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maio

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Te amo e sempre te amarei…

Há 7 anos a gente começou aquele flerte. A esteira me apresentou você. Começamos devagar, como todo relacionamento deve ser. A gente se via todos os dias, mesmo que rapidinho.

Meses se passaram, até que resolvemos dar um passo adiante na nossa relação. E veio a primeira inscrição de corrida! Chegou o dia e eu pensei que seria só mais um dia da minha vida. Mas acabou sendo um dos mais importantes. Nosso amor se concretizou ali, naqueles 5km. E quando eu cruzei a linha de chegada eu sabia que nada abalaria esse amor. E que eu queria você pra sempre! Era isso que eu queria pro resto da minha vida!

Um mês após o outro, a gente começou a se ver por mais tempo. Começamos a ficar mais rápidas juntas. E a querer ir mais longe. Veio nosso primeiro tênis de corrida. E mais uma inscrição. E outra. Até chegarem as provas de 10km.

Você não queria que eu te amasse egoistamente. Queria que eu dividisse esse sentimento com outras pessoas. Vieram os Loucos por Corrida. Depois os Viciados. Depois os Amantes. Você encheu a minha vida de gente. Gente de toda idade, de toda raça, de todo lugar, gente de todo tipo. Você me encheu de amigos!

Um ano depois eu já não aguentava mais te ver tão pouco. Os 10km viraram 12. Depois 15 e depois 17, até eu chegar nos 21. Você me apresentou a meia maratona. E ali eu me encontrei. Uma, duas, três… foram 6 ou 7? Nem me lembro mais!

Nos pés, as bolhas apareciam sempre. As pernas pesavam. Os joelhos doíam todo dia. Mas não importava!Você encheu minha parede de medalhas e alguns troféus. Você encheu minha vida de alegria, meus olhos de brilho, meu rosto de mais sorrisos.

 E a cada dia que passava, eu te amava mais e você retribuía. Comecei até a te carregar no pescoço, porque no coração já não cabia mais. 21, 23, 25, 29… E eu queria mais! Eu queria 42!

Aí eu entrei no liquidificador. Eu mal tinha saído de lá e só pensava em você! E dizia pro bombeiro: “Eu quero correr!” E ele disse “Calma!”.

Eu só pensava em você! Dia e noite naquela UTI. Dia e noite no quarto do hospital. Dia e noite até hoje. Por 2 anos e meio você me sustenta e me ampara, você segura minha mão.

Lembro como se fosse hoje, quando eu estava desesperada, pensando “e agora?”, você me disse “Calma! Nunca vamos nos separar! Daremos um jeito! Você sempre deu, em todos esses anos.”

E dei! Hoje calço os tênis, mas meus pés ficam amarrados. As bolhas estão nas mãos. São os braços que pesam. Bíceps, deltóides e trapézios que doem.

21 ainda é meu número da sorte. Ainda é onde me encontro. Quantas vezes já estivemos ali, juntas, de novo? Não sei… O tamanho do meu sonho? Ainda é 42!

Ainda sonho com o dia em que vou calçar os tênis pra desgastá-los. Sabe ali, bem na parte interna do calcanhar? Ali sempre foi o lugarzinho que desgastava primeiro!

E pensar que eu reclamava em passar as tardes pós-longão com aquelas malditas bolsas de gel congeladas, amarradas no meu joelho, cronometrando o tempo de tira-e-poe. Como eu sinto falta disso!

Sinto falta daquele bronzeado lindo: umas 3 marcas de tops diferentes e umas duas de shorts…

Se eu desisti? Jamais! Você nunca me abandonou e eu nunca vou te abandonar! Você não me deixou enlouquecer. E eu pensava e penso em você todo dia!

Que bom que você não me rejeitou, não me jogou fora. Que bom que você sempre me aceitou de todo  e qualquer jeito. Que bom que você me aceitou de volta e me aceitou assim!

Te amo no asfalto, na grama, na terra, na areia, na pista…Te amo e sempre te amarei, minha querida CORRIDA!

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10
nov

27

2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

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Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

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No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

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Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

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10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

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Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

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10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

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Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

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22
set

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Correndo em casa – Meia Maratona de Ribeirão Preto

Foi 1 ano e meio sem correr. E quase 2 anos sem correr aqui em Ribeirão. 99% dos organizadores de prova gostam de percurso de montanha pras corrida daqui. Você só sobe e desce sem parar. Pros meus amigos expert na handbike, não sei se é possível, mas pra franga que vos fala, percursos “ladeira do Pelourinho” ainda não dá pra fazer.

Aí eu soube que o percurso da Meia Maratona de Ribeirão tinha mudado, com relação às duas primeiras edições que eu tinha feito. Mandei e-mail pra organização quase que implorando participar. Dias depois, o organizador da prova me liga, dizendo que eu poderia participar. Eu não contei nada pra ele, mas eu estava de cama, com uma gripe muito forte! Decidi por livre e espontânea pressão que não treinaria durante  a semana, pra tentar ficar boa até domingo. Na conversa, falamos sobre a estrutura da prova pros cadeirantes participarem (horário da largada, apoio, tudo mais), pois o objetivo é abrir a categoria no ano que vem.

Na sexta eu ainda estava um lixo, quando o pessoal do jornal Tribuna, que organiza a corrida, me ligou. E no sábado, lá estava eu na capa do jornal, como a primeira cadeirante a participar da Meia. Não tinha mais volta! Com gripe ou sem gripe, eu tinha que ir!

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No domingo, o despertador tocou 5:30. O tempo tava nublado e eu morrendo de sono. A primeira coisa que veio na minha cabeça? “O que é que eu tenho na cabeça pra acordar a essa hora, num domingo nublado, com essa gripe?” Resposta:  um tênis no lugar do cérebro. Não tem outra explicação! Me xinguei de todos os nomes enquanto me trocava e esperava o Fávio Tropeço vir me buscar, pra carregar a hand pra mim.

Toda encapotada, levando roupa seca pra trocar, caso chovesse, lá fomos nós. Chegamos ao local da prova e, assim como na retirada do kit, a organização foi impecável! Já tinha gente me esperando. O Bruninho já ajudou o Flávio a tirar a hand do carro, já posicionou no local da largada. Fui pra tenda falar oi pra todo mundo (que saudade eu tinha disso), tive que ir ao banheiro antes da prova e já foram me caçar pra largar.

Gente, não sei se era o Fabiano (diretor da prova), o André (locutor e meu amigo) ou outra pessoa  que estava com o microfone na mão, falando de mim, falando que eu ia fazer a prova…me deu a maior tensão! Senti uma pressão mesmo. Porque eu estava mega gripada e com medo de passar mal na prova. E agora até os mais desatentos sabiam que eu ia correr… Gelei! Me posicionei na hand, a Tarine e a mãe da Ju (minha treinadora de natação) em ajudaram. Eu tava uma pilha! Devia ter tomado um pré-treino (se eu tivesse um em casa).

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Larguei, e 3 segundos depois ouvi a buzina. E os corredores mais velozes começaram a passar por mim. Eu sentia a hand pesada, mas achei que fosse cansaço meu, gripe, ou sei lá. O Bruninho ia me acompanhar de bike a prova inteira. Logo, um outro ciclista se juntou a nós (não sei o nome dele. Se alguém souber, me avise!!).

O percurso é bem legal e bem fácil de fazer. Nas poucas e leves subidas do começo, eu fiz força pra caramba. Dei umas tossidas, nariz entupiu, mas eu tentei não prestar muita atenção nisso. Há uma parte que podemos correr na ciclofaixa pra evitar uma subida do viaduto. O Bruninho ia pedindo espaço pros corredores. Como a organização me deixou mesmo largar na frente, não tinha muita gente ali pra eu atropelar. Quando foi possível escolher ciclofaixa ou asfalto, eu optei pelo asfalto, pra poder ficar mais tranquila quanto à segurança dos demais. Eram 3 faixas livres na avenida, pra gente correr. Aí chegou o temido viaduto pra subir. Eu cheguei na metade, fazendo muita força. O Bruninho falou “encaixa uma marcha mais leve”, mas pelo número no trocador, aquela era a mais leve. Então, um corredor que só estava rodando, me ajudou a chegar no topo. Eu fiquei chateada por não conseguir fazer a subida sozinha. Mas, estava há 1 semana sem treinar, 3 dias de cama…achei que fosse isso. Ja já eu conto o que era. Deixa só eu comentar uma coisa…rsrs

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Eu sempre odiei corridas de 2 voltas. Sempre achei uma meleca! Mas dessa vez, gostei muito, pelo fato de, quando alcançamos 10,5km, passamos ao lado do pórtico. Logo depois dali, estão as barracas das assessorias e o pessoal que já terminou os 5km. Foi muuuito legal, receber aquela energia, a galera gritando, meus amigos ali..deu um gás a mais! E eu passei nos 10,5km com o relógio do pórtico marcando 46 alto. Fiquei feliz.

Logo depois, conversando com o Bruninho, ele foi me falando pra tentar passar as marchas. E descobri que eu estava correndo com 3 marchas apenas. As mais pesadas!! Sim, o câmbio estourou antes da prova e eu não me dei conta. Por isso não conseguia subir! Creio que tenha estourado no avião, voltando de Buenos Aires (ou será que foi na ida e minha inexperiência fez com que eu não percebesse isso?). Só sei que ali eu entendi muita coisa sobre meu corpo, minha força e a olhar a handbike e entender algumas coisas.  Paramos! Sim, paramos no km 11. Bruninho e o outro ciclista tentaram arrumar a hand. Mas foi em vão. Não conseguimos. Perdi um pouco de tempo ali. Eu queria muito baixar meu tempo, mas achei que parando e arrumando a bike, eu tiraria esse atraso. Não rolou…tudo bem! Eu estava ali pra completar e pra podermos abrir a categoria no ano que vem.

Como eu sempre digo, a corrida só começa a ficar boa pra mim depois do 11. Quando chega no 13 é que eu começo a curtir. E foi assim de novo! Os sintomas da gripe diminuíram, e eu tava bem mais feliz. O ciclista anônimo ia tirando do caminho os copinhos de água e isotônico antes de eu passar. Eu tentava driblar os buracos e irregularidades do caminho. Ribeirão foi o pior asfalto que eu já corri até hoje! E olha que ali o asfalto ta novinho! O Bruninho sempre preocupado comigo, se eu queria água, ou algo. Pedi e ele guardou meus sachês de gel vazios, pra jogar no lixo depois. Conversamos a prova inteira.

No km 18 aquela subida do mal, de novo. Mas agora eu desencanei, sabendo o motivo da minha “não subida”. Bruninho me ajudou e eu estava delirando de felicidade, pois faltava pouco pra terminar. Pela primeira vez, eu desci uma ladeira sem brecar, só pra ter a sensação. Caraca, aquilo corre muito! Se eu caísse da hand eu me estabacaria com força! Quebrar todos os dentes seria o mínimo.

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Contar com o apoio de professores da Companhia Athletica, que estavam no caminho, nas duas voltas, foi muito bom! E ver vários amigos no percurso, também foi maravilhoso! Alguns gritavam meu nome. E alguns corredores que eu não conhecia, me incentivaram a prova inteira. Muito obrigada a todos por tanto carinho e apoio!!

E eu avistei o pórtico! Quando fui dar o sprint final, uma corredora forte daqui, uma “sempre-no-pódio”, resolveu fazer o mesmo, correndo em zig zag, de braços abertos. Gente, juro que eu pensei que fosse atropelá-la! Foi Deus que me fez ter noção de espaço naquela hora! E também brecar em cima de outro corredor que terminou e ficou ali paradão depois do pórtico!

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Vendo as fotos, depois, eu percebi que tinha duas chegadas. Então, não sei se fui de bicuda na chegada que era só pra ela. Ou se eu tinha que chegar ali mesmo! Mas como eu tenho excesso de coordenação motora, quando eu vi o povo aglomerado embaixo do pórtico, só pensei que era ali!

Chegada Dani

E eu cheguei! Só lembro da  Dani Gil e da Michele me gritando. Lembro da eficiência da Tarine, já com a minha cadeira ali, me esperando (amiga!!!!!!!!). Lembro do André trazendo o microfone e que eu agradeci a organização pela oportunidade maravilhosa de correr em casa. Aí 10685054_10152367340443951_1647572782_nveio o repórter e eu não lembro o que falei! Deus queira que ele edite!hahahahaha  Era sobre a corrida, claro. E eu lembro de contar algumas coisas importantes. Mas não tive tempo de raciocinar, beber água, nem pingar o remédio do nariz, muito menos de ir ao banheiro (eu tava segurando desde o 19, só pra variar. Algumas coisas já estão seguindo um padrão).

Dali pra frente foi uma alegria só. Tanta alegria que eu esqueci de pegar a medalha!hahahahaha  Uma moça da organização que correu atrás de mim, buscou e me entregou!

Além de ter meus amigos comigo, consegui rever muita gente que foi importante na minha vida no esporte. Como o Rangel, meu primeiro treinador em assessoria de corrida, lá em 2009. Também o Murilo Bredariol, um querido, um triatleta maravilhoso, dono da escola de natação onde dei as primeiras braçadas pós-acidente. Foi o primeiro cara que acreditou em mim como atleta na cadeira!

E teve até premiação, gente!!!  Força tarefa, demos um jeito e eu  subi no palco com meu treinador pra ser premiada! Ano que vem, teremos a categoria cadeirante e eu espero bombar essa prova tão deliciosa, com meus amigos sobre rodas da região. Vale muito a pena!!

Quero aproveitar esse post para agradecer demais ao Fabiano, ao José Paulo, a todos do Jornal Tribuna, a todos da organização da prova, os staffs, ao Bruninho, ao clicista, todos mesmo! Fui tratada com muito carinho e amor! Isso é um bem muito precioso e algo que marcará para sempre minha primeira corrida em Ribeirão pós-lesão!

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Algumas coisas, graças a Deus não mudam! Correndo em casa, com os amigos, fui a última aluna a sair da tenda, como eu sempre fazia! Eu e algumas professoras da minha época de andante, lembrando as tantas vezes que eu ajudei a montar e desmontar aquela barraca, nas provas! Bons tempos!

Ah, falando em tempo, baixei o meu! Mesmo parando pra tentar arrumar a handbike, eu fiz meu melhor tempo em Meia Maratona:  1:34:11 !!!  To feliz pra caramba!! Treinar muito pra ser sub 1:30!! Será?

(Fotos: Alfredo Risk)

05
ago

22

Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

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Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

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Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

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Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

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Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

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(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)

 

 

 

14
abr

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Minha Primeira e Sétima Meia Maratona

Essa semana eu to cheia de coisas pra contar pra vocês! Mas a primeira tinha que ser essa!

Todo mundo sabe que eu amo correr, que ta no meu sangue, que ta no meu cérebro, que ta no meu coração, que eu respiro (e gostaria de transpirar também) isso. Mas, não posso correr mais do jeito que eu sempre gostei e gosto! Porém, nem tudo está perdido!

Fui pra São Paulo essa semana, pra participar da Reatech. Eis que sexta à noite, minha mãe japa, Marina Kuriki, me manda um whatsapp assim: “Vai ter a Meia da Corpore domingo. Você não quer ir ver o pessoal? Dá pra fazer os 5km de cadeira.”  A minha cadeira não passa nas portas do apt da Má. Ela acionou outro amigo nosso, o Michel Honda (que me ajuda e me apoia tanto!) e ele imediatamente disse que me hospedaria. Nossa! Que vontade de estar lá na corrida! Porém, no mesmo instante, lembrei que não podia ir com a minha cadeira. Depois de alguns acidentes, as organizações das provas não permitem mais cadeiras do dia a dia em provas. Apenas cadeiras de atletismo e handbikes são permitidas. Além, disso, eu não tinha nem roupa! Só tinha trazido uma legging preta (uniforme oficial das cadeirantes). Mas a Marina disse que ia me emprestar tudo! Camiseta, top, tênis, meia, tudo!

Caramba! Eu tinha 24horas pra conseguir uma handbike! Mandei um post desesperado no sábado de manhã, no facebook, tentando conseguir uma hand emprestada. Alguns amigos indicaram amigos, mas nada de eu conseguir uma. E eu estava na Reatech o dia todinho, caçando gente que poderia ter e que não usaria no domingo. A feira encerrava 19h e nada! Mas, eu tenho um amigo porreta, o Sidney Mayeda, que tem uma hand de passeio. É uma adaptação que ele prende na cadeira de rodas normal, mas ele usa uma esportiva (daquelas de basquete), que é mais leve. Tudo junto, pesa 21kg! Ele usa essa bike pra se exercitar no parque  e estava com ela na Reatech, incentivando a galera a se exercitar também. No mesmo momento que eu pedi, ele disse : “Claro Dani, pode levar.” Meus olhos encheram de lágrimas. Eu nem acreditava que eu ia conseguir! Bom, se eu consegui a hand, eu não ia correr os 5km. Eu ia pros 21km!

A Marina foi me buscar, colocou a hand do Sidão no carro, a minha cadeira, mala e cuia no carro dela, e partimos pra casa do Michel. Aí começou o problema número 1 – começou a cair o maior pé d’água do Brasil. Eu achei que a chuva fosse arrastar o carro na rua. Respira, chegamos no Michel. Jantamos (ele fez um yakissoba caseiro maraviwonderful e pediu pizza), rimos, conversamos. E a chuva não parava nunca mais. A Má foi embora e eu fui pra cama. Mas não conseguia dormir. Problema número 2 – eu estava mortinha de cansada e nada de pregar “uzói”! Mas fiquei orando, pedindo pra Deus (e pra todo mundo que me chamava no whatsapp eu também pedia pra orar) praquela chuva toda parar de chover até de manhã. Fiquei monitorando a chuva até 2h da madruga, agitada. Eu não dormia de jeito nenhum! Estava ansiosa pela prova! Dormi. O despertador tocou 4:40. Ou seja, não dormi nadica de nadéx! Mas, parou de chover! Problema 1 resolvido. Problema 2…deixa pra lá!

Com um olho aberto e outro fechando, abri a bolsa com as roupas da Marina. Coincidentemente, ela me emprestou a camiseta da Maratona de Revezamento Pão de Açucar de 2012. A última prova que eu tinha corrido em SP! E me trouxe um tênis Asics. Eu sempre quis testar um Asics pra ver se era mais confortável que o Mizuno (que eu usava pra correr). Agora estava com um Asics no pé, mas não sabia se era melhor pra correr. Nem saberia, por motivos óbvios! Me troquei, juntei as tralhas. Michel já tinha feito meu café e a Marina já estava lá me esperando. Partimos pra USP. Quando chegamos, meu coração já acelerou, de ver tanta gente ali, pra correr. Lembrei da última vez que estive ali pra uma largada, na Fila Night Run de 2009. E na última vez que passei por ali correndo, quando fiz os 25km na Maratona de SP em 2011.

O moço nos guiou para o local dos cadeirantes estacionarem. Só handbikes top de competição. Descemos do carro, a Má montou a hand do Sidão. Quando desci do carro, um senhor de aproximou, perguntando quantos km eu iria fazer. A Má disse que eram 21. Ele respondeu “Se é a primeira vez dela, e com essa bike, melhor ir pros 5km.” Mas ele não me conhece! Perguntei o nome dele, pois estava com a camiseta da Achilles. Era o senhor Rollo, com quem eu tento falar desde que a Dri, minha amiga corredora aqui de Ribeirão, me falou da Achilles. Ele lamentou não termos conseguido falar antes, me deu um cartão e ofereceu suporte durante a prova. Também me deu um número de peito, pois eu não tinha (ia usar o da Marina e ela ia correr de pipoca).

Partimos pra tenda e, começamos a ver os amigos. Que delícia estar ali, no meio dos amigos. Vi a Drika (cabeça), a Claudinha ( a “papa-pódios” rs), que eu só tinha visto em Maresias, na minha última prova “andando”.E vi mais um monte de gente legal, que eu só conhecia pelo face.

Fomos pra largada, pois a dos cadeirantes seria 15minutos antes. Notei que no km 13, passaríamos por ali. Pensei “Se eu estiver morrendo, eu paro no 13.” Mas isso não estava muito nos planos.  Seria só no caso de eu estar desmaiando, tendo um colapso, tendo disreflexia, ou morrendo mesmo.

1011796_780081265335895_6683714393625711_nLá estava eu, na largada com a galera da handbike. Eu estava morrendo de vergonha, pois eu era uma estranha no ninho. E também era a única com uma handbike de passeio.  E sem nenhum equipamento também! Mas tudo bem. Eu sabia que iria demorar muito mais pra completar a prova (estava com uma bike que pesava 21kg e eles com bikes que pesam menos de 14kg). Comentei com a Marina sobre isso e ela disse algo que me fez chorar: “O que importa é que você está aqui, no seu lugar! Aqui é seu lugar! E do nosso lado.” Sim, ali era meu lugar: numa corrida! E eu não estava ali pra competir, mas pra completar a prova.  A Claudia, mãe da Bia, uma querida,  se ofereceu pra me ajudar e disse que a turma dela, da Klabhia Running, me ajudaria também! Apareceram também voluntários da Corpore.

Largamos! A turma da handbike sumiu em 2 minutos! A Marina do meu lado, a Claudia e a Bia também, além da Laila e da família dela. Primeiro, a Má e o Roberto Itimura começaram a me ajudar, porque a hand era muito pesada! No segundo km, o pai da Laila engatou um guarda-chuvas atrás da minha cadeira, pra facilitar pra galera me dar uma força e não acabarem com as costas. Mas…ai meu bumbum! Tive que ficar a prova inteira indo um pouquinho pra cá e um pouquinho pra lá, com medo de que o guarda-chuvas fizesse pressão e abrisse uma escara.

No primeiro km, algumas pessoas começaram a gritar “vai” , “isso mesmo”. E eu toda distraída, conversando. Até que a Má e meus amigos começaram a responder. Aí eu saquei que aquilo era pra mim! Que bestinha! O povo deve ter achado que eu sou grossa, porque não respondi.

Bom, se eu contar tudo que aconteceu, km por km, vocês vão enjoar. Então, vou tentar resumir, gente! Lá pelo km 3 ou 4, eu acho, a Má foi descansar um pouco! Afinal, semana passada ela fez 42km de montanha, na Maratona do Fim do Mundo.

No km 5, eu pensei “bom, sem ajuda da galera, eu teria que parar aqui. Mas vambora! Não to sozinha. ”

No km 10, assim que passamos a placa, eu dei uma chorada. Mas ninguém viu! Ainda bem…10252114_540776776040302_1872685984668690283_nrs  Foi aqui também que começou meu maior problema na prova! Eu sabia que eu não conseguiria parar durante a prova pra ir ao banheiro. Então, eu estava regulando a água ao máximo, pra não sentir vontade de fazer xixi. Estava bebendo pouco mesmo! Tinha pontos de água que eu nem dava um golinho. Mas, todo km 10 numa meia maratona, vira meu km do mal! Quando eu corria, era aqui que meu joelho acordava e começava a doer. Mas, aqui, minha bexiga começou a dar sinais de que precisaria ser esvaziada. Além disso, eu não forço o joelho. Mas o trapézio! Corpo, você não me dá uma folga, hein?! Fala sério! Ta querendo me boicotar?

Fui controlando a água durante a prova. As pessoas que passavam, me davam muita força! Teve um moço (lindo maravilhoso), correndo com um amigo, que passou por mim lá pelo km 16 e disse “Quando estamos cansados e pensamos em desistir, a gente vê uma menina dessa e sente vergonha”. Não moço! Não sinta vergonha! Corra mais rápido, já que eu não consigo. As pessoas davam bom dia, batiam palma, elogiavam, conversavam um pouquinho. Foi muito legal! O staff de prova também sempre gritava! Isso dava um ânimo pros meus bíceps não desistirem!

Tomei meu gel (presente da Má, ja que eu caí de paraquedas na prova e não levei nada) no km11, com pouca água. A Má apareceu bem nessa hora. Tirou foto e revezou um pouquinho com o Pestana, na ajuda à minha pessoa. Parou no 13km pra descansar de novo, quando chegamos nas tendas. Nessa hora, o pessoal dos 5km e das tendas, gritava muito pra me incentivar. E meus dedos, não aguentavam mais segurar o guidão da bike! Eu tenho lesão alta e meus dedos são fracos. Eles começaram a tremer aqui, enquanto eu passava pela galera da handbike que já tinha terminado a prova. Perguntei pro Pestana quanto tempo tínhamos de prova. Fiz as contas. Se continuássemos nessa média de velocidade, eu acabaria minha primeira Meia na cadeira com o mesmo tempo da minha primeira Meia andando. Vai bracinho, vai bracinho!

No km 15, dei mais uma choradinha. Lembrei da minha primeira Meia, no Rio, quando eu passei debaixo dessa placa. Aliás, todas as minhas outras 6 meias maratonas, foram passando como um filme. E vários treinos também. E as dores nos joelhos, os sacos de gelo, os amigos, as medalhas, as tentativas de baixar o tempo. E agora, eu tinha é que terminar essa meia. Esse desafio. Aqui meus trapézios já estavam adormecidos. Meus bíceps também. Eu nem sentia mais dor. Só nos dedos (agora está difícil pra digitar).

10178001_431206043690481_7887651010500666323_nNas subidas da prova eu sofria. E o Pestana também, pra me empurrar. Nas descidas, eu tinha que frear muito, ou capotava. E capotamentos não me trazem muita sorte!rsrs  Melhor não!

No km 18, meu xixi do mal queria sair. Até pensei em fazer ali mesmo. Tantos corredores fazem no meio da prova. Mas eu iria molhar o forro da almofada. E da corrida, eu iria pra Reatech. Daria tempo de lavar o forro, mas ele não iria secar. Ainda mais num dia sem sol! Eu teria que segurar. Comecei a ter disreflexia, muitos espasmos por estar segurando o xixi. Queria tomar mais água, mas isso me daria mais vontade de fazer xixi. E as pontas dos meus dedos já estavam adormecidas de segurar o guidão. Mas se eu soltasse, seria tombo na certa!

Eu fui a prova inteira com o pessoal da Klabhia (às vezes eu dava uma adiantadinha, às vezes elas me passavam, às vezes íamos juntas) a prova inteira! E eu tenho muito a agradecer a esse time e grupo de amigos! Especialmente depois do km 18, quando eu já estava no pau da goiaba e eles ali do meu lado. – agora tem foto!!! – Klabhia

 

O Marcos Pestana foi meu anjo durante a prova inteira. Eu pedalei os 21km na bike de 21kg, mas ele me empurrou 90% do percurso! Sem ele, eu não teria conseguido! Ele é voluntário da Corpore. Algumas pessoas, também me empurraram, pra revezar com ele. Gente que eu nem conheço! E que sem eles eu não teria conseguido!

No km 19 apareceu a Má! Eu disse que estava com dor e passando mal por causa do xixi, mas que iria terminar, e ela comigo ali, me dando força. Vi a placa do km 20 e com ela, vários amigos que passaram por mim durante a prova e eu disse “Me espera na chegada”, mas como disse a Eliane Lilika “Viemos te buscar”. Ela levou o filho, a Ilzinha…Como é bom ter amigos, que foram aparecendo nesse final. E a placa do km 20 me deu uma força fora do normal! Só faltava 1!

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O Pestana falou “Vamos dar um sprint”. Nem sei de onde ele e eu tiramos forças! E meus amigos juntos com a gente. Foi quando a Lilika disse “Dani, olha o pórtico de chegada”. Eu vi! E eu fui! Quando faltavam alguns metros, já comecei a chorar!

10264933_640129632725966_6523103347251352394_nAs fotos da chegada não tem glamour, só umas caretas de choro sem fim. Eu nem acreditava que isso estava acontecendo! Eu só conseguia chorar e abraçar a Marina. Eu chorava muito! A ideia de participar da corrida foi dela! E quando eu falei de fazer os 21km, ela não tentou me dissuadir em nenhum momento. Pelo contrário. Cansada da maratona da montanha, ela só tentava encontrar alguém pra me ajudar. E apareceu o Pestana, que eu só abraçava e agradecia, porque eu chorava tanto que não conseguia falar.

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Quem falou foi minha bexiga! Atrás dos enfermeiros da chegada, a Má viu um banheiro. Desmontaram a hand.  A galera me carregou pra porta do banheiro químico, a Ma limpou e forrou o banheiro e eu…desabei! Pouca água, pouca reposição durante a prova, poucas horas de sono à noite e muita emoção = minha pressão caiu! Eu não desmaiei, mas foi por pouco! Eu parei na hora que percebi o trem feder. Aí eu bebi 200litros de água e isotônico.  E comia feito um dragão. O Pestana me deu mel, a marina uma barrinha de frutas. Eu disse que queria o torrone e alguém (foi uma amiga, eu tava bem pra lá de Bagdá. Não lembro quem foi) me deu um pequenininho. Um enfermeiro veio com uns aparelhos e disse que os batimentos e a saturação estavam boas, mas depois do banheiro, era pra me levar até ele. Sim gente, eu sou tão glamurosa, que tudo aconteceu na porta do banheiro químico, com o vaso todo forrado de papel! Um arraso! Melhorei e, ao contrário do que eu pensava (que de segurar tanto o xixi, eu ia demorar mil anos pra uretra e a bexiga pararem de contrair de espasmos), eu não demorei nem 5segundos.

Ali fora, já tinha vários amigos pra me cumprimentar. Saí do banheiro, o enfermeiro veio e eu disse que já estava bem. Todo mundo perguntou se eu precisava de algo e eu disse “Sim! Eu quero a minha medalha.” Todo mundo riu do ser quase tendo um treco e só pensar na medalha.

Mas, eu não tinha chip! Quando a moça da medalha perguntou, eu disse que perdi. O Pestana disse que dava a dele pra mim, mas a moça disse “de jeito nenhum!! Pode levar!” Moça gracinha! <3  Perguntei pro Pestana o tempo: fizemos 2 minutos abaixo na minha primeira Meia.

Lá fomos nós, tirar mil fotos com tantos amigos que apareceram, o José Munhoz, a Fernanda Balster, tanta gente! E com meus anjos Marina e Pestana! obrigada ao Sidão que m10171661_607948799296716_6976369982651109352_ne emprestou a bike e me permitiu realizar esse sonho! E aos poucos que contei que ia fazer essa maluquice, e que me apoiaram incondicionalmente! Obrigada a todos que me empurraram, quem gritou e me incentivou durante a prova!

 

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Quando as pessoas me perguntam do acidente e eu digo que corria, eu sempre falei que era Meia Maratonista. Agora não! Agora eu SOU, de novo, Meia Maratonista!

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