17
dez

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Facebook tem legislação pra foto??

Gente, to aqui indignada! Então to passando esse post na frente dos outros que eu tava preparando pra semana!

Na Volta da Pampulha, no meio dos fotógrafos vinculados à organização, havia um fotógrafo, tirando fotos de tooooodo mundo. E ele tirou uma foto da minha chegada e postou numa fan page, lá, abertão, pra todo mundo ver!

Eu, toda boba e feliz com a foto (principalmente após o ocorrido “quase não corri a corrida”), fui lá e postei a foto no post que fiz aqui no blog. (https://daninobile.wordpress.com/2014/12/09/volta-da-pampulha/)

E, como pata tecnológica que sou, obviamente preservei a logo e o nome do fotógrafo, que estavam na foto, porque nem sei tirar essas coisas. E (e de novo!), como se não bastasse, ainda fiquei agradecendo “mil” ao fotógrafo, por tirar a minha foto na chegada.

Aí, passaram 2 semanas, o tal fotógrafo me manda uma mensagem. Eu juro que copiarei aqui, sem alterar nada! (Sim, os erros de português são esses mesmo, gente).

Identificamos o uso indebido de una imagen retirada da fan page da tonafotobrasil e posta em seu site sem a nossa previa e expressa autoriza al. Solicitamos a retirada imediata da imagem do site e se abstenham de utilizar nossas imagens sem autoriza al de acordo com a legislacao em vigor.

E assinou a mensagem, como sendo Diretor Proprietário do que eu julguei ser uma empresa de fotografia, pra depois descobrir que é uma fan page, como a que eu tenho e como a que um monte de gente/atletas/empresas/assessorias/todo-mundo-que-quiser tem. E que o fotógrafo é independente, não ligado à alguma empresa que tenha autorização da organização da prova pra estar ali fotografando.

Eu fiquei meio indignada com o jeito que o moço me escreveu (vou tentar me controlar até o fim do post pra não falar nome, sobrenome, nome da empresa e tudo mais! Será que eu consigo?). Primeiro, eu  retirei a foto do meu post e coloquei uma foto preta, no estilo “aqui jaz”. Aí pensei “desde quando existe legislação pra foto publicada em fan page no facebook?”.

PAMPULHA3

Pra não falar nem fazer besteira, fui consultar. Não os universitários, mas fotógrafos, jornalistas, publicitários e advogados. Até fiz um post no face e tive bastante respaldo de muita gente que entende do assunto. O que um dos advogados me disse é que “a matéria sobre isso ainda é muito controvertida, nosso ordenamento jurídico ainda não absorveu esse impacto que as redes sociais provocaram na população. De toda forma, a lei de direitos autorais e intelectuais é clara quanto a isso. Se na obra intelectual (foto) existe uma pessoa (modelo), essa imagem só pode ser divulgada mediante expressa autorização. Se ele não tem,  o mais errado na questão é ele.”

Além disso, se ele divulgou a foto na fan page dele, ele tem a intenção de divulgar o trabalho dele (mesmo colocando que as fotos não são pra fins comerciais. Se está na fan page, tem caráter comercial, sendo a promoção de um evento ou do trabalho do fotógrafo). E  a matéria é Sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça:

Súmula 403 – Independe de prova ou prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

 

Se o fotógrafo publica uma foto minha sem autorização, o errado é ele de usar a minha imagem sem que eu autorize. O caso se agrava pois eu dei os créditos a ele pelo trabalho realizado, preservando sua logo e nome, pra todo mundo ver, do jeitinho que ele deixou. E ele ainda criou caso comigo!

Na verdade, senhor Marcelo, você devia me pagar uso de imagem, por tirar e divulgar minha foto sem meu consentimento, não eu a você, já que dei a você os créditos pela foto!

Querem saber mais sobre a lei 9610/98 sobre direitos autoriais e, em contrapartida, o respaldo jurídico sobre uso indevido de imagem? Ta tudo aqui, nesse link, num artigo que a Dr. Eliane Y. Abrão publicou  http://www2.uol.com.br/direitoautoral/artigo02.htm

Enquanto isso, meu post ficou sem foto da chegada… Mas não é isso que vai tirar a alegria do que foi aquele momento pra mim! E eu tenho bons amigos fotógrafos, como a Fernanda Balster e o Tiago Barros, que tiraram lindas fotos minhas nessa prova (e em outras!) E se o senhor Marcelo quiser continuar criando caso comigo, eu tenho tudo salvo e uns advogados porretas querendo me ajudar… Quem tem amigo, tem tudo!

30
out

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Outubro Rosa

Está chegando o fim do mês mais lindo do ano! O mês em que eu nasci e renasci. Mas resolveram pintar de rosa o meu mundo azul e eu divido esse mês com mulheres lindas, que lutam pela vida ao redor do mundo.

outubrorosa_0001O Outubro Rosa surgiu nos EUA, começando com ações isoladas, que depois foram unificadas e se transformaram num movimento lindo que, literalmente, dominou o mundo. A primeira Corrida pela Cura aconteceu em NY em 1990. E hoje, temos corridas e caminhadas o mês inteirinho no mundo todo. A primeira ação que chamou atenção no Brasil aconteceu em São Paulo, no dia 02 de outubro de 2002, quando o Obelisco foi todo iluminado pela cor que simboliza a luta contra o câncer de mama.

Eu descobri que o câncer existia quando ainda tinha uns 6 anos de idade, e um amiguinho de 4 anos morreu de leucemia. Acompanhamos o tratamento, ele ficar carequinha e meus pais explicaram o que estava acontecendo com ele. Depois de adulta, convivi de perto com amigas que lutaram contra o câncer de mama. Umas lutaram bravamente até o fim. Outras venceram e tem lindas histórias pra contar.

Aqui em Ribeirão Preto, minha cidade, em Arraial do Cabo (RJ), em São Paulo, e em várias outras cidades do país, tivemos corridas e caminhadas durante todo o mês, pra arrecadar fundos para o tratamento de mulheres no Brasil todo. Mas, eu quero destacar algumas coisas específicas!

Pra quem me acompanha, sabe que sou amiga da Debs (blogdadebs.com.br). Ficamosdebs amigas durante o processo de quimio e eu tentei acompanhar tudo o mais de perto possível, mesmo não morando perto. No Blog dela há várias dicas, desde alimentação, até maquiagem  e motivação, pra quem está passando por esse período de tratamento (seja seu ou de alguém da família).  E não é nada baixo astral. Pelo contrário! Ela encarou tudo de forma positiva e mostrou que a sua atitude é fundamental no processo de cura.

 

paty

 

O mês de outubro também me trouxe uma mulher maravilhosa, que agora posso chamar de amiga. A Paty, do Rio de Janeiro. Há 5 meses diagnosticada com câncer, ela tem um astral super mara e, preocupada com outras mulheres que estejam em tratamento, organizou um dia de beleza apenas para pacientes oncológicas. O vídeo ta incrível!

 

https://www.youtube.com/watch?v=B_T-NXaHxvQ&feature=youtu.be

 

Ontem eu participei de um dia de doação de cabelo, conversa e muito carinho no Lunna Spa, aqui em Ribeirão. Gente, teve muuuita mulher doando cabelo. Mas o mais lindo foi ver meninas, de várias idades, doando seus cabelos para outras meninas que precisam. Acreditem: as duas primeiras doações e a última, foram de crianças! O cabelo doado foi para o GAAC. Até sábado, 10% da renda do Salão vai para o Hospital do Câncer de Ribeirão Preto – Fundação SOBECCan. Se você vai se arrumar, fazer unha, escova, passa lá! Além de ficar linda, você estará ajudando essa causa nobre.

lunna

 

 

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Tenho também grandes amigas, A Fer Bulhões, a Mônica Locchi e a Thatá Rodrigues, que organizam eventos solidários no estado de SP, atrás da Zumba. Há 2 anos atrás, um pouquinho antes do acidente, eu fui voluntária e me diverti muito num evento desses. Esse ano, teve Caminhada, Zumba e venda de camisetas, cuja renda vai para o ABRACCIA.

zumba

 

E pra encerrar esse post, deixo o canal do Youtube do Divas Que Qorrem. Em comemoração ao Outubro Rosa, mulheres como minha amiga Debs e minha amiga Ivonete, contam que em vez de só sobreviver, elas resolveram viver da forma mais intensa possível, um dia de cada vez, um km de cada vez, igual na corrida.  Exemplos de mulheres que em vez de se debruçar na autopiedade, escolheram viver intensamente a vida e não o tratamento, e como a corrida as tem ajudado nisso!

https://www.youtube.com/user/divasquecorrem

divas

 

Por que eu escrevi tudo isso?

Pra mostrar a importância de nós, mulheres, estarmos sempre atentas, fazendo o auto-exame, conversando com nossos médicos. Pela nossa saúde! Pela nossa vida!

22
out

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Tenho 2 anos! Parabéns para mim!! o/

É hoje o diaaaaa, da alegriiii-i-aaaaaa! E a tristezaaaa, nem pode pensar em chegaaaar. Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feeeeliizz que eu! Diz aí! Diz aí!!!

dani2

Sim, siiimmm, siiiiiiiiiiiiiiiimmmmm!!!! Hoje eu completei 2 anos de vida! 2 anos de lesão, 2 anos de acidente, de vida nova, de cadeira de rodas. Sim, eu comemoro! Eu entrei no liquidificar e saí, viva, inteira e pronta pra curtir a vida adoidado. Sabe aquele ditado besta “Deus disse: desce e arrasa”? Então, no meu caso, Deus disse “Sai desse monte de lata retorcida e vai ser feliz, minha filha!”

10325410_791961860814502_2073472362398210166_nEu comemoro sim! E fico muito brava e indignada quando vejo cadeirantes todas/todos tristes, cheios de  lamúrias e lamentos “ai, que droga, hoje completo tanto tempo de lesão”.  Tá louca minha filha? Preferia ter morrido? Preferia causar mais dor à sua família? Preferia estar pior do que você está? Eu não preferia! Eu to bem, obrigada!! É…não to ótima. Estarei ótima quando puder voltar a correr e dançar. Por enquanto, eu to bem, obrigada!

Pra quem não me acompanha desde o começo, o que mudou na minha vida do dia 22 de outubro de 2012 pro dia 22 de outubro de 2014? Tudo! E nada!

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Em 2012, eu era professora. Apesar de morrer de saudade dos meus alunos, hoje não sou mais.  Apesar de ter lesão alta e ser considerada tetraplégica (não é só a questão de movimentação. A tetraplegia envolve também outras demandas, como dores agudas, perda da sensação de frio e calor, ausência permanente da capacidade de transpiração, espasmos, queda de pressão e tudo isso eu tenho de sobra. Minhas pernas esfriam e não esquentam mais, a ponto de eu sentir dor neuropática, outro demanda da tetraplegia) eu recuperei um pouco dos movimentos das mãos. Mas, mesmo com letra feia, não consigo escrever mais que duas linhas. Tenho espasmos nos dedos e a caneta cai da minha mão. No final da primeira linha já estou tremendo.

Acabei me apegando fortemente a esporte, tanto pra me reabilitar quanto pra buscar uma nova profissão. Ainda não sou profissional. Mas, como em qualquer profissão, que você precisa estudar, se empenhar,  se especializar, tentar e tentar, procurar um emprego, começar de baixo e ir devagarzinho subindo os degraus, eu estou tentando. Comecei do zero. Do nada! Estou tentando, estudando, começando de baixo, devagarzinho, tentando subir os degraus.

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Passei muitos percalços no esporte, tentei daqui, tentei dali…Mas agora, graças ao presente dos meus amigos – a handbike – eu to fazendo o que eu queria e mais amo: correr. E estou tentando trilhar um caminho novo. Sozinha está difícil, de vez em quando eu levo uns sustos, mas prefiro esses sustos do que não fazer esporte nenhum!

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Meu equilíbrio de tronco não é aquelas belezas, mas já melhorou muito, com relação ao que era no começo! Ainda tenho o corpo todo bagunçado de temperaturas. Tem dias que coloco  a mão em mim e canto a “Dança da manivela”, dizendo que aqui ta quente, aqui ta frio, muito quente, ta frio. Tem dias que to com calor no tronco e pescoço e dor neuropática porque as pernas estão geladas (como por exemplo, agora!).

Mas por dentro sou a mesma pessoa de antes, que ri sempre, que faz piadas idiotas, que gosta de estar rodeada de amigos, que adora ouvir música e berrar a letra a plenos pulIMG-20140915-WA0077mões, que ama esportes, que ama viajar,  que ama a vida!

Me considero feliz e vivo muito mais intensamente agora do que antes. Viajo mais, passeio mais, dou menos valor ao dinheiro e mais às experiências vividas, dou menos valor à aparência física e mais à saúde. Conheci muito mais gente, muitas pessoas legais que me ensinaram muito.

dani1Ah, eu não deixei a vaidade de lado nem no hospital! E preciso agradecer minhas amigas que me supriam com maquiagem, shampoos…rsrs Eu sempre me maquiava, até pra ficar em casa. Hoje continuo com uma das minhas marcas registradas: lápis preto nos olhos.

No começo manter a vaidade foi bem difícil. Devido à anestesia da cirurgia e muitas medicações, perdi quase 80% do cabelo e minha pele ficou lotada de espinhas.
Agora, meu cabelo está crescendo. Os fios novos estão quase nos ombros. Mas misturados com os fios antigos, meu cabelo ainda tá estranho rsrs Mas nem por isso eu deixo de arrumá-lo pra sair. Passei milhões de cremes nas espinhas, fiz algumas sessões com uma amiga especialista em laser e Led, e agora meu rosto está mais limpo.

natação

Meu corpo é outro. Minhas pernas grossas e musculosas já não são as mesmas faz tempo. E agora, além de finas, uma é mais fina que a outra.Minha barriga sarada foi trocada pela famosa “barriga de tetra (tetraplégica)”, flácida devido à falta de contração muscular, principalmente no abd inferior. Tive que aceitar meu corpo novo. Claro que sinto falta do corpo antigo, mas não adianta viver de passado. Tento me arrumar e ficar bonita o máximo que eu posso.
Gosto de estar sempre cheirosa. Continuo usando anti rugas, porque to com os pés e as rodinhas nos 30 (acabei de fazer 29). Não é porque estou na cadeira de rodas que vou ficar por aí desleixada.

Mas a vida quis reforçar, através da cadeira, que há coisas muito mais importantes que a aparência. Dou valor a estar bonita e arrumada. Mas claro que isso não é tudo!
Ser respeitada pelas minhas ideias, pelos meus ideais, ser vista como mulher antes de ser vista como cadeirante, alguém parar pra ouvir o que eu penso antes de me olhar e me prejulgar, é muito mais importante!

IMG-20140216-WA0002Depois que vc vê a morte de perto, passa a encarar a vida de uma outra forma. Dá mais valor à certas coisas e menos à outras. Pensei em tudo que queria ter dito e não disse, em tudo que teria ter feito e não fiz. E agora, eu tento me empenhar mais em viver.

485462_886413038036050_5727372151154729224_nCom certeza meus valores mudaram. Eu simplesmente vejo a vida de uma outra forma. Vi a morte de perto e Deus me deu outra chance. Dou mais valor aos meus pais (mesmo que eu não demonstre tanto pra eles). Dou mais valor aos meus amigos. E tento estar com eles sempre que posso. Dou mais valor ao amor e não tenho vergonha de demonstrar. Dou mais valor às pequenas coisas, aos momentos. A gente nunca sabe se aquela vai ser a última vez que vc ta fazendo aquilo, que vc ta naquele lugar, ou que vc ta com aquela pessoa. Então, eu procuro viver intensamente cada momento da minha vida.Eu viajo mais, passeio mais e faço menos contas hahahaha  Posso ficar dura. Mas dinheiro nenhum vale mais que uma boa lembrança. E eu to cheia de lembranças boas.

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Não sou uma pessoa perfeita! Ainda tô há mil anos luz disso! Mas tento ser uma pessoa melhor do que eu era na época do acidente.20140907_111440

Tirei um milhão de lições. Mas acho que as principais são que a vida é curta demais pra gente ter uma vida chata. Que sobreviver é muito chato.

Que vc trabalhar e voltar pra casa e ter uma vida vazia só por dinheiro não vale a pena.
Tem gente que tem um relacionamento e só ta com a pessoa de corpo presente. Chega do trabalho, deita na cama e dorme. Não faz nada junto, não passa tempo de qualidade, não para pra beber uma taça de vinho e conversar, ou pra dividir uma panela de brigadeiro sentados na cama enquanto assistem um filme.

costas

Tem gente que só dá valor pros avós depois que os perdem.
Tem gente que tem filho, mas não cria o filho, não brinca junto, não se diverte junto, não sai pra andar de bicicleta, não lê uma história pra criança, não cria lembranças com a criança.

10678686_879401312070556_2912020854838005937_nTem gente que não cria lembranças pra si mesmo. Eu quero uma vida cheinha de lembranças, de risadas, de bons momentos, eu quero uma vida colcha de retalhos, que a gente constrói aos poucos, vai costurando os pedacinhos, fura o dedo, a linha acaba, a gente pega outra de outra cor, para pra cortar mais retalhos, vai fazendo um pouquinho por dia, um pedacinho de cada vez.

 

buenos aires

14
out

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Por quê sumi

Geeente, sumi! Perdão!!  Não me odeiem!!!rs

Eu tive uns contratempos! Quem me acompanha viu que eu fiquei dodói (que palavra mais nhenhenhém) e isso me tirou do eixo porque fique sem comer uns 2 dias e fiquei fraca feito franga recém-nascida! O  tempo que eu tive depois, eu tentava treinar…Cheguei a ficar sem fazer uma prova que eu queria muito, por causa disso. Mas, a gente tem que aprender a respeitar o corpo!

Também aproveitei esse tempo pra refletir, organizar algumas coisas internamente (vocabulário chic pra falar que eu tava cheia de problema hahahaha  Sim! problema todo mundo tem) e pra dar atenção pra alguns amigos que estavam precisando de mim.

Estou tentando também, com a ajuda de uma amiga querida, escrever um projeto de patrocínio. E isso nos ocupou um pouco de tempo. (é…eu não to dando mais conta de bancar tanta viagem de prova…)

outra corrida

E tem mais!!! Pra quem não sabe: EU SOU A LOUCA DAS INSCRIÇÕES!!!kkkkkkk  Meus treinadores estão loucos comigo. Só recebo whatsapp deles assim: “chega de fazer inscrição, loka”. Pois é! E com isso, eu estou tendo que organizar as viagens pra correr. Porque é toda uma logística de onde ficar, taxi que caiba a handbike pra me buscar no aeroporto…e mais todas as demandas que a cadeira exige.

Gente, torçam por mim! Nesse final de semana eu farei minha primeira viagem sozinha, eu, Deus e a handbike, pra correr. Não conheço ninguém que vai fazer a prova, não tem ninguém indo comigo! Ansiedade ta a mil!

so mais essa

Mas não vou deixar vocês sem notícias!! E amanhã tem post no blog, com um exercício pra ajudar a treinar as transferências…que eu recebi umas 80 mensagens pedindo!

bjss e até amanhã

15
set

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Week Run Brasil

Gente, to atrasada, mas to trazendo novidade! Sim, atrasada porque a coisa boa começou hoje de manhã. Mas eu só consegui reunir informações suficientes pra passar pra vocês agora!

Quando criei esse blog, meu objetivo primordial era difundir um estilo de vida saudável entre os deficientes, através do incentivo à prática da atividade física e alimentação saudável. Mas, o trem ficou bom (não, eu não sou mineira, mas eu falo “trem”) e eu consegui  incentivar mais pessoas, os “andantes”, a começar a mudar suas vidas. (Hoje eu to falando bonito!rsrs)

Ontem eu estava conversando com a Kauana, e falando justamente isso. Como eu fico feliz ao receber mensagens de pessoas do Brasil todo (e até de fora dele), dizendo que começaram  a praticar atividade física (principalmente a corrida, meu xodó eterno) depois que começaram a me ler ou me seguir. Ou mensagens pedindo dicas, por onde começar, o que fazer, o que falar quando chegar na academia, como pedir ajuda pro professor…É a mais pura e deliciosa sensação de dever cumprido, de saber que eu to fazendo algo certo e bom na minha vida. É a coisa “mais melhor do mundo inteiro” saber que to atingindo meu objetivo e ajudando mais e mais pessoas a sair do sofá e cuidar da saúde. Porque era exatamente isso que eu queria!

E justamente porque esse é o estilo de vida que eu vivo, incentivo, apoio, motivo e tudo mais e mais, que eu topei entrar pra essa turma e divulgar o Run Week Brasil.

weekrun

O que que é isso? rsrs  É uma ideia mirabolante que uma turma aqui de Ribeirão Preto (minha cidade do interiooooor de SP) teve, pra também motivar mais pessoas a ter uma vida mais saudável, emagrecer, diminuir o risco de doenças e ter maior qualidade de vida. E como fazer isso? Através do incentivo à corrida e caminhada, aliadas à uma alimentação saudável.

Na página do evento, no Facebook (você também pode receber tudo por email – mas se prepara! Pq o Leo entope a gente de email hahahahaha) você vai encontrar dicas de educadores físicos, de como iniciar a caminhada e depois partir pra corrida, até atingir os 5km (esse é o objetivo!). Também encontrará dicas de nutricionistas e histórias de sucesso pra te motivar. Pessoas que emagreceram 10, 20 ou mais kg, através da corrida de rua, vão contar como foi começar, como foi o processo do antes/durante/depois e quais foram os benefícios que isso trouxe pra suas vidas.

Mas porque fazer um evento desses  online? Pra que possamos atingir mais e mais pessoas. E sem que elas precisem pagar nada por isso! O evento acontecerá totalmente on-line, através de Vídeos e também Treinamento em áudio e vai acontecer dos dias 15  a 22 de setembro. Ou seja, o trem começou a ficar bom hoje!

E nós sabemos como é difícil começar! Sim, eu comecei e recomecei algumas vezes. E vários participantes também. E você, fazer uma mudança dessas na sua vida, sozinho, pode não ser nada fácil. Então, estamos aqui unidos pra te ajudar! Queremos te dar força, te motivar, mostrar que você não ta sozinho não e, se desanimar, tem um montão de gente pra te estender a mão.

O Leo, meu amigo e idealizador master do projeto, gravou um vídeo pra explicar como é que vai funcionar. Logo logo meu vídeo também irá ao ar. Pra quem ainda não ouviu minha voz, vai delirar no meu sotaque de caipira. E, se eu não melhorar da gripe, meu sotaque será acrescentado de uma sexy “boz ninda de dariz endubido”. Aguardem cenas dos próximos capítulos! hahahahahaha  o vídeo do Leo ta aí embaixo!

http://www.youtube.com/watch?v=cb9pESr8o58

Se você quer começar, mas ta sem coragem de ir sozinho, bóra com a gente! É só entrar na página do evento no Facebook e seguir os passos pro cadastro (https://www.facebook.com/events/147913675379154/ ). E se você já corre, caminha, pedala, nada, ou faz qualquer atividade física, podia incentivar algum amigo a começar também, né?! (ta..eu sempre falo isso…)

“Tia Daniii, eu sou cadeirante, como vou fazer?” Então, eu sou cadeirante e também faço!  “Mas Ô tia Daniii, eu não tenho handbike e você tem”.  Ta..mas eu também não tinha! Eu tocava a cadeira na rua (ainda toco) e na pracinha. É só uma questão de adaptação. E se precisar adaptar as informações, me chama! To aqui pra isso!

Bóra gente? Queremos transformar essa semana no maior sucesso do ano! Bóra sair todo mundo do sofá?

 

02
set

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Dicas infalíveis para a arte de sorrir

Sorrir, segundo o dicionário Aurélio, quer dizer Rir sem ruído, apenas com um ligeiro movimento dos lábios e da face

Rir, por sua vez, tem a seguinte definição: Contrair os músculos faciais em conseqüência de uma impressão de alegria

Gargalhar significa Rir ruidosamente (com ruído)

Tem dias que a gente acorda e, numa escala de 0 a 10, sorrir ta no nível 11 de dificuldade. Rir, tá no nível impossível e gargalhar no nível master blaster ultra hard e “esquece que não vai rolar de jeito nenhum”.

É, tem dia que é osso! É filho, é marido, é chefe, é o colega de trabalho que não fez a parte dele, é o cliente que não fechou. É a conta pra pagar, o aluguel, o e-mail de cobrança, a fatura do cartão de crédito. É o telefone tocando sem parar. A TPM explodindo. A dieta. A calça que não quer fechar. O sapato fez bolha no pé. Você já quebrou um salto? Eu já! É o bebê do vizinho chorando quando você precisa dormir. É o voo atrasado, o arroz queimado, o pneu do carro furado. A empregada faltou e a sogra vem jantar hoje à noite. É uma lista que não acaba mais. E quando tem doença na família, piorou!

São muitas coisas que tiram nosso sono, nosso sossego e nossa alegria. E sem alegria, sorrir fica complicado. Juro que sei como é! Agora mesmo, enquanto eu estou escrevendo, parei por 1 hora pra respirar. Estava toda inspirada, aí meu e-mail pipocou, já deu aquela queimação no estômago! Fiz a ligação que precisava fazer, o trem já ardeu, já perdi o ar, já fiquei irritada, já dei aquela choradinha, porque sou mulherzinha e estou de TPM! Ai meu Deus!

Nessas horas, o que fazer? Não sou a pessoa mais perfeita pra dar conselho nesse sentido. Mas o que eu aprendi depois do acidente é que não podemos deixar essas coisas tomarem conta da nossa vida. Ficar nervoso, ok. Chorar, ok. Gritar, ok. Perder uns dias de sono ou ficar uns dias chateado é super normal. Estranho seria se fossemos impassíveis a tudo e qualquer coisa. Só que tudo tem um limite! Se você deixar, essas coisas irão te levar pro fundo do poço (que pode não ter fundo). Tristeza e (pior) depressão não vão te levar a lugar nenhum! Pelo contrário! Você ficará na cama vendo a vida passar, perdendo ótimas oportunidades de VIVER!!!

Chega de falar! Bóra pras dicas:

1 – Coloque uma música bem animada e bem alta!

Nada de música melancólica. Escolha algo bem animado. Pode ser a Beyonce, pode ser ACDC, pode ser até Vivaldi, contanto que seja animado!

música alta

 

2. Já que colocou a música, DANCE! Dance loucamente, como se ninguém estivesse olhando!

No começo pode ser difícil, você vai se sentir ridículo. Mas e daí? O importante é a sensação de liberdade! Vale até fazer a guitarra imaginária (quem nunca?)

dance loucamente

3. Veja um vídeo de stand up comedy

Eu não sei vocês, mas eu não consigo parar de rir quando assisto algum. Já deixo alguns separados, pros momentos de “socorro, meu deus”.

stand up comedy

4. (dica preferida) VÁ FAZER UMA ATIVIDADE FÍSICA!!!!!!!!

Simplesmente infalível!! Eu sei que tem dias que é difícil sair de casa, da cama, do sofá, de dentro do seu problema. Quinta-feira eu estava assim! Juro pra vocês. Aí fui arrastada pra academia. Não há problema no mundo que não seja melhorado, minimizado, ou até esquecido, pela endorfina!! Não tem pra ninguém! Prefira atividades ao ar livre, num parque bem bonito. Mas se for perigoso onde você mora, vá pra academia. Lá tem gente pra conversar. Já fui chorando e voltei outra pessoa. Saia para caminhar, andar de bike, passear com o cachorro…e se tiver pernas que funcionem: Vá Correr!!

bike no ibiraibirapuera

5. Vá olhar uma criança brincar

Eles fazem coisas muito engraças. Não dá pra não rir. E se não der pra ir ver, entra no Facebook dos seus amigos que tem criança em casa. Com certeza vai ter um vídeo ou foto engraçados, alguém que rabiscou a parede… Já viu aquele vídeo dos meninos que espalharam farinha pela casa toda? E o do pai e filha cantando música de desenho? Fuça aí! É tiro e queda!!

criança brincando

6. Vá ver um filme de Comédia

Eu morro de rir com As Branquelas. E você?

as branquelas

7. Ligue ou chame um (a) amigo (a) no whatsapp

Um beijo pra quem inventou o whatsapp! Ontem eu ria tanto que fiquei preocupada em acordar o prédio! Mas nada de “ai amiga, to tão mal”. Essa conversa pode te ajudar a descobrir quem realmente se importa com você, mas não vai te fazer rir. Faça outra abordagem. Pergunte como foi o dia. Conte alguma coisa. Vale até pedir receita. Jajá você pode estar dando altas risadas. Ou pelo menos se distrai. Ou pelo menos seu amigo vai compartilhar um problema, você vai ver que não é só você que tem, ou que o seu é menor do que você imaginava.

whatsapp

8. Foque em coisas boas

Nosso dia não é 100% ruim. Hoje eu tive duas notícias que me embrulharam o estômago (já falei isso?), mas no meio do tornado, recebi uma ligação de 2 minutos. Uma pessoa que fez uma coisa boa pra mim sem me conhecer pessoalmente. A hora que a meleca do tornado tava ganhando velocidade, lembrei da ligação e de como aquele senhor me fez sentir com seu ato. A força do vento do tornado diminuiu.

9. Por mais idiota que a coisa pareça, ria pra ela. E da sua idiotice!!

O simples fato de o computador apitar “bateria fraca”, eu olhar pro lado e ver que o carregador estava ao alcance das mãos, já me fez pensar “oba, oba, oba, oi carregador, que bom te ver aqui”. E eu ri da minha idiotice. Se vocês soubessem cada piada idiota que eu solto sem pensar! O pior são aquelas que eu penso e tenho até vergonha de soltar! Mas essas me fazem rir muito, tipo “de onde eu tirei isso?”. Caiu da cadeira de rodas? Ria! Tropeçou? Ria! Deixou tudo cair no chão? Ria! Deixou as tarefas dos seus alunos se espalharem pelo chão da sala de aula (eu era mestre em fazer isso)? Ria! Seu filho derrubou o pote de cereal na mesa? Ria primeiro e limpe depois! Bateu a cabeça pra sair do carro? Ria primeiro e coloque gelo no galo depois!

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10. Pense em algo que você goste de fazer e faça!

Eu virei adepta do “faça hoje, você não sabe o que vai acontecer amanhã” . Só não vale estourar o limite do cartão de créditos comprando sapatos! Faça uma massagem, vá fazer as unhas, leve sua mulher pra jantar, mude o cabelo, compre um quadro novo pra sua casa, tente falar um novo idioma, programe uma viagem pro final de semana, visite seus avós…sei lá, pense em algo que te dê prazer e faça! Por menor que pareça ser, coisas simples  nos fazem sorrir muito.

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11. Relembre bons momentos

Eu sou a rainha de ver foto antiga, de ler posts no face da época do meu acidente, de lembrar das visitas dos amigos, das mensagens, das visitas da família, de ver as coisas que eu estava conseguindo fazer nesse ou naquele dia. Por mais que me dê aqueeela saudade sem fim, eu vejo fotos das corridas, das bagunças com a turma, lembro que naquele dia eu suei, cansei, ri, sofri com o sol, ou sei la…Procure fotos dos seus filhos pequenos, fotos de 10 anos atrás. Esse tipo de memória boa faz um bem danado pra gente!

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12. Coloque um sorriso no rosto de outra pessoa

Pode ser até alguém desconhecido. Uma velhinha na rua, uma criança, o segurança do shopping, qualquer pessoa. Um sorriso e um bom dia geralmente vem com um sorriso em retorno. E se você quer colocar o sorriso no rosto de alguém que você goste, ligue pra um amigo de surpresa, leve chocolates pra sua avó, compre flores pra sua mulher, escreva um cartão pro seu filho elogiando-o por alguma coisa legal, faça a lição de casa com sua filha, desenhe com ela no chão da sala…Faça algo de coração, que o sorriso surgirá nos lábios de alguém e nos seus.

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Gente, tem dias que é difícil, mas faça um esforço!! Sorrir ajuda a melhorar qualquer situação! Não sei se ajudei muito, mas espero pelo menos ter colocado um sorriso no rosto de quem me leu hoje! Um beijo!

“O sorriso é a manifestação dos lábios quando os olhos encontram o que o coração procura… E os olhos dizem o que a boca não consegue exprimir… “

26
ago

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Filtro Solar – use e abuse

Gente, vou chover no molhado, mas vou falar sobre a importância do filtro solar.

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Sempre ouvi minha avó falando sobre isso. Ela cresceu na fazenda, trabalhando na colheita de algodão e outros produtos. Na época não existia filtro solar e os braços da minha vózinha ficaram pintadinhos. Desde que eu me lembro, minha avó usa protetor solar pra não piorar as manchas. E ela nos ensinou  a fazer o mesmo.

Infelizmente, tem gente que não dá a devida importância ao seu uso. Incluo aí muitos atletas que treinam na rua, no sol escaldante e deixam seu corpo tostar ao sol sem proteção nenhuma. A cor da pele fica linda, mas com o passar dos anos, o arrependimento vai bater, com certeza!

Pedro Bial já fala da importância do filtro solar em um dos textos mais famosos da internet. E essa semana li uma tal de “lista de coisas que você vai se arrepender quando ficar velho”. E a primeira coisa da lista de arrependimentos é “Não ter usado filtro solar”.

Mas o mais legal de tudo, e que pode chocar você, amigo ou amiga que não usa, foi o vídeo que assisti, cujo link está abaixo!

Utilizando uma câmera com luz ultravioleta, Thomas Leveritt escolheu aleatoriamente pessoas na rua, para mostrar como a pele contém imperfeições que nem sempre são vistas a olho nu. Essas são quase sempre causadas pela exposição sem proteção ao sol. Para provar isso, ele mostra como os óculos e o próprio protetor solar tornam o rosto preto quando captado pela câmera especial. Eu não vou ficar resenhando infinitamente sobre o vídeo. O massa mesmo é vocês assistirem. Eu falando, não tem o mesmo impacto!

Sobre marcas de filtros, eu não sou especialista pra indicar. O ideal é procurar um dermatologista que indique o melhor pra sua pele. Vou falar das marcas que eu conheço, mas não to ganhando nada pra isso.

Desde que comecei a usbloqueador_fps40_tonalizantear filtro solar, gostei mais do da Adcos. Ele tem um tom de base que fica muito bom na pele e não me ensebou a cara, nem me encheu de cravos. Você vai falar “tia Dani, custa caro esse trem”. Mas o meu dura muuuitos meses. Mesmo eu passando várias vezes ao dia. Agora eu comprei o da PinkCheeks, marca queridinha das corredoras defluid_tonalizante_fps40_b rua. To esperando chegar pra testar. E custa mais barato que o da Adcos. E o massa do da Pink Cheeks é que cada “tom” do protetor é uma distância em km, das provas que corremos! As duas marcas também tem a versão sem tonalizante.

 

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Sei que há outras marcas boas, mas eu não posso dar opinião sobre algo que nunca usei. E quem tem que indicar o melhor pra vocês não sou eu. Vai que eu indico uma cor do protetor com tonalizante e você fica toda colorida…Vai me odiar depois, mesmo estando protegida!rsrs  😉

20
ago

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Querido diário de alguém com um parafuso a menos

Querido diário,

Hoje to escrevendo pra mim. Uma coisa “Querido diário” mesmo, pra eu guardar aqui e ler na posteridade. Pra não se perder no meio de tantos pensamentos que eu já tive e nunca escrevi, por vergonha de dividir o que eu pensava, o que eu estava passando naquele momento.

Isso já aconteceu pelo menos umas 50 vezes desde que eu sofri o acidente. Vezes que eu queria escrever pra dividir um pouco a carga, mas tinha medo de ser julgada por isso ou aquilo.

Sim, porque é muito fácil julgar! Você lê o que a pessoa escreve no facebook, vê as fotos que ela posta e tira suas próprias conclusões sobre a personalidade dela, as vontades, o caráter, o sonho. Você não pergunta nada disso pra ela. Apenas tira suas conclusões pelo que ela decidiu compartilhar. E nem tudo a gente compartilha, querido diário.

E aí, um dia, por cargas d`água, você conhece a pessoa “tão lida e curtida” pessoalmente. Mas você também não dá a ela tempo pra se mostrar. Em 2 minutos, já a julga. Nem sabe se ela acabou de se emocionar, de se decepcionar, de ter uma notícia triste, de ter uma notícia alegre, se ela viu alguém que a magoou e ficou perdida, se ela viu alguém que ela admira e não teve tempo de dizê-lo. Você simplesmente a olha de cima em baixo e pensa “ela é diferente no facebook”. Mas você esquece que não dá pra ser perfeitinho o tempo todo. A gente tem TPM, a gente chora, a gente fica alegre, fica triste, fica nervoso, se sente gordinha, se sente contente, fica emocionado, perde a razão ou fica sem reação.

Pois é, querido diário. E nessas horas e por esses medos, eu deixei de escrever tantas vezes. Guardei muita coisa pra mim. Sofri calada muitas vezes. Pensei mil caraminholas do meu corpo, da minha lesão, da minha cabeça, dos meus defeitos, de mim mesma…Mas hoje, a vida me deu uma chapuletada. Outra, né?! Mas dessa vez, veio com um taco de beisebol bem no meio da minha cara. E quebrou meu nariz e uns 2 dentes. E eu fico pensando: Por que eu não mereço? E nessas horas afloram todos os meus defeitos na minha cabeça. E eu odeio cada um deles com a mesma intensidade que eu odeio engordar só de pensar em chocolate. Aliás, hoje é um daqueles dias que eu quero muito um chocolate. Um brigadeiro de panela pra comer enrolada no edredom enquanto eu leio, deitada na cama (a cena da perfeição, na minha opinião).

E depois eu parei e pensei: O que eu quero da minha vida? Bom, tem só duas coisas que eu quero. Andar. Ser atleta. Só essas que eu quero e quero muito e quero de verdade. Mas ta foda! Ta difícil. Aí eu penso: vai ver eu não consigo porque Deus ta falando “minha filha, que folgada! Ta querendo ter tudo? Vai ter que escolher só uma. Ou não escolha nada. Quem escolhe sou Eu e Eu vou te dar só uma. Surpresaaaa…”  Será que é por isso que está tão difícil conseguir um resultado positivo, ou um patrocínio pra me dedicar mais e mais ao esporte e conseguir ser atleta de verdade? Ou será que é por isso que minha perna esquerda tá teimosa, meu pé esquerdo tá um bicho-em-coma-de-tanta-preguiça e meu tronco parece que tá mais fraco ao invés de ficar mais forte?

Mas aí, eu não fico falando nada disso pras pessoas, querido diário. Do mesmo jeito que eu não conto que eu não sei como reagir quando, por um acaso, um amigo virtual (ou milagrosamente, um seguidor) aparece na minha frente. Eu não sei o que falar. Eu só sorrio e pisco (aliás, é assim que eu saio em todas as fotos. Um monte de dentes e os olhos fechados).

Do mesmo jeito que não sei o que fazer nem o que falar  quando vou em alguma corrida. Porque ainda é algo tão maravilhosamente espetacularmente maravilhoso (eu já falei maravilhoso?) estar ali, que eu fico pior que criança na Disney, pela primeira vez. Se bem que eu também viraria criança na Disney, porque eu nunca fui. Fico, tipo, deslumbrada! Tipo “to aqui mesmo? Eu vim de novo? De verdade?”. Mas eu não fico contando que eu queria estar correndo com os pés. E que eu coloco fones de ouvido com a música bem alta, porque as passadas dos outros corredores cortam meu coração. Cada passada é uma estocada no meu peito. Mas eu prefiro isso do que não estar ali.

Do mesmo jeito que eu não fico contando que sou estabanada e desorganizada. Que eu vivo derrubando tudo no chão enquanto eu cozinho. Ta bom…enquanto eu faço qualquer coisa!  E que poderia ler muito mais livros e fazer muito mais coisas, se eu conseguisse me organizar. E também poderia dormir mais, se minha cabeça não ficasse funcionando a noite inteira. Aí eu não pareceria um zumbi toda manhã.

Ah, diário, já te contei que toda manhã eu odeio nadar até a hora que eu dou as primeiras 10 braçadas? Pois é…e dá raiva da água fria e algum desavisado diz “jajá você esquenta” porque eu queria tanto tanto tanto esquentar e não esquento. E meus braços doem muito nos primeiros 400 ou 500m. Mas depois eu não quero sair da água nunca mais até virar lodinho.

Ah, outra coisa que não posso ficar contando pra não ser julgada: tem dias que tenho vontade de dormir de conchinha (vááários dias). Mas sem nenhuma intenção. Só um abraço mesmo. E cafuné no cabelo. Não no topo da cabeça, porque eu não sou periquito. É no cabelo mesmo! Igual minhas crianças faziam, enquanto eu corrigia a tarefa delas. Pareço durona. As pessoas dizem que “sou forte”. Mas eu sou uma pata. Eu gosto mesmo é de carinho. Mas já pensou se eu fico falando isso por aí? Aí sim é que vão partir meu coração sem dó.

Sabe, ainda bem que no diário da gente, a gente pode escrever o que a gente quer. Tudo bagunçado mesmo. E fora de ordem. E sem nexo. Nem ligação entre um parágrafo e outro, entre uma frase e outra. Sem coesão nenhuma. Poder escrever tudo que vem na cabeça, sem pensar nem esperar. Tudo de uma vez. Tipo vomitado (que nojo). E sem medo de que me julguem. Só botar pra fora…Porque já passa de meia noite…Quem sabe hoje eu consiga dormir antes das 2h!!

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13
jul

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Ta tendo Copa – Parte 2. Ops!! Acabou!!

Voltei pra casa!  Não vi a final no estádio. Torci e vibrei pela Alemanha (e pelos alemães gatos – meu deuso do céuso) de casa mesmo.

Além dos jogos já relatados, tive a oportunidade de assistir a mais dois. Conforme prometido, aqui vão minhas impressões sobre eles, torcida, estádios, acessibilidade, etc.

1 – Brasil x Colômbia em Fortaleza. Estádio Castelão.

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Gente, nunca vi uma torcida tão animada antes do jogo. Claro que não podemos atribuir apenas aos cearenses toda a empolgação, pois tivemos ali gente do país inteiro. Mas, eles tinham animadores no bar da Budweiser, bateria de escola de samba, cantor famoso dando palhinha (Solange, do Aviões do Forró – que eu adoro).

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Pra quem viu no instagram, aconteceu algo inédito comigo. Todo mundo sabe que não me contento em ficar lá no fundão, vendo bundas e pernas das pessoas, enquanto a festa rola. Eu gosto de estar lá no meio do trem que tá pegando fogo, perto da música. Então, eu fui pedindo licença, e pedindo licença. E fui parar lá do lado do pessoal que estava tocando instrumentos de samba. 5 minutos depois, o Thiago, que tocava do meu lado, jogou no meu colo um chocalho. Eu olhei pra ele e disse que não sabia tocar. E ele disse “sabe sim! Tá batucando aí na perna faz um tempão.” E eu toquei! Toquei por  1hora e meia. Às vezes com orientação dele, sobre a velocidade dos movimentos do chocalho. Mas foi massa demais! E eu toquei pra Solange, do Aviões, cantar! Ah, eu me deliciei.

Dentro do estádio, foi uma farra. Não saiu a Ola de jeito nenhum. E a música que todo mundo recebeu por facebook e whatsapp, que todo mundo ensaio lá na Budweiser, não emplacou durante o jogo.

O jogo foi bom, sFortaleza4uper animado! Eu consegui filmar o gol do David Luiz. Meus amigos ficaram enlouquecidos. Além do mais, havia um pessoal muito engraçado atrás de nós, que falava gírias cearenses o jogo todo e foi risada garantida. É interessante como cada região tem sua forma de xingar o juíz, reclamar dos jogadores e comemorar.

 

Os banheiros do estádio eram bons, apesar de os banheiros de deficientes não serem respeitados, por ficarem junto aos banheiros “comuns”. Achei a acessibilidade boa, os elevadores bem localizados e as rampas de acesso aos portões são bem tranquilas de serem utilizadas.

Quanto ao espaço, no estádio, entre o local pra cadeira de rodas e a circulação do público. Bem, esse ficou invisível, igualzinho em Natal. Lotado de gente em pé atrás de nós. Ir ao banheiro durante o jogo era missão impossível.

A comida era a de sempre. Cachorro quente sem molho, pipoca cara, chocolate caro, tudo padrão Fifa.

A saída do estádio eu também achei tranquila. Os voluntários tem boa vontade, mas como eu já havia notado nos outros jogos em outros estádios, eles não recebem treinamento pra lidar com a cadeira de rodas. Eles oferecem ajuda, querem nos empurrar. Mas se você passar por um degrauzinho, um desnível no chão e não estiver atento, corre o risco de ir de cara pro asfalto.

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Levantei, sim, pra tirar foto em pé e só! E ninguém me questionou por isso. Eba!

2 – Brasil e Alemanha em Belo Horizonte. Estádio Mineirão.

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Então… 7×1. Posso falar palavrão no meu próprio blog? É…eu não sou comentarista de futebol e pra criticar o Fred Cone, o Hulk que nesse dia não fez nada, o Julio Cesar que de pegador passou a frangueiro, eu ficaria aqui horas, correndo o risco de falar asneira.

O que aconteceu é que eu piscava e era gol. Piscava, outro gol! No quarto gol, falei pro meu acompanhante, Alexandre, que eu ia ao banheiro. Estávamos com 24min do primeiro tempo. To lá (jajá eu falo das condições do banheiro) e chega um zapzap da Fer, indignada, falando um palavrão (será que tem criança que lê meu blog ou eu posso falar os palavrões?). E eu respondo (outro palavrão e) “Não acredito, 4 gols em 25minutos”.  E eu recebo a resposta dela “onde você está?” “no banheiro”. “ah, porque a Alemanha já fez mais um gol. tá 5×0”.

E pra dizer bem a verdade, apesar de toda a tristeza de ver a Seleção fora da final e perder daquele jeito, eu estava lá pra ver o maior massacre da história das Copas do Mundo, ao vivo, à cores e à lagrimas derramadas do povo em volta de mim. Vi tudo de bem perto (estava pertinho do gramado, atrás do povo chic que pagou várias mil dilmas pra estar ali). Deu dó das crianças.

Gente, e esse povo que paga várias mil dilmas, brigou muito na minha frente. Teve cerveja voando na cara de um, cerveja voando na cara do outro, gritaria, um monte de polícia. E eu soube que foi assim no estádio inteiro. Isso porque é só um jogo de futebol. Será que se o Brasil perder medalha de ouro nas Olimpíadas o povo também vai se estapear?

A animação pré e durante o jogo não era mineira, nem brasileira. Que desânimo! Não tinha cantoria, não tinha batuque. O bar da Budweiser estava silencioso e deserto. Só aquela musiquinha de fundo. Era de assustar! Era o prelúdio da derrocada.

Comida: tinha o tropeiro do Mineirão. Mas quando eu cheguei, já não tinha mais! O resto, eram as comidas de sempre, com aparência e preço padrão Fifa!

As rampas de acesso entre os portões (do lado de fora) são bem-feitas. Mas imeeeensas. Tipo Everest mesmo. Mas um Everest de uma escalada só. Se seu acompanhante não te ajudar, você consegue, mas aí, o jogo já começou e já acabou. As rampas de dentro dos portões para o nosso lugar são exatamente as de Natal (veja o post anterior) ao contrário. Você desce lindamente para o seu lugar, com toda a liberdade que as rodas nos permitem. Cuidado nas curvas pra não bater a boca no corrimão. Mas na volta, meu amigo…graças a Deus temos acompanhante! Everest por etapas. Assim, eu até subiria. Demoraria anos luz, mas não sou franga e subiria. Porém, no pós-jogo, a galera cheia de cerveja na cabeça não tem muita paciência (com exceções) de nos esperar subir. Assim, os acompanhantes são importantes e essenciais. Principalmente para nos sermos atropelados pelos sem-roda.

Banheiros. E aí? Querem rir? Então…na primeira vez que fui ao banheiro (entre o quarto e quinto gols da Alemanha, feitos na velocidade da luz), o banheiro não tinha trinco na porta. E ele fica bem na vista de quem passa no corredor. Tive a sorte de ter uma moça gracinha que ficou vigiando a porta pra mim. Senão…Na segunda vez que eu fui (porque o jogo não era imperdível  e eu bebi um monte de água), já não tinha nem maçaneta pro lado de dentro. Aí, não dava. Já pensou se eu fico trancada pro lado de dentro e perco mais dois gols? Eu tive que trocar de banheiro e usar o regular. O detalhe é o seguinte: e as meninas que não conseguem usar esse banheiro? Fariam (ou fizeram) como?

BH3E não teve jeito. Aplaudimos a Alemanha em BH. E chegamos a gritar Olé. E dessa vez meu lugar era perfeito, bem pertinho do gramado. Eu vi tudo de perto, querendo estar lá no infinito e além pra não ver os detalhes. Mas, o plano A não era essa barra de chocolate toda, com recheio trufado. Se bem que, meus vídeos ficaram ótimos (ainda mais porque eu aprendi a usar o zoom do celular enquanto filmo!).

Eu fiquei em BH2pé pra tirar foto de novo (com amigos e com famosos) e ninguém me questionou por isso. A moça que tomava conta, na porta do camarote, deu uma olhadinha. Mas ela me viu ajeitando a perna esquerda várias vezes. Depois ela até me ajudou.

Bom,  perdemos feio, historicamente feio. E eu voltei pra casa. Não tive oportunidade de ir ao Itaquerão, nem ao Maracanã, infelizmente. Por hora, fico devendo minhas impressões sobre ambos.

Teve gente que me criticou muito por sair por aí viajando sozinha, indo aos jogos. Apuros nos aeroportos, cadeirante sempre passa, com Copa ou sem Copa. Isso porque os atendentes não sabem nos atender (com o perdão do trocadilho). Eu aproveite cada minuto, e vivi um momento que, a não ser por um milagre, eu tenha oportunidade de viver novamente: uma Copa do Mundo assim, de pertinho.

 

Como disse um amigo, ficam os aprendizados: Não vaiar o hino do adversário. Porque perdeu, não quebrar, não brigar, não gritar, não chorar. Isso é apenas futebol, é só diversão. Fazer copa é mole, mas com educação, estrutura boa, qualidade nos serviços, é bem mais difícil.

Conforme publiquei essa semana no Instagram, aí vai meu saldo da Copa: : 4 jogos. 4 estados. 4 viagens. 4kg a mais!! Agora tenho mais 4 famílias! Revi minha familia de BSB. Ganhei uma familia em Natal, outra em Fortaleza e outra em BH. Cada uma com seus costumes, seus sotaques, sua cultura, sua culinária. Revi amigos. Matei saudades. Conheci muita gente interessante. Fiz muitos amigos! Conheci muuuitos estrangeiros (uns viraram amigos), aprendi com suas culturas. Recebi muito amor e carinho. Passeei demais! Conheci lugares novos.Pratiquei meu ingles. Desenferrujei o espanhol. Aprendi palavras em Italiano e alemão. Vi o q ja conheço e defendo sobre o esporte, a amizade, o respeito, o amor, a alegria que só o esporte proporciona. Vivi uma Copa do mundo de perto, com sua riqueza e diversidade culturais. Vivi situaçoes e alegrias inesquecíveis. Coisas que dinheiro nenhum no mundo paga. E que tempo algum vai me fazer esquecer! O Brasil perdeu, mas quem ganhou fui eu!!

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30
jun

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Ta tendo Copa – parte 1

Gente, sumi! Fui ver 2 jogos da Copa. Aproveitei pra passear e ver os amigos e amigas. Prometo que semana que vem retomamos com as dicas de atividade física e  contarei como estão as coisas com meus 90 treinos e muito mais.

Hoje, falarei dos jogos que assisti até o momento e dos estádios.

1 – Brasil x Camarões em Brasília. Estádio Mané Garrincha.

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Eu estava com saudade de ir ao estádio. Depois que você vê tudo ali, ao vivo e a cores, assistir na TV não tem graça nenhuma.

O jogo foi massbrasil2a! A torcida se esforçou pra cantar e animar o time. Parece que cantávamos só a mesma música. Porém, ali há uma união de times do Brasil inteiro, cada um com seu hino. Não dá pra emplacar uma música assim tão rápido. Mas, além de “sou brasileiro com muito orgulho e muito amor”, saíram outras músicas. Cantamos! Mas creio que da TV não dá pra ouvir. E em muitos momentos, nossa torcida se cala. O que é uma pena.

 

Comida tá igual a Copa das Confederações ano passado. Cachorro quente sem molho, pipoca salgada, preços altos, filas gigantes. Tudo padrão Fifa.

brasil3A acessibilidade ali melhorou, do ano passado pra cá. A rampa pras dependências do estádio não é muito íngreme, é tranquilo de subir. Há voluntários pra nos empurrar da revista até o nosso “assento” se quisermos. Tem elevadores também, da rampa pra cima, caso seu ingresso te leve para o infinito e além, lá no topo das arquibancadas.

Há muitas cabines nos banheiros adaptados, estavam limpos, mas não tem trinco na porta. Você corre o risco de alguma outra menina, ou as tias da limpeza te pegarem no flagra. Quase aconteceu comigo!

brasilO espaço de circulação entre as cadeiras e o staff (voluntários, polícia, etc)  que ficam em pé assistindo ao jogo é grande, é ótimo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, ou quiser ir comprar algo, dá pra sair e voltar tranquilamente. Se você estiver circulando pelo estádio sozinho, em alguns segundos aparece um voluntário perguntando se você precisa de algo. As filas preferenciais também são respeitadas.

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O jogo? Incrível! A sensação de estar ali é indescritível. A vibração, a torcida, os jogadores estão bem perto da gente (mesmo que você esteja lá no infinito e além).

Ah, sim! Fiquei em pé pra tirar foto! Os amigos me ajudavam a levantar, eu agarrei na grade e tirava foto. Rápido, senão a pressão cai e eu caio junto!

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2 – Itália x Uruguai em Natal. Estádio Arena das Dunas.

italia5Foi o dia mais divertido de toda a minha vida! Gente do mundo inteiro, conversando, tirando foto, confraternizando, torcendo. Gastei meu inglês e meu espanhol enferrujado. Arrisquei umas palavras em italiano. Você já não sabe em que idioma pede licença e agradece. Porque tem gente de um país com a camisa de outro. Tem nigeriano com a camisa do Brasil, americano com a camisa da Italia, e eu quase me lasquei confundindo um brasileiro que vestia a camisa do Uruguai.

italia3Com portões Norte e Sul, um voluntário me mandou dar a volta por fora, pela rua, pra entrar. Um outro correu e me deixou entrar pelo portão norte. Disse que não havia motivos pra ir pela rua sozinha se eu podia ir curtindo a festa. Ainda bem! Pra passar da área “da bagunça cultural” depois da revista (uma das melhores partes do dia) até o meu lugar, eu precisei subir por uma rampa infinita. Me perdi do meu acompanhante e escalei o Everest com a cadeira. Juro que se for alguém que não treina ou que precisa ou um cadeirudo que precisa dos pinos no aro de impulsão, não sobe aquele trem sozinho. Só não suei por motivos óbvios. Já fiz meu treino do dia ali! Pelo amor!  Precisa do acompanhante empurrar! Senão não sobe!

ItaliaLá dentro, achei muito apertado. Depois que encontrei meu lugar, começou a aglomeração atrás de mim. O espaço entre os cadeirantes e a galera do staff que fica em pé lá atrás é invisível. E diferente de Brasília, que se o povo começa a aglomerar ali, os voluntários tiram, em Natal o povo aglomera mesmo. Se você quiser ir ao banheiro no meio do jogo, tá lascado. Uma vez ali, não dá pra sair! Outro defeito é que não há cadeiras suficientes pros nossos acompanhantes. Se você compra o ingresso do cadeirante e vem com o acompanhante, o óbvio seria ter uma cadeira pra cada acompanhante ficar ali do seu lado, pro que você precisar.  Mas não há cadeiras! O acompanhante do meu amigo ficou em pé o jogo todo! Pra cada 2 cadeiras de rodas, há uma cadeira de acompanhante. Falta grave!

Os banheiros são bons, são individuais. Mas há poucos banheiros adaptados. Ficamos eu e uma senhora na fila, enquanto outra senhora usava. Em Brasília não acontece isso. A comida e o preço de lá também seguem o Padrão Fifa.

Também fiquei em pé pra tirar foto, agarrada na grade. E só! rsrs

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Achei as torcidas muito mais animadas que a nossa. Elas apoiam muito os times. Cantam muito mais, gritam muito mais. Adorava ver as torcidas no momento das faltas. A do time que sofreu a falta  gritava. A do time que fez a falta gritava. Era uma explosão de sentimentos que eu nunca tinha visto! Era incrível! Juro que essas torcidas deram um show a parte. Nunca vi nada igual.  A torcida do Uruguai é muito animada. Cantam desde o momento que entraram no estádio. E são muito solícitos com cadeirantes. Eu estava tentando filmá-los cantando, na área em volta das lanchonetes. Eles pegavam meu celular e filmavam de cima, tiravam selfies comigo, empurraram a cadeira.

italia4De modo geral, ta tudo mais pro bom do que pro ruim! Sabemos que a acessibilidade no Brasil já não é aquelas coisas. No estádio tá melhor que na rua, isso eu garanto!

Tentei conversar com cadeirantes estrangeiros, mas não achei nenhum. Só achei um amigo americano de muletas que, assim como eu, estava curtindo horrores e nem ligando pro resto.

Pra falar a verdade, eu só reparei nesses detalhes porque sabia que todo mundo iria me perguntar. Se ficarmos nos apegando a defeitos, vamos encontrar! Como em qualquer situação da vida.Se você caçar pelo em ovo, capaz que até nasça uns.  E eu estava lá pra ver os jogos, cantar, gritar, xingar, aplaudir. Não pra caçar problemas! E foi o que eu fiz: curti muito! Sim, ta tendo Copa! Jogos incríveis, disputas na prorrogação e penaltis, juiz ladrão, torcida animada, jogadores lindos, povo do mundo inteiro. To curtindo muito a Copa das Copas. E semana que vem tem mais!

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