30
jun

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Ta tendo Copa – parte 1

Gente, sumi! Fui ver 2 jogos da Copa. Aproveitei pra passear e ver os amigos e amigas. Prometo que semana que vem retomamos com as dicas de atividade física e  contarei como estão as coisas com meus 90 treinos e muito mais.

Hoje, falarei dos jogos que assisti até o momento e dos estádios.

1 – Brasil x Camarões em Brasília. Estádio Mané Garrincha.

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Eu estava com saudade de ir ao estádio. Depois que você vê tudo ali, ao vivo e a cores, assistir na TV não tem graça nenhuma.

O jogo foi massbrasil2a! A torcida se esforçou pra cantar e animar o time. Parece que cantávamos só a mesma música. Porém, ali há uma união de times do Brasil inteiro, cada um com seu hino. Não dá pra emplacar uma música assim tão rápido. Mas, além de “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”, saíram outras músicas. Cantamos! Mas creio que da TV não dá pra ouvir. E em muitos momentos, nossa torcida se cala. O que é uma pena.

 

Comida tá igual a Copa das Confederações ano passado. Cachorro quente sem molho, pipoca salgada, preços altos, filas gigantes. Tudo padrão Fifa.

brasil3A acessibilidade ali melhorou, do ano passado pra cá. A rampa pras dependências do estádio não é muito íngreme, é tranquilo de subir. Há voluntários pra nos empurrar da revista até o nosso “assento” se quisermos. Tem elevadores também, da rampa pra cima, caso seu ingresso te leve para o infinito e além, lá no topo das arquibancadas.

Há muitas cabines nos banheiros adaptados, estavam limpos, mas não tem trinco na porta. Você corre o risco de alguma outra menina, ou as tias da limpeza te pegarem no flagra. Quase aconteceu comigo!

brasilO espaço de circulação entre as cadeiras e o staff (voluntários, polícia, etc)  que ficam em pé assistindo ao jogo é grande, é ótimo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, ou quiser ir comprar algo, dá pra sair e voltar tranquilamente. Se você estiver circulando pelo estádio sozinho, em alguns segundos aparece um voluntário perguntando se você precisa de algo. As filas preferenciais também são respeitadas.

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O jogo? Incrível! A sensação de estar ali é indescritível. A vibração, a torcida, os jogadores estão bem perto da gente (mesmo que você esteja lá no infinito e além).

Ah, sim! Fiquei em pé pra tirar foto! Os amigos me ajudavam a levantar, eu agarrei na grade e tirava foto. Rápido, senão a pressão cai e eu caio junto!

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2 – Itália x Uruguai em Natal. Estádio Arena das Dunas.

italia5Foi o dia mais divertido de toda a minha vida! Gente do mundo inteiro, conversando, tirando foto, confraternizando, torcendo. Gastei meu inglês e meu espanhol enferrujado. Arrisquei umas palavras em italiano. Você já não sabe em que idioma pede licença e agradece. Porque tem gente de um país com a camisa de outro. Tem nigeriano com a camisa do Brasil, americano com a camisa da Italia, e eu quase me lasquei confundindo um brasileiro que vestia a camisa do Uruguai.

italia3Com portões Norte e Sul, um voluntário me mandou dar a volta por fora, pela rua, pra entrar. Um outro correu e me deixou entrar pelo portão norte. Disse que não havia motivos pra ir pela rua sozinha se eu podia ir curtindo a festa. Ainda bem! Pra passar da área “da bagunça cultural” depois da revista (uma das melhores partes do dia) até o meu lugar, eu precisei subir por uma rampa infinita. Me perdi do meu acompanhante e escalei o Everest com a cadeira. Juro que se for alguém que não treina ou que precisa ou um cadeirudo que precisa dos pinos no aro de impulsão, não sobe aquele trem sozinho. Só não suei por motivos óbvios. Já fiz meu treino do dia ali! Pelo amor!  Precisa do acompanhante empurrar! Senão não sobe!

ItaliaLá dentro, achei muito apertado. Depois que encontrei meu lugar, começou a aglomeração atrás de mim. O espaço entre os cadeirantes e a galera do staff que fica em pé lá atrás é invisível. E diferente de Brasília, que se o povo começa a aglomerar ali, os voluntários tiram, em Natal o povo aglomera mesmo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, tá lascado. Uma vez ali, não dá pra sair! Outro defeito é que não há cadeiras suficientes pros nossos acompanhantes. Se você compra o ingresso do cadeirante e vem com o acompanhante, o óbvio seria ter uma cadeira pra cada acompanhante ficar ali do seu lado, pro que você precisar.  Mas não há cadeiras! O acompanhante do meu amigo ficou em pé o jogo todo! Pra cada 2 cadeiras de rodas, há uma cadeira de acompanhante. Falta grave!

Os banheiros são bons, são individuais. Mas há poucos banheiros adaptados. Ficamos eu e uma senhora na fila, enquanto outra senhora usava. Em Brasília não acontece isso. A comida e o preço de lá também seguem o Padrão Fifa.

Também fiquei em pé pra tirar foto, agarrada na grade. E só! rsrs

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Achei as torcidas muito mais animadas que a nossa. Elas apoiam muito os times. Cantam muito mais, gritam muito mais. Adorava ver as torcidas no momento das faltas. A do time que sofreu a falta  gritava. A do time que fez a falta gritava. Era uma explosão de sentimentos que eu nunca tinha visto! Era incrível! Juro que essas torcidas deram um show a parte. Nunca vi nada igual.  A torcida do Uruguai é muito animada. Cantam desde o momento que entraram no estádio. E são muito solícitos com cadeirantes. Eu estava tentando filmá-los cantando, na área em volta das lanchonetes. Eles pegavam meu celular e filmavam de cima, tiravam selfies comigo, empurraram a cadeira.

italia4De modo geral, ta tudo mais pro bom do que pro ruim! Sabemos que a acessibilidade no Brasil já não é aquelas coisas. No estádio tá melhor que na rua, isso eu garanto!

Tentei conversar com cadeirantes estrangeiros, mas não achei nenhum. Só achei um amigo americano de muletas que, assim como eu, estava curtindo horrores e nem ligando pro resto.

Pra falar a verdade, eu só reparei nesses detalhes porque sabia que todo mundo iria me perguntar. Se ficarmos nos apegando a defeitos, vamos encontrar! Como em qualquer situação da vida.Se você caçar pelo em ovo, capaz que até nasça uns.  E eu estava lá pra ver os jogos, cantar, gritar, xingar, aplaudir. Não pra caçar problemas! E foi o que eu fiz: curti muito! Sim, ta tendo Copa! Jogos incríveis, disputas na prorrogação e penaltis, juiz ladrão, torcida animada, jogadores lindos, povo do mundo inteiro. To curtindo muito a Copa das Copas. E semana que vem tem mais!

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20
jun

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A Copa dos Milagres

Gente, essa semana, uns 80 amigos me marcaram em fotos como essa abaixo, onde cadeirantes “milagrosamente” se levantam durante os jogos da Copa do Mundo.

em pé

Então, eu resolvi escrever sobre isso, pra mostrar as duas faces desse acontecimento mirabolante.

A primeira face é uma vergonha mesmo. Tem gente que se aproveita da situação e finge que é cadeirante pra comprar ingressos e assistir aos jogos. O povo brasileiro, que acha que passa impune e imune a qualquer coisa e não está nem aí mesmo. Aí eu e meus amigos – todos cadeirantes de verdade –  ficamos desesperados, tentando comprar ingressos pra abertura e não conseguimos, enquanto esse povo “biito”, uma gracinhas de educação, vão lá, compram nossos ingressos e foram à abertura no nosso lugar. Dá vontade de soltar os cachorros, mas eu sou uma lady e não farei isso fora dos meus pensamentos.

Uma amiga cadeirante chegou a entrar numa página de venda de ingressos, onde existia o seguinte anúncio: “vendo brasil x méxico R$ 400,00 cadeirante. E se precisar vendo cadeira de roda tbm por R$150,00. E ainda com laudo da deficiência .” Esse anúncio não é pra acabar com o piqui do Goiás. É pra acabar com o piqui do mundo inteiro, meu deus do céu. Mais pensamentos pra você, querida pessoa criativa que escreveu isso.

cadeirante-fica-de-pe-em-jogo-no-maracana-e-imagem-repercute-na-internet

Agora, eu vou falar do outro lado. E me usarei de exemplo, pra ninguém mais ser atacado com críticas.

Existe SIM cadeirante que fica em pé. Eu fico! Pode olhar no meu facebook, no meu instagram, na fan page, na academia e no jogo da Copa das Confederações do ano passado.  Eu preciso me apoiar em algum lugar (na grade, por exemplo) ou em alguém. E consigo me sustentar em pé por menos de 2 minutos. Ou seja, eu não vou conseguir me levantar rápido pra ver o lance que vai levar ao gol. Eu não consigo me levantar rápido se alguma coisa for cair na minha cabeça. Eu não consigo ficar em pé filmando ou fotografando o campo ou o jogo. Mas eu consigo ficar em pé sim! Aliás, eu preciso ficar em pé várias vezes durante o dia, pra aliviar a dor gigantesca na minha lombar. Eu tenho 1 ano e 8 meses de lesão (que completarei dia 22) e estou há 1 ano e 8 meses batalhando pra conseguir ficar em pé!  Então, eu vou ficar em pé no intervalo do jogo sim! E quero ver quem vai tirar minha foto e colocar nas redes sociais falando que sou cadeirante fake.

empe e sentada

Eu não consigo andar. Não consigo me locomover, se não for em cadeira de rodas. Mas isso não quer dizer que eu passe 24 horas do dia sentada ou deitada. Apesar de representar uma pequena maioria entre os lesados medulares (sim, existe mais gente como eu, mas não quero citar nomes, pra proteger os meus amigos), existem lesados medulares que conseguem se manter em pé por segundos ou minutos, com ou sem apoio. E existem pessoas que são monoplégicas, existem pessoas com mobilidade reduzida, outros que usam prótese (como a moça loira da primeira foto). A variedade de “cadeirantes” é imensa.

Outro dia uma pessoa me disse “Você nem é cadeirante de verdade. Suas pernas não são tão finas.” Oi? Eu tenho espasmo! E muito! Vocês sabem o quanto isso dói e pode atrapalhar a minha vida? E eu tenho alguns movimentos de uma perna e eu nunca escondi isso de ninguém (por isso uma perna é mais grossa que a outra).

Uma ex-aluna, e hoje minha amiga, a Ana Carolina de Mello,  disse o seguinte sobre esse assunto: “Penso que para que alguém estar/usar este recurso, os motivos podem ser os mais variados, pode ser o pé quebrado, pode ser plegia com lesão medular a depender muito da lesão, pode ser uma dor e pode também ser uma atitude de má fé. Mas fiquei pensando nestes estereótipos que as pessoas fazem, principalmente quem não é/está/foi cadeirante, usando alguns recursos do senso comum e generalizando, algo como: “quem usa cadeira de rodas não se mexe, não fica em pé e não torce? Não vai ao jogo?” Fico pensando neste olhar assistencialista que estamos habituados a ter: ou temos pena ou julgamos. Poxa! Enquanto cidadãos e em especial enquanto Terapeuta Ocupacional, fico pensando neste espaço que “permitimos” que o outro habite, a partir do nosso julgamento e olhar, muitas vezes preenchidos de conceitos sem maiores críticas e aproximações com a realidade. Claro que podem ter pessoas usando disso para furar filas, ter espaços adaptados – pensando que ele não tem aquela necessidade, pois penso na equidade sempre. Não adianta distribuir óculos para toda população brasileira se nem todos precisamos deles não é?”

Assim sendo, não podemos julgar ninguém, nem falar nada sem antes conhecermos a verdade! Enquanto muitos estão realmente agindo de má fé, outros estão ali, como eu estarei, por direito adquirido (e não pense que foi gostoso adquirir esse direito). Estarei cantando, torcendo, gritando, vaiando, vibrando, em pé e sentada.  Vai me ver em pé no intervalo do jogo e me criticar? Senta aqui na minha cadeira, no meu lugar! Quer trocar? :p

16
jun

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Abdominais 2 – com bola

Gente, então…quem viu no insta, há semanas atrás, minha foto prometendo esse vídeo, não deve ter entendido o motivo da demora! A verdade é que sou uma pata tecnológica, o vídeo estava deitado e eu não conseguia desvirar. Até que a Fernanda desvirou pra mim e, cá estamos, finalmente!

abdominal com bolaAí vai mais um ótimo exercício para nosso controle de tronco. Eu faço na academia, sempre com um professor perto, pro caso de eu me desequilibrar pro lado (já aconteceu). Vejam  se alguém da família ajuda.

Uso a bola de 1kg, mas pra começar, usem uma bola sem peso. Eu faço 4 séries de 30 repetições. Esse exercício trabalha todo o abdominal, principalmente nossos oblíquos (a parte lateral do abd), e de quebra trabalha ombros e braços.

Bóra começar a segundona cheios de pique pra treinar! Ah, pra quem não é cadeirante, dá pra fazer em pé!

(abaixem o volume! não consegui colocar música nele e nem abaixar o som do próprio vídeo. Não quero ninguém ficando surdo!!)

https://www.youtube.com/watch?v=_WT-0GKlTyc&feature=youtu.be

(Copiem o link e colem na barra de endereço pra abrir o vídeo. Eu ainda não aprendi como fazer pra vocês clicarem e ele abrir direto. rsrs  Pata tecnológica!rsrs)

 

13
jun

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Exoesqueleto

Bom, vamos lá! Eu ia me abster de mais comentários, além do que já publiquei ontem à noite, no Instagram e no Facebook.

Porém, estou recebendo muitas mensagens, inbox, etc, etc, questionando mais palavras acerca das minhas percepções. Principalmente após sair a matéria do meu querido Jairo Marques, sobre o  assunto, antes da aparição relâmpago do exoesqueleto. (Pra quem não leu, aqui vai o link  http://http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2014/06/11/1824/ )

Vejam bem, eu não sou contra a ciência, pelo amor de Deus! Pelo contrário! Eu espero, desejo, anseio que as pesquisas avancem para que eu e todos os outros cadeirantes possamos andar e recobrar outras funções, “bagunçadas” pela lesão medular. Afinal, não é só não andar. E eu já falei muito sobre isso em posts passados. São dores, funções neurológicas perdidas, e muito mais.

Porém, não acredito que o exoesqueleto vá fazer algum de nós voltar a andar. Muito menos ter a sensibilidade reestabelecida (pra não se queimar na areia quente ou no chuveiro quente, nem congelar no mar gelado, nem sentar em algo que nos machuque e  cause feridas de pressão).Sem pensar em nossos nervos, tendões, articulações, ossos, músculos e tudo mais envolvido no simples ato de andar. Não é uma coisa motora apenas.

E vamos e convenhamos, Fifa, Dilma, Copa do Mundo e seja la quem mais for o responsável pela aparição do exoesqueleto na abertura da Copa. Foram R$33 milhões de dinheiro público gastos  na pesquisa, milhares de cadeirantes, familiares e pessoas ao redor do mundo, esperando os 25metros que o cadeirante iria andar, e esperando o chute inicial da Copa. Fomos reduzidos a 2 segundos de aparição, quando o Juliano Alves encostou na bola, no canto do gramado, enquanto a tela era dividida com o ônibus da Seleção chegando. Falta de respeito e consideração com todos nós e com a pesquisa! Pra depois o Galvão Bueno falar aquele monte de coisas que eu denomino como “sem comentários”, porque tenho classe e não quero escrever aqui tudo que eu pensei na hora!Galvão, então…Ninguém ta preso, não! Cadeira de rodas não é cadeia! exosesqueleto

Disseram que o exoesqueleto era muito pesado e iria estragar a grama do jogo…uhum! E aquela bola psicodélica/pseudo-palco pesa quanto? 20kg? Até o derrière segurado de J-lo pesa menos que nosso robocop! Mas a gente podia ficar lá no cantinho! Em entrevista à TV, Nicolelis, falou sobre o tempo reservado pra eles: “A Fifa nos informou que nós teríamos 29 segundos para realizar um experimento dificílimo. Nunca ninguém fez uma demonstração em exoesqueleto229
segundos de robótica. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16. Pelo visto, a Fifa não estava preparada para filmar um experimento que vai ser histórico”. Dos 16 segundos, só apareceram 2 na TV. Apesar do peso todo, ele foi mais rápido que o The Flash.

Li um comentário na Internet (porque ontem esse trem bombou e eu que estou atrasada escrevendo só hoje, porque precisava me acalmar), e concordo plenamente com a pessoa que disse que quando seu filho ficar doente e precisar de vacina, são os cientistas e as pesquisas que começaram ha anos atrás, que desenvolveram o remédio e a vacina que ele vai tomar pra ficar bom, não os jogadores que ganham milhões (com todo respeito aos meninos)

exoesqueleto1Eu estava bem descrente do exoesqueleto (o “estava” não quer dizer que mudei de ideia e to apaixonada por ele) Vi uns vídeos que Nicolelis publicou ontem na página dele no Facebook. O pessoal suspenso pelo elevador, sendo segurado pelas mãos por outros cientistas, com os pés mal tocando o chão. Tentei falar com o Juliano Alves, nosso amigo cadeirante que fez a demonstração ontem. Mas eu mandei mensagem em cima da hora. Queria saber a sensação de carregar aquele trem todo. Será que dói o bumbum pra sentar e descansar (minha pressão vai la no dedão do pé quando eu levanto. Eu preciso sentar e descansar)? E, convenhamos, como você entra com aquilo no carro? Se tem cadeira de rodas que não passa na porta do banheiro, como eu entro (e uso) o banheiro com aquele trem todo? Apostar corrida ta fora de cogitação, né?

Conversei com o Gustavo Pamplona, um amigo meu (eu nem ia colocar o sobrenome aqui. Queria preservar o sossego do menino)  Pesquisador da USP, na área de Neurociências (Física aplicada à Medicina). Ele comparou o exoesqueleto a um computador. O primeiro computador é de 1946  e pesava 3 toneladas. Ele fazia apenas o que uma calculadora comum faz hoje (daquelas do 1,99). Quase 70 anos depois, carregamos nosso computador na palma da mão. A pesquisa do Nicolelis é um protótipo. Especulando, com o passar do tempo pode ficar menor, mais leve. Muita pesquisa pode ser feita, o processamento dos sinais do cérebro e a comunicação com a parte metálica, poderá ser melhor e mais rápida. É uma questão de tempo e pesquisa.  Na opinião dele, é uma pesquisa promissora e original. Ele me pediu um pouco mais de paciência.

Sem dúvidas, o Nicolelis deu a cara pro mundo bater. Pelo menos ele é corajoso.

Claro que esse Homem de Ferro que não voa (que pena!) vai demorar anos pra sair do laboratório. Será que nós estaremos vivos a ponto de ver isso? A ponto de ver um Robocop funcional e funcionando, nos auxiliando nas tarefas do dia a dia? Outras pesquisas tem sido feitas (e foram divulgadas na internet semanas atrás), como o uso de eletrodos. E ainda tem as células-tronco.  A tecnologia avança. Muito mais rápido hoje do que há anos atrás. Talvez juntando uma descoberta de um, com a tecnologia do outros as coisas melhorem pro lado dos malacabados e realmente avancem na solução do problema como um todo, não em partes dele.

O fato é que eu não quero ser um Robocop. E você? Espero que a gente não precise optar por isso. Ser ou não ser? Essa é sempre a questão!

09
jun

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Musculação para crianças e adolescentes – por Leonardo Lima

Pessoal, é com muita alegria que venho anunciar uma parceria com nosso blog, que trará ainda mais informações pros nossos treinamentos e pro dia a dia.

Conheci o Mestre Leonardo Lima quando fui à Porto Alegre, para a Convenção Brasil. Lá, além de aprender muito, tive o privilégio de tornar-me sua amiga e agora parceira, com o intuito de divulgar conhecimento e incentivar a prática de atividade física.

Para sua primeira participação no blog, ele fala sobre um assunto bem atual:  musculação para crianças e adolescentes. Bóra!

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Pocket Hercules 402
Apesar de estarmos no século XXI, ainda existem pessoas, e entre elas até professores de Educação Física, que teimam na proibição de crianças e adolescentes quando se trata de praticar musculação.
Uma das frases que mais escuto é: “A musculação vai fechar a epífise dos ossos e atrapalhar o crescimento” e quando pergunto quem falou isso as respostas são sempre a mesma “Ouvi falar” ou “Dizem”.
Ora, “Ouvi Falar” e “Dizem” não são estudiosos de Anatomia, e nunca vi nenhum artigo deles.
Em português não existem muitos trabalhos científicos sobre os efeitos da musculação em crianças, mas entre os que eu conheço, cujas fontes cito abaixo, não encontraram nenhuma prova que possa proibir uma criança ou adolescente de praticar musculação.
Pelo contrário, nos resultados da pesquisa de LOPES, Andrei Guilherme (2002) consta: “Por outro lado, pôde ser observada uma alteração significativa nos resultados dos testes antropométricos e motores realizados nas crianças da amostra, onde foi possível constatar um incremento nas capacidades físicas necessárias para o dia a dia”
Aliás, temos um problema, não em relação à criança, mas sim em relação aos pais, que levados pela enxurrada de informações sem bases científicas impedem seus filhos de praticar uma atividade muito benéfica no desenvolvimento das habilidades motoras dos seus filhos.
E mais alguns benefícios que crianças e adolescentes podem ter na prática da musculação foram listados por RISSO et all (1999):
1) aumento da força muscular
2) melhora nos testes motores de aptidão física e performance
3) melhoria no desempenho esportivo
4) diminuição de ocorrência de lesões
5) melhoria no desempenho atlético
6) manutenção da saúde
7) redução do estresse emocional
8) redução no tempo de recuperação de lesões
9) auxiliar na prevenção de doenças músculo-esqueléticas
10) aumento da auto-estima, imagem e consciência corporal
11) melhora nas medidas de composição corporal
12) diminuição da pressão sanguínea de adolescentes hipertensos
13) melhoria nos níveis de lipídios sanguíneos
14) diminuição da gordura corporal

No trabalho de Andrei Guilherme Lopes foi feito um exame radiológico dos cotovelos e joelhos das crianças selecionadas, devidamente autorizado pelos pais, depois as crianças passaram por um período de 4 semanas de adaptação ao treinamento e logo a seguir, 12 semanas de treinamento de força com 80% da carga máxima avaliada pelo teste de repetição máxima proposta na literatura por Roberts & Weider 1995.
Após esse período, as crianças repetiram as avaliações radiológicas e foram comparados os resultados pré e pós-treinamento de força, ficou claro que não houve alterações das epífises dos ossos longos.
O que pode realmente atrapalhar o crescimento seria uma lesão na epífise dos ossos longos, e é mais fácil uma criança se lesionar jogando bola com seus amigos do que numa sala de musculação sob uma supervisão competente.

No entanto, qualquer criança ou adolescente normal corre, salta e arremessa e nem por isso deixa de crescer, o problema está no excesso, na orientação inadequada e até na falta de atividade física, pois é ela que acelera o crescimento longitudinal, a espessura dos ossos, a liberação da testosterona e do hormônio de crescimento.
Esses benefícios são ainda mais evidentes na musculação. Fatos comprovado na literatura por Risso et all 1999, Weineck 1999 e Fleck & Kraemer 1999.
É lógico que não quero dizer que as crianças e adolescentes possam sair por aí fazendo musculação de qualquer jeito, alguns cuidados devem ser tomados e em primeiro lugar está a avaliação médica. A criança deve estar física e psicologicamente preparada.
Em segundo luMother with daughtergar temos que encontrar academias onde os equipamentos possam ser adequados ao tamanho das crianças e que disponham de profissionais capacitados a ensinar as técnicas corretas de execução dos exercícios.

Algumas questões precisam ser levadas em consideração antes que a criança ou adolescente inicie um programa de treinamento de força:
Estar fisicamente e psicologicamente preparada para treinar.
Qual programa ela deve seguir.
Conhecer as técnicas corretas dos exercícios.
Os assistentes conhecem os procedimentos de segurança.
A criança/adolescente conhece os procedimentos de segurança.
O equipamento se ajusta a criança/adolescente.
O programa de força é equilibrado, ou seja, participa de atividades cardiovasculares e pratica outros esportes.
Cada sessão de treinamento dura de 45 à 60 minutos com a realização de três sessões por semana. O período de adaptação deverá ser de aproximadamente 4 semanas.

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Orientações básicas para progressão dos exercícios de força para crianças de acordo com a faixa etária.
de 5 a 7 anos: exercícios básicos com pouco ou nenhum peso desenvolvendo o conceito de uma sessão de treinamento; ensinar as técnicas dos exercícios; utilizar o peso do corpo para alguns exercícios; exercícios com parceiros e cargas leves; volume baixo de treinamento.
de 8 a 10 anos: aumentar gradualmente o número de exercícios; praticar técnica de todos os levantamentos; iniciar incremento gradual, progressivo e de carga nos exercícios; manter exercícios simples; aumentar o volume de treino lentamente; monitorar a tolerância ao stress no exercício.
de 11 a 13 anos: ensinar todas as técnicas básicas dos exercícios; aumentar o peso gradativamente nos exercícios; enfatizar a técnica nos exercícios; introdução de exercícios avançados com pouca ou nenhuma carga.
de 14 a 15 anos: programa de força mais avançado progressivamente; incluir componentes específicos do esporte; enfatizar a técnica e aumentar o volume.
de 16 anos ou mais: nível inicial de programas para adultos depois que toda a experiência anterior tenha sido ganha.
Obs.: Se uma criança em uma determinada faixa etária não tem experiência anterior a progressão deve ser iniciada em níveis anteriores, e depois para níveis mais avançados conforme a tolerância ao exercício, a destreza e o entendimento permitirem. (FLECK & KRAEMER, 1999).
Para que programa de força tenha sucesso deve ficar claro para os praticantes e assistentes as expectativas e objetivos realistas, evitando, por exemplo, criar a perspectiva do aumento do volume muscular em crianças que ainda não possuam maturação para tal “acontecimento” fisiológico. Também alertá-las para evitarem a concorrência com outros colegas de treino, pois as adaptações ocorrem em ritmos diferentes. Deve ficar claro que o propósito do treinamento é estimular o potencial genético de cada um em relação a aptidão física.”
Finalmente, a musculação para criança e adolescente é uma atividade física, que embora os estudos provem que ela seja até benéfica, ainda é tratada como vilã do crescimento por pais e professores de educação física mal informados, e apenas a informação correta é capaz de derrubar esse tabu, portanto, passe o conhecimento adiante.

Fontes:
LOPES, Andrei Guilherme. Possíveis alterações epifisárias em função do treinamento de força muscular em pré-puberes. 2002. Monografia (Curso de Educação Física) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 2002. 38p.
MACHADO, Dalmo Roberto Lopes. Maturação esquelética e desempenho motor em crianças e adolescentes. 2004. 91 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
FLECK, Steven J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular – 2ª edição – Porto Alegre – R.S. – Editora Artes Médicas Sul Ltda – 1999;
MCARDLE, William D., Katch I. Frank & Katch L. Victor. – Fisiologia do Exercício. Energia, Nutrição e Desempenho Humano – Ed. Guanabara Koogan S. A. – 4ª edição – Rio de Janeiro R.J. 1998;
ZATSIORSKY, Vladimir M. – Ciência e Prática do Treinamento de Força – São Paulo – S.P. – Phorte Editora

leo limaLeonardo Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

08
jun

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Matéria no G1 sobre a falta de rampas

Galera cadeirante, estamos começando a ser ouvidos!

Essa semana, publiquei uma foto no Instagram e no Facebook, sobre um problema que enfrentei ao tentar acesso às Lojas Renner. A foto é essa e a legenda que eu usei, reproduzi abaixo.

renner

Parabéns Lojas Renner do Ribeirão Shopping! A parte de esportes é embaixo, o caixa é em cima e a rampa é invisível!  #cadeirante  #wheelchair #acessibilidade #fail#LojasRenner #Renner #notazero

Alguém viu! E publicaram uma matéria no G1! É um “passinho” pequeno (com o perdão do trocadilho). Mas, se de grão em grão a galinha enche o papo, talvez de rodadinha em rodadinha, consigamos melhorar as coisas pras nossa vida sobre rodas.

O link da reportagem tá abaixo:

http://http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/06/cadeirante-reclama-de-falta-de-rampas-em-loja-da-renner-em-ribeirao-preto.html

05
jun

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#90treinos

Gente, to recebendo um montão de mensagens, perguntando o que é a hashtag #90treinos que eu tenho usado em algumas fotos do Instagram. Então eu vim contar a história todinha pra vocês!

#90treinos

Há um punhado de dias atrás, eu estava conversando com a Fer e nós traçamos um objetivo para ambas, que terá êxito (I believe!) dia 7 de setembro. O que é, por enquanto é segredo! Eu não conto nem se vocês me amarrarem e algemarem pra ser torturada pelo Brad Pitt e pelo Tom Cruise! (né!). No meio do caminho, conversei com minha comadre Paty e escolhemos um “meio do caminho” pro dia 3 de agosto.

A verdade é a seguinte. Depois do objetivo traçado, a Fer decidiu montar uma planilha de 80 treinos pra ela, pra ser cumprida até lá. Eu, como sou gulosa, decidi que faria 90 treinos. No fim das contas, ela acabou trocando os 80 dela por 90 também e estamos usando a hashtag #90treinos.

Às vezes eu esqueço de usar a #  e às vezes eu esqueço até de tirar foto no treino, como ontem, que eu estava cansada e com sono, mas fui lá e fiz (menos uns 2 exercícios de abdominal, porque eu também estava com pressa, além de tudo).

Mas por que eu resolvi contar tudo isso pra vocês, além de matar as curiosidades todas? Pra mostrar que é fácil e que você também pode fazer seus #90treinos. Do que você precisa? De 6 coisas:

1 – Ter um objetivo. Pode ser uma prova que você quer fazer, ou tantos kg que quer emagrecer.

2 – Estabelecer um prazo. Escolha uma data que não dê pra fugir ou adiar.

3 – Traçar um plano de ação. Conversar com seu treinador (e também com seu nutri) e ver como farão

4 – Força de vontade

5 – Força de vontade

6 – Força de vontade. Sim, tem dias que não é fácil. Tem dias que sinto sono, tem dias em que sinto uma preguiça master blaster, tem dias que passo mal o dia inteiro porque minha pressão baixou. Todo mundo tem um motivo pra ficar lá paradão no sofá, na cama, na cadeira e não mudar a vida pra melhor. Então VOCÊ PRECISA QUERER! Se você quiser de verdade, você vai começar.

Então, cadeirante ou andante, bóra pros seus #90treinos ?

90treinos

02
jun

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1 fim de semana. 1 monte de presentes!

Na verdade, eu nem sei como começar esse post! De verdade! Tá tudo um turbilhão na minha cabeça, de frases, de sensações, de tudo.

A história dele começa quando eu descobri, um pouco depois do acidente, que existia handbike. Um monte de gente me prometeu ajudar a conseguir uma, mas nada acontecia de verdade, porque uma hand não surge das profundezas do oceano do nada. Até que teve um momento que eu pensei “tá, a handbike é só um sonho. Deixa ele aí quieto um pouco.”  E o tempo passou!

No fim de abril, como vocês devem ter lido aqui no blog, eu fiz a Meia 10415683_806298232714198_8641449677357327547_nMaratona da Corpore, com uma adaptação de hand emprestada de um amigo. Aí tudo começou de novo! Uma amiga minha, a Fer Balster, me chamou inbox perguntando se eu aceitaria uma handbike de presente, pois ela e mais algumas pessoas estavam se juntando pra me dar uma. A primeira reação? Chorei! A segunda coisa que fiz? Agradecer! E a terceira (depois de rir e chorar umas oitenta vezes)? Escolher a cor. Quem me conhece, sabe
que nem tem escolha: azul, da cor do céu, do mar, do meu edredom, da minha cadeira de rodas…

1920156_806429419367746_4412539326127279055_nA espera seria de 40 dias, até a hand ser entregue. Meus amigos escolheram uma corrida em SP, pra estar todo mundo junto e me dar. Nesse tempo, eu guardei o máximo de segredo possível. Contei pra minha mãe (mãe é mãe). Faltando uns 10 dias, eu contei pros meus treinadores da assessoria de corrida. Semana passada eu contei pras minhas comadres. Contamos pra mais um amigão super atleta, que tem um pick up, e ele disse “vou te levar nas corridas aqui de Ribeirão”. Na última semana, eu já tinha contado pra alguns amigos próximos, que perguntavam o que ia fazer no final de semana. Eu não aguentava e falava. Já tava me dando comichão esse trem não chegar nunca!

1486707_796188687058314_927124667943925457_nMas, pro meu desespero, na semana da corrida, o tempo fechou, esfriou, e a previsão pra São Paulo era de chuva e frio. Juro, gente, que eu pensei em não vir (saí da corrida, enchi a pança de mil comidas e to aqui escrevendo). Todo mundo sabe que eu morro de dor no frio, que eu não esquento de jeito nenhum (to morrendo de dor agora) e eu não queria sofrer. Resolvi vir, mesmo, de verdade, na sexta-feira. Na mala gigante, só roupa de frio. E eu fui linda pra corrida! Uma calça peruana super grossa por baixo da legging preta, duas meias grossas (que não resolveram nada), uma blusa fina (a preta de sempre, que eu uso por cima das blusas de corrida pra treinar) e 3, sim três casacos. Eu engordei uns 10 kg nas fotos. Mas o importante era ficar quente. Ah, usei luvas! Bem eu, que sou super paquitona, parecia um trembolho, porém um trembolho quente!

Acordei e nem queria sair da cama. 5h30 da manhã tava frio e nublado. O Paulo me pegou 6h30, pra largada 7h15, pra eu passar o mínimo de frio possível la parada no Ibira, e correr o menor risco de sentir dor. Tomei 300 remédios da dor antes da prova, pra prevenir. Tinha tanta roupa que os braços mal mexiam.

Chegamos no ibira e…kd as hands? O moço que ia trazer, o Dinho da Handventus (nosso Mago design das handbikes), se perdeu no meio daquelas ruas fechadas pra prova (nós também nos perdemos). 10 minutos antes da largada começou a chover! Eu só pensava “jura mesmo que eu viajei tudo isso, acordei cedo e to congelada pra ficar debaixo da marquise?” . Aí, a Fer chegou do meu lado e perguntou “quer deixar pra la?” Eu só respondi pra ela o que eu tinha acabado de pensar. A Fer saiu correndo pra ajudar o Dinho a montar as hands.

Deram a largada, Paulo e eu sem as hands, Pedro sem o triciclo. Eita nóis. Se não corrêssemos, não poderíamos mais correr (com o perdão da brincadeira). Íamos voar pro tapete, quando a Fer surgiu com a minha hand. Força tarefa pra eu subir no meu cavalo alado e voar pro pórtico de largada. Força tarefa pra me descer da calçada, os moços do tapete desesperados pra gente passar. O Paulo viria atrás com a hand dele (mas não o vi mais, porque o pneu dele furou com os poucos buracos do percurso..sem comentários).

Partimos! A emoção era tanta, meu coração vibrava mais que bateria de escola de samba no desfile das campeãs. Eu não sabia se ria ou chorava enquanto pedalava. Mas eu mal sabia mexer nas marchas. Como diriam: “qué dizê”, eu não sabia mexer nas marchas! A hand tava pesada demais na reta e eu achei estranho. E como eu tenho excesso de coordenação motora, eu descobri como deixá-la mais pesada. Mais leve, nada. Fiz 2km assim, meio que na empolgação, no desespero, com o Erivaldo (do Klabhia) me ajudando na subidinha, enquanto eu estava bem perdida ali.

Finalmente, por um milagre, eu descobri como diminuir a marcha. Calma gente, não demorei porque sou Kinder Ovo! Demorei porque as marchas e o freio foram colocados do meu lado esquerdo, o meu lado bobo. A minha mão é bem mais fraca ali. Então, eu tinha que ficar tentando mudar com a mão direita, enquanto eu olhava pros buracos, enquanto eu tentava não atropelar outros corredores, enquanto eu pedalava, enquanto eu conversava com o Erivaldo, enquanto eu sorria e agradecia as pessoas que me gritavam pra dar força no percurso. Mas deu certo.

Pra não ficar chato, narrando km por km, eu vou tentar resumir o luxo radioso de sensações, como diria Arnaldo Antunes declamando Eça de Queiroz em “Amor I love you”.

Eu estava muito emocionada mesmo. E a cada km eu encontrava mais e mais gente que eu gosto. A Fer me achou no meio da corrida, junto com o Dinho, que tentaram arrumar meu corpinho na hand. Mas tem tanto ajuste pra ser feito nela (porque eu sou meia porção, mas o Dinho não sabia que ainda vinha faltando pedaço) que eu achei melhor ficar como estava. As pessoas que eu conheço gritavam pra me dar força.

10363359_713721328666483_7235866843267025671_nNas subidas, o Erivaldo me ajudava muito! Nas descidas, vou te falar! Meus dedos tremiam tanto, porque eu não tenho força na mão esquerda e o freio estava muito duro (freio novo deve ser igual tênis novo. Precisa de uns km pra amaciar). Sabe o ditado “nóis capota mais num breca”. Se eu não brecasse eu atropelaria alguém, além de capotar. Então eu apertava o freio com toda a força. Na subida e na reta eu só tinha dois pensamentos: 1 – eu sou retardada? Por que eu exagerei tanto nos treinos de musculação essa semana? Que dor no bíceps. Que dor no trapézio. O que eu tinha na cabeça, @$!@#!, %@#$?? (sim, eu usei palavrões comigo mesma). Pensamento  2 – eu sou retardada? eu sou uma franga fracota! O que eu tenho na cabeça de vir pedalar 10km com tanta subida? Meu Deus, eu tenho que treinar muito! Eu tenho que mudar meu treino todo! @$@#@$@, !$!$!#@#%@.Vai franga!…..  É, foi isso. Eu sou uma pessoa bem tranquila comigo mesma.

Nas curvas, capítulo a parte! O Erivaldo gritava “abre bem”. Mas teve uma curva que tinha espaço pra eu abrir, mas não tinha espaço pra eu virar a hand e voltar. Resultado? Ultrapassei a barreira de cones e brequei bruscamente (e já não sobrou dedo depois disso) em cima dos carros que estavam no trânsito da avenida. Fui salva pelo Erivaldo, que deu ré puxando a hand e me ajudando a virar.

Tinha km que eu ria, tinha km q eu chorava, mas não podia exagerar, porque nem tinha como secar as lágrimas. Mil coisas foram passando na minha cabeça, como um filme, enquanto eu corria (de novo! Isso aconteceu na Meia da Corpore em abril). Mas agora tinha a ver com todas as pessoas maravilhosas que estavam me ajudando, como elas entraram na vida, como elas entraram no meu coração, como cada uma estava presente no meu dia a dia e como elas foram incríveis em fazer isso por mim. Poderiam ter escolhido qualquer outra pessoa. E eu tinha que fazer jus a tudo isso, em retribuição.

Muitas pessoa1904185_232621930280651_7020497081938878933_ns desconhecidas também me ajudaram. Em uma subida tipo Everest, um senhor ajudou o Erivaldo a me dar impulsos sem fim. Quando eu desci esse pico do Everest (e deixei o Erivaldo pra trás, por falta de dedos pra frear mais), encontrei o senhor de novo, que me ofereceu água, me ajudou quando eu parei a hand no meio da subida pra trocar a marcha (parei porque meus bíceps lindos não estavam cooperativos e a mão direita ocupada com a marcha). Muitas pessoas gritavam e batiam palmas no percurso. E eu tenho que agradecer a todas elas! Muitos senhorzinhos estavam correndo e vê-los ali dá muita energia pra nós.

10376917_632246220200307_3520038049093320128_nTenho muito a agradecer ao Erivaldo, que no final, ia abrindo caminho (sim, o homem corre! parece um guepardo) pra que eu pudesse passar sem atropelar ninguém. Passar pela Bia e a turma da Klabhia também dá uma força incrível e uma alegria muito grande!!!

A Fer me achou de novo no finalzinho e me deu muito gás e felicidade ver a minha amiga linda ali e saber que por causa dela e do Itimura (dois anjos sem asas), eu estaria ali, pertinho do meu sonho de correr com os pés de novo, mas correndo como eu posso agora.

 

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E eu passei a linha de chegada! Mais uma! Uma das mais emocionantes! Numa corrida que tinha tudo pra dar errado e deu tudo certo, porque eu corri com e graças a pessoas maravilhosas e especiais. Tirei as luvas. Os dedos da mão esquerda tremiam sem parar e doíam muito. Mas o sorriso não saía do rosto.

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10403592_795875303756327_6987827692609407767_nE no final, encontrei mais amigos, foi foto pra lá e foto pra cá! A moça dos torrones (lembram que eu amo torrones?) veio com a sacola cheia pra mim e como gulosa que sou, ganhei vários. O tio da água, uma gracinha de senhor, veio dar parabéns, trouxe água, foi com a Fer buscar as medalhas. Ganhei um monte de abraços das pessoas que eu gosto. Um monte de amigos quis fazer um test drive na hand!

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Ah, querem saber meus outros presentes além da handbike? A Fer me deu um capacete lindo (o que eu usei hoje).O outro? Lembram da foto que postei no Insta, falando que eu não conseguia usar o kettlebel da academia porque tinha 8kg? Então, o Paulo Cesar, junto com amigos dele (que eu não conheço) me deram um kettlebel de 6kg! Lindo! Vou postar a foto no Insta!! Paulo e meninos, muito obrigada!!

Mas os maiores presentes que eu poderia querer são meus amigos. Desde meu acidente, eu fortaleci amizades e ganhei tantos amigos, mais do que muita gente poderia querer. E através deles, só coisa boa aconteceu na minha vida! Coisas materiais que eu e minha família nunca conseguiríamos prover. E coisas que o dinheiro não pode comprar, muitas coisas! Muitas delas que eu recebi aos montes hoje. E só posso dizer OBRIGADA!

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