15
mar

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Movimento Pela Mulher

Lilás. Uma cor pra qual eu nunca liguei muito. Até hoje! Pintamos o Parque do Ibirapuera num momento lindo  e inédito:  a Corrida Movimento Pela Mulher.

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Pra quem não sabe de onde saiu essa ideia, vou fazer um resumão.

O Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”. O Corra Pela Vida era um treinão livre, para corredoras de todas as distâncias e velocidades. Porém, conseguia apenas a participação de um número limitado de pessoas.

Depois de 3 treinões Corra pela Vida, que foram sucesso no ano passado, as meninas  decidiram que queriam alcançar mais pessoas e ajudar mais mulheres. A partir do trabalho da Gabi, no Ministério Público, defendendo mulheres que sofrem violência, surgiu a ideia de fazer uma corrida e ajudar ONGs que apoiam essas mulheres que precisam de ajuda. Além disso, a ideia é mostrar que a mulher, através da corrida, pode se sentir empoderada para se defender e encontrar apoio e recuperar a auto estima, caso e quando precise. Afinal #NenhumaMulherMereceViolencia . Essa virou a hashtag oficial da corrida e desse movimento maravilhoso.

E  enfim, chegou o grande dia, do sonho dessas minhas 3 amigas virar realidade e de, todos juntos (sim, tinha muitos meninos) corrermos pela causa. A Latin Sports preparou uma estrutura top, o kit estava lindo, a medalha idem e, segundo as meninas, foi mais gente do que elas esperavam pra primeira prova.

E vocês estão achando  que eu só ia contar detalhes técnicos e deixar de lado a minha saga com a handbike nessa prova? Nana nina não! Meu problema, preocupação, ou chamem do que quiserem porque foi de arrancar os cabelos, começou no sábado à tarde. Eu estava na retirada do kit, feliz e contente com a Gabi e a Neide (do Vida Corrida), quando comecei a tentar ligar pro moço que ia levar minha handbike pra prova. Ele faz pequenos carretos e combinamos na sexta-feira que ele faria o trabalho logo cedo. Mas, o moço sumiu! Não atendia o celular e foi me dando desespero. Umas 4 horas depois, quando eu já não tinha unha nos dedos, consegui falar com ele, que estava em Praia Grande e “nem rola de ir” me levar. Ai Gizuis! Sorte a minha que eu tinha falado pros meus amigos, lá na retirada do kit, que não conseguia falar com o moço e ia começar a procurar outra pessoa. O Corretor Corredor postou no facebook que eu estava precisando de ajuda, alguns amigos compartilharam e o Sidney, que nunca tinha me visto na vida, pegou uma fiorino empresatada pra poder me levar! Um anjo que caiu na minha vida!

Domingo de manhã, tudo lindo e certo, exceto pelo banco da handbike que estava ensopado, porque ela tomou chuva, mas pula essa parte. Eu e o Sidney partimos adiantados para o Ibira e ainda passamos no posto pra encher os pneus da hand. Chegamos lá, logo o Fabio da Latin  me viu, veio pegar a hand e levar pra largada, eu arrumei o apoio de pe, arrumei a mochila de hidratação, as luvas, preguei o número no FlipBelt. E estava milagrosamente muito adiantada! Fui procurar as meninas, beijar e abraçar muito a Debs, num abraço de urso de 15minutos, tirar mil fotos e, faltando 20min pra largada, resolvi aquecer. O Corretor Corredor foi me ajudar a me posicionar na hand. Quando fui sentar, percebi que a corrente estava com folga e que o pedal não girava. Fui olhar e, no transporte (ou no busão de Ribeirão pra Sp ou da rodoviária até a casa da Selminha, que me hospedou) a corrente ficou presa entre a catraca e o parafuso que segura a roda. Eu, sozinha, com esses dedos moles, me melequei toda de graxa e não consegui tirar. O Corretor tentou, mas também não consegui. Gente, vieram os bombeiros que ficam ali na largada pra tirar! Tentamos de tudo, tiramos a roda da frente e a corrente saiu. Eles recolocaram no lugar, testamos as marchas, estava passando, graças a Deus. Porém, eu não consegui aquecer. Num dia frio, eu parecendo um aipo cozido, e não deu tempo de aquecer. Tudo bem. Sentei na hand, me arrumei. O pessoal da Latin aguardou meu ok pra largar!

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Fui! Pedalei uns 100m e vi que meu guidão estava torto pra direita! Pois é. Já tive que parar pra soltar a trava e desentortar. Bóra! Aí, eu tava mole, me sentindo lenta e tentando me acostumar com a nova relação da hand. Quem me acompanha sabe que o câmbio quebra em toda santa prova, então eu troquei. Mas ainda não tinha testado na rua. Não sabia nem o que eu estava fazendo.

Enfim, passou o primeiro km sem eu ver. Eu só via o moço da moto na minha frente (que me acompanhou a prova inteira). Mas, minha alegria acabou na placa de 1km. Porque logo tinha uma subida de quase 1km do pico do Everest. Eu só olhei praquilo e lembrei que era o mesmo percurso da prova Eu Atleta, de quando eu ganhei a hand, em junho. E eu não tinha conseguido fazer nenhuma subida daquela prova. Mas, meses depois, eis que eu morri, mas fiz a subida sozinha! Fui tão lesma morta que logo os primeiros colocados da prova começaram a me alcançar e me passar. Depois veio uma reta e uma descida e eu dei uma descansada, lembrando que se eu desci pra ir, ia ter subida pra voltar.

A coisa mais incrível do pessoal me alcançar e correr do meu lado é que todo mundo me grita! E eu amo issooo!!! Porque quando meus braços estão moídos e querendo me sabotar, vem alguém que me grita, me motiva e eu mando os braços calarem a boca (como se tivessem kkkk) e me deixarem pedalar mais e mais, até acabar a prova! 🙂 Na subida, isso é mágico!

E lá fui eu, subindo lentamente, disparando nas retas e parando no meio das descidas pra colocar a corrente na hand. Pois é, a corrente saiu 3 vezes, bem na minha frente, na coroa. Chicoteava na minha perna e eu tinha que parar pra recolocar. Perdi tempo com isso e machuquei a mão. Mas, vambora!

Fiquei mesmo feliz por ter tido força de fazer todas as subidas, apesar da lerdeza. E quase atrolei mil pessoas quando alcancei o pessoal dos 5km e da caminhada, que retornava antes da metade do percurso. Quando eu comecei a gritar “Com licença, por favor”, meu motoqueiro guardião foi buzinando na minha frente, pra tentar liberar espaço. Verdade seja dita, tinha gente que ficava brava com ele. E tinha gente que não saía da frente, ou porque não queria ou porque estava com a música tão alta que não ouvia a moto buzinando há 2 metros de distância! Eu quase bati na moto umas 3 vezes por causa disso. E quase atropelei muita gente muitas vezes. Quase capotei uma vez, pra desviar das pessoas e do posto de hidratação. E acabei perdendo muito, muito tempo freando tantas vezes. Mas o importante é que não houve acidentes.

Quando eu achei que faltavam uns 500m pra terminar, ainda tinha mais um retorno pros 10km! kkkkk Só eu mesma! Mas meu velocímetro ta desregulado, então eu não levei. E o celular, com o Strava, tava dentro do FlipBelt. Eu não tinha  a menor ideia de quantos km faltavam, porque não olhei as placas olhando pras pessoas. E essa foi minha primeira prova de 10km, desde que ganhei  a hand, Nessa hora, pensando nisso, o asfalto ficou um pouco ruim e eu comecei a quicar. Mas logo, eu estava avistando o lago do Ibira de novo, e quase atropelando mais meninas, pois a linha de chegada estava bem na nossa frente!

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Assim que terminei, apareceram muitos amigos. A Fer Baslter, o Fausto (meu professor da academia) com a noiva linda Regiane, a Juliana, o Corretor… muita gente! Logo ganhei um abração da Yara Achoa. E começou a sessão de fotos. Daí pra frente, foi mais festa. E só festa. Que prova incrível! Que clima delicioso! Muitos abraços na Debs, na Gabi, na Paula, na filha linda dele e no pai dela, no casal do Frango com Batata Doce do instagram, na Gi do Divas que Correm, na Ivonete, na Ju Veras, na Dani Barcelos, no Colucci… gente, a lista não tinha fim!  Como eu amo correr em São Paulo e ver tantos amigos! E também amei conhecer tantas pessoas que me seguem e me apoiam, que me motivam com seus comentários todos os dias! Foi bom demais receber tanto carinho!

Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!
Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!

 

Um dos momentos mais emocionantes da prova foi quando as meninas (Debs, Paula e Gabi) entregaram os cheques de doações às ONGs beneficiadas pela corrida. Se você quiser saber quais são as ONGs e quiser ajudar, acesse o site do Movimento Pela Mulher -> http://movimentopelamulher.com.br/

 

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Às meninas de ouro da prova, só tenho mil parabéns pra dar, pela iniciativa e pela prova linda. Muito obrigada pelo carinho comigo, pelo convite em participar, pelo amor de todos os dias. À Latin Sports, muito obrigada pelo carinho desde minha inscrição, até a permissão da entrada do carro pra descarregar a hand pertinho da largada, pelo apoio do motoqueiro, pelo cuidado com a hand, o cuidado de todas e a recepção sempre alegre.  À todos que me gritaram e me motivaram durante a prova, muuuito obrigada pelo carinho! A quem tirou foto comigo: me manda, pra eu colocar no face!!

A todos os deficientes, tenho um convite a fazer: seja você cadeirante, muletante, cego, amputado com prótese..Venham correr conosco no ano que vem! A organização fará a categoria pra nós e estão muito abertos a nos receber nessa festa linda, com causa tão nobre!

A todas as pessoas que estiveram presentes, nosso muito obrigada, por tornar essa corrida um sucesso e permitir que tantas ONGs e tantas mulheres possam ser ajudadas. Pra mim, como mulher, e como mulher que já sofreu violência, correr pela causa foi simplesmente sensacional!

E ano que vem, tem mais! Muito mais!

As fotos serão postadas no face essa semana, conforme eu for recebendo!!

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09
mar

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Motivação – tirar de onde?

Verdade seja dita: tem dia que é foda! (sim, eu falo palavrão. E não tem outra palavra melhor pra colocar aqui!)

Tem épocas da vida que fica extremamente difícil, senão semi-impossível manter o foco. Treinar cansa. E tem dias que pesar a comida e se entupir de salada também cansa.

Eu to passando por uma fase dessas. Troquei a pípula há 2 meses. E destroquei semana passada, porque meu corpo não acostumou aos novos hormônios. Inchei. Comi igual uma porca véia. Engordei. To lenta e cansada.. Os braços não respondem. Eu olho pra handbike, ela pisca pra mim. Eu me finjo de morta. E quando sento lá, o treino não rende.

Quem nunca? É 10348305_961722823838404_5656666504342499991_na TPM. Os filhos. Namorado/marido. Ou a falta de um deles. Problemas no trabalho. Contas pra pagar. O carro que quebrou. Pneu furou. A lista não tem fim. E tem dias que a gente se sente mais gordinha, ou o cabelo acordou daquele jeito. Sofrer por um ou dois dias é normal! Mas deixar que os dias se arrastem e a situação permaneça, acaba transformando isso numa bola de neve. Aí a gente larga mão de tudo e o trem parece que não vai mais fazer a volta pra te pegar na plataforma e te levar de volta pra sua vida. E aí? O que fazer? Manter-se motivada! Mas como?

Esses dias me perguntaram como eu me mantenho motivada. Não vou mentir pra vocês! Eu simplesmente olho pra minha barriga cheia de banha e falo pra ela: “Sai daquiiiii” ou  “Vai gordinha, vai queimar essa pança”.  hahahahaha

Sério, eu também tenho preguiça. Mas treinar já está tão incorporado à minha rotina, à minha vida, ao meu “eu”, que simplesmente não aceito o fato de não treinar. Eu brigo comigo mesma, de verdade!
Hoje li uma coisa que é muito verdade: a cabeça manda muito! E que o digam os maratonistas e ultras! Escreva o que você quer, pendure o papel num lugar visível e leia várias vezes por dia.
Só isso? Não! Ontem à noite eu fiquei pensando numa lista de coisas  (devia ter acendido a luz e escrito na hora).
Inspire-se em alguém
Não é pra ter inveja, gente! Isso não leva a nada de bom. Não é o “quero aquela vida, quero aquele corpo. #*#*#*  Como ela consegue?”  NÃO!
É o fato de escolher alguém que fez mudanças na vida ou não se deixou abater por algo e pensar “Poxa, se ela consegue, eu também vou conseguir! Vamos lá!”
Eu tenho as minhas inspirações, pessoas com problemas bem maiores que os meus (amigas com, ou que venceram o câncer). E as vejo lutando alegremente durante o processo. Poxa! Quer força maior que isso?
Se a grama do vizinho ta mais verde que a sua, não tente jogar pesticida nele! Compre um regador e regue a sua também!!
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Inspire-se… em si mesmo
Sabe aquelas fotos “antes e depois”?  Olhe sempre as suas caso pense em jacar dias seguidos ou em parar de treinar.
Ou pense em sua vida há 1 ou 5 anos atrás. Pense nas mudanças positivas que você fez e nos resultados que conseguiu. Ta a fim de voltar atrás?
Eu fiz uma pasta no computador, com os vídeos das minhas melhoras. Tem desde a primeira vez que fiquei em pé na barra paralela, com órteses, no Sarah, até os vídeos da academia e meus treinos de marcha da semana passada. Também olho todos os tombos que eu levei e as cicatrizes no joelho e tornozelo. E penso: “Essa cicatriz não ta aqui pra nada, pra eu parar.”
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Ouça música
Sim, eu sempre coloco músicas animadas e com o volume bem alto quando estou pra baixo. A música tem um poder incrível! Pode ser Chopin ou funk. Escolha o que você gosta.
E já que colocou a música, cante, berre a plenos pulmões! E dance!
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 Coloque pra fora o que te aflige
Pode ser com sua avó (eu faço isso), sua amiga, seu amigo, sua esposa, seu namorado, ou escrevendo. Não guarde pra você.
Diario.Journal
Seja compreensivo consigo mesmo
Ninguém é feliz 100% do tempo. Não tem problema nenhum você ficar triste ou pular um dia de treino. Amanhã você retoma a rotina.
Permita-se!
Se você ta a fim de dormir hoje, durma! Se ta a fim de comer um bolo de chocolate com recheio de Nutella, coma! Se ta a fim de ficar lendo ao invés de ir correr no parque, leia! Mas só hoje.  Não faça disso um hábito. Seus hábitos devem permanecer saudáveis. Desvie o percurso, mas volte pra estrada!1507980_369773216499088_1606215610_n
Sorria!
O sorriso tem um  poder incrível sobre você e seu cérebro. Se você está sozinho em casa, saia. Você não vai poder ficar emburrado na rua. Se não dá pra sair, coloque uns vídeos engraçados pra assistir, ligue pra alguém que sempre te faz rir. Mas o simples fato de desemburrar a carranca vai melhorar o seu dia.
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Movimente-se!
Quanto mais parado você ficar, mais parado você vai querer estar. Mexa-se! Obrigue-se a fazer isso. No início vai doer, vai ser um saco. Mas depois, a sensação de bem estar vai tomar conta de você (Santa Endorfina). Depois de uns dias nessa rotina, o corpo vai pedir, implorar uma endorfininha.
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Continue tentando
Li um negócio tão legal esses dias “Continue voltando que funciona”. Persista! Um dia, dois dias, uma semana, três semanas, dois meses… vira hábito e vai funcionar.
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 Não fracasse consigo mesmo.
Arranje uma vida da qual você não precise fugir! Mas só você pode fazer isso. Ninguém mais pode!
Quando me perguntam como eu continuo, sem parar, apesar dos percalços, eu digo uma coisa bem simples: “Se eu não fizer por mim, ninguém vai fazer.”
Posso ter uma carona pra ir pra academia. Mas se eu chegar la e não treinar, ninguém vai treinar por mim.
Posso querer uma medalha com a handbike. Mas se eu não sentar lá e pedalar, ninguém vai pedalar por mim.
Posso conseguir encontrar um bom fisioterapeuta, mas se eu não me esforçar e não fizer os exercícios, eu não vou conseguir realizar meu grande sonho de andar de novo.
Depende de mim! De mais ninguém!
Sua vida e suas mudanças dependem de você! De mais ninguém! Não espere ninguém pra ser feliz!
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03
mar

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Alavancas: Vantagem mecânica na musculação

 

Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.

A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio (articulações).

A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.

A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).

A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.

O seu braço está do tamanho que você deseja?

Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.

Quanto peso você é capaz de erguer?

Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: “É preciso ficar forte para depois aumentar o peso”. Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira.

Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas.

Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.

Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico.

Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia.

Grande abraço.

"Alavancas: Vantagem mecânica na musculação </p>
<p>Uma alavanca é descrita pela física como um objeto rígido, usado com um ponto fixo (nossas articulações) para que se multiplique a força ou divida a força (resistência) de outro objeto.</p>
<p>A alavanca tem três componentes fundamentais: o Braço de força (força muscular em nosso caso), o Braço de resistência (resistência da carga) e ponto de apoio      (articulações).</p>
<p>A distância entre o ponto de apoio e o ponto onde a carga é imprimida é chamado de braço de resistência. Quanto maior for a distancia entre a carga e o ponto de apoio, maior será o braço de resistência, ou seja, maior será o peso aplicado no conjunto. Por isso é muito mais fácil executar elevação lateral com os cotovelos flexionados a 90º do que com os braços completamente estendidos. Com os braços flexionados, a carga (halteres) está mais próxima ao ponto de apoio (articulação do ombro), proporcionando um braço de resistência menor.</p>
<p>A distância entre o ponto onde se aplica a força (local da inserção do músculo no osso em nosso caso) e o ponto de apoio (articulação) é chamada de Braço de força. Quanto maior for esta distância, maior será o braço de força, portanto mais fácil será mover a alavanca. Chamamos de vantagem mecânica, o fato de determinado conjunto de alavanca ter um braço de força muito grande, esse fato reduziria drasticamente a força necessária para mover o objeto de resistência (peso).</p>
<p>A maioria de nossas articulações são de terceira classe, ou seja, o ponto de apoio está localizado em uma extremidade, a carga (resistência) está localizada na outra extremidade e a força de contração muscular está entre as duas. A maioria de nossas articulações apresenta uma desvantagem mecânica, pois o braço de força é bem curto em relação ao braço de resistência. Isto pode ser uma desvantagem por um lado, mas tem seus fatos positivos. Dessa forma nossos músculos podem se contrair menos, mas mesmo assim atingir um movimento articular bem amplo e com velocidade.</p>
<p>O seu braço está do tamanho que você deseja? </p>
<p>Existem muitos que dizem por aí: “Quem não rouba não cresce!” Sempre que ouço esta frase, ou que observo alguém utilizando uma forma de execução inadequada fico muito chateado, pois algo muito importante na musculação não foi ensinado àquela pessoa.</p>
<p>Quanto peso você é capaz de erguer?</p>
<p>Esta é talvez a pergunta mais repetida nas academias em todo o mundo. Porém, é a mais inútil de todas. O peso que você ergue, a carga que você usa não tem tanta importância no final das contas. Muitos pensam que é necessário aumentar o peso para ficar forte, quando na verdade o inverso é o verdadeiro: "É preciso ficar forte para depois aumentar o peso". Não devemos ir à academia com a intenção de simplesmente erguer o peso a cada repetição. Sua missão em cada repetição não é mover o peso da posição A para a posição B.<br />
O que buscamos é o estímulo total do músculo, a contração total, dessa forma podemos desgastar a musculatura e obrigar a mesma a crescer de qualquer maneira. </p>
<p>Nosso sistema nervoso central sempre busca maneiras de facilitar ao máximo o trabalho mecânico em nosso corpo. Raramente utilizamos apenas um músculo para realizar qualquer movimento que seja, principalmente em cadeias fechadas. </p>
<p>Nosso corpo sempre busca uma posição ou movimento articular que facilite ao máximo trabalho. Na musculação o exemplo clássico seria a rosca direta, se formos realizar um movimento de rosca direta inconscientemente, nosso sistema nervoso fará com que ergamos os cotovelos e nos curvemos para trás – isso faz com que os deltóides e a musculatura paravertebral ajudem os bíceps a erguerem o peso. Isso é tudo o que nós não queremos quando treinamos musculação com o objetivo de hipertrofia. Quanto mais trabalho localizado no músculo alvo, melhor o resultado. Por isso temos que nos concentrar e contrair apenas os bíceps, no caso de nosso exemplo. Sempre que você mudar a forma de execução de um movimento, e o movimento se tornar mais difícil de ser executado, melhor serão seus resultados.</p>
<p>Todo exercício na musculação tem cuidados ou detalhes a se observar sob o ponto de vista biomecânico. </p>
<p>Isto é muito relevante para o o sucesso na eficiência na ativação muscular principalmente quando o objetivo proposto é a hipertrofia. </p>
<p>Grande abraço."

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP