06
ago

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Expo Golden Four Asics SP 2015

Gente, é taaaanta coisa pra falar, que eu nem sei por onde eu começo! Juro!

11695898_1049197961757556_1303694907299877345_nVou voltar no tempo, pro começo desse ano, quando recebi o convite da organização da Golden Four, pra ser palestrante nesse ano. Eu iria falar sobre a Minha História com a Golden Four Asics. Nem preciso falar que só não pulei de alegria porque não pulo! Mas eu já estava esperando ansiosamente por novas informações, enquanto a corrida não chegava. Fiquei em êxtase total quando saiu o informativo sobre a Expo e meu nome tava lá, bem depois do Dr. Drauzio Varella! Eu já tratei de enfiar meu livro na mala, pra tentar um autógrafo.

Nas duas provas anteriores que fiz em Sampa, eu tinha ficado parada na marginal na ida. Então, por puro e total medo de isso acontecer (e aconteceu! Fiquei 1 hora parada e não fiz nem metade do que eu queria na sexta), decidi sair de casa na sexta-feira. Quando cheguei, o Edu já estava lá pra me buscar, junto com toda a minha tropa: cadeira, minha filha handbike e mala (to conseguindo carregar uma mala cada vez menor, apesar das roupas de frio). Fui direto pra loja da Vivian Bógus, que agora me patrocina com roupas da linha fitness. Já peguei a calça nova e o top que eu usaria na prova. Também escolhemos uma blusa pra eu dar a palestra, porque já faz uns 2 anos que eu não compro roupa “de sair” (mais alguém tem mais roupas de academia do que outra coisa?).

Eu já estava sem dormir há 2 semanas. Imagina se eu dormi naquela noite! No sábado, eu não via a hora de chegar logo na Expo! A Fabi passou pra me buscar e lá fomos nós. Já no estacionamento, comecei a encontrar os amigos. Eu adoro buscar kit de corrida! Assim, eu tenho 2 dias pra ver o pessoal que faz tempo que eu não vejo. Verdade seja dita, pouca gente que eu vi sábado, consegui encontrar domingo, depois da prova. E já na entrada da Expo, estava aquela placa linda dos 21k. E esse ano ela era azul! Ali eu já vi que as coisas seriam maravilhosas no meu final de semana.

Eu e a Fabi rodamos aquela Expo toda, pegando kit, tentando trocar minha camiseta (que veio tamanho vestido, pra mim, que pareço um Minion),vendo algumas coisas, encontrando as pessoas e tirando fotos. Mas eu estava bem preocupada com a palestra. E vou falar pra vocês o motivo. Eu tinha tempo limite pra falar! E todo mundo que quando eu começo a falar, eu não para nunca mais na minha vida! E eu também não queria chorar, porque eu sempre choro quando falo da Golden Four.

Encontrei o Marcelo (de Assis Marques), meu amigo querido, que ia dividir o palco comigo e também contar a história dele. Então, combinamos que ele falaria primeiro, assim eu usaria o tempo que sobrasse. Depois disso, eu e Fabi sentamos num cantinho pra devorar o kit lanche, porque minha pressa era tanta, que eu nem deixei minha amiga almoçar!

Logo, começou a palestra do Drauzio Varella. Como o pessoal disse lá, ele parece nosso avô (e realmente tem a idade do meu). Calmo, tranquilo. Muito engraçado. Falou várias verdades sobre saúde, necessidade de fazer atividade física e que, essa história de que correr faz mal é tudo balela. Na minha opinião, é lorota pra vender mais remédio ao invés de vender tênis! A única coisa que ele disse, e que incomodou alguns corredores,é que ninguém gosta de levantar super cedo pra treinar. E tem muita gente que gosta sim, porque rende mais de manhã do que à noite. Mas eu sou do time que dorme mais um pouquinho e rende mais depois das 18h rsrs

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Gente, a palestra dele foi uma muvuca de tanta gente! Todo mundo juntinho, apertadinho, pra tentar ouvi-lo falar. E ele também levou a Adriana Aparecida, medalha de prata no Pan de Toronto. Quando ela estava terminando de falar, eu já estava explodindo de vontade de ir ao banheiro (e todo mundo sabe que lesado medular não consegue segurar). Eu só pensava que se não fosse naquela hora, não conseguiria ir antes da minha palestra. Aí veio a notícia de que o Drauzio não esperava tantas pessoas e percebeu que não daria tempo de autografar os livros, visto que ele tinha outro compromisso. Mas e meu livro? O Edu já tirou o livro da minha mão e eu fugi pro banheiro. Sorte a minha, pois quando saí, tinha uma fiiiiila pra entrar. Soube que meu livro desapareceu com o pessoal da Iguana Sports, lá pra dentro do camarim do Drauzio. E voltou autografado, cheio de carinho! <3

Ta. Nossa vez de subir. Minha e do Marcelo. Enquanto todo mundo tietava a Adriana, eu aproveitei e também fui. Ela é muita linda e me disse “Segura a medalha”. Coração da gente dispara, né! Desci, e fomos, Marcelo e eu, na mesa de som. Maaas, cadê nossas apresentações? Esperamos 10 minutos pra descobrirem quem estava tomando conta delas com a vida. Mentira, só tava num pen drive. Mas, foram 10 minutos que duraram 10 séculos. Eu só pensava que não ia ter sentido falar, falar, sem mostrar fotos. Sorte que a Adriana estava lá, no palco, enquanto o pen drive chegava.

Eu subi crente que o Marcelo ia falar primeiro. Mas deram dois microfones pra nós. Eu só dei uma olhadinha pros banquinhos e vi apenas nossos amigos (meus e dele) e mais algumas pessoas. Aí, na televisão bem na minha frente, aparece minha foto! Gelei! Assim, a sangue frio, sem avisar, sem preliminar? O moço me entregou o passador de slides, e eu comecei a falar. Percebi que quando eu disse assim “vocês devem estar se perguntando o que uma pessoa na cadeira de rodas veio falar sobre corridas”, um monte de gente que estava nas filas virou o rosto e começou a olhar pra mim. E assim que eu comecei, foi vindo gente, vindo gente, e mais gente pra me ouvir.

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Eu tentava não parecer uma metralhadora, mas também não podia ficar totalmente zen, pra contar meus 3 anos de história com a Golden Four. Era muita história pra pouco minuto. Mas eu fui contando, contando… Tinha gente rindo, tinha gente chorando, a Dani tirando foto (mas na verdade estava filmando, ainda bem que só me contou depois). Umas duas vezes me deu vontade de chorar, mas eu engoli o choro, pra não passar vergonha bem ali.

Eu não ensaiei falar nada. Coloquei as fotos da história pra serem meu guia e fui contando. Depois que eu desci, pensava “poxa, não falei isso”, “eu devia ter falado aquilo”. Mas em nenhuma palestra minha eu faço diferente do que fiz ali. Eu simplesmente falo da minha cabeça, que é onde a história e as emoções estão guardadas. Engraçado que, várias vezes, enquanto eu falava, eu via as situações na minha frente. Eu, sentada na cama do hospital, vendo as fotos da Golden Four 2012 no facebook. Vários amigos dedicando as medalhas pra mim. E eu ali, digitando igual cata-milho, porque nem os dedos funcionavam direito (não que hoje eu não apague 200 vezes as letras que eu aperto trocadas sem querer. Mas em quase 3 anos, melhorou muito!). Depois, 2013, eu vendo, de novo, as fotos, enquanto eu pensava em como eu poderia estar la. E que só ir pra assistir ia ser sofrimento demais.

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Depois eu comecei a falar sobre as etapas do ano passado. E parecia que via, ali na minha frente, aquela subida dos infernos, e a hand dando ré, na minha estréia. E ouvia a galera me passando e eu ouvindo os passos de cada um no asfalto. Lembrei até das sombras das árvores no caminho. E aí a minha chegada, e a minha alegria em pegar a medalha. Eu nem acreditava. (a etapa SP 2014, eu contei aqui http://daninobile.com.br/golden-four-uma-das-maiores-emocoes-da-minha-vida/ )

Depois, parece que eu via Ivone atrás de mim, me empurrando, enquanto a Gi e o Vandi traziam a hand desesperados. A Márcia parando a van e nos resgatar. Eu também vi o chão quando eu caí de cara na largada. E ouvia a voz do Gustavo, meu ciclista anjo, falando pra eu me acalmar, enquanto o gel estourava na minha blusa, a hand quebrada e eu chorando sem parar. E depois a busca por ele, pra agradecer! (a etapa BSB 2014, eu contei aqui http://daninobile.com.br/2-anos-depois-golden-four-asics-brasilia/).

Eu fui lembrando e falando o que vinha na minha memória e no meu coração. Todas aqueles momentos, que eu resumi em 25 minutos. Pois é, passei do tempo! Só soube depois, que a Dani me falou! E enquanto eu falava, eu via os amigos e amigas chegando pra me ouvir, me dando tchauzinho, me mandando beijinho. E a reação das pessoas. Aí, no final, todo mundo bateu palma. Acho que quando batem palma é porque não foi tão ruim assim hahahahaha

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Quando o Marcelo começou a dar a palestra dele, eu já estava tão relaxada, que só curti. E até consegui fazer pose pra foto e piadinhas quando as pessoas tinham perguntas. Mas a surpresa maior ainda foi o pós-palestra. O feedback dos outros atletas foi muito incrível! Muita gente vindo conversar comigo, tirar fotos. E eu também recebi muitas mensagens lindas nas redes sociais! Eu não tenho nem como agradecer a cada pessoa que esteve ali presente, e cada palavra de carinho que eu recebi. Vocês tornaram o meu dia incrível!

Depois disso, eu destruí o lanche que a Dani levou pra mim (quem contou pra ela que eu sou uma draga, eu não sei. Mas ela sabia que eu ia descer do palco morrendo de fome). Finalmente fui personalizar minha camiseta e fui a última a subir na maca pra fazer a massagem. Ouvi do senhor que me atendeu que eu tava com as costas podres. Mas o mais legal foi ouvir do pessoal da massagem “Nossa, eu amei sua palestra. A gente estava trabalhando, mas ouvindo tudo que você falava aqui do fundo”.

Não preciso nem dizer que eu estava mega master radiante. Cheguei na casa da Vivi, abri meu tênis lindo que ganhei da Asics, arrumei tudo pra corrida e…. não dormia nem pagando mil reais!!

Quer saber como foi a prova? Amanhã eu conto! Esse post já ficou gigante demais!rsrs

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22
jul

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Athenas 16k e Pernas de Aluguel

Gente, é muita emoção pra um post só! Mas vou segurar as lágrimas e contar pra vcs como foi minha corrida Athenas 16k com o Pernas de Aluguel.

Pra quem acompanha o blog sabe que essa história começou ha 1 ano atrás, laaaa na Golden Four SP. No pós prova o Edu Godoy me parou pra perguntar se eu usava minha cadeira de uso diário pra correr. Eu expliquei que essas cadeiras não são  permitidas pelas organizações de prova, por motivos de segurança, mas que eu uso a handbike, que ele nunca tinha visto. Mostrei pra ele e expliquei como funciona. Mas ele me disse que uma hand nao daria pra ser usada no caso dele. O Edu é voluntário na Instituição Rainha da Paz e, inspirado na história de Dick e Rick Hoyt,  gostaria de levar as crianças do Rainha pras corridas. Mas elas precisariam ser empurradas. Então falei pra ele dos triciclos. Apresentei o Edu pra Fer Balster, falei do Itimura e da empresa que fez a minha hand e que faz os triciclos que ele precisava.

Pronto! A partir desse dia, o Pernas de Aluguel entrou definitivamente na minha vida!

Minha alegria ficou gigante quando, em outubro, o Pernas conseguiu fazer sua primeira prova. Infelizmente eu não pude pernas-de-aluguel-4estar la, mas publiquei aqui no blog uma entrevista com  o primeiro atleta cadeirante do Pernas, com a família e a equipe do Rainha. (Quer ler? Clique aqui  http://daninobile.com.br/pernas-de-aluguel/ ).

O tempo foi passando, o Pernas foi crescendo, mas eu nunca conseguia ir em nenhuma prova com eles. É logística e grana demais sair de Ribeirão com a hand pra fazer uma prova de 10km em SP. E nas provas longas deles, eu estava competindo.

Há 1 mês e meio atrás eu comecei a batalhar minha inscrição da Athenas 16k, pra poder estar com o Pernas e dar uma treinadinha pra Golden Four. Mas, eu não consegui me inscrever… Porém, nos 45 do segundo tempo, a família Pernas me presenteou com a inscrição! Isso foi na quarta-feira, pra prova ser no domingo. Pergunta se eu ia faltar. Nem morta!

E la fui eu, no sabadão, toda ansiosa pra reencontrar o Edu na rodoviária, após 1 ano! Pois é! Nos falamos todas as semanas nesse tempão, e cresceu uma amizade verdadeira nesse período. Mas só fomos nos ver nesse dia tããão especial. Eu chorei muito quando ele me disse que era o Pernas que me deu a inscrição.. Cachoeira aberta mode on já começou aqui.

De la, partimos pra casa da Vivi Bogus, que não só me hospedou, como aceitou carregar essa mala de rodinhas que voz fala, mais a minha filha gigante (a hand) pra prova. Nem preciso dizer que não dormi de ansiedade. Mais de meia noite e a doida, que tinha que acordar 4:40, tava fazendo snapchat kkkkkkk

Enfim, chegou o grande dia. E a emoção começou a vucuvuzear em mim assim que chegamos na área das tendas e vi aquele mundaréu de gente, com a blusa do Pernas. Ali no meio, ja tinha um monte de amigos meus. Itimura, Pri, Sindo e mais um montão de queridos.

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Depois da reunião que o Edu faz pre-prova, três voluntários,  Marcelo e Andréa Calil  e o Daniel Arita, foram comigo e com a hand até a largada. Maaaas, porem, contudo, entretanto, todavia.. todo mundo sabe que eu não consigo fazer uma única corrida  sem emoção! Apesar de estar na tenda 45min antes da  largada, eu cheguei na largada faltando 1 min! O suporte de pé da hand tava desregulado. Só percebi quando sentei nela e minha perna pegou no pneu (de novo!!). A organização tentou atrasar a largada, mas não puderam esperar mais. Ao invés de eu la11696024_10207141146950747_2309325696470379553_nrgar na frente, eu larguei quase 4min depois! Imagina meu desespero! Os meninos ainda tentaram correr na minha frente, abrindo caminho. e tava bem devagar, porque realmente tinha muita gente e pouco espaço. Mas alguns corredores do fone de ouvido no último volume, não nos ouviam.

Depois de 1km, consegui atravessar a pista e comecei a ir do lado de quem tava voltando, bem encostadinha na fita. Logo, a elite me alcançou, mas como eu estava na contramão, eu não bati em ninguém. Desviei de volta pra pista da ida, pra passar no tapete de cronometragem e voltei pra contramão. Quando o fluxo diminuiu, porque o pessoal dos 8k começou a voltar, eu entrei na pista certa e ja havia bem pouca gente na minha frente.

Verdade seja dita, eu tive que parar uma vez pra puxar a mangueirinha do camelback, que ficara presa. E parei mais duas vezes pra arrumar meu pé, que caiu quando passei em buraco. Numa dessas vezes, o staff veio correndo pra ver se eu estava bem. Por isso eu adoro provas da Iguana! Eles realmente tem um staff excelente!

Comecei a voltar. O percurso é bem tranquilo. Poucas e leves subidas e vários falsos planos. Eu fui pra fazer tempo, mas a largada não me permitiu fazer como eu queria. Mas pula essa parte, gente! Na volta, eu já comecei a procurar o pelotão do Pernas, que estava indo. O combinado era eu fazer a minha prova e voltar pra terminar a deles com eles. Minha emoção foi gigantesca, quando vi aquele enorme grupo de corredores (mais de 50) e 7 cadeirantes, que estavam num posto de hidratação, me gritando e me aplaudindo. Nossa, chorei muito naquela hora!

Também tive apoio de muuuitos corredores, amigos e desconhecidos, que me gritavam, batiam palma. Eu amo demais a corrida! Os últimos 4km foram tensos, pois encontrei novamente a multidão dos 8k. E novamente, eu comecei a correr por fora da fita, na contramão de quem ia (mais ninguém!), pra não correr o risco de atropelar nenhum atleta. Engraçado é que, antes de eu passar pro outro lado da fita, tinha um atleta correndo muuuuito. Fizemos uns 2 km juntos. Quando chegou uma subidinha, eu diminuí, e ele ia na minha frente, pedindo passagem pras pessoas que estavam andando. Acredita que fomos xingados?! Juro! Quase surtei!

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Quando terminei os 16k, em 52minutos (tempo oficial no site da prova), tive que passar pela dispersão.  Fui a primeira cadeirante a terminar a prova, mas não tece pódio pra nós! Peguei minha medalha e voltei pra largada, por fora. O pessoal da organização pediu pra eu aguardar um pouco, pois havia muita gente chegando e eles não queriam ver nenhum acidente. Passados 40min, me liberaram pra voltar e encontrar o Pernas. Assim, fui na contramão de quem ia terminar a prova. Vários corredores me gritavam ” mas vai fazer de novo?”  rsrsrs

De repente, lá pelo km 4, eis que eu me debulho em lágrimas, vendo aquele grupo enorme vindo na minha direção! Mais de 50 atletas, 7 cadeirantes e um carrinho de bebê com nossa mascotinha Lully gritando “Vai Pernas”. Gente, foi demais! Pensar que há menos de um ano atrás, era só um sonho do Edu! Passei por trás deles pra fazer a curva e retornar. E comecei a acompanhá-los, cada hora ao lado de uma pessoa diferente, conversando com todo mundo e vendo a alegria dos cadeirantes. Foram momentos mágicos!

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No último km, a tradição é parar pra tirar uma foto. E pra juntar todo mundo ali?  Fechamos a marginal! Depois, partimos pro último km, todos se ajudando, dividindo água e isotônico. Os batedores iam à frente, pra avisar sobre buracos na pista e avisar os demais corredores que lá vínhamos nós.

11165225_915629005170725_2417092837237912170_nFaltando 50m pra chegada, as palmas altas começaram, e alguns cadeirantes, que conseguem caminhar com apoio, levantaram de seus triciclos e começaram a dar passos lentos, porém firmes e alegres, pra cruzar a linha de chegada. E eu de trás, olhando tudo da hand. Olhando a emoção dos pais, a emoção de quem assistia, a emoção do staff nos vendo chegar. Gente, foi lindo demais. É nessa hora que os ninjas invisíveis começam a descascar cebolas perto dos nossos olhos.  Espero, um dia, poder cruzar a linha de chegada assim com eles!

Terminada a prova e a emocionante entrega de medalhas, rola uma força tarefa pra atravessar a marginal e ir pra tenda da AP academia, que acolhe e ajuda o Pernas em todas as provas. Lá, ia ter outra surpresa! O Marco é pai do Marquinhos. Eles tem ido à várias provas com o Pernas, usando triciclos emprestados. E após a Athenas 21k, foi dia de o Pernas de Aluguel presentear pai e filho com o próprio triciclo deles! Aí foi emoção que não acabava mais! Veio ninja, veio samurai, veio China, Japão e Coreia inteiros descascar cebola perto dos nossos olhos.

Eu e o Edu nos emocionamos muito após a prova, por finalmente podermos correr todos juntos, pela primeira vez. Foi muito incrível! Indescritível! É assim uma corrida com o Pernas de Aluguel. Muita festa, muita risada, superação, amor, companheirismo, cuidado com o próximo. O Pernas já virou uma família. E eu sinto muito orgulho por fazer parte dela!

Se você quiser alugar suas pernas, ou doar para a aquisição de novos triciclos e pro transporte dos cadeirantes até as corridas, entre no site do Pernas e cadastre-se! http://pernasdealuguel.com.br/

 

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15
jun

2

It’s Runderful! Mizuno Half Marathon

Verdade seja dita, não sei por onde começar esse post! Quando fiz a inscrição, eu só pensei “Quem sabe desse vez…”. Minha última meia tinha sido a G4 BSB, que eu estava super confiante que baixaria meu tempo, mas a hand quebrou e eu fiquei com meu sub1h30 só nos sonhos mais profundos e distantes.

Minha prova começou 2 semanas antes, quando publiquei no facebook um post caçando um pouso para minha filha, vulgo handbike, por uma semana. E quero aproveitar para agradecer a tooodos os amigos que ofereceram um cantinho em suas casas pra ela ficar. Não dispenso nenhum, porque eu sempre preciso.  Dessa vez, deixei na casa da Larissa e do Rodrigo, que, inclusive, buscaram a hand na rodoviária lá de SP pra mim, pouco antes de eu pegar o ônibus pra Taubaté. Fiquei em Taubaté uma semana e, no sábado, estava em Campinas, fazendo outras provas (logo eu conto delas. No quesito “preferências” a corrida ganha disparado, né!).

Cheguei em Sampa sábado à noite e, por mil motivos (incluindo metrô e as matracas – eu e Lari – que não paravam de falar), acabei dormindo apenas 2h30 na véspera da prova. Acordei moída, mas já estava a  mil por hora em poucos minutos, afinal, era dia de corrida. Esperei a Carol Spera me buscar. Ela arrumou uma comitiva, incluindo a família dela e um casal de amigos, pra caber hand, cadeira e eu no carro.

Saímos atrasados da casa da Lari, mas com tempo de folga pra chegar ao local da corrida. Porém, havia muitos e muitos quarteirões de congestionamento em volta do local da prova. Faltavam 40minutos pra largada e ainda estávamos dentro carro. 30min. 15 minutos pra largada e ainda estávamos dentro do carro! O desespero bateu! Comecei a pensar e falar “vou perder a largada”, e arrancar ali mesmo a roupa de frio (estava com a roupa da corrida por baixo), colocar as luvas, so faltou o capacete. A turma da Carol decidiu me descer do lado de fora do shopping e estacionar o carro depois. Partimos, eu, o Fabio (marido da Carol) e o Gu (filho dela) para largada. Mas, porém, contudo, todavia, entretantoooo, tinha que subir a ponte pra chegar na largada e…ela estava abarrotada de gente! A largada de deficientes era 7h. E nesse horário eu ainda estava na ponte, gritando “Com licença, por favor”, que virou “Com licença, pelo amor de deus” em poucos segundos. O povo deve ter me achado doida!

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Cheguei na grade 7:05, desesperada, pedindo pro moço deixar eu furar a grade e ir pra largada na contramão. Claro que deixaram, mas falaram pra eu ficar calma, porque a largada ia atrasar mais. Motivo do atraso? Me esperar!hhahahaha  Até parece! O que aconteceu é que TODOS os 8mil corredores tinham que passar em frente ao pórtico pra chegar ao corredor com os setores da largada. Não foi bem pensado estrategicamente, mas foi a minha sorte! Eu cheguei tão apavorada com a ideia de não largar, que preocupei alguns amigos que estavam ali posicionados, incluindo a Dani, a Sueli e o senhor Naor.  Com a ajuda do pessoal eu me posicionei e deu tempo de folga pra acalmar. Deu tempo de dar a mão e desejar boa prova pra vários amigos que passaram ali na largada pra me procurar. Deu até tempo de ver a Adriane Galisteu bem atrás de mim (mas fora do alcance da selfie). Como meus amigos dizem, se tudo dá certinho comigo numa corrida, é porque eu corri nos meus sonhos!

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Com a Dani e a Sueli

 

Enfim, largamos! O senhor Naor, guia da Achilles, a simpatia em pessoa, foi o anjo da minha prova! Eu fui uma besta quadrada e não verifiquei a posição da minha perna esquerda. A culpa foi minha e totalmente minha de não olhar isso com muita atenção. Acabou que comecei a sentir uma dor perto do joelho. Pensei que fosse o local que sempre apoio a perna nos treinos (no rolo fácil de mudar). Mas comecei a arder muito! Estranhei e, quando olhei pra minha perna, já ia começar a sangrar. Estava pegando no pneu e ele estava queimando a pele. Comentei com o senhor Naor, mas optei por só tentar afrouxar a faixa que prende uma perna na outra. Não adiantou. Ainda estávamos no primeiro km. Decidi parar. Ele estava de bike e parou comigo. Me ajudou a afrouxar a faixa do pé esquerdo. Optei por posicionar a perna mais aberta, pra não voltar a encostar de jeito nenhum. E continuamos.

Gente, o percurso era quase totalmente plano, com alguns falsos planos na Marginal, e estava bem tranquilo. Eu fechei os primeiros 10km, com vento a favor, em 30 minutos e bem feliz, apesar da dor do vento batendo no machucado. E numa dessas olhadas na perna, pra ver se tava tudo bem, eu parei de olhar pra frente e atropelei um cone! Eu ria muito porque quase morri do coração com o barulho, já que peguei o cone bem no meio, ele entrou na roda e eu saí arrastando. Seu Naor ja vinha voltando, e eu dando ré na bike com as mãos no chão. Demorei pra pegar

Com o sr Naor, meu anjo da guarda.
Com o sr Naor, meu anjo da guarda.

velocidade de novo, mas mandei brasa nos bracinhos. Aí a gente tinha que voltar. A primeira curva eu tinha feito super bem. Mas essa segunda, era bem depois do sinalizador do chip, aquelas lombadas horrorosas que ficam no chão. Como eu quase vooei de cima da hand quando passei naquilo, eu não consegui abrir tanto a curva e…trombei  e subi na sarjeta do outro lado. Lá vou eu de novo, com o coração saindo pela boca, retomar a velocidade de novo e rindo com o senhor Naor.

Mas a minha velocidade não voltava, porque começou um vento contra e gelaaaado. Tava difícil. Mas meu anjo da guarda ia pegando o Gatorade pra mim (no saquinho! foi demais!) e até a esponja, que eu já grudei na cara e no pescoço, já que eu não transpiro. Como estávamos voltando, mas a galera toda da prova ainda estava indo, eu ouvi muitos “Daniiiii”, “vai Dani”. Algumas vozes e rostos eu até reconheci. Gente, foi bom demais ouvir vocês. Eu me senti motivada e queria dar o meu melhor, pra dar orgulho pra todos que estavam torcendo por mim. Muita gente sabia que eu queria o sub1h30, que ia tentar o sub1h20. E eu recebi muitas mensagens de incentivo durante a semana. Mas nada como um grito de incentivo ali, na hora, quando os braços estão doendo. Muito obrigada a todo mundo mesmo!

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E eu fui feliz da vida (apesar de os meninos com as hands importadas já terem passado voltando quando eu ainda estava indo) até encontrar a galera do revezamento. Sim, havia essa opção na prova, onde 1 da dupla corrida 7,5km pra ir e 7,5 pra voltar e aí trocavam. E quando eu cheguei nessa turma, complicou! Por mais que o senhor Naor fosse na minha frente pedindo passagem,e eu viesse atrás gritando e pedindo “Com licença, por favor”, a galera que corre com os dois fones de ouvido e a música tão alta que eu escutava lá do chão, simplesmente não abriam passagem. Juro que não sei como o pessoal da elite faz nessas horas. Eu desviava, freei várias vezes (cheguei a ir de 22km/h a 9km/h e até a parar totalmente, pra não passar por cima das pessoas). Mas teve uma hora que o pior aconteceu. Eu desviei de um casal, mas um grupo entrou bem na minha frente e a roda de trás da hand pegou numa moça. Quando ela xingou, e a hand bateu nela do lado direito, tombou pro lado esquerdo e minha perna caiu e saiu arrastando, e eu torci o punho direito. Eu fiquei desesperada com a moça e ela comigo. Eu comecei a chorar pedindo desculpas e perguntando se ela machucou. E ela perguntando se eu me machuquei. Seu Naor já tava do meu lado de novo. Ele e as pessoas colocaram meu pé no lugar e me empurraram pra eu ir embora. Eu saí chorando e pedalando, muito chateada e assustada. E aproveito aqui pra pedir desculpas novamente pra moça. Se alguém a conhece, digam que sinto muito e espero que ela não tenha se machucado!

10388101_1020886657922020_4830465175783805304_nDemorei um pouco pra me acalmar. Mas entendi que a prova estava acabando. Quando faltava um km, eu tentei aumentar a velocidade, mas tinha muita gente na minha frente. Deixei pra sprintar quando já estava na grade e faltavam poucos metros, mas não deu. Acho que ninguém que estava na minha frente quis sprintar. Eu tive é que reduzir a velocidade pra não atropelar mais ninguém. E quando eu passei pelo pórtico, e vi meu cronômetro, aí a emoção tomou conta! Tava marcando 1h09. Ainda não saiu o tempo oficial (naquelas fotos que eles publicam no facebook, eu tenho uma marcando 1:12 e outra marcando 1:04. Então ainda to esperando), mas pelo amor de deus!! Eu queria o sub1h20 e conseguiiiiiiiiiii!!!!!!!!  To feliz demais da conta até agora. Já fui lá olhar o cronômetro umas 3 vezes pra ter certeza de que era aquilo mesmo!hahaha

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Assim que acabei a prova, já tinha uma amiga, a Filo, ali pra me abraçar. E assim que passei pra cadeira, já fui com o senhor Naor direto pro posto médico, pra ver a minha perna que doía e ardia (e arde até agora). Ferimento limpo, gelo amarrado, fui buscar minha medalha. E peguei a medalha que me entregaram, a rosa, sem saber que era a medalha errada. Fui descobri quase na hora de ir embora, quando a Sueli me disse que a verde era dos 21km e a rosa do revezamento. Mas ela trocou 10422588_1021519407858745_2596718907887521728_na dela comigo, porque a dela também estava invertida.

Se você teve problemas com a cor da sua medalha, descobri com meu amigo Colucci que dá pra trocar. É só enviar um email para mizunohalfmarathon@ccm.com.br com o nome completo e endereço explicando qual foi a troca que ele enviarão pelo correio as medalhas corretas.

No final, enquanto o Fabio e o Gu guardavam minha hand no carro, eu fiquei ali perto da grade, conversando e tirando fotos com meus amigos que passavam, enquanto eu esperava a Carol terminar. Pra fechar com chave de ouro, quando eu estava indo pro carro, eu encontrei a Ariane Monticeli, pura e simplesmente a ganhadora do IronMan. Eu fiquei caçando ela e o Igor Amorelli a prova inteira! Até vi o Igor correndo. Mas não cruzei com eles depois. Quando vi a Ariane, conversando com a Yara, soltei um “não acredito”. E ela, simpática, linda, humilde, conversou comigo, tirou foto e até comentou nossa foto no meu instagram! Uma fofa mesmo!

Mas, infelizmente, eu desencontrei de muita gente, muitos amigos que eu queria ter encontrado, batido foto e papo. Talvez pela minha fuga até o banheiro adaptado mais próximo, que era dentro do shopping, talvez pelo fato de as pessoas serem direcionadas pra dentro do Parque do Povo no pós-prova e eu não ter entrado la. Fato é que, nem com as amigas que eu combinei de encontrar, eu consegui encontrar. Todo mundo que eu vi, abracei, beijei e tirei foto, eu encontrei por acaso. Ainda bem que logo tem outra corrida! Vamos?

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12
jun

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Wings for Life 2015

Gente do céu, quase 3 meses sem computador.. Socorro!! Quase morri!! Mas consertou e agora eu já posso voltar a dividir tudo com vocês! To devendo uns mil posts, então, bóra começar a colocar o papo em dia!

Vou começar contando sobre a Wings for Life desse ano. Pra quem me acompanha desde o começo, deve lembrar que, no ano passado, eu venci a primeira edição dessa prova linda aqui no Brasil.

Pra quem nunca ouviu falar da Wings for Life, ela é uma corrida mundial, sem linha de chegada. Após 30 minutos do início da prova, um carro perseguidor sai a 30km/h e, assim que o carro te alcançar, você para! Ou seja, você vai correr no seu limite, o mais longe que puder chegar naquele dia. A prova acontece em mais de 30 países ao redor do mundo, simultaneamente. Em cada país a largada é num horário, de acordo com o fuso. Todos os carros perseguidores saem ao mesmo tempo. Em cada país há o ganhador feminino e masculino, mas há também o ganhador mundial. E onde há cadeirantes participando, há os ganhadores masculino e feminino sobre rodas também. A prova é mundialmente patrocinada pela Red Bull. Pra saber mais, tem tudo e mais um pouco aqui no site oficial  http://live.wingsforlifeworldrun.com/pt-BR

Como prêmio por vencer a edição 2014, esse ano eu pude escolher um país para fazer a edição 2015. E como sou meio italiana (e meio espanhola), eu escolhi a Itália! Lá, a prova acontece em Verona, a cidade de Romeu e Julieta  <3

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Quando eu entrei no site pra olhar a prova italiana de 2014, eu vi que a largada era num piso de paralelepípedo. Mas estava lá que apenas alguns metros eram assim. Esqueceram de avisar que apenas 7km eram assim! Eita nóis! Ou seja, nenhum cadeirante ali foi muito longe. A organização me disse que não havia cadeirantes na prova do ano passado. Esse ano éramos poucos.

Bom, vamos lá. O percurso é liiindo maravilhoso. Largamos no centro histórico, bem em frente ao Teatro Romano, onde também foi a retirada do kit. O percurso passa por praticamente todos os pontos turísticos, incluindo uma vista deslumbrante do Castel Vecchio.

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Durante todo o percurso na cidade (porque os corredores que vão mais longe terminam a prova numa estrada rural, coisa mais linda do mundo), os italianos aplaudem a gente sem parar… e os turistas também! Acabamos passando por ruas bem estreitas, onde quem não está correndo fica limitado à calçada e nós dentro da faixa, na rua. Isso faz com que todos fiquem muito próximos e crie um clima muito legal durante a prova.

20150503_131447Bem no início eu conheci 2 pessoas maravilhosas: Niko e Giggio. O Niko é o cadeirante e Giggio o pai maravilhoso que empurrou o filho durante a prova toda. E, não sei como, queria me empurrar também! Pai super herói.  Até fizemos um trenzinho pra tirar a foto, mas não deu muito certo rsrs Acabei ficando bem próxima deles durante boa parte da prova, então pudemos conversar no máximo que meu italiano ia e o inglês deles vinha.

 

Bom, a corrida foi avançando e eu resolvi filmar o melhor piso em que corremos, pra vocês verem (o pior: sabe aquelas tartarugas que colocam no asfalto em locais onde não podemos mais estacionar? Imaginem uma do tamanho da sua mão. Agora imaginem uma rua inteira feita disso. Era quase igual).

A legenda do vídeo no instagram foi “Se vc for cadeirante e ganhou a Wings For Life, escuta a tia Dani: não escolha Italia pra correr! O país é lindo, Verona é linda, mas até o km7, esse é o melhor piso do percurso (imagine o pior! Tanto que eu preferi ir pela calçada na hora do pior!!). Não é a toa que eu caí. Não uma, mas duas vezes. E nao foi um tombinho qualquer. Foi de joelho e cara no chao! Kkkkkkkkk Ainda bem que eu estava de luvas!! E vieram um moooonte de italianos lindos me ajudar a sentar de novo :p “

É, gente.. eu caí! Não tem aquele vídeo que todo mundo compartilhou “bota a cara no sol, mona..bota a cara no sol”.. eu entendi “bota a cara no chão” e obedeci hahahaha

Pois é, gente. E com isso, eu perdi tempo. Por mais que as pessoas tenham sido mega solícitas, foram tanto e exageradamente cuidadosas que demoraram tempo demais pra me colocar de volta na cadeira e catar água que voou prum lado, celular pro outro.. aí a menina que estava uns 100m na minha frente desapareceu da minha vista.  Também, seria pretensão demais querer ganhar de novo rsrs20150503_140458

Bom, depois que eu caí, uma moça me ajudou na subida, enquanto eu avaliava os ralados (ainda bem que eu estava de luvas, senão “adeus pele das mãos”) e bebia água. Chegamos ao posto de água, ela ficou la pra se hidratar e eu mandei bala embora… Infelizmente, um pouco depois da ponte do Castel Vecchio, o carro perseguidor me alcançou, antes mesmo de eu aproveitar o asfalto pra dar um gás na prova.

Conheci um grupo de austríacas que foi pra correr a prova. Esperamos juntas pelo ônibus que nos levaria até a largada de novo..mas nada de ônibus. Peguei o mapa da cidade, que estava na minha mochila, e decidimos voltar por nossa conta,20150503_150228 conversando e apreciando a cidade.

Assim que chegamos ao local da largada e eu fui direto pra massagem. Estava tensa por ter esfregado a cara no chão e feito exposição da figura na prova. Ali, conheci o Giuseppe, um cadeirante muito legal e engraçado, que estava com uma turma de amigos. Tiramos fotos e trocamos moedas dos nossos países, apesar de eu já ter euros e dizer ao moço que era um péssimo negócio me dar um euro e levar um real, mas ele disse que seriam nossas moedas da sorte.

Logo, a Fer chegou e nós decidimos sentar ali, no meio da praça, onde tantas e tantas pessoas também estavam em frente ao telão, acompanhando a prova. E foi emocionante torcer, pois a Itália se manteve entre as finalistas mundias. Todo mundo gritando, aplaudindo..foi lindo demais e inesquecível!

E a prova no Brasil? Bom, eu não tava aqui pra ver, né?! Então eu mandei os correspondentes hahahaha  Enviados especiais cadeirudos, pra nos contar tudão.

 

 

 

fabiulaA Fabiula Silpin é de Brasília, e conta como foi: “Sobre a corrida de hoje: Cheguei atrasada 10 mim (Quase desisti de correr) rsrs mas decidi ir mesmo sendo uma das últimas. Decidi ir devagarinho, mas sinceramente pensei que faria um percurso de uns 5 minutos, rsrs. Mas graças a ajuda da minha amiga Alana e outras 2 pessoas que não me lembro o nome que encontrei no caminho que tive que pedir ajuda pois me machuquei as mãos, consegui percorrer um longo caminho que não faço a mínima idéia de quantos km foi kkkkkkk. Mas sei que fui muito além do que eu mesma esperava, mesmo sem treino algum e muito menos com condicionamento físico. Mas valeu muito a pena, agora é se preparar pra ano que vem novamente, já que será aqui em Brasília de novo. Dia 8 de maio, galera”.

Stefanny

 

Minha amiga Stéfanny Fernandes, foi pela primeira vez em um corrida! Eu amei a novidade! Nós internamos juntas no Sarah e eu to doida pra arrastar essa mulher pro esporte. Apesar de ter começado a prova com 15 minutos de atraso, conseguiu fazer 3km sozinha, sem ajuda e sem condicionamento físico. “Foi maravilhoso participar. Ver todas aquelas pessoas correndo por nós, foi emocionante! Me senti livre e com as esperanças renovadas!” Ela me prometeu que vai tentar fazer mais provas. Vamos cobrar!

 

 

 

10846164_1019961891347830_5588227109763291989_nTambém estava lá meu amigo Diego Coelho. To feliz da vida por ele, pois o Diego ganhou a prova masculina! Fez 21km sem ajuda. O cara é monstrão! Diego me contou que começou a prova tranquilo, mas lá pelo km15 estava muito cansado. Pelo que ele me contou, na linguagem de corredor, ele ia quebrar jaja. Mas tinha um corredor experiente alinhado com ele há alguns km, que deu um gel de carbo (nosso famoso e adorado gelzinho) pro Diego experimentar. Aí ele se sentiu com aquele gás pra correr mais um pouco. E foi isso que o levou a ganhar a prova. Ele disse que, inicialmente, ficou um pouco chateado, pois a organização não confirmou imediatamente sua vitória. Algumas horas depois da corrida foi que o Monstrão recebeu um email com a confirmação, e foi retirar seu prêmio la na RedBull.

 

 

Também tive um enviado especial na Holanda. Meu amigo Bruno correu em Breda . Foram 14km debaixo de chuva, mas ele curtiu demais! Mas olha a foto que ele me enviou no dia da retirada do kit. Não dava pra imaginar que ia chover. Ele conta que, assim que o carro os alcançou, ele, mais um cadeirante e mais três atletas tiveram que se refugiar numa estábulo (sim, já estavam numa estrada que cortava fazendas) pra não congelarem enquanto esperavam o ônibus que os levaria de volta pra largada. Totalmente diferente do nosso calorão brasileiro! rsrs

largada breda

Se você perdeu essa prova tão especial, que ocorre uma vez por ano, não perca a corrida no ano que vem. É sempre no primeiro domingo de maio. Corra pra se inscrever! Em 2016 vai ser em Brasília de novo. Espero vocês lá 😉

 Sthéfanie Louise Déa, Fernando Fernandes e Walquiria Coimbra
Sthéfanie Louise Déa, Fernando Fernandes e Walquiria Coimbra
Diego Coelho e Suzi
Diego Coelho e Suzi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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foto da organização da prova, que o pessoal da Itália me enviou 🙂
Roberta Lys, Francisco Xavier Fontenele Júnior, Felipe Costa, Renato Guimarães, Cida Fontenele e Fernanda Fontenele
Roberta Lys, Francisco Xavier Fontenele Júnior, Felipe Costa, Renato Guimarães, Cida Fontenele e Fernanda Fontenele
Kauana Araujo (centro) e amigas
Kauana Araujo (centro) e amigas
Biel e seu pai Rodrigo, com os amigos
Biel e seu pai Rodrigo, com os amigos
Leo Carvalho, Beta CB e a galera na largada
Leo Carvalho, Beta CB e a galera na largada
Morgana de Oliveira
Morgana de Oliveira
Paula Narvaez, Debs Aquino e seus respectivos rsrs
Paula Narvaez, Debs Aquino e seus respectivos rsrs

24
maio

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Te amo e sempre te amarei…

Há 7 anos a gente começou aquele flerte. A esteira me apresentou você. Começamos devagar, como todo relacionamento deve ser. A gente se via todos os dias, mesmo que rapidinho.

Meses se passaram, até que resolvemos dar um passo adiante na nossa relação. E veio a primeira inscrição de corrida! Chegou o dia e eu pensei que seria só mais um dia da minha vida. Mas acabou sendo um dos mais importantes. Nosso amor se concretizou ali, naqueles 5km. E quando eu cruzei a linha de chegada eu sabia que nada abalaria esse amor. E que eu queria você pra sempre! Era isso que eu queria pro resto da minha vida!

Um mês após o outro, a gente começou a se ver por mais tempo. Começamos a ficar mais rápidas juntas. E a querer ir mais longe. Veio nosso primeiro tênis de corrida. E mais uma inscrição. E outra. Até chegarem as provas de 10km.

Você não queria que eu te amasse egoistamente. Queria que eu dividisse esse sentimento com outras pessoas. Vieram os Loucos por Corrida. Depois os Viciados. Depois os Amantes. Você encheu a minha vida de gente. Gente de toda idade, de toda raça, de todo lugar, gente de todo tipo. Você me encheu de amigos!

Um ano depois eu já não aguentava mais te ver tão pouco. Os 10km viraram 12. Depois 15 e depois 17, até eu chegar nos 21. Você me apresentou a meia maratona. E ali eu me encontrei. Uma, duas, três… foram 6 ou 7? Nem me lembro mais!

Nos pés, as bolhas apareciam sempre. As pernas pesavam. Os joelhos doíam todo dia. Mas não importava!Você encheu minha parede de medalhas e alguns troféus. Você encheu minha vida de alegria, meus olhos de brilho, meu rosto de mais sorrisos.

 E a cada dia que passava, eu te amava mais e você retribuía. Comecei até a te carregar no pescoço, porque no coração já não cabia mais. 21, 23, 25, 29… E eu queria mais! Eu queria 42!

Aí eu entrei no liquidificador. Eu mal tinha saído de lá e só pensava em você! E dizia pro bombeiro: “Eu quero correr!” E ele disse “Calma!”.

Eu só pensava em você! Dia e noite naquela UTI. Dia e noite no quarto do hospital. Dia e noite até hoje. Por 2 anos e meio você me sustenta e me ampara, você segura minha mão.

Lembro como se fosse hoje, quando eu estava desesperada, pensando “e agora?”, você me disse “Calma! Nunca vamos nos separar! Daremos um jeito! Você sempre deu, em todos esses anos.”

E dei! Hoje calço os tênis, mas meus pés ficam amarrados. As bolhas estão nas mãos. São os braços que pesam. Bíceps, deltóides e trapézios que doem.

21 ainda é meu número da sorte. Ainda é onde me encontro. Quantas vezes já estivemos ali, juntas, de novo? Não sei… O tamanho do meu sonho? Ainda é 42!

Ainda sonho com o dia em que vou calçar os tênis pra desgastá-los. Sabe ali, bem na parte interna do calcanhar? Ali sempre foi o lugarzinho que desgastava primeiro!

E pensar que eu reclamava em passar as tardes pós-longão com aquelas malditas bolsas de gel congeladas, amarradas no meu joelho, cronometrando o tempo de tira-e-poe. Como eu sinto falta disso!

Sinto falta daquele bronzeado lindo: umas 3 marcas de tops diferentes e umas duas de shorts…

Se eu desisti? Jamais! Você nunca me abandonou e eu nunca vou te abandonar! Você não me deixou enlouquecer. E eu pensava e penso em você todo dia!

Que bom que você não me rejeitou, não me jogou fora. Que bom que você sempre me aceitou de todo  e qualquer jeito. Que bom que você me aceitou de volta e me aceitou assim!

Te amo no asfalto, na grama, na terra, na areia, na pista…Te amo e sempre te amarei, minha querida CORRIDA!

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22
abr

2

2 anos e meio

Já passa da meia noite, então já posso dizer: “Parabéns pra miiiimmmm”. Sim, já é dia 22. O dia mais lindo de todo mês, quando comemoro minha sobrevivência e minha decisão de que não iria ser só isso. Não, eu não ia só sobreviver. Eu escolhi viver!

E também faço questão de comemorar, mesmo já tendo ouvido que é um horror eu fazer isso.

Esse mês, talvez nem todo mundo entenda meu post.Não sei se foi essa coisa toda de “Boston feelings” que invadiu a nossa vida essa semana, mas eu so consigo voltar lá nos primórdios da ideia do meu primeiro post e pensar que eu já corri 30km. Sim, foram 30 meses, 30km da maratona da minha vida. 1km por mês.

 

UTI -  Outubro/2012
UTI – Outubro/2012

Todo mundo sabe que se você sai em disparada, vai faltar no final. Não é prova de 1000m. É maratona! E eu respeito essa senhora. Comecei confortável, ciente do que tava acontecendo. E à medida que os km avançavam, eu ia ficando mais contente, pois o corpo já estava aquecido. Sim, eu ia notando melhorar físicas.

Dezembro/2012
Dezembro/2012

E conforme eu avançava na prova, notava que o percurso ia mudando. Belas paisagens. Teve praia, teve montanha, teve cidade. Teve lugar cheinho de gente assistindo e aplaudindo, gritando, dando aquela força. Teve lugar escuro. Parecia que só tinha eu e mais ninguém ali.

Em alguns km eu cansei. Parecia que faltava ar e o sol tava castigando. Aí tinha meu staff com água geladinha.Em outros km a coisa fluiu, que até parecia prova de percurso plano, sem chuva e sem vento contra.

2013

2013

Então eu cheguei aqui, no km 30. Nesse momento da minha vida, to lutando pra não quebrar. Peguei mais um gel e to bebendo água. E jogando muita água na cabeça, porque ta um sol de rachar.

Calma, gente, eu não cansei. Apesar de que, vou contar pra vocês, tem horas que cansa. O vento contra, o sol castiga e, com o perdão do trocadinho, as pernas cansam. Sim, elas dóem. As panturrilhas ardem. E meu joelho…ah, esse joelho que dói desde a minha primeira prova! Eu to numa fase da reabilitação que “o corpo parou”. Quem ta de fora, meus amigos, meus médicos, dizem que conseguem notar melhoras sutis. Eu, só consigo pensar nas grandes que ainda não apareceram.

Aí, algumas coisas aconteceram. Andaram dizendo por aí que eu ando e to na cadeira porque quero. Na boa, se eu andasse, eu tava correndo com minhas pernocas por esse mundão afora. E como eu queria minhas pernas musculosas de volta. Quando eu ouvi e li isso, fiquei bem triste mesmo. Mas depois, eu pensei: “Cara, se até elas pensam que eu posso, é porque eu devo poder mesmo!” Então, isso foi mais um ânimo pra eu não desistir. A decisão que tomei? Procurar um parceiro pra correr comigo.

Chega uma hora, na maratona, que é bom você ter um parça pra seguir lado a lado. Se não for pra conversar, que seja só pra estar ali do teu lado, dando aquela força. Depois de 18km correndo nessa sozinha, decidi que eu vou voltar pra fisioterapia.  Não que eu esteja totalmente sozinha nesse tempo todo. Sempre tem alguém que passa por mim, corre uns metros, ou 1km. Mas agora to procurando e precisando de alguém pra correr do meu lado um pouco, pra direcionar meu caminho.

2014
2014

“Ah, Dani, mas se você já ta no 30, faltam só 12!”. Aí é que está o problema! Eu não to vendo a linha de chegada. Minha sorte é que, geralmente, nessa altura da prova, ninguém ta!hahahahaaha Mas eu não sei se a maratona da minha vida vai virar uma Ultra.

Tem horas que ela já foi corrida de aventura, pulando (sem pular kkkk) um monte de obstáculos. Também já foi corrida de montanha, subindo e descendo as pirambas, cheia de altos e baixos. Minha amiga Debs me levou pra Boston essa semana. Uma amiga minha, a Dri, fez a BR e me levou no coração. Quando eu acidentei, a Claudinha prometeu que seria minhas pernas e me levou pra Spartathlon. Com elas, e com todos os outros que me mandam mensagens antes e depois de provas, eu vou cada vez mais longe. Mas quantos km tem Minha Prova? Eu ainda não sei.

2015
2015

O que eu peço? Força nos pulmões (que ficaram fracos depois do acidente), que meu coração aguente (porque minha frequência já não sobe mais), que “minhas pernas” sejam fortes o suficiente pra aguentar todos os km que ainda estiverem por vir. E que meu staff esteja sempre ali, pra me dar água, frutas, gel, cápsulas de sal, gritos e empurrões…até prato de comida e puxão de orelha!rsrs

Quando eu não sei, mas eu prometo que te vejo na linha de chegada, da maratona da minha vida!

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15
mar

1

Movimento Pela Mulher

Lilás. Uma cor pra qual eu nunca liguei muito. Até hoje! Pintamos o Parque do Ibirapuera num momento lindo  e inédito:  a Corrida Movimento Pela Mulher.

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Pra quem não sabe de onde saiu essa ideia, vou fazer um resumão.

O Corra Pela Vida  nasceu de uma iniciativa de 3 amigas, Debs, Paula Narvaez e Gabi Manssur, que se conheceram por conta da corrida, com o objetivo de despertar a importância da prática esportiva como forma de empoderar as mulheres física e psicologicamente para enfrentarem os obstáculos da nova vida que conquistaram com o fim do ciclo de violência. O slogan (que eu prefiro chamar de lema, ou ideia) é: “Mulher de verdade não aceita violência”. O Corra Pela Vida era um treinão livre, para corredoras de todas as distâncias e velocidades. Porém, conseguia apenas a participação de um número limitado de pessoas.

Depois de 3 treinões Corra pela Vida, que foram sucesso no ano passado, as meninas  decidiram que queriam alcançar mais pessoas e ajudar mais mulheres. A partir do trabalho da Gabi, no Ministério Público, defendendo mulheres que sofrem violência, surgiu a ideia de fazer uma corrida e ajudar ONGs que apoiam essas mulheres que precisam de ajuda. Além disso, a ideia é mostrar que a mulher, através da corrida, pode se sentir empoderada para se defender e encontrar apoio e recuperar a auto estima, caso e quando precise. Afinal #NenhumaMulherMereceViolencia . Essa virou a hashtag oficial da corrida e desse movimento maravilhoso.

E  enfim, chegou o grande dia, do sonho dessas minhas 3 amigas virar realidade e de, todos juntos (sim, tinha muitos meninos) corrermos pela causa. A Latin Sports preparou uma estrutura top, o kit estava lindo, a medalha idem e, segundo as meninas, foi mais gente do que elas esperavam pra primeira prova.

E vocês estão achando  que eu só ia contar detalhes técnicos e deixar de lado a minha saga com a handbike nessa prova? Nana nina não! Meu problema, preocupação, ou chamem do que quiserem porque foi de arrancar os cabelos, começou no sábado à tarde. Eu estava na retirada do kit, feliz e contente com a Gabi e a Neide (do Vida Corrida), quando comecei a tentar ligar pro moço que ia levar minha handbike pra prova. Ele faz pequenos carretos e combinamos na sexta-feira que ele faria o trabalho logo cedo. Mas, o moço sumiu! Não atendia o celular e foi me dando desespero. Umas 4 horas depois, quando eu já não tinha unha nos dedos, consegui falar com ele, que estava em Praia Grande e “nem rola de ir” me levar. Ai Gizuis! Sorte a minha que eu tinha falado pros meus amigos, lá na retirada do kit, que não conseguia falar com o moço e ia começar a procurar outra pessoa. O Corretor Corredor postou no facebook que eu estava precisando de ajuda, alguns amigos compartilharam e o Sidney, que nunca tinha me visto na vida, pegou uma fiorino empresatada pra poder me levar! Um anjo que caiu na minha vida!

Domingo de manhã, tudo lindo e certo, exceto pelo banco da handbike que estava ensopado, porque ela tomou chuva, mas pula essa parte. Eu e o Sidney partimos adiantados para o Ibira e ainda passamos no posto pra encher os pneus da hand. Chegamos lá, logo o Fabio da Latin  me viu, veio pegar a hand e levar pra largada, eu arrumei o apoio de pe, arrumei a mochila de hidratação, as luvas, preguei o número no FlipBelt. E estava milagrosamente muito adiantada! Fui procurar as meninas, beijar e abraçar muito a Debs, num abraço de urso de 15minutos, tirar mil fotos e, faltando 20min pra largada, resolvi aquecer. O Corretor Corredor foi me ajudar a me posicionar na hand. Quando fui sentar, percebi que a corrente estava com folga e que o pedal não girava. Fui olhar e, no transporte (ou no busão de Ribeirão pra Sp ou da rodoviária até a casa da Selminha, que me hospedou) a corrente ficou presa entre a catraca e o parafuso que segura a roda. Eu, sozinha, com esses dedos moles, me melequei toda de graxa e não consegui tirar. O Corretor tentou, mas também não consegui. Gente, vieram os bombeiros que ficam ali na largada pra tirar! Tentamos de tudo, tiramos a roda da frente e a corrente saiu. Eles recolocaram no lugar, testamos as marchas, estava passando, graças a Deus. Porém, eu não consegui aquecer. Num dia frio, eu parecendo um aipo cozido, e não deu tempo de aquecer. Tudo bem. Sentei na hand, me arrumei. O pessoal da Latin aguardou meu ok pra largar!

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Fui! Pedalei uns 100m e vi que meu guidão estava torto pra direita! Pois é. Já tive que parar pra soltar a trava e desentortar. Bóra! Aí, eu tava mole, me sentindo lenta e tentando me acostumar com a nova relação da hand. Quem me acompanha sabe que o câmbio quebra em toda santa prova, então eu troquei. Mas ainda não tinha testado na rua. Não sabia nem o que eu estava fazendo.

Enfim, passou o primeiro km sem eu ver. Eu só via o moço da moto na minha frente (que me acompanhou a prova inteira). Mas, minha alegria acabou na placa de 1km. Porque logo tinha uma subida de quase 1km do pico do Everest. Eu só olhei praquilo e lembrei que era o mesmo percurso da prova Eu Atleta, de quando eu ganhei a hand, em junho. E eu não tinha conseguido fazer nenhuma subida daquela prova. Mas, meses depois, eis que eu morri, mas fiz a subida sozinha! Fui tão lesma morta que logo os primeiros colocados da prova começaram a me alcançar e me passar. Depois veio uma reta e uma descida e eu dei uma descansada, lembrando que se eu desci pra ir, ia ter subida pra voltar.

A coisa mais incrível do pessoal me alcançar e correr do meu lado é que todo mundo me grita! E eu amo issooo!!! Porque quando meus braços estão moídos e querendo me sabotar, vem alguém que me grita, me motiva e eu mando os braços calarem a boca (como se tivessem kkkk) e me deixarem pedalar mais e mais, até acabar a prova! 🙂 Na subida, isso é mágico!

E lá fui eu, subindo lentamente, disparando nas retas e parando no meio das descidas pra colocar a corrente na hand. Pois é, a corrente saiu 3 vezes, bem na minha frente, na coroa. Chicoteava na minha perna e eu tinha que parar pra recolocar. Perdi tempo com isso e machuquei a mão. Mas, vambora!

Fiquei mesmo feliz por ter tido força de fazer todas as subidas, apesar da lerdeza. E quase atrolei mil pessoas quando alcancei o pessoal dos 5km e da caminhada, que retornava antes da metade do percurso. Quando eu comecei a gritar “Com licença, por favor”, meu motoqueiro guardião foi buzinando na minha frente, pra tentar liberar espaço. Verdade seja dita, tinha gente que ficava brava com ele. E tinha gente que não saía da frente, ou porque não queria ou porque estava com a música tão alta que não ouvia a moto buzinando há 2 metros de distância! Eu quase bati na moto umas 3 vezes por causa disso. E quase atropelei muita gente muitas vezes. Quase capotei uma vez, pra desviar das pessoas e do posto de hidratação. E acabei perdendo muito, muito tempo freando tantas vezes. Mas o importante é que não houve acidentes.

Quando eu achei que faltavam uns 500m pra terminar, ainda tinha mais um retorno pros 10km! kkkkk Só eu mesma! Mas meu velocímetro ta desregulado, então eu não levei. E o celular, com o Strava, tava dentro do FlipBelt. Eu não tinha  a menor ideia de quantos km faltavam, porque não olhei as placas olhando pras pessoas. E essa foi minha primeira prova de 10km, desde que ganhei  a hand, Nessa hora, pensando nisso, o asfalto ficou um pouco ruim e eu comecei a quicar. Mas logo, eu estava avistando o lago do Ibira de novo, e quase atropelando mais meninas, pois a linha de chegada estava bem na nossa frente!

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Assim que terminei, apareceram muitos amigos. A Fer Baslter, o Fausto (meu professor da academia) com a noiva linda Regiane, a Juliana, o Corretor… muita gente! Logo ganhei um abração da Yara Achoa. E começou a sessão de fotos. Daí pra frente, foi mais festa. E só festa. Que prova incrível! Que clima delicioso! Muitos abraços na Debs, na Gabi, na Paula, na filha linda dele e no pai dela, no casal do Frango com Batata Doce do instagram, na Gi do Divas que Correm, na Ivonete, na Ju Veras, na Dani Barcelos, no Colucci… gente, a lista não tinha fim!  Como eu amo correr em São Paulo e ver tantos amigos! E também amei conhecer tantas pessoas que me seguem e me apoiam, que me motivam com seus comentários todos os dias! Foi bom demais receber tanto carinho!

Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!
Muito amor e admiração por essas três mulheres incríveis, que tenho a sorte de chamar de amigas!

 

Um dos momentos mais emocionantes da prova foi quando as meninas (Debs, Paula e Gabi) entregaram os cheques de doações às ONGs beneficiadas pela corrida. Se você quiser saber quais são as ONGs e quiser ajudar, acesse o site do Movimento Pela Mulher -> http://movimentopelamulher.com.br/

 

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Às meninas de ouro da prova, só tenho mil parabéns pra dar, pela iniciativa e pela prova linda. Muito obrigada pelo carinho comigo, pelo convite em participar, pelo amor de todos os dias. À Latin Sports, muito obrigada pelo carinho desde minha inscrição, até a permissão da entrada do carro pra descarregar a hand pertinho da largada, pelo apoio do motoqueiro, pelo cuidado com a hand, o cuidado de todas e a recepção sempre alegre.  À todos que me gritaram e me motivaram durante a prova, muuuito obrigada pelo carinho! A quem tirou foto comigo: me manda, pra eu colocar no face!!

A todos os deficientes, tenho um convite a fazer: seja você cadeirante, muletante, cego, amputado com prótese..Venham correr conosco no ano que vem! A organização fará a categoria pra nós e estão muito abertos a nos receber nessa festa linda, com causa tão nobre!

A todas as pessoas que estiveram presentes, nosso muito obrigada, por tornar essa corrida um sucesso e permitir que tantas ONGs e tantas mulheres possam ser ajudadas. Pra mim, como mulher, e como mulher que já sofreu violência, correr pela causa foi simplesmente sensacional!

E ano que vem, tem mais! Muito mais!

As fotos serão postadas no face essa semana, conforme eu for recebendo!!

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09
mar

6

Motivação – tirar de onde?

Verdade seja dita: tem dia que é foda! (sim, eu falo palavrão. E não tem outra palavra melhor pra colocar aqui!)

Tem épocas da vida que fica extremamente difícil, senão semi-impossível manter o foco. Treinar cansa. E tem dias que pesar a comida e se entupir de salada também cansa.

Eu to passando por uma fase dessas. Troquei a pípula há 2 meses. E destroquei semana passada, porque meu corpo não acostumou aos novos hormônios. Inchei. Comi igual uma porca véia. Engordei. To lenta e cansada.. Os braços não respondem. Eu olho pra handbike, ela pisca pra mim. Eu me finjo de morta. E quando sento lá, o treino não rende.

Quem nunca? É 10348305_961722823838404_5656666504342499991_na TPM. Os filhos. Namorado/marido. Ou a falta de um deles. Problemas no trabalho. Contas pra pagar. O carro que quebrou. Pneu furou. A lista não tem fim. E tem dias que a gente se sente mais gordinha, ou o cabelo acordou daquele jeito. Sofrer por um ou dois dias é normal! Mas deixar que os dias se arrastem e a situação permaneça, acaba transformando isso numa bola de neve. Aí a gente larga mão de tudo e o trem parece que não vai mais fazer a volta pra te pegar na plataforma e te levar de volta pra sua vida. E aí? O que fazer? Manter-se motivada! Mas como?

Esses dias me perguntaram como eu me mantenho motivada. Não vou mentir pra vocês! Eu simplesmente olho pra minha barriga cheia de banha e falo pra ela: “Sai daquiiiii” ou  “Vai gordinha, vai queimar essa pança”.  hahahahaha

Sério, eu também tenho preguiça. Mas treinar já está tão incorporado à minha rotina, à minha vida, ao meu “eu”, que simplesmente não aceito o fato de não treinar. Eu brigo comigo mesma, de verdade!
Hoje li uma coisa que é muito verdade: a cabeça manda muito! E que o digam os maratonistas e ultras! Escreva o que você quer, pendure o papel num lugar visível e leia várias vezes por dia.
Só isso? Não! Ontem à noite eu fiquei pensando numa lista de coisas  (devia ter acendido a luz e escrito na hora).
Inspire-se em alguém
Não é pra ter inveja, gente! Isso não leva a nada de bom. Não é o “quero aquela vida, quero aquele corpo. #*#*#*  Como ela consegue?”  NÃO!
É o fato de escolher alguém que fez mudanças na vida ou não se deixou abater por algo e pensar “Poxa, se ela consegue, eu também vou conseguir! Vamos lá!”
Eu tenho as minhas inspirações, pessoas com problemas bem maiores que os meus (amigas com, ou que venceram o câncer). E as vejo lutando alegremente durante o processo. Poxa! Quer força maior que isso?
Se a grama do vizinho ta mais verde que a sua, não tente jogar pesticida nele! Compre um regador e regue a sua também!!
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Inspire-se… em si mesmo
Sabe aquelas fotos “antes e depois”?  Olhe sempre as suas caso pense em jacar dias seguidos ou em parar de treinar.
Ou pense em sua vida há 1 ou 5 anos atrás. Pense nas mudanças positivas que você fez e nos resultados que conseguiu. Ta a fim de voltar atrás?
Eu fiz uma pasta no computador, com os vídeos das minhas melhoras. Tem desde a primeira vez que fiquei em pé na barra paralela, com órteses, no Sarah, até os vídeos da academia e meus treinos de marcha da semana passada. Também olho todos os tombos que eu levei e as cicatrizes no joelho e tornozelo. E penso: “Essa cicatriz não ta aqui pra nada, pra eu parar.”
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Ouça música
Sim, eu sempre coloco músicas animadas e com o volume bem alto quando estou pra baixo. A música tem um poder incrível! Pode ser Chopin ou funk. Escolha o que você gosta.
E já que colocou a música, cante, berre a plenos pulmões! E dance!
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 Coloque pra fora o que te aflige
Pode ser com sua avó (eu faço isso), sua amiga, seu amigo, sua esposa, seu namorado, ou escrevendo. Não guarde pra você.
Diario.Journal
Seja compreensivo consigo mesmo
Ninguém é feliz 100% do tempo. Não tem problema nenhum você ficar triste ou pular um dia de treino. Amanhã você retoma a rotina.
Permita-se!
Se você ta a fim de dormir hoje, durma! Se ta a fim de comer um bolo de chocolate com recheio de Nutella, coma! Se ta a fim de ficar lendo ao invés de ir correr no parque, leia! Mas só hoje.  Não faça disso um hábito. Seus hábitos devem permanecer saudáveis. Desvie o percurso, mas volte pra estrada!1507980_369773216499088_1606215610_n
Sorria!
O sorriso tem um  poder incrível sobre você e seu cérebro. Se você está sozinho em casa, saia. Você não vai poder ficar emburrado na rua. Se não dá pra sair, coloque uns vídeos engraçados pra assistir, ligue pra alguém que sempre te faz rir. Mas o simples fato de desemburrar a carranca vai melhorar o seu dia.
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Movimente-se!
Quanto mais parado você ficar, mais parado você vai querer estar. Mexa-se! Obrigue-se a fazer isso. No início vai doer, vai ser um saco. Mas depois, a sensação de bem estar vai tomar conta de você (Santa Endorfina). Depois de uns dias nessa rotina, o corpo vai pedir, implorar uma endorfininha.
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Continue tentando
Li um negócio tão legal esses dias “Continue voltando que funciona”. Persista! Um dia, dois dias, uma semana, três semanas, dois meses… vira hábito e vai funcionar.
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 Não fracasse consigo mesmo.
Arranje uma vida da qual você não precise fugir! Mas só você pode fazer isso. Ninguém mais pode!
Quando me perguntam como eu continuo, sem parar, apesar dos percalços, eu digo uma coisa bem simples: “Se eu não fizer por mim, ninguém vai fazer.”
Posso ter uma carona pra ir pra academia. Mas se eu chegar la e não treinar, ninguém vai treinar por mim.
Posso querer uma medalha com a handbike. Mas se eu não sentar lá e pedalar, ninguém vai pedalar por mim.
Posso conseguir encontrar um bom fisioterapeuta, mas se eu não me esforçar e não fizer os exercícios, eu não vou conseguir realizar meu grande sonho de andar de novo.
Depende de mim! De mais ninguém!
Sua vida e suas mudanças dependem de você! De mais ninguém! Não espere ninguém pra ser feliz!
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13
jan

7

Campanha Yescom + Cadeirantes, não mais Yescom x Cadeirantes

Aaaaaaaaaaaaoouuu! Sim, vou dar um grito pra criar coragem de escrever esse post polêmico. To ensaiando há exatos 13 dias pra falar sobre isso!  Sei que poderei ser banida das provas da Yescom, mas meu objetivo é bem diferente. É fazer com que eles abram os olhos e o coração para as diferenças!

Pra quem me acompanha, sabe que tive problemas com a Yescom na Volta da Pampulha e a represália veio na São Silvestre. Mas, pra quem é novo por aqui, vou fazer um resumão da minha ópera “Odisséia à Yescom”.

Eu sempre quis fazer a Volta da Pampulha. E lá no regulamento para inscrição de cadeirantes está escrito: não são permitidas cadeiras de uso diário (até aí, beleza!). São permitidas cadeiras esportivas de 3 rodas.

O que a Yescom talvez não saiba é que, para nós, reles lesados medulares, uma handbike não deixa de ser uma cadeira (já que estamos sentados) esportiva (já que usamos para praticar esporte) de 3 rodas (vem assim de fábrica).

Aí, beleza, fiz minha inscrição e fui toda feliz, contente E pimpona para a linha de largada, com minha hand. E lá, na hora de largar, vem um senhor aos berros dizendo que eu estava proibida de fazer aquela prova. E a proibição era devido ao uso de handbike. (Gente, não vou contar todos os detalhes de novo. Mas pra quem tiver interesse de ler, o link é esse aqui  https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/ ).

Pois bem, não bati meu pé por motivos óbvios, mas eu simplesmente disse que ia fazer sim, e que ele não iria me impedir. Falei também que, em lugar nenhum do regulamente estava escrito que handbikes não são permitidas. E depois de muito bate boca, um dos organizadores me deixou fazer a prova, com a condição de que eu seria desclassificada (isso porque nem premiação pra categoria cadeirante tem!). Eu fiz a prova, não faço a menor ideia em quanto tempo, peguei minha medalha e vim pra casa muito chateada com a falta de consideração e de incentivo ao esporte, no caso paradesporto, por parte da Yescom. Senti até um tiquinho de preconceito.

Como se não bastasse, eu queria fazer a São Silvestre (corrida de 15km, que não é maratona). Uma das provas mais tradicionais do país, se não a mais, eu fiz a São Silvestre em 2010, quando ainda andava. Pela festa com os amigos, pelo amor à corrida, por saúde e por sempre assistir a prova pela TV e me prometer que um dia eu a faria. E programava fazê-la novamente em 2012. Mas eu acidentei 1 mês e meio antes e não fui. Então, essa também virou uma prova-alvo pra fazer depois da cadeira. Meus amigos corredores de Sampa queriam me levar, mas eu ainda tava com 2 meses de acidente e nem tinha cadeira de rodas própria (tava com uma alugada). Em 2013 eu nao tinha equipamento nenhum de esporte. E em 2014, ano que esses mesmos e outros amigos de corrida me deram a handbike, eu não pude estar la com eles.

Pois é! Depois da minha teimosia na Pampulha (tive que ouvir piada de uns 2 ou 3 “‘mudaram o regulamento por sua causa”), a Yescom escreveu beeeem grande no regulamento da SS, e ficou lindo: “não é permitido o uso de handbikes”. Aliás, no regulamento eles falam das handbikes de forma muito pejorativa!! (estou tentando ter esse trecho do regulamento, que não está mais disponível no site)

Então, ne! Na Maratona de Nova York (!!) e de Boston (!!) há a categoria handbike. Mas a Yescom não nos aceita. Assim, eu peço encarecidamente à Yescom que abra a categoria “handbike” em suas provas.

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Caso a Yescom não saiba, a maioria dos cadeirantes que usam cadeira de atletismo tem polio ou mielo, ou são amputados. É muuuuito difícil pra quem tem lesão medular se equilibrar naquela cadeira (eu estou tentando aprender. Mas é muito difícil). Além disso, a handbike básica custa mais barato que a cadeira de atletismo básica. Por esses motivos, há mais cadeirantes que utilizam a handbike.

Além de tudo,  o Prof. MSc Frederico Ribeiro, especialista em paradesporto, acrescenta “Outro ponto importante de ser ressaltado é que os atlletas com lesão medular possuem características específicas que dificultam a utilização da CR de atletismo como, por exemplo, espasticidades ou alterações articulares estruturadas.”

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Então, lanço aqui a Campanha Yescom + Cadeirantes, e não mais Yescom x Cadeirantes, que é o que tem acontecido. Por favor, pedirei novamente aos diretores da Yescom: Abram a categoria Handbike!  Sim, nós amamos as corridas! Sim, queremos participar! Por favor, sejam incentivadores do paradesporto ao invés de colocar empecilhos pra quem quer sair do sofá e praticar uma atividade física, e estar ali, com outros tantos atletas que tem o mesmo objetivo que o nosso: saúde e qualidade de vida!!!

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02
jan

10

Retrospectiva 2014

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Esse era pra ter sido o último post de 2014. Mas em dezembro, minha vida virou de cabeça pra baixo  pela milionésima vez no ano. E em dezembro, eu só pensava em 3 coisas: comer, dormir, treinar. (essa rima parece familiar?)

Pois é, eu tinha várias ideias pra escrever, mas tempo e forças me faltavam. E um dos projetos pra 2015 é organizar melhor o meu sono, pra poder escrever mais aqui no blog. Sobre esporte, sobre as coisas que eu penso, sobre as conquistas dos amigos, além das minhas.

Mas, o que era pra ser o último post do ano que acabou, virou o primeiro post de 2015. Eu só não podia deixar de escrever sobre O MELHOR ANO DA MINHA VIDA!

Meu ano começou a ficar bom logo no começo, em fevereiro. Num impulso, eu decidi fazer minha primeira travessia. Faltavam 9 dias pra prova, eu estava sem nadar, treinei apenas 4 dias, mas fui lá e completei. Aprendi muito ali, naquele momento.1780622_10203440786606617_895058504_n

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Também foi no comecinho do ano que eu dei a minha primeira palestra. O que abriu caminho pra mais convites, para que eu pudesse contar um pouco da minha história, em locais diferentes, com enfoques diferentes, mas sempre tentando mostrar que tudo é possível, basta querer!

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10255280_640129509392645_6986282643584385650_nMas a reviravolta veio em abril. Minha amiga e mãe japa, a Marinoca, me chamou pra ver o pessoal na Meia Maratona da Corpore. Mas com o apoio dela, do Michel, da Lilika, de outros amigos e de uma turma que eu conheci pessoalmente ali, no dia da prova, eu completei os meus primeiros 21km depois do acidente. Eu acredito que esse tenha sido o momento mais importante e emocionante do meu ano. De falar ou escrever sobre isso, eu choro. Eu ainda lembro da emoção que senti que estava pronta 10255858_640129266059336_2088760788231450889_npra largar. A única com uma adaptação de handbike de passeio, no meio de feras do paraciclismo com handbikes tops das galáxias. Mas naquele momento, nada mais importava. E a Marina virou pra mim, me abraçou debaixo do pórtico e disse “Aqui é o seu lugar. O lugar onde você tem que estar e de onde nunca deveria ter saído.” E a emoção de cruzar aquela linha de chegada foi algo indescritível.

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1619361_640129546059308_8820490270297217075_n A partir daquele dia, minha vida não parou mais de mudar pra melhor. Conheci a Fer e o Itimura pessoalmente. E em junho eles fizeram meu ano se transformar totalmente. Mas antes disso, em maio, eu e a Fer, junto com o Paulo, fomos pra Floripa (num outro impulso doido porque nenhum dos 3 bate bem, embalados por uma promoção de passagem aérea). Lá, participamos de um evento histórico no Brasil, tanto no âmbito das corridas como no da lesão medular. Corremos a primeira Wings For Life realizada no wingspaís. Uma corrida patrocinada pela Red Bull, cuja renda é totalmente revertida para o Instituto Wings for Life, que pesquisa a cura da lesão medular. É uma corrida num formato diferente, e foi incrível estar ali. Ganhar essa prova (meu primeiro pódio pós-cadeira), tornou a mim e ao Jaciel embaixadores da Wings for Life 2015 no Brasil e ainda teremos a chance de correr essa prova no país de nossa escolha, nesse ano que começou!

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Depois disso, fui a São José dos Campos, conhecer um cara incrível que ajuda muitos cadeirantes pelo Brasil afora. Fui conhecer o Arthur, idealizador e propagador do Core 360 cadeirante. Aprendi muito com ele e com cursos que ele me proporcionou. Através dele, pude conhecer mestres do esporte e da educação física, com quem aprendi no âmbito pessoal e profissional muita coisa, que serviu pra minha própria reabilitação, e espero que eu tenha conseguido ajudar outros cadeirantes também.

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E chegou junho, e com ele a corrida Eu Atleta, e um grande presente que eu ganhei e que mudou a minha vida para sempre: minha primeira handbike. Aquela prova de 10km me mostrou o quanto eu estava fraca e despreparada pra usa-la. Mas também me mostrou o quanto eu amo estar ali nas corridas. Porém, todo mundo sabe que eu tenho mais dificuldade do lado esquerdo do corpo. E que minha mão esquerda é mais fraca que a direita. O freio e o trocador de marcha veio do lado esquerdo. E lá se foi a handbike para regular.

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italia6Enquanto fiquei sem ela, passei por uma das experiências mais incríveis da minha vida: a Copa do Mundo. Teve um monte de defeitos, teve desvio de dinheiro..todo mundo sabe disso! Porém, culturalmente falando, foi uma experiência riquíssima e inesquecível! Viajei 4 estados em 20 dias. Conheci pessoalmente vários fortaleza2amigos e amigas virtuais. E pude contar com sua hospitalidade em todas as cidades para onde fui. Revi amigos, conheci muita gente legal. E conheci muitas culturas! Conversei com gente do mundo todo. E a cadeira atrai um pouco de atenção de pessoas que não tem preconceito. E eu trouxe pra casa vários presentes e souvenirs do mundo inteiro. Trouxe também recordações que ficarão pra sempre me minha memória. E jamais poderei agradecer a quem me proporcionou tudo isso!

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Acabou a Copa, minha hand voltou pra mim. Mas eu não tinha como treinar nela. (Não tinha rolo, nem como levar a hand pra locais apropriados de treino na rua). Porém, durante a Copa, prometi a mim mesma que eu voltaria pra piscina assim que a IMG-20140809-WA0021Copa acabasse. E na primeira segunda-feira após a final, lá estava eu, lendo na porta da piscina sobre o desafio do Canal da Mancha. Comecei a fazê-lo dias depois do seu início. Pedi pra Ju, minha treinadora aquática, se eu poderia completá-lo apenas como desafio pessoal. Mas todo mundo sabe que eu sou bem competitiva. E quando meu nome apareceu no quadro como 5ª  colocada, a coisa ficou séria! Nadei feito doida e terminei em segundo lugar! Cheguei a nadar 4100m no mesmo dia, pra completar o desafio antes das outras meninas (a doida!!). Isso me preparou pro meu próximo desafio.

 

No início de agosto, fui encarar uma prova pela qual esperei 2 anos: a Golden Four Asics. Foi um momento tão maravilhoso e incrível. E graças à natação e à prova de 33km, eu tinha braços pra completá-la e ainda subir no pódio! E depois dela, veio o rolo de presente, dos amigos Eduardo e Michelle. E começaram os treinos com a Fun Sports.

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E depois da Golden Four SP, graças à Fer, eu fui pra minha primeira viagem internacional e fui correr a Meia Maratona de Buenos Aires. Foi incrível conhecer outra cultura, outro país, ter o meu primeiro pódio internacional, saber que eu ainda lembro bastante de espanhol e me entupir de dulce de leche (quando falo me entupir, foi até sair pelo nariz! Era dulce de leche no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde e no jantar)!

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E depois dessa vieram mais e mais corridas. Veio minha primeira prova em Ribeirão,gripada, acabada, mas com todo o apoio da organização e com a abertura da categoria pra esse ano que está começando. E depois dessa, minha primeira prova na minha cidade mais amada: Rio de Janeiro! Fiz a Adidas Boost Endless e ainda curti vários dias na casa das minhas amigas, naquelas praias maravilhosas, descansei, entrei no mar várias vezes e voltei com energias renovadas pra encarar mais mudanças na minha vida.

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E fui pra minha tão sonhada e esperada Golden Four Asics BSB. E tive que lidar com a frustração de uma prova arruinada pela hand quebrada. Não consegui o resultado que queria, apesar de conseguir termina-la graças à ajuda de um ciclista que ficou anônimo por dias, e agora é um grande amigo!

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E aí, veio mais uma reviravolta: o Paraciclismo. Depois da Copa Brasil, nos últimos 3 dias de novembro, todos os meus objetivos pra 2015 mudaram. E ali algumas coisas mudaram irremediavelmente na minha vida, para sempre!

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E no começo de dezembro, depois de brigar pra completar a Volta da Pampulha, lá estava eu em Taubaté, cidade onde nunca imaginei colocar nem meus pés nem minhas rodinhas, conhecendo mais 4 esportes diferentes e fazendo meu primeiro treino com a handbike na estrada. E a distância foi de, pasmem, uma maratona! Mesmo tendo feito mais que essa distância no rolo 2 dias antes e quase essa distância no rolo, no dia anterior.

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E então eu virei uma lesma morta, que só pensa em comer, dormir e treinar. Meu volume de treino dobrou e meu corpo começou a sentir um cansaço descomunal. Consegui voltar a acordar cedo! E agora estou tentando dormir cedo também.

Em 2014 eu mudei ainda mais a qualidade da minha alimentação. Primeiro sozinha, e depois com a ajuda do meu nutri Hugo. Assisti à duas palestras dele, uma do nutri Rodolfo Peres, e uma do nutri Renato Barbim, e pude aprender muito com eles, sobre a qualidade da alime1512439_910715048939182_8310193419195248385_nntação para atletas e sobre nutrição para todos, seja andante, cadeirante, atleta ou precisando de um puxão de orelha pra sair do sofá.

Falando em sair do sofá, eu e a Jady iniciamos uma campanha pra levar mais meninas ao paraciclismo. E graças a Deus eu tenho recebido muitas mensagens de cadeirudas que querem começar. Só espero que o desejo delas e o nosso se torne realidade!

 

Também passei por experiências importantes, como estar em uma das edições do Corra Pela Vida, pela luta contra a Violência contra a mulher e sua valorização através do esporte. Eu também gravei um comercial pra Globo e um pra Nike!

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Eu também tive muita sorte em 2014, de ter grandes amigos do meu lado, me apoiando em vários aspectos. E também de ter o apoio da minha família no esporte, que, acima de tudo, é o meu modo principal de me reabilitar. Sim, o plano A continua ser voltar a andar. Mas eu ainda continuo convicta que quem fica parado é poste, e enquanto meu corpo não desperta para o andar, eu tenho o plano B, o esporte que só tem me trazido coisa boa!

E graças ao esporte eu conheci muita gente bacana nesse ano! Tanta gente que nem conseguiria contar! E através das redes sociais, tanto aqui no blog, como no face e no instagram, eu recebo muito apoio e motivação. Todas as vezes que penso em parar de escrever aqui, ou postar no ig, eu recebo alguma mensagem de alguém, dizendo que eu pude ajudar dessa ou daquela forma. Aí eu sinto que meu principal objetivo ao fazer o blog, está sendo cumprido. E só posso agradecer a cada um de vocês, que me manda mensagem, agradecendo ou até pedindo pra escrever sobre determinado assunto!

Eu também tive a confiança de muitos profissionais e empresas. Estando do meu lado desde o início, ou entrando na minha vida no decorrer do ano, ou ainda para eventos pontuais, essas pessoas acreditaram em mim como atleta e eu só posso agradecer imensamente por isso! E prometer me esforçar ainda mais para honrar essa confiança.

Tive também o apoio da imprensa. Tanto local, em jornais e revistas da minha cidade, quanto revistas e sites de alcance nacional. Além de alguns programas de TV. Acho que o mais legal de todos foi o Chegadas e Partidas, quando eu e as meninas estávamos indo pra Buenos Aires e fomos paradas pela Astrid no aeroporto. Durante a entrevista eu comentei que faria aniversário de lesão no deia 22 de outubro. E eles passaram a reportagem no dia 22 de outubro. Foi um presente incrível e super significativo pra mim!

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Sim! Comemorei esses 2 anos de vida e comemoro todos os dias 22 de todos os meses.

Esse ano que passou, fiz muita coisa diferente, mas também continuei fazendo muita coisa que sempre fiz. Sou a mesma pessoa que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música cantando e berrarrando a letra a plenos pulmões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

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Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

Nas primeiras horas de 2015, uma pessoa me perguntou se eu estou perto de juntar meu primeiro milhão. Eu ri. Disse pra pessoa bem assim: “Sempre que você me perguntar, eu provavelmente terei pouco dinheiro na conta. Porque provavelmente eu terei acabado de ir viajar pra algum lugar, ou pra passear, ou pra alguma prova. Eu prefiro viver do que juntar dinheiro.”

Eu ainda odeio minha barriga flácida de tetraplégica. Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo! Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

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Depois que vc vê a morte de perto e Deus te dá outra chance, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

Eu já disse um montão de vezes, mas eu não canso de repetir. A repetição é a mãe da retenção, pra mim e pra vocês! Com certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma.  Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que10811258_718742151550713_2064213594_n vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente. Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Tem gente que junta seu “um milhão” em dinheiro, mas não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, va10678686_879401312070556_2912020854838005937_ni fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

Meu ano foi assim, cheio de pedacinhos. Pedacinhos que me viraram de ponta-cabeça mil vezes. Pedacinhos amigos. Pedacinhos amores. Pedacinhos dores. Pedacinhos conquistas. Pedacinhos troféus e pódios. Pedacinhos decepções. Muitos e muitos pedacinhos sorrisos. Com certeza foi o melhor ano da minha vida! Tomara que 2015 seja tão competitivo quanto eu e queira superar 2014!  Mas eu que não vou ficar sentada esperando acontecer, né! Eu vou é correr atrás. Do jeito que eu consigo correr. Do meu jeito!

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