03
nov

0

Entenda a Campanha #VemComADani

IMG-20141207-WA0005

 

Gente, estamos na reta final da Campanha e tenho recebido muitas perguntas sobre ela. Esse post é uma forma de explicar tudim e deixar tudo transparente pra todos vocês, que tem me ajudado com tanto carinho!

Por que eu preciso de uma handbike nova

A minha handbike é de ferro. Ela pesa 3x mais do que a hand de alumínio, usada pelas outras atletas. Além disso,  ela não atende às especificações da UCI (Federação Internacional) pra grandes provas internacionais. Com a minha handbike atual, não posso participar de provas internacionais oficiais, nem de paraciclismo, nem de paratriathlon.

Recompensas

As recompensas são uma forma de agradecer a cada um pela ajuda!

O site que hospeda a campanha exige que a gente dê nome a cada uma das recompensas. E eu daria nome de que? De provas de corrida, claro! Lembrando que as recompensas são cumulativas. Então, a última recompensa (A corrida mais longa, a ajuda de valor mais alto) recebe todas as recompensas dos valores acima!! Quanto mais você doar, mais recompensas ganha.

A Corrida da Caixa foi minha primeira prova da vida, em 2009. Não dava pra começar a dar nomes às recompensas, e deixá-la de fora! Aqui, a recompensa é  o seu  nome na lista que publicarei aqui no blog, ao final da campanha.

Meia Maratona do Rio – foi a minha primeira Meia, em 2010! Escolhi o nome da prova pra segunda recompensa. E essa é um cartão que escreverei a mão, pra cada pessoa que escolher contribuir aqui.

Revezamento Bertioga-Maresias foi minha última prova em pé! Uma prova muito especial e inesquecível! A recompensa aqui, além das acima, é um moleskine personalizado, pra você anotar todos os seus gastos com provas e ver se dá pra fazer mais uma inscrição!rsrs

A Golden Four é uma prova especial, pois eu esperei pra corrê-la por 3 anos (quem me acompanha sabe de toda a história) e aqui, além das recompensas acima, vem uma camiseta de corrida 🙂

A Maratona de NY é um sonho pra todo corredor, inclusive pra mim! Era pra ter feito esse ano, mas com a minha handbike atual, e com o dólar nas alturas, não deu. Se você escolher colaborar na recompensa desse nome, vc ganhará um mês de planilha personalizada da Fun Sports. Se você já corre, uma ótima oportunidade de melhor seu desempenho com a ajuda dos meus treinadores. E se você não corre, nem caminha, e ta morando na preguiça, taí sua chance de sair do sofá e começar uma atividade física orientada por profissionais. É só contribuir no valor dessa recompensa!

O Circuito do Sol é uma das recompensas mais legais, porque aqui você vai mesmo ganhar uma inscrição de corrida! Além de ganhar a camiseta e a planilha personalizada da Fun Sports (e todas as demais recompensas acima), você ainda poderá escolher uma das etapas do Circuito do Sol em 2016! Organizada pela O2, essa prova acontece em 4 cidades diferentes, então você pode escolher a que fica mais perto de você ou a que você quer conhecer. E se você for empresário, pode sortear a inscrição entre seus funcionários e incentivar o esporte e a qualidade de vida dentro da sa empresa!

A recompensa Maratona de Boston  leva esse nome por ser tão especial pra todos os corredores. Afinal, todo mundo quer índice pra estar lá! E se você contribuir no valor dessa recompensa, além de todas as acima, eu ainda irei até você, pra dar a palestra Por Uma Vida Saudável Sobre Rodas, na sua empresa ou na instituição que você escolher. Adequada a todo tipo de público, eu falo o que eu aprendi nesses 3 anos de cadeira e como isso pode ajudar você na vida pessoal e profissional. Além disso, falo como a corrida salvou minha vida 3 vezes e como a atividade física influencia nossa vida em todos os campos. Deve ser uma palestra boa, porque quem assiste bate palma no final rsrsrs

Comrades.  A recompensa leva esse nome pois é uma ultramaratona, uma prova desafiadora e recompensadora. O valor da doação condiz com isso, pois a recompensa é eu estampar o nome da sua empresa na handbike nova e leva-la comigo pra onde eu for, mostrando que você, empresário, apoia o paradesporto e uma atleta que se esforçará pra levar sua marca pro degrau mais alto do pódio!

W21K Asics

Valores

A Campanha toda está no valor de 35mil reais. A que se destina?

A handbike de alumínio que será comprada, é da marca Top End, modelo Force RX. Ela é americana e custa 5,5 mil dólares. Então, transformamos esse valor em reais. Além disso, ainda terei que arcar com as taxas de importação, que infelizmente não são baixas.

Ainda, o site Kickante cobra a porcentagem deles pra hospedar a campanha. Atingindo ou ultrapassando o valor de 35mil reais, o Kickante cobra 12% do valor.

Caso eu nao atinja os 35mil até o fim do prazo, eles cobram 17% do valor, pra eu retirar o que foi arrecadado.

Ou seja, o melhor negócio é bater ou ultrapassar a meta, pra que paguemos uma taxa menor pra eles!

Se sobrar dinheiro

Me perguntaram: “Dani, e se conseguirmos ultrapassar os 35mil? O que você vai fazer com o resto do dinheiro que sobrar?”

Bom gente, como vocês sabem, meu esporte é o triathlon! Usamos a handbike pro ciclismo e a cadeira de atletismo na corrida. E eu não tenho cadeira de atletismo! Eu uso uma emprestada, da equipe de Taubaté, que é de ferro e eu só posso pegar em dias de prova. Ou seja, eu não treino a corrida!

Se sobrar dinheiro, eu vou guardar pra comprar essa cadeira! Também será de alumínio, da marca Top End, a mesma marca da handbike. O valor da cadeira é 3,5mil dólares.

O que você vai fazer com a handbike que tem hoje?”

Essa foi outra pergunta que eu ouvi. Perguntaram “por que você não vende e coloca o dinheiro na campanha?”

Pelo simples fato de que eu ganhei a minha handbike atual! Ela vale 2mil reais. O combinado era eu devolver pra quem me deu, assim que eu conseguisse uma hand melhor. Assim, eles poderiam dar pra outra pessoa.

Porém, conversando com eles, decidimos fazer o seguinte:

Pernas

Todos sabem que eu sou madrinha do Projeto Pernas de Aluguel. São corredores voluntários que empurram crianças deficientes nas provas de corrida. Eu vou doar a handbike pro Pernas! Assim, eles poderão rifar. Com o dinheiro da rifa, poderão comprar mais triciclos, pra levar mais crianças pras provas. E assim, um cadeirante que não tenha condições de comprar uma handbike igual à que eu tenho hoje, poderá ganhá-la na rifa, tendo pago muito menos, ou ainda ganhando de algum amigo que comprou a rifa pra ajudar.

Me ajudando a ter a minha handbike nova, você poderá ajudar muito mais gente!

Já pensou nisso?

Quer colaborar? Clica aqui!

http://www.kickante.com.br/campanhas/vem-com-dani-0

E se você ainda não assistiu o vídeo da campanha, é só clicar lá no kickante mesmo, ou assistir por aqui  🙂

 

01
set

2

Finalmente triatleta!

Essa história começa há alguns anos. Pra ser mais exata, há 3 anos atrás! Pois é, antes do acidente eu já estava treinado pro triathlon. Eu nadei a vida toda. E quando comecei a correr, tinha parado de nadar há poucos meses. Nos últimos treinos de corrida, alguns amigos conseguiam bikes emprestadas pra eu poder treinar depois de correr. E a prova dos sonhos (uma das, porque eu sonho e não tenho miséria com isso) estava se aproximando… Mas eu sofri o acidente um mês antes, e o sonho foi por água abaixo.

Quando eu estava com 6 meses de acidente, já tinha voltado do Sarah e tudo, reunimos alguns amigos e, um deles, o mega triatleta Rafael Falsarella, sentou do meu lado e disse uma única frase que impregnou na minha mente até hoje.

Mais um ano se passou e, já nadando bastante, eu ganhei a handbike dos meus amigos de corrida. E pensei “o sonho não morreu!”. Já em contato com a equipe de Paratriathlon, no ano passado descobri que seria um pouco mais difícil do que eu imaginava, pois não tenho a cadeira de atletismo, necessária para a etapa de corrida. Desanimar? Jamais! Continuei treinando, né?!

Quando o paraciclismo entrou na minha, e eu fui pra equipe de Taubaté, sentei na cadeira de atletismo pela primeira vez na vida (o post da saga da Dani Horácio ta aqui http://daninobile.com.br/123-testando-cadeira-de-atletismo/ ). Aíííí, olha eu sonhando com o triathlon de novo!

Mas, como a minha paciência ta sendo testada, aprimorada, lapidada eeeee trollada depois da cadeira, a primeira prova de 2015 caiu no mesmo dia da Copa Brasil de Paraciclismo. E eu…não pude ir!! Como eu sempre digo, “tem pobrema, não”. Na hora, eu fiquei chateada, mas não era pra ser! Eu não ia dar conta dessa cadeira do mal no fim de um triathlon.20150823_072101

 

Mas, como quem espera sempre alcança, chegou o grande dia! Aaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeee!!!!!!! Eu treinei por meses e meses pra nadar e pedalar no mesmo dia, e alguns dias ainda ia no parque tocar a cadeira. Mas nunca era um treino de transição, eram atividades separadas, com descanso, banho, comida (muita! a monstra aqui é boa de boca) no meio. Mas, eu fui com a cara e com a coragem. E começou a saga de “como buscar a cadeira de atletismo em Taubaté e ir, de busão, pra Caraguatatuba, com cadeira de rodas, cadeira de atletismo, handbike e mala..sozinha! Todo mundo sabe que eu sou meio doida e eu resolvi até que ia fazer duas viagens. Mas resolvi pedir ajuda no nosso grupo (santo whatsapp). A galera não mediu esforços e, graças aos contatos do nosso técnico, um triatleta top (que inclusive foi campeão geral da prova), o Guilherme Gil, se prontificou a levar a cadeira pra mim lá pra Caraguá. Graças a Deus e a ele, eu tinha 3 rodas a menos pra carregar!

20150823_073017

Booooooom, chega de enrolar! Vamos pra prova!

Parte 1 – natação: Que gelo aquele marzão! Mas eu estava tão nervosa que 5minutos depois nem lembrava mais. O pessoal do staff leva a gente em cadeiras anfíbias até metade do caminho pra largada. Depois já vamos nadando e ficamos lá esperando. Claaaro que eu sobrei sem cadeira, então um moço me carregou no colo (que chato). Assim que ele me colocou na água (fingindo que eu era levinha), o Tiago, paratleta de Caragua, ja me deu a mão e foi me carregando. Começaram a vir as primeiras ondas e eu lembrei que já estava de óculos (uso lente de pessoa mega míope) e enfiei a cabeça na água. Mew, que medo de só enxergar tudo marrom! Já faz mais de um ano da travessia que eu fiz. Eu sabia, mas nada como enfiar a cabeça na água e ter certeza que você vai enxergar só a sua mão ou nem isso. Vontade de fazer xixi e péééééé….deram a largada.  Deixei a galera top das galáxias ir na frente. Eu faria com calma.

Nadei meio metro e o óculos já embaçou. Eu nem conseguia ver a primeira bóia. Decidi grudar no caiaque, dar aquela lambida básica no óculos e vambora. Ainda perguntei pro moço do caiaque “eu sou a última?” (eu tinha certeza do “sim”) e, pra minha surpresa, ele disse “vocês dois”. Quem me conhece, sabe o que passou na minha cabeça nessa hora. E eu comecei a nadar enlouquecidamente. Mas só até colocar a cabeça pra fora pra respirar e toda a água do oceano Atlântico me entrar guela abaixo. Pára, né! Nada direito, mulher!  Apesar de o mar estar sujo e mexido, era mais raso do que esperava! Então, toda hora que eu perdia a  bóia de vista, era só me erguer ereta que eu não morria afogada. Na verdade, apesar de estarmos uns 500m mar adentro, dava pé!

Nessas horas, já tinham soltado mais uma bateria de atletas. O mar ficou lotado, mas quando fui da segunda pra terceira bóia, ficamos eu e mais duas pessoas. Essa parte foi a mais difícil, porque tínhamos que nadar na diagonal e a correnteza me levava pro outro lado. Mas eu estava tão feliz de estar conseguindo e só ter bebido água uma vez, que eu não sentia nenhum cansaço. Foi tão maravilhoso. E quando eu avistei a chegada da natação, só conseguia pensar “jura mesmo que eu estou aqui, na minha primeira e tão sonhada prova de triathlon?” . E foi com esse pensamento que eu saí  da água, sorrindo e feliz. E eu não fui a última a sair, como eu achava que aconteceria. Na verdade, já deixei minha casa com esse pensamento, pra não me frustrar. Mas fui surpreendida por mim mesma.

IMG-20150824-WA0029

Transição 1: Como era a primeira prova e eu não estava desesperada, demorei. Eu quis colocar tênis. Ainda bem, pois salvou meu pé na parte da bike. E quis prender bem o cabelo, pra não pegar na roda da hand e eu ficar careca na prova. Nisso, todos os meninos saíram da transição da bike. Como eu não tinha handler, apareceu um árbitro pra colocar meu pé no suporte da bike. Mas logo o Rodrigo (técnico de Caragua, que me ajudou muito na prova) veio correndo pra ajudar também. Partiu!

Parte 2 – ciclismo.Eu pensava em fazer os 20km em 1h. A primeira volta não foi fácil, confesso. Eu achei que essa seria a parte mais fácil, porque eu to mais acostumada. Como diria Chaves: ” que burra! Dá zero pra ela”.
Eram 3 voltas. Na primeira, minha perna esquerda deu muito trabalho! Batia no parafuso (igual a Golden Four). Eu não queria ficar roxa de novo, tentava arrumar e ela caía pro lado, pra fora. A faixa da perna chegou a sair 2 vezes.  Eu passei boa parte do tempo pedalando mal, tentando arrumar essa teimosa.

IMG-20150824-WA0005

A segunda volta foi bem melhor que a primeira. Nessa hora, alguns dos meninos cadeirantes  e alguns outros paratletas já estavam na corrida. Fiquei um pouco tensa com meu tempo, mas eu estava ali  pra terminar.

Nessa volta, também já havia algumas bikes convencionais na pista. Eu tentava ficar bem no cantinho pra não atrapalhar o pessoal que buscava pódios no geral. Como a segunda volta foi melhor, achei que a terceira seria molezinha.  Mas, como diz aquele ditado “fui surpreendida novamente”. Na curva do último retorno, não sei porque atá agora, mas eu caí. A curva era pra esquerda e eu caí pra direita, tamanho excesso de coordenação motora que eu tenho! Bati o braço direito no chão, a perna também. A perna esquerda bateu na hand e os pés, se não fossem os tênis, teria raspado no asfalto quente. Veio uma moça pra me levantar e eu ri e falei “calma, moça, sozinha você não consegue me desvirar”  e ri! Veio mais alguém, eles me desviraram, aquele monta de bike passando por mim e ela perguntou “sua perna já estava assim?” Eu olhei e tava tudo sangrando e ralado. Confesso que pensava que minha sensibilidade era melhor. Mas agradeci por não ter sentido dor naquela hora. A moça perguntou “Quer parar e limpar?” Ta doida, é? Ta louca, é? hahahaha  Eu não cantei isso pra ela, mas pensei. Só disse que não, que depois a gente via isso. Eu já tinha perdido tempo demais.

IMG-20150824-WA0007

Tentei terminar essa volta, mas já não estava mais concentrada. Tentava ir mais rápido, por causa do tempo que eu tinha programado. Mas eu fiquei meio mole depois da queda. Fechei o ciclismo 2minutos acima do que eu tinha me programado.

Transição 2: Aqui começou a burrice da criatura= eu. Assim que eu cheguei na transição, o Rodrigo e mais um professor de Caragua estavam lá pra me ajudar a transferir da hand pra cadeira de atletismo. Eu já tinha deixado um gel em cima da cadeira, pra tomar. Mas eu estava tão passada com a queda, que nem água eu beberia (apesar de ter deixado a garrafinha ali) se o Rodrigo não tivesse falado. Pensei em levar a garrafinha pra tomar um gel no percurso, mas ela caiu no chão quando eu fui sair da transição. Nessa hora, a cadeira também não saiu do lugar! O freio ficou preso. Pra minha sorte, o Mais Bonito Fernando Aranha veio, com ferramentas. Ele e o Rodrigo soltaram um pouco o freio e eu falei que iria daquele jeito mesmo. E fui, com freio enganchando, sem água e sem tomar gel.

Parte 3 – Corrida:
Eu sabia que aqui o bicho ia pegar. Mas não imaginei que fosse tanto.
Minha habilidade com essa cadeira é -5. Eu nao consigo respirar direito nessa posição. Eu sabia que já estaria cansada e o sol iria fritar meus miolos.
A primeira volta foi melhor do que eu esperava. Eu conseguia tocar a cadeira, os atletas convencionais e os poucos paratletas que ainda estavam na prova, me gritavam, me animando. As pessoas que assistiam também me gritavam.

IMG-20150824-WA0025

Porém, fui muito mirim e cometi o erro ridículo de não tomar nenhum gel na corrida. Isso quase me custou a prova! Eu pensava “quando tiver água eu tomo”. A água chegava e eu não tinha tempo de colocar o gel na boca, pegar água e tocar a cadeira. Nessas horas eu queria ser um polvo, mas só tinhas duas mãos. E uma já não é aquelas coisas. Eu pegava a água, bebia metade e jogava metade na cabeça. Eu não transpiro, por causa da lesão, e eu estava fervendo.

Nos últimos 500m eu via tudo preto. Fechei o olho e fui tocando a cadeira. Eu chorava e pensava “Eu vou mesmo terminar minha prova de triathlon?” “Meu sonho está tão perto. Eu vou mesmo conseguir”. Eu estava muito emocionada e isso não deve ter ajudado. Faltando 100m, e depois de novo nos 50m, eu quase desmaiei! Mas eu só pensava: “eu desmaio depois da linha de chegada! Eu vou terminar esse negócio!” Aquelas duas curvas, pelo amor de Deus! Nessa altura, o Hilton já estava do meu lado, ciente do meu estado, me animando. Quando eu avistei a linha de chegada, bem ali na minha frente, eu comecei a chorar de novo e tirei forças sabe deus de onde, pra tocar a cadeira com toda a força que eu ainda tinha e cruzar a linha de chegada!

11949267_1095625913798012_381936412098961205_n

Sim, eu consegui! Realizei meu sonho! Não no tempo que eu gostaria, mas eu fiz! E ao cruzar a linha de chegada, eu senti a mesma coisa do dia que terminei a minha primeira prova de corrida: Eu quero fazer isso pro resto da minha vida!! Posso ter passado mal, por burrice minha, cansei, quase desmaiei, mas só  conseguia pensar o que penso agora: quando é a próxima?

Depois de cruzar a linha de chegada, o Hilton já me levou direto pra tenda, onde eu quase desmaiei de verdade. Já bebi um monte de água gelada, jogaram água na minha cabeça, tomei os 2 sachês de gel que estavam no bolso, colocaram gelo na minha nuca e nos pulsos. Além de ter comido e hidratado, o corpo esfriou na sombra e com o gelo em mim. Em poucos minutos eu estava melhor. Eu só conseguia abraçar o Hilton, o Frango e o Clehomens. Logo a Andrea trouxe minha cadeira e duas bananas. Graças a Deus eu tive ajuda dela e do Wagner pra levar minhas coisas de volta pra pousada (apesar de terem roubado minha touca, deixada na transição. Pelo menos não levaram os óculos de natação).

Logo, já chamaram meu nome pra premiação. E nesse dia, eu me tornei a primeira mulher cadeirante triatleta do Brasil!

11902326_1095673897126547_3336178662199218584_n

Não vou mentir pra vocês que eu estava uma pilha de nervos. E tenho que agradecer imensamente a TODOS  os paratletas que estavam ali e à equipe do Paratri. Ficamos todos na mesma pousada. Sumiu a braçadeira que segura a roda da minha hand (nunca tenho uma prova sem tensão com a minha filha), e o Frango foi caçar bicicletaria na cidade. Os meninos me ajudaram a montar as coisas. Dantas me dando várias dicas de mar. Motorzinho e um outro atleta ficaram até mega tarde, depois do congresso, montando a cadeira de atletismo comigo (que veio desmontada), a linda da Tamiris fez 800 viagens pra levar meus equipamentos pra transição, o mais bonito Aranha parou de almoçar pra buscar chaves pro Gil desmontar a cadeira. Fora o tanto de encorajamento, força, risada que rechearam meu final de semana. Todos da equipe do Paratri foram muito incríveis! Agradeço ao Rodrigo e aos meninos pela ajuda imprescindível nas transições. E a Andrea por me socorrer no final.

Nessa prova, também conheci muita gente legal, fiz várias amizades (até no banheiro do congresso, né Sophia!!), reatei amizades que estavam perdidas e recebi apoio de muita gente! Pessoas que eu conhecia, como  a Márcia, que tirou várias fotos minhas, mas de muitas pessoas que eu não conhecia, mas viam meu nome no número de peito e gritavam, aplaudiam, como que me empurrando no final. Esse apoio todo foi incrível, inesquecível e fundamental pra eu conseguir terminar a prova.

Tenho muito que melhorar, muito que treinar pra baixar meu tempo e muito que batalhar pra conseguir equipamentos melhores. Mas, apesar de todos os perrengues, eu realizei o meu sonho! Curti cada minuto de alegria e de dor. E vou te contar? Se fosse fácil, não teria tanta graça 🙂

 

11891184_1096193003741303_6109734509795186180_n

22
jul

1

Athenas 16k e Pernas de Aluguel

Gente, é muita emoção pra um post só! Mas vou segurar as lágrimas e contar pra vcs como foi minha corrida Athenas 16k com o Pernas de Aluguel.

Pra quem acompanha o blog sabe que essa história começou ha 1 ano atrás, laaaa na Golden Four SP. No pós prova o Edu Godoy me parou pra perguntar se eu usava minha cadeira de uso diário pra correr. Eu expliquei que essas cadeiras não são  permitidas pelas organizações de prova, por motivos de segurança, mas que eu uso a handbike, que ele nunca tinha visto. Mostrei pra ele e expliquei como funciona. Mas ele me disse que uma hand nao daria pra ser usada no caso dele. O Edu é voluntário na Instituição Rainha da Paz e, inspirado na história de Dick e Rick Hoyt,  gostaria de levar as crianças do Rainha pras corridas. Mas elas precisariam ser empurradas. Então falei pra ele dos triciclos. Apresentei o Edu pra Fer Balster, falei do Itimura e da empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos que ele precisava.

Pronto! A partir desse dia, o Pernas de Aluguel entrou definitivamente na minha vida!

Minha alegria ficou gigante quando, em outubro, o Pernas conseguiu fazer sua primeira prova. Infelizmente eu não pude pernas-de-aluguel-4estar la, mas publiquei aqui no blog uma entrevista com  o primeiro atleta cadeirante do Pernas, com a família e a equipe do Rainha. (Quer ler? Clique aqui  http://daninobile.com.br/pernas-de-aluguel/ ).

O tempo foi passando, o Pernas foi crescendo, mas eu nunca conseguia ir em nenhuma prova com eles. É logística e grana demais sair de Ribeirão com a hand pra fazer uma prova de 10km em SP. E nas provas longas deles, eu estava competindo.

Há 1 mês e meio atrás eu comecei a batalhar minha inscrição da Athenas 16k, pra poder estar com o Pernas e dar uma treinadinha pra Golden Four. Mas, eu não consegui me inscrever… Porém, nos 45 do segundo tempo, a família Pernas me presenteou com a inscrição! Isso foi na quarta-feira, pra prova ser no domingo. Pergunta se eu ia faltar. Nem morta!

E la fui eu, no sabadão, toda ansiosa pra reencontrar o Edu na rodoviária, após 1 ano! Pois é! Nos falamos todas as semanas nesse tempão, e cresceu uma amizade verdadeira nesse período. Mas só fomos nos ver nesse dia tããão especial. Eu chorei muito quando ele me disse que era o Pernas que me deu a inscrição.. Cachoeira aberta mode on já começou aqui.

De la, partimos pra casa da Vivi Bogus, que não só me hospedou, como aceitou carregar essa mala de rodinhas que voz fala, mais a minha filha gigante (a hand) pra prova. Nem preciso dizer que não dormi de ansiedade. Mais de meia noite e a doida, que tinha que acordar 4:40, tava fazendo snapchat kkkkkkk

Enfim, chegou o grande dia. E a emoção começou a vucuvuzear em mim assim que chegamos na área das tendas e vi aquele mundaréu de gente, com a blusa do Pernas. Ali no meio, ja tinha um monte de amigos meus. Itimura, Pri, Sindo e mais um montão de queridos.

11709597_648179128652965_2422676538535985599_n

Depois da reunião que o Edu faz pre-prova, três voluntários,  Marcelo e Andréa Calil  e o Daniel Arita, foram comigo e com a hand até a largada. Maaaas, porem, contudo, entretanto, todavia.. todo mundo sabe que eu não consigo fazer uma única corrida  sem emoção! Apesar de estar na tenda 45min antes da  largada, eu cheguei na largada faltando 1 min! O suporte de pé da hand tava desregulado. Só percebi quando sentei nela e minha perna pegou no pneu (de novo!!). A organização tentou atrasar a largada, mas não puderam esperar mais. Ao invés de eu la11696024_10207141146950747_2309325696470379553_nrgar na frente, eu larguei quase 4min depois! Imagina meu desespero! Os meninos ainda tentaram correr na minha frente, abrindo caminho. e tava bem devagar, porque realmente tinha muita gente e pouco espaço. Mas alguns corredores do fone de ouvido no último volume, não nos ouviam.

Depois de 1km, consegui atravessar a pista e comecei a ir do lado de quem tava voltando, bem encostadinha na fita. Logo, a elite me alcançou, mas como eu estava na contramão, eu não bati em ninguém. Desviei de volta pra pista da ida, pra passar no tapete de cronometragem e voltei pra contramão. Quando o fluxo diminuiu, porque o pessoal dos 8k começou a voltar, eu entrei na pista certa e ja havia bem pouca gente na minha frente.

Verdade seja dita, eu tive que parar uma vez pra puxar a mangueirinha do camelback, que ficara presa. E parei mais duas vezes pra arrumar meu pé, que caiu quando passei em buraco. Numa dessas vezes, o staff veio correndo pra ver se eu estava bem. Por isso eu adoro provas da Iguana! Eles realmente tem um staff excelente!

Comecei a voltar. O percurso é bem tranquilo. Poucas e leves subidas e vários falsos planos. Eu fui pra fazer tempo, mas a largada não me permitiu fazer como eu queria. Mas pula essa parte, gente! Na volta, eu já comecei a procurar o pelotão do Pernas, que estava indo. O combinado era eu fazer a minha prova e voltar pra terminar a deles com eles. Minha emoção foi gigantesca, quando vi aquele enorme grupo de corredores (mais de 50) e 7 cadeirantes, que estavam num posto de hidratação, me gritando e me aplaudindo. Nossa, chorei muito naquela hora!

Também tive apoio de muuuitos corredores, amigos e desconhecidos, que me gritavam, batiam palma. Eu amo demais a corrida! Os últimos 4km foram tensos, pois encontrei novamente a multidão dos 8k. E novamente, eu comecei a correr por fora da fita, na contramão de quem ia (mais ninguém!), pra não correr o risco de atropelar nenhum atleta. Engraçado é que, antes de eu passar pro outro lado da fita, tinha um atleta correndo muuuuito. Fizemos uns 2 km juntos. Quando chegou uma subidinha, eu diminuí, e ele ia na minha frente, pedindo passagem pras pessoas que estavam andando. Acredita que fomos xingados?! Juro! Quase surtei!

ath16k-sp-69

Quando terminei os 16k, em 52minutos (tempo oficial no site da prova), tive que passar pela dispersão.  Fui a primeira cadeirante a terminar a prova, mas não tece pódio pra nós! Peguei minha medalha e voltei pra largada, por fora. O pessoal da organização pediu pra eu aguardar um pouco, pois havia muita gente chegando e eles não queriam ver nenhum acidente. Passados 40min, me liberaram pra voltar e encontrar o Pernas. Assim, fui na contramão de quem ia terminar a prova. Vários corredores me gritavam ” mas vai fazer de novo?”  rsrsrs

De repente, lá pelo km 4, eis que eu me debulho em lágrimas, vendo aquele grupo enorme vindo na minha direção! Mais de 50 atletas, 7 cadeirantes e um carrinho de bebê com nossa mascotinha Lully gritando “Vai Pernas”. Gente, foi demais! Pensar que há menos de um ano atrás, era só um sonho do Edu! Passei por trás deles pra fazer a curva e retornar. E comecei a acompanhá-los, cada hora ao lado de uma pessoa diferente, conversando com todo mundo e vendo a alegria dos cadeirantes. Foram momentos mágicos!

11742714_648175925319952_6711737884673802090_n

No último km, a tradição é parar pra tirar uma foto. E pra juntar todo mundo ali?  Fechamos a marginal! Depois, partimos pro último km, todos se ajudando, dividindo água e isotônico. Os batedores iam à frente, pra avisar sobre buracos na pista e avisar os demais corredores que lá vínhamos nós.

11165225_915629005170725_2417092837237912170_nFaltando 50m pra chegada, as palmas altas começaram, e alguns cadeirantes, que conseguem caminhar com apoio, levantaram de seus triciclos e começaram a dar passos lentos, porém firmes e alegres, pra cruzar a linha de chegada. E eu de trás, olhando tudo da hand. Olhando a emoção dos pais, a emoção de quem assistia, a emoção do staff nos vendo chegar. Gente, foi lindo demais. É nessa hora que os ninjas invisíveis começam a descascar cebolas perto dos nossos olhos.  Espero, um dia, poder cruzar a linha de chegada assim com eles!

Terminada a prova e a emocionante entrega de medalhas, rola uma força tarefa pra atravessar a marginal e ir pra tenda da AP academia, que acolhe e ajuda o Pernas em todas as provas. Lá, ia ter outra surpresa! O Marco é pai do Marquinhos. Eles tem ido à várias provas com o Pernas, usando triciclos emprestados. E após a Athenas 21k, foi dia de o Pernas de Aluguel presentear pai e filho com o próprio triciclo deles! Aí foi emoção que não acabava mais! Veio ninja, veio samurai, veio China, Japão e Coreia inteiros descascar cebola perto dos nossos olhos.

Eu e o Edu nos emocionamos muito após a prova, por finalmente podermos correr todos juntos, pela primeira vez. Foi muito incrível! Indescritível! É assim uma corrida com o Pernas de Aluguel. Muita festa, muita risada, superação, amor, companheirismo, cuidado com o próximo. O Pernas já virou uma família. E eu sinto muito orgulho por fazer parte dela!

Se você quiser alugar suas pernas, ou doar para a aquisição de novos triciclos e pro transporte dos cadeirantes até as corridas, entre no site do Pernas e cadastre-se! http://pernasdealuguel.com.br/

 

22021_648178188653059_2313267118819273156_n10336604_648178205319724_4272319410937894467_n

10403077_648178535319691_2309836573121494001_n

11709597_648179128652965_2422676538535985599_n11737857_648179221986289_4594640768563873810_n11738022_915629211837371_7612498107460651465_n11738046_1040349169309102_9068706620120348422_n11745409_1039326896077996_4566212227500032229_n11737964_648178871986324_8412889937905796718_n11745474_648178648653013_741866001063506435_n11745632_1038816452795707_5839551829059184357_n11750658_915628925170733_4487726387949950113_n11751438_648178985319646_4170349543596154070_n11752397_1040349229309096_6620106238248617626_n11753680_648177035319841_6053483962218246306_n11753680_648177038653174_4271032977416535307_n11755137_1040349092642443_1984393092783729049_n11755827_1040349195975766_72399939484458111_n11760133_904490056288861_3153686205915729217_n11755734_648272475310297_4574729541534326985_n11760105_648178888652989_7643754207738399034_n

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11014954_915629428504016_6986103263745239529_n11057646_648179385319606_9043219728681099450_n10513456_648178715319673_6626725305860506148_n

 

11143177_1040349302642422_235250472692121094_n11227906_648178768653001_2279653327931372745_n11694122_1040349422642410_4508151905022774058_n

 

 

 

 

 

24
maio

0

Te amo e sempre te amarei…

Há 7 anos a gente começou aquele flerte. A esteira me apresentou você. Começamos devagar, como todo relacionamento deve ser. A gente se via todos os dias, mesmo que rapidinho.

Meses se passaram, até que resolvemos dar um passo adiante na nossa relação. E veio a primeira inscrição de corrida! Chegou o dia e eu pensei que seria só mais um dia da minha vida. Mas acabou sendo um dos mais importantes. Nosso amor se concretizou ali, naqueles 5km. E quando eu cruzei a linha de chegada eu sabia que nada abalaria esse amor. E que eu queria você pra sempre! Era isso que eu queria pro resto da minha vida!

Um mês após o outro, a gente começou a se ver por mais tempo. Começamos a ficar mais rápidas juntas. E a querer ir mais longe. Veio nosso primeiro tênis de corrida. E mais uma inscrição. E outra. Até chegarem as provas de 10km.

Você não queria que eu te amasse egoistamente. Queria que eu dividisse esse sentimento com outras pessoas. Vieram os Loucos por Corrida. Depois os Viciados. Depois os Amantes. Você encheu a minha vida de gente. Gente de toda idade, de toda raça, de todo lugar, gente de todo tipo. Você me encheu de amigos!

Um ano depois eu já não aguentava mais te ver tão pouco. Os 10km viraram 12. Depois 15 e depois 17, até eu chegar nos 21. Você me apresentou a meia maratona. E ali eu me encontrei. Uma, duas, três… foram 6 ou 7? Nem me lembro mais!

Nos pés, as bolhas apareciam sempre. As pernas pesavam. Os joelhos doíam todo dia. Mas não importava!Você encheu minha parede de medalhas e alguns troféus. Você encheu minha vida de alegria, meus olhos de brilho, meu rosto de mais sorrisos.

 E a cada dia que passava, eu te amava mais e você retribuía. Comecei até a te carregar no pescoço, porque no coração já não cabia mais. 21, 23, 25, 29… E eu queria mais! Eu queria 42!

Aí eu entrei no liquidificador. Eu mal tinha saído de lá e só pensava em você! E dizia pro bombeiro: “Eu quero correr!” E ele disse “Calma!”.

Eu só pensava em você! Dia e noite naquela UTI. Dia e noite no quarto do hospital. Dia e noite até hoje. Por 2 anos e meio você me sustenta e me ampara, você segura minha mão.

Lembro como se fosse hoje, quando eu estava desesperada, pensando “e agora?”, você me disse “Calma! Nunca vamos nos separar! Daremos um jeito! Você sempre deu, em todos esses anos.”

E dei! Hoje calço os tênis, mas meus pés ficam amarrados. As bolhas estão nas mãos. São os braços que pesam. Bíceps, deltóides e trapézios que doem.

21 ainda é meu número da sorte. Ainda é onde me encontro. Quantas vezes já estivemos ali, juntas, de novo? Não sei… O tamanho do meu sonho? Ainda é 42!

Ainda sonho com o dia em que vou calçar os tênis pra desgastá-los. Sabe ali, bem na parte interna do calcanhar? Ali sempre foi o lugarzinho que desgastava primeiro!

E pensar que eu reclamava em passar as tardes pós-longão com aquelas malditas bolsas de gel congeladas, amarradas no meu joelho, cronometrando o tempo de tira-e-poe. Como eu sinto falta disso!

Sinto falta daquele bronzeado lindo: umas 3 marcas de tops diferentes e umas duas de shorts…

Se eu desisti? Jamais! Você nunca me abandonou e eu nunca vou te abandonar! Você não me deixou enlouquecer. E eu pensava e penso em você todo dia!

Que bom que você não me rejeitou, não me jogou fora. Que bom que você sempre me aceitou de todo  e qualquer jeito. Que bom que você me aceitou de volta e me aceitou assim!

Te amo no asfalto, na grama, na terra, na areia, na pista…Te amo e sempre te amarei, minha querida CORRIDA!

PhotoGrid_1432435264746

22
abr

2

2 anos e meio

Já passa da meia noite, então já posso dizer: “Parabéns pra miiiimmmm”. Sim, já é dia 22. O dia mais lindo de todo mês, quando comemoro minha sobrevivência e minha decisão de que não iria ser só isso. Não, eu não ia só sobreviver. Eu escolhi viver!

E também faço questão de comemorar, mesmo já tendo ouvido que é um horror eu fazer isso.

Esse mês, talvez nem todo mundo entenda meu post.Não sei se foi essa coisa toda de “Boston feelings” que invadiu a nossa vida essa semana, mas eu so consigo voltar lá nos primórdios da ideia do meu primeiro post e pensar que eu já corri 30km. Sim, foram 30 meses, 30km da maratona da minha vida. 1km por mês.

 

UTI -  Outubro/2012
UTI – Outubro/2012

Todo mundo sabe que se você sai em disparada, vai faltar no final. Não é prova de 1000m. É maratona! E eu respeito essa senhora. Comecei confortável, ciente do que tava acontecendo. E à medida que os km avançavam, eu ia ficando mais contente, pois o corpo já estava aquecido. Sim, eu ia notando melhorar físicas.

Dezembro/2012
Dezembro/2012

E conforme eu avançava na prova, notava que o percurso ia mudando. Belas paisagens. Teve praia, teve montanha, teve cidade. Teve lugar cheinho de gente assistindo e aplaudindo, gritando, dando aquela força. Teve lugar escuro. Parecia que só tinha eu e mais ninguém ali.

Em alguns km eu cansei. Parecia que faltava ar e o sol tava castigando. Aí tinha meu staff com água geladinha.Em outros km a coisa fluiu, que até parecia prova de percurso plano, sem chuva e sem vento contra.

2013

2013

Então eu cheguei aqui, no km 30. Nesse momento da minha vida, to lutando pra não quebrar. Peguei mais um gel e to bebendo água. E jogando muita água na cabeça, porque ta um sol de rachar.

Calma, gente, eu não cansei. Apesar de que, vou contar pra vocês, tem horas que cansa. O vento contra, o sol castiga e, com o perdão do trocadinho, as pernas cansam. Sim, elas dóem. As panturrilhas ardem. E meu joelho…ah, esse joelho que dói desde a minha primeira prova! Eu to numa fase da reabilitação que “o corpo parou”. Quem ta de fora, meus amigos, meus médicos, dizem que conseguem notar melhoras sutis. Eu, só consigo pensar nas grandes que ainda não apareceram.

Aí, algumas coisas aconteceram. Andaram dizendo por aí que eu ando e to na cadeira porque quero. Na boa, se eu andasse, eu tava correndo com minhas pernocas por esse mundão afora. E como eu queria minhas pernas musculosas de volta. Quando eu ouvi e li isso, fiquei bem triste mesmo. Mas depois, eu pensei: “Cara, se até elas pensam que eu posso, é porque eu devo poder mesmo!” Então, isso foi mais um ânimo pra eu não desistir. A decisão que tomei? Procurar um parceiro pra correr comigo.

Chega uma hora, na maratona, que é bom você ter um parça pra seguir lado a lado. Se não for pra conversar, que seja só pra estar ali do teu lado, dando aquela força. Depois de 18km correndo nessa sozinha, decidi que eu vou voltar pra fisioterapia.  Não que eu esteja totalmente sozinha nesse tempo todo. Sempre tem alguém que passa por mim, corre uns metros, ou 1km. Mas agora to procurando e precisando de alguém pra correr do meu lado um pouco, pra direcionar meu caminho.

2014
2014

“Ah, Dani, mas se você já ta no 30, faltam só 12!”. Aí é que está o problema! Eu não to vendo a linha de chegada. Minha sorte é que, geralmente, nessa altura da prova, ninguém ta!hahahahaaha Mas eu não sei se a maratona da minha vida vai virar uma Ultra.

Tem horas que ela já foi corrida de aventura, pulando (sem pular kkkk) um monte de obstáculos. Também já foi corrida de montanha, subindo e descendo as pirambas, cheia de altos e baixos. Minha amiga Debs me levou pra Boston essa semana. Uma amiga minha, a Dri, fez a BR e me levou no coração. Quando eu acidentei, a Claudinha prometeu que seria minhas pernas e me levou pra Spartathlon. Com elas, e com todos os outros que me mandam mensagens antes e depois de provas, eu vou cada vez mais longe. Mas quantos km tem Minha Prova? Eu ainda não sei.

2015
2015

O que eu peço? Força nos pulmões (que ficaram fracos depois do acidente), que meu coração aguente (porque minha frequência já não sobe mais), que “minhas pernas” sejam fortes o suficiente pra aguentar todos os km que ainda estiverem por vir. E que meu staff esteja sempre ali, pra me dar água, frutas, gel, cápsulas de sal, gritos e empurrões…até prato de comida e puxão de orelha!rsrs

Quando eu não sei, mas eu prometo que te vejo na linha de chegada, da maratona da minha vida!

Adriano+Bastos+2013+Walt+Disney+World+Marathon+J07Qv99mbh7l

15
mar

1

Movimento Pela Mulher

Lilás. Uma cor pra qual eu nunca liguei muito. Até hoje! Pintamos o Parque do Ibirapuera num momento lindo  e inédito:  a Corrida Movimento Pela Mulher.

11025731_607501579394259_4826090838296143738_n

Pra quem não sabe de onde saiu essa ideia, vou fazer um resumão.

O Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”. O Corra Pela Vida era um treinão livre, para corredoras de todas as distâncias e velocidades. Porém, conseguia apenas a participação de um número limitado de pessoas.

Depois de 3 treinões Corra pela Vida, que foram sucesso no ano passado, as meninas  decidiram que queriam alcançar mais pessoas e ajudar mais mulheres. A partir do trabalho da Gabi, no Ministério Público, defendendo mulheres que sofrem violência, surgiu a ideia de fazer uma corrida e ajudar ONGs que apoiam essas mulheres que precisam de ajuda. Além disso, a ideia é mostrar que a mulher, através da corrida, pode se sentir empoderada para se defender e encontrar apoio e recuperar a auto estima, caso e quando precise. Afinal #NenhumaMulherMereceViolencia . Essa virou a hashtag oficial da corrida e desse movimento maravilhoso.

E  enfim, chegou o grande dia, do sonho dessas minhas 3 amigas virar realidade e de, todos juntos (sim, tinha muitos meninos) corrermos pela causa. A Latin Sports preparou uma estrutura top, o kit estava lindo, a medalha idem e, segundo as meninas, foi mais gente do que elas esperavam pra primeira prova.

E vocês estão achando  que eu só ia contar detalhes técnicos e deixar de lado a minha saga com a handbike nessa prova? Nana nina não! Meu problema, preocupação, ou chamem do que quiserem porque foi de arrancar os cabelos, começou no sábado à tarde. Eu estava na retirada do kit, feliz e contente com a Gabi e a Neide (do Vida Corrida), quando comecei a tentar ligar pro moço que ia levar minha handbike pra prova. Ele faz pequenos carretos e combinamos na sexta-feira que ele faria o trabalho logo cedo. Mas, o moço sumiu! Não atendia o celular e foi me dando desespero. Umas 4 horas depois, quando eu já não tinha unha nos dedos, consegui falar com ele, que estava em Praia Grande e “nem rola de ir” me levar. Ai Gizuis! Sorte a minha que eu tinha falado pros meus amigos, lá na retirada do kit, que não conseguia falar com o moço e ia começar a procurar outra pessoa. O Corretor Corredor postou no facebook que eu estava precisando de ajuda, alguns amigos compartilharam e o Sidney, que nunca tinha me visto na vida, pegou uma fiorino empresatada pra poder me levar! Um anjo que caiu na minha vida!

Domingo de manhã, tudo lindo e certo, exceto pelo banco da handbike que estava ensopado, porque ela tomou chuva, mas pula essa parte. Eu e o Sidney partimos adiantados para o Ibira e ainda passamos no posto pra encher os pneus da hand. Chegamos lá, logo o Fabio da Latin  me viu, veio pegar a hand e levar pra largada, eu arrumei o apoio de pe, arrumei a mochila de hidratação, as luvas, preguei o número no FlipBelt. E estava milagrosamente muito adiantada! Fui procurar as meninas, beijar e abraçar muito a Debs, num abraço de urso de 15minutos, tirar mil fotos e, faltando 20min pra largada, resolvi aquecer. O Corretor Corredor foi me ajudar a me posicionar na hand. Quando fui sentar, percebi que a corrente estava com folga e que o pedal não girava. Fui olhar e, no transporte (ou no busão de Ribeirão pra Sp ou da rodoviária até a casa da Selminha, que me hospedou) a corrente ficou presa entre a catraca e o parafuso que segura a roda. Eu, sozinha, com esses dedos moles, me melequei toda de graxa e não consegui tirar. O Corretor tentou, mas também não consegui. Gente, vieram os bombeiros que ficam ali na largada pra tirar! Tentamos de tudo, tiramos a roda da frente e a corrente saiu. Eles recolocaram no lugar, testamos as marchas, estava passando, graças a Deus. Porém, eu não consegui aquecer. Num dia frio, eu parecendo um aipo cozido, e não deu tempo de aquecer. Tudo bem. Sentei na hand, me arrumei. O pessoal da Latin aguardou meu ok pra largar!

11074691_656577357785611_169477925_n11056747_656577421118938_1820319755_n

Fui! Pedalei uns 100m e vi que meu guidão estava torto pra direita! Pois é. Já tive que parar pra soltar a trava e desentortar. Bóra! Aí, eu tava mole, me sentindo lenta e tentando me acostumar com a nova relação da hand. Quem me acompanha sabe que o câmbio quebra em toda santa prova, então eu troquei. Mas ainda não tinha testado na rua. Não sabia nem o que eu estava fazendo.

Enfim, passou o primeiro km sem eu ver. Eu só via o moço da moto na minha frente (que me acompanhou a prova inteira). Mas, minha alegria acabou na placa de 1km. Porque logo tinha uma subida de quase 1km do pico do Everest. Eu só olhei praquilo e lembrei que era o mesmo percurso da prova Eu Atleta, de quando eu ganhei a hand, em junho. E eu não tinha conseguido fazer nenhuma subida daquela prova. Mas, meses depois, eis que eu morri, mas fiz a subida sozinha! Fui tão lesma morta que logo os primeiros colocados da prova começaram a me alcançar e me passar. Depois veio uma reta e uma descida e eu dei uma descansada, lembrando que se eu desci pra ir, ia ter subida pra voltar.

A coisa mais incrível do pessoal me alcançar e correr do meu lado é que todo mundo me grita! E eu amo issooo!!! Porque quando meus braços estão moídos e querendo me sabotar, vem alguém que me grita, me motiva e eu mando os braços calarem a boca (como se tivessem kkkk) e me deixarem pedalar mais e mais, até acabar a prova! 🙂 Na subida, isso é mágico!

E lá fui eu, subindo lentamente, disparando nas retas e parando no meio das descidas pra colocar a corrente na hand. Pois é, a corrente saiu 3 vezes, bem na minha frente, na coroa. Chicoteava na minha perna e eu tinha que parar pra recolocar. Perdi tempo com isso e machuquei a mão. Mas, vambora!

Fiquei mesmo feliz por ter tido força de fazer todas as subidas, apesar da lerdeza. E quase atrolei mil pessoas quando alcancei o pessoal dos 5km e da caminhada, que retornava antes da metade do percurso. Quando eu comecei a gritar “Com licença, por favor”, meu motoqueiro guardião foi buzinando na minha frente, pra tentar liberar espaço. Verdade seja dita, tinha gente que ficava brava com ele. E tinha gente que não saía da frente, ou porque não queria ou porque estava com a música tão alta que não ouvia a moto buzinando há 2 metros de distância! Eu quase bati na moto umas 3 vezes por causa disso. E quase atropelei muita gente muitas vezes. Quase capotei uma vez, pra desviar das pessoas e do posto de hidratação. E acabei perdendo muito, muito tempo freando tantas vezes. Mas o importante é que não houve acidentes.

Quando eu achei que faltavam uns 500m pra terminar, ainda tinha mais um retorno pros 10km! kkkkk Só eu mesma! Mas meu velocímetro ta desregulado, então eu não levei. E o celular, com o Strava, tava dentro do FlipBelt. Eu não tinha  a menor ideia de quantos km faltavam, porque não olhei as placas olhando pras pessoas. E essa foi minha primeira prova de 10km, desde que ganhei  a hand, Nessa hora, pensando nisso, o asfalto ficou um pouco ruim e eu comecei a quicar. Mas logo, eu estava avistando o lago do Ibira de novo, e quase atropelando mais meninas, pois a linha de chegada estava bem na nossa frente!

11058116_970518142958872_8936258747954294123_n

Assim que terminei, apareceram muitos amigos. A Fer Baslter, o Fausto (meu professor da academia) com a noiva linda Regiane, a Juliana, o Corretor… muita gente! Logo ganhei um abração da Yara Achoa. E começou a sessão de fotos. Daí pra frente, foi mais festa. E só festa. Que prova incrível! Que clima delicioso! Muitos abraços na Debs, na Gabi, na Paula, na filha linda dele e no pai dela, no casal do Frango com Batata Doce do instagram, na Gi do Divas que Correm, na Ivonete, na Ju Veras, na Dani Barcelos, no Colucci… gente, a lista não tinha fim!  Como eu amo correr em São Paulo e ver tantos amigos! E também amei conhecer tantas pessoas que me seguem e me apoiam, que me motivam com seus comentários todos os dias! Foi bom demais receber tanto carinho!

Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!
Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!

 

Um dos momentos mais emocionantes da prova foi quando as meninas (Debs, Paula e Gabi) entregaram os cheques de doações às ONGs beneficiadas pela corrida. Se você quiser saber quais são as ONGs e quiser ajudar, acesse o site do Movimento Pela Mulher -> http://movimentopelamulher.com.br/

 

Clipboard01

 

Às meninas de ouro da prova, só tenho mil parabéns pra dar, pela iniciativa e pela prova linda. Muito obrigada pelo carinho comigo, pelo convite em participar, pelo amor de todos os dias. À Latin Sports, muito obrigada pelo carinho desde minha inscrição, até a permissão da entrada do carro pra descarregar a hand pertinho da largada, pelo apoio do motoqueiro, pelo cuidado com a hand, o cuidado de todas e a recepção sempre alegre.  À todos que me gritaram e me motivaram durante a prova, muuuito obrigada pelo carinho! A quem tirou foto comigo: me manda, pra eu colocar no face!!

A todos os deficientes, tenho um convite a fazer: seja você cadeirante, muletante, cego, amputado com prótese..Venham correr conosco no ano que vem! A organização fará a categoria pra nós e estão muito abertos a nos receber nessa festa linda, com causa tão nobre!

A todas as pessoas que estiveram presentes, nosso muito obrigada, por tornar essa corrida um sucesso e permitir que tantas ONGs e tantas mulheres possam ser ajudadas. Pra mim, como mulher, e como mulher que já sofreu violência, correr pela causa foi simplesmente sensacional!

E ano que vem, tem mais! Muito mais!

As fotos serão postadas no face essa semana, conforme eu for recebendo!!

11008613_970623689614984_8962204039997650150_n

 

 

 

13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

AP-Patrick-Donwes-Jessica-Kensky-cross-lin

Dane+Pilon+ING+New+York+City+Marathon+zph63mvkALZl

Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

3519685577

Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

IMG-20141207-WA0005

 

09
dez

13

Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

IMG-20141207-WA0007

E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

PAMPULHA3

 

 

Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

IMG-20141207-WA0003

Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

IMG-20141207-WA0010

 

17
nov

10

Pernas de aluguel

Gente, primeiro vou pedir desculpas  por ter sumido do blog uma semana! Quem me conhece sabe que sou a pata tecnológica. E fiz o favor de cagar meu notebook de novo, não sei como! A assistência remota deu falência dos órgãos, mas meu cumpadre Bruno providenciou “a volta dos que não foram”  e salvou meu note, o blog, as fotos de corrida, os vídeos das minhas melhoras e tudo mais! ufa!!

Desde que fiz o blog, eu prometi uma sessão pra falar de outras pessoas, especialmente mas não necessariamente cadeirantes, e suas mudanças na vida, em busca de um estilo de vida saudável. Porque ninguém merece eu só falar de mim, de mim, de mim…Primeiro a coluna não tinha nome. Porque eu queria “Gente como a gente”, mas descobri que no blog da minha amiga Debs tem uma com esse nome também. Inclusive eu já apareci la! 🙂   Depois, eu pedi pra um monte de gente escrever algo pra eu postar. E as respostas eram sempre as mesmas: “deixa eu emagrecer mais um pouco”, “to trocando de nutricionista”, ‘”to mudando meu treino”…e a coluna ficou lá vazia, esperando uma inauguração!

E hoje, com muita alegria, inauguro a coluna Gente Saudável com o projeto Pernas de Aluguel!

pernas de aluguel 3

No dia da Golden Four SP, láááá em agosto, acabou a prova, eu passei pra minha cadeira de uso pessoal e fiquei lá, confraternizando com os amigos. Aí, um moço não parava de me olhar. Olhava pra mim, pra cadeira, pra cadeira e pra mim. Tinha um ponto de interrogação bem no meio da cara dele.  Dei oi e a pergunta dele foi “Você correu com essa cadeira?”. Conversamos e naquele dia que conheci um cara super especial chamado Eduardo Godoy.

O Edu é corredor há dois anos e meio e há 12 é voluntário na Associação Beneficente Comunidade Rainha da Paz, em Santana de Parnaíba, que cuida de crianças com deficiências físicas e mentais.  Inspirado pela história  de Dick e Rick Hoyt. (Postei um vídeo com a história deles aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/03/19/historia-inspiradora/ ) o Edu decidiu dar a sensação de correr às crianças atendidas pela Associação e criou o grupo Pernas de Aluguel.

Do sonho pra realidade, o Edu demorou pra conseguir colocar a ideia em prática. Eu apresentei ele pra Fer (que tem muito mais experiência em corridas com triciclo do que eu) e falamos pra ele sobre a empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos. A Fer os colocou em contato e também apresentou o Edu pra um grupo de amigos nossos, o Klabhia, que correm com seus filhos.

pernas de aluguel 2A primeira cadeira que o Pernas de Aluguel conseguiu, foi feita nas medidas da maior criança da Associação, para que pudesse ser adaptada e diminuída para atender outras crianças. Doaçoes de acessórios, como capacetes e itens de segurança foram conseguidos. E toda a equipe de profissionais do Rainha de Paz se reuniu para escolher quem seria o primeiro atleta a participar. O escolhido foi Wesley, de 23 anos. A corrida foi  a meia maratona do Circuito Athenas, dia 2 de novembro.

E eu, através do Edu, consegui conversar com o Wesley e a irmã dele, que estava junto na corrida, pra saber o que eles sentiram e qual a importância da corrida e do esporte pra eles. As respostas do Wesley da Silva Santos, que foram dadas através de gestos, foram transcritas pela irmã Cristina Cavalcante Lima dos Santos

pernas de aluguel 4
1) O que vc sentiu com a corrida?

Wesley, com gesto coloca a mão no peito’coração’ e depois abre os braços, com sorriso Largo …fala “gosto muito”. 

E fica agitado pra mostrar a medalha, quando faço a pergunta!
Convivemos com ele, essa reação de colocar a mão no coração é que amou.

2) vc gostou?

gosto muito

3) a corrida foi importante pra você?

Muitoooo barulho e faz sinal com o polegar de jóia!

IMG_2834

Agora  perguntas pra Cris, a irmã corredora.

1) o que vc sentiu com o evento?

Senti muita emoção, foi possível realizar o sonho dele. Foi um bombardeio de troca de amor fraterno entre todos. Uma experiência única, naquele momento ser uma colaboradora, emprestando as pernas para o meu irmão se sentir como todos. Foi emocionante. Não encontrei nenhuma palavra que expresse o bem que senti! Foi como receber uma benção muitoooo grande! E não quero deixar nunca mais de ser Perna de Aluguel kkkkkk Quero que outras pessoas, como meu irmão, sintam a felicidade que ele vivenciou.

2) Qual foi a importância da corrida pra você, com relaçao ao seu irmao?

 Eu vi meu IRMÃO muitoooo feliz por fazer parte do evento, nenhum momento vi sentimento de inferioridade.  Vejo isto de grande importância pra auto estima dele , a maneira como ele se vê! E é mais uma ferramenta pra usar na motivação do seu tratamento contínuo.

3) Você acha que foi importante pro Wesley? 
S.im Ele virou o assunto na família, amigos, vizinho.Ele quer mostrar a medalha, o vídeo pra todo mundo. Como já mencionei, fez muito bem pra sua auto estima!
Ele fortaleceu vínculo com as pessoas envolvidas ;pede pra eu repetir os nomes dos amigos que passam no vídeo.
Ele é muitoooo amoroso e ficou mais. ..
Quando ele conheceu um amigo que se chama Daniel cadeirante, ele se identificou, como “olha,  ele é o que mais parece comigo!”.
pernas de aluguel6
Conversei também com o Terapeuta Ocupacional Daniele Poppsts Swerts
, profissional do Rainha da Paz que acompanha o Wesley de pertinho. Como ela viu a corrida, com relação ao Wesley?
Quem conhece o Wesley sabe que o seu sorriso expressa ALEGRIA CONTAGIANTE. A corrida  foi ferramenta de expressăo dessa alegria e estreitou relações, como a dos irmăos, que também participaram direta e indiretamente do evento.
A dimensão  e impacto de um evento como esse para um adolescente cadeirante , faz com que ele possa perceber que a cadeira de rodas não é o limite e que podemos sim proporcionar igualdade minimizando as impossibilidades e maximizando as posibilidades. Que muitas outras corridas venham!!!

IMG_2788

Na corrida, o grupo permaneceu unido, pois o esforço de correr empurrando uma cadeira é muito maior, e os corredores fazem sistema de revezamento. Segundo Edu, o apoio de outros corredores e de quem estava assistindo, foi fundamental. “As pessoas passavam acenando, aplaudindo, comemorando. E com isso, o Wesley se sentia ainda mais feliz. No fim da prova, ver o rosto e as reações dele foi algo impagável.

pernas de aluguel

O Pernas de Aluguel fez um video emocionante, inclusive com o momento em que Wesley pega a medalha. Se você quer chorar, copie o link abaixo e assista o vídeo!

https://www.youtube.com/watch?v=CWArnQsZy2U&feature=youtu.be

Após o sucesso da primeira corrida, um dos apoiadores do projeto doou uma segunda cadeira, que está a caminho. E uma terceira já está nos planos. Isso porque, as crianças do Rainha da Paz estão fazendo fila pra ir pras corridas! Ao ver o vídeo e a medalha do Wesley, todas querem ir também!

IMG_2814

Eu sei que um monte de amigos meus, corredores, vivem em busca de novos desafios. E no começo, todo mundo queria me ver de volta às corridas e um montão se ofereceu pra me empurrar (inclusive na São Silvestre 2012, logo após o acidente!). Agora que eu já tive ajuda que precisava pra estar com vocês, porque não ser um Perna de Aluguel? Como o sistema é de revezamento, dá pra empurrar um pouco e correr um pouco solto pra se recuperar! E você também pode doar para a aquisição de novos triciclos! É só entrar no site  http://pernasdealuguel.com.br/ Tudo por uma vida saudável sobre rodas!

IMG_2815

10
nov

27

2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

goldenfourbrasilia-22

Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

goldenfourbrasilia-51

No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

10751896_718738731551055_1375225158_n

 

Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

10811258_718742151550713_2064213594_n

10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

10811574_718743114883950_1570020575_n

Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

goldenfourbrasilia-5

10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

10799253_718738358217759_70243135_n

Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

10599723_718344911590437_7971537905616067777_n

 

Page 1 of 2