dias. Claaaro que eu não vou ficar em casa dormindo o dia inteiro. (Sério que não? Que pena rsrs…) Lóóógico que não! Senão eu posso perder minhas melhoras de fisioterapia e engordar mais do que já engordei. Mas, decidi que tirar o pé por uns dias pode ser muito mais benéfico do que me amarrar e ficar tentando treinar à força. Na verdade, todo mundo sabe que dormir bem aumenta a produtividade.

Vou te falar a verdade, a gente também sabe que dormir pouco faz mal, mas quando você lê, parece que toma consciência do estrago que tá fazendo consigo mesmo. Quer ver o que eu encontrei no nosso amigo Google sobre os efeitos de dormir pouco e/ou mal?

carboidratos

“Sente mais fome e tende a comer mais. Estudos vincularam a privação de sono no curto prazo à tendência de comer porções maiores, uma preferência por alimentos de alto teor calórico e mais carboidratos ”  – Taí um dos motivos de eu ter engordado tanto e ter ficado mais difícil dizer não pras gordices que o boy come? Talvez. (Não to usando de desculpa. Nem sabia disso até ler. Parem de me julgar rsrs)

 

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“Não estará com sua melhor aparência, nem com o melhor humor.” – Minhas olheiras vão bem, obrigada! Estão quase chegando no queixo e não há reboco suficiente que eu passe na cara pra melhorar isso! Humor? Seguidora, você tinha razão. To parecendo o Zangado da Branca de Neve.

 

 

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Terá mais chances de contrair um resfriado. O repouso satisfatório é uma das bases de um sistema imunológico saudável.” – Atchiiiimm… Pois é! Um dia que dá um ventinho mais forte eu já to espirrando.

 

 

dor-de-cabeca Terá dores de cabeça frequentes”  –  E remédio nenhum resolve

“Ficará menos focado e terá problemas de memória. Estar exausto prejudica sua concentração e pode deixá-lo mais esquecido (não surpreende que você se confunda e não saiba onde deixou o celular, após uma noite maldormida).” – Tem dias que eu acordo e não sei nem o meu nome. Ligo o automático e vou. Mas, como há contei lá em cima, tem horas meu cérebro desliga e só pensa em dormir.

 

“Seu risco de sofrer um AVC é multiplicado por quatro.” – Ser cadeirante já ta bom. Obrigada. De nada.

ob1“O risco de obesidade cresce muito.” – Cê jura? Nem percebi!

“O risco de alguns tipos de câncer pode subir.”

“Sobe o risco de diabetes.”

“Aumenta o risco de doença cardíaca. A privação crônica de sono foi vinculada a hipertensão, aterosclerose (entupimento das artérias por colesterol), falência cardíaca e ataque cardíaco, informa a “Harvard Health Publications”. “

 

E por aí vai. Tem coisa pior. E há muitas e muitas reportagens sobre o assunto, em todo tipo de site, revista e jornal. Isso porque muita gente, ta igual a mim. E por vários motivos. Não é só por treino, por insônia, por preocupações. Iluminação artificial, internet 24h, Netflix, jogos online, pressa, prazos,   e cada vez mais coisas pra fazer estão levando as pessoas a dormir cada vez menos (ou até trocar o dia pela noite).

Não é fácil encarar nossas falhas de frente. Eu tive que levar uma chapoletada do corpo, porque ele falava e eu não ouvia. Então, decidi escrever esse post porque pode ter mais gente teimosa como eu. E eu não quero que o corpo de alguém pare de uma vez, porque foi tarde demais.

Então, se você está como eu, sempre cansado, com sono, com dor de cabeça, o efeito do café é igual da água, se você tá chatinho (eu to! admito), REPENSE! Repense suas horas de sono e descanso. Reorganize seu dia e sua noite. Vá pra cama mais cedo. O sono e o descanso são fundamentais! Falando nisso… já são mais de 20h.. daqui poucas horinhas eu vou dormir. E você?

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14
nov

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Croquetes Low Carb de Brócolis

E nesse mundão de gordices que me encontro, estando ao lado de alguém que come, come e não engorda nunca, eu continuo inventando moda pra manter a dieta low carb o mais delícia possível!

A receita dessa fez foi croquete de brócolis. Bóra colocar a mão na massa?

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Ingredientes:

Meia bandejinha de brócolis ninja

5 fatias de bacon

1/2 cebola

3 dentes de alho

50gr de queijo provolone

1 ovo

farinha de linhaça

sal

temperos a gosto – usei pimenta do reino, páprica doce, manjericão, ervas de provence, coentro

Modo de fazer:

Bata o brócolis no processador até triturá-lo bem(se vc não tiver, use o liquidificador, mas faça aos poucos, senão ele não tritura).

Acrescente a cebola, o alho e o bacon, e bata novamente. Acrescente o queijo e bata muito bem. Eu coloquei um pedaço inteiro e demorou pra bater. Seja esperta e pique menor rsrs

Acrescente os temperos e o ovo e bata novamente.

Desligue o processador e acrescente cerca de 2 colheres de farinha de linhaça na massa e mexa com uma colher. Eu queria usar farinha de coco, mas não tinha. A de amêndoas vai deixar a massa muito mole.

Em um prato, coloque mais farinha de linhaça pra empanar os bolinhos. Eu temperei essa farinha com alho e aipo em pó.

Faça bolinhas delicadas com a massa e empane. Leve pra air fryer ou pro forno. Se for pra air fryer, não coloque um bolinho sobre o outro pois vai grudar. Rende cerca de 15 bolinhos e eu fiz em duas remessas. Coloquei poe 15minutos na air fryer a 200º. Abri na metade do tempo pra virar e tostar dos dois lados.

Fica uma delícia, crocante por fora e macio por dentro!croquete-de-brocolis

 

11
out

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Bolo prestígio Low Carb

Ah, que isso? Elas estão descontroladas! hahahaha  Gente, foi só eu postar a foto do bolo que todo mundo ficou doido querendo a receita! Não é pra menos rsrs

Então, anotem aí e façam essa delícia! Só não pode se entupir de bolo, viu?!

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Ingredientes para o bolo:

200 ml de leite de coco

4 colheres de sopa de cacau em pó

1/2 xícara de xylitol

3 colheres de óleo de coco

4 ovos

1 1/2 xícara de farinha (misturei de amêndoas e de coco)

uma pitada de sal

1 colher de psyllium

1 colher de fermento

Modo de fazer:

Leve ao fogo baixo o leite de coco, 2 colheres de cacau, o óleo de coco, 2 colheres de xylitol. Deixe engrossar.

Enquanto isso, bata as claras em neve e reserve.

Separadamente, bata as 4 gemas com o restante do xylitol. Bata loucamente.

Acrescente a mistura da panela e continue batendo.

Vá acrescentando um a um e batendo. Primeiro a farinha, depois o psyllium, o sal, o restante do cacau.

Pare de bater e misture delicadamente as claras em neve e o fermento.

Leve ao forno, pre aquecido 180 °,  por 30minutos.

Para o recheio:

bolo-recheio200 g de coco ralado (se for coco fresco fica mais saboroso)

300 a 400 ml de creme de leite fresco

1 colher de óleo de coco

100 g de  xylitol

Leve ao fogo baixo e vá mexendo até engrossar. Fica no ponto de beijinho

Assim que o bolo esfriar, corte-o ao meio e recheie.

 

 

bolo-coberturaGanache:

200 g de chocolate 70%

creme de leite fresco

Derreta o chocolate em banho maria ou no microondas. (se for no microondas, mexa de 1 em 1 minuto para não queimar o chocolate.)

Vá acrescentando o creme de leite aos poucos e mexendo até ficar na consistência desejada (de mais ou menos 350ml).

Depois de rechear o bolo, cubra com a ganache e leve à geladeira.

 

05
out

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Escondidinho de carne seca com cabotiá

Meninas lindas (e meninos) do meu coração, que estão descabeladas pedindo a receita do escondidinho, anotem e façam essa delícia.

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Ingredientes:

meia abóbora cabotiá

700gr de charque

2 cebolas

7 dentes de alho

2 tomates

2 colheres de cream cheese

cebolinha

sal

pimenta

páprica

ervas finas

Modo de fazer:

Comecei na noite anterior, deixando a carne de molho na água, para dessalgar. Troquei a água 3 vezes (2 no dia anterior e 1 de manhã).

Coloque a carne na panela de pressão, com bastante água. É uma carne dura e vai levar um tempinho pra cozinhar.

Como comprei a cabotiá com casca, levei ao microondas por 6 minutos. Esperei esfriar e tirei a casca com mais facilidade. Pique em cubos.

Em uma panela, refogue 1 cebola e 4 dentes de alho cortados em cubinhos. Depois, acrescente a cabotiá. Cubra com água quente e ervas finas (não era o que eu queria usar, mas como não fiz na minha casa, era o que estava disponível. Você pode usar os temperos de sua preferência) e cozinhe até desmanchar. Depois, bata no liquidificador ou direto na panela, se seu mixer permitir. Não descarte a água! É nela que está todo o tempero. Não desperdice esse sabor maravilhoso! Bata tudo junto. Acrescente a páprica, a pimenta e acerte o sal. Leve ao fogo para engrossar. Cuidado! Pois borbulha e vai pular pra fora da panela e sujar seu fogão todinho (adivinha como eu descobri rs). Reserve.

Verifique se a carne cozinhou a ponto de desfiar. Eu tive que voltar a minha pra pressão por mais alguns minutos. Depois de desfiar a carne, reserve.

Em uma panela, refogue a outra cebola e o restante do alho, tudo em cubinhos. Quando estiverem começando a dourar, acrescente a carne desfiada e refogue por uns minutinhos, pra que os sabores se misturem.

Acrescente os tomates picados e refogue por uns 2 minutos. Logo depois, acrescente o cream cheese e a cebolinha. Não é necessário colocar sal, pois a carne já é bem salgada. Coloque apenas um pouco de pimenta,ou outro tempero, se você quiser.

Depois disso, é só montar o seu escondidinho. Em um refratário, coloque uma camada da cabotiá, espalhe toda a carne e cubra com o restante da cabotiá.

Se for fã de queijo, você pode cobrir com queijo e levar ao forno para gratinar! Se não, apenas leve um pouco ao forno para aquecer e aproveite!

 

 

05
out

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Muffin low carb

Gente, postei a foto hoje e várias pessoas pediram a receita. Dá até vergonha de postar, de tão fácil de fazer! Mas, o que vocês me pedem que eu não faço, né?!

PRE-PA-RA pra fazer em 10 minutos!!rsrs

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Ingredientes para 6 muffins:

3 fatias de bacon

meia cenoura

meia abobrinha

4 ovos

queijo de sua preferência (misturei provolone com ementhal nesssa receita, porque eram os que eu tinha)

sal

pimenta

temperos de sua preferência

Modo de fazer:

Eu usei forminhas normais, mas se você tiver de silicone, é muito melhor pra desenformar!

Untei as forminas com azeite. Piquei o bacon, a cenoura e a abobrinha em cubinhos. Temperei com sal, pimenta moída na hora e coloquei meia colher de alho frito.

No fundo das forminhas, coloquei esse mix e reservei.

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Em um bolw eu bati os 4 ovos com um garfo e também coloquei um pouquinho de sal.

Cobri os vegetais com o ovo, quase até a borda.

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Depois, acrescentei queijo ralado e um pouquinho de orégano (mas nem era necessário). Levei ao forno pre aquecido até o queijo dourar.

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19
ago

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Eu Maratonista

Comecei a correr no final de 2008 e minha primeira prova de 5km foi no início de 2009. Como eu sempre conto, quando passei pela primeira vez na linha chegada vi que queria fazer isso pro resto da minha vida!

Todo mundo que começa a amar a corrida, pensa em distâncias maiores. Se você corre 5km quer correr 10. Se corre 10 quer correr 21. Se faz a meia, começa a pensar na senhora das corridas, a maratona! E claro que eu pensava muito nela! Especialmente porque tenho grandes amigos maratonistas e passei anos babando em suas fotos emocionantes, pensando em como seria maravilhoso conquistar esse objetivo.

Claro que, no meio do caminho, corri a Maratona de São Silvestre, mas ela não fez de mim uma maratonista, pois, pra quem não sabe, a maratona tem 42km e a São Silvestre tem 15km!

Com o passar dos anos, e com algumas meias maratonas nas costas, em 2012 decidi que faria minha primeira maratona em 2013! Estava em dúvida se em Floripa ou Buenos Aires, que são percursos gostosos e não  sacrificantes pra quem vai estrear na distância.

Porém, o sonho foi interrompido em outubro de 2012, quando eu sofri o acidente que causou minha lesão medular e mudou para sempre minha vida.

Eu fiquei 1 ano e meio sonhando em voltar pras provas de corrida. Quem passeia pelo blog faz tempo, já conhece toda a história desses últimos 2 anos. A minha primeira meia maratona com uma adaptação de handbike emprestada. Depois o dia que eu ganhei a handbike e fiz uma prova de 10km, mesmo sem saber usá-la e com o freio do lado da minha mão pior. Depois a primeira meia maratona com a hand, o primeiro pódio, e ainda era uma Golden Four. Depois foram várias meias maratonas pelo país e até fora dele, revendo e conhecendo muita gente maravilhosa.

Depois teve o sonho realizado do triathlon, a ajuda de centenas de pessoas na Campanha Vem Com a Dani, pra troca da handbike, teve triathlon internacional (que eu nem contei ainda pra vocês como foi)…e nada de maratona…

No início desse ano eu comecei a namorar um gaúcho bonitão. Eu já sabia da existência da maratona de Porto Alegre, vários amigos cadeirantes viriam pra prova, mas, antes do boy, o Sul nunca me atraiu muito. A ideia de fazer alguma prova aqui não era arrebatadora. Porém, logo no comecinho do namoro, ele falou sobre fazermos a meia, dentro da maratona, juntos. (Pra quem não sabe, quando faço provas de 5km com a cadeira, ele corre do meu lado. Quando faço meias com a hand, ele vai de bike me acompanhando). Olhei pra ele e falei: “Eu quero fazer a maratona. Você faz comigo?” Claro que ele disse que sim.

A primeira coisa que eu fiz foi falar com meu treinador. Como eu já tinha feito treinos de 50 e 56km no rolo, achamos que a maratona não seria problema, mesmo eu não podendo parar pra ir ao banheiro (como faço quando to no rolo) e mesmo enfrentando algumas subidas na prova.

Pra coroar, a maratona de Porto Alegre seria dia 12 de junho, dia dos namorados. Seria minha primeira maratona e ainda com o boy me dando todo o suporte.

Quem me conhece sabe que meu maior pavor é o frio, pois ele me causa dor neuropática. E a promessa para o fim de semana da maratona era quase nível de congelamento pra mim. O que eu fiz? A tal da aclimatação. Viajei antes pra POA, e treinava na orla do Guaíba à noite, com 9 a 11º, pra acostumar com o frio e com um montão de roupas que eu teria que usar no dia.

Pois o dia chegou e, no domingo acordamos de madrugada, com a maior friaca que eu já senti. Coloquei então minha armadura: 3 calças legging (uma prometia ser térmica, mas mentiu pra mim), 2 meias grossas (uma também fazendo promessas e me iludindo), uma blusa fina de manga longa por baixo do meu uniforme (que eu tinha esperança que aparecesse em algum momento), uma jaqueta, um corta vento, duas luvas e um gorro por baixo do capacete (pra coroar minha beleza de mendiga no dia. Imagina como saí Bela e Recatada nas fotos da prova). Nem assim foi fácil enfrentar a largada de 3º e sensação térmica de -1º. Mas, pelo menos não choveu!

Combinei com o boy e com o treinador que eu faria um ritmo bem confortável nos primeiros 21km e, se sobrasse braço, eu daria uma apertadinha na segunda metade. E foi o que eu fiz. Também levei bastante água comigo e gel, pra não correr nenhum risco. Afinal, apesar de ser um pouco mais fácil fazer a maratona na hand do que correndo, eu não podia correr o risco de quebrar por falta de hidratação ou fome.

Largamos ainda no breu e eu me sentia a pata esquimó, porque tinha umas meninas correndo de sainha. Mas, cada um no seu cada qual. Eu não podia sentir dor neuropática, nem ter as pernas pulando de espasmo pra me atrapalhar a vida.

Na verdade, tive que arrumar meu pé esquerdo várias vezes durante a prova. Qualquer tremidinha por um desnível no asfalto, o pé pulava e entrava na roda ou se retorcia e me machucava. Nessa hora, o boy virou expert em arrumamento de pé! Ele ia bem na minha frente, descia da bike dele e me esperava passar. Eu diminuía o ritmo e ele arrumava meu pé em segundos. Assim eu não precisava frear totalmente a handbile e ter aquela dificuldade básica de retomar a mãodalada do zero.

Ele fez o mesmo nas 4 vezes que minha corrente saiu. E, graças ao boy, eu não tinha nem que me preocupar em abrir o gel com uma mão só e a boca. Ele já me entregava os sachês abertos! Com um apoio desses, só a subida mesmo pra me tirar do foco. Certo? Errado! Afinal, como diria Fê Balster, se tudo dá certo pra mim numa prova, é porque tem algo de errado.

Passei os primeiros 21km tranquila e feliz com meu tempo e achei que passaria ainda viva na linha de chegada. Lá pelo km 30 meu pesadelo começou: vontade de fazer xixi. Enquanto estava só doendo, tava ok. Mas, de repente, comecei a ter espasmos. E ainda faltava bastante pra prova acabar. Como desgraça é bobagem, lá pelo 35 começou a me dar dor de barriga. Aí a coisa ficou feia. Pra quem não sabe, lesado medular não tem controle urológico.  E meu medo era fazer na roupa, no meio da prova. Eu me contorcia de dor, já não sabia o que tava pior, o 1 ou o 2! Eu estava com 2h30 de prova. Apesar de estar com o boy pra me ajudar, não tinha banheiro no meio do caminho pra eu parar. Eu só tinha uma escolha: encontrar o banheiro no fim da prova.

Eu não tinha contado pra ninguém sobre meus planos. Como eu nunca tinha feito uma maratona, não tinha nem noção do tempo. Nos meus melhores sonhos, eu queria fazer em 3h. E se algo desse bem errado, eu coloquei meu limite pessoal pra 4h. Quando eu tava no km30, eu contei isso pro boy. Ele é muito bom de conta e começou a calcular até meu pace ideal e  qual a velocidade que eu tinha que manter, pra fechar a  prova em 3h. Nesse momento que eu tava entre pedalar e voar pro banheiro, ele começou a ditar meu ritmo e disse “se continuar assim, vai dar certo”.

Quando faltavam 5km pra fechar, ele disse “vai sobrar tempo”. Fiquei super feliz e aliviada. Mas faltando 3km, tinha subida. Não desanimei e comecei a pedalar mais forte. A verdade é que queria um banheiro hahahaha  Faltando 2km, eu disse pra ele “Pelo amor de deus, encontre um banheiro assim que chegarmos la”.

Os 2km finais foram muito emocionantes. Tinha familiares do pessoal que estava correndo e a galera que fez 21km, torcendo por nós no fim do percurso. Ouvi muitas palmas e gritos de incentivo. Isso torna tudo ainda mais maravilhoso. Quando avistei a rótula das cuias, pensei “é isso! Acabou”.

Passei pela linha de chegada, olhei pra trás…cadê o boy? Como ele era apoio e tava de bike, precisou dar a volta. A primeira coisa que eu pensava era “onde é o banheiro, meu deus?”. Não deu tempo nem de raciocinar. Saí pela área de escape depois da chegada e o boy me encontrou. Avistamos um banheiro químico do outro lado da grade. Falei pra ele “vai ter que ser ali e agora”. Uma senhora que estava entregando as medalhas se propôs a cuidar da hand pra nós, ele me pegou no colo e desceu o pequeno barranco, rumo à minha salvação.

Só lá no banheiro, sozinha, que a ficha caiu e eu chorei. Depois de tantos anos esperando, sonhando, imaginando como seria, eu finalmente cruzei minha primeira linha de chegada, depois de 42. 195m. Se você me perguntar “foi do jeito que você queria?” Claro que não! No meu sonho, eu fiz a prova toda correndo com as pernas, cruzava  a linha de chegada acabada, com os braços pra cima, pulando de felicidade. Na minha realidade, fiz tudo com os braços, e cruzei a linha de chegada freando a hand, pra não atropelar ninguém. Então, por que não seria do jeito que eu sonhei, eu deixaria de fazer? Eu preferi estar ali de cadeira de rodas do que não estar! Essa é minha escolha!

No dia dos namorados, teve pódio da minha primeira maratona, teve a realização de um sonho, teve o meu amor me apoiando o tempo todo e fechamos a prova em 2h53.

Um mês e meio depois, estava eu, indo pra largada da minha segunda maratona, a Asics City Marathon. Essa?Assunto pra outro post! Qual a próxima maratona? Não sei…ainda não escolhi. Aceito sugestões. Mas só pro ano que vem. Já foi emoção demais pra um ano só, né!

maratona de POA

12
ago

27

Sobre Laís, a tocha e voltar a andar

Confesso que deixei passar uns bons dias, porque  achei melhor deixar o assunto esfriar. Aí, pensei em nem falar nada e deixar pra lá. Mas, ainda continuo ouvindo e lendo várias coisas sobre isso. Assim, decidi não me calar.

Durante a passagem da tocha olímpica pelo nosso país, alguns poucos atletas tiveram a honra de carregá-la. Entre esses está nossa querida Laís Souza, atleta olímpica que ficou tetraplégica em um treinamento.

Ao carregar a tocha, Laís optou pelo uso de um equipamento, uma cadeira de rodas que a deixava em pé.

Lais

 

 

Quando eu vi a foto, pensei :”Ela foi genial! Assim, quem a ajudaria a segurar a tocha, não precisaria ficar curvado, com perigo de cair no chão ou ter uma baita dor nas costas”.

Muitos brasileiros ficaram extremamente felizes e emocionados ao ver Laís de pé, mesmo que com ajuda da tecnologia.

No entanto, essa pareceu não ser a opinião de todos! Em alguns artigos escritos, e em algumas postagens nas redes, Laís foi acusada de “negar a classe”, rejeitando sua condição de cadeirante, não querendo fica sentada.

Eu respeito todas as opiniões, mas deixo claro aqui, que não concordo!

Eu não conversei com a Laís pra saber porque ela tomou essa decisão. Conversei apenas com Will, o cuidador dela, e deixei uma mensagem pra ela, apenas dando força e falando pra ela deixar pra la.

Ora, convenhamos, desde quando as pessoas não podem tomar suas próprias decisões? Desde quando Laís, eu ou você temos que pedir opiniões alheias ou justificar todas as nossas escolhas?

Algo que me intrigou profundamente foi o fato de que muitos cadeirantes estavam acusando Laís de desvalorizar a identidade do cadeirante e de não aceitar sua nova condição.

Porém, toda essa fomentação começou por parte de um jornalista (que gosto muito e respeito) que também é cadeirante, MAS (e mas com letras garrafais) não tem lesão medular! Pois é! Já expliquei aqui no blog que cadeirante não é tudo igual! O fato de a pessoa estar numa cadeira de rodas não indica que ela tenha a mesma patologia que seu amigo que também é cadeirante, ou o vizinho da sua prima ou até sua avó.  O fato de sermos cadeirantes não nos torna todos iguais!

Quem nasce cadeirante tem a “sorte” de crescer assim e não ter que se acostumar com uma mudança repentina de vida e universo. Eles já aprendem, desde pequenos, a tocar a cadeira (e isso os faz mais corajosos nas manobras) e desenvolver, desde cedo, habilidades que os ajudarão na vida sobre rodas.

Quem não nasce cadeirante tem sua vida tomada por uma nova realidade e tem que reaprender a viver.

Além disso, na grande maioria dos casos, quem nasce cadeirante não tem mais 800mil demandas que um lesado medular tem!

Acredito que, assim como eu, e milhares de pessoas ao redor do mundo, o maior sonho de Laís seja voltar a andar. Porém, voltar a andar não nos cura da lesão medular! Não!

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei que viver com meu maior pesadelo: a dor neuropática. Ela é causada pela lesão medular e, voltar a andar, não vai fazer eu me livrar dela! Ainda terei que tomar remédios, fazer tratamentos, levar injeções, viver encapotada, na esperança de passar algum dia sem dor. E ainda passarei dias na cama (como ontem), porque a dor não passa e não me deixa fazer mais nada.

Se algum dia eu voltar a andar, ainda sofrerei com os espasmos. Ainda terei que tomar mil remédios, na esperança de controlá-los e não ter uma contração muscular involuntária a cada 13 segundos (sim, eu tenho isso!).

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de bexiga e intestino, já que a lesão medular nos deixa com bexiga neurogênica e intestino sem controle. Então, eu ainda terei que tomar remédios pra isso e ainda irei de 2 a 6 vezes ao banheiro durante a noite, enquanto você está dormindo.

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de temperatura com calor. Como tenho lesão alta (C7 – tetraplegia incompleta), eu tive meu sensor de temperatura corporal alterado. Eu não transpiro mais! Então, meu corpo esquenta, esquenta e eu fervo! Pareço uma panela  de pressão, prestes a explodir. Corro o risco de desmaiar. Se você assistiu “Como eu era antes de você”  e prestou atenção na cena em que Clark enche Will de cobertas e, quando o cuidador chega, ele está quase desmaiado, tiram os edredons de cima dele, colocam ventilador pra ele resfriar…então, é exatamente isso!

Se algum dia eu voltar a andar, ainda terei problemas de temperatura com frio. Pois é, a coisa é feia pros dois lados. Da cintura pra baixo, eu gelo muito fácil! Chego a usar polainas em casa durante o verão! E, as vezes, eu nem sinto o frio, mas estou uma pedra de gelo! E meu corpo não aquece rápido igual ao de uma pessoa “normal” (sem lesão medular). Não é só sair do vento que ta tudo bem. Não! Uma vez gelada, eu continuo gelada por horas. E esse frio me causa….dor neuropática! Então, mesmo que eu volte a andar, se a lesão medular não for curada, eu ainda terei que usar meia calça no verão, sair com 300 meias, usar polaina no verão e só pegar avião de calça e botas (mesmo que lá fora esteja 40graus).

Se algum dia eu voltar a andar, minhas mãos comprometidas ainda estarão comprometidas. Eu ainda não consegui a coordenação motora fina de volta. A caneta vai continuar caindo da mão, eu ainda não conseguirei abrir embalagens sem usar a boca ou pedir ajuda, eu ainda não conseguirei segurar uma jarra pesada de suco pra me servir no almoço, nem vou conseguir costurar o botão da minha calça que caiu.

Quem nasceu cadeirante não tem nada disso! Quem ficou cadeirante, tem tudo isso e muito mais.

To falando que é melhor ser cadeirante assim ou assado? Melhor desse ou daquele jeito? Não! To falando que é diferente! O melhor é que ninguém fosse cadeirante! O melhor é que ninguém tivesse que passar por nada disso, nem questionar nada, nem ser questionador, nem implorar por uma rampa pra atravessar a rua, nem ter que mudar a opinião das pessoas sobre a deficiência! O melhor é que não precisássemos lutar pra conquistar nosso lugar no mundo e não tivéssemos que provar pra ninguém que somos tão capazes quanto, ou mais capazes do que quem não tem deficiência.

Porém, as diferenças existem e, se eu voltar a andar, não estarei “curada” da lesão medular. Se Laís voltar  a andar ela não estará “curada”.

Eu sei disso. Laís sabe disso. Sabrina sabe disso. Douglas sabe disso. Felipe sabe. Marcelo sabe. Greyce sabe. Carla sabe. Fabiula sabe…

Agora você também sabe.

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11
ago

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Paõzinho de frango com batata doce

Pãozinho, bolinho, até salgado maromba… as denominações são muitas, mas o resultado é o mesmo: uma delícia low carb e fácil de fazer! A verdade é que é tão fácil que dá até vergonha de passar a receita hahaha

paozinho frango com batata doce

Vamos lá?

Ingredientes:

Batata doce

Frango

Temperos

Só isso? Só isso! Juro! Eu acrescentei cenoura, pois tinha 3 toquinhos daqueles que sobram quando fazemos macarrão de vegetais. Quis aproveitar esses pedacinhos e ainda acrescentar vitaminas ao meu pãozinho.

Cozinhei 2 batatas doces na pressão, pra ser mais rápido. Fiz com casca e tudo, pois é mais fácil e rápido descascar depois de cozida. Depois de cozidas, reserve.

Cozinhei na pressão 500gr de peito de frango, com 3 dentes de alho, sal, alecrim e pimenta. Depois de cozido, desfie o frango (aquele truque de chacoalhar bravamente a panela de pressão – sem água, tá?! – super rola nesse momento) e reserve.

Descasque as batatas doces e amasse, como se fosse fazer um purê. Tempere com sal, pimenta, alho em flocos, lemon  and herbs.

Em uma vasilha, misture as batatas amassadas, o frango desfiado. Nesse momento coloquei as cenouras raladas. Faça bolinhas em forma de pãozinho. Leve ao forno por cerca de 30min, pra criar uma casquinha crocante.

Minha receita rendeu 30 bolinhos pequenos. Eu assei metade e congelei o restante.

Use a criatividade para substituir a cenoura por abobrinha ou outro ingrediente. Você também pode rechear os bolinhos com queijo, bacon. Varie de acordo com sua dieta e aproveite!

08
jul

2

Exercícios para lesados medulares – Abdominal

Como aqui nesse blog, promessa é dívida, tia Dani ataca novamente contra a preguiça desembestada e as desculpas esfarrapadas.

Muita gente pediu pra eu voltar a postar dicas de exercícios aqui no blog. Mas eu também ouvia “Poxa, tia Dani, você já tá com quase 4 anos de lesão e já recuperou bastante coisa. E quem teve lesão recentemente? Faz o que?”  Cola na tia Dani que é sucesso! Aqui a gente dá jeito pra tudo!

No ano passado, eu conheci a Poli. Ela era minha seguidora e nós nos conversamos pessoalmente na fisioterapia. Ela sofreu um acidente dia 13 de outubro de 2014, quando tinha 30 anos. Ela teve lesão medular em C5 e C6 e traumatismo craniano do lado direito.

Hoje somos amigas e treinamos juntas na academia. No início do ano, perguntei se ela toparia ser nossa modelo do blog! E ela aceitou!!! uhuuuu Assim, teremos vídeos também pra quem está em início de lesão e teve lesão alta.

O treinador da Poliana é o professor Fabio Ibrahim, da Companhia Athletica de Ribeirão Preto. Ele me ajudou há anos atrás e tem bastante experiência com cadeirante, pois o pai dele também é do mundo das  rodinhas.

Segundo Fabio, “o objetivo do trabalho com a Poliana, que tem lesão alta, é fazer com que o sistema nervoso e o sistema neural trabalhem. Trabalhando os dois, a mão começa a funcionar, pois ela recebe os estímulos.”

E sim! A mão da Poli começou a mexer! Mas não é só isso! Ela está tendo grandes avanços pra sentar, sustentar o tronco e se posicionar melhor na cadeira. Eu sei o quanto isso é importante, pois desenvolvi uma escoliose gravíssima devido ao mal posicionamento e fraqueza abdominal.

Então vamos lá? Vamos botar esse corpinho pra mexer?

Os exercícios de hoje são para estímulo abdominal. No início, assim como eu, a Poli não tirava a cabeça do chão. Veja como ela está agora e quais são os estímulos que o corpo dela está recebendo.

 

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