28
ago

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Whey Protein – vilão ou não?

Pois é, essa semana ele é o assunto da vez. Só perde pro desafio do balde de gelo e a ELA (que tem mesmo um caráter muito mais importante. Se você não sabe o que é ELA, clique aqui http://www.socialfly.com.br/videos/283-o-ultimo-video-do-desafio-do-gelo-que-voce-deve-e-precisa-ver ).

Primeiro um programa de TV se propôs a mostrar a vida dos Bodybuilders, mas botou lá um cara que se automedica, sem orientação nenhuma. E queimou o filme da turma saudável (aqueles que levam o esporte e alimentação a sério!). Depois, veio outro programa de TV falando do Whey Protein e de seus supostos prejuízos ao organismo.

Apenas pra adicionar, eu tomo Whey sim, comecei há uns 4 ou 5 meses. Ele não é shake que promete milagres, muito menos substitui refeições. Quem é acompanhado por um nutricionista sério e competente (graças a Deus eu sou) e lê e pesquisa, sabe que a alimentação, com comida de verdade, nas quantidades certas e nas horas certas para a sua rotina, é a chave do sucesso para a saúde! O Whey Protein, como sabemos e como ele é classificado, é um suplemento, um complemento à dieta.

Eu não sou nutricionista (como eu sempre ressalto) e muito menos médica! Então eu fui ler muito e pesquisar muito! E abaixo, trago dois artigos que julguei os mais bem escritos e informativos.

O primeiro foi escrito pela Dra Paula Leal, médica competente que treina comigo lá na academia. O segundo, eu li hoje, com muitas referências bibliográficas, foi compartilhado por um amigo. Eu cacei a fonte, li e reli e decidi que ambos são esclarecedores nesse assunto. Vamos lá!

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Texto da Dra Paula Leal

(o original está aqui: https://www.facebook.com/drapaulaleal)

whey protein

Mais uma vez a mídia perdeu uma ótima oportunidade de trazer informação de boa qualidade para a população!Achei lamentável um programa tão renomado como o Fantástico ,visto por milhões de pessoas,mostrar uma reportagem tão superficial como aquela que foi ao ar no ultimo domingo sobre a análise das marcas de whey protein…Não vou nem citar os comentários ridículos daquela Maria para dar mais graça ao assunto(que ao meu ver e muito sério)mas de algumas coisas que achei bem estranhas!Em primeiro lugar NÃO foram analisadas várias marcas ,das quais não citarei nomes,sabe-se lá o porque!Contei pelo menos 5 ,que,pelo alto consumo ,deveriam estar lá no meio da análise.Sim,havia erros grosseiros ali,como diferenças de 300% a mais da quantidade anunciada no rótulo de carboidratos ou adição de proteínas de outras origens,que não a do leite porém sabemos que nem todas as marcas analisadas apresentaram esta diferença escabrosa de rotulagem,não e? Tive inclusive informações de que algumas marcas foram reprovadas no mesmo nível por conter 0,3%a mais de carbo do que o que preconizava o rótulo .,,e aí?acho que deveriam quantificar isso para nossa melhor informação,não e?ficou generalizado…E por fim,para fechar com chave de ouro,a nutricionista(a qual não conheço e nada tenho contra sua pessoa) declarar em rede nacional que Whey e produto”para quem prática atividade física de pelo menos intensidade Muito grande”  WHAT??? Gente,e os trabalhos de uso de whey na reconstrução de massa magra de idosos,acamados,no diabetes,de suas propriedades sacietogenicas (pelo estímulo de colecistoquinina) em obesos …E tudo em vão? Problemas de fígado e renal graves com whey?eu nunca presenciei! Só tenho a lamentar por isso,suspirar fundo e seguir em frente com a esperança de que um dia isso tudo mude!

 

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Texto publicado pelo Five Diamonds

(o original está aqui  https://www.facebook.com/fivediamondsoficial )

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Não existem dados consistentes que afirmem uma relação entre o consumo de proteínas e prejuízo da saúde renal ou hepática em indivíduos saudáveis.

Há preocupação de que a ingestão elevada de proteína pode promover dano renal, aumentando cronicamente a pressão glomerular e hiperfiltração. Sabe-se, atualmente, que essas alterações são adaptações fisiológicas normais do organismo humano, dentro de um limite da capacidade renal.

Uma pesquisa realizada no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism demonstrou que não existe correlação entre uma ingestão protéica elevada e dano renal. Eles investigaram bodybuilders e outros atletas ingerindo até 2,8 gramas de proteína por quilo de peso.

Um estudo prospectivo de coorte publicado nos Annals of Internal Medicine avaliou 1624 mulheres ingerindo uma dieta hiper-protéica e não foi constatada nenhuma associação entre a ingestão hiper-protéica e decréscimo na função renal. Por outro lado, mulheres que iniciaram o estudo com insuficiência renal, apresentaram piora com o aumento na ingestão protéica, o que demonstra não ser indicado para pessoas com problemas renais existentes.

E por último, um extenso trabalho de revisão bibliográfica, publicado no Nutrition & Metabolism em 2005, documentou que apesar de dietas com restrição protéica serem indicadas para pacientes com doenças renais, não existem evidências significativas para afirmar que uma ingestão elevada de proteínas está relacionada a complicações renais em indivíduos saudáveis.

A maioria dos estudos consideram uma ingestão protéica até cerca de três gramas/kg. Não foram encontrados estudos avaliando ingestões protéicas mais elevadas.

Uma alimentação com altos índices de carboidratos + alimentos processados carregados de venenos associada à inatividade física, pode ser muito mais maléfica à saúde renal do que uma ingestão protéica um pouco acima do recomendado. Inúmeros trabalhos publicados demonstram o processo inflamatório crônico ligado à esses alimentos causando obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, doenças auto-imunes e conhecidos fatores de risco para doença renal.

Consulte sempre um nutricionista ou um médico nutrólogo ATUALIZADO para adequar a quantidade proteíca ideal de acordo com a sua necessidade individual, ingestão alimentar e atividade física.

Fontes:

1. Dietary protein intake and renal function. Nutrition & Metabolism 2005, 2:25 – http://www.nutritionandmetabolism.com/content/2/1/25

2. The impact of protein intake on renal function decline in women with normal renal function or mild renal insufficiency. Ann Intern Med. 2003 Mar 18;138(6):460-
3.Do regular high protein diets have potential health risks on kidney function in athletes? Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2000 Mar;10(1):28-38.

4. Changes in renal function during weight loss induced by high vs low-protein low-fat diets in overweight subjects. Int J Obes Relat Metab Disord. 1999 Nov;23(11):1170-7.

 

26
ago

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Filtro Solar – use e abuse

Gente, vou chover no molhado, mas vou falar sobre a importância do filtro solar.

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Sempre ouvi minha avó falando sobre isso. Ela cresceu na fazenda, trabalhando na colheita de algodão e outros produtos. Na época não existia filtro solar e os braços da minha vózinha ficaram pintadinhos. Desde que eu me lembro, minha avó usa protetor solar pra não piorar as manchas. E ela nos ensinou  a fazer o mesmo.

Infelizmente, tem gente que não dá a devida importância ao seu uso. Incluo aí muitos atletas que treinam na rua, no sol escaldante e deixam seu corpo tostar ao sol sem proteção nenhuma. A cor da pele fica linda, mas com o passar dos anos, o arrependimento vai bater, com certeza!

Pedro Bial já fala da importância do filtro solar em um dos textos mais famosos da internet. E essa semana li uma tal de “lista de coisas que você vai se arrepender quando ficar velho”. E a primeira coisa da lista de arrependimentos é “Não ter usado filtro solar”.

Mas o mais legal de tudo, e que pode chocar você, amigo ou amiga que não usa, foi o vídeo que assisti, cujo link está abaixo!

Utilizando uma câmera com luz ultravioleta, Thomas Leveritt escolheu aleatoriamente pessoas na rua, para mostrar como a pele contém imperfeições que nem sempre são vistas a olho nu. Essas são quase sempre causadas pela exposição sem proteção ao sol. Para provar isso, ele mostra como os óculos e o próprio protetor solar tornam o rosto preto quando captado pela câmera especial. Eu não vou ficar resenhando infinitamente sobre o vídeo. O massa mesmo é vocês assistirem. Eu falando, não tem o mesmo impacto!

Sobre marcas de filtros, eu não sou especialista pra indicar. O ideal é procurar um dermatologista que indique o melhor pra sua pele. Vou falar das marcas que eu conheço, mas não to ganhando nada pra isso.

Desde que comecei a usbloqueador_fps40_tonalizantear filtro solar, gostei mais do da Adcos. Ele tem um tom de base que fica muito bom na pele e não me ensebou a cara, nem me encheu de cravos. Você vai falar “tia Dani, custa caro esse trem”. Mas o meu dura muuuitos meses. Mesmo eu passando várias vezes ao dia. Agora eu comprei o da PinkCheeks, marca queridinha das corredoras defluid_tonalizante_fps40_b rua. To esperando chegar pra testar. E custa mais barato que o da Adcos. E o massa do da Pink Cheeks é que cada “tom” do protetor é uma distância em km, das provas que corremos! As duas marcas também tem a versão sem tonalizante.

 

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Sei que há outras marcas boas, mas eu não posso dar opinião sobre algo que nunca usei. E quem tem que indicar o melhor pra vocês não sou eu. Vai que eu indico uma cor do protetor com tonalizante e você fica toda colorida…Vai me odiar depois, mesmo estando protegida!rsrs  😉

20
ago

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Querido diário de alguém com um parafuso a menos

Querido diário,

Hoje to escrevendo pra mim. Uma coisa “Querido diário” mesmo, pra eu guardar aqui e ler na posteridade. Pra não se perder no meio de tantos pensamentos que eu já tive e nunca escrevi, por vergonha de dividir o que eu pensava, o que eu estava passando naquele momento.

Isso já aconteceu pelo menos umas 50 vezes desde que eu sofri o acidente. Vezes que eu queria escrever pra dividir um pouco a carga, mas tinha medo de ser julgada por isso ou aquilo.

Sim, porque é muito fácil julgar! Você lê o que a pessoa escreve no facebook, vê as fotos que ela posta e tira suas próprias conclusões sobre a personalidade dela, as vontades, o caráter, o sonho. Você não pergunta nada disso pra ela. Apenas tira suas conclusões pelo que ela decidiu compartilhar. E nem tudo a gente compartilha, querido diário.

E aí, um dia, por cargas d`água, você conhece a pessoa “tão lida e curtida” pessoalmente. Mas você também não dá a ela tempo pra se mostrar. Em 2 minutos, já a julga. Nem sabe se ela acabou de se emocionar, de se decepcionar, de ter uma notícia triste, de ter uma notícia alegre, se ela viu alguém que a magoou e ficou perdida, se ela viu alguém que ela admira e não teve tempo de dizê-lo. Você simplesmente a olha de cima em baixo e pensa “ela é diferente no facebook”. Mas você esquece que não dá pra ser perfeitinho o tempo todo. A gente tem TPM, a gente chora, a gente fica alegre, fica triste, fica nervoso, se sente gordinha, se sente contente, fica emocionado, perde a razão ou fica sem reação.

Pois é, querido diário. E nessas horas e por esses medos, eu deixei de escrever tantas vezes. Guardei muita coisa pra mim. Sofri calada muitas vezes. Pensei mil caraminholas do meu corpo, da minha lesão, da minha cabeça, dos meus defeitos, de mim mesma…Mas hoje, a vida me deu uma chapuletada. Outra, né?! Mas dessa vez, veio com um taco de beisebol bem no meio da minha cara. E quebrou meu nariz e uns 2 dentes. E eu fico pensando: Por que eu não mereço? E nessas horas afloram todos os meus defeitos na minha cabeça. E eu odeio cada um deles com a mesma intensidade que eu odeio engordar só de pensar em chocolate. Aliás, hoje é um daqueles dias que eu quero muito um chocolate. Um brigadeiro de panela pra comer enrolada no edredom enquanto eu leio, deitada na cama (a cena da perfeição, na minha opinião).

E depois eu parei e pensei: O que eu quero da minha vida? Bom, tem só duas coisas que eu quero. Andar. Ser atleta. Só essas que eu quero e quero muito e quero de verdade. Mas ta foda! Ta difícil. Aí eu penso: vai ver eu não consigo porque Deus ta falando “minha filha, que folgada! Ta querendo ter tudo? Vai ter que escolher só uma. Ou não escolha nada. Quem escolhe sou Eu e Eu vou te dar só uma. Surpresaaaa…”  Será que é por isso que está tão difícil conseguir um resultado positivo, ou um patrocínio pra me dedicar mais e mais ao esporte e conseguir ser atleta de verdade? Ou será que é por isso que minha perna esquerda tá teimosa, meu pé esquerdo tá um bicho-em-coma-de-tanta-preguiça e meu tronco parece que tá mais fraco ao invés de ficar mais forte?

Mas aí, eu não fico falando nada disso pras pessoas, querido diário. Do mesmo jeito que eu não conto que eu não sei como reagir quando, por um acaso, um amigo virtual (ou milagrosamente, um seguidor) aparece na minha frente. Eu não sei o que falar. Eu só sorrio e pisco (aliás, é assim que eu saio em todas as fotos. Um monte de dentes e os olhos fechados).

Do mesmo jeito que não sei o que fazer nem o que falar  quando vou em alguma corrida. Porque ainda é algo tão maravilhosamente espetacularmente maravilhoso (eu já falei maravilhoso?) estar ali, que eu fico pior que criança na Disney, pela primeira vez. Se bem que eu também viraria criança na Disney, porque eu nunca fui. Fico, tipo, deslumbrada! Tipo “to aqui mesmo? Eu vim de novo? De verdade?”. Mas eu não fico contando que eu queria estar correndo com os pés. E que eu coloco fones de ouvido com a música bem alta, porque as passadas dos outros corredores cortam meu coração. Cada passada é uma estocada no meu peito. Mas eu prefiro isso do que não estar ali.

Do mesmo jeito que eu não fico contando que sou estabanada e desorganizada. Que eu vivo derrubando tudo no chão enquanto eu cozinho. Ta bom…enquanto eu faço qualquer coisa!  E que poderia ler muito mais livros e fazer muito mais coisas, se eu conseguisse me organizar. E também poderia dormir mais, se minha cabeça não ficasse funcionando a noite inteira. Aí eu não pareceria um zumbi toda manhã.

Ah, diário, já te contei que toda manhã eu odeio nadar até a hora que eu dou as primeiras 10 braçadas? Pois é…e dá raiva da água fria e algum desavisado diz “jajá você esquenta” porque eu queria tanto tanto tanto esquentar e não esquento. E meus braços doem muito nos primeiros 400 ou 500m. Mas depois eu não quero sair da água nunca mais até virar lodinho.

Ah, outra coisa que não posso ficar contando pra não ser julgada: tem dias que tenho vontade de dormir de conchinha (vááários dias). Mas sem nenhuma intenção. Só um abraço mesmo. E cafuné no cabelo. Não no topo da cabeça, porque eu não sou periquito. É no cabelo mesmo! Igual minhas crianças faziam, enquanto eu corrigia a tarefa delas. Pareço durona. As pessoas dizem que “sou forte”. Mas eu sou uma pata. Eu gosto mesmo é de carinho. Mas já pensou se eu fico falando isso por aí? Aí sim é que vão partir meu coração sem dó.

Sabe, ainda bem que no diário da gente, a gente pode escrever o que a gente quer. Tudo bagunçado mesmo. E fora de ordem. E sem nexo. Nem ligação entre um parágrafo e outro, entre uma frase e outra. Sem coesão nenhuma. Poder escrever tudo que vem na cabeça, sem pensar nem esperar. Tudo de uma vez. Tipo vomitado (que nojo). E sem medo de que me julguem. Só botar pra fora…Porque já passa de meia noite…Quem sabe hoje eu consiga dormir antes das 2h!!

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18
ago

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Corra Pela Vida e Atropelamento na USP

Esse é um post alegre e um post triste. Isso porque, esse sábado foi muito especial e trágico.

Minha preparação pra ele começou uns dias antes, quando vi no ig das minhas amigas Corre Paula e Blog da Debs, que haveria o Terceiro Treinão do Corra Pela Vida em SP. Porém, dessa vez, ele teria um número limitado de participantes. Nos dois eventos anteriores não pude ir, mas dessa vez, conseguiria estar presente e comecei a me programar.

A semana em SP foi fria e eu pensei que iria parecer uma cebola cheia de camadas de novo. Coloquei uma meia calça por baixo da legging e dois casacos por cima da blusa branca, cuja cor deveríamos vestir. Tive sorte, pois o sol saiu e logo tirei os casacos.

Pra quem não sabe, o Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”.

corra pela vida

Neste mês, com o apoio da Nike, corremos pelo propósito de valorizar a autoestima feminina por meio da corrida, comemorar oito anos de criação da Lei Maria da Penha, completados neste mês de agosto, e celebrar a paz. O evento ocorreu no Parque da Água Branca e reuniu cerca de 400 pessoas, segundo informações das meninas.

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Revi minhas amicorra pela vida 4gas lindas Debs e Paula, conheci a Gabi pessoalmente, conheci muitas mulheres incríveis e revi muita gente que eu adoro! Infelizmente não vou postar foto com todo mundo aqui porque to esperando uzamigo postarem as deles pra eu roubartilhar. Mas assim que fizerem isso, eu posto tudão lá no facebook do blog.

 

 

corra pela vida 3Foi um dia incrivelmente especial e proveitosíssimo para todos nós. O clima era de extrema alegria e felicidade e a causa mais nobre, impossível. Sempre que há o Corre pela Vida, corredores levam tênis e roupas esportivas pra doar pro Projeto Vida Corrida (http://vidacorrida.org.br/), uma ONG maravilhosa, fundada pela Neide. Parafraseando as meninas do Corra Pela Vida, a Neide  “é uma baiana arretada que acreditou que o esporte iria mudar sua vida. Perdeu um filho para a violência e sua rotina de treinamento virou ato de amor, quando abriu mão de 30% do seu salário, com redução da carga horária, para dedicar mais tempo à comunidade”. 

De repente, no meio do sorteio dos brindes, meu celular pipocou com um whatsapp. O print do ig do DivasQueCorrem e uma foto, informando sobre um atropelamento na USP, em que corredores foram gravemente feridos. Olhei pras meninas. Enquanto a Gabi seguia com o sorteio, o celular da Debs tocou e a Paula foi falar com o treinador e mais umas pessoas. Fui perguntar se elas receberam a mesma mensagem. Não só elas, mas metade do pessoal ali já recebera mensagens e ligações. Amigos, companheiros de treino, haviam sido atingidos e gravemente feridos por um idiota bêbado.

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Pra nós, ali, o clima de festa foi substituído por imensa preocupação. Assim que o evento caminhou para o final, muitos saíram dali direto pro hospital. Durante o dia, corredores não falavam de outra coisa nas redes sociais e mandavam notícias uns pros outros.

Nossa preocupação só crescia no decorrer do dia. Até que veio a triste notícia que um dos corredores, o atleta veterano Álvaro Teno, de 67 anos,  faleceu. Ele foi enterrado ontem,  domingo. #naofoiacidente

Sobre os demais corredores, as informações iam e vinham. Até que ontem à noite li, no blog do Lucena, na Folha de SP, as últimas informações confirmadas.

A mais gravemente atingida foi Eloisa, que foi levada de helicóptero para o hospital Samaritano, onde passou por longas horas de cirurgia ao longo da tarde de ontem. No final do dia, segundo informações que recebi da assessoria de imprensa do hospital, ela foi para a recuperação.

O ex-treinador dela, Luiz Fernando Bernardi, esteve no hospital e informou: “As notícias são de que ela teve fraturas múltiplas nas duas pernas, rompimento de todos os ligamentos de um dos joelhos, fratura num dos ossos da face e na região do queixo. No quadril, teve perda de pele …Vai no futuro ter que fazer outras cirurgias reparadoras desses machucados”.

Quem quiser ler o texto todo dele, que entrevistou os corredores atropelados e/ou treinadores e familiares, o link ta aqui http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br/

As fotos que vi do acidente, foram publicadas no Divas Que Correm.

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Os corredores de SP estão se unindo, em busca de mais segurança nos treinos na USP. É um lugar mantido por impostos pagos pelo povo. O Corra Pela Vida, junto com mais alguns atletas, abraçou a causa. Como eu disse no meu ig sábado, não sou de SP. Moro no interior. Durante todos os anos que corri, sempre olhava as fotos dos meus amigos treinando na USP e pensava ” como eu queria estar ali”. Depois que veio a cadeira e, graças a Deus, a handbike, eu só queria uma USP de SP pra chamar de minha e treinar sem medo. Pois é, eu achava que era sem medo. Por isso, e pela vida que foi ceifada ontem, eu apoio o movimento. Pra quem apoiar, use a hashtag #corrapelausp e junte-se aos atletas de Sampa em busca de segurança nos treinos que acontecem na cidade universitária.  Como disse a Paula hoje, “Tantos likes, tanto engajamento e toda força que temos online tem que servir pra alguma coisa GRANDE, NOBRE e OFFLINE. Não vamos desistir do esporte e não vamos desistir da USP.”

Eu não conhecia pessoalmente o senhor Teno, mas ele era muito respeitado entre os corredores, por sua história como atleta e pelo ser humano que era. Li sobre ele no face de vários amigos que o tinham como amigo pessoal, e também no blog do Lucena. Encerro meu post deixando um grande abraço e muito carinho para a família. E desejando que o #*#*%^$# (pensem nos piores palavrões) do motorista não saia impune no país da impunidade.

14
ago

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Exercícios para membros superiores – parte 1

Ooooii genteee!!!! Vamos pra mais um vídeo de exercício. Vamos movimentar o corpitcho pra fugir do frio!

Depois de 3 exercícios de abdominais, resolvi dar uma variada. Comecemos a movimentar e trabalhar os músculos dos membros superiores.

20140616_202656

Esse exercício é pra peito, mas ajuda a trabalhar o equilíbrio e músculos do tronco. Se você tem pouco equilíbrio de tronco, peça ajuda. Eu sempre tenho alguém por perto, pro caso de eu cair, ou perder o equilíbrio por causa de espasmos (no vídeo eu tive espasmos leves nas duas pernas).

Realizei o  exercício no cross. Se for treinar em casa, você pode usar elásticos. Só fique atendo: se realizar na academia, as polias tem que ficar acima da sua c20140616_202650abeça. Se for fazer em casa, busque um lugar acima da cabeça pra pender o elástico.

Vamos lá? Bóra treinar!!

Copie o link e cole no navegador, como sempre e por enquanto!rsrs

bjss

 

11
ago

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O por quê do integral

integral

Que a escolha pelo integral é mais saudável todos já sabemos, acho que isso não é mais um argumento convincente, já que algumas pessoas ainda tem resistência em comer o integral, ou porque nunca experimentaram ou porque experimentaram uma versão não tão palatável ou mesmo o paladar da pessoa não estava acostumado às delicias da vida, alias acho que nem é questão de só o paladar, quando você esta acostumado a ingerir alimentos integrais, o corpo pede por eles, a mente inconscientemente pede por eles, já que assim conseguiremos manter a qualidade de vida e o bem estar estabelecido.
É simples faça o teste: tenha uma rotina alimentar saudável, mantenha ela por uma semana, em um dia saia da sua rotina ingerindo só alimentos ricos em gorduras, açucares, tipo fast food, salgadinhos, refrigerantes, doces, ai sim, sinta sua qualidade de vida desmoronar, sua barriga inchar, a sensação de cansaço, desanimo e preguiça aparecerem e claro dali duas horas a compulsão lhe perturbar e você ficar louco para repetir o atentado a sua saúde, virando um ciclo vicioso de exagero, comilança, desanimo, frustação e arrependimento.

Mas como fazer a melhor escolha e já respondendo a questão do título desse post.
Primeiro, sabemos que os alimentos integrais contem mais vitaminas e minerais, já que passam por menos processos de refinamento, logo deveriam ser mais baratos.
Segundo, existe uma coisa chamada Índice glicêmico (que é a capacidade do alimento em elevar a taxa de açúcar no sangue), beleza, ótimo, e? E então quando ingerimos um alimento de alto índice glicêmico, ou seja, que terá a capacidade de elevar rapidamente o açúcar em seu sangue, a famosa hiperglicemia, também estaremos elevando muito a taxa de insulina, hormônio que irá rebater essa elevação, retirar esse açúcar e coloca-lo para dentro das células. Porem é justamente esses dois aumentos (hiperinsulinemia e hiperglicemia) que causam aquele desanimo, aquela sensação de cansaço que te leva ao sofá ou ao sono incontrolável após uma grande refeição. E dependendo do horário no qual foi ingerido esse alimento de alto índice glicêmico, proporcionando o pico de açúcar no sangue, você ainda terá um presente, fabricará grande quantidade de gordura e ainda acumulará principalmente na barriga. Legal né?


Por isso então da escolha do carboidrato integral, de baixo índice glicêmico, de lenta absorção, que fará com que o açúcar seja liberado em sua corrente sanguínea mais lentamente, não estimulando tanto a insulina e proporcionando ou mantendo a sensação de leveza, bem estar. Além disso, estimulando a maior queima de gordura, um bom controle da sua taxa de açúcar no sangue(glicemia), que também controlará hormônios de fome e saciedade e consequentemente os de ansiedade, vontade e compulsões.
Simples não? Agora para complicar mais um pouquinho, será que todos alimentos que estão a venda e tem no rotulo o escrito INTEGRAL, seriam bons para o consumo? Melhor que a versão normal seria sim, mas, sempre é necessário saber ler rótulos para fazer a melhor escolha. Questione seu nutricionista!

Procure um nutricionista que lhe ofereça esses conhecimentos, esses argumentos, para que assim, seguir uma dieta e mudar hábitos alimentares sejam feitos de uma forma na qual você coloque os conhecimentos, a teoria na prática, acho que assim é muito mais fácil e prazeroso, muito diferente do “pode, não pode”, de restrições ridículas e sem fundamentos ou escravidão/dependência de uma pessoa que fica atrás de uma mesinha, julgando o que você come e lhe aprisionando a cardápios semanais.
Ter uma rotina alimentar e praticar exercício físico é a única forma para ter saúde e qualidade de vida.
Por que vocês acham que há tantos grupos de corridas, grupos de bicicletas, academias? As pessoas estão conseguindo relacionar e encontrar o prazer prolongado na atividade física e na qualidade alimentar e não o prazer momentâneo, que é simplesmente o ato de comer algo gorduroso ou açucarado ou ingerir álcool ou deixar o ócio e o sedentarismo tomar conta do corpo, tudo isso em excesso, parte do ciclo vicioso, de quanto menos eu faço menos quero fazer ou quanto mais eu como, mais eu quero comer.

É possível mudar.
Pratiquem Hábitos Saudáveis

 

 

Hugo ComparottoHugo Comparotto

Formado em Nutrição e Metabolismo pela FMRP – USP. Especialista em Obesidade e Emagrecimento e Capacitado em Nutrição e Suplementação esportiva, Nutrição Avançada pela IFBB. Consultor científico e desenvolvimento de novos produtos na ADS/Atlhetica Nutrition e Santa Helena.

05
ago

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Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

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Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

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Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

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Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

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Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

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(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)