18
ago

0

Corra Pela Vida e Atropelamento na USP

Esse é um post alegre e um post triste. Isso porque, esse sábado foi muito especial e trágico.

Minha preparação pra ele começou uns dias antes, quando vi no ig das minhas amigas Corre Paula e Blog da Debs, que haveria o Terceiro Treinão do Corra Pela Vida em SP. Porém, dessa vez, ele teria um número limitado de participantes. Nos dois eventos anteriores não pude ir, mas dessa vez, conseguiria estar presente e comecei a me programar.

A semana em SP foi fria e eu pensei que iria parecer uma cebola cheia de camadas de novo. Coloquei uma meia calça por baixo da legging e dois casacos por cima da blusa branca, cuja cor deveríamos vestir. Tive sorte, pois o sol saiu e logo tirei os casacos.

Pra quem não sabe, o Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”.

corra pela vida

Neste mês, com o apoio da Nike, corremos pelo propósito de valorizar a autoestima feminina por meio da corrida, comemorar oito anos de criação da Lei Maria da Penha, completados neste mês de agosto, e celebrar a paz. O evento ocorreu no Parque da Água Branca e reuniu cerca de 400 pessoas, segundo informações das meninas.

corra pela vida 2

 

Revi minhas amicorra pela vida 4gas lindas Debs e Paula, conheci a Gabi pessoalmente, conheci muitas mulheres incríveis e revi muita gente que eu adoro! Infelizmente não vou postar foto com todo mundo aqui porque to esperando uzamigo postarem as deles pra eu roubartilhar. Mas assim que fizerem isso, eu posto tudão lá no facebook do blog.

 

 

corra pela vida 3Foi um dia incrivelmente especial e proveitosíssimo para todos nós. O clima era de extrema alegria e felicidade e a causa mais nobre, impossível. Sempre que há o Corre pela Vida, corredores levam tênis e roupas esportivas pra doar pro Projeto Vida Corrida (http://vidacorrida.org.br/), uma ONG maravilhosa, fundada pela Neide. Parafraseando as meninas do Corra Pela Vida, a Neide  “é uma baiana arretada que acreditou que o esporte iria mudar sua vida. Perdeu um filho para a violência e sua rotina de treinamento virou ato de amor, quando abriu mão de 30% do seu salário, com redução da carga horária, para dedicar mais tempo à comunidade”. 

De repente, no meio do sorteio dos brindes, meu celular pipocou com um whatsapp. O print do ig do DivasQueCorrem e uma foto, informando sobre um atropelamento na USP, em que corredores foram gravemente feridos. Olhei pras meninas. Enquanto a Gabi seguia com o sorteio, o celular da Debs tocou e a Paula foi falar com o treinador e mais umas pessoas. Fui perguntar se elas receberam a mesma mensagem. Não só elas, mas metade do pessoal ali já recebera mensagens e ligações. Amigos, companheiros de treino, haviam sido atingidos e gravemente feridos por um idiota bêbado.

usp 4

Pra nós, ali, o clima de festa foi substituído por imensa preocupação. Assim que o evento caminhou para o final, muitos saíram dali direto pro hospital. Durante o dia, corredores não falavam de outra coisa nas redes sociais e mandavam notícias uns pros outros.

Nossa preocupação só crescia no decorrer do dia. Até que veio a triste notícia que um dos corredores, o atleta veterano Álvaro Teno, de 67 anos,  faleceu. Ele foi enterrado ontem,  domingo. #naofoiacidente

Sobre os demais corredores, as informações iam e vinham. Até que ontem à noite li, no blog do Lucena, na Folha de SP, as últimas informações confirmadas.

A mais gravemente atingida foi Eloisa, que foi levada de helicóptero para o hospital Samaritano, onde passou por longas horas de cirurgia ao longo da tarde de ontem. No final do dia, segundo informações que recebi da assessoria de imprensa do hospital, ela foi para a recuperação.

O ex-treinador dela, Luiz Fernando Bernardi, esteve no hospital e informou: “As notícias são de que ela teve fraturas múltiplas nas duas pernas, rompimento de todos os ligamentos de um dos joelhos, fratura num dos ossos da face e na região do queixo. No quadril, teve perda de pele …Vai no futuro ter que fazer outras cirurgias reparadoras desses machucados”.

Quem quiser ler o texto todo dele, que entrevistou os corredores atropelados e/ou treinadores e familiares, o link ta aqui http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br/

As fotos que vi do acidente, foram publicadas no Divas Que Correm.

usp

usp 5

usp3

usp2

 

Os corredores de SP estão se unindo, em busca de mais segurança nos treinos na USP. É um lugar mantido por impostos pagos pelo povo. O Corra Pela Vida, junto com mais alguns atletas, abraçou a causa. Como eu disse no meu ig sábado, não sou de SP. Moro no interior. Durante todos os anos que corri, sempre olhava as fotos dos meus amigos treinando na USP e pensava ” como eu queria estar ali”. Depois que veio a cadeira e, graças a Deus, a handbike, eu só queria uma USP de SP pra chamar de minha e treinar sem medo. Pois é, eu achava que era sem medo. Por isso, e pela vida que foi ceifada ontem, eu apoio o movimento. Pra quem apoiar, use a hashtag #corrapelausp e junte-se aos atletas de Sampa em busca de segurança nos treinos que acontecem na cidade universitária.  Como disse a Paula hoje, “Tantos likes, tanto engajamento e toda força que temos online tem que servir pra alguma coisa GRANDE, NOBRE e OFFLINE. Não vamos desistir do esporte e não vamos desistir da USP.”

Eu não conhecia pessoalmente o senhor Teno, mas ele era muito respeitado entre os corredores, por sua história como atleta e pelo ser humano que era. Li sobre ele no face de vários amigos que o tinham como amigo pessoal, e também no blog do Lucena. Encerro meu post deixando um grande abraço e muito carinho para a família. E desejando que o #*#*%^$# (pensem nos piores palavrões) do motorista não saia impune no país da impunidade.

14
ago

1

Exercícios para membros superiores – parte 1

Ooooii genteee!!!! Vamos pra mais um vídeo de exercício. Vamos movimentar o corpitcho pra fugir do frio!

Depois de 3 exercícios de abdominais, resolvi dar uma variada. Comecemos a movimentar e trabalhar os músculos dos membros superiores.

20140616_202656

Esse exercício é pra peito, mas ajuda a trabalhar o equilíbrio e músculos do tronco. Se você tem pouco equilíbrio de tronco, peça ajuda. Eu sempre tenho alguém por perto, pro caso de eu cair, ou perder o equilíbrio por causa de espasmos (no vídeo eu tive espasmos leves nas duas pernas).

Realizei o  exercício no cross. Se for treinar em casa, você pode usar elásticos. Só fique atendo: se realizar na academia, as polias tem que ficar acima da sua c20140616_202650abeça. Se for fazer em casa, busque um lugar acima da cabeça pra pender o elástico.

Vamos lá? Bóra treinar!!

Copie o link e cole no navegador, como sempre e por enquanto!rsrs

bjss

 

11
ago

1

O por quê do integral

integral

Que a escolha pelo integral é mais saudável todos já sabemos, acho que isso não é mais um argumento convincente, já que algumas pessoas ainda tem resistência em comer o integral, ou porque nunca experimentaram ou porque experimentaram uma versão não tão palatável ou mesmo o paladar da pessoa não estava acostumado às delicias da vida, alias acho que nem é questão de só o paladar, quando você esta acostumado a ingerir alimentos integrais, o corpo pede por eles, a mente inconscientemente pede por eles, já que assim conseguiremos manter a qualidade de vida e o bem estar estabelecido.
É simples faça o teste: tenha uma rotina alimentar saudável, mantenha ela por uma semana, em um dia saia da sua rotina ingerindo só alimentos ricos em gorduras, açucares, tipo fast food, salgadinhos, refrigerantes, doces, ai sim, sinta sua qualidade de vida desmoronar, sua barriga inchar, a sensação de cansaço, desanimo e preguiça aparecerem e claro dali duas horas a compulsão lhe perturbar e você ficar louco para repetir o atentado a sua saúde, virando um ciclo vicioso de exagero, comilança, desanimo, frustação e arrependimento.

Mas como fazer a melhor escolha e já respondendo a questão do título desse post.
Primeiro, sabemos que os alimentos integrais contem mais vitaminas e minerais, já que passam por menos processos de refinamento, logo deveriam ser mais baratos.
Segundo, existe uma coisa chamada Índice glicêmico (que é a capacidade do alimento em elevar a taxa de açúcar no sangue), beleza, ótimo, e? E então quando ingerimos um alimento de alto índice glicêmico, ou seja, que terá a capacidade de elevar rapidamente o açúcar em seu sangue, a famosa hiperglicemia, também estaremos elevando muito a taxa de insulina, hormônio que irá rebater essa elevação, retirar esse açúcar e coloca-lo para dentro das células. Porem é justamente esses dois aumentos (hiperinsulinemia e hiperglicemia) que causam aquele desanimo, aquela sensação de cansaço que te leva ao sofá ou ao sono incontrolável após uma grande refeição. E dependendo do horário no qual foi ingerido esse alimento de alto índice glicêmico, proporcionando o pico de açúcar no sangue, você ainda terá um presente, fabricará grande quantidade de gordura e ainda acumulará principalmente na barriga. Legal né?


Por isso então da escolha do carboidrato integral, de baixo índice glicêmico, de lenta absorção, que fará com que o açúcar seja liberado em sua corrente sanguínea mais lentamente, não estimulando tanto a insulina e proporcionando ou mantendo a sensação de leveza, bem estar. Além disso, estimulando a maior queima de gordura, um bom controle da sua taxa de açúcar no sangue(glicemia), que também controlará hormônios de fome e saciedade e consequentemente os de ansiedade, vontade e compulsões.
Simples não? Agora para complicar mais um pouquinho, será que todos alimentos que estão a venda e tem no rotulo o escrito INTEGRAL, seriam bons para o consumo? Melhor que a versão normal seria sim, mas, sempre é necessário saber ler rótulos para fazer a melhor escolha. Questione seu nutricionista!

Procure um nutricionista que lhe ofereça esses conhecimentos, esses argumentos, para que assim, seguir uma dieta e mudar hábitos alimentares sejam feitos de uma forma na qual você coloque os conhecimentos, a teoria na prática, acho que assim é muito mais fácil e prazeroso, muito diferente do “pode, não pode”, de restrições ridículas e sem fundamentos ou escravidão/dependência de uma pessoa que fica atrás de uma mesinha, julgando o que você come e lhe aprisionando a cardápios semanais.
Ter uma rotina alimentar e praticar exercício físico é a única forma para ter saúde e qualidade de vida.
Por que vocês acham que há tantos grupos de corridas, grupos de bicicletas, academias? As pessoas estão conseguindo relacionar e encontrar o prazer prolongado na atividade física e na qualidade alimentar e não o prazer momentâneo, que é simplesmente o ato de comer algo gorduroso ou açucarado ou ingerir álcool ou deixar o ócio e o sedentarismo tomar conta do corpo, tudo isso em excesso, parte do ciclo vicioso, de quanto menos eu faço menos quero fazer ou quanto mais eu como, mais eu quero comer.

É possível mudar.
Pratiquem Hábitos Saudáveis

 

 

Hugo ComparottoHugo Comparotto

Formado em Nutrição e Metabolismo pela FMRP – USP. Especialista em Obesidade e Emagrecimento e Capacitado em Nutrição e Suplementação esportiva, Nutrição Avançada pela IFBB. Consultor científico e desenvolvimento de novos produtos na ADS/Atlhetica Nutrition e Santa Helena.

05
ago

22

Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

g4 25

Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

IMG-20140803-WA0042

 

Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

20140803_094736

20140803_095747

20140803_100007

Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

IMG-20140803-WA0010-1

Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

g4 6

(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)

 

 

 

30
jul

0

Abdominais 3 – com bola

Oi gente! Conforme prometido, aí vai mais um exercício de abd com bola!

Eu usei a cama elástica do Sinergy, mas se você não tem uma dessas na sua academia, ou muito menos em casa, pode arremessar a bola na parede.

Usei uma sand bag pra apoiar as costas, senão eu vou e não volto mais rsrs. Mas você pode usar um daqueles triângulos, ou edredom dobrado, ou improvisar, de acordo com sua realidade. E se você vai e não volta, como eu, ou se seu controle de tronco é tipo gelatina derretendo, como o meu, peça pra alguém ficar perto de você, pra evitar acidentes. Não quero ninguém com dente quebrado!!rs

abd bola

Geralmente, eu faço 4 séries de 20 repetições cada, com a bolinha de 3kg. Mas não a encontramos na academia. Então usei a bola de 1kg e fiz 4 séries de 60 repetições.

Comece devagar, com uma bola sem peso,  e vá aumentando a intensidade e o número de reps, de acordo com sua evolução!

Para abrir o vídeo, basta copiar o link e colar no navegador, já que eu ainda não aprendi a colocar o vídeo aqui!!rsrs

http://youtu.be/AEzi2c67eQ4

 

 

 

28
jul

0

Aeróbio antes ou após a Musculação? Por quê?

“Antes de adentrar na leitura abaixo quero destacar que outras direções de treinamento existem sobre o assunto”

spinning

No trabalho de Kang e colaboradores (Kang and Ratamess 2014), os autores pontuam que essa sequência pode inferir sobre a fadiga residual causada pelo treinamento prévio ao outro. A priori, a sessão realizada antes será a priorizada e isso depende dos objetivos do programa. O treinador pode escolhe qual vai priorizar, todavia alguns estudos tem indicado que cada sequência tem suas únicas vantagens que devem ser consideradas.

Antes de discutirmos, gostaríamos apenas de ressaltar apenas um detalhe muito importante. Sua pergunta foi sobre o treino aeróbio, certo? Todavia, na literatura o termo mais coerente seria treino de resistência. Esse predomínio metabólico do exercício (aeróbio ou anaeróbio) é determinado pela intensidade com que o exercício é feito (Lourenço, Tessuti et al. 2007). Aqui para nossa discussão vamos sim utilizar o termo treino aeróbio, mas isso fica implícito que estamos nos referindo a um exercício de baixa intensidade, tudo bem?

esteira

Fazer o aeróbio ANTES da musculação

Realizar o treino aeróbio antes da musculação pode servir como um bom aquecimento, melhorar seu desempenho nas atividades de resistência, mas pode comprometer seu rendimento no treino subsequente de musculação atenuando sua produção d força. A fadiga residual também pode comprometer a liberação do hormônio do crescimento (Goto, Higashiyama et al. 2005), prejudicando de forma aguda a resposta hipertrófica. Segundo os autores a redução no desempenho ocorre pelo fato de exercitar previamente os mesmos grupos musculares a serem usados na musculação. Todavia quando o exercício aeróbio for predominantemente para membro inferiores (corrida ou ciclismo), o desempenho em exercícios para membros superiores não é comprometido.

escadas na academia

Fazer o aeróbio APÓS a musculação

Fazer a musculação antes favorece os ganhos de força e potência muscular. O aeróbio após a musculação pode aumentar a oxidação de gorduras, sugerindo que essa sequência possa ser mais metabolicamente benéfica (Goto, Ishii et al. 2007). Todavia, um estudo recente apresentou uma informação muito importante para essa discussão. Esse comportamento benéfico quanto a maior oxidação de gorduras só foi observado quando a musculação também foi realizada em alta intensidade (Kang, Rashti et al. 2009), ou seja, preocupar-se somente com o treino aeróbio parece não ser o suficiente para redução da gordura corporal. Caso o treino de musculação não tenha uma intensidade adequada, essa vantagem metabólica não ocorrerá.

natação

O treino de resistência pode prejudicar o de musculação?

Algumas pesquisas apontam que a execução de treinos de resistência em conjunto com a musculação pode trazer interferências adaptativas. Esse fenômeno é denominado de treinamento concorrente (Hickson 1980). Todavia as evidências mais recentes não apontam para essa interferência caso o treinamento de resistência seja realizado com baixa intensidade e volume (Hakkinen, Alen et al. 2003). Muito pelo contrário, a execução da musculação com treinos de resistência de baixa intensidade potencializa sim o processo de emagrecimento sem prejudicar o ganho de massa muscular. O que é reportado na literatura é que a partir do momento que os treinos de resistência passam a ficar mais intensos e volumosos essa interferência pode se manifestar (Wilson, Marin et al. 2012)

musculação

Resumindo…

A resposta mais direta seria: para uma pessoa que quer emagrecer, realize o treino aeróbio sempre após a musculação, mas lembre-se de realizar a musculação sempre com alta intensidade, pois caso contrário a redução de gordura não será significativa, tudo bem?

Espero ter respondido e justificado a resposta!

 

Complementando um pouco mais a resposta…

Não podemos também deixar de ressaltar alguns pontos chave nessa questão levantada.

São eles:

1.O processo de emagrecimento não pode ser unicamente creditado a configuração de uma sessão de treino

A pergunta foi feita sobre a configuração de apenas uma sessão, mas sabemos que isso não é o suficiente. A redução na quantidade de gordura é uma adaptação morfológica ao treinamento que pode ser alcançada tanto através da execução tanto de treinos de força (musculação) como treinos de resistência na esteira, bicicleta, natação, ciclismo, etc. A musculação aumenta a massa muscular e portanto seu metabolismo basal. O treino de resistência aumenta diretamente a taxa de oxidação de ácidos graxos. Dessa forma ambos contribuem para o processo através de diferentes mecanismos.

2. Treinos de resistência predominantemente aeróbios não são os mais eficazes para o emagrecimento

A literatura mais atual destaca que os treinos intervalados de alta intensidade (com grande contribuição anaeróbia) são sim muito eficazes para o emagrecimento, se não melhores, que os predominantemente aeróbios. Exemplos de treinamentos intervalados são os estímulos de curta duração e alta intensidade, intercalados por períodos de pausa. Já os predominantemente aeróbios são os de baixa intensidade e longa duração como por exemplo uma caminhada.

3.Podemos emagrecer sem reduzir o peso (o correto seria massa) na balança

Nosso corpo pode ser dividido em 2 compartimentos. Temos a chamada massa de gordura e a massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea e demais tecidos). A soma destes é o que chamamos massa corporal total. O verdadeiro conceito de emagrecimento refere-se a redução na taxa de gordura corporal, mas sem necessariamente uma redução na massa corporal total. Dessa forma, podemos emagrecer reduzindo nossa massa de gordura e aumentando a massa livre de gordura, sem alterar nossa massa corporal total.

Espero ter ajudado um pouco com este esboço de artigo.

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

 

 

22
jul

0

Água e nosso treino

Gente, domingo cheguei feliz e contente na academia pra nadar e…esqueci minha garrafinha de água! Parece bobeira, mas na hora eu pensei “F *#@#”. Realmente, foi o que aconteceu! Juntou meu cansaço com a falta de água no treino e eu nadei mal. Cheguei em casa toda feliz e contente e comecei a beber água como se não houvesse amanhã! Parecia que eu tinha chegado de uma semana no Saara. Juro, tomei um porre de água e foi assim o resto do dia.

sem-agua

Comecei a lembrar de quando eu fazia meus longos de corrida e levava camelback (juro pra vocês que eu bebia 1,5l em 20km de treino, nesse sol de Ribeirão Preto) e via aquelas pessoas correndo sem água. Como não caíam duras e esturricadas no meio do asfalto? Não sei!

Por que eu pensava isso? O que acontece no nosso corpo quando falta água durante o treino?

– menor disposição;
– câimbras musculares;
– perda de coordenação;
– distúrbios intestinais;
– diminuição da performance (Sistema Cardiovascular fica prejudicado por diminuição do débito cardíaco);
– falta de regulação térmica (o corpo sem a água não consegue dissipar o calor do corpo).

Este fator chega a ser tão importante que, o corpo pode começar a apresentar uma queda de 20% em seu rendimento caso, por exemplo, a temperatura corpórea suba 1ºC.

Comecei a pesquisar sobre o assunto e vejam que interessante o que eu encontrei:

A desidratação resultante da falta da reposição adequada de líquidos durante o exercício, pode causar o comprometimento da dissipação do calor, podendo aumentar a temperatura corporal basal e exigir um esforço adicional do sistema cardiovascular (Montain & Coyle, 1992; Nadel et al., 1979), diminuindo o rendimento do atleta. Assim, indiretamente, pode afirmar-se que uma má hidratação concorre para um menor gasto energético durante o treino por fadiga precoce.

Durante o exercício físico que se prolonga por mais de uma hora a desidratação oscila também conforme o peso do atleta. Esta perda é variável entre 2% e 6% e basta perder 1% para que o atleta reduza o seu rendimento e ponha em tensão o seu sistema cardiovascular e a sua regulação térmica.

 

Trocando em miúdos, nosso rendimento cai porque, toda a energia que o corpo gastaria na atividade física, ele passa a usar para que as células mais importantes não desidratem. A questão da fadiga precoce, causada pela desidratação foi, inclusive, comprovada por pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, em estudos publicados em 2012. Além disso, se você quer emagrecer, você PRECISA beber água durante o exercício.

Ah, mas e o pessoal que quer ganhar massa muscular?

Todo o trabalho com pesos requer níveis de hidratação bastante elevados, pois o treino de um culturista é relativamente curto e muito intenso. Por não se hidratarem o suficiente, os atletas por vezes, além da desidratação, também tem desequilíbrios de electrólitos o que pode ser problemático em treinos superiores a uma hora.

 

“Quando nos exercitamos, existe uma boa demanda dos músculos por substâncias como glicose e oxigênio. E a água ajuda a transportá-los”, explica o fisiologista Orlando Laitano. Com pouca H2O disponível, esses materiais têm dificuldade para chegar ao seu destino – e, assim, falta energia para as pernas se movimentarem.

Essa desidratação local afeta a vinda de nutrientes essenciais à construção das fibras musculares, a exemplo da proteína. Aliás, até essas estruturas também são compostas de água. Privar-se dela, portanto, é ficar sem matéria-prima para formar mais fibras. Outro motivo para a recuperação ficar lenta quando o tanque está vazio.

O músculo depende de determinados sais minerais e – adivinhe! – água para realizar toda e qualquer contração. “A precisão e a suavidade do movimento diminuem significativamente se o indivíduo não bebe o suficiente. Isso, por si só, já aumenta a probabilidade de uma lesão”, alerta o médico do esporte Jomar Souza.

Galera, além de toda a importância da água para o organismo, que já estamos carecas de saber ( bom funcionamento do organismo, preservação das funções fisiológicas, transporte de nutrientes, regulação da temperatura corporal.), se há mudança no desempenho do seu treino, não esqueça sua garrafa de água em casa! Pense em sua saúde, acima de tudo!

15
jul

6

Crepioca – Por que e como

Nesse domingo, na academia (sim, fui treinar no domingo! Chega da moleza durante a Copa!rs), estava conversando com um amigo que me perguntou por que eu como crepioca e como fazer.

Então, resolvi postar algo sobre. Mesmo esse assunto sendo meio “velho”, ainda tem gente que nem ouviu falar da nossa nova amada! Lembrando que não sou nutricionista. Tudo o que está escrito aqui, eu li, pesquisei e testei na cozinha pra ver se ficava bom.

A crepioca é um crepe de tapioca. Essa, por sua vez,  prato típico do meu amado Nordeste brasileiro, é uma fonte de carboidrato, que não possui glúten, gorduras e tem baixos teores de sódio.  Assim como a tapioca, é fonte de vitamina B1, B6, B9, ferro e cálcio. É possível incrementar o prato com algumas fibras e também aumentar os valores proteicos dessa delícia. Com tantos benefícios, virou aliada de quem treina e se preocupa com alimentação balanceada.

Ela também tem sido muito usada pelos celíacos, bem como encarada como opção mais saudável ao pão francês. Vejam que interessante isso aqui que eu encontrei nas minhas pesquisas:

“A tapioca e o famoso pão francês são saborosos. Mas a tapioca é feita apenas de mandioca e água. E o pão francês leva sal em sua composição. Hipertensos devem atentar para o consumo de sódio e, assim, a tapioca torna-se a melhor opção. O pão tem açúcar e gordura hidrogenada em sua massa, o que é um perigo para quem faz dieta ou regime. Outro ingrediente presente no pão francês, e que não se encontra na tapioca é o glúten, encontrado na farinha de trigo. Alérgicos à substância (celíacos), podem consumir a tapioca sem medo. Por fim, uma tapioca fina possui em torno de 80 kcal e um pão francês tem 140 kcal.” (revista VivaSaúde)

 

A única chatice de quem não vive no Nordeste, é pagar caro pela goma de tapioca. Eu paguei 9 dilmas por um pacote de 500g na Mundo Verde, aqui perto de casa. Mas comprei 1kg da goma de tapioca por 5 realezas, tanto em Fortaleza como em Natal (no shopping!!)! Ou seja: mundo injusto (além de pagar barato lá, não passo frio, nem sinto dor. Pensando em mudar pro Nordeste em 3,2,1…rs)

Agora, como fazer? Mais simples que fazer aquela meleca de miojo! Bata com o garfo:

-1 ovo

-2 colheres da goma de tapioca

*Eu gosto de misturar um pouco de linhaça nisso. Em sementes ou farinha. Tanto faz.

Fim! Olha que difícil! Agora o passo a passo pra quem guarda sapatos no forno: Eu unto a frigideira com uma medida quase invisível de óleo de coco. Jogo tudo lá. Deixo dourar de um lado, depois viro.

Se seu recheio for salgado, coloque uma pitadinha de sal nessa massa, antes de levar ao fogo. Você pode rechear com peito de peru e queijo branco, queijo e tomate com manjericão, matar a vontade de pizza com presunto, queijo e orégano, ou frango desfiado com requeijão light. Pro recheio doce eu costumo usar pasta de amendoim. Às vezes também coloco banana. Nada de gordices, como doce de leite, brigadeiro, frango frito, esses trem tudo. Senão a função de comida saudável se perde.

Pra montagens

13
jul

0

Ta tendo Copa – Parte 2. Ops!! Acabou!!

Voltei pra casa!  Não vi a final no estádio. Torci e vibrei pela Alemanha (e pelos alemães gatos – meu deuso do céuso) de casa mesmo.

Além dos jogos já relatados, tive a oportunidade de assistir a mais dois. Conforme prometido, aqui vão minhas impressões sobre eles, torcida, estádios, acessibilidade, etc.

1 – Brasil x Colômbia em Fortaleza. Estádio Castelão.

fortaleza3

Gente, nunca vi uma torcida tão animada antes do jogo. Claro que não podemos atribuir apenas aos cearenses toda a empolgação, pois tivemos ali gente do país inteiro. Mas, eles tinham animadores no bar da Budweiser, bateria de escola de samba, cantor famoso dando palhinha (Solange, do Aviões do Forró – que eu adoro).

fortaleza

Pra quem viu no instagram, aconteceu algo inédito comigo. Todo mundo sabe que não me contento em ficar lá no fundão, vendo bundas e pernas das pessoas, enquanto a festa rola. Eu gosto de estar lá no meio do trem que tá pegando fogo, perto da música. Então, eu fui pedindo licença, e pedindo licença. E fui parar lá do lado do pessoal que estava tocando instrumentos de samba. 5 minutos depois, o Thiago, que tocava do meu lado, jogou no meu colo um chocalho. Eu olhei pra ele e disse que não sabia tocar. E ele disse “sabe sim! Tá batucando aí na perna faz um tempão.” E eu toquei! Toquei por  1hora e meia. Às vezes com orientação dele, sobre a velocidade dos movimentos do chocalho. Mas foi massa demais! E eu toquei pra Solange, do Aviões, cantar! Ah, eu me deliciei.

Dentro do estádio, foi uma farra. Não saiu a Ola de jeito nenhum. E a música que todo mundo recebeu por facebook e whatsapp, que todo mundo ensaio lá na Budweiser, não emplacou durante o jogo.

O jogo foi bom, sFortaleza4uper animado! Eu consegui filmar o gol do David Luiz. Meus amigos ficaram enlouquecidos. Além do mais, havia um pessoal muito engraçado atrás de nós, que falava gírias cearenses o jogo todo e foi risada garantida. É interessante como cada região tem sua forma de xingar o juíz, reclamar dos jogadores e comemorar.

 

Os banheiros do estádio eram bons, apesar de os banheiros de deficientes não serem respeitados, por ficarem junto aos banheiros “comuns”. Achei a acessibilidade boa, os elevadores bem localizados e as rampas de acesso aos portões são bem tranquilas de serem utilizadas.

Quanto ao espaço, no estádio, entre o local pra cadeira de rodas e a circulação do público. Bem, esse ficou invisível, igualzinho em Natal. Lotado de gente em pé atrás de nós. Ir ao banheiro durante o jogo era missão impossível.

A comida era a de sempre. Cachorro quente sem molho, pipoca cara, chocolate caro, tudo padrão Fifa.

A saída do estádio eu também achei tranquila. Os voluntários tem boa vontade, mas como eu já havia notado nos outros jogos em outros estádios, eles não recebem treinamento pra lidar com a cadeira de rodas. Eles oferecem ajuda, querem nos empurrar. Mas se você passar por um degrauzinho, um desnível no chão e não estiver atento, corre o risco de ir de cara pro asfalto.

fortaleza2

Levantei, sim, pra tirar foto em pé e só! E ninguém me questionou por isso. Eba!

2 – Brasil e Alemanha em Belo Horizonte. Estádio Mineirão.

bh

Então… 7×1. Posso falar palavrão no meu próprio blog? É…eu não sou comentarista de futebol e pra criticar o Fred Cone, o Hulk que nesse dia não fez nada, o Julio Cesar que de pegador passou a frangueiro, eu ficaria aqui horas, correndo o risco de falar asneira.

O que aconteceu é que eu piscava e era gol. Piscava, outro gol! No quarto gol, falei pro meu acompanhante, Alexandre, que eu ia ao banheiro. Estávamos com 24min do primeiro tempo. To lá (jajá eu falo das condições do banheiro) e chega um zapzap da Fer, indignada, falando um palavrão (será que tem criança que lê meu blog ou eu posso falar os palavrões?). E eu respondo (outro palavrão e) “Não acredito, 4 gols em 25minutos”.  E eu recebo a resposta dela “onde você está?” “no banheiro”. “ah, porque a Alemanha já fez mais um gol. tá 5×0”.

E pra dizer bem a verdade, apesar de toda a tristeza de ver a Seleção fora da final e perder daquele jeito, eu estava lá pra ver o maior massacre da história das Copas do Mundo, ao vivo, à cores e à lagrimas derramadas do povo em volta de mim. Vi tudo de bem perto (estava pertinho do gramado, atrás do povo chic que pagou várias mil dilmas pra estar ali). Deu dó das crianças.

Gente, e esse povo que paga várias mil dilmas, brigou muito na minha frente. Teve cerveja voando na cara de um, cerveja voando na cara do outro, gritaria, um monte de polícia. E eu soube que foi assim no estádio inteiro. Isso porque é só um jogo de futebol. Será que se o Brasil perder medalha de ouro nas Olimpíadas o povo também vai se estapear?

A animação pré e durante o jogo não era mineira, nem brasileira. Que desânimo! Não tinha cantoria, não tinha batuque. O bar da Budweiser estava silencioso e deserto. Só aquela musiquinha de fundo. Era de assustar! Era o prelúdio da derrocada.

Comida: tinha o tropeiro do Mineirão. Mas quando eu cheguei, já não tinha mais! O resto, eram as comidas de sempre, com aparência e preço padrão Fifa!

As rampas de acesso entre os portões (do lado de fora) são bem-feitas. Mas imeeeensas. Tipo Everest mesmo. Mas um Everest de uma escalada só. Se seu acompanhante não te ajudar, você consegue, mas aí, o jogo já começou e já acabou. As rampas de dentro dos portões para o nosso lugar são exatamente as de Natal (veja o post anterior) ao contrário. Você desce lindamente para o seu lugar, com toda a liberdade que as rodas nos permitem. Cuidado nas curvas pra não bater a boca no corrimão. Mas na volta, meu amigo…graças a Deus temos acompanhante! Everest por etapas. Assim, eu até subiria. Demoraria anos luz, mas não sou franga e subiria. Porém, no pós-jogo, a galera cheia de cerveja na cabeça não tem muita paciência (com exceções) de nos esperar subir. Assim, os acompanhantes são importantes e essenciais. Principalmente para nos sermos atropelados pelos sem-roda.

Banheiros. E aí? Querem rir? Então…na primeira vez que fui ao banheiro (entre o quarto e quinto gols da Alemanha, feitos na velocidade da luz), o banheiro não tinha trinco na porta. E ele fica bem na vista de quem passa no corredor. Tive a sorte de ter uma moça gracinha que ficou vigiando a porta pra mim. Senão…Na segunda vez que eu fui (porque o jogo não era imperdível  e eu bebi um monte de água), já não tinha nem maçaneta pro lado de dentro. Aí, não dava. Já pensou se eu fico trancada pro lado de dentro e perco mais dois gols? Eu tive que trocar de banheiro e usar o regular. O detalhe é o seguinte: e as meninas que não conseguem usar esse banheiro? Fariam (ou fizeram) como?

BH3E não teve jeito. Aplaudimos a Alemanha em BH. E chegamos a gritar Olé. E dessa vez meu lugar era perfeito, bem pertinho do gramado. Eu vi tudo de perto, querendo estar lá no infinito e além pra não ver os detalhes. Mas, o plano A não era essa barra de chocolate toda, com recheio trufado. Se bem que, meus vídeos ficaram ótimos (ainda mais porque eu aprendi a usar o zoom do celular enquanto filmo!).

Eu fiquei em BH2pé pra tirar foto de novo (com amigos e com famosos) e ninguém me questionou por isso. A moça que tomava conta, na porta do camarote, deu uma olhadinha. Mas ela me viu ajeitando a perna esquerda várias vezes. Depois ela até me ajudou.

Bom,  perdemos feio, historicamente feio. E eu voltei pra casa. Não tive oportunidade de ir ao Itaquerão, nem ao Maracanã, infelizmente. Por hora, fico devendo minhas impressões sobre ambos.

Teve gente que me criticou muito por sair por aí viajando sozinha, indo aos jogos. Apuros nos aeroportos, cadeirante sempre passa, com Copa ou sem Copa. Isso porque os atendentes não sabem nos atender (com o perdão do trocadilho). Eu aproveite cada minuto, e vivi um momento que, a não ser por um milagre, eu tenha oportunidade de viver novamente: uma Copa do Mundo assim, de pertinho.

 

Como disse um amigo, ficam os aprendizados: Não vaiar o hino do adversário. Porque perdeu, não quebrar, não brigar, não gritar, não chorar. Isso é apenas futebol, é só diversão. Fazer copa é mole, mas com educação, estrutura boa, qualidade nos serviços, é bem mais difícil.

Conforme publiquei essa semana no Instagram, aí vai meu saldo da Copa: : 4 jogos. 4 estados. 4 viagens. 4kg a mais!! Agora tenho mais 4 famílias! Revi minha familia de BSB. Ganhei uma familia em Natal, outra em Fortaleza e outra em BH. Cada uma com seus costumes, seus sotaques, sua cultura, sua culinária. Revi amigos. Matei saudades. Conheci muita gente interessante. Fiz muitos amigos! Conheci muuuitos estrangeiros (uns viraram amigos), aprendi com suas culturas. Recebi muito amor e carinho. Passeei demais! Conheci lugares novos.Pratiquei meu ingles. Desenferrujei o espanhol. Aprendi palavras em Italiano e alemão. Vi o q ja conheço e defendo sobre o esporte, a amizade, o respeito, o amor, a alegria que só o esporte proporciona. Vivi uma Copa do mundo de perto, com sua riqueza e diversidade culturais. Vivi situaçoes e alegrias inesquecíveis. Coisas que dinheiro nenhum no mundo paga. E que tempo algum vai me fazer esquecer! O Brasil perdeu, mas quem ganhou fui eu!!

copa5

 

 

 

 

 

 

Page 8 of 13