17
dez

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Facebook tem legislação pra foto??

Gente, to aqui indignada! Então to passando esse post na frente dos outros que eu tava preparando pra semana!

Na Volta da Pampulha, no meio dos fotógrafos vinculados à organização, havia um fotógrafo, tirando fotos de tooooodo mundo. E ele tirou uma foto da minha chegada e postou numa fan page, lá, abertão, pra todo mundo ver!

Eu, toda boba e feliz com a foto (principalmente após o ocorrido “quase não corri a corrida”), fui lá e postei a foto no post que fiz aqui no blog. (https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/)

E, como pata tecnológica que sou, obviamente preservei a logo e o nome do fotógrafo, que estavam na foto, porque nem sei tirar essas coisas. E (e de novo!), como se não bastasse, ainda fiquei agradecendo “mil” ao fotógrafo, por tirar a minha foto na chegada.

Aí, passaram 2 semanas, o tal fotógrafo me manda uma mensagem. Eu juro que copiarei aqui, sem alterar nada! (Sim, os erros de português são esses mesmo, gente).

Identificamos o uso indebido de una imagen retirada da fan page da tonafotobrasil e posta em seu site sem a nossa previa e expressa autoriza al. Solicitamos a retirada imediata da imagem do site e se abstenham de utilizar nossas imagens sem autoriza al de acordo com a legislacao em vigor.

E assinou a mensagem, como sendo Diretor Proprietário do que eu julguei ser uma empresa de fotografia, pra depois descobrir que é uma fan page, como a que eu tenho e como a que um monte de gente/atletas/empresas/assessorias/todo-mundo-que-quiser tem. E que o fotógrafo é independente, não ligado à alguma empresa que tenha autorização da organização da prova pra estar ali fotografando.

Eu fiquei meio indignada com o jeito que o moço me escreveu (vou tentar me controlar até o fim do post pra não falar nome, sobrenome, nome da empresa e tudo mais! Será que eu consigo?). Primeiro, eu  retirei a foto do meu post e coloquei uma foto preta, no estilo “aqui jaz”. Aí pensei “desde quando existe legislação pra foto publicada em fan page no facebook?”.

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Pra não falar nem fazer besteira, fui consultar. Não os universitários, mas fotógrafos, jornalistas, publicitários e advogados. Até fiz um post no face e tive bastante respaldo de muita gente que entende do assunto. O que um dos advogados me disse é que “a matéria sobre isso ainda é muito controvertida, nosso ordenamento jurídico ainda não absorveu esse impacto que as redes sociais provocaram na população. De toda forma, a lei de direitos autorais e intelectuais é clara quanto a isso. Se na obra intelectual (foto) existe uma pessoa (modelo), essa imagem só pode ser divulgada mediante expressa autorização. Se ele não tem,  o mais errado na questão é ele.”

Além disso, se ele divulgou a foto na fan page dele, ele tem a intenção de divulgar o trabalho dele (mesmo colocando que as fotos não são pra fins comerciais. Se está na fan page, tem caráter comercial, sendo a promoção de um evento ou do trabalho do fotógrafo). E  a matéria é Sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça:

Súmula 403 – Independe de prova ou prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

 

Se o fotógrafo publica uma foto minha sem autorização, o errado é ele de usar a minha imagem sem que eu autorize. O caso se agrava pois eu dei os créditos a ele pelo trabalho realizado, preservando sua logo e nome, pra todo mundo ver, do jeitinho que ele deixou. E ele ainda criou caso comigo!

Na verdade, senhor Marcelo, você devia me pagar uso de imagem, por tirar e divulgar minha foto sem meu consentimento, não eu a você, já que dei a você os créditos pela foto!

Querem saber mais sobre a lei 9610/98 sobre direitos autoriais e, em contrapartida, o respaldo jurídico sobre uso indevido de imagem? Ta tudo aqui, nesse link, num artigo que a Dr. Eliane Y. Abrão publicou  http://www2.uol.com.br/direitoautoral/artigo02.htm

Enquanto isso, meu post ficou sem foto da chegada… Mas não é isso que vai tirar a alegria do que foi aquele momento pra mim! E eu tenho bons amigos fotógrafos, como a Fernanda Balster e o Tiago Barros, que tiraram lindas fotos minhas nessa prova (e em outras!) E se o senhor Marcelo quiser continuar criando caso comigo, eu tenho tudo salvo e uns advogados porretas querendo me ajudar… Quem tem amigo, tem tudo!

11
dez

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1,2,3, testando…Cadeira de atletismo

Olha só como é a vida, né! Eu passei meses, pra não dizer mais de um ano, querendo experimentar uma cadeira de atletismo. Queria sentar, ver como era, se era mesmo difícil como falavam…Lá na Pampulha, tive problemas pra correr, justamente por não ter uma cadeira dessa, mas usar uma handbike.

Desde que voltei de Rio das Ostras, estava combinado com o técnico que eu viria pra Taubaté, logo após a Pampulha, pra fazer uns testes e adequar meus treinos pra 2015. Chego aqui domingo à noite, e o primeiro treino da segunda de manhã foi…foi… (dou um chocolate pra quem acertar!!). É! Foi na cadeira de atletismo! Fomos pra pista de treinamento da cidade e eu sentei em uma, pela primeira vez.

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É mesmo bem difícil como me falaram. Amarramos meus pés embaixo do assento, pois eu não consigo “sentar” em cima deles, como é costumeiro fazer. Como meu controle de tronco é meio complicado, eu me desequilibrei várias vezes. E meus bracinhos de Horácio também não deixaram que eu desse a volta toda no aro de impulsão. Além disso, to com um roxo gigantesco no braço direito, que ficava batendo no protetor de roda. E meu técnico carrasco disse “e daí?”. Pois é! Como diria minha amiga Fer, “cada um tem o que merece”. Eu devo ter feito muita maldade nesse ano, pra merecer um Capitão Nascimento na minha vida! hahahahhahaha

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Pra quem me acompanha há bastante tempo, sabe que meu lado direito do corpo é bem mais forte que o esquerdo. Assim, eu também me compliquei pra fazer a cadeira andar em linha reta (mesmo o Carrasco tentando regulá-la umas 85 vezes).

Apesar de todas essas dificuldades, eu gostei muito da experiência. Sabe criança quando ganha doce e se lambuza tudo? Essa fui eu, no treino. Claro que eu não contei isso pro Capitão Nascimento, nem pra ninguém! Porém, eu estava sonhando com esse momento há tempos, e me realizei, apesar de ter feito um treino de franga “desequilibrada”.

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Mas, pra quem tá sonhando com o triathlon desde antes do acidente, eu vou ter que dar um jeito desse trem funcionar pra mim. Infelizmente a cadeira é da equipe de Taubaté, não minha. Então, eu só poderei usá-la quando vier pra cá treinar.

Um dos desejos pra 2015? Por um ano com mais equilíbrio de tronco, menos roxos no braço e mais capacidade física de, finalmente, fazer um triathlon! Ou uns…

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09
dez

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Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

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E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

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Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

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Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

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03
dez

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Copa Brasil de Paraciclismo e Campanha #saidosofa

Gente, demorei pra escrever porque minha viagem de volta foi muito desgastante fisicamente. Mas cá estou, pra contar tudo de maravilhoso que ocorreu durante esse final de semana.

Tudo começou quando eu ganhei a handbike, em junho (se você quer saber como foi, leia aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/06/02/1-fim-de-semana-1-monte-de-presentes/), os cadeirantes do paraciclismo começaram a me mandar mensagens, me convidando para conhecer esse esporte. Mas, eu amo a corrida de rua, principalmente as meias maratonas (novidaaaaaaaade!!! dessa ninguém sabia) e eu só pensava nisso. Não queria saber de outro esporte. Em outubro, quando fiz minha inscrição pra Adidas Boost Endless, no RJ, meu amigo paraciclista Dado Camara, disse que ao invés de ir pra essa prova, eu devia ir pra Curitiba, na Copa Brasil de Paraciclismo, pois isso seria melhor pro meu futuro no esporte. Mas eu já estava com tudo pronto e a caminho do Rio.

Na volta, um colega de Taubaté começou a fazer a lavagem cerebral em mim!hahahaha  O Eduardo fez que fez, me convencendo a todo custo, com uma ajudinha do Fred Carvalho e do Dado, pra que eu fosse pra Rio das Ostras. Mas, eu tinha acabado de chegar da Golden Four Brasília. Eu não tinha um centavo de peso (que vale 5x menos que o real)  pra fazer essa viagem. Então, resolvi postar no facebook, perguntando se alguém sabia de algum empresário que gostaria de me patrocinar nessa prova. Na mesma hora, duas amigas me enviaram a mesma mensagem: faça uma vaquinha on line! Pensei, repensei e montei a vaquinha. Ao ver o link, alguns amigos começaram a compartilhar e outros a contribuir com o que podiam, pra me ajudar a ir. A união faz a força e eu já estava achando que iria conseguir ir mesmo! Então, o Eduardo me deu as instruções pra me Federar e me inscreveu pela Equipe de Ciclismo de Taubaté.

Ao ver a vaquinha on line, um empresário resolveu me patrocinar nessa prova. E entrou em contato com outro. Essas empresas são a HVex e Pando. E eu não tenho como agradecer por isso!! Uma amiga, a Mônica Santiago, também resolveu me ajudar com as passagens. Minha gratidão a eles é infinita, pois me possibilitaram ir pra la, arcando com alguns custos que não seriam cobertos pela Federação e pelo Comitê. Aí, vi uma luz no fim do túnel. Vi que, além de participar da minha primeira prova de Paraciclismo, ainda iria sobrar dinheiro pra comprar as passagens pra ir pra Volta da Pampulha, em BH, no dia 7 de dezembro (e agora, também vou pra Taubaté, em outra prova de Paraciclismo, dia 14 de dezembro, com  o mesmo dinheiro. Sim, gente, eu sou econômica! Segurei as pontas e o dinheiro vai dar!!! Obrigada a todos!!)

Totalmente sem ideia do que iria acontecer e de quantos km eu teria que correr em 2 dias de provas, pois ainda não tinha minha classificação funcional, meus treinadores da Fun Sports mudaram totalmente meu treino, pra que eu pudesse rodar um pouco mais na hand, em 2 semanas.  Sofrimento foi fazer 1h30 de rolo, na quarta, véspera da minha viagem. (O rolo é necessário e imprescindível na minha vida. Mas ainda não aprendi a amá-lo! Vocês já sabem disso também). Meus pais vieram embalar a hand pra mim. E na quinta, na cara e na coragem, sem saber o que me esperava, parti pro RJ.

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Chegando no aeroporto, o João, da Federação de Ciclismo do Estado do RJ, já estava me esperando. Ele me levaria pra Niterói, onde eu ficaria no alojamento da Federação, gentilmente cedido aos atletas de outros estados, esperando ir pra Rio das Ostras na sexta bem cedo. Como o carro não tinha som, eu e o João passamos um bom tempo rindo, falando do Rio, das provas, do esporte. Chegando lá, fui recebida com muito carinho pelo Claudio e pela Sarita.

Pensei que ia dormir cedo, mas… no no no (cantem no ritmo da Amy). Meia noite chegaram mais atletas. E minha noite de sono virou uma noite de muito papo alegre até 3h da manhã, quando eu, delicadamente, com meu jeito Fiona de ser, falei pra todo mundo dormir. 5h da manhã chegou o caminhão pra levar as hands e nossas cadeiras de rodas. 7h da manhã foi o fim do semi-sono. Café da manhã e partimos pra Rio das Ostras. Eu brinquei de bater a cabeça no vidro a viagem inteira, dormindo e acordando. Espero não ter dormido de boca aberta, nem babado.

Não tenho a menor ideia de quanto tempo levamos. Acho que umas 2h30 a 3h. Eu acordei já na entrada de Rio das Ostras. Vou resumir essa parte da minha chegada, senão vou levar uns 3 parágrafos contando até o momento que eu, finalmente, entrei no quarto. Válido é dizer que, enquanto eu esperava “me acharem”, porque a Equipe de Taubaté estava num hotel e eu no outro, eu encontrei a Jady (que desde que nos conhecemos em 2013, me chama pro Paraciclismo) e o Ulisses. E, em uns 30 minutos de conversa, pude aprender muita coisa sobre handbike, com essas duas feras.

No caminho do almoço, fui parada por um moço. Era o Guto, técnico da equipe de Taubaté. Ainda não tínhamos feito contato, pois ele estava viajando com atletas de Taubaté de outras modalidades paradesportivas. Após o almoço, ele ficou comigo, esperando minha vez de passar pela classificação funcional.  Enquanto aguardávamos, o Guto me explicou muitas coisas importantes sobre o esporte profissional, como funciona a distribuição de vagas das modalidades e classes, dentro de Campeonatos Mundiais, Paralimpíadas e Parapan. Nada disso eu sabia. A conversa foi super esclarecedora.

Entrei pra ser avaliada e fui classificada como H2. (Se você quiser entender melhor como isso funciona, entre nesse link http://www.cbc.esp.br/default/admin/arquivos/Para-ciclismo%20-%20Artigo%20Classifica%C3%A7%C3%A3o%20Funcional.pdf ). Na saída, encontrei o Mauro, meu amigo de SP, que também estava estreando no Paraciclismo e ia fazer sua classificação. Ele, o Leandro,  amigo do Mauro, A Jady e o Erick, irmão dela, foram grandes parceiros nessa viagem.

Após confraternizar com todos os atletas e técnicos no jantar, fui milagrosamente deixar tudo pronto para o dia seguinte.

1512307_10205565924967186_3153541964552178363_nNo sábado, foi a prova de estrada. Na classe H2, eu teria que dar 9 voltas no percurso, totalizando 19km. Porém, a regra é clara! Quando o primeiro atleta passa pela linha de chegada, os demais atletas daquela classe, sejam homens ou mulheres, ja param de correr. E eu, essa franga com whey, toda atrapalhada com a novidade, vendo a galera das classes H3, H4 e H5 pegando vácuo, olhando pra tentar aprender, toda destrambelhada com o câmbio desregulado e toda tartaruga…não consegui ser rápida o  bastante pra acompanhar os meninos e completar as 9 voltas. Fiquei devendo umas voltinhas.Tenho que treinar mais!

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Durante a prova, aprendi muito! Observava os outros atletas e seu posicionamento na hand (tudo bem que a deles é mais leve que a minha…), a Jady emparelhou comigo e me deu várias dicas. Ela até tentou me ensinar a pegar vácuo, mas eu não consegui acompanhá-la nas duas primeiras pedaladas!! (eu = franga!). Os meninos, até seus técnicos, me gritavam na primeira volta, pra eu mudar as marchas. E o Guto, posicionado estrategicamente em uma das curvas, também me gritava cada vez que eu passava, pra fazer isso ou aquilo, dessa ou daquela maneira. Na curva oposta à que ele estava, eu quase capotei uma hora (igualzinho aconteceu em Brasília) e também eu e Fred quase trombamos, nessa mesma curva, voltas depois. É muita adrenalina! uhuuuu E eu saí linda, maravilhosa, com a marca de sol da blusa no braço hahahaha

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Eu vi que não entendo nada de ciclismo e de bicicleta! Mas nunca é tarde pra aprender! IMG-20141130-WA0009Eu acabei aquela prova extremamente feliz! Claro, com toda a endorfina liberada pelo exercício, não poderia ser diferente. E ainda saí com minha primeira medalha de ouro no Paraciclismo! Não fiz na frente de ninguém, mas chorei sozinha depois, enquanto tomava banho. O treino é de menininho, mas o coração é de menininha mole com TPM. Passou um filme na minha cabeça. De tudo que aconteceu do acidente até agora e tudo que eu já conquistei, sempre apoiada e amparada pela família, pelos amigos, e até por gente que nunca me viu, mas colaborou pra eu ter chegado até ali.

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Depois da premiação, do banho, do almoço, e de um pouco de descanso, o Guto foi regular a minha bike. Eu observei, sei onde mexe, mas obviamente, não sei fazer! E no dia seguinte, descobri que depois que eu fui dormir, ele ainda regulou outras coisas, como o freio!rs  O resultado disso eu conto depois.

IMG-20141201-WA0024Domingo! Eu nunca tinha feito duas provas em dias consecutivos. Na minha concepção de olhar o céu, ia fazer sol! Mas como meteorologista, eu sou uma ótima cozinheira. Choveu! Ainda bem que eu fui de calça! Nesse dia, era a prova de contra relógio. A cada 1 minuto, larga um atleta. A gente só sabe o resultado depois que todo mundo terminar e e a organização revela quem deu a volta mais rápida em cada classe. Na minha, seriam 3 voltas. A todo vapor, o mais rápido que meu cansaço do dia anterior e da TPM no pico do Everest permitissem. E nesse dia, eu estava cheia de espasmos nas pernas.

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Fazemos uma fila, na ordem que a Federação determina, e esperamos nossa vez de largar. Já começou a chuviscar aí. Mas na hora que eu comecei a correr, a chuva apertou! E eu uso lente de contato. Apesar de estar de óculos de sol e ele proteger um pouco os olhos da chuva, a água entrava por todos os lados e minhas lentes começaram a boiar nos olhos. Eu tinha medo de piscar e elas saírem. Cheguei a dar umas pedaladas de olhos fechados. Eu não sabia o que era pior. Eu só sentia aquele monte de água na roupa e no rosto. As únicas coisas que eu queria eram: a lente não pular pra dar uma nadadinha no asfalto e não sentir dor neuropática por causa do frio.

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Como o Guto regulou a minha handbike, a minha velocidade média aumentou tanto do sábado pro domingo, que quase dobrou! Maaaas, comparada à Jady, que é H3, ou aos meninos H2, ainda continuo uma franga com whey! Eu não tinha muitos parâmetros, pois como a largada é individual, você realmente não sabe quem é o mais rápido. Eu mirava alguns meninos da H1, que largaram antes de mim, e tentava ultrapassá-los, ou pelo menos alcança-los.

Continuou chovendo muito depois que eu terminei a prova. Só parou um tempão depois. Mas ainda tinha atletas na pista. E depois que terminasse a prova de Handcycle, ainda tinha o pessoal da Tandem (deficientes visuais e seus guias) e o pessoal da classe C, que pedalam bikes convencionais, mas que tem algum tipo de deficiência. No começo, eu estava bem. Tirei a blusinha de ciclismo que estava 1425506_909842549026432_5598528202990616210_nensopada, e coloquei um casaquinho. Mas a calça e o tênis continuaram ensopados… E eu fui gelando, gelando…1hora depois eu não estava aguentando de dor. Voamos pro hotel onde parte dos atletas estava hospedada (não o que eu estava), tomei um banho quente num quarto emprestado, peguei roupas emprestadas (dos meninos! Imaginem como eu estava Diva) e voltamos correndo pra tentar pegar minha medalha e ainda ver os outros atletas serem premiados. Cheguei nos 47 do segundo tempo. Mas peguei minha segunda medalha de ouro no Paraciclismo.

Esse final de semana foi de muito aprendizado e muito esclarecedor pra mim! Resolvi que representarei Taubaté em 2015, não só no paraciclismo, mas em outras modalidades esportivas. Não vou parar com as meias maratonas, porque corrida é minha maior paixão! Mas vou ter que conciliar umas 5 ou 6 que quero fazer, com as outras modalidades esportivas mais específicas para cadeirantes, inclusive o Paraciclismo.

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Depois da prova, eu e a Jady decidimos iniciar uma Campanha pra trazer mais meninas pra esse esporte tão gostoso! Chamamos a Campanha de #saidosofa . Temos vagas pra meninas tetras (por favor, venham!!) e paras, em todas as classes. Não vou dizer que vamos encher o paraciclismo de rosa, porque eu gosto é de azul! Mas vamos dar um colorido especial pra esse esporte predominantemente masculino. Gatinhas de rodas, seja qual for a sua lesão, você pode pedalar com a gente. Se você procura um esporte, encontrou! Eu e a Jady fizemos posts nos nossos facebooks e fan pages, nos colocando a disposição para quaisquer informações. Nossos técnicos, Guto e Thiago, também estão à disposição.  Também queremos incentivar os meninos, claro! Mas o nosso foco agora, é trazer meninas pro ciclismo. Se você nunca experimentou uma handbike, fale com a gente, pra dar uma voltinha e ver se você gosta! E se você, cadeirudo, tem uma amiga cadeiruda que ta meio paradinha em casa, manda ela conversar com a gente! Estamos esperando vocês pra correr em 2015, meninas!! bjss

Ah..se você quer ver um pouqinho em vídeo, tem reportagem no G1 do RJ!!  http://globotv.globo.com/inter-tv-rj/rj-inter-tv-1a-edicao/v/rio-das-ostras-rj-recebe-copa-brasil-de-paraciclismo/3802421/

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