21
out

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Adidas Boost Endless – um sonho que quase virou pesadelo

Ainda estou digerindo tudo me aconteceu domingo!rs  Juro! Essa corrida foi boa demais, mas também foi um misto de sentimentos, devido ao desafio +1km! Vou contar o motivo!

Primeiro, vou falar sobre a prova em si! Pra quem nunca ouviu falar, o desafio Adidas Boost Endless consiste em algo que eu chamo de “3 corridas em 1”. Primeiro você corre 10km. Descansa (cerca de 30minutos) e corre mais 5km. Os tempos dessas duas distâncias são somados. Os 100 homens mais rápidos e as 50 mulheres mais rápidas disputam um tiro de 1km.

Quem me conhece sabe que sou louca por coisas diferentes e virei a louca das inscrições. E quando soube da prova, eu queria fazê-la. A lógica seria fazer em São Paulo, bem mais perto da minha cidade. Porém, o percurso não favoreceria muito a cadeira/handbike. Então, optei por fazer no Rio de Janeiro. A prova no Aterro seria delícia e eu poderia correr de novo no Rio depois de 2 anos!

Cheguei na sexta-feira pra retirar o kit e fui super bem recebida na loja da Adidas, tanto pelo pessoal da empresa quanto pelo pessoal da Latin, empresa organizadora. Sábado, por um milagre, eu deixei tudo separado, roupa, tênis, número de peito…não deixei nada pra última hora.

Porém, meu medo de perder a prova começou no domingo de manhã, quando um acidente fez com que a via que escolhemos (por ser mais rápida) pra chegar até a prova estivesse bloqueada. Tivemos que dar a maior volta pra conseguir chegar lá (eu estava hospedada na casa da Dani, do outro lado da cidade). O Paulo, meu amigo-anjo, teve que ter a maior paciência comigo, toda desesperada dentro do carro. (Pra quem  não viu no instagram, o Paulo é amigo de um amigo. Ele não me conhecia e anulou sába1620829_884936934850327_7632849102251115215_ndo à noite e domingo de manhã, só pra me levar na corrida, me ajudando a transportar a handbike). E sim, quase perdi a largada mesmo! O staff pelo caminho não sabia nos informar nada e não nos deixava passar com o carro pra descarregar a hand, apesar de eu ter sido autorizada por um moço da Latin, na sexta-feira.

 

Cheguei na largada  faltando 10 minutos, mas sem o chip. Enquanto o Paulo corria pra pegar o chip, eu tentava convencer o pessoal da organização a me ajudar a posicionar a hand, que daria tempo. Mas, acharam melhor eu largar por último. Correria total, a roda da frente da hand soltou e o Paulo teve o maior trabalho pra recolocar. Dois meninos (umas graças, me ajudaram o tempo todo), ajudaram o Paulo a posicionar a hand, me ajudaram a posicionar e amarrar as pernas. E lá fui eu, no desespero, sem dar tchau!

No percurso todo dos 10km, eu tive que pedir licença…tá, eu gritava pra pedir licença! Mas eu pedia por favor!!rs Fui ultrapassando vários corredores, brecando várias vezes pra não atropelar ninguém. Estava sem música, porque não deu nem tempo de colocar os fones e ligar o celular. Desesperei quando vi que a água não saía pela mangueira do camel back. A mangueira devia ter dobrado. Na correria, nem tive tempo de testar. Tive que parar duas vezes pra pegar água na prova. Bebia um pouquinho, coloca o copo aberto no colo e ia bebericando no caminho.Bebendo o que sobrou, né?! Porque a água caía todinha no meu colo hahahaha.Ainda bem que estava calor! Enfim, faltou hidratação pra mim  e eu sabia que isso me prejudicaria na prova de 5km (e talvez na de 1km, se eu fizesse).

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Passei pelo pórtico dos 10km e o relógio marcava 48min. Não estava cansada e não tinha nem ideia do meu tempo, porque larguei atrás e não lembrei de olhar o relógio do pórtico quando larguei. Teria que esperar…Ai meu coração de curiosa!!rs  Qual foi minha surpresa quando o Paulo, meu amigo-anjo, estava ali, me esperando! Achei que ele fosse me deixar lá e ir embora..rs Mas não! Me acompanhou a manhã toda! Me ajudou com água, tirou fotos, ficou comigo no descanso… Optei por ficar na handbike no período entre os 10 e os 5 km. Era so comer e beber..Mas acabei saindo dela e sentando na grama, na sombra, um pouquinho, conversando com o Paulo e vendo o pessoal. Até ali, foi uma coisa meio “Buenos Aires”. To acostumada a correr em SP, cheia de amigos. E ali, no RJ, me senti como em BA enquanto esperava as meninas, sem muitos amigos por perto. Mas isso logo iria mudar.

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10 minutos antes da largada dos 5km, já fui me posicionar, conforme orientação da organização. Dessa vez, largaria na frente. Ao meu lado, uma atleta deficiente visual e sua guia. A guia veio me dar oi e desejar boa prova. Olhei pra ela e disse “acho que conheço você. Você não é amiga do Vinícius (meu amigo corredor – que tá parado – do RJ)?”  Pronto! Foram sorrisos e risadas. E abraços! A Márcia lembrou de mim! E como corre essa mulher. E ela me apontou mais um corredor conhecido, que estava bem atrás de nós, na linha da largada. Largamos! No começo, fui que fui…até que ouvi um “plec” na corrente. A marcha desregulou, a corrente saiu do lugar. Foi pra marcha pesada e não voltava. Estava travada. Olhei pra frente e…subida! Era uma subida besta, que eu faria facilmente…se a marcha não tivesse quebrado…de novo!!! (eu já não sei mais o que fazer com isso).

Quase morri pra hand subir aquilo… Mas continuei pedalando…. Fui beber água e, apesar de ter testado a mangueira antes de sair, ela dobrou de novo e eu não tinha água…de novo!! Resultado? Quebrei! Óbvio! Sem água naquela calor! Mas eu tenho bons amigos que, sem saber, passaram por mim, deram oi, e isso me animou a continuar. Como o Eduardo, que me chamou, deu tchauzinho..não conse10632651_10152370994691283_1635800851599196429_nguimos tirar foto juntos, mas os fotógrafos da prova fizeram isso pra nós!…Dei meu máximo, mas chegou uma hora que os braços já não iam mais. Eu pedalava na reta parecendo que estava na subida. Gente, tem que rir pra não chorar! Nessa hora, eu resolvi pedalar do jeito que dava, curtir minha música e aquele visual maravilhoso. Eu já estava paquerando aquele céu, aquele sol e aquelas montanhas desde a prova dos 10km. Pra quem não sabe, eu e o Rio vivemos num caso de flerte e amor eterno (apesar de eu ter que dividí-lo com minha amiga Kauana). Então, naquele momento, eu não tinha nada melhor pra fazer, a não ser cantar e olhar a paisagem, fingindo que eu estava dando uma voltinha de hand pelo Aterro. Avistei a linha de chegada e quando passei por ela, meus braços caíram de cansaço!

Logo vieram o Paulo e os dois mCYMERA_20141021_123221eninos do staff, me dar água, e me ajudar a passar pra cadeira. Nessa hora, toda descabelada, a corrida começou a ficar boa. Aquela sensação de endorfina, aquela coisa boa de final de prova, invadindo meu corpo. Eu, toda descabelada pelo tira e poe capacete, comecei a encontrar amigos. Primeiro foi o Rafa..aaahh, como eu queria encontrar esse homem! rsrs  Depois foi a Debora! Que surpresa boa!  Delícia abrCYMERA_20141021_122136aça-la e conversar um pouquinho. Pronto! Eu já tinha ganhado o dia!

 

Daí, fui ao banheiro, comi, bebi um monte de água, passeei, fiz massagem, cumprimentei mais amigos e conhecidos. E fui olhar o telão com meu tempo. Pelas minhas contas eu tinha feito os 10km + 5km em 1h10 (mas na verdade deu menos que isso!! uhuuu) e a última das 50 mulheres que disputariam o desafio +1km fez em 1:15..ou seja, eu consegui o índice! Por que meu nome não estava lá?

Ao lado do telão tinha uma mesa com computadores e eu fui perguntar. A moçCYMERA_20141021_122230a não sabia me informar nada, mas disse que procuraria alguém pra me ajudar. Enquanto eu esperava, fui convidada a dar uma entrevista, falando sobre a prova, como foi correr, parar e correr de novo, sendo cadeirante. Gente, vou falar pra vocês o que falei pro moço. Foi difícil! Foi desafio mesmo! To acostumada a correr 21km e minha segunda volta é sempre melhor que a primeira. Essa coisa de parar e correr de novo, ainda mais por ter ficado sem água, foi complicado! Só a massagem pra me salvar!rsrs  Ali no final da entrevista, encontrei a Marcia de novo, rimos, tiramos foto e ela me deu uma dica de prova pro ano que vem!

Logo, fui procurar a moça dos computadores de novo. Já tinha um rapaz me esperando. Ele me indicou a mesa de cronometragem ao lado do pórtico de largada. Cheguei la e fiz a mesma pergunta que tinha feito duas vezes antes: “Pelas minhas contas, meu nome deveria estar entre as 50 pra correr o último km. Você pode ver meu tempo, por favor? Queria saber porque meu nome não está lá”. Aí a coisa começou a ficar séria quando ouvi “vou confirmar, mas deve ser porque você é deficiente e não temos a categoria”. Oi? Gente, fervi por dentro!!! A partir do momento que não há a categoria, mas aceitaram a minha inscrição, se eu consegui o índice, eu tenho que ser aceita pra fazer a prova! Eu fui ali pra isso! Fui, treinei e me matei pra conseguir estar entre as 50. Esse era meu objetivo! Eu sabia que não haveria troféu pois não há a categoria. Mas eu fui pra estar entre as 50,a graça da prova era essa! Se eu consegui, eu queria estar lá! Fervi! O moço disse que ia chamar outro moço. Esperei, esperei e nada! O Paulo, atrás de mim o tempo todo. Olhei bem pro moço e disse, com calma de faz-de-conta (por dentro eu estava uma pilha)  “Ele vai demorar? Se ele só vier falar comigo depois da largada, vou entrar com processo contra a organização”.  Ele avistou outra pessoa de longe e disse “Vai la, que ele pode te ajudar”. Lá vou eu de novo. Pra ouvir a mesma coisa. Aí eu briguei e chorei. Disse pro moço que isso era preconceito! Só porque estou na cadeira de rodas eu não posso fazer um bom tempo? Reclamei mesmo! Eu disse a mesma coisa pra ele:  Se a organização aceitou minha inscrição, mesmo não havendo categoria, e eu consegui o índice, eu queria correr. Ele entrou e saiu da tenda mil vezes. E voltou, falou a mesma coisa. Eu repeti tudo de novo. Ele disse que não haveria premiação, pois não havia categoria. Eu disse que tudo bem. Mas que eu queria meu nome no telão e queria correr. Ele olhou pra mim com cara de dó! Disse que não ia colocar meu nome no telão, mas que se eu SÓ queria correr, eu poderia. Fiquei muito brava! Chorei de ódio e disse à ele que não queria correr por pena, mas por mérito meu, que treinei igual a todo mundo! Não é SÓ correr! Ele sabe o que a corrida significa pra mim? Aposto que ele não corre!

Enfim, me colocaram pra dentro da tenda das 50, porque estava juntando gente em volta. E veio maaaais um falar comigo. Aí veio o argumento de que era injusto eu correr, tirando a oportunidade de outra atleta, pois era injusto eu usar a handbike que é  muito mais rápida que correr com as pernas e que se não o fosse, não haveria Paralimpíadas. Eu disse à ele que se eu fosse tão rápida, teria chegado em primeiro lugar. E se fosse assim, que nem aceitassem minha inscrição. Mas se aceitaram e eu consegui fazer o tempo (beeeeem acima das primeiras colocadas), que eu queria correr sim, e não por dó, mas por mérito meu, que me esforcei igual à todo mundo.

Gente, eu já estava tão nervosa e chateada que meu corpo tava reclamando, com energia ruim de estress correndo dentro dele e pedindo uns sorrisos pra aliviar… Poxa vida!  Respirei fundo, peguei meu chip, minha camiseta (enorme pro meu tamanho) e fui me posicionar na hand. Aí, vem mais uma. Queriam que eu corresse sozinha pra não correr riscos de causar acidentes pras outras atletas. Oi? Na hora de me mandar largar atrás nos 10km e ultrapassar, no mínimo, uns 200 atletas, não pensaram nisso, não? Pedi pra largar na segunda bateria feminina e disse que esperaria as meninas saírem e eu sairia atrás. Concordaram e foi o que eu fiz.

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Largamos. Eu com a hand pesada. O percurso ia 500m e voltava 500m. Eu perdi um tempão na hora de fazer a curva e já estava destruída quando faltavam uns 100m. Mas não cheguei por útimo, apesar de largar por último! Agradeci aos organizadores pela oportunidade, peguei minha medalha, bebi água, dei tchau pros meus amigos e parti, antes mesmo da premiação, pra não alugar ainda mais o Paulo, que estava comigo desde cedo. E já eram quase 11h30 da manhã.

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Conversando com amigos depois da prova, pelo whatsapp, alguns foram a favor da organização, já que não tinha categoria, eu não tinha nada que querer correr. Outros foram a meu favor. Se eu tinha que ter corrido ou não, ou quem tem razão, ou se existe certo ou errado nesse caso, eu não sei.  Só sei que, entre mortos e feridos, eu adorei a prova. Como não amar, depois de toda a sensação boa que a corrida nos trás? Como não amar correr numa cidade tão linda, a minha preferida no Brasil? A organização foi impecável nos quesitos:  água gelada e  isotônico gelado durante o percurso e no pós-prova, nas 3 distâncias, mini barras de proteína e frutas no final de cada distância. Tudo à vontade. Um local com, não sei como descrever, uma garoinha fina, após retirarmos as medalhas, pra nos refrescar do calor – naquele sol, perguntei se eu poderia ficar ali pra sempre. Ofurô de gelo, massagem, tudo funcionando impecavelmente! Eu não ouvi nenhuma reclamação de nenhum corredor sobre isso. Pelo contrário! Depois do 1km, enquanto eu hidratava na sombra junto com mais 2 corredores (uma moça e um moço), estávamos justamente elogiando a Adidas e a Latin sobre isso!

Preciso agradecer o carinho com que fui tratada pelo staff, por todos que me ajudaram no “traz handbike, leva handbike, sobe na handbike, desce da handbike”, a todos que me aplaudiram, torceram, me cumprimentaram durante a prova ou no final dela. Ao Paulo, mil obrigadas por ficar comigo o domingo inteiro no sol!!

Essa prova tão diferente e tão legal, marcou minha volta às corridas no RJ. Tenho planos de voltar em breve, se o dinheiro der e os treinadores não me matarem, nem gritarem “para de fazer inscrição, Dani” hahahahahaha

Também foi minha primeira de shorts, não de calça! To tentando lidar com a temperatura comporal e uma prova nesse lugar lindo e num dia quente foi perfeito pra parar de usar legging e voltar aos shorts que eu tanto amo!

Aaaahh, querem saber meus tempos?? Ta aí :p

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15
out

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Exercício para membros superiores – parte 2 – facilitar as transferências

Oi geeeente!!! Promessa é dívida e eu vim postar um novo exercício.

Recebi muitas mensagens do pessoal cadeirudo que está começando a se exercitar, ou querendo sair do sedentarismo (eeeeeeeeeeee!!!!!!!!). Recebi mensagem até de alguns que se acidentaram há pouco tempo e não sabem por onde começar.

Já postei alguns exercícios aqui, mas esse é dos mais importantes! Transferir-se é ter mais independência! E se você não consegue fazer sozinho, precisa ajudar quem te ajuda!

Pra isso, precisamos fortalecer nossos tríceps! “ôôô tia Daneeeeeeeeeee, eu tenho lesão alta e meus tríceps não respondem.”    Então, se você não estimular, eles vão continuar a não responder! O estímulo é tudo!

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Se você ainda vai começar a estimular esse músculo, você pode começar a exercitá-lo na sua própria cadeira! Eu também usava uma poltrona com braços firmes (nada de sofá, porque é mole demais e você vai perder o equilíbrio).

 

 

 

Depois que você adquirir um pouco de equilíbrio e força, dá pra fazer como no vídeo. Meus pés estão num apoio um pouco instável e eu estou num banco baixo.

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Vaaaaaaii gente!! Bóra treinar esse bracinhos!!!rsrs  bjsss

22
set

4

Correndo em casa – Meia Maratona de Ribeirão Preto

Foi 1 ano e meio sem correr. E quase 2 anos sem correr aqui em Ribeirão. 99% dos organizadores de prova gostam de percurso de montanha pras corrida daqui. Você só sobe e desce sem parar. Pros meus amigos expert na handbike, não sei se é possível, mas pra franga que vos fala, percursos “ladeira do Pelourinho” ainda não dá pra fazer.

Aí eu soube que o percurso da Meia Maratona de Ribeirão tinha mudado, com relação às duas primeiras edições que eu tinha feito. Mandei e-mail pra organização quase que implorando participar. Dias depois, o organizador da prova me liga, dizendo que eu poderia participar. Eu não contei nada pra ele, mas eu estava de cama, com uma gripe muito forte! Decidi por livre e espontânea pressão que não treinaria durante  a semana, pra tentar ficar boa até domingo. Na conversa, falamos sobre a estrutura da prova pros cadeirantes participarem (horário da largada, apoio, tudo mais), pois o objetivo é abrir a categoria no ano que vem.

Na sexta eu ainda estava um lixo, quando o pessoal do jornal Tribuna, que organiza a corrida, me ligou. E no sábado, lá estava eu na capa do jornal, como a primeira cadeirante a participar da Meia. Não tinha mais volta! Com gripe ou sem gripe, eu tinha que ir!

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No domingo, o despertador tocou 5:30. O tempo tava nublado e eu morrendo de sono. A primeira coisa que veio na minha cabeça? “O que é que eu tenho na cabeça pra acordar a essa hora, num domingo nublado, com essa gripe?” Resposta:  um tênis no lugar do cérebro. Não tem outra explicação! Me xinguei de todos os nomes enquanto me trocava e esperava o Fávio Tropeço vir me buscar, pra carregar a hand pra mim.

Toda encapotada, levando roupa seca pra trocar, caso chovesse, lá fomos nós. Chegamos ao local da prova e, assim como na retirada do kit, a organização foi impecável! Já tinha gente me esperando. O Bruninho já ajudou o Flávio a tirar a hand do carro, já posicionou no local da largada. Fui pra tenda falar oi pra todo mundo (que saudade eu tinha disso), tive que ir ao banheiro antes da prova e já foram me caçar pra largar.

Gente, não sei se era o Fabiano (diretor da prova), o André (locutor e meu amigo) ou outra pessoa  que estava com o microfone na mão, falando de mim, falando que eu ia fazer a prova…me deu a maior tensão! Senti uma pressão mesmo. Porque eu estava mega gripada e com medo de passar mal na prova. E agora até os mais desatentos sabiam que eu ia correr… Gelei! Me posicionei na hand, a Tarine e a mãe da Ju (minha treinadora de natação) em ajudaram. Eu tava uma pilha! Devia ter tomado um pré-treino (se eu tivesse um em casa).

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Larguei, e 3 segundos depois ouvi a buzina. E os corredores mais velozes começaram a passar por mim. Eu sentia a hand pesada, mas achei que fosse cansaço meu, gripe, ou sei lá. O Bruninho ia me acompanhar de bike a prova inteira. Logo, um outro ciclista se juntou a nós (não sei o nome dele. Se alguém souber, me avise!!).

O percurso é bem legal e bem fácil de fazer. Nas poucas e leves subidas do começo, eu fiz força pra caramba. Dei umas tossidas, nariz entupiu, mas eu tentei não prestar muita atenção nisso. Há uma parte que podemos correr na ciclofaixa pra evitar uma subida do viaduto. O Bruninho ia pedindo espaço pros corredores. Como a organização me deixou mesmo largar na frente, não tinha muita gente ali pra eu atropelar. Quando foi possível escolher ciclofaixa ou asfalto, eu optei pelo asfalto, pra poder ficar mais tranquila quanto à segurança dos demais. Eram 3 faixas livres na avenida, pra gente correr. Aí chegou o temido viaduto pra subir. Eu cheguei na metade, fazendo muita força. O Bruninho falou “encaixa uma marcha mais leve”, mas pelo número no trocador, aquela era a mais leve. Então, um corredor que só estava rodando, me ajudou a chegar no topo. Eu fiquei chateada por não conseguir fazer a subida sozinha. Mas, estava há 1 semana sem treinar, 3 dias de cama…achei que fosse isso. Ja já eu conto o que era. Deixa só eu comentar uma coisa…rsrs

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Eu sempre odiei corridas de 2 voltas. Sempre achei uma meleca! Mas dessa vez, gostei muito, pelo fato de, quando alcançamos 10,5km, passamos ao lado do pórtico. Logo depois dali, estão as barracas das assessorias e o pessoal que já terminou os 5km. Foi muuuito legal, receber aquela energia, a galera gritando, meus amigos ali..deu um gás a mais! E eu passei nos 10,5km com o relógio do pórtico marcando 46 alto. Fiquei feliz.

Logo depois, conversando com o Bruninho, ele foi me falando pra tentar passar as marchas. E descobri que eu estava correndo com 3 marchas apenas. As mais pesadas!! Sim, o câmbio estourou antes da prova e eu não me dei conta. Por isso não conseguia subir! Creio que tenha estourado no avião, voltando de Buenos Aires (ou será que foi na ida e minha inexperiência fez com que eu não percebesse isso?). Só sei que ali eu entendi muita coisa sobre meu corpo, minha força e a olhar a handbike e entender algumas coisas.  Paramos! Sim, paramos no km 11. Bruninho e o outro ciclista tentaram arrumar a hand. Mas foi em vão. Não conseguimos. Perdi um pouco de tempo ali. Eu queria muito baixar meu tempo, mas achei que parando e arrumando a bike, eu tiraria esse atraso. Não rolou…tudo bem! Eu estava ali pra completar e pra podermos abrir a categoria no ano que vem.

Como eu sempre digo, a corrida só começa a ficar boa pra mim depois do 11. Quando chega no 13 é que eu começo a curtir. E foi assim de novo! Os sintomas da gripe diminuíram, e eu tava bem mais feliz. O ciclista anônimo ia tirando do caminho os copinhos de água e isotônico antes de eu passar. Eu tentava driblar os buracos e irregularidades do caminho. Ribeirão foi o pior asfalto que eu já corri até hoje! E olha que ali o asfalto ta novinho! O Bruninho sempre preocupado comigo, se eu queria água, ou algo. Pedi e ele guardou meus sachês de gel vazios, pra jogar no lixo depois. Conversamos a prova inteira.

No km 18 aquela subida do mal, de novo. Mas agora eu desencanei, sabendo o motivo da minha “não subida”. Bruninho me ajudou e eu estava delirando de felicidade, pois faltava pouco pra terminar. Pela primeira vez, eu desci uma ladeira sem brecar, só pra ter a sensação. Caraca, aquilo corre muito! Se eu caísse da hand eu me estabacaria com força! Quebrar todos os dentes seria o mínimo.

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Contar com o apoio de professores da Companhia Athletica, que estavam no caminho, nas duas voltas, foi muito bom! E ver vários amigos no percurso, também foi maravilhoso! Alguns gritavam meu nome. E alguns corredores que eu não conhecia, me incentivaram a prova inteira. Muito obrigada a todos por tanto carinho e apoio!!

E eu avistei o pórtico! Quando fui dar o sprint final, uma corredora forte daqui, uma “sempre-no-pódio”, resolveu fazer o mesmo, correndo em zig zag, de braços abertos. Gente, juro que eu pensei que fosse atropelá-la! Foi Deus que me fez ter noção de espaço naquela hora! E também brecar em cima de outro corredor que terminou e ficou ali paradão depois do pórtico!

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Vendo as fotos, depois, eu percebi que tinha duas chegadas. Então, não sei se fui de bicuda na chegada que era só pra ela. Ou se eu tinha que chegar ali mesmo! Mas como eu tenho excesso de coordenação motora, quando eu vi o povo aglomerado embaixo do pórtico, só pensei que era ali!

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E eu cheguei! Só lembro da  Dani Gil e da Michele me gritando. Lembro da eficiência da Tarine, já com a minha cadeira ali, me esperando (amiga!!!!!!!!). Lembro do André trazendo o microfone e que eu agradeci a organização pela oportunidade maravilhosa de correr em casa. Aí 10685054_10152367340443951_1647572782_nveio o repórter e eu não lembro o que falei! Deus queira que ele edite!hahahahaha  Era sobre a corrida, claro. E eu lembro de contar algumas coisas importantes. Mas não tive tempo de raciocinar, beber água, nem pingar o remédio do nariz, muito menos de ir ao banheiro (eu tava segurando desde o 19, só pra variar. Algumas coisas já estão seguindo um padrão).

Dali pra frente foi uma alegria só. Tanta alegria que eu esqueci de pegar a medalha!hahahahaha  Uma moça da organização que correu atrás de mim, buscou e me entregou!

Além de ter meus amigos comigo, consegui rever muita gente que foi importante na minha vida no esporte. Como o Rangel, meu primeiro treinador em assessoria de corrida, lá em 2009. Também o Murilo Bredariol, um querido, um triatleta maravilhoso, dono da escola de natação onde dei as primeiras braçadas pós-acidente. Foi o primeiro cara que acreditou em mim como atleta na cadeira!

E teve até premiação, gente!!!  Força tarefa, demos um jeito e eu  subi no palco com meu treinador pra ser premiada! Ano que vem, teremos a categoria cadeirante e eu espero bombar essa prova tão deliciosa, com meus amigos sobre rodas da região. Vale muito a pena!!

Quero aproveitar esse post para agradecer demais ao Fabiano, ao José Paulo, a todos do Jornal Tribuna, a todos da organização da prova, os staffs, ao Bruninho, ao clicista, todos mesmo! Fui tratada com muito carinho e amor! Isso é um bem muito precioso e algo que marcará para sempre minha primeira corrida em Ribeirão pós-lesão!

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Algumas coisas, graças a Deus não mudam! Correndo em casa, com os amigos, fui a última aluna a sair da tenda, como eu sempre fazia! Eu e algumas professoras da minha época de andante, lembrando as tantas vezes que eu ajudei a montar e desmontar aquela barraca, nas provas! Bons tempos!

Ah, falando em tempo, baixei o meu! Mesmo parando pra tentar arrumar a handbike, eu fiz meu melhor tempo em Meia Maratona:  1:34:11 !!!  To feliz pra caramba!! Treinar muito pra ser sub 1:30!! Será?

(Fotos: Alfredo Risk)

11
set

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Media Maraton de Buenos Aires

Acabou! Os 90 treinos chegaram ao fim. Há algum tempo fiz o post contando sobre isso. Fer e eu fizemos, cada uma pra si, um plano de 90 treinos. O meu passaria pelo dia 3 de agosto (dia da Golden Four) e terminaria dia 7 de setembro. E finalmente, esse dia chegou!

Chegamos a Buenos Aires, Fer, Pri, Nani e eu, na quinta-feira. Na sexta, tiramos o dia pra pegar o kit e passear pela feira da corrida. O que viesse depois seria lucro. Realmente, passamos quase 5 horas lá, curtindo, tirando mil fotos, personalizando as camisetas. E eu até encontrei uma amiga aqui de Ribeirão!

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Eu estava realmente preocupada com meu frio e minhas dores decorrentes dele. Choveu a noite inteira, chuviscou de manhã e estava frio na sexta-feira. Eu só pensava nesse frio todo no dia da corrida.

Sorte a nossa (mais ainda minha), sábado amanheceu um sol lindo, um dia azul. Ventava, mas tava uma delícia de dia e eu empolguei, já mais tranquila quanto ao clima do dia seguinte. Passeamos pra caramba o dia inteiro. E as meninas, pra minha sorte de ter amigas assim, não queriam me deixar tocar a cadeira de jeito nenhum, pra descansar os braços pro dia seguinte.

Eu não vou ficar contando os lugares pelos quais passamos, porque o objetivo aqui não é fazer um tour por Buenos Aires. A cidade merece um post só pra ela. Os chicos argentinos merecem 2 posts só pra eles. E o dulce de leche merece uns 5 posts ou mais! Eu enfiei  os 2 pés e as 4 rodas na jaca quando o assunto era dulce de leche. Eu simplesmente não me cansava de comer (coisa de gordinha).

Tínhamos decidido chegar ao hotel à 20h, pra descansar. Fato é que chegamos depois das 22h. Ainda tínhamos que tomar banho e eu tinha que terminar de separar as roupas pra corrida. Quem me lê ou me acompanha sabe que eu sofro de dor neuropática e frio. Eu não sabia se ia com uma calça, com duas calças, com meia-calça por baixo da calça, com blusa de frio, sem blusa de frio… Diferente de correr em SP, cujo clima eu já estou mais ou menos acostumada pra saber como me vestir pra prova (e sempre conto com ajuda das amigas que conhecem esse corpo louco das temperaturas), eu não conhecia o clima da cidade.

Pra ajudar, eu tive dor neuropática a noite inteira! 2 horas da manhã eu tava com uzói pregados no teto, fuçando no celular e tentando tomar o mínimo possível de remédios pra dor, pra não correr o risco de estar dopada no dia seguinte. Fechei os olhos e o despertador tocou. 5h! Hora de pular da cama pra correr. Decidi ir com uma calça, a camiseta de manga comprida da assessoria e um casaco fino por cima.

Eu levo minha própria hidratação por um motivo básico: não dá pra parar e pegar a água do percurso. Ou eu tenho que estacionar a hand (o que a experiência da corrida Eu Atleta mostrou que é uma péssima ideia), ou eu corro o risco de atropelar alguém que esteja servindo a água ou, pior, algum atleta. Também corro o risco de perder o controle da hand, por soltar uma das mãos quando o chão está repleto de copinhos. Então, camel back abastecido, gel, capacete, levei 2 pares de luvas (com dedos e sem dedos).

A moça que ia nos buscar, pra poder levar a hand, atrasou 15minutos que foram preciosos na hora da largada. Tivemos que fazer tudo correndo. E eu tive medo de atrasar as meninas. Elas posicionaram a hand no local indicado pelo staff (antes do tapete) e foram pra trás do tapete, pra largar. Diferente de SP, que eu tenho milhões de amigos que podem guardar a cadeira pra mim durante a corrida, tive que implorar pra organização fazê-lo. Eles não queriam, mas acabaram topando. Optei pela luva de dedos, por causa do frio. O tempo estava indecifrável pra minha inexperiência ali, mas ventava. Mesmo assim, uns 4 minutos antes da largada, eu resolvi tirar o casaco e pedi pra um moço guardar pra mim na mochilinha do camelback. O que também foi uma mão na roda (sem trocadilhos), pois isso ajudou a segurar a mangueirinha, que não me deu trabalho escapando e tentando fugir pra roda da hand, como acontecera na Golden Four.

Um atleta argentino de hand veio falar comigo antes da largada. Foi o único, apesar de estarmos em uns 10 ou mais, entre hands e cadeiras. E a hand dele dá ré! Que inveja hahahahaha

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E sem aviso prévio, 3,2,1…a busina tocou. E eu não tinha visto, devido à correria, que o fio das marchas estava enrolado. Perdi uns 2 minutos tentando desenrolar isso, enquanto a multidão passava por mim. Pois, diferente do Brasil, não largamos antes, junto com a elite. Tudo bem, tentei manter a calma, apesar de ver a galera de cadeira indo e eu ficando. Arrumei e fui.

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Que frio! Eu não dormi a noite inteira e estava inchada e no ápice da TPM. Meus braços doíam muito. Eu estava fazendo tanto esforço que não conseguia ter força nos dedos pra trocar as marchas. Isso foi um grande motivo de preocupação porque eu sabia que teria que fazer trocas rápidas nas subidas. E eu estava com muita dor nos braços. Então, os dedos não respondiam. Resolvi tirar a luva da mão direita, pra ver se ajudava. Ajudou, mas não resolveu.

Decidi fazer o que a Fer me falou: curtir a prova. Era minha primeira viagem pra fora do país, minha primeira prova internacional. Apesar de na véspera termos conhecido muitos pontos turísticos, o percurso é lindo e eu resolvi que iria curtir a paisagem e fazer o que dava. Regulei a marcha pra uma mais leve e comecei a olhar em volta.

Os corredores passavam por mim aplaudindo e me incentivando muito,  o tempo todo. Logo chegou a primeira subida. Posso falar um palavrão?? Pq PQ##.. Que subida era aquela?? E eu ainda não tinha aquecido, estava morrendo de dor nos braços e sono. Mas, tinha que fazer. E dessa vez eu não ia deixar a hand dar ré, como na G4. E fui. Sofrendo. Devagar. As pessoas incentivavam. Cheguei na metade e, pra ajudar, a subida fazia uma curva! Eu ri! Acho que de nervoso. Aí senti um tranco. Um corredor me deu impulso pra sair daquela curva mais rápido. Foi o que me salvou. E fui subindo o resto, devagar, até o topo. Nem acreditei quando cheguei no topo. Só pensei que pior que aquela subida, não poderia existir outra. E eu estava certa! Tinha mais umas 4 subidas, mas que eu fiz com muita facilidade. Até a subida do viaduto (não me perguntem o nome hahahahha) eu fiz tranquilamente.

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O percurso tem muitas retas, mas tem muita subida disfarçada de reta. Você acha que é plano, mas encontra certa dificuldade pra fazer. Eu comecei a me sentir melhor,com menos dor nos braços, mas ainda cansada. E não encontrava as plaquinhas de sinalização pra saber onde eu estava. Elas são pequenas e ficam no alto. Descobri que já tinha passado do km 11. Comecei a tentar tirar o gel de dentro da calça. Consegui tomá-lo quase 1 km depois.

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E depois do 13, veio a constatação: meu negócio é prova longa! Eu já desconfiava, Já sabia disso dentro de mim, porque meu prazer numa meia maratona é muito maior do que numa prova de 10. E minha sensação depois de um treino longo de natação nem se compara a um treino curto. Meu negócio é distância, não velocidade. Depois do 13 veio o prazer absoluto. Comecei a curtir a prova 100 vezes mais. O sol já estava mais forte e a dor nos braços diminuiu consideravelmente, pra quase zero.

E eu fui que fui, fazendo força nas subidas, procurando o espaço com menor quantidade de corredores pra descer, e gritando por passagem porque a galera lá corre meio que em zig-zag. De repente não tem ninguém na sua frente. Aí aparecem uns 2 atletas, do nada, e pulam na frente da bike. No km 17 tomei outro gel. Eu sabia que estava ingerindo bem mais líquido que na G4 e ainda não estava com vontade de ir ao banheiro. O que era um milagre. Toquei o pau, literalmente, depois do 18. Sei lá de onde saiu força. E quando eu vi a plaquinha do 19, eu realmente comecei a pedalar forte. Pau no gato, como diz minha amiga Paula.

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Aí, felicidade de pobre dura pouco. Imagina de pobre aleijado. Deu vontade de ir ao banheiro. Meus dedos, que já estavam cansados, começaram a pular de espasmos, por causa da bexiga cheia. Por sorte começou a tocar uma música do ACDC que eu adoro, e eu resolvi cantar.

Durante o percurso todo fui muito aplaudida por argentinos. Mas, faltando 1,5 km pra prova terminar, formou-se um corredor de espectadores, com muita gente dos dois lados da avenida larga. E as pessoas me viam e começavam a gritar “Fuerza chica”, “va silla de ruedas”. E aplaudiam muito. Eu ria e chorava, com aquela multidão gritando  e aplaudindo e comecei a descabelar na hand, pedalando como eu nunca tinha feito. E cheia de emoção, eu vi o relógio. E passei por baixo dele com 1h34 alto. Eu nem acreditava que eu tinha feito aquele tempo.

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A moça da prancheta veio anotar meu tempo (porque nosso chip é só de enfeite), e outra moça olhou pra mim e disse “Você foi a primeira”. Aí eu comecei a chorar. Queria muito algum amigo ou amiga ali pra abraçar. Mas as únicas 3 que eu tinha naquele dia, ainda estavam correndo.

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Terminei a prova e o relógio marcava 18 graus. Fui cumprimentada por muitas pessoas. A organização trouxe minha cadeira, depois de um tempo. Pediram pra eu não ir embora pois teria premiação e troféu. 3 argentinos ficaram comigo por mais de 1hora, enquanto eu não via as meninas. Mexi com alguns brasileiros que passavam. Vários corredores argentinos pediram pra tirar foto comigo. Foi ótimo ficar ali, no sol, vendo a emoção das pessoas, ao concluir a prova.

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Nesse meio tempo, apareceu uma atleta cadeirante. Acenei e ela veio. Achei que fosse querer conversar. Mas o “oi” deu lugar a “Você é a brasileira?”. Eu disse que sim. Ela disse “Disseram que a brasileira chegou primeiro.” Fui responder e recebi uma cortada “Só vim aqui pra olhar a sua cara”. Eu fiquei sem reação.

Logo, a Pri apareceu. Fui ao banheiro e a Nani também apareceu. Estava nos procurando há mais de meia hora. Decidimos perguntar onde seria a premiação. Seria do outro lado. E nós ainda não tínhamos encontrado a Fer. Resolvemos ir pra perto do pódio. Foi a nossa sorte, porque ela também foi pra lá.

Logo começou a premiação, mas na categoria de cadeirantes, não fui chamada. Fiquei sem entender. Um atleta amputado e o campeão dos cadeirantes (que também correu de handbike e fez a prova em incríveis 40 minutos) disseram que não seríamos premiados, porque usamos hand. Porém, o regulamento não previa a diferença no uso de equipamentos. Estava “categoria cadeirante”. Ou eles nos premiavam como primeiros, ou premiavam a diferenciação de categorias. Mas eles estavam encerrando a premiação. Fomos todos questionar, pois não havia diferenciação, proibição, nada nada no regulamento que explicasse aquilo. A organização resolveu dar, a mim e aos demais atletas que obtiveram resultado correndo de hand, um troféu. Mas não era o troféu oficial da prova. Nem ganhamos os brindes (apesar de termos visto que sobraram) dados aos demais finalistas.

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Os atletas de hand disseram que não é a primeira vez que acontece isso. Na minha opinião, eles poderiam ter especificado alguma coisa no regulamento, ou mudado a premiação. Apesar da alegria de ter terminado bem, ter baixado meu tempo, e ter sido a primeira a chegar, esse rolo todo me deixou triste. Como dizemos na gíria, eu dei uma broxada. Vários atletas me enviaram mensagens, dizendo pra eu entrar em contato com a organização, e que eles me apoiarão. Quanto a isso, ainda não decidi o que fazer.

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Dessa vez senti bem menos dor muscular e bem menos cansaço no pós-prova. Fui muito bem preparada pelos meus técnicos (Rodrigo e Eduardo da Fun Sports, meu personal Dola, minha coach de natação Ju Bezzon, meu nutri Hugo Comparotto).

Às meninas, eu nem tenho e nunca terei como agradecer! Pri, Nani e Fer, se não fosse por vocês, por terem me convidado pra viajar, por terem me ajudado, carregado a hand pra todo lado, por terem poupado meus braços na véspera, nada disso teria sido possível!

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Exceto pelo fato da premiação, eu adorei a prova! Tudo lindo, percurso maravilhoso, muitos pontos de hidratação. Aos hermanos argentinos, só tenho a agradecer, pelo carinho, por fazer dessa a chegada mais emocionante da minha vida corrida, pelo cuidado, pelo dulce de leche e por tornar essa viagem a mais especial e inesquecível de todas!

Mi español no es muy bueno. Pero necesito hablar con los hermanos argentinos. Sólo tengo que agradecer, por el cuidado, por haceren de este el más emocionante final de la carrera en mi vida, por el afecto, por el dulce de leche y por hacer de este el viaje más especial y memorable de todos! Gracias por todo!

*Todas as fotos estarão amanhã no face e na fan page!!! E espero que os argentinos disponibilizem logo a opção de compra de fotos, não apenas visualização hahahahaha   😉

 

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18
ago

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Corra Pela Vida e Atropelamento na USP

Esse é um post alegre e um post triste. Isso porque, esse sábado foi muito especial e trágico.

Minha preparação pra ele começou uns dias antes, quando vi no ig das minhas amigas Corre Paula e Blog da Debs, que haveria o Terceiro Treinão do Corra Pela Vida em SP. Porém, dessa vez, ele teria um número limitado de participantes. Nos dois eventos anteriores não pude ir, mas dessa vez, conseguiria estar presente e comecei a me programar.

A semana em SP foi fria e eu pensei que iria parecer uma cebola cheia de camadas de novo. Coloquei uma meia calça por baixo da legging e dois casacos por cima da blusa branca, cuja cor deveríamos vestir. Tive sorte, pois o sol saiu e logo tirei os casacos.

Pra quem não sabe, o Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”.

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Neste mês, com o apoio da Nike, corremos pelo propósito de valorizar a autoestima feminina por meio da corrida, comemorar oito anos de criação da Lei Maria da Penha, completados neste mês de agosto, e celebrar a paz. O evento ocorreu no Parque da Água Branca e reuniu cerca de 400 pessoas, segundo informações das meninas.

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Revi minhas amicorra pela vida 4gas lindas Debs e Paula, conheci a Gabi pessoalmente, conheci muitas mulheres incríveis e revi muita gente que eu adoro! Infelizmente não vou postar foto com todo mundo aqui porque to esperando uzamigo postarem as deles pra eu roubartilhar. Mas assim que fizerem isso, eu posto tudão lá no facebook do blog.

 

 

corra pela vida 3Foi um dia incrivelmente especial e proveitosíssimo para todos nós. O clima era de extrema alegria e felicidade e a causa mais nobre, impossível. Sempre que há o Corre pela Vida, corredores levam tênis e roupas esportivas pra doar pro Projeto Vida Corrida (http://vidacorrida.org.br/), uma ONG maravilhosa, fundada pela Neide. Parafraseando as meninas do Corra Pela Vida, a Neide  “é uma baiana arretada que acreditou que o esporte iria mudar sua vida. Perdeu um filho para a violência e sua rotina de treinamento virou ato de amor, quando abriu mão de 30% do seu salário, com redução da carga horária, para dedicar mais tempo à comunidade”. 

De repente, no meio do sorteio dos brindes, meu celular pipocou com um whatsapp. O print do ig do DivasQueCorrem e uma foto, informando sobre um atropelamento na USP, em que corredores foram gravemente feridos. Olhei pras meninas. Enquanto a Gabi seguia com o sorteio, o celular da Debs tocou e a Paula foi falar com o treinador e mais umas pessoas. Fui perguntar se elas receberam a mesma mensagem. Não só elas, mas metade do pessoal ali já recebera mensagens e ligações. Amigos, companheiros de treino, haviam sido atingidos e gravemente feridos por um idiota bêbado.

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Pra nós, ali, o clima de festa foi substituído por imensa preocupação. Assim que o evento caminhou para o final, muitos saíram dali direto pro hospital. Durante o dia, corredores não falavam de outra coisa nas redes sociais e mandavam notícias uns pros outros.

Nossa preocupação só crescia no decorrer do dia. Até que veio a triste notícia que um dos corredores, o atleta veterano Álvaro Teno, de 67 anos,  faleceu. Ele foi enterrado ontem,  domingo. #naofoiacidente

Sobre os demais corredores, as informações iam e vinham. Até que ontem à noite li, no blog do Lucena, na Folha de SP, as últimas informações confirmadas.

A mais gravemente atingida foi Eloisa, que foi levada de helicóptero para o hospital Samaritano, onde passou por longas horas de cirurgia ao longo da tarde de ontem. No final do dia, segundo informações que recebi da assessoria de imprensa do hospital, ela foi para a recuperação.

O ex-treinador dela, Luiz Fernando Bernardi, esteve no hospital e informou: “As notícias são de que ela teve fraturas múltiplas nas duas pernas, rompimento de todos os ligamentos de um dos joelhos, fratura num dos ossos da face e na região do queixo. No quadril, teve perda de pele …Vai no futuro ter que fazer outras cirurgias reparadoras desses machucados”.

Quem quiser ler o texto todo dele, que entrevistou os corredores atropelados e/ou treinadores e familiares, o link ta aqui http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br/

As fotos que vi do acidente, foram publicadas no Divas Que Correm.

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Os corredores de SP estão se unindo, em busca de mais segurança nos treinos na USP. É um lugar mantido por impostos pagos pelo povo. O Corra Pela Vida, junto com mais alguns atletas, abraçou a causa. Como eu disse no meu ig sábado, não sou de SP. Moro no interior. Durante todos os anos que corri, sempre olhava as fotos dos meus amigos treinando na USP e pensava ” como eu queria estar ali”. Depois que veio a cadeira e, graças a Deus, a handbike, eu só queria uma USP de SP pra chamar de minha e treinar sem medo. Pois é, eu achava que era sem medo. Por isso, e pela vida que foi ceifada ontem, eu apoio o movimento. Pra quem apoiar, use a hashtag #corrapelausp e junte-se aos atletas de Sampa em busca de segurança nos treinos que acontecem na cidade universitária.  Como disse a Paula hoje, “Tantos likes, tanto engajamento e toda força que temos online tem que servir pra alguma coisa GRANDE, NOBRE e OFFLINE. Não vamos desistir do esporte e não vamos desistir da USP.”

Eu não conhecia pessoalmente o senhor Teno, mas ele era muito respeitado entre os corredores, por sua história como atleta e pelo ser humano que era. Li sobre ele no face de vários amigos que o tinham como amigo pessoal, e também no blog do Lucena. Encerro meu post deixando um grande abraço e muito carinho para a família. E desejando que o #*#*%^$# (pensem nos piores palavrões) do motorista não saia impune no país da impunidade.

14
ago

1

Exercícios para membros superiores – parte 1

Ooooii genteee!!!! Vamos pra mais um vídeo de exercício. Vamos movimentar o corpitcho pra fugir do frio!

Depois de 3 exercícios de abdominais, resolvi dar uma variada. Comecemos a movimentar e trabalhar os músculos dos membros superiores.

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Esse exercício é pra peito, mas ajuda a trabalhar o equilíbrio e músculos do tronco. Se você tem pouco equilíbrio de tronco, peça ajuda. Eu sempre tenho alguém por perto, pro caso de eu cair, ou perder o equilíbrio por causa de espasmos (no vídeo eu tive espasmos leves nas duas pernas).

Realizei o  exercício no cross. Se for treinar em casa, você pode usar elásticos. Só fique atendo: se realizar na academia, as polias tem que ficar acima da sua c20140616_202650abeça. Se for fazer em casa, busque um lugar acima da cabeça pra pender o elástico.

Vamos lá? Bóra treinar!!

Copie o link e cole no navegador, como sempre e por enquanto!rsrs

bjss

 

05
ago

22

Golden Four – uma das maiores emoções da minha vida

04 de novembro de 2012. Nesse dia eu iria correr  minha primeira Golden Four Asiscs, em Brasília. Seria minha sétima meia maratona e eu queria fazer sub2. Estava treinando muito pra isso e tinha certeza que eu iria conseguir. Inscrição feita. Passagem comprada. Hotel reservado. Tudo pronto! Iria encontrar e conhecer pessoalmente vários amigos que eram, até o momento, só virtuais.

22 de outubro de 2012. Capotei o carro indo trabalhar. E o sonho da Golden Four ficou ali, naquela estrada. Naquele carro amassado que levou consigo, pro ferro velho, o movimento do meu corpo, das minhas pernas… e meus sonhos…

Naquele ano, vários amigos dedicaram a medalha pra mim. Um deles foi o Robson Tagliari. Tínhamos uma amizade relativa via facebook. Mas depois do acidente, a amizade se fortaleceu e ele cuidou emocionalmente de mim por meses. Vários amigos fizeram o mesmo. E no domingo da prova, chorei de emoção a tarde inteira, vendo minhas amigas e meus amigos, e um monte de desconhecidos, dedicando suas medalhas da Golden Four pra mim.

Fiquei 1 ano e 9 meses sonhando com essa prova. A cada ano e a cada etapa, eu via as postagens dos amigos nas redes sociais, as fotos, olhava os resultados, via os tempos das meninas da “minha categoria” (25-29 anos). E sonhava.

O sonho começou a ficar mais próximo da realidade quando ganhei a handbike dos meus amigos. E não pensei duas vezes ao enviar meus dados pra organização, pra fazer minha inscrição. Depois de dias tentando e inscrições esgotadas, aceitaram a minha. Muitos disseram que seria loucura  fazer essa prova sem treinar. Fiquei 1 mês esperando a hand voltar dos ajustes, 20 dias viajando (sem treinar e comendo errado) e depois não conseguia pedalar (em casa não tenho rolo e na rua, não consigo ir sozinha). Mas eu resolvi que eu iria tentar mesmo assim.

Noites sem dormir. Foram assim as duas semanas que antecederam a prova. Eu estava com medo dessa prova. Sério mesmo. Tinha medo do pneu furar. Tinha medo de cair da hand. Tinha medo de não dar conta dos 21km sem treinar, dos meus braços pararem. Tinha medo de me frustrar. Tinha medo do meu sonho explodir feito bola de sabão. Os dias passavam e eu estava comendo errado, dormindo pouco e nadando feito maluca pra completar o Desafio do Canal da Mancha da Academia  (tem vídeo e explicação lá no Instagram). Na terça que antecedeu a meia, completei os 33km da natação. Meus braços doeram a semana inteira. Mas a prova chegou!

No sábado, minha fiel escudeira-dupla-best friend, Fer Balster, me levou pra retirar o kit. Cheguei lá, dei de cara com o “21k” branquinho na porta. Olhei praquele mundão de coisas da expo e nem acreditava que eu estava ali. Mas, pra retirar o kit eu precisava subir uma escadaria sem fim. Uma moça da organização vira e me fala “pode dar seu documento que sua amiga sobe e retira pra você”. Minha resposta, com olhos marejados? “Moça, to esperando  1 ano e 9 meses pra retirar esse kit. Eu mesma quero retirar o meu.”  Chamaram um moço gracinha da organização (mas eu tava tão passada que perguntei o nome dele 2 vezes, mas não consigo lembrar) que me levou até o elevador. Quando eu segurei a sacolinha azul, escrito “Golden Four”, com o kit dentro, juro que eu tremia. Eu nem acreditava.

painelNaquele dia, eu não conseguia levantar meu braço esquerdo, nem pra prender o cabelo. Graças a Deus minha camiseta veio com o tamanho errado e, bem ao lado da troca, tinha massagem. Duas moças gracinhas, que eu conheci na fila, me deixaram passar na frente delas e um senhor abençoado tirou minha dor com as mãos. Disse que eu estava pronta pra correr. Fui colocar meu nome na camiseta. Pensem o que quiserem. Mas pra mim, aquilo era muita emoção! Eu estava pior que criança quando ganha aquele pirulitos coloridos do posto de gasolina da estrada. Ou, como diz o ditado, tava mais feliz que pinto no lixo. Eu queria pular  (mas não rola, né?! é cara no chão, na certa), eu queria gritar e dançar. Eu queria correr! Encontrei um monte de amigos, conheci muitos amigos virtuais pessoalmente, tirei a tão sonhada foto no painel da Golden Four.g4 20 Fui pro almoço com o pessoal da assessoria sorrindo de orelha à orelha. Eu e a Larrisa Purcino, minha amigona aqui de Ribeirão, duas bobonas choronas. Seria a primeira meia dela. E minha primeira meia “Golden-Four-realização-do-sonho”. Pra Cris Kimi, outra grande e amada amiga minha, também seria a primeira meia. Na hora de ir embora, a gente se abraçava tanto, de carinho, amor, ansiedade pelo domingo. A mesma ansiedade.

 

À noite, quem disse que eu dormia? Acho que nem uma paulada com taco de beisebol na cabeça me faria dormir. Entrei no facebook e, pra meu consolo, vários amigos que iriam correr a prova, também estavam acordados. E já passava de meia noite! Peguei no sono e desmaiei. Acordei atrasada, pra variar. Tinha combinado com o Du Visentini, um dos meus treinadores, que o encontraria no hotel onde ele estava hospedado, pra irmos juntos. Ele levou minha handbike de carro, de Ribeirão à SP. E iria me ajudar, antes que ele mesmo largasse pra prova. Maaas, quem disse que eu conseguia taxi às 5:30 da manhã de domingo? Desespero bateu! A Fer, ficando doida com minha doidura, atrás de taxi. Beleza, fui, cheguei, fomos pro joquei. Conseguimos parar o carro do lado da largada. Mas, como nada na minha vida pode ser com calma e sem pressão: quem disse que a gente lembrava como colocar a roda dianteira e a corrente no lugar certo? Nem eu, nem o Du, nem a Naiara e nem a Fer (duas lindas e exímias corredoras da minha equipe). Sorte que passou um cicilista, Nai correu atrás dele e em 3 segundos (talvez menos), a hand tava pronta pra voar. E eu? Estava?

g4 19A Edna e a Luciana, duas corredoras e amigas minhas de SP, não iam correr, mas foram me ver naquela manhã. Me ajudaram a subir na hand e me posicionar pra largada. Levei malto no camelback (porque minha experiência na Eu Atleta mostrou que não dá pra parar e pegar água no percurso) e dois sachês que gel que eu coloquei na calça. Música ok (graças ao Augusto Verrengia que me mandou um arquivo com 34 músicas via facebook na noite anterior. Meu celular tava “zero músicas”). Um atleta muletante chegou, me reconheceu, foi falar comigo, uma gracinha. Um moço da organização me perguntou “você ta pronta pra largar? posso soltar?”. Inacreditável. Eu tava mesmo ali? Jura que esse dia chegou? Bem acima de mim o pórtico de largada. E bem na minha frente 21k pra fazer. Como ia ser isso, meu Deus? Coração na boca, batendo mais que bateria de escola de samba. As mãos tremendo. Só faltava o suor (corpinho com lesão alta ainda não colaborou nessa parte). Eu pensando e …bééééééé….buzinha tocou. Meu Deus.

Largamos.O pessoal deficiente, junto com a elite. E eu fui. Bem na minha frente, com as mãos pro alto, na sarjeta, claro, a Fer, me dando tchau, me dando forças. Logo no início, a porcaria de um túnel, estilo ladeira do Pelourinho. A subida é tão íngreme que eu não conseguia dar o giro completo com o pedal da hand. E no meio da subida, ela começou a ir pra trás. Chorei. Será que eu não iria conseguir? Nessa hora, passou um anjo de camisa verde, um senhor que disse “filha, você precisa de ajuda?” . PRECISO! E ele me embalou pra subir. E foi embora. Eu queria alcançá-lo pra perguntar seu nome. Mas quem disse que consegui? E lá fui eu, pedalando e cantando, olhando a paisagem e aquele povo que passava por mim voando. Eu olhava as plaquinhas. Mas já foi 1km? Mas já foram 3km? Tinha um viaduto que eu morri pra subir. Um staff teve que me ajudar a virar a hand lá no top, porque a subida era íngreme e tinha uma viradinha horrorosa lá em cima. Acho que lá pelo 4, um motoqueiro me avisou “soltaram a geral. Cuidado com o movimento”. E eu indo e vendo a galera vindo, lá do outro lado da avenida. Como não conheço o percurso, não faço a menor ideia de onde eu estava. Só sei quando entrei na USP, porque tem placa e por causa da maratona de SP (fiz os 25km não lembro em que ano, e o percurso passa ali). Aquele viaduto que eu subi e desci, eu tinha que subir de novo, dessa vez, na outra pista. Nessa altura do percurso, o pessoal que estava (acho que)lá pelo 3 ou 4, passava do ladinho de onde eu estava. O pessoal que estava começando a prova, me dando a maior força, gritando, batendo palmas. Foi maravilhoso. Mesmo quando chegou a porcaria do viaduto, e eu tive que subir tudo outra vez, foi maravilhoso. Eu fazia muita força, minha velocidade caiu dastricamente, e o pessoal me motivando. Nessa altura, o Marcelo de Assis Marques e o Quito Wolf já tinham passado por mim. Foi muito bom vê-los correndo ali do meu lado, voando. Acabei de subir, entrei numa retona e quis hidratar de novo. Cadê a porcaria da mangueirinha do camelback? Caiu atrás de mim. Tentei pegar e quase enfiei a mão na roda. Fora a cena linda: eu, soltando uma mão do guidão, e indo desgovernada em zig zag, só com a outra mão. Mas ainda tinha pouca gente por ali. Lutei com a porcaria da mangueira e alcancei.  Bebi um golão e quando vi a placa “km 10”. Já? Já to quase na metade? Chorei! E não estava cansada. Resolvi tomar um gel, aproveitando que a mangueira de hidratação ainda não tinha fugido.

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Lá pelo km12  o movimento de corredores aumentou. Vários amigos passaram por mim, como meu outro treinador, Rodrigo, e a Naiara.  O pessoal de Ribeirão, e amigos do Brasil todo, que me viam de longe, me gritavam e isso me animava muito. Quando tinha pouca gente em volta eu tentava acenar. Mas quando tinha muita gente, eu tinha medo de desgovernar o trem e atropelar um pobre corredor em busca do melhor tempo. Vários amigos, corredores famosos, como a Dani Barcelos, já tinham passado por mim (há décadas, tudo bem) e mexido comigo. Lá pelo km 17, eu acho, os marcadores de pace “1h35” passaram por mim. Nessa hora eu pensei “será que eu vou conseguir fazer sub2?” Meu coração disparou. Meu Deus do céu. Dois sonhos em um, seria bom demais, mais que bom, mais que ótimo! Melhor que isso, só levantar dali e sair correndo. E eu estava ótima, sem cansaço e sem dores. Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu já tinha tomado outro gel, já tinha domado a mangueira rebelde do camelback e prendido no cós da calça. Mas lá pelo 18,5 eu senti cansaço. Meu Deus, de onde sair essa meleca de cansaço e dor? Meus bíceps pareciam que iam explodir. Meus dedos, de segurar o guidão e o freio, estavam adormecidos.

E como diz meu amigo Colucci, fiquei conversando com meu corpo, aguentando esse cansaço. Me distraía com a música ou com alguém que me gritava, ou me cumprimentava ao passar por mim. Olhava pros meus bracinhos de franga. Parecia coisa de desenho, quando o Coiote enche alguma coisa com aquelas bombinhas de pneu de bike e o trem  explode. Eram meus bíceps a cada giro que eu dava. Mas de repente, a dor diminuiu. E quando tudo parecia perfeito, eu vi na minha frente…tcham tcham tcham…não, não era a chegada. Era a porcaria do viadutinho do começo. Dessa vez, apesar de ter mais gente na minha frente, tentei embalar pra subir mais fácil. Funcionou até a metade. A Fer estava ali e gritou “infelizmente o fiscal de prova disse que não posso te ajudar. Força. Eu to aqui” . E eu segui pedalando mais um pouco, fazendo muita força. Até que aconteceu de novo.  A subida era tão íngreme que eu não conseguia dar o giro com o pedal. E ela triste, disse “eu não posso te ajudar”. Mas um fotógrafo pulou da moto e disse “mas eu posso”. E me embalou por 3 giros da bike, pra eu não descer de ré. Eu me emocionei muito. Ele me soltou. Eu alcancei o topo da subida e fui embora. E lá, no meio do raiar do sol, estava a placa “km20” e eu chorei. Chorei muito! Na curva pra entrar no joquei, muita gente me aplaudiando. E quando eu entrei na reta de chegada e vi as placas “faltam 200m” e “faltam 100m”, aí abriu a cachoeira  e eu chorava e ria sem parar. E chorando e sorrindo, eu finalmente cruzei a linha de chegada da Golden Four Asics. Sem garmin, porque eu não tenho, com o cronômetro geral marcando 1h37. Somando o tempo que eu larguei antes, recebi o tempo oficial no celular logo depois: 1h52. Sim! Eu completei minha primeira G4 e completei minha primeira meia sub2, com as quais eu sempre sonhei. Dois sonhos em um. Juntos. Realizados! Melhor que brigadeiro com morango!

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Amigos me esperavam por ali, como a Edna e a Luciana, que me esperaram e seguraram minha cadeira durante  a prova toda. Depois que elas e um enfermeiro da organização me ajudaram a passar pra cadeira, o Corretor Corredor se ofereceu pra levar minha handbike pra tenda da Companhia Athlética. Encontrei o Rodrigo, que ficou super feliz de “já” me ver ali. A moça me entregou a medalha. Pesada. Linda. Tão sonhada! Eu tava meio passada, não sabia o que eu queria primeiro. Se foto no painel, massagem, foto no “21k branquinho”.

Depois de tudo isso, eu fui pra tenda. Anestesiada. Tirei foto com todo mundo da turma de Ribeirão. Esperei a Cris e a Lari. Fiquei tão feliz por elas. Tão feliz! Eu e a Lari nos abraçávamos tanto. Aquele abraço de realização mútua! E eu la, toda alegre, conversando, mais feliz que criança que ganhou DOIS pirulitões coloridos do posto, me deparo com o Robson Tagliari, aquele que me dedicou a medalha em 2012. A gente ainda não se conhecia pessoalmente. Foi incrível!

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Já ta bom? Dois sonhos em um? Uma panela de brigadeiro com uma caixinha inteira de morangos vermelhinhos. Dá pra melhorar? Deus é tão bom, que ainda me deu marshmallow pra colocar por cima! A Cris Bagio chega, me abraça e diz “o Pedro foi olhar a classificação. Corre lá. VOCÊ PEGOU PÓDIO”.  Oi? Hãn? Tá falando sério?

Ela estava! O Robson e a Fer foram comigo. Ele perguntou pro moço do microfone. Sim! Eu ainda tinha marshmallow! Eu peguei pódio. Eu não sabia se ria ou se chorava. (Na verdade, to fazendo os dois aqui de novo, enquanto escrevo). Vários amigos foram aparecendo, como meu querido Itimura, o Colucci, a Gi do Divas que Correm. E eu parecia criança de novo. Eu queria pular, gritar, dançar até o mundo se acabar, porque eu já tinha corrido!

Tudo que me aconteceu nesse dia, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos melhores dias da minha vida, foi um trabalho em equipe! Meus treinadores Funáticos da Fun Sports, Rodrigo e Du, meu treinador de musculação Dola Brandalha, minha treinadora de natação Ju Bezzon, todos os professores da Companhia Athletica Ribeirão Shopping, Fer, Itimura, e outros amigos que tornaram o sonho da handbike possível, os amigos da Fun Sports que sempre me apoiaram, a Dani e vários amigos da academia que sempre me dão carona pra voltar dos treinos, os amigos corredores e meus seguidores por todo o apoio diário, a Edna e a Lu pela força,  o Augusto pelas músicas, o ciclista desconhecido por montar a hand, o pessoal que me ajudou no percurso, o massagista que tirou minha dor no sábado…é tanta gente, que tenho medo de esquecer de alguém! Sem cada um que participou desse processo, eu não teria conseguido. Muito obrigada por contribuírem pra tornar meu sonho realidade!

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Eu esperei 1 ano e 9 meses pra correr uma Golden Four Asics. E eu tinha medo dessa prova. De esperar, esperar e dar algo errado. Mas ainda bem que não foi assim!!!! Veio a linha de chegada, veio a minha (tão sonhada) meia maratona abaixo de 2horas e veio um pódio de primeiro lugar!!! Mais feliz, impossível!!!

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(As fotos da prova, que eu to caçando no face dos amigos, estarão no álbum da fan page, nesse link  http://http://goo.gl/FKq7KE  É só copiar e colar no navegador)

 

 

 

30
jul

0

Abdominais 3 – com bola

Oi gente! Conforme prometido, aí vai mais um exercício de abd com bola!

Eu usei a cama elástica do Sinergy, mas se você não tem uma dessas na sua academia, ou muito menos em casa, pode arremessar a bola na parede.

Usei uma sand bag pra apoiar as costas, senão eu vou e não volto mais rsrs. Mas você pode usar um daqueles triângulos, ou edredom dobrado, ou improvisar, de acordo com sua realidade. E se você vai e não volta, como eu, ou se seu controle de tronco é tipo gelatina derretendo, como o meu, peça pra alguém ficar perto de você, pra evitar acidentes. Não quero ninguém com dente quebrado!!rs

abd bola

Geralmente, eu faço 4 séries de 20 repetições cada, com a bolinha de 3kg. Mas não a encontramos na academia. Então usei a bola de 1kg e fiz 4 séries de 60 repetições.

Comece devagar, com uma bola sem peso,  e vá aumentando a intensidade e o número de reps, de acordo com sua evolução!

Para abrir o vídeo, basta copiar o link e colar no navegador, já que eu ainda não aprendi a colocar o vídeo aqui!!rsrs

http://youtu.be/AEzi2c67eQ4

 

 

 

28
jul

0

Aeróbio antes ou após a Musculação? Por quê?

“Antes de adentrar na leitura abaixo quero destacar que outras direções de treinamento existem sobre o assunto”

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No trabalho de Kang e colaboradores (Kang and Ratamess 2014), os autores pontuam que essa sequência pode inferir sobre a fadiga residual causada pelo treinamento prévio ao outro. A priori, a sessão realizada antes será a priorizada e isso depende dos objetivos do programa. O treinador pode escolhe qual vai priorizar, todavia alguns estudos tem indicado que cada sequência tem suas únicas vantagens que devem ser consideradas.

Antes de discutirmos, gostaríamos apenas de ressaltar apenas um detalhe muito importante. Sua pergunta foi sobre o treino aeróbio, certo? Todavia, na literatura o termo mais coerente seria treino de resistência. Esse predomínio metabólico do exercício (aeróbio ou anaeróbio) é determinado pela intensidade com que o exercício é feito (Lourenço, Tessuti et al. 2007). Aqui para nossa discussão vamos sim utilizar o termo treino aeróbio, mas isso fica implícito que estamos nos referindo a um exercício de baixa intensidade, tudo bem?

esteira

Fazer o aeróbio ANTES da musculação

Realizar o treino aeróbio antes da musculação pode servir como um bom aquecimento, melhorar seu desempenho nas atividades de resistência, mas pode comprometer seu rendimento no treino subsequente de musculação atenuando sua produção d força. A fadiga residual também pode comprometer a liberação do hormônio do crescimento (Goto, Higashiyama et al. 2005), prejudicando de forma aguda a resposta hipertrófica. Segundo os autores a redução no desempenho ocorre pelo fato de exercitar previamente os mesmos grupos musculares a serem usados na musculação. Todavia quando o exercício aeróbio for predominantemente para membro inferiores (corrida ou ciclismo), o desempenho em exercícios para membros superiores não é comprometido.

escadas na academia

Fazer o aeróbio APÓS a musculação

Fazer a musculação antes favorece os ganhos de força e potência muscular. O aeróbio após a musculação pode aumentar a oxidação de gorduras, sugerindo que essa sequência possa ser mais metabolicamente benéfica (Goto, Ishii et al. 2007). Todavia, um estudo recente apresentou uma informação muito importante para essa discussão. Esse comportamento benéfico quanto a maior oxidação de gorduras só foi observado quando a musculação também foi realizada em alta intensidade (Kang, Rashti et al. 2009), ou seja, preocupar-se somente com o treino aeróbio parece não ser o suficiente para redução da gordura corporal. Caso o treino de musculação não tenha uma intensidade adequada, essa vantagem metabólica não ocorrerá.

natação

O treino de resistência pode prejudicar o de musculação?

Algumas pesquisas apontam que a execução de treinos de resistência em conjunto com a musculação pode trazer interferências adaptativas. Esse fenômeno é denominado de treinamento concorrente (Hickson 1980). Todavia as evidências mais recentes não apontam para essa interferência caso o treinamento de resistência seja realizado com baixa intensidade e volume (Hakkinen, Alen et al. 2003). Muito pelo contrário, a execução da musculação com treinos de resistência de baixa intensidade potencializa sim o processo de emagrecimento sem prejudicar o ganho de massa muscular. O que é reportado na literatura é que a partir do momento que os treinos de resistência passam a ficar mais intensos e volumosos essa interferência pode se manifestar (Wilson, Marin et al. 2012)

musculação

Resumindo…

A resposta mais direta seria: para uma pessoa que quer emagrecer, realize o treino aeróbio sempre após a musculação, mas lembre-se de realizar a musculação sempre com alta intensidade, pois caso contrário a redução de gordura não será significativa, tudo bem?

Espero ter respondido e justificado a resposta!

 

Complementando um pouco mais a resposta…

Não podemos também deixar de ressaltar alguns pontos chave nessa questão levantada.

São eles:

1.O processo de emagrecimento não pode ser unicamente creditado a configuração de uma sessão de treino

A pergunta foi feita sobre a configuração de apenas uma sessão, mas sabemos que isso não é o suficiente. A redução na quantidade de gordura é uma adaptação morfológica ao treinamento que pode ser alcançada tanto através da execução tanto de treinos de força (musculação) como treinos de resistência na esteira, bicicleta, natação, ciclismo, etc. A musculação aumenta a massa muscular e portanto seu metabolismo basal. O treino de resistência aumenta diretamente a taxa de oxidação de ácidos graxos. Dessa forma ambos contribuem para o processo através de diferentes mecanismos.

2. Treinos de resistência predominantemente aeróbios não são os mais eficazes para o emagrecimento

A literatura mais atual destaca que os treinos intervalados de alta intensidade (com grande contribuição anaeróbia) são sim muito eficazes para o emagrecimento, se não melhores, que os predominantemente aeróbios. Exemplos de treinamentos intervalados são os estímulos de curta duração e alta intensidade, intercalados por períodos de pausa. Já os predominantemente aeróbios são os de baixa intensidade e longa duração como por exemplo uma caminhada.

3.Podemos emagrecer sem reduzir o peso (o correto seria massa) na balança

Nosso corpo pode ser dividido em 2 compartimentos. Temos a chamada massa de gordura e a massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea e demais tecidos). A soma destes é o que chamamos massa corporal total. O verdadeiro conceito de emagrecimento refere-se a redução na taxa de gordura corporal, mas sem necessariamente uma redução na massa corporal total. Dessa forma, podemos emagrecer reduzindo nossa massa de gordura e aumentando a massa livre de gordura, sem alterar nossa massa corporal total.

Espero ter ajudado um pouco com este esboço de artigo.

 

Leonarleo limado Lima

Formado em Educação Física, Bacharel em Teologia/Filosofia. Pós-graduado em Treinamento Desportivo e Fisiologia do Exercício. Mestre em Fisiologia Humana e pós-graduado em Biomecânica e Avaliações. Professor acadêmico, palestrante de cursos e preparador físico. CREF. 023984 – G-SP

 

 

 

22
jul

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Água e nosso treino

Gente, domingo cheguei feliz e contente na academia pra nadar e…esqueci minha garrafinha de água! Parece bobeira, mas na hora eu pensei “F *#@#”. Realmente, foi o que aconteceu! Juntou meu cansaço com a falta de água no treino e eu nadei mal. Cheguei em casa toda feliz e contente e comecei a beber água como se não houvesse amanhã! Parecia que eu tinha chegado de uma semana no Saara. Juro, tomei um porre de água e foi assim o resto do dia.

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Comecei a lembrar de quando eu fazia meus longos de corrida e levava camelback (juro pra vocês que eu bebia 1,5l em 20km de treino, nesse sol de Ribeirão Preto) e via aquelas pessoas correndo sem água. Como não caíam duras e esturricadas no meio do asfalto? Não sei!

Por que eu pensava isso? O que acontece no nosso corpo quando falta água durante o treino?

– menor disposição;
– câimbras musculares;
– perda de coordenação;
– distúrbios intestinais;
– diminuição da performance (Sistema Cardiovascular fica prejudicado por diminuição do débito cardíaco);
– falta de regulação térmica (o corpo sem a água não consegue dissipar o calor do corpo).

Este fator chega a ser tão importante que, o corpo pode começar a apresentar uma queda de 20% em seu rendimento caso, por exemplo, a temperatura corpórea suba 1ºC.

Comecei a pesquisar sobre o assunto e vejam que interessante o que eu encontrei:

A desidratação resultante da falta da reposição adequada de líquidos durante o exercício, pode causar o comprometimento da dissipação do calor, podendo aumentar a temperatura corporal basal e exigir um esforço adicional do sistema cardiovascular (Montain & Coyle, 1992; Nadel et al., 1979), diminuindo o rendimento do atleta. Assim, indiretamente, pode afirmar-se que uma má hidratação concorre para um menor gasto energético durante o treino por fadiga precoce.

Durante o exercício físico que se prolonga por mais de uma hora a desidratação oscila também conforme o peso do atleta. Esta perda é variável entre 2% e 6% e basta perder 1% para que o atleta reduza o seu rendimento e ponha em tensão o seu sistema cardiovascular e a sua regulação térmica.

 

Trocando em miúdos, nosso rendimento cai porque, toda a energia que o corpo gastaria na atividade física, ele passa a usar para que as células mais importantes não desidratem. A questão da fadiga precoce, causada pela desidratação foi, inclusive, comprovada por pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, em estudos publicados em 2012. Além disso, se você quer emagrecer, você PRECISA beber água durante o exercício.

Ah, mas e o pessoal que quer ganhar massa muscular?

Todo o trabalho com pesos requer níveis de hidratação bastante elevados, pois o treino de um culturista é relativamente curto e muito intenso. Por não se hidratarem o suficiente, os atletas por vezes, além da desidratação, também tem desequilíbrios de electrólitos o que pode ser problemático em treinos superiores a uma hora.

 

“Quando nos exercitamos, existe uma boa demanda dos músculos por substâncias como glicose e oxigênio. E a água ajuda a transportá-los”, explica o fisiologista Orlando Laitano. Com pouca H2O disponível, esses materiais têm dificuldade para chegar ao seu destino – e, assim, falta energia para as pernas se movimentarem.

Essa desidratação local afeta a vinda de nutrientes essenciais à construção das fibras musculares, a exemplo da proteína. Aliás, até essas estruturas também são compostas de água. Privar-se dela, portanto, é ficar sem matéria-prima para formar mais fibras. Outro motivo para a recuperação ficar lenta quando o tanque está vazio.

O músculo depende de determinados sais minerais e – adivinhe! – água para realizar toda e qualquer contração. “A precisão e a suavidade do movimento diminuem significativamente se o indivíduo não bebe o suficiente. Isso, por si só, já aumenta a probabilidade de uma lesão”, alerta o médico do esporte Jomar Souza.

Galera, além de toda a importância da água para o organismo, que já estamos carecas de saber ( bom funcionamento do organismo, preservação das funções fisiológicas, transporte de nutrientes, regulação da temperatura corporal.), se há mudança no desempenho do seu treino, não esqueça sua garrafa de água em casa! Pense em sua saúde, acima de tudo!

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