04
maio

0

#VemComADani – Lista de agradecimentos

Minha gente maraviwonderful, eu não tenho palavras pra descrever o que estou sentindo ao escrever esse post!

Foram meses sem dormir, desesperada, ansiosa, preocupada, com medo que a campanha não desse certo. Mas deu! E foi graças a vocês!

Conforme escrevi lá na página da Campanha, a demora nas recompensas se deveu ao seguinte:

Após o encerramento das campanhas, o kickante demora de 2 a 4 semanas pra liberar o dinheiro. No meu caso, o dinheiro foi liberado dia 20 de dezembro. A fábrica Top End fecha do Natal até dia 5 de janeiro. Aí fiz o pedido e os equipamentos demoram de 4 a 8 semanas pra ficarem prontos. Isso atrasou toda a minha vida, inclusive a entrega das recompensas.

Na área de transição, minutos antes da largada dos Jogos Panamericanos de Paratriathlon
Na área de transição, minutos antes da largada dos Jogos Panamericanos de Paratriathlon

Peguei a handbike no dia 7 de março, à noite. Fiz alguns ajustes em cima da hora (porquue sou muuuuito alta e não alcançava o apoio de pé de jeito nenhum) e já competi com ela dia 13 de março, nos Jogos Panamericanos de Paratriahtlon, na Flórida.
Retornei ao Brasil na esperança de ter fotos lindas pra mandar fazer o cartão da recompensa. Acreditam que eu não tive uma foto de fotógrafo profissional na prova? Pois é!
De volta pra casa, demorei 3 dias pra desembalar a hand e descobrir como montá-la de novo! E já parti pra outra prova (quem tá lá no insta ou no face do meu blog pode acompanhar o Ultraman, e o feito histórico de sermos a primeira equipe em que um atleta empurra atletas cadeirantes nessa distância de prova).
Vou produzir uma foto bem linda com ela pra mandar fazer os cartões. Não tinha porque mandar um cartão de agradecimento pela compra da bike nova e uma foto da bike velha, né?!rsrs

 

As camisetas da campanha já estão com o layout pronto. Só estou aguardando respostas de orçamento. Esperei pra mandar fazer, pois estava, junto com a Agência Ideatore, desenvolvendo minha nova marca.

 

capa-blog-ok

 

Mas, aqui vai a listagem de agradecimento, que faz parte das recompensas da Campanha!

Além dos nomes que estão aqui, quero agradecer demais aqueles que pediram para fazer contribuições anônimas.  Respeitando sua escolha, seus nomes não aparecem na lista do kickante e nem aqui.

Quero agradecer muito a cada um de vocês!! Juro que, enquanto preparava essa lista, enchi meus olhos de lágrimas ao ver vários nomes conhecidos, de amigos e amigas. E também me emocionei sabendo que muitas pessoas que nunca me viram, que não eram nem meus amigos nas redes sociais, participaram dessa conquista tão importante pra mim. Muito, muito obrigada!

Segue a lista da Campaha #VemComADani

Carla Valentim

Suzy Anne Berlim

Liliane Silva

Juliana Estevam

Lourdes Soares Marinho

Renata L. S. Dos Reis

Lucy Casadio

Cristiani Gomes

Miria Criado

Mariana Cortez

Camila Lopes de Brito

Andrea Carla Santos

Henrique Ribeiro Garcia

Sindo Martinez

Ricardo Ortega

Kika Locchi

FABIO ZANARDI

Grace Cano

Osvaldo bezerra SILVA

Edilson Marco de Faria

Fabiano Ribeiro

Susi Saito

Jaqueline Spera

Fabiana Soares da Silva

Renata Calumby

Cesar Miguel Momesso dos Santos

Claudio Kazuo Hirakava

Rodrigo Cardoso

Bianca Lamparelli

Emerson Ferro

Camilla Bazzoni de Medeiros

Fernanda de Souza Mello

Guilherme Ecar

Fernando Costa

Renato Rezende Fankel

Amelia Priscilla Gomes Paes

Fernanda Rodrigues

MARIA FERNANDA DE MOURA SOUZA

Pauliane Claro

Debora Rampazo

Mauricio Massarotti

MARCUS VINICIUS ALMEIDA JUNIOR

Robson Luis

Marivaldo Ganzella

Rita Santini

Kika Gianesi

Rafael Carvalho

Marcos Paulo Lopes Ferreira

Thamyris Norte

Corre Sampa

Marcela Parise

Flavio Andrei Jesus

Peterson Freitas de Sousa

Cristiane Farhat

Ravenia Marcia de Oliveira Leite

Tyago Berbel

PATRICIA VISMARA

Marcelo Pedrotti

Rachel Souto

Maristela Cunha

Liza Lambert

Lia Penteado Cavalcanti

Priscila Barbosa

Natália Gerhard

Leonardo Nakazune

Marcos Alexandre da Silva

Nilton Carlos GONCALVES

Débora Bussacos Freitas

Kelly Maria Lopes dos Santos

Fabio Rodrigo Machado

Luciana Pinheiro Sobreira

JONATHAN F BARBOSA

LUANA MARTINS

Gustavo Rey de Carvalho

Luciana Miranda Cebola

Francisco Ribeiro

Antonio Zuccolotto

Estela Marcondes

Alessandra Mousinho

VIVIAN BOGUS FITNESS Loja Virtual

ELAINE CRISTINA OLIVEIRA

Marcia Oka

Cristiane Alencar da Silva

Corre Mulherada

Fabio Kazuo Tatsuta

Luciana Bógus

Carol Guedes

Marcos Alexandre Zagonel Santos

Taisa de L. R. Geraldini

Mariana Faria

Lyllian Cassimiro Ferreira

Daniel Wiezel Sarubby

Walkyria da Cunha Xavier

Walkyria da Cunha Xavier

Silvana Carneiro

Danielle Dorand A. Sampaio

Christopher Chow

Bento Camargo

Bianca Berti

Daniela Serres

Dionísia Guimarães Araújo Brum Dias

HOMAR COSTANTINI

Alessandra Santos

Paola Ronconi

Sarah P V da Costa

Gisele Malavazi Alves

Vivian Bogus

Rafaella Simoes e Silva

Melissa Salgado Bertho

LIVIA ZANIRATO

Adriana Cláudio

JULIANA MOURA

Thalita Goulart Alves

Camila Maia

Marcela Parise

Luciano Parussolo Gaspar

Fabiana Roberta Guerra

Michel Bruggeman

Alberto Bogliolo Sirihal

Divas Que Correm

Angela beatriz Goncalves

Rafael Sanches

JEFFERSON FARIAS FONSECA

Thiago Pantuzi de Carvalho

João Carlos Rodovalho Costa

Artur Botelho

Jean Zamara

Regiane de Melo

Silvia Fantine

Nataly Costa Balardini

Manuella Carui

Juscélia Honorato Mourato Dos Santos

Mariana Knaesel

Bianca Taboada Ferreira

MARCIA PEROVANO

Rodrigo Zanelli

Fabiola moral Bálsamo de Oliveira

Elcio Mune

David Simon Landim de Souza

Livia Dzura Martins de Oliveira

Karina Arissa

Manuela Zilioti

Jose Redondo

Gerson Pintar Junior

Marcio Magalhães Baião

Mariana Gomes Baião

Myrian Galeão

Eugênio Neto

Steve Maicon Segovia Corrêa

Isabella Borges Grile

Gilmar Chbane Bosso

Thais Matsushigue Godoy

Nara Pizarro

Priscila Schmitt

Marcela Dourado

PEDRO VIANA

Jessica Eidt

maria faggioni

Luciana Souza da Silva

Anne Eliza Dias Machado

ANA PAULA FRANKE

Paulo Viana

Andresa Oleiga Silveira

Fernanda Hattori

Fernanda Rodrigues

Claudine Basilio

Andrea Tavares

Thaís Guedes

Thiago Osorio Lucas da Conceição

Marcelo Veiga Mendes

Williams Gomes

Guilherme Ferreira Xavier

José Antonio Silva Filho

Nádia Fagundes Garcia

Elaine Yoshiko Matsubara

George Góes

Vanessa Maria Zagato

Fabiana de Paula Anastacio

William de Wlmeida Baldez

Rafael Miazato

SABRINA Graziani

Vinicius Martins de Mello

JUCIANE GALVAO AMORIM

Monica Martins Castilho

Eny Sa de Araújo Garcez

Bartira Pardi Moreira

Bruna Wojciuk

Antonio Amaral

Cleiton Donizete da Silva

Livia Rodrigues

Marisa De Sá

Guilherme Biff Zarelli

LUDMILA PUNTEL

Jéssica Levadinha

Luciana Cornicelli

Emerson da Silva Oliveira

Ana Alkmim

Celso Bruder

Melina de Araujo

ADRIANA HENRIQUETA

Luisa Oliveira

Jessie Char

Ieda Daniel

Carlos Alberto Viana

Marcel Tatebe

Daniella Lima

Betty Chang

ALEX PIRES RIBEIRO

Romeyka Aguiar

Gabriel Ciszewski

Diego Dassie

Yara Achoa

Juliana Tinen

Vica Tamburus

Bianca Ferreira

Renata Motta

Thaise Zaupa

Vica Tamburus

ANDREIA GIATI

Bruno Dias

VIVIAN CIRINEU

Elmiro Bastos Cardoso Bastos

Amanda Lopes

Simone Faleiros de Melo

Mariana Ramos

Valquiria Souza

darlansouza.com

Mariela Vasconcelos

Carolina Arruda

Rafaela Lopes

Míriam Zanini

Ana Flavia Teixeira

Thaís Ranucci

PAULO BOGUS

Juliana Sugimoto

Mariana Scaldaferri

MICHEL DESTEFANO

Fernanda Cordeiro

Ana Carolina Lemos

Izabela Brito

Fernanda Reina

Maria Carolina Lima

Milena Bianco

Margareth Pontes

NARLA FABIOLA MONTEIRO MORAIS

Juliana Almeida

Daniel Camilo Pereira

Renata Petrillo Robilotta

Daniela Nunes Proença

Paula Cabral

Gisela Amorim

Marcia Dambrosio

Ricardo Frazzato

Adriana Oliveira Soares

Silvio Sidney Lombardi Filho

MELISSA MAIA MESQUITA

Simone pedreschi

Rafaella Pace

Isabela Fortes

Christiano Ruiz

Cecilia Cunha

Cristina Helena Proenca

Nathalie Darcie

Guilherme Paiva

Luciana Moniz Duarte

Antonio Olinto Diniz Junqueira Junqueira

Cristiane P Santos

Diogo Beltran

Raphael Zamith

Carolina Gimenes

Livia Dzura Martins de Oliveira

LIDIMARA LIMA

sonia gravine

Marcela Melo

Vivian Bogus Moda e Fitness e suas clientes

José Euclides Rodrigues Guimarães

sandra regina souza sampaio

MARIA APARECIDA MELO DOS SANTOS

Nelson Valente Filho

Corredor Anônimo

Cristiano de lima

Ana Luiza Halla

Nialva Nunes dos santos

Angel Castroviejo

Erica de Paula Rosa

Sonia Castroviejo

Atitude Emocional

Leyde Correia

Gabriela Kato

Luciana Torrano

Rodrigo Prado Garcia

Verônica Varotti

Leandro Pricoli

Evelyn de Oliveira Araripe

Fernanda Sanches

Liliane Graminha

FABIO ZANARDI

Leticia Fernandes

Fernanda Balster

Pick-up Total

Mattheus Spiegelberg

Cristiano Oliveira

MAria Claudia Ribeiro

Maria Clara Moraes

Paulo Rodrigo Mossia

Bia Avelino

Orgmar Neto

Acácio da Silva Rocha

Renan Badin

Larissa Galiano

Marcos Dias Pestana

Sebastião Silveira

Eustaquio B Pereira

Adriana Ashihara

GIAN CARLOS

Erica Manso

thiago de macedo bartoleti

Paulo Pessoa

Viviane Marques

Rodrigo Tandaya graca

Morgana de Oliveira

PAMELA T FATTIBENE

Renata Barboza Coelho

Marcelo Arraes

Angelo Oliveira spano

RENAN MAIA

Suzana Maria Ketelhut

lilian guerreiro

Paula Ivanov

Carlos Vieira Melo

Fábio Sardinha

DEBORAH AQUINO

Caroline Fernandes Thome

ROSANA BRAMBILLA

Nathalia soares

MARIA PAULA TEPERINO

Rosana Peixoto

Alunos do Curso de Fisioterapia Barão de Mauá

Alunos da Educação Física  UNAERP

FEA USP Ribeirão Preto

PEC Enfermagem USP Ribeirão Preto

Todos aqueles que doaram no cofrinho

Amigos que compareceram à minha festa de 3 anos de vida nova na loja da Vivian Bogus

Absoluta Cine

…………………………………………………………………………………….

E pra quem não viu nenhuma foto da nova Handbike de alumínio, aqui vai a foto da primeira voltinha que dei com ela 🙂

hand Top End

ETERNAMENTE E INFINITAMENTE: MUITO OBRIGADA!!!!!!

 

03
nov

0

Entenda a Campanha #VemComADani

IMG-20141207-WA0005

 

Gente, estamos na reta final da Campanha e tenho recebido muitas perguntas sobre ela. Esse post é uma forma de explicar tudim e deixar tudo transparente pra todos vocês, que tem me ajudado com tanto carinho!

Por que eu preciso de uma handbike nova

A minha handbike é de ferro. Ela pesa 3x mais do que a hand de alumínio, usada pelas outras atletas. Além disso,  ela não atende às especificações da UCI (Federação Internacional) pra grandes provas internacionais. Com a minha handbike atual, não posso participar de provas internacionais oficiais, nem de paraciclismo, nem de paratriathlon.

Recompensas

As recompensas são uma forma de agradecer a cada um pela ajuda!

O site que hospeda a campanha exige que a gente dê nome a cada uma das recompensas. E eu daria nome de que? De provas de corrida, claro! Lembrando que as recompensas são cumulativas. Então, a última recompensa (A corrida mais longa, a ajuda de valor mais alto) recebe todas as recompensas dos valores acima!! Quanto mais você doar, mais recompensas ganha.

A Corrida da Caixa foi minha primeira prova da vida, em 2009. Não dava pra começar a dar nomes às recompensas, e deixá-la de fora! Aqui, a recompensa é  o seu  nome na lista que publicarei aqui no blog, ao final da campanha.

Meia Maratona do Rio – foi a minha primeira Meia, em 2010! Escolhi o nome da prova pra segunda recompensa. E essa é um cartão que escreverei a mão, pra cada pessoa que escolher contribuir aqui.

Revezamento Bertioga-Maresias foi minha última prova em pé! Uma prova muito especial e inesquecível! A recompensa aqui, além das acima, é um moleskine personalizado, pra você anotar todos os seus gastos com provas e ver se dá pra fazer mais uma inscrição!rsrs

A Golden Four é uma prova especial, pois eu esperei pra corrê-la por 3 anos (quem me acompanha sabe de toda a história) e aqui, além das recompensas acima, vem uma camiseta de corrida 🙂

A Maratona de NY é um sonho pra todo corredor, inclusive pra mim! Era pra ter feito esse ano, mas com a minha handbike atual, e com o dólar nas alturas, não deu. Se você escolher colaborar na recompensa desse nome, vc ganhará um mês de planilha personalizada da Fun Sports. Se você já corre, uma ótima oportunidade de melhor seu desempenho com a ajuda dos meus treinadores. E se você não corre, nem caminha, e ta morando na preguiça, taí sua chance de sair do sofá e começar uma atividade física orientada por profissionais. É só contribuir no valor dessa recompensa!

O Circuito do Sol é uma das recompensas mais legais, porque aqui você vai mesmo ganhar uma inscrição de corrida! Além de ganhar a camiseta e a planilha personalizada da Fun Sports (e todas as demais recompensas acima), você ainda poderá escolher uma das etapas do Circuito do Sol em 2016! Organizada pela O2, essa prova acontece em 4 cidades diferentes, então você pode escolher a que fica mais perto de você ou a que você quer conhecer. E se você for empresário, pode sortear a inscrição entre seus funcionários e incentivar o esporte e a qualidade de vida dentro da sa empresa!

A recompensa Maratona de Boston  leva esse nome por ser tão especial pra todos os corredores. Afinal, todo mundo quer índice pra estar lá! E se você contribuir no valor dessa recompensa, além de todas as acima, eu ainda irei até você, pra dar a palestra Por Uma Vida Saudável Sobre Rodas, na sua empresa ou na instituição que você escolher. Adequada a todo tipo de público, eu falo o que eu aprendi nesses 3 anos de cadeira e como isso pode ajudar você na vida pessoal e profissional. Além disso, falo como a corrida salvou minha vida 3 vezes e como a atividade física influencia nossa vida em todos os campos. Deve ser uma palestra boa, porque quem assiste bate palma no final rsrsrs

Comrades.  A recompensa leva esse nome pois é uma ultramaratona, uma prova desafiadora e recompensadora. O valor da doação condiz com isso, pois a recompensa é eu estampar o nome da sua empresa na handbike nova e leva-la comigo pra onde eu for, mostrando que você, empresário, apoia o paradesporto e uma atleta que se esforçará pra levar sua marca pro degrau mais alto do pódio!

W21K Asics

Valores

A Campanha toda está no valor de 35mil reais. A que se destina?

A handbike de alumínio que será comprada, é da marca Top End, modelo Force RX. Ela é americana e custa 5,5 mil dólares. Então, transformamos esse valor em reais. Além disso, ainda terei que arcar com as taxas de importação, que infelizmente não são baixas.

Ainda, o site Kickante cobra a porcentagem deles pra hospedar a campanha. Atingindo ou ultrapassando o valor de 35mil reais, o Kickante cobra 12% do valor.

Caso eu nao atinja os 35mil até o fim do prazo, eles cobram 17% do valor, pra eu retirar o que foi arrecadado.

Ou seja, o melhor negócio é bater ou ultrapassar a meta, pra que paguemos uma taxa menor pra eles!

Se sobrar dinheiro

Me perguntaram: “Dani, e se conseguirmos ultrapassar os 35mil? O que você vai fazer com o resto do dinheiro que sobrar?”

Bom gente, como vocês sabem, meu esporte é o triathlon! Usamos a handbike pro ciclismo e a cadeira de atletismo na corrida. E eu não tenho cadeira de atletismo! Eu uso uma emprestada, da equipe de Taubaté, que é de ferro e eu só posso pegar em dias de prova. Ou seja, eu não treino a corrida!

Se sobrar dinheiro, eu vou guardar pra comprar essa cadeira! Também será de alumínio, da marca Top End, a mesma marca da handbike. O valor da cadeira é 3,5mil dólares.

O que você vai fazer com a handbike que tem hoje?”

Essa foi outra pergunta que eu ouvi. Perguntaram “por que você não vende e coloca o dinheiro na campanha?”

Pelo simples fato de que eu ganhei a minha handbike atual! Ela vale 2mil reais. O combinado era eu devolver pra quem me deu, assim que eu conseguisse uma hand melhor. Assim, eles poderiam dar pra outra pessoa.

Porém, conversando com eles, decidimos fazer o seguinte:

Pernas

Todos sabem que eu sou madrinha do Projeto Pernas de Aluguel. São corredores voluntários que empurram crianças deficientes nas provas de corrida. Eu vou doar a handbike pro Pernas! Assim, eles poderão rifar. Com o dinheiro da rifa, poderão comprar mais triciclos, pra levar mais crianças pras provas. E assim, um cadeirante que não tenha condições de comprar uma handbike igual à que eu tenho hoje, poderá ganhá-la na rifa, tendo pago muito menos, ou ainda ganhando de algum amigo que comprou a rifa pra ajudar.

Me ajudando a ter a minha handbike nova, você poderá ajudar muito mais gente!

Já pensou nisso?

Quer colaborar? Clica aqui!

http://www.kickante.com.br/campanhas/vem-com-dani-0

E se você ainda não assistiu o vídeo da campanha, é só clicar lá no kickante mesmo, ou assistir por aqui  🙂

 

01
set

2

Finalmente triatleta!

Essa história começa há alguns anos. Pra ser mais exata, há 3 anos atrás! Pois é, antes do acidente eu já estava treinado pro triathlon. Eu nadei a vida toda. E quando comecei a correr, tinha parado de nadar há poucos meses. Nos últimos treinos de corrida, alguns amigos conseguiam bikes emprestadas pra eu poder treinar depois de correr. E a prova dos sonhos (uma das, porque eu sonho e não tenho miséria com isso) estava se aproximando… Mas eu sofri o acidente um mês antes, e o sonho foi por água abaixo.

Quando eu estava com 6 meses de acidente, já tinha voltado do Sarah e tudo, reunimos alguns amigos e, um deles, o mega triatleta Rafael Falsarella, sentou do meu lado e disse uma única frase que impregnou na minha mente até hoje.

Mais um ano se passou e, já nadando bastante, eu ganhei a handbike dos meus amigos de corrida. E pensei “o sonho não morreu!”. Já em contato com a equipe de Paratriathlon, no ano passado descobri que seria um pouco mais difícil do que eu imaginava, pois não tenho a cadeira de atletismo, necessária para a etapa de corrida. Desanimar? Jamais! Continuei treinando, né?!

Quando o paraciclismo entrou na minha, e eu fui pra equipe de Taubaté, sentei na cadeira de atletismo pela primeira vez na vida (o post da saga da Dani Horácio ta aqui http://daninobile.com.br/123-testando-cadeira-de-atletismo/ ). Aíííí, olha eu sonhando com o triathlon de novo!

Mas, como a minha paciência ta sendo testada, aprimorada, lapidada eeeee trollada depois da cadeira, a primeira prova de 2015 caiu no mesmo dia da Copa Brasil de Paraciclismo. E eu…não pude ir!! Como eu sempre digo, “tem pobrema, não”. Na hora, eu fiquei chateada, mas não era pra ser! Eu não ia dar conta dessa cadeira do mal no fim de um triathlon.20150823_072101

 

Mas, como quem espera sempre alcança, chegou o grande dia! Aaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeee!!!!!!! Eu treinei por meses e meses pra nadar e pedalar no mesmo dia, e alguns dias ainda ia no parque tocar a cadeira. Mas nunca era um treino de transição, eram atividades separadas, com descanso, banho, comida (muita! a monstra aqui é boa de boca) no meio. Mas, eu fui com a cara e com a coragem. E começou a saga de “como buscar a cadeira de atletismo em Taubaté e ir, de busão, pra Caraguatatuba, com cadeira de rodas, cadeira de atletismo, handbike e mala..sozinha! Todo mundo sabe que eu sou meio doida e eu resolvi até que ia fazer duas viagens. Mas resolvi pedir ajuda no nosso grupo (santo whatsapp). A galera não mediu esforços e, graças aos contatos do nosso técnico, um triatleta top (que inclusive foi campeão geral da prova), o Guilherme Gil, se prontificou a levar a cadeira pra mim lá pra Caraguá. Graças a Deus e a ele, eu tinha 3 rodas a menos pra carregar!

20150823_073017

Booooooom, chega de enrolar! Vamos pra prova!

Parte 1 – natação: Que gelo aquele marzão! Mas eu estava tão nervosa que 5minutos depois nem lembrava mais. O pessoal do staff leva a gente em cadeiras anfíbias até metade do caminho pra largada. Depois já vamos nadando e ficamos lá esperando. Claaaro que eu sobrei sem cadeira, então um moço me carregou no colo (que chato). Assim que ele me colocou na água (fingindo que eu era levinha), o Tiago, paratleta de Caragua, ja me deu a mão e foi me carregando. Começaram a vir as primeiras ondas e eu lembrei que já estava de óculos (uso lente de pessoa mega míope) e enfiei a cabeça na água. Mew, que medo de só enxergar tudo marrom! Já faz mais de um ano da travessia que eu fiz. Eu sabia, mas nada como enfiar a cabeça na água e ter certeza que você vai enxergar só a sua mão ou nem isso. Vontade de fazer xixi e péééééé….deram a largada.  Deixei a galera top das galáxias ir na frente. Eu faria com calma.

Nadei meio metro e o óculos já embaçou. Eu nem conseguia ver a primeira bóia. Decidi grudar no caiaque, dar aquela lambida básica no óculos e vambora. Ainda perguntei pro moço do caiaque “eu sou a última?” (eu tinha certeza do “sim”) e, pra minha surpresa, ele disse “vocês dois”. Quem me conhece, sabe o que passou na minha cabeça nessa hora. E eu comecei a nadar enlouquecidamente. Mas só até colocar a cabeça pra fora pra respirar e toda a água do oceano Atlântico me entrar guela abaixo. Pára, né! Nada direito, mulher!  Apesar de o mar estar sujo e mexido, era mais raso do que esperava! Então, toda hora que eu perdia a  bóia de vista, era só me erguer ereta que eu não morria afogada. Na verdade, apesar de estarmos uns 500m mar adentro, dava pé!

Nessas horas, já tinham soltado mais uma bateria de atletas. O mar ficou lotado, mas quando fui da segunda pra terceira bóia, ficamos eu e mais duas pessoas. Essa parte foi a mais difícil, porque tínhamos que nadar na diagonal e a correnteza me levava pro outro lado. Mas eu estava tão feliz de estar conseguindo e só ter bebido água uma vez, que eu não sentia nenhum cansaço. Foi tão maravilhoso. E quando eu avistei a chegada da natação, só conseguia pensar “jura mesmo que eu estou aqui, na minha primeira e tão sonhada prova de triathlon?” . E foi com esse pensamento que eu saí  da água, sorrindo e feliz. E eu não fui a última a sair, como eu achava que aconteceria. Na verdade, já deixei minha casa com esse pensamento, pra não me frustrar. Mas fui surpreendida por mim mesma.

IMG-20150824-WA0029

Transição 1: Como era a primeira prova e eu não estava desesperada, demorei. Eu quis colocar tênis. Ainda bem, pois salvou meu pé na parte da bike. E quis prender bem o cabelo, pra não pegar na roda da hand e eu ficar careca na prova. Nisso, todos os meninos saíram da transição da bike. Como eu não tinha handler, apareceu um árbitro pra colocar meu pé no suporte da bike. Mas logo o Rodrigo (técnico de Caragua, que me ajudou muito na prova) veio correndo pra ajudar também. Partiu!

Parte 2 – ciclismo.Eu pensava em fazer os 20km em 1h. A primeira volta não foi fácil, confesso. Eu achei que essa seria a parte mais fácil, porque eu to mais acostumada. Como diria Chaves: ” que burra! Dá zero pra ela”.
Eram 3 voltas. Na primeira, minha perna esquerda deu muito trabalho! Batia no parafuso (igual a Golden Four). Eu não queria ficar roxa de novo, tentava arrumar e ela caía pro lado, pra fora. A faixa da perna chegou a sair 2 vezes.  Eu passei boa parte do tempo pedalando mal, tentando arrumar essa teimosa.

IMG-20150824-WA0005

A segunda volta foi bem melhor que a primeira. Nessa hora, alguns dos meninos cadeirantes  e alguns outros paratletas já estavam na corrida. Fiquei um pouco tensa com meu tempo, mas eu estava ali  pra terminar.

Nessa volta, também já havia algumas bikes convencionais na pista. Eu tentava ficar bem no cantinho pra não atrapalhar o pessoal que buscava pódios no geral. Como a segunda volta foi melhor, achei que a terceira seria molezinha.  Mas, como diz aquele ditado “fui surpreendida novamente”. Na curva do último retorno, não sei porque atá agora, mas eu caí. A curva era pra esquerda e eu caí pra direita, tamanho excesso de coordenação motora que eu tenho! Bati o braço direito no chão, a perna também. A perna esquerda bateu na hand e os pés, se não fossem os tênis, teria raspado no asfalto quente. Veio uma moça pra me levantar e eu ri e falei “calma, moça, sozinha você não consegue me desvirar”  e ri! Veio mais alguém, eles me desviraram, aquele monta de bike passando por mim e ela perguntou “sua perna já estava assim?” Eu olhei e tava tudo sangrando e ralado. Confesso que pensava que minha sensibilidade era melhor. Mas agradeci por não ter sentido dor naquela hora. A moça perguntou “Quer parar e limpar?” Ta doida, é? Ta louca, é? hahahaha  Eu não cantei isso pra ela, mas pensei. Só disse que não, que depois a gente via isso. Eu já tinha perdido tempo demais.

IMG-20150824-WA0007

Tentei terminar essa volta, mas já não estava mais concentrada. Tentava ir mais rápido, por causa do tempo que eu tinha programado. Mas eu fiquei meio mole depois da queda. Fechei o ciclismo 2minutos acima do que eu tinha me programado.

Transição 2: Aqui começou a burrice da criatura= eu. Assim que eu cheguei na transição, o Rodrigo e mais um professor de Caragua estavam lá pra me ajudar a transferir da hand pra cadeira de atletismo. Eu já tinha deixado um gel em cima da cadeira, pra tomar. Mas eu estava tão passada com a queda, que nem água eu beberia (apesar de ter deixado a garrafinha ali) se o Rodrigo não tivesse falado. Pensei em levar a garrafinha pra tomar um gel no percurso, mas ela caiu no chão quando eu fui sair da transição. Nessa hora, a cadeira também não saiu do lugar! O freio ficou preso. Pra minha sorte, o Mais Bonito Fernando Aranha veio, com ferramentas. Ele e o Rodrigo soltaram um pouco o freio e eu falei que iria daquele jeito mesmo. E fui, com freio enganchando, sem água e sem tomar gel.

Parte 3 – Corrida:
Eu sabia que aqui o bicho ia pegar. Mas não imaginei que fosse tanto.
Minha habilidade com essa cadeira é -5. Eu nao consigo respirar direito nessa posição. Eu sabia que já estaria cansada e o sol iria fritar meus miolos.
A primeira volta foi melhor do que eu esperava. Eu conseguia tocar a cadeira, os atletas convencionais e os poucos paratletas que ainda estavam na prova, me gritavam, me animando. As pessoas que assistiam também me gritavam.

IMG-20150824-WA0025

Porém, fui muito mirim e cometi o erro ridículo de não tomar nenhum gel na corrida. Isso quase me custou a prova! Eu pensava “quando tiver água eu tomo”. A água chegava e eu não tinha tempo de colocar o gel na boca, pegar água e tocar a cadeira. Nessas horas eu queria ser um polvo, mas só tinhas duas mãos. E uma já não é aquelas coisas. Eu pegava a água, bebia metade e jogava metade na cabeça. Eu não transpiro, por causa da lesão, e eu estava fervendo.

Nos últimos 500m eu via tudo preto. Fechei o olho e fui tocando a cadeira. Eu chorava e pensava “Eu vou mesmo terminar minha prova de triathlon?” “Meu sonho está tão perto. Eu vou mesmo conseguir”. Eu estava muito emocionada e isso não deve ter ajudado. Faltando 100m, e depois de novo nos 50m, eu quase desmaiei! Mas eu só pensava: “eu desmaio depois da linha de chegada! Eu vou terminar esse negócio!” Aquelas duas curvas, pelo amor de Deus! Nessa altura, o Hilton já estava do meu lado, ciente do meu estado, me animando. Quando eu avistei a linha de chegada, bem ali na minha frente, eu comecei a chorar de novo e tirei forças sabe deus de onde, pra tocar a cadeira com toda a força que eu ainda tinha e cruzar a linha de chegada!

11949267_1095625913798012_381936412098961205_n

Sim, eu consegui! Realizei meu sonho! Não no tempo que eu gostaria, mas eu fiz! E ao cruzar a linha de chegada, eu senti a mesma coisa do dia que terminei a minha primeira prova de corrida: Eu quero fazer isso pro resto da minha vida!! Posso ter passado mal, por burrice minha, cansei, quase desmaiei, mas só  conseguia pensar o que penso agora: quando é a próxima?

Depois de cruzar a linha de chegada, o Hilton já me levou direto pra tenda, onde eu quase desmaiei de verdade. Já bebi um monte de água gelada, jogaram água na minha cabeça, tomei os 2 sachês de gel que estavam no bolso, colocaram gelo na minha nuca e nos pulsos. Além de ter comido e hidratado, o corpo esfriou na sombra e com o gelo em mim. Em poucos minutos eu estava melhor. Eu só conseguia abraçar o Hilton, o Frango e o Clehomens. Logo a Andrea trouxe minha cadeira e duas bananas. Graças a Deus eu tive ajuda dela e do Wagner pra levar minhas coisas de volta pra pousada (apesar de terem roubado minha touca, deixada na transição. Pelo menos não levaram os óculos de natação).

Logo, já chamaram meu nome pra premiação. E nesse dia, eu me tornei a primeira mulher cadeirante triatleta do Brasil!

11902326_1095673897126547_3336178662199218584_n

Não vou mentir pra vocês que eu estava uma pilha de nervos. E tenho que agradecer imensamente a TODOS  os paratletas que estavam ali e à equipe do Paratri. Ficamos todos na mesma pousada. Sumiu a braçadeira que segura a roda da minha hand (nunca tenho uma prova sem tensão com a minha filha), e o Frango foi caçar bicicletaria na cidade. Os meninos me ajudaram a montar as coisas. Dantas me dando várias dicas de mar. Motorzinho e um outro atleta ficaram até mega tarde, depois do congresso, montando a cadeira de atletismo comigo (que veio desmontada), a linda da Tamiris fez 800 viagens pra levar meus equipamentos pra transição, o mais bonito Aranha parou de almoçar pra buscar chaves pro Gil desmontar a cadeira. Fora o tanto de encorajamento, força, risada que rechearam meu final de semana. Todos da equipe do Paratri foram muito incríveis! Agradeço ao Rodrigo e aos meninos pela ajuda imprescindível nas transições. E a Andrea por me socorrer no final.

Nessa prova, também conheci muita gente legal, fiz várias amizades (até no banheiro do congresso, né Sophia!!), reatei amizades que estavam perdidas e recebi apoio de muita gente! Pessoas que eu conhecia, como  a Márcia, que tirou várias fotos minhas, mas de muitas pessoas que eu não conhecia, mas viam meu nome no número de peito e gritavam, aplaudiam, como que me empurrando no final. Esse apoio todo foi incrível, inesquecível e fundamental pra eu conseguir terminar a prova.

Tenho muito que melhorar, muito que treinar pra baixar meu tempo e muito que batalhar pra conseguir equipamentos melhores. Mas, apesar de todos os perrengues, eu realizei o meu sonho! Curti cada minuto de alegria e de dor. E vou te contar? Se fosse fácil, não teria tanta graça 🙂

 

11891184_1096193003741303_6109734509795186180_n

22
jul

1

Athenas 16k e Pernas de Aluguel

Gente, é muita emoção pra um post só! Mas vou segurar as lágrimas e contar pra vcs como foi minha corrida Athenas 16k com o Pernas de Aluguel.

Pra quem acompanha o blog sabe que essa história começou ha 1 ano atrás, laaaa na Golden Four SP. No pós prova o Edu Godoy me parou pra perguntar se eu usava minha cadeira de uso diário pra correr. Eu expliquei que essas cadeiras não são  permitidas pelas organizações de prova, por motivos de segurança, mas que eu uso a handbike, que ele nunca tinha visto. Mostrei pra ele e expliquei como funciona. Mas ele me disse que uma hand nao daria pra ser usada no caso dele. O Edu é voluntário na Instituição Rainha da Paz e, inspirado na história de Dick e Rick Hoyt,  gostaria de levar as crianças do Rainha pras corridas. Mas elas precisariam ser empurradas. Então falei pra ele dos triciclos. Apresentei o Edu pra Fer Balster, falei do Itimura e da empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos que ele precisava.

Pronto! A partir desse dia, o Pernas de Aluguel entrou definitivamente na minha vida!

Minha alegria ficou gigante quando, em outubro, o Pernas conseguiu fazer sua primeira prova. Infelizmente eu não pude pernas-de-aluguel-4estar la, mas publiquei aqui no blog uma entrevista com  o primeiro atleta cadeirante do Pernas, com a família e a equipe do Rainha. (Quer ler? Clique aqui  http://daninobile.com.br/pernas-de-aluguel/ ).

O tempo foi passando, o Pernas foi crescendo, mas eu nunca conseguia ir em nenhuma prova com eles. É logística e grana demais sair de Ribeirão com a hand pra fazer uma prova de 10km em SP. E nas provas longas deles, eu estava competindo.

Há 1 mês e meio atrás eu comecei a batalhar minha inscrição da Athenas 16k, pra poder estar com o Pernas e dar uma treinadinha pra Golden Four. Mas, eu não consegui me inscrever… Porém, nos 45 do segundo tempo, a família Pernas me presenteou com a inscrição! Isso foi na quarta-feira, pra prova ser no domingo. Pergunta se eu ia faltar. Nem morta!

E la fui eu, no sabadão, toda ansiosa pra reencontrar o Edu na rodoviária, após 1 ano! Pois é! Nos falamos todas as semanas nesse tempão, e cresceu uma amizade verdadeira nesse período. Mas só fomos nos ver nesse dia tããão especial. Eu chorei muito quando ele me disse que era o Pernas que me deu a inscrição.. Cachoeira aberta mode on já começou aqui.

De la, partimos pra casa da Vivi Bogus, que não só me hospedou, como aceitou carregar essa mala de rodinhas que voz fala, mais a minha filha gigante (a hand) pra prova. Nem preciso dizer que não dormi de ansiedade. Mais de meia noite e a doida, que tinha que acordar 4:40, tava fazendo snapchat kkkkkkk

Enfim, chegou o grande dia. E a emoção começou a vucuvuzear em mim assim que chegamos na área das tendas e vi aquele mundaréu de gente, com a blusa do Pernas. Ali no meio, ja tinha um monte de amigos meus. Itimura, Pri, Sindo e mais um montão de queridos.

11709597_648179128652965_2422676538535985599_n

Depois da reunião que o Edu faz pre-prova, três voluntários,  Marcelo e Andréa Calil  e o Daniel Arita, foram comigo e com a hand até a largada. Maaaas, porem, contudo, entretanto, todavia.. todo mundo sabe que eu não consigo fazer uma única corrida  sem emoção! Apesar de estar na tenda 45min antes da  largada, eu cheguei na largada faltando 1 min! O suporte de pé da hand tava desregulado. Só percebi quando sentei nela e minha perna pegou no pneu (de novo!!). A organização tentou atrasar a largada, mas não puderam esperar mais. Ao invés de eu la11696024_10207141146950747_2309325696470379553_nrgar na frente, eu larguei quase 4min depois! Imagina meu desespero! Os meninos ainda tentaram correr na minha frente, abrindo caminho. e tava bem devagar, porque realmente tinha muita gente e pouco espaço. Mas alguns corredores do fone de ouvido no último volume, não nos ouviam.

Depois de 1km, consegui atravessar a pista e comecei a ir do lado de quem tava voltando, bem encostadinha na fita. Logo, a elite me alcançou, mas como eu estava na contramão, eu não bati em ninguém. Desviei de volta pra pista da ida, pra passar no tapete de cronometragem e voltei pra contramão. Quando o fluxo diminuiu, porque o pessoal dos 8k começou a voltar, eu entrei na pista certa e ja havia bem pouca gente na minha frente.

Verdade seja dita, eu tive que parar uma vez pra puxar a mangueirinha do camelback, que ficara presa. E parei mais duas vezes pra arrumar meu pé, que caiu quando passei em buraco. Numa dessas vezes, o staff veio correndo pra ver se eu estava bem. Por isso eu adoro provas da Iguana! Eles realmente tem um staff excelente!

Comecei a voltar. O percurso é bem tranquilo. Poucas e leves subidas e vários falsos planos. Eu fui pra fazer tempo, mas a largada não me permitiu fazer como eu queria. Mas pula essa parte, gente! Na volta, eu já comecei a procurar o pelotão do Pernas, que estava indo. O combinado era eu fazer a minha prova e voltar pra terminar a deles com eles. Minha emoção foi gigantesca, quando vi aquele enorme grupo de corredores (mais de 50) e 7 cadeirantes, que estavam num posto de hidratação, me gritando e me aplaudindo. Nossa, chorei muito naquela hora!

Também tive apoio de muuuitos corredores, amigos e desconhecidos, que me gritavam, batiam palma. Eu amo demais a corrida! Os últimos 4km foram tensos, pois encontrei novamente a multidão dos 8k. E novamente, eu comecei a correr por fora da fita, na contramão de quem ia (mais ninguém!), pra não correr o risco de atropelar nenhum atleta. Engraçado é que, antes de eu passar pro outro lado da fita, tinha um atleta correndo muuuuito. Fizemos uns 2 km juntos. Quando chegou uma subidinha, eu diminuí, e ele ia na minha frente, pedindo passagem pras pessoas que estavam andando. Acredita que fomos xingados?! Juro! Quase surtei!

ath16k-sp-69

Quando terminei os 16k, em 52minutos (tempo oficial no site da prova), tive que passar pela dispersão.  Fui a primeira cadeirante a terminar a prova, mas não tece pódio pra nós! Peguei minha medalha e voltei pra largada, por fora. O pessoal da organização pediu pra eu aguardar um pouco, pois havia muita gente chegando e eles não queriam ver nenhum acidente. Passados 40min, me liberaram pra voltar e encontrar o Pernas. Assim, fui na contramão de quem ia terminar a prova. Vários corredores me gritavam ” mas vai fazer de novo?”  rsrsrs

De repente, lá pelo km 4, eis que eu me debulho em lágrimas, vendo aquele grupo enorme vindo na minha direção! Mais de 50 atletas, 7 cadeirantes e um carrinho de bebê com nossa mascotinha Lully gritando “Vai Pernas”. Gente, foi demais! Pensar que há menos de um ano atrás, era só um sonho do Edu! Passei por trás deles pra fazer a curva e retornar. E comecei a acompanhá-los, cada hora ao lado de uma pessoa diferente, conversando com todo mundo e vendo a alegria dos cadeirantes. Foram momentos mágicos!

11742714_648175925319952_6711737884673802090_n

No último km, a tradição é parar pra tirar uma foto. E pra juntar todo mundo ali?  Fechamos a marginal! Depois, partimos pro último km, todos se ajudando, dividindo água e isotônico. Os batedores iam à frente, pra avisar sobre buracos na pista e avisar os demais corredores que lá vínhamos nós.

11165225_915629005170725_2417092837237912170_nFaltando 50m pra chegada, as palmas altas começaram, e alguns cadeirantes, que conseguem caminhar com apoio, levantaram de seus triciclos e começaram a dar passos lentos, porém firmes e alegres, pra cruzar a linha de chegada. E eu de trás, olhando tudo da hand. Olhando a emoção dos pais, a emoção de quem assistia, a emoção do staff nos vendo chegar. Gente, foi lindo demais. É nessa hora que os ninjas invisíveis começam a descascar cebolas perto dos nossos olhos.  Espero, um dia, poder cruzar a linha de chegada assim com eles!

Terminada a prova e a emocionante entrega de medalhas, rola uma força tarefa pra atravessar a marginal e ir pra tenda da AP academia, que acolhe e ajuda o Pernas em todas as provas. Lá, ia ter outra surpresa! O Marco é pai do Marquinhos. Eles tem ido à várias provas com o Pernas, usando triciclos emprestados. E após a Athenas 21k, foi dia de o Pernas de Aluguel presentear pai e filho com o próprio triciclo deles! Aí foi emoção que não acabava mais! Veio ninja, veio samurai, veio China, Japão e Coreia inteiros descascar cebola perto dos nossos olhos.

Eu e o Edu nos emocionamos muito após a prova, por finalmente podermos correr todos juntos, pela primeira vez. Foi muito incrível! Indescritível! É assim uma corrida com o Pernas de Aluguel. Muita festa, muita risada, superação, amor, companheirismo, cuidado com o próximo. O Pernas já virou uma família. E eu sinto muito orgulho por fazer parte dela!

Se você quiser alugar suas pernas, ou doar para a aquisição de novos triciclos e pro transporte dos cadeirantes até as corridas, entre no site do Pernas e cadastre-se! http://pernasdealuguel.com.br/

 

22021_648178188653059_2313267118819273156_n10336604_648178205319724_4272319410937894467_n

10403077_648178535319691_2309836573121494001_n

11709597_648179128652965_2422676538535985599_n11737857_648179221986289_4594640768563873810_n11738022_915629211837371_7612498107460651465_n11738046_1040349169309102_9068706620120348422_n11745409_1039326896077996_4566212227500032229_n11737964_648178871986324_8412889937905796718_n11745474_648178648653013_741866001063506435_n11745632_1038816452795707_5839551829059184357_n11750658_915628925170733_4487726387949950113_n11751438_648178985319646_4170349543596154070_n11752397_1040349229309096_6620106238248617626_n11753680_648177035319841_6053483962218246306_n11753680_648177038653174_4271032977416535307_n11755137_1040349092642443_1984393092783729049_n11755827_1040349195975766_72399939484458111_n11760133_904490056288861_3153686205915729217_n11755734_648272475310297_4574729541534326985_n11760105_648178888652989_7643754207738399034_n

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11014954_915629428504016_6986103263745239529_n11057646_648179385319606_9043219728681099450_n10513456_648178715319673_6626725305860506148_n

 

11143177_1040349302642422_235250472692121094_n11227906_648178768653001_2279653327931372745_n11694122_1040349422642410_4508151905022774058_n

 

 

 

 

 

13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

AP-Patrick-Donwes-Jessica-Kensky-cross-lin

Dane+Pilon+ING+New+York+City+Marathon+zph63mvkALZl

Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

3519685577

Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

IMG-20141207-WA0005

 

09
dez

13

Volta da Pampulha

Pra quem viu meu post no ig, sabe que tive problemas com a Yescom na hora da largada…Então vim aqui contar, em detalhes, como eu consegui correr essa prova deliciosa em BH!

Já comecei a encasquetar com a Yescom no ato da inscrição. Todas as organizações de corrida pedem laudo médico. E quando eu envio o laudo do Sarah, ninguém questiona nada. Mas, a Yescom questionou! Questionou a data! Queriam um laudo com a data desse ano. E também queriam um atestado médico, com os dizeres específicos de que eu estava apta a participar da Volta da Pampulha. É…não pediram dizendo que estou apta a praticar atividades físicas (porque eu enviei e eles também recusaram), mas um pra essa corrida especificamente. Acabou que troquei uns 285 emails com eles e, faltando 10 dias pra prova, finalmente consegui validar a minha inscrição.

Clipboard01A véspera da prova foi uma delícia deliciosa! Eu encontrei um monte de gente da minha equipe Fun Sports no mesmo voo que o meu e fizemos uma festa no aeroporto! Chegando em BH, tive toda a assistência do mundo do prof Adauto, da equipe Ultra Esportes. Ele me buscou no aeroporto e eu, pensando que ele ia me deixar no hotel, fui surpreendida com “Vamos buscar seu kit! Como você vai buscar depois?” . Chegando na retirada do kit, fui parada por uma repórter e, pra quem não viu, o link ta aqui :p (http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/a-16a-volta-internacional-da-pampulha-sera-realizada-neste-domingo/3815128/ ). Depois o Adauto me deixou no hotel e levou a hand com ele, pra eu não ter aquele trabalhão de “como vou levar a hand pra corrida?” e correr os riscos que sempre acontecem (depois viram piada, mas na hora, dá desespero)!

À noite, pude rever amigos queridos e também trazer amigos do virtual do real. E comer um moooontão de macarrão com tempero mineiro, e com aquela desculpa linda de que é véspera de prova, então pode!

Tudo parecia perfeito, porque eu incrivelmente não perdi a hora. O hotel que a Fer pesquisou, pesquisou e achou pra mim, era MUITO perto da largada, mas pra chegar na área das tendas das assessorias, eu tinha que subir a ladeira do Pelourinho. Então, o Adauto de dispôs a ir até la e me empurrar na subida até a tenda, porque ele não iria correr (sim, eu sempre encontro anjos nas corridas. Esse, foi minha Paty que colocou na minha vida. Ela é minha amiga e atleta dele). Como o tempo tava meio fechado, e eu tive a experiência da calça molhada em Rio das Ostras, optei por ir de shorts na prova. Realmente, quando a gente saiu do hotel, antes das 7h da manhã, tava pingando. Minha hand já estava super a postos na tenda da equipe e eu fui super bem recebida por todos ali. Aí, o Adauto colocou a mão nos meus pneus e viu que estavam meio murchos. Enquanto ele caçava uma bomba pra enchê-los (acreditem, ele fez isso! E eu nem sou aluna dele!), o pessoal da equipe foi levando a hand pra mim, e descendo comigo até a largada. Apenas um comentário: como tem ladeira em BH! Gente, só sobe e desce! A única parte sem ladeira deve ser a Pampulha mesmo!rsrs

10850274_741023242658707_3511180155232444952_nNo caminho, encontramos a Paty e ela também foi comigo até a largada. O pessoal do staff foi super prestativo, abrindo caminho, abrindo as grades, pra gente chegar à largada com tranquilidade. Eu nem acreditava naquela maravilha, o Adauto enchendo meus pneus nos 45 do segundo tempo e eu chegando, com tudo pronto, já na hand, com 10 minutos de antecedência! Mas, como alegria de podre dura pouco, e de pobre aleijado dura menos ainda, quando eu encostei ao lado do Jaciel e do Carlos, toda feliz, alegre e contente, veio um senhor gordo, com uma roupa preta da Yescom e gritou, a plenos pulmões, pra quem quisesse ouvir: “Você está proibida de fazer essa prova”. Assim, na cara, sem nem perguntar o meu nome, sem nem dar bom dia. Ele começou  a gritar, me mandando sair dali, dizendo que eu não iria  correr.

Gente, pra quem me conhece das antigas, sabe que minha paciência aumentou e melhorou uns 900%. Porém, nessa hora, meu subiu um sangue! O sangue italiano subiu junto com o sangue espanhol! E eu gritei, sem nem pensar: “Vou sim!” E ele gritou de volta “Você está proibida de largar” e eu disse “Ah, é? E quem vai me impedir? O senhor?” . Gente, eu não vou transcrever o diálogo aqui, porque foi gritaria. O homem gritava comigo e nem ao menos me ouvia. Um grosso! E não é porque eu saí na tv, e blablabla, que eu tenho que ficar mentindo pra vocês e defendendo a Yescom, não! O argumento dele é que eu estava numa bicicleta e que no regulamento, bicicletas não eram permitidas. E também não gostei quando o cadeirante ao meu lado, reinterou que aquilo era uma bicicleta. Ao invés de ficar quieto, parece que me queria fora da prova..mas eu não quis brigar com ele. Afinal, todo mundo era malacabado… O homem gritava que eu omiti, no ato da inscrição, que correria de handbike. Mas lá não tava perguntando! Graças a Deus e a bons amigos que eu tenho, que me alertaram sobre isso no sábado à noite, eu dei um print no regulamento. A regra era clara: São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas. Não são permitidas cadeiras de uso cotidiano.  Lá não estava escrito “não são permitidas handbikes”, como no regulamento da Wings for Life. O homem gritava e dizia que aquilo era uma bicicleta e que eu não iria correr com ela, pra eu me retirar dali . Eu disse à ele que o regulamento não explicitava a proibição, e quem é que iria me impedir de correr (fui meio tupetuda, admito). E disse que se ele não me deixasse largar ali na frente, sem problemas, eu iria lá pra trás, largar com a geral! Mas que eu iria completar a prova. Ele disse que não, eu teimei que iria pra geral e pedi pra alguém me dar ré.

Então, veio um senhor careca, também da Yescom. Ele parecia menos escandaloso. Eu disse à ele que eu só queria correr a prova. Que nem tinha categoria de cadeirante, com premiação, pra ter aquele escândalo todo. Eu disse à ele que eu só queria correr e ver o meu tempo. Aí ele disse “ok, vou deixar você correr, mas você não vai saber o seu tempo. Você vai ser desclassificada”. Fiquei bem triste! De verdade! Poxa, a gente gasta com avião, com hotel, sai da nossa casa, vai pra lá, acorda cedo, pra fazerem isso, na linha de largada? Mas eu queria correr de qualquer jeito. O outro homem gritou “você assume a responsabilidade?”. Minha vontade era dizer “se eu cair dura na prova, manda a ambulância não me ajudar. Alguém que estiver passando me acode”. Mas eu só disse que sim. Aí ele disse que eu não largaria com os meninos. Largaria depois, pra trás da elite. Como se isso fosse me deixar mais chateada do que eu já estava! Poxa, ao invés de incentivar o esporte, incentivar mais cadeirantes a participar (porque só tinha nós 3), eles ficam criando caso. Aí, pra ajudar, veio o locutor, me perguntar a diferença da minha hand pra cadeira dos meninos. Eu apenas disse que ela é mais barata e de manuseio mais fácil, por isso mais cadeirantes a utilizam e, também por isso, todas as outras organizações de corrida aceitam a handbike nas provas. E respirei! O senhor careca veio, e disse que, apesar de desclassificada, eu poderia largar com os meninos. Falou pra eu tentar ficar perto deles nos primeiros km, porque ainda tinha muita gente na rua, tentando chegar na largada. Eram 7:35.

10846219_913764915300862_4027381057968716665_nE sem nem respirar, largamos. Claro que eu não consegui acompanhar os meninos. O Jaciel voou (meu amigo arrasa!). O Carlos também distanciou bastante de mim. E eu, pra falar a verdade, só chorei por 3km, sem parar. E nessa hora, eu tenho que agradecer ao povo mineiro! Foi esse povo tão maravilhoso e receptivo que me acalmou. Porque eles gritavam e me aplaudiam na rua. Parecia que sabiam que eu estava precisando de apoio. Nos 3 primeiros km, eu nem respondia. Eu só procurava as plaquinhas dos km, querendo que o pesadelo acabasse, e me arrependendo amargamente de ter ido. Mas conforme as pessoas aplaudiam, gritavam, os ciclistas passavam no sentido contrário gritando, eu fui acalmando. E lá pelo km5, eu comecei a curtir a prova. Comecei a conseguir agradecer as pessoas pelo apoio. E comecei a curtir o visual. Já fazia tempo, enquanto eu fazia uma curva, que eu tinha visto o Jaciel, acompanhado pela moto, láááááá do outro, mais de 1km na minha frente. Sabia que nunca iria alcança-los, então eu ia era curtir a paisagem mesmo. E lembrei do que o Guto, técnico de Taubaté, tinha me dito na véspera da prova “quero ver essa média de velocidade aumentar”. E meu treinador, Rodrigo, da Fun Sports, quando me deixou  no aero, dizendo “vai com tudo”. Siga o mestre! Vamos arrebentar, então, dona Danielle. E eu comecei a dar o máximo de mim.

10822468_921628561195722_2136851959_nEntre os km 7 e 8, uma moto encostou em mim. Na garupa, uma moça com colete amarelão. Eu não tenho Garmin. Queria aumentar a média da minha velocidade, mas não tinha nem ideia se eu estava indo bem ou não. Aí perguntei pro moço da moto, qual era a velocidade deles. Pronto, fiz amizade. E a moça me explicou o que eles estavam fazendo ali (o cinegrafista acaba levando a elite pra onde ele quer. E a moça estava sinalizando as curvas, pra que eles corressem na tangente) e eles também me deram várias dicas do percurso! E logo, vem uma moto com uma câmera. Olhei pro lado e entendi: a elite feminina me alcançou. Estavam logo atrás de mim. Aí, até o km 14, eu fui “revezando” com elas. Na subida elas me passavam (óbvio!) e na retinha, eu alcançava, e às vezes até passava elas. E tinha um monte de carro e moto em volta. E eu ficava olhando elas correrem, e tentando passá-las na reta e na descida, e eu fui me distraindo! O povo na rua, sempre gritando e aplaudindo, e tirando várias fotos quando eu passava. Tomara que alguns fiquem animados em também fazer esporte!

IMG-20141207-WA0007

E lá pelo km 14, os homens da elite também me alcançaram. E todo mundo passou de mim na subida. Eu os via, bem ali, na minha frente. Mas quem disse que eu conseguia alcançar? Ai meus braços!! e quando eu tava a poucos metros, teve mais uma subida! aaafff… Mentiu quem disse que não tem subida nessa prova! Tem umas ridículas de tão pequenas, mas que quebram o ritmo de frangotas como eu. E foi assim, assistindo as ultrapassagens e a briga pelo pódio, ali, de camarote, que eu me aproximei do último km. Foi quando o público começou a aplaudir e eu vi a Fer fotografando (a maioria das fotos do post são dela). E logo após a curva, as pessoas formam um enorme corredor, dos dois lados da rua. E a chegada, foi emocionante, porque as pessoas me viam e

IMG-20141207-WA0011gritavam muito e batiam palmas. E por causa da elite, que estava minutos e segundos na minha frente, estava tocando a música do Ayrton Senna. E eu, manteiga derretida, chorei muito! Sinalizaram pra eu ir pra esquerda, porque a elite ainda estava chegando. E quando faltava uns 50metros pra chegada, e eu estava a toda velocidade, um homem fez sinal pra eu virar abruptamente à esquerda! Queria me fazer não passar pelo pórtico. Mas parece que não sabem que handbike não faz curva fechada, 90 graus, muito menos rápido. E eu tentei frear, mas passei direto. E o senhor careca, tava me esperando. E fez sinal pra eu ir em frente. Eu passei no cantinho do pórtico, e parei do lado dele. Só consegui agradecê-lo por me deixar correr, às lagrimas. E veio um monte de gente me tirando dali. Sorte que um fotógrafo, dos 255 que estavam tirando foto dos campeões (eu cheguei logo atrás do terceiro colocado geral), tirou uma foto da minha chegada! Obrigada!

PAMPULHA3

 

 

Atrás da grade de proteção, avistei  a Fabiana, minha amiga cadeirante que tinha ido ver minha chegada. Mas não a deixaram ficar na frente da grade (mais uma falta de consideração da Yescom) e nem ela, nem a família dela, viram nada. Então, o staff, super prestativo, foi me manobrando e abrindo a grade pra eu passar. Logo vieram o Adauto e a Paty, trazendo minha cadeira. Passei pra ela e convidei a Fabiana pra ir pra tenda da Ultra, pra fazer um teste drive na hand (to querendo levá-la pro Paraciclismo). Fomos todos lá pra cima (mais uma ladeira), onde pude pegar a medalha, encontrar os meninos cadeirantes e mais um monte de amigos, tirar fotos, comer (dragãozinho mode on no pós prova), a Fá testar a hand e darmos muita risada.

IMG-20141207-WA0003

Clipboard02No meio disso tudo, apareceram duas moças do staff. Vieram dizer que estavam na largada, que sentiam muito, que todos ficaram horrorizados com o que me disseram e com a forma com que fui tratada, e que estava muito felizes por eu ter ficado firme e feito a prova. Manteiga derretida, chorei de novo, quando fui agradecer.

Gente, o que posso dizer? Essa prova é linda! Muito linda mesmo! O percurso é fácil, o visual é maravilhoso, o clima estava ótimo. Apesar de até abrir sol depois, não estava calor. Pra quem anda, vale muito a pena correr essa prova. É deliciosa! Mas, pra Yescom, só posso dizer que entrem em contato com a Latin, a Ativo e, principalmente, com a Iguana Sports, e aprendam como tratar um deficiente! Seja qual for a deficiência e seja qual for o equipamento usado. A Iguana guardou minha cadeira quando corri a Golden Four, tratam a gente com o maior amor e carinho, querem mais deficientes nas provas e, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência ainda nos homenageou, com foto no face e no instagram.

1654184_913594368651250_1719102324246167372_nÀ toda equipe Ultra Sports, meu muitíssimo obrigada (to esperando as fotos, gente)! Também obrigada aos meus patrocinadores para essa prova (HVex, Pando e Clínica Vita), a todos os amigos que participaram da vaquinha on line e aos meus parceiros de sempre, que sempre confiam em mim como atleta.

Meu tempo? Não sei! No site da Yescom nem tem categoria cadeirante feminina. Mas, aos trancos e barrancos, fui lá e fiz! Isso que importa!

IMG-20141207-WA0010

 

03
dez

0

Copa Brasil de Paraciclismo e Campanha #saidosofa

Gente, demorei pra escrever porque minha viagem de volta foi muito desgastante fisicamente. Mas cá estou, pra contar tudo de maravilhoso que ocorreu durante esse final de semana.

Tudo começou quando eu ganhei a handbike, em junho (se você quer saber como foi, leia aqui http://daninobile.wordpress.com/2014/06/02/1-fim-de-semana-1-monte-de-presentes/), os cadeirantes do paraciclismo começaram a me mandar mensagens, me convidando para conhecer esse esporte. Mas, eu amo a corrida de rua, principalmente as meias maratonas (novidaaaaaaaade!!! dessa ninguém sabia) e eu só pensava nisso. Não queria saber de outro esporte. Em outubro, quando fiz minha inscrição pra Adidas Boost Endless, no RJ, meu amigo paraciclista Dado Camara, disse que ao invés de ir pra essa prova, eu devia ir pra Curitiba, na Copa Brasil de Paraciclismo, pois isso seria melhor pro meu futuro no esporte. Mas eu já estava com tudo pronto e a caminho do Rio.

Na volta, um colega de Taubaté começou a fazer a lavagem cerebral em mim!hahahaha  O Eduardo fez que fez, me convencendo a todo custo, com uma ajudinha do Fred Carvalho e do Dado, pra que eu fosse pra Rio das Ostras. Mas, eu tinha acabado de chegar da Golden Four Brasília. Eu não tinha um centavo de peso (que vale 5x menos que o real)  pra fazer essa viagem. Então, resolvi postar no facebook, perguntando se alguém sabia de algum empresário que gostaria de me patrocinar nessa prova. Na mesma hora, duas amigas me enviaram a mesma mensagem: faça uma vaquinha on line! Pensei, repensei e montei a vaquinha. Ao ver o link, alguns amigos começaram a compartilhar e outros a contribuir com o que podiam, pra me ajudar a ir. A união faz a força e eu já estava achando que iria conseguir ir mesmo! Então, o Eduardo me deu as instruções pra me Federar e me inscreveu pela Equipe de Ciclismo de Taubaté.

Ao ver a vaquinha on line, um empresário resolveu me patrocinar nessa prova. E entrou em contato com outro. Essas empresas são a HVex e Pando. E eu não tenho como agradecer por isso!! Uma amiga, a Mônica Santiago, também resolveu me ajudar com as passagens. Minha gratidão a eles é infinita, pois me possibilitaram ir pra la, arcando com alguns custos que não seriam cobertos pela Federação e pelo Comitê. Aí, vi uma luz no fim do túnel. Vi que, além de participar da minha primeira prova de Paraciclismo, ainda iria sobrar dinheiro pra comprar as passagens pra ir pra Volta da Pampulha, em BH, no dia 7 de dezembro (e agora, também vou pra Taubaté, em outra prova de Paraciclismo, dia 14 de dezembro, com  o mesmo dinheiro. Sim, gente, eu sou econômica! Segurei as pontas e o dinheiro vai dar!!! Obrigada a todos!!)

Totalmente sem ideia do que iria acontecer e de quantos km eu teria que correr em 2 dias de provas, pois ainda não tinha minha classificação funcional, meus treinadores da Fun Sports mudaram totalmente meu treino, pra que eu pudesse rodar um pouco mais na hand, em 2 semanas.  Sofrimento foi fazer 1h30 de rolo, na quarta, véspera da minha viagem. (O rolo é necessário e imprescindível na minha vida. Mas ainda não aprendi a amá-lo! Vocês já sabem disso também). Meus pais vieram embalar a hand pra mim. E na quinta, na cara e na coragem, sem saber o que me esperava, parti pro RJ.

Clipboard01

Chegando no aeroporto, o João, da Federação de Ciclismo do Estado do RJ, já estava me esperando. Ele me levaria pra Niterói, onde eu ficaria no alojamento da Federação, gentilmente cedido aos atletas de outros estados, esperando ir pra Rio das Ostras na sexta bem cedo. Como o carro não tinha som, eu e o João passamos um bom tempo rindo, falando do Rio, das provas, do esporte. Chegando lá, fui recebida com muito carinho pelo Claudio e pela Sarita.

Pensei que ia dormir cedo, mas… no no no (cantem no ritmo da Amy). Meia noite chegaram mais atletas. E minha noite de sono virou uma noite de muito papo alegre até 3h da manhã, quando eu, delicadamente, com meu jeito Fiona de ser, falei pra todo mundo dormir. 5h da manhã chegou o caminhão pra levar as hands e nossas cadeiras de rodas. 7h da manhã foi o fim do semi-sono. Café da manhã e partimos pra Rio das Ostras. Eu brinquei de bater a cabeça no vidro a viagem inteira, dormindo e acordando. Espero não ter dormido de boca aberta, nem babado.

Não tenho a menor ideia de quanto tempo levamos. Acho que umas 2h30 a 3h. Eu acordei já na entrada de Rio das Ostras. Vou resumir essa parte da minha chegada, senão vou levar uns 3 parágrafos contando até o momento que eu, finalmente, entrei no quarto. Válido é dizer que, enquanto eu esperava “me acharem”, porque a Equipe de Taubaté estava num hotel e eu no outro, eu encontrei a Jady (que desde que nos conhecemos em 2013, me chama pro Paraciclismo) e o Ulisses. E, em uns 30 minutos de conversa, pude aprender muita coisa sobre handbike, com essas duas feras.

No caminho do almoço, fui parada por um moço. Era o Guto, técnico da equipe de Taubaté. Ainda não tínhamos feito contato, pois ele estava viajando com atletas de Taubaté de outras modalidades paradesportivas. Após o almoço, ele ficou comigo, esperando minha vez de passar pela classificação funcional.  Enquanto aguardávamos, o Guto me explicou muitas coisas importantes sobre o esporte profissional, como funciona a distribuição de vagas das modalidades e classes, dentro de Campeonatos Mundiais, Paralimpíadas e Parapan. Nada disso eu sabia. A conversa foi super esclarecedora.

Entrei pra ser avaliada e fui classificada como H2. (Se você quiser entender melhor como isso funciona, entre nesse link http://www.cbc.esp.br/default/admin/arquivos/Para-ciclismo%20-%20Artigo%20Classifica%C3%A7%C3%A3o%20Funcional.pdf ). Na saída, encontrei o Mauro, meu amigo de SP, que também estava estreando no Paraciclismo e ia fazer sua classificação. Ele, o Leandro,  amigo do Mauro, A Jady e o Erick, irmão dela, foram grandes parceiros nessa viagem.

Após confraternizar com todos os atletas e técnicos no jantar, fui milagrosamente deixar tudo pronto para o dia seguinte.

1512307_10205565924967186_3153541964552178363_nNo sábado, foi a prova de estrada. Na classe H2, eu teria que dar 9 voltas no percurso, totalizando 19km. Porém, a regra é clara! Quando o primeiro atleta passa pela linha de chegada, os demais atletas daquela classe, sejam homens ou mulheres, ja param de correr. E eu, essa franga com whey, toda atrapalhada com a novidade, vendo a galera das classes H3, H4 e H5 pegando vácuo, olhando pra tentar aprender, toda destrambelhada com o câmbio desregulado e toda tartaruga…não consegui ser rápida o  bastante pra acompanhar os meninos e completar as 9 voltas. Fiquei devendo umas voltinhas.Tenho que treinar mais!

IMG-20141129-WA0005

Durante a prova, aprendi muito! Observava os outros atletas e seu posicionamento na hand (tudo bem que a deles é mais leve que a minha…), a Jady emparelhou comigo e me deu várias dicas. Ela até tentou me ensinar a pegar vácuo, mas eu não consegui acompanhá-la nas duas primeiras pedaladas!! (eu = franga!). Os meninos, até seus técnicos, me gritavam na primeira volta, pra eu mudar as marchas. E o Guto, posicionado estrategicamente em uma das curvas, também me gritava cada vez que eu passava, pra fazer isso ou aquilo, dessa ou daquela maneira. Na curva oposta à que ele estava, eu quase capotei uma hora (igualzinho aconteceu em Brasília) e também eu e Fred quase trombamos, nessa mesma curva, voltas depois. É muita adrenalina! uhuuuu E eu saí linda, maravilhosa, com a marca de sol da blusa no braço hahahaha

IMG-20141130-WA0001

Eu vi que não entendo nada de ciclismo e de bicicleta! Mas nunca é tarde pra aprender! IMG-20141130-WA0009Eu acabei aquela prova extremamente feliz! Claro, com toda a endorfina liberada pelo exercício, não poderia ser diferente. E ainda saí com minha primeira medalha de ouro no Paraciclismo! Não fiz na frente de ninguém, mas chorei sozinha depois, enquanto tomava banho. O treino é de menininho, mas o coração é de menininha mole com TPM. Passou um filme na minha cabeça. De tudo que aconteceu do acidente até agora e tudo que eu já conquistei, sempre apoiada e amparada pela família, pelos amigos, e até por gente que nunca me viu, mas colaborou pra eu ter chegado até ali.

10678691_909318685745485_6221187043972394709_n

Depois da premiação, do banho, do almoço, e de um pouco de descanso, o Guto foi regular a minha bike. Eu observei, sei onde mexe, mas obviamente, não sei fazer! E no dia seguinte, descobri que depois que eu fui dormir, ele ainda regulou outras coisas, como o freio!rs  O resultado disso eu conto depois.

IMG-20141201-WA0024Domingo! Eu nunca tinha feito duas provas em dias consecutivos. Na minha concepção de olhar o céu, ia fazer sol! Mas como meteorologista, eu sou uma ótima cozinheira. Choveu! Ainda bem que eu fui de calça! Nesse dia, era a prova de contra relógio. A cada 1 minuto, larga um atleta. A gente só sabe o resultado depois que todo mundo terminar e e a organização revela quem deu a volta mais rápida em cada classe. Na minha, seriam 3 voltas. A todo vapor, o mais rápido que meu cansaço do dia anterior e da TPM no pico do Everest permitissem. E nesse dia, eu estava cheia de espasmos nas pernas.

IMG-20141201-WA0025

Fazemos uma fila, na ordem que a Federação determina, e esperamos nossa vez de largar. Já começou a chuviscar aí. Mas na hora que eu comecei a correr, a chuva apertou! E eu uso lente de contato. Apesar de estar de óculos de sol e ele proteger um pouco os olhos da chuva, a água entrava por todos os lados e minhas lentes começaram a boiar nos olhos. Eu tinha medo de piscar e elas saírem. Cheguei a dar umas pedaladas de olhos fechados. Eu não sabia o que era pior. Eu só sentia aquele monte de água na roupa e no rosto. As únicas coisas que eu queria eram: a lente não pular pra dar uma nadadinha no asfalto e não sentir dor neuropática por causa do frio.

IMG-20141201-WA0020

Como o Guto regulou a minha handbike, a minha velocidade média aumentou tanto do sábado pro domingo, que quase dobrou! Maaaas, comparada à Jady, que é H3, ou aos meninos H2, ainda continuo uma franga com whey! Eu não tinha muitos parâmetros, pois como a largada é individual, você realmente não sabe quem é o mais rápido. Eu mirava alguns meninos da H1, que largaram antes de mim, e tentava ultrapassá-los, ou pelo menos alcança-los.

Continuou chovendo muito depois que eu terminei a prova. Só parou um tempão depois. Mas ainda tinha atletas na pista. E depois que terminasse a prova de Handcycle, ainda tinha o pessoal da Tandem (deficientes visuais e seus guias) e o pessoal da classe C, que pedalam bikes convencionais, mas que tem algum tipo de deficiência. No começo, eu estava bem. Tirei a blusinha de ciclismo que estava 1425506_909842549026432_5598528202990616210_nensopada, e coloquei um casaquinho. Mas a calça e o tênis continuaram ensopados… E eu fui gelando, gelando…1hora depois eu não estava aguentando de dor. Voamos pro hotel onde parte dos atletas estava hospedada (não o que eu estava), tomei um banho quente num quarto emprestado, peguei roupas emprestadas (dos meninos! Imaginem como eu estava Diva) e voltamos correndo pra tentar pegar minha medalha e ainda ver os outros atletas serem premiados. Cheguei nos 47 do segundo tempo. Mas peguei minha segunda medalha de ouro no Paraciclismo.

Esse final de semana foi de muito aprendizado e muito esclarecedor pra mim! Resolvi que representarei Taubaté em 2015, não só no paraciclismo, mas em outras modalidades esportivas. Não vou parar com as meias maratonas, porque corrida é minha maior paixão! Mas vou ter que conciliar umas 5 ou 6 que quero fazer, com as outras modalidades esportivas mais específicas para cadeirantes, inclusive o Paraciclismo.

IMG-20141201-WA0018

Depois da prova, eu e a Jady decidimos iniciar uma Campanha pra trazer mais meninas pra esse esporte tão gostoso! Chamamos a Campanha de #saidosofa . Temos vagas pra meninas tetras (por favor, venham!!) e paras, em todas as classes. Não vou dizer que vamos encher o paraciclismo de rosa, porque eu gosto é de azul! Mas vamos dar um colorido especial pra esse esporte predominantemente masculino. Gatinhas de rodas, seja qual for a sua lesão, você pode pedalar com a gente. Se você procura um esporte, encontrou! Eu e a Jady fizemos posts nos nossos facebooks e fan pages, nos colocando a disposição para quaisquer informações. Nossos técnicos, Guto e Thiago, também estão à disposição.  Também queremos incentivar os meninos, claro! Mas o nosso foco agora, é trazer meninas pro ciclismo. Se você nunca experimentou uma handbike, fale com a gente, pra dar uma voltinha e ver se você gosta! E se você, cadeirudo, tem uma amiga cadeiruda que ta meio paradinha em casa, manda ela conversar com a gente! Estamos esperando vocês pra correr em 2015, meninas!! bjss

Ah..se você quer ver um pouqinho em vídeo, tem reportagem no G1 do RJ!!  http://globotv.globo.com/inter-tv-rj/rj-inter-tv-1a-edicao/v/rio-das-ostras-rj-recebe-copa-brasil-de-paraciclismo/3802421/

1512439_910715048939182_8310193419195248385_n

21
nov

6

Rolo – um caso de amor e ódio

Recebi várias perguntas esses dias, sobre as postagens no ig e no fb, com a palavra rolo. Um monte de gente me perguntou o que é. E to aqui pra apresentar pra vocês o trem mais chato e necessário que entrou na minha vida!

10676176_895745957102758_1183485060472141038_n

O rolo é um suporte, onde ciclistas colocam a bicicleta, para pedalar em ambientes fechados. Isso salva o pessoal nos dias de chuva, frio ou quando estão sem tempo pra ir pra rua em horário seguro.

rolo

10670152_893237424020278_4268718069803503789_n

 

No meu caso, eu uso o rolo pra pedalar em casa, por falta de escolha. Não tenho carro  pra levar a hand e ir pra ciclofaixa aos domingos (que é longe da minha casa) ou pra levá-la pra pedalar na rua em local seguro, sem muito trânsito e correr o risco de ser atropelada. Então, como eu gosto, tenho e preciso treinar, eu uso o rolo pra treinar no apartamento.

 

Alguns cadeirantes também optaram pelo rolo, pelos mesmos motivos. Outros sortudos, conseguem ajuda pra carregar suas handbikes pros parques ou locais seguros.

Tenho amigos que não se importam de ficar pedalando olhando pra parede. Eu quase morro! Mesmo colocando filmes e seriados. Morro de tédio, principalmente depois de ter pedalado na orla do Rio de Janeiro e de Arraial do Cabo. Mas, na falta de opção, eu optei pelo rolo por livre e espontânea pressão.

10730888_892173414126679_6929010060756952985_n

Entre não treinar  e olhar pra parede, escolhi olhar pra parede. E você? Continua dando desculpas pra não treinar? Se você consegue caminhar, tenha certeza que é mais legal e libertador que o rolo. E se você é cadeirante, também pare de enrolar a si mesmo e à sua saúde! Projeto sai do sofá! Sua saúde agradece!

Enquanto você escolhe, eu continuo odiando o rolo, pelo tédio que ele me traz, e continuo amando-o pela possibilidade de treinar.

10574350_900647893279231_6366980554094879452_n

10
nov

27

2 anos depois – Golden Four Asics Brasília

Eita, que ta difícil escrever, gente! Toda vez que vou escrever um post, eu faço um rascunho mental, e depois pego o computador e metralho tudo de uma vez. Mas hoje eu já passei mal duas vezes quando tentei fazer o meu rascunho mental. Ta uma mistureira, uma bagunceira na minha cabeça. Porque teve muita coisa engraçada nessa prova. Mas eu acho que eu nunca chorei tanto na minha vida, como ontem!

Pra quem não sabe minha história com a Golden Four Brasília, vou resumir. Em 2012, fiz minha inscrição pra G4 Brasília. Seria minha primeira prova do circuito. E eu iria pra tentar fazer minha primeira meia maratona abaixo de 2h (já tinha tentado na meia Internacional do RJ, mas aquela largada 9h me trucidou e não rolou). Inscrição feita, hotel reservado, passagem comprada. Combinei de conhecer vários amigos virtuais naquele dia. E capotei o carro 13 dias antes da prova, fiquei na cadeira e, obviamente, claro, of course, que eu não fui correr. Então, eu fiquei 2 anos sonhando com esse bendita prova, que foi arrancada de mim pelo liquidificador gigante por onde eu entrei e saí viva!

Em agosto desse ano, já com a handbike, fiz a Golden Four São Paulo, que foi deliciosa  e emocionante. Eu perdi um pouco o medo da G4, mas ainda sonhava com Brasília. Porém, quando fui fazer minha inscrição, elas já tinham se esgotado! Até pra deficiente! Eu não acreditava, e mandei um email todo borocoxô, indignado e incrédulo pro pessoal da Iguana Sports (que organiza a G4), que foi respondido pelo Samir, super educado, dizendo que sim, as inscrições estavam esgotadas. Desespero bateu. E por semanas, tive um amigo, o Edu, batalhando essa inscrição pra mim. Mas pra minha sorte, ele contou minha história pra equipe da Iguana e eu fui aceita! Pensa numa pessoa que chorou horrores, quando ele me mandou uma imagem pelo whatsapp, que era a contagem regressiva que o site da Asics faz, pra próxima corrida! Só não pulei de alegria por motivos óbvios. Mas foi quase isso!

Aí, comecei a sonhar e me preparar pra baixar meu tempo. A última meia eu tinha feito em 1h34 e queria fazer a G4 BSB abaixo de 1h30. E eu sonhava com cada km, pensava e planejava cada detalhe. Ia um monte de gente da minha equipe, um monte de amigos de SP, um monte de gente que eu só conheço pelo instagram. E eu ficava pensando naquilo tudo e treinando pra sair tudo maraviwonderful.10628139_898659806811373_4989743234429191836_nNo sábado, a Priscila, cunhada do Edu, me acompanhou do aeroporto até a retirada do kit, enquanto o pessoal de Ribeirão vinha no taxi de trás. Fomos conversando e rindo. E quando o taxi parou, ela abriu a porta do carro e a porta automática do centro de convenções também abriu. E eu vi a placa da Asics escrito “retirada de kit” com a setinha pra direita. E eu comecei a chorar copiosamente de emoção! Entramos na Expo e quando eu vi o 21k branquinho, no meio do saguão, era tipo “to aqui mesmo? Me belisca!” . Como fomos pra Expo direto do aeroporto, estávamos com mala e handbike! A Pri guardou a hand pra mim no stand da Pink Cheeks. E eu fui pra fila de retirada do kit. Quando a moça me entregou o envelope com meu número de peito e disse “é só validar o chip e pegar sua camiseta”, ninjas invisíveis começaram a cortar cebola do lado dos meus olhos. Eu ria e chorava. E bem nessa hora, apareceram o Leandro e o Samir, da Iguana. E eu só podia abraça-los e agradecer por eles me deixarem correr a prova. Me levaram pra validar o chip e pegar a camiseta e eu já fui direto personalizá-la. 

goldenfourbrasilia-22

Gente, eu tava tão feliz que eu fazia piada ali no balcão e já fiz amizade com todos os moços do silk. Mas logo so escuto assim no microfone “o responsável por essa cadeira de rodas de corrida, por favor, compareça junto à mesma. Precisamos guardá-la.” A Expo tava lotando e a hand no meio do povo atrapalhando a passagem. Então,  o locutor (que eu esqueci o nome), disse que tinha medo que ela fosse danificada ou que alguém não a visse e tropeçasse. E que eles guardariam pra mim. Voltei pro meu lugar da fila e ele falou la do microfone. “Atenção Dani Nobile, sua handbike está guardada junto à mesa do som”. Aí, começou a brotar gente. Amigos virtuais, amigos de instagram, gente que me viu no Chegadas e Partidas. Um monte de gente pra falar comigo. Eu fiquei toda pimpona, mas confesso: ainda não sei lidar com isso! Eu ainda sou tímida pra essas coisas. Só consigo sorrir e agradecer, porque eu não sei mesmo  o que fazer e o que falar. Mas eu ganhei tantos abraços gostosos que me deixaram tão feliz. Eu conheci tanta gente legal, de tantas partes do país, tanta gente que me apóia sempre e que eu só conhecia pelas redes sociais. Amizades boas que só a corrida possibilita pra gente! Tirei um montão de fotos (por favor, gente, manda as fotos pra mim!!!) e, verdade seja dita, eu não queria ir embora da Expo. Mas meus amigos de Ribeirão queriam. E eu precisava desovar a handbike no hotel. Me despedi do Flávio, fotógrafo da Iguana, e fui embora de coração partido, e toda feliz!

No almoço, tive uma grata e maravilhosa surpresa. Coincidentemente, um grupão do ig marcou um encontro bem no restaurante que eu fui almoçar. Ah, como foi delicioso, 1743719_861341013899650_2586333168424956291_nconhecer mais amigas e amigos, tirar um monte de fotos, conversar, trocar experiências e abraços. (Gente, quero as fotooooos, pelamor!!!). À noite, fomos na pizzaria, no encontro promovido pelo Divas que Correm, Morgana e Next, algumas assessorias de BSB. Mais fotos, risadas demais, um monte de pizza de merengue de morango (sim, isso existe e é de comer pedindo pra Deus pra pizza não acabar e pro estômago não encher muito depressa). De volta pro hotel, tentei agendar um taxi, que na verdade era uma van, pra ir pra corrida. Mas ele disse que trabalharia até de madrugada e não poderia me levar às 6h pra prova. Milagrosamente, deixei tudo separado pra prova.

Domingo, acordei e fiquei pronta cedo. Desci pro café, mas antes, parei na recepção do hotel e pedi pro moço pedir um taxi pra daí 20min, que fosse grande pra caber a handbike. O trem começou a feder quando saí do café e passei pela recepção e ele perguntou “é mesmo pra pedir o taxi?”. Tipo, já era pro taxi estar lá! Falei pra ele agilizar. Nisso, meus amigos de Ribeirão já foram pra largada a pé. Ficamos no hotel eu e 3 anjos da guarda: Minha companheira de quarto Giselli, do Divas que Correm, e o casal mais engraçado do planeta Yvone  e Vanderlei. Minha sorte foi eles estarem ali. O motorista do taxi chegou, com a maior preguiça do Brasil. Ele nem desceu do carro. Pedi pra ele descer os bancos enquanto a Gi trazia a hand. Acho que ele demorou uns 5minutos só pra isso. Ele colocou a hand no carro, olhou pra mim e pra Gi e disse, na maior calma “é, acho que não vai caber”. Gente, olhei no relógio e eram 6h20! Pensa num desespero, a minha largada sendo 6h45. Mandei ele tirar a hand logo do carro. A Gi se propos a levar  a hand a pé  e eu iria tocando a cadeira pra largada. Mas eu sabia que não ia dar tempo. Apareceram Yvone e Vanderlei. Ela se propos a me empurrar enquanto a Gi e ele levariam a hand, puxando ela roda da frente. Partimos. Eu só conseguia pensar que não ia dar tempo e comecei a chorar. Eu parecia uma TPM ambulante. Ela começou a correr me empurrando e veio a primeira pérola: “você não tem medo que eu te jogue longe?”. “To morrendo de medo. Mas é o que temos”. Caímos na gargalhada, mas estávamos bem tensas.

De repente, meus próximos anjos do dia. Parou uma van, lotada de corredores. E alguém gritou de lá de dentro: “Você precisa de carona?” Eles deram a volta, alguns corredores desceram da van. Colocaram  a hand sobre suas cabeças e foram segurando até a largada. Além da minha cadeira! Também entramos eu e meus 3 escudeiros-amigos. Eu só chorava e agradecia, enquanto a Márcia Rosa, da assessoria que leva seu nome, contava “Eu estava acalmando uma corredora estreante em meia, quando dis10520677_10205183087000512_8147240293449093846_nse pra ela – Olha lá, até a cadeirante vai correr – olhei no relógio e vi que havia algo errado, porque você já devia estar lá.” . Eu, de novo, de torneira aberta, chorava e agradecia. Chegamos ao local da prova e o staff não queria nos deixar passar com a van pra descer a hand. Todo mundo pulou da van, Gi e Vanderlei saíram correndo carregando a hand e a Yvone voando me empurrando atrás. Quando cheguei no tapete, bléft, me estabaquei no chão, de joelho! Sentei no chão e ri de nervoso! Eu tava mega atrasada! Aí chegaram algumas meninas da Fun Sports, minha assessoria de Ribeirão, e o Leandro da Iguana. Força tarefa, operação de guerra. Saltei pra hand, me ajudaram a prender pés e pernas. 3,2,1…largamos!

Não deu tempo nem de pensar, nem de ligar a música! Tinha outro cadeirante disparado na minha frente. Mas a hand dele era mega top das galáxias e eu sabia que não ia conseguir acompanhá-lo. No começo, maior descidão. Como eu queria fazer tempo, encaixei a marcha pesada e saí pedalando alucinadamente. Aí lembrei que podia quebrar. Dei uma segurada, mas correndo forte, tentando ligar a música do celular e me acalmar da emoção da largada que eu nem curti. Tudo isso ao mesmo tempo. No fim daquela descidona sem fim, tem uma curva de 90 graus. Juro que eu brequei bem antes, mas quando fui fazer a curva, achei que a hand fosse virar e eu fosse sair rolando e bater a cabeça na parede do outro lado da rua! Mas não caí, obrigada Deus! Logo veio uma subida e, graças a Deus, a marcha tava leve pra eu demorar, mas subir sem sofrer. Gente, juro que eu comecei a ver as placas dos km passando muito rápido! E eu realmente comecei a achar que ia ser a prova mais linda da minha vida! Eu não tenho relógio, então não sei o meu tempo até ali. Mas eu tava rápida pros meus padrões.

goldenfourbrasilia-51

No eixão, o percurso vai um tantão e depois volta. O cara da hand top topíssima passou voltando por mim. Ele tava um km na minha frente. Eu tava cantando ACDC e feliz demais da conta, pedalando naquele estado de êxtase que só me aparece lá pelo km 15, geralmente. E eu ainda tava passando pela placa do 9. Peguei meu gelzinho dentro da saia. Coloquei o sachê na boca sem abrir, pra esperar um bom momento. Avistei a placa do 10 e pensei “melhor tomar logo. Eu já to morrendo de fome”. Aí eu ouvi um barulho e a hand parou. Olhei pra corrente e ela tinha saído, e ficado presa entre os aros e a catraca.  Bateu desespero. Olhei pra frente e, lá longe, vinha vindo um ciclista gigante de grande, com macaquinho de triathlon. Pensei: vai ser esse mesmo. Comecei a chacoalhar as mãos e braços e gritar. Ele veio. Desceu da bike, demorou pra desprender a corrente daquele lugar horroroso onde ela ficou totalmente presa. Encaixou-a no lugar. Mas a bike tava dura. Ele olhava e não entendia. Dizia que estava tudo certo, aparentemente. Ficou comigo uns minutos, mas voltou pro seu treino. E eu, forçava, forçava, mas não saía do lugar. E estava na subida! Eu nem conseguia alcançar a placa dos 10km. Demorei anos luz. Quando cheguei ali, disse ao moço do staff que precisava de ajuda. Ele disse que ia ligar pra organização, mas ninguem apareceu. Olhei pro outro lado da pista e vi a elite vindo. Aí caiu a minha ficha que eu já devia estar parada há uns 10minutos. O desespero começou a bater quando vi a multidão de corredores se aproximando. Eu sabia que estava parada há muito tempo. Senti uma sensação de derrota e comecei a chorar. Achei que não fosse terminar a prova. Pedi ajuda pros motoqueiros. Nada! Cheguei a pensar em subir numa moto daquela e pedir pra rebocarem a hand. Mas pensar nisso me fazia me sentir pior. Pensava que eu sonhei tanto com aquele momento pra ir embora rebocada pro hotel?

Pra cada ciclista que passava, eu pedia ajuda, ferramentas, mas nada acontecia. Os corredores começaram a passar do outro lado da avenida e gritar meu nome. Eu so conseguia dizer que a bike estava quebrada e via a cara de desolados de vários deles. Eu tentava pedalar, fazia força, mas não saía do lugar praticamente nada. Parecia que estava fazendo força pra frente, mas alguma coisa me segurava e me puxava pra trás. Tentei tomar meu gel e quando fui abri-lo, ele estourou no meu rosto e na minha camiseta. Eu chorava tanto, olhava pra alguém que estava do meu lado e só dizia “olha isso, olha so pra mim”. Juro que me senti ridícula! Em meio a tantos ciclistas que apareceram, um emparelhou comigo, oferecendo ajuda. Ele olhou  a hand, disse que aparentemente não tinha nada errado e pra eu tentar pedalar. Eu fazia força e nada! Ele foi todo solícito e eu me lembro que quase briguei com ele. Que vergonha! Ele falava e eu só respondia “moço, vc não entende, essa corrida é muito importante pra mim.” E chorava. E ele falava que uma prova é igual a qualquer outra e eu falava “não ééééeéééééé” e chorava.

Eu fiquei mais e mais triste quando vi que acabaram os corredores do outro lado da avenida e poucos ainda passavam por mim. E eu nem tinha visto a plaquinha do km 11 ainda! Só sei que esse ciclista, de camiseta verde, foi falando comigo. Calmo, mas tããão calmo! Um monte de gente o cumprimentava. Ele pegou água pra eu lavar a mão que ainda tava toda melecada de gel.E foi falando pra eu não parar, não desistir, que logo tinha uma descida. Ele falava que corrida ta na cabeça, que ia dar certo, que eu ia terminar, era só eu ter calma. E ele não me deixava parar, nem quando meus braços ardiam e a hand não saía do lugar.

Gente, não vou mentir pra vocês. Nesse tempo que fiquei parada e nesses 2km, que juntos duraram mais que meia hora (disso eu sei, me lembro de ver a hora no celular algumas vezes), eu pensei um monte de besteira. Pensei se não devia parar de correr. Pensei que eu fico igual uma besta fazendo esforço, gastando um monte de dinheiro, sem patrocínio, sem ajuda, tudo pra correr. E se isso tava acontecendo, vai ver que não era mais pra eu correr mesmo…um monte de merda! E ao mesmo tempo que eu pensava isso, eu pensava “mas não é possível que seja pra eu parar. Deus, é pra eu parar? Tem certeza?”  E chorava!

Aí, a subida começou a diminuir e a gente começou a entrar numa reta que ia virar descida logo. E o ciclista falando comigo. Eu já tinha tirado o capacete, que tava me sufocando na subida, já tinha tirado os fones de ouvido também. Aí eu simplesmente olhei pro lado e perguntei “moço, qual é o seu nome?” Gustavo! Esqueci de perguntar o sobrenome. E ele fez tanto por mim e passou 11km do meu lado, mas eu não me lembro do rosto dele, apesar de ter olhado pra ele várias vezes. Eu só me lembro da voz, bem calma e tranquila. Gente, enquanto eu chorava e me descabelava, ele tava me tranquilizando o tempo inteiro. E quando entramos na descida, ele disse “agora você vai conseguir descansar um pouco”.

Me deu um click e eu comecei a mexer alucinadamente nas marchas da hand. Até que encontrei uma marcha que eu conseguia pedalar na descida e na reta, sem me matar tanto. E apesar da dor nos braços escruciante, eu só pensei em duas coisas que duas amigas sempre falam: “Taca-lhe pau” e “Pau no gato”. O Gustavo ali do meu lado, falando comigo, das provas que ele fez, de uma que ele quebrou, de outra que não fez, de outra que ele gostou. E de repente, a gente começou a voar. Eu chorava tanto, mas eu comecei a me sentir bem, porque lá pelo km15 eu realmente pensei que eu ia conseguir terminar a prova. Eu pensava no meu tempo horroroso, mas eu pensava que eu ia, realmente, conseguir concluir a prova!

E o Gustavo conhecia o percurso como ninguém. Ele sabia onde ia ter reta, onde ia ter descida, onde ia ter subida. Juntou a agilidade e o conhecimento dele, com minha noção de espaço, sabendo de a hand passa ali no meio daqueles dois corredores ou não, mais a prestimosidade dele, e a gente começou a tentar tirar o atraso. Claro que não ia dar! Eu sabia que não corria mais pra tempo. Corria pra terminar. E a gente saiu pedalando e gritando, pedindo licença pros corredores e procurando os espaços melhores pra gente passar. Tive que brecar às vezes, pra não passar por cima do pé de ninguém, tivemos que correr do lado de fora dos cones uma vez, pra não atropelar ninguém. Mas ia dar certo, graças à ele, que não me deixou ficar la parada sozinha, no km 10, chorando igual uma bestona.

10751896_718738731551055_1375225158_n

 

Começou a garoar, mas a emoção era tanta que incrivelmente eu não sentia frio, apesar de estar correndo de saia (pela primeira vez). O Gustavo falava o tempo todo que eu ia terminar, que ia dar certo, que eu tava indo bem. E quando eu dava “uns pau” na descida, ou ultrapassava alguém agilmente sem causar acidentes, ele dizia “isso Dani”. E foi muito bom receber o incentivo de tantos corredores, que me viram passando e gritavam, aplaudiam, todo mundo torcendo.

10647655_718740528217542_718465425_nAí eu vi a plaquinha do km20! E o Gustavo disse “viu! Falta só 1km, você vai conseguir”! E foi me animando, pedindo licença, e acelerando comigo. E quando faltavam 500m ele disse que era hora do sprint final. Eu não sei nem como eu cheguei até ali, muito menos se ia sair um sprint. Mas eu dei tudo de mim. E tinha muita gente aplaudindo e gritando. E quando tinha a curva, pro pórtico de chegada, ele gritou “tchau, Dani” e foi embora! Eu gritei pra ele voltar, porque eu queria falar com ele. Eu queria abraça-lo, tirar uma foto, pedir desculpas por ter sido chata, grossa, horrorosa e chorar tanto. Mas ele sumiu mesmo e me deixou de frente pro pórtico! E eu passei debaixo dele, freei a hand e chorei sem fim. Mentira, porque eu chorei muito mais depois.hahahahaha

Veio o moço do posto médico, dizendo que minha cadeira estava lá e que eu podia pegá-la quando quisesse. Eu pedi uns minutos. Coloquei os braços atrás da cabeça e fiquei olhando em volta. O pórtico estava atrás de mim. Eu não sabia meu tempo.  Não foi nada como eu planejei. Mas eu tinha, finalmente, terminado aquela prova. E a moça veio colocar no meu peito aquela medalha que eu esperei 2 anos. E ela estava ali, comigo, pendurada no meu pescoço!

O pessoal do staff e do posto médico me ajudou a manobrar  a hand la pra dentro. Subi na cadeira de rodas, tirei os óculos e chorei de novo. Parecia que eu estava tirando um peso de dentro de mim. Olhei pra trás e vi meu amigo Edson, também paratleta, deitado sem a prótese, descansando. Nos abraçamos muito e nos emocionamos! Depois, resolvi lavar minha camiseta que estava toda cheia de gel de chocolate. E enquanto eu lavava, olhava as pessoas chegando, emocionadas, vencendo cada um seu próprio limite. Muita gente chegando mancando, muita gente chegando chorando como eu. Decidi ficar ali um pouco, esperando minha amiga Larissa, e digerindo o que aconteceu. Então veio o Leandro, da Iguana Sports. Eu só fazia chorar e abraça-lo, agradecendo pela oportunidade de, finalmente, correr aquela prova!

Como fiquei ali uns 45minutos, vi muitos amigos, recebi muitos abraços e muito carinho. E pensei que eu ter pensado aquele monte de besteira no meio da prova, devia ser efeitos do gel, do calor, da chuva, ou sei la. Que eu não posso parar de fazer algo que eu tanto amo! Depois, resolvi ir pra tenda da Next. No caminho, encontrei muitas pessoas, que passaram por mim durante a prova, muitos amigos virtuais, muita gente do instagram. Tirei muitas fotos (geeente, me manda as fotos) e recebi muito apoio e incentivo. Peço desculpas pra quem possa ter achado que eu não dei muita atenção. Eu estava toda misturada, entre a sensação de vitória e derrota. Ainda to toda bagunçada por dentro, e to muito emocionada escrevendo esse post. Imaginem na hora!

10811258_718742151550713_2064213594_n

10394063_718358891589039_1696958058563420571_nEntão a organização me procurou, dizendo que ia rolar um pódio! Pensa na bagunça interna da pessoa que não sabia se ria ou se chorava! Nessa hora, encontrei a Márcia e o pessoal da van, que me acudiram na largada. Agradeci e abracei todo mundo! Foi muito bom fazer tantos amigos novos. Na saída dali, encontrei  o Samir, da Iguana. E bem nessa hora, eu decidi que ano que vem eu farei as 4 etapas da Golden Four. E conversando com ele, depois com a Fer, a Lari e o Ri, que logo apareceram me procurando, eu percebi que meu objetivo foi cumprido. Tudo errado, tudo torto, tudo fora do padrão e totalmente diferente do que queria e programei. Mas eu completei a prova! Esse era o objetivo principal. E como bem disse o Gustavo, meu ciclista-anjo, e depois o Evaldo, por whatsapp, nem sempre dá pra fazer 1456790_718343924923869_3254430696929458510_no que planejamos numa prova. Então, com o coração partido e a certeza de que tenho que aprender muito nesse vida, principalmente com essa prova, eu vou ter que deixar pra baixar meu tempo nas 4 etapas do ano que vem!

 

10811574_718743114883950_1570020575_n

Rolou o pódio. Tinha pouca gente ali na hora, mas eu recebi muito carinho de todos, inclusive de um corredor surdo, que me ajudou na largada e estava louco atrás de mim, pra me ver pegar o troféu. Ele também ganhou o dele e foi um amor de pessoa comigo! Encontrei o Flávio, fotógrafo da Iguana e fizemos mais algumas fotos lindas (que eu to louca pra ele me mandar). E outras tantas lindas com a Fer Balster. Vou colocar tudo na fan page do Blog amanhã! To ainda procurando as fotos com a galera e esperando o povo postar e me marcar. Por isso não coloquei todas aqui! E juro que não terá delay eterno de fotos dessa vez.

goldenfourbrasilia-5

10311053_718347454923516_7375073418936683957_nFinalmente, cheguei na tenda da Next. E logo veio a Morgana, me entregou uma taça de champanhe e disse “vamos comemorar”. Ali, veio aquela sensação de alívio! Comi bolo do Divas que Correm, tirei mais um monte de fotos, abracei muitas amigas que saíram do instagram direto pro meu coração e levo desse dia, um monte de lições, de lembranças, de emoções, de carinho, de amor e de amigos. E eu chorei tanto que dava pra fazer cataratas do Iguaçu na Cantareira. Eu acabaria com a seca de São Paulo rapidinho. Sequei! Bebi água o dia inteirinho, depois!

10799253_718738358217759_70243135_n

Quanto ao Gustavo, continuo à sua procura! Tem um montão de gente tentando me ajudar a encontrá-lo. Parece que ele é da Top Assessoria. A Fer Balster (que tirou todas as fotos desse post, exceto três, que são do Flávio, da Iguana) conseguiu clicar a gente junto, bem no final! Se alguém o conhecer, me ajudem!! Eu queria poder abraça-lo e agradecer por tudo que ele fez por mim, pedir desculpas por ser tão chata e ter chorado e reclamado tanto. Me arrastei por vários km, mas só terminei a prova por causa dele! Tenho mil agradecimentos pra fazer, inúmeras pessoas que me incentivaram durante o percurso todo. E a torcida que estava por trás do sonho, treinadores, amigos, parceiros… Porém, devo minha prova e esse troféu ao Gustavo. Não sei de onde ele saiu, nem pra onde foi que nem me deixou agradecê-lo. Se alguém souber, digam-lhe que foi ele que possibilitou a realização desse sonho!

10599723_718344911590437_7971537905616067777_n

 

21
out

0

Adidas Boost Endless – um sonho que quase virou pesadelo

Ainda estou digerindo tudo me aconteceu domingo!rs  Juro! Essa corrida foi boa demais, mas também foi um misto de sentimentos, devido ao desafio +1km! Vou contar o motivo!

Primeiro, vou falar sobre a prova em si! Pra quem nunca ouviu falar, o desafio Adidas Boost Endless consiste em algo que eu chamo de “3 corridas em 1”. Primeiro você corre 10km. Descansa (cerca de 30minutos) e corre mais 5km. Os tempos dessas duas distâncias são somados. Os 100 homens mais rápidos e as 50 mulheres mais rápidas disputam um tiro de 1km.

Quem me conhece sabe que sou louca por coisas diferentes e virei a louca das inscrições. E quando soube da prova, eu queria fazê-la. A lógica seria fazer em São Paulo, bem mais perto da minha cidade. Porém, o percurso não favoreceria muito a cadeira/handbike. Então, optei por fazer no Rio de Janeiro. A prova no Aterro seria delícia e eu poderia correr de novo no Rio depois de 2 anos!

Cheguei na sexta-feira pra retirar o kit e fui super bem recebida na loja da Adidas, tanto pelo pessoal da empresa quanto pelo pessoal da Latin, empresa organizadora. Sábado, por um milagre, eu deixei tudo separado, roupa, tênis, número de peito…não deixei nada pra última hora.

Porém, meu medo de perder a prova começou no domingo de manhã, quando um acidente fez com que a via que escolhemos (por ser mais rápida) pra chegar até a prova estivesse bloqueada. Tivemos que dar a maior volta pra conseguir chegar lá (eu estava hospedada na casa da Dani, do outro lado da cidade). O Paulo, meu amigo-anjo, teve que ter a maior paciência comigo, toda desesperada dentro do carro. (Pra quem  não viu no instagram, o Paulo é amigo de um amigo. Ele não me conhecia e anulou sába1620829_884936934850327_7632849102251115215_ndo à noite e domingo de manhã, só pra me levar na corrida, me ajudando a transportar a handbike). E sim, quase perdi a largada mesmo! O staff pelo caminho não sabia nos informar nada e não nos deixava passar com o carro pra descarregar a hand, apesar de eu ter sido autorizada por um moço da Latin, na sexta-feira.

 

Cheguei na largada  faltando 10 minutos, mas sem o chip. Enquanto o Paulo corria pra pegar o chip, eu tentava convencer o pessoal da organização a me ajudar a posicionar a hand, que daria tempo. Mas, acharam melhor eu largar por último. Correria total, a roda da frente da hand soltou e o Paulo teve o maior trabalho pra recolocar. Dois meninos (umas graças, me ajudaram o tempo todo), ajudaram o Paulo a posicionar a hand, me ajudaram a posicionar e amarrar as pernas. E lá fui eu, no desespero, sem dar tchau!

No percurso todo dos 10km, eu tive que pedir licença…tá, eu gritava pra pedir licença! Mas eu pedia por favor!!rs Fui ultrapassando vários corredores, brecando várias vezes pra não atropelar ninguém. Estava sem música, porque não deu nem tempo de colocar os fones e ligar o celular. Desesperei quando vi que a água não saía pela mangueira do camel back. A mangueira devia ter dobrado. Na correria, nem tive tempo de testar. Tive que parar duas vezes pra pegar água na prova. Bebia um pouquinho, coloca o copo aberto no colo e ia bebericando no caminho.Bebendo o que sobrou, né?! Porque a água caía todinha no meu colo hahahaha.Ainda bem que estava calor! Enfim, faltou hidratação pra mim  e eu sabia que isso me prejudicaria na prova de 5km (e talvez na de 1km, se eu fizesse).

63a6916f738f0f74b3adb7a50a18817f

Passei pelo pórtico dos 10km e o relógio marcava 48min. Não estava cansada e não tinha nem ideia do meu tempo, porque larguei atrás e não lembrei de olhar o relógio do pórtico quando larguei. Teria que esperar…Ai meu coração de curiosa!!rs  Qual foi minha surpresa quando o Paulo, meu amigo-anjo, estava ali, me esperando! Achei que ele fosse me deixar lá e ir embora..rs Mas não! Me acompanhou a manhã toda! Me ajudou com água, tirou fotos, ficou comigo no descanso… Optei por ficar na handbike no período entre os 10 e os 5 km. Era so comer e beber..Mas acabei saindo dela e sentando na grama, na sombra, um pouquinho, conversando com o Paulo e vendo o pessoal. Até ali, foi uma coisa meio “Buenos Aires”. To acostumada a correr em SP, cheia de amigos. E ali, no RJ, me senti como em BA enquanto esperava as meninas, sem muitos amigos por perto. Mas isso logo iria mudar.

63fa546c3ff50e6c212460b4b5844557

10 minutos antes da largada dos 5km, já fui me posicionar, conforme orientação da organização. Dessa vez, largaria na frente. Ao meu lado, uma atleta deficiente visual e sua guia. A guia veio me dar oi e desejar boa prova. Olhei pra ela e disse “acho que conheço você. Você não é amiga do Vinícius (meu amigo corredor – que tá parado – do RJ)?”  Pronto! Foram sorrisos e risadas. E abraços! A Márcia lembrou de mim! E como corre essa mulher. E ela me apontou mais um corredor conhecido, que estava bem atrás de nós, na linha da largada. Largamos! No começo, fui que fui…até que ouvi um “plec” na corrente. A marcha desregulou, a corrente saiu do lugar. Foi pra marcha pesada e não voltava. Estava travada. Olhei pra frente e…subida! Era uma subida besta, que eu faria facilmente…se a marcha não tivesse quebrado…de novo!!! (eu já não sei mais o que fazer com isso).

Quase morri pra hand subir aquilo… Mas continuei pedalando…. Fui beber água e, apesar de ter testado a mangueira antes de sair, ela dobrou de novo e eu não tinha água…de novo!! Resultado? Quebrei! Óbvio! Sem água naquela calor! Mas eu tenho bons amigos que, sem saber, passaram por mim, deram oi, e isso me animou a continuar. Como o Eduardo, que me chamou, deu tchauzinho..não conse10632651_10152370994691283_1635800851599196429_nguimos tirar foto juntos, mas os fotógrafos da prova fizeram isso pra nós!…Dei meu máximo, mas chegou uma hora que os braços já não iam mais. Eu pedalava na reta parecendo que estava na subida. Gente, tem que rir pra não chorar! Nessa hora, eu resolvi pedalar do jeito que dava, curtir minha música e aquele visual maravilhoso. Eu já estava paquerando aquele céu, aquele sol e aquelas montanhas desde a prova dos 10km. Pra quem não sabe, eu e o Rio vivemos num caso de flerte e amor eterno (apesar de eu ter que dividí-lo com minha amiga Kauana). Então, naquele momento, eu não tinha nada melhor pra fazer, a não ser cantar e olhar a paisagem, fingindo que eu estava dando uma voltinha de hand pelo Aterro. Avistei a linha de chegada e quando passei por ela, meus braços caíram de cansaço!

Logo vieram o Paulo e os dois mCYMERA_20141021_123221eninos do staff, me dar água, e me ajudar a passar pra cadeira. Nessa hora, toda descabelada, a corrida começou a ficar boa. Aquela sensação de endorfina, aquela coisa boa de final de prova, invadindo meu corpo. Eu, toda descabelada pelo tira e poe capacete, comecei a encontrar amigos. Primeiro foi o Rafa..aaahh, como eu queria encontrar esse homem! rsrs  Depois foi a Debora! Que surpresa boa!  Delícia abrCYMERA_20141021_122136aça-la e conversar um pouquinho. Pronto! Eu já tinha ganhado o dia!

 

Daí, fui ao banheiro, comi, bebi um monte de água, passeei, fiz massagem, cumprimentei mais amigos e conhecidos. E fui olhar o telão com meu tempo. Pelas minhas contas eu tinha feito os 10km + 5km em 1h10 (mas na verdade deu menos que isso!! uhuuu) e a última das 50 mulheres que disputariam o desafio +1km fez em 1:15..ou seja, eu consegui o índice! Por que meu nome não estava lá?

Ao lado do telão tinha uma mesa com computadores e eu fui perguntar. A moçCYMERA_20141021_122230a não sabia me informar nada, mas disse que procuraria alguém pra me ajudar. Enquanto eu esperava, fui convidada a dar uma entrevista, falando sobre a prova, como foi correr, parar e correr de novo, sendo cadeirante. Gente, vou falar pra vocês o que falei pro moço. Foi difícil! Foi desafio mesmo! To acostumada a correr 21km e minha segunda volta é sempre melhor que a primeira. Essa coisa de parar e correr de novo, ainda mais por ter ficado sem água, foi complicado! Só a massagem pra me salvar!rsrs  Ali no final da entrevista, encontrei a Marcia de novo, rimos, tiramos foto e ela me deu uma dica de prova pro ano que vem!

Logo, fui procurar a moça dos computadores de novo. Já tinha um rapaz me esperando. Ele me indicou a mesa de cronometragem ao lado do pórtico de largada. Cheguei la e fiz a mesma pergunta que tinha feito duas vezes antes: “Pelas minhas contas, meu nome deveria estar entre as 50 pra correr o último km. Você pode ver meu tempo, por favor? Queria saber porque meu nome não está lá”. Aí a coisa começou a ficar séria quando ouvi “vou confirmar, mas deve ser porque você é deficiente e não temos a categoria”. Oi? Gente, fervi por dentro!!! A partir do momento que não há a categoria, mas aceitaram a minha inscrição, se eu consegui o índice, eu tenho que ser aceita pra fazer a prova! Eu fui ali pra isso! Fui, treinei e me matei pra conseguir estar entre as 50. Esse era meu objetivo! Eu sabia que não haveria troféu pois não há a categoria. Mas eu fui pra estar entre as 50,a graça da prova era essa! Se eu consegui, eu queria estar lá! Fervi! O moço disse que ia chamar outro moço. Esperei, esperei e nada! O Paulo, atrás de mim o tempo todo. Olhei bem pro moço e disse, com calma de faz-de-conta (por dentro eu estava uma pilha)  “Ele vai demorar? Se ele só vier falar comigo depois da largada, vou entrar com processo contra a organização”.  Ele avistou outra pessoa de longe e disse “Vai la, que ele pode te ajudar”. Lá vou eu de novo. Pra ouvir a mesma coisa. Aí eu briguei e chorei. Disse pro moço que isso era preconceito! Só porque estou na cadeira de rodas eu não posso fazer um bom tempo? Reclamei mesmo! Eu disse a mesma coisa pra ele:  Se a organização aceitou minha inscrição, mesmo não havendo categoria, e eu consegui o índice, eu queria correr. Ele entrou e saiu da tenda mil vezes. E voltou, falou a mesma coisa. Eu repeti tudo de novo. Ele disse que não haveria premiação, pois não havia categoria. Eu disse que tudo bem. Mas que eu queria meu nome no telão e queria correr. Ele olhou pra mim com cara de dó! Disse que não ia colocar meu nome no telão, mas que se eu SÓ queria correr, eu poderia. Fiquei muito brava! Chorei de ódio e disse à ele que não queria correr por pena, mas por mérito meu, que treinei igual a todo mundo! Não é SÓ correr! Ele sabe o que a corrida significa pra mim? Aposto que ele não corre!

Enfim, me colocaram pra dentro da tenda das 50, porque estava juntando gente em volta. E veio maaaais um falar comigo. Aí veio o argumento de que era injusto eu correr, tirando a oportunidade de outra atleta, pois era injusto eu usar a handbike que é  muito mais rápida que correr com as pernas e que se não o fosse, não haveria Paralimpíadas. Eu disse à ele que se eu fosse tão rápida, teria chegado em primeiro lugar. E se fosse assim, que nem aceitassem minha inscrição. Mas se aceitaram e eu consegui fazer o tempo (beeeeem acima das primeiras colocadas), que eu queria correr sim, e não por dó, mas por mérito meu, que me esforcei igual à todo mundo.

Gente, eu já estava tão nervosa e chateada que meu corpo tava reclamando, com energia ruim de estress correndo dentro dele e pedindo uns sorrisos pra aliviar… Poxa vida!  Respirei fundo, peguei meu chip, minha camiseta (enorme pro meu tamanho) e fui me posicionar na hand. Aí, vem mais uma. Queriam que eu corresse sozinha pra não correr riscos de causar acidentes pras outras atletas. Oi? Na hora de me mandar largar atrás nos 10km e ultrapassar, no mínimo, uns 200 atletas, não pensaram nisso, não? Pedi pra largar na segunda bateria feminina e disse que esperaria as meninas saírem e eu sairia atrás. Concordaram e foi o que eu fiz.

379ed48e2875e8011ebf73ccb9fe2b80

Largamos. Eu com a hand pesada. O percurso ia 500m e voltava 500m. Eu perdi um tempão na hora de fazer a curva e já estava destruída quando faltavam uns 100m. Mas não cheguei por útimo, apesar de largar por último! Agradeci aos organizadores pela oportunidade, peguei minha medalha, bebi água, dei tchau pros meus amigos e parti, antes mesmo da premiação, pra não alugar ainda mais o Paulo, que estava comigo desde cedo. E já eram quase 11h30 da manhã.

1557432_884602994883721_6368610319848552191_n

Conversando com amigos depois da prova, pelo whatsapp, alguns foram a favor da organização, já que não tinha categoria, eu não tinha nada que querer correr. Outros foram a meu favor. Se eu tinha que ter corrido ou não, ou quem tem razão, ou se existe certo ou errado nesse caso, eu não sei.  Só sei que, entre mortos e feridos, eu adorei a prova. Como não amar, depois de toda a sensação boa que a corrida nos trás? Como não amar correr numa cidade tão linda, a minha preferida no Brasil? A organização foi impecável nos quesitos:  água gelada e  isotônico gelado durante o percurso e no pós-prova, nas 3 distâncias, mini barras de proteína e frutas no final de cada distância. Tudo à vontade. Um local com, não sei como descrever, uma garoinha fina, após retirarmos as medalhas, pra nos refrescar do calor – naquele sol, perguntei se eu poderia ficar ali pra sempre. Ofurô de gelo, massagem, tudo funcionando impecavelmente! Eu não ouvi nenhuma reclamação de nenhum corredor sobre isso. Pelo contrário! Depois do 1km, enquanto eu hidratava na sombra junto com mais 2 corredores (uma moça e um moço), estávamos justamente elogiando a Adidas e a Latin sobre isso!

Preciso agradecer o carinho com que fui tratada pelo staff, por todos que me ajudaram no “traz handbike, leva handbike, sobe na handbike, desce da handbike”, a todos que me aplaudiram, torceram, me cumprimentaram durante a prova ou no final dela. Ao Paulo, mil obrigadas por ficar comigo o domingo inteiro no sol!!

Essa prova tão diferente e tão legal, marcou minha volta às corridas no RJ. Tenho planos de voltar em breve, se o dinheiro der e os treinadores não me matarem, nem gritarem “para de fazer inscrição, Dani” hahahahahaha

Também foi minha primeira de shorts, não de calça! To tentando lidar com a temperatura comporal e uma prova nesse lugar lindo e num dia quente foi perfeito pra parar de usar legging e voltar aos shorts que eu tanto amo!

Aaaahh, querem saber meus tempos?? Ta aí :p

75ca3cf04194f46169e5431de163f273

Page 1 of 2