10
fev

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O Sarah (de novo) e minha dieta

Gente, desculpem minha ausência esses dias. Fui pro Sarah (de novo) e não conseguia escrever pra atualizar vocês.

Todo mundo sabe, logo que escrevi o primeiro texto da nossa ” campanha” Por Uma Vida Mais Saudável Sobre Rodas, que tudo começou no ano passado, assim que voltei do Sarah, em maio de 2013.  Tracei um plano de ação e mandei bala na minha dieta “seca pneu, toucinho,pochete”.

Pois bem, chegou o grande dia, o dia de fazer meu retorno de um ano, para exames. E lá fui eu, toda preocupada com a dieta, outra vez. Quem foi há pouco tempo e conseguiu parar pra prestar atenção, notou que, no café da manhã não há outra escolha de proteína além do leite integral. É pão com manteiga pra quem tá internado e geleia, como opção, pra quem está de paciente dia, no Sarah Lago Norte.

Então, eu fiz um diário de tudo que aconteceu, de segunda a sexta, enquanto eu estive lá.

Segunda-feira: Já comecei errado, porque acordei 3h30 da manhã e tomei café. Tomei certinho, mas era cedo demais. Deu fome cedo também.  Fui de avião até SP e mal tive tempo de respirar, pois saí de um avião e entrei no outro. Fugi dos salgadinhos do avião. A minha avó fez um lanchinho  pra mim, pão com presunto e requeijão. Foi o que eu consegui comer. Cheguei em Brasília e ganhei uma carona de um amigo que morou em Ribeirão, mas agora mora lá. Ele me levou pra almoçar num restaurante muito legal. Tem uma salada, igual macarrão ao vivo,  onde há vários ingredientes e você escolhe o que colocar. É uma delícia! Não sei como ninguém teve essa ideia maravilhosa antes. Quem abrir um restaurante assim, fica rico em qualquer cidade! E além dessa salada maraviwonderful (copiei esse termo do amigo Jairo Marques), você ainda tem as opções de pratos quentes e frios como em qualquer restaurante. Gamei no trem.  Cheguei no Sarah e morri quando a enfermeira me pesou! 1kg a mais. Socorro socorrinho,  já mandei mensagem pro André e decidimos cortar o carboidrato à noite, por uns dias. À tarde, comi abacaxi no Sarah e jantei omelete.

Terça-feira: Tomei café da manhã normal, mas mais tarde, pois só tinha consulta no Sarah após o almoço. Ganhei uma carona pra ir pro Sarah Lago e cheguei lá nos 47 do segundo tempo. Tinha 20 minutos pra almoçar e ir pra fisioterapia. Salada, arroz integral e carne. A sobremesa do dia? Pavê de chocolate. Olhei pra ele, ele olhou pra mim, rolou um flerte. Mas resolvi não levar a paquera adiante. Fugi daquele pavê do mal. Levei um iogurte e comi com a salada de frutas que estavam servindo como lanche da tarde. Na janta, minha amiga (onde eu estava hospedada), quis comer tapioca. Comi a minha sem manteiga, com recheio de peito de peru e só. Era bem pequena, feita em casa.

Quarta-feira: Exames em jejum. Resultado? Café da manhã foi pro beleléu. Tomei um suco de caixinha 9h e um mundo de água (quase 1 litro). Fome sem fim. 9h30 comi um mini pão francês integral com geleia, um copo de chá e uma banana. Velejei, fiz fisioterapia. Cheguei pra almoçar tarde, a carne tinha acabado. Entre as opções que sobraram, escolhi torta de frango (tirei as azeitonas e sobrou pouco frango) com um balde de salada. Me perdi no verde e sairia de lá feliz, não fosse a sobremesa…pavê de chocolate do mal, o retorno da tentação. O senhor sentado na minha frente comia dois. A esposa dele, mais dois. E eu? Não levantei e saí por motivos óbvios. Então, eu só saí. Lanche da tarde foi um mini pão sírio com peito de peru e queijo branco. Também  tinha goiaba, mas eu não gosto. Na janta, deu meio que tudo errado e tudo certo. Imprevistos acontecem, né?! Minha amiga, que me daria carona pra casa, sairia do trabalho 20h30. Fui pro Sarah Centro às 17h pra ver a Tuka (se você não conhece essa celebridade é porque nunca se internou no Sarah Centro). Estou lá, colocando meia fofoca de um ano em dia (a outra meia colocamos na segunda-feira) quando minha amiga manda mensagem: “Sairei do trabalho depois das 22h30. Pega a chave de casa com a minha mãe e vai pra lá.” Cacei um carona pra fazer isso. Achei. Demoraria 1hora. E eu, sem comer desde 16h40. A Tuka conseguiu uma marmita-janta pra mim. Comi só a salada, acelga refogada e o filé de frango. Não vou mentir, dei umas 4 garfadas no arroz com cenoura. Ninguém é de ferro.

Quinta-feira: Café da manhã ok. Lanche da manhã ok. Almoço, fiz um prato lindo, mas não consegui comer tudo. Estava sem fome. Lanche da tarde foi uma delícia. Tinha mamão, que eu finjo que gosto porque é necessário, e um bolo simples. Eu estava morrendo de fome (Fiz canoagem, remando a canoa sozinha, porque os dois meninos eram inciantes e cansaram em 5 minutos de uma aula de 1hora. E depois ainda teve basquete. Pra quem lembra, eu não alcançava a cesta. Continuo não alcançando. Então, tenho que compensar isso com marcação cerrada no time adversário).  Jantar, eu cozinhei na minha amiga, fiz um frango gostoso e fiquei firme na dieta, comendo pouquinho, apesar de estar com vontade de comer a tigela inteira com arroz.

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Sexta-feira: café da manhã, ok. Lanche da manhã foi uma pera. Almoço, foi o prato da foto. Chamei a tal da “força,foco e fé”, né?! A opção de carne era? Feijoada! Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim, toda quentinha e cheirosa.  Feijoada metida! Fingi que não vi e mirei no filé de frango. Aconteceu de novo. Olho maior que a barriga e eu não dei conta de comer tudo. Mas deixei menos no prato, dessa vez. Lanche da tarde foi salada de frutas e um pãozinho com creme de cenoura (que eu não comi inteiro, com dor na consciência, mas não tanta dor, porque a senhora que remou comigo não gosta desse “passeio” que é a aula de canoagem. Ficou cansada logo e…acho que não preciso terminar, né?!). Na casa da minha amiga, comi um iogurte desnatado e parti pro aeroporto.

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Foi difícil resistir a algumas delícias, verdade. Mas a recompensa veio depois, quando eu vi que o 1kg a mais, já era de menos de novo!

Agora não tenho mais tanto medo de engordar no Sarah. É só comer com sabedoria e não carregar pra lá uma trufa de sobremesa por dia, como eu fiz da outra vez… Trauma da banha do Sarah? To fora!

04
fev

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Rodando em busca de saúde

Cadeirudos e cadeirudas queridos, to aqui pra falar do nosso projeto, que dá nome a esse blog “Por uma vida saudável sobre rodas”.

A ideia surgiu hã poucos dias, conforme eu contei no post anterior, que foi originalmente publicado no blog Mãos pelos pés. (Se você não leu, aproveita! É só rolar a barra e ler o texto de baixo rs). Comecei a notar que, infelizmente, a obesidade ou o sobrepeso, tem sido a realidade de alguns (muitos) cadeirantes. Vi gente no shopping, na rua, em várias cidades, nas redes sociais, precisando se preocupar um pouquinho com a saúde. Fica difícil pra se transferir, pra fazer as coisas do dia a dia, a gente perde força nos braços porque só usa pra tocar a cadeira…enfim, a vida fica um horror!

Aí, tive a ideia mirabolante e propus mudarmos isso juntos, quando postei o texto. E o que aconteceu depois da postagem? Em 3 dias, 20 pessoas entraram em contato comigo, por email ou pelo Facebook. Então eu montei um grupo secreto no Facebook. Juntando isso e o pessoal dos emails, em menos de 15 dias, já somamos 40 amigos de rodinhas (verdade seja dita, mais meninas que meninos), tentando ficar saudáveis como nunca antes (na verdade, todo mundo também quer ficar sarado, mas isso é segredo).

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Eu fiquei tão feliz e com tanta vontade de conhecer mais gente e reunir mais amigos, que resolvi montar essa página. Pra que ela vai servir? Aqui darei dicas de alimentação e receitas saudáveis, dicas de atividades físicas e postura na cadeira.  Falarei, também, sobre minha luta pra emagrecer (farei até retrospectiva, porque comecei em maio/2013) e alguma coisa sobre mim mesma.

Aí você me fala: Tudo bem você falar da sua experiência, da sua vida pessoal. Que lindo! Mas se você não é nutricionista, nem educadora física, de onde você vai tirar essas outras dicas, sua doida? Exatamente isso! Como não sou maluca (só pareço), não vou prescrever dieta pra ninguém, nem o tal do “treino”. O que eu farei é passar dicas de alimentação. Pra isso, consultarei meu nutricionista, o André Facchin. Ele também vai postar algumas coisas pra vocês aqui, de vez em quando. E as receitas, serão passadas por ele, inventadas pela maluca que vos fala, ou pesquisadas e testadas, porque não quero ninguém morrendo de vontade ou comendo comida sem-graça pra emagrecer! As dicas de exercícios e como se mexer na cadeira, também não sairão da minha cabeça. Eu vou postar pra vocês fotos e vídeos dos exercícios que eu já faço na academia. Também vou consultar professores especializados, pra passar algumas dicas pra quem tem a lesão mais alta do que a minha. Afinal, cada corpo é um corpo, cada lesão é uma lesão e cada um tem uma dificuldade. E nem todo mundo pode ir pra academia. O que fazer em casa? Também já pensei nisso!

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Outra coisa que quero fazer é falar de experiências da vida real. Entre essa turma que já me procurou, tem muita história legal de gente que já ta emagrecendo, que tem dicas bacanudas, que tem ideias mirabolantes de como se movimentar. E eu quero passar tudo isso pra frente! Então, se você tem alguma coisa legal pra falar, escreve pra mim! Vou adorar! E sua foto vai aparecer aqui. Afinal, ninguém vai aguentar ficar olhando só pra minha cara todo dia.

Gente, é isso! Bóra começar! Colocar nossas rodinhas pra rodar, em busca de uma vida mais saudável!

25
jan

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Por Uma Vida Saudável Sobre Rodas

Minha gente boa,  fiz um post no Facebook, lançando uma Campanha especial pro povo cadeirudo. Pois bem, venho, por meio deste, explicar-me!

É o seguinte. Há uns meses atrás, quando eu voltei do Sarah, eu tava meio porpeta. Eu vi uma foto minha, com a minha irmã, na véspera de ir pra lá, toda lindinha, magrinha, de vestido verde. Na volta do Sarah, eu vi uma foto minha, com uma professora de lá, no dia da despedida. Eu estava com o mesmo vestido e…Com cara de bolacha Trakinas e bração igual do Faustão antes do regime. Note na foto como, com a professora, estou até tentando disfarçar a barriga com o braço na frente.

Quem lê o blog deve lembrar que eu liguei pro André Facchin, meu nutricionista,e comecei meu plano de ação. Mudei a dieta, voltei pra academia e comecei a ter resultados. Até fiz um post sobre isso, em maio, aqui no Running News.

Aí eu conheci o Fernando, meu namorado. Eu estava em processo de emagrecimento. E como é difícil, pra quem ta na cadeira de rodas, emagrecer. Depois de uns meses, Fernando olha pra mim e diz: “Olha, daqui 2 meses será minha formatura. Você vai comigo, tá?!”. Que lindo! Eu disse “ta”  e por dentro eu entrei em desespero! Conhecer todos os amigos, família, entrar num vestido mara, cabelo, maquiagem…eu e minha banha sobrando. Comecei o que chamei de ProjetoFormatura. Meu nutri, minhas amigas, pessoal da academia, meu fisioterapeuta, me apoiaram e ajudaram nesse projeto. Emagreci mais um pouco. Levei minha barriga de tetra comigo porque ela não quer me deixar de jeito nenhum. Ela tava bem menor, mas barriga de tetra gruda mais que carrapato. Enfim, eu fui. Me diverti, dancei, dei risada, chorei de emoção.

Depois da formatura, fizemos a viagem, que relatei no post anterior. E  voltei, toda feliz, apaixonada, amando…e baleiúda de novo! (engordei menos, mas engordei…poxa vida) Recomecei a dieta, o André fez umas modificações.(Já emagreci tudo de novo e estou com o mesmo peso da formatura. Mas ainda tenho muito que melhorar. Minha barriga de tetra ta parecendo que engoli uma melancia. Como tenho lesão alta, não posso sonhar com barriga chapada, mas quero que minha melancia vire cereja)

Nisso, notei que minha amiga, Fabíola Pedroso, também iniciou uma dieta (ela está na terceira semana).  E tome post no facebook, dela falando do novo projeto. Adorei! Sempre conversava com ela sobre isso. Afinal, pra cadeirante é mais complicado emagrecer. Então, resolvemos unir forças. Cada uma na sua dieta, mas nos apoiando.

Há uns 2 dias atrás, vejo outra amiga de rodinhas, a Tabata Contri, postando no Facebook que resolveu entrar na dieta também. Ela chamou de Medida Certa Cadeirante. A dieta dela mesma. Postou uma foto de uns anos atrás, que é onde ela quer chegar, e uma de hoje em dia.

Então, eu comecei a refletir. É realmente mais complicado emagrecer na cadeira. Na verdade, tenho notado que muitos engordam, mesmo que depois de alguns anos, quando se veem na cadeira de rodas. Muitos negligenciam a atividade física, outros se entopem de besteiras e não ligam pra alimentação saudável. Não é só uma questão de corpo bonito, ou magreza. É uma questão de saúde. Nosso corpo muda por dentro, quando temos lesão medular. Outros adquirem outras patologias que os fazer mudar por dentro também. O funcionamento de alguns órgãos fica lento. Temos que nos cuidar. Também temos que prestar atenção ao Triglicérides, Colesterol. Tireóide, Pressão, como qualquer outra pessoa.

Por que não nos unir e um dar força pro outro, buscando uma vida mais saudável, mais ativa, com mais gente feliz, contente, menos problemas de saúde, mais atividade física? Foi então que conversei com meu nutri e resolvi lançar a Campanha. Porém, não poderíamos chamar de Medida Certa Cadeirante, porque somos pobres demais pra gastar com pagamento de direitos autorais pra empresa criadora do programa. Vamos chamar de “Por Uma Vida Mais Saudável Sobre Rodas” (fiz até hashtag #).

A ideia é a seguinte. Um animar o outro na busca de qualidade de vida. Trocarmos dicas, sensações, nos motivar. A ideia é sair do sofá e buscar alguma atividade física que te proporcione prazer. Como bem disse a Selma Rodeguero (tão viciada em musculação quanto eu) “ Cada um faz o que gosta e o que acha que é melhor, mas TODOS devemos fazer uma atividade física.”  A ideia é também parar de se entupir de fritura, de doces, de gordura e trocar por alimentos saudáveis que ajudarão você no futuro. Como disse a Fabíola: ”Odeio legumes e verduras. Claro que dieta inclui esses alimentos e estou comendo e gostando de muitas coisas.” É só tentar!

Preciso deixar claro que nenhum de nós é nutricionista, pra passarmos dietas uns pros outros. As dietas precisam ser personalizadas, pra realidade de cada um. Se alguém mandar cardápio de dieta pros demais, eu ficarei mais malvada que a tal da Amarilys. Se você precisa de uma dieta, eu indico meu nutricionista, a Tabata pode indicar o endocrinologista dela, você procura algum profissional pra te ajudar. Também não somos educadores físicos. Podemos dar dicas, mostrar alguma atividade que fazemos. Mas passar um programa de exercícios, os famosos “treinos”, só os profissionais da área podem passar. A ideia é a motivação mútua. Nada de um se comparar com o outro, mas você olhar suas fotos, daqui 6 meses e perceber “Caramba, como estou melhor, como minha saúde melhorou.”

Então, se você ficou animado a começar ou já começou, escreva pra mim. Uma amiga, a Fabíula (é outra, gente), disse que começou a dieta, mas ta de férias da atividade física. O Vinícius me mandou in box perguntando: “Só tem mulher na foto. Os meninos estão de fora?”. Claro que não! Estão super dentro! Eu coloquei as fotos delas comigo, porque foram as que estão no meu grupo de amigos e se manifestaram sobre a mudança na vida.

O que eu preciso é que todo mundo que aderir, escreva pra mim. Pode ser email (dannyybo@ibest.com.br – Se mandar piadinha, corrente ou sacanagem, vai arder no mármore do inferno) no facebook (http://goo.gl/VO64qx) ou escrever nos comentários aqui do Blog. Quero saber o que vocês já fazem, se fazem dieta, atividade física, se não fazem nada, se vão começar com a gente, se já começaram, quais as dificuldades do início da dieta, quais as dificuldades do início da atividade física, o que é mais gostoso, o que é pior de fazer, quais as sensações de mudar os hábitos, o que isso melhorou na sua vida, quem cozinha pra você na nova dieta? Esse tipo de coisa!

Se for postar nas redes sociais, você pode colocar a hashtag #PorUmaVidaMaisSaudávelSobreRodas

Bóra começar?

Texto originalmente publicado no Blog Mãos pelos Pés, no Running News

21
jan

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Vamos a la playa?

Pra quem é meu amigo nas redes sociais ou me segue, percebeu que meu amado e eu fomos à praia no final do ano. Na verdade, como ele se mudou pro RN, resolvemos subir de carro da minha cidade (Ribeirão Preto) até Natal. Quem foi mais corajoso? Eu ou ele? Eu por topar ou ele por me carregar, com cadeira e tudo? Sei não…deixem suas opiniões! Talvez role uma enquete….

Fizemos a viagem tranquilamente, passamos uns dias na sogrona, no RJ, na minha prima, em Vila Velha…e assim vai.

Então, vou contar pros meus amigos cadeirudos onde dá pra ir, onde não dá, pros companheiros/amigos/família dos cadeirudos onde dá pra nos levar e pra quem estiver  por ali, onde precisamos de ajuda.

Ta, ajuda é sempre bem-vinda em qualquer lugar, principalmente quando você está carregando uma mala de rodas como eu! :p  e se a mala de rodas não tem uma cadeiras mega-power-off-road.  Mas meu amado é forte, e eu (graças a deus) não sou baleia. Mas, digamos que ele fez atividade física e frequentou academia todos os dias,  só por me carregar…rsjeito

Pra ir pro mar, eu ia sempre no colo. Mas de vários jeitos! Estilo noiva, estilo boneca de pano, estilo saco de batatas nos ombros…tudo dependia da quantidade de pessoas na praia e do cansaço do Fernando.

Mas, bóra lá.

Rio de Janeiro: Calçadões no mesmo nível da areia. Fácil! É só ir te puxando (achamos mais fácil do que me empinar e ir empurrando a cadeira) até o guarda-sol desejado. Prefira um guarda-sol mais próximo do mar, pra não ficar muito longe nos momentos que você quiser entrar e sair da água. Passear no calçadão é tranquilo também.

Vila Velha: Passear no calçadão é fácil. Até fiz exercício, tocando a cadeira por 4km em ritmo forte. Pra entrar no mar, é mais complicado. O trecho de areia, em Itaparica, é extenso e muito inclinado. Aja braço de quem estiver junto com você, pra  descer a cadeira e te subir depois, na areia fofa! Melhor não arriscar.

Porto Seguro: a melhor praia pra ir com cadeirante é Canoa Vermelha, em Porto Seguro. O estacionamento já é dentro dos restaurantes na beira da praia (onde não há banheiro acessível). O pessoal ajuda com a cadeira e o trecho de areia é curto. O problema é que, do rasinho pro fundo, na água, são dois passos! Espere a maré subir, ou morra afogado no buraco rsrs Mas, quer uma dica? Não vá ao calçadão. É impossível tocar a cadeira ou ser empurrado, de tanto buraco. Eita coisa mal-feita! Precisa de uma reforma urgente, pra acessibilidade!

Ilhéus: A praia dos milionários é a melhor pra nós. Com trecho de areia plano, dá pra chegar com a cadeira até bem perto do mar. O problema é chegar na areia. Vá de carro! Ou mate a pessoa que está com você, pra te subir e descer na ladeira baiana, curta, mas inclinadérrima! Lá, cidade da Gabriela, valem o passeio pela cidade, durante o dia e no Bataclãn à noite. As pessoas simplesmente param pra você atravessar. Não há rampas no canteiro entre as pistas da avenida. Há algo melhor: um trecho sem calçada, da largura da cadeira de rodas! Mutoi mais fácil! Mas prepare-se! Lá, a rádio Gabriela é muito boa. As músicas são boas mesmo. E você ainda escuta Gabriela News, Gabriela Esportes e Gabriela Economia. E ainda há os cardápios variados, com Peixe à Gabriela, Peixe pro Nacib, peixe do Amado…e as lojas: Gabriela Modas, Nacib malhas, Sorveteria do Amado…

Itacaré: a Praia do Itacarezinho é a melhor, pois o restaurante é gramado (não é tão difícil de tocar a cadeira), tem banheiro acessível, e pra chegar no mar é muito rápido e o trecho ali é plano e amplo.

Salvador: choveu! Quase perdemos o carro (e bem provável que a minha cadeira) na enxurrada. Pelo amor de Deus! O ônibus passava e fazia ondas tão grandes na rua, que a água batia no vidro traseiro do carro. Mas fizemos vários passeios. Conseguimos ir ao Pelourinho, que é super acessível! As rampas são bem bem-feitas, lisinhas, dá pra tocar a cadeira tranquilamente. Tudo lá é acessível! Fomos a outros lugares, a orla é linda e fomos em lugares onde há banheiro acessível, como a Lagoa do Abaeté, mas pra chegar na Lagoa propriamente dita, você e quem estiver com você, precisarão de ajuda. Na descida todo santo ajuda, mas pra subir! o guardinha ajuda ou quem estiver por perto. Pessoal baiano é hiper prestativo!

Praia do Forte: Pra chegar nao areia é um. Há um caminha com calçamento, mas, pra descer (e depois subir) empinando é impossível! Você precisará ser empurrado. Mas depois que fizer toda a viagem de ida pra chegar, vale a pena! Há poucas opções pra comer, se você não estiver num resort, mas é o melhor lugar pra você ficar criando lodo dentro da água, porque há zero ondas. O problema é que o trecho de areia é inclinado e depois você tem todo o caminha de volta, subindo a ladeira, pra chegar no carro.

Costa e Porto do Sauípe: Nos resorts é tranquilo ficar. Mas se você ta pobre pra pagar as diárias e quer gastar menos (pagando um day-use num resort), pode ficar no Porto do Sauípe. O problema de qualquer um desses lugares é a areia fofa demais pras nossas rodas. Ficamos numa pousada onde o pessoal faz de tudo pra evitar transtornos com a cadeira de rodas e pra você se sentir maravilhosamente atendido.

Aracaju; Melhor lugar em acessibilidade! Vagas separadas em toda a orla, em qualquer praia, calçadas planas, todo mundo para pra vc atravessar, mesmo onde não há semáforo, há passarelas pra encurtar o caminha na areia, todos os lugares tem banheiro adaptado…é maravilhoso!

Maceió: As praias da cidade são um pouquinho complicadas pra gente chegar. Há pedras demais e passagens de menos. Mas nada impossível se você encarar e quem estiver com você, ajudar. A melhor praia é a do Gunga, há alguns minutos de Maceió. Há poucas ondas e o pessoal do estacionamento deixa a gente chegar com o carro bem perto pra desembarcar. Só não dá pra subir no mirante, pois não é acessível. Eu já fui quando andava. Achei que eles pecaram nisso! Acessibilidade no mirante, já!

Maragogi: Visual perfeito. Quando a maré estiver baixa, faça o passeio pras piscinas naturais. Para quem não sabe nadar, ou não quer ficar cansado, peça o colete salva-vidas. Porque há lugares e momentos que não dá pra sentar na areia e ficar com a cabeça pra fora. A pousada onde ficamos também é maravilhosa no sentido de evitar transtornos pro cadeirante. O café da manhã é no último andar, com uma escadaria estreita. Eles mandaram nosso café no quarto e o Fernando podia subir a qualquer hora pra pegar o que mais eu quisesse.

Praia do Patacho: eita lugar maravilindo. Depois que você anda um pedacinho de areia fofa, fica tranquilo. O trecho de areia é pequeno e o mar é calmo pros “malacabados”. Mas se você não quer passar fome ou sede, leve tudo! Não há barracas, ambulantes, cadeiras de praia, nada!

Porto de Galinhas: dizem que alguns jangadeiros gente boa, ajudam os cadeirantes a chegar à piscinas naturais. Nós optamos por acordar 5:30 da manhã e fazer o mergulho. Se você não tiver medo, faça! Há rampas de acesso à areia. O calçadão de lá é perfeito! Deu pra andarmos de mãos dadas e a cadeira não engastalha em nada. O problema é que muitos restaurantes querem te levar às nuvens! Tem escadas sem fim pra chegar lá. Ficamos presos às opções térreas. Donos de restaurantes de Porto de Galinhas: façam rampas, por gentileza! Eu vi mais 3 cadeirantes por lá! A gente vai! A gente quer comer!

Recife: é lindo! Mas pra chegar na areia, precisa-se de um help! há escadas! eu fui no colo e minha amiga Sandrinha, que estava conosco, levou a cadeira. Não tive coragem de entrar na água, apesar de o mar parecer delicioso. Tive medo dos tubarões. Melhor prevenir do que virar jantar. O passeio ao Marco Zero é tranquilo de fazer. Há rampas nas calçadas. No parque  de Boa Viagem, há banheiros acessíveis também.

João Pessoa: o calçadão é bonzão e no mesmo nível da areia. Há uma inclinação pra chegar até o mar. Aja muque pro senhor Fernando. Fomos pra praia de Tabatinga. Ou você estaciona debaixo dos coqueiros e fica mais perto do restaurante, ou estaciona longe e desce uma escadona. Ali é lindo, encontro do rio com o mar e é tranquilo demais pra cadeirante ficar. O problema é que, do nada, a maré sobe. Você resolve ir embora. Começam a empurrar sua cadeira pela areia, longe do mar. De repente, vem uma onda que quase leva você, a cadeira, quem te empurra…e te enche de algas até o joelho. Eca!

Por do sol no Jacaré: é lindo demais! Há rampas pra descer até os barcos e o pessoal ajuda a colocar a cadeira la dentro. Vale muito a pena! E o calçadão também é tudibão pra andar de mãos dadas.

Natal: território a ser explorado durante todo esse ano! Há um projeto de praia acessível lá, mas ainda não encontramos. Fica em Ponta Negra. Se não existir, impossível de chegar na areia. Há uma escadaria imensa, no meio das pedras. Praia do Forte é o melhor lugar pra ficar, há pouca areia e zero ondas. Mas, disseram que ali há muitos assaltos. Prefeitura, acorda! Queremos ir pra lá! Há algumas lagoas bem legais pra visitar, com estrutura. Tem uma onde até demos umas remadas no caiaque. Eu tive medo da tirolesa, mas o Fernando foi. E deu pra eu nadar tranquilamente. Em Pirangi, é super tranquilo pra ficar. O trecho de areia é plano. Praia de Genipabu, é uma delícia, mas o trecho de areia é gigantescoooo! Pedimos ajuda pra um buggueiro e ele topou me levar até o guarda-sol.O trecho das barracas até o mar também é enorme, pela manhã. E tem ondas, mesmo no rasinho. Fiquei sentada com água pra cima da barriga, mas fui arrastada  pro rasinho umas 2 vezes :p  Dá pra chegar com a cadeira mais perto do mar, mas nem tanto. Por algum motivo natural, que ainda não descobrimos, a areia fica super úmida um tantão antes do mar.

Fim da viagem, começo do chororô e das lágrimas.

Fazendo um balanço geral, nesses territórios arenosos e pedregosos, não dá pra se aventurar sozinho e correr o risco de sair rolando, cadeirante pra um lado e cadeira pro outro (Falando nisso, eu caí! O Fernando e o jangadeiro que me tiraram do chão :P Imagina se eu estivesse sozinha, que beleeeza). Não importa o quanto a praia é acessível, é sempre preciso um esforço grande, por parte dos nossos companheiros, amigos ou família, pra nos carregar pra cima e pra baixo. Pedir ajuda não custa nada. E aceitar a ajuda, é mais fácil ainda, pois muita gente oferece! Pouquíssimas praias oferecem banheiro acessível. É preciso se virar, dar o jeitinho brasileiro, pra resolver essa situação. Portanto, vá preparado e tenha bom-humor e seja criativo.

Mas, voltando ao assunto pelo qual escrevi esse post. Queridos cadeirudos e cadeirudas, saiam de casa e vão passear! Queridas famílias dos meus amigos malacabados, tirem-os de casa e vão juntos passear! Dá certo. Só é preciso um pouco de paciência de ambas as partes. Divirtam-se! Dá pra fazer muita coisa legal, tirar lindas fotos, ter muita história pra contar, viver momentos legais juntos…

Texto originalmente publicado no Blog Mãos pelos Pés, no Running News

22
out

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Um ano da data fatídica

Data fatídica pra mim. Leia-se fatídica, não trágica.

Data fatídica pra minha família.

Data fatídica pros meus amigos.

Descobri que também foi data fatídica pra gente que eu não conhecia, e que também não me conhecia.

Pois é, hoje faz um ano que eu saí do liquidificador. Toda misturada, batida e revirada e mais doida do que já era!

Nossa, eu tenho muita coisa pra contar sobre esse último ano. E vinha contando, mas parei de escrever. Tenho até que pedir desculpas pra quem me lê, me apoia, me acompanha…Eu fiquei sem computador durante quase 6 meses. O meu estava dentro do carro quando capotei. Capotou comigo. Durou uns meses, mas estourou a tela, o teclado parou de funcionar e, por fim, ele morreu. Mas antes ele do que eu! E juntar as moedas pra comprar outro levou meses! Até contei com uns empréstimos de amigos, porém nem sempre era possível emprestar quando vinha a inspiração. E nem sempre que eu estava inspirada pra escrever, tinha um tecladinho dando mole pra mim.

Verdade seja dita, passei por tantas metamorfoses nesses últimos meses que, caso tivesse escrito tudo, pensariam que endoidei e me trancariam no Santa Tereza (hospital aqui de Ribeirão onde internam…como direi? quem tem parafuso solto, “pobreminha de cabeça”…é isso aí.).

Quem me vê suando a camisa lá na academia (suando nada! não transpiro! depois eu conto), pensa “ah, que vida linda, maravilhosa”, não tem ideia dos perrengues que passei nos últimos meses. E aqui vai o meu muito obrigado a quem me ajudou, segurou minha barra, me hospedou, enxugou minhas lágrimas, me deu carona…e uma infinidade de coisas que os amigos fazem.

E eu também nunca tive chance de agradecer a todas as pessoas que me ajudaram de tantas formas. Orando por mim, me visitando no hospital (mesmo sem conseguir entrar. Afinal. bombamos o lugar), escrevendo bilhetinhos, mensagens, ajudando financeiramente. E tudo isso, foi muita gente que fez.

Tenho um amigo, o Cássio, que desenhou minha logo (sim, gente, tô chic e tenho logo), que me disse um dia: “Dani, você vai precisar agradecer pessoalmente cada pessoa que te ajudou.” Não olhei pra ele porque isso foi pelo facebook. Mas falei: “Cassinho, pirou?

Primeiro que eu tenho que virar bidú, pra descobrir cada pessoa que me ajudou e que eu não conheço. (Afinal, teve rifa, pizza, zumba, doação e mais uma porção de coisas) Segundo, que tenho que virar sócia de uma companhia aérea.” Pois é, a galera da corrida é muito unida. Tive apoio de corredores do país inteiro. E isso, gente, nada paga! Eu jamais poderei!

Aí o povo pergunta: “Como está a recuperação?” Depende do que você quer saber!

Quem leu meu texto em janeiro desse ano, na Folha de SP, no blog do Jairo Marques, ou o outro texto que abriu meu blog aqui no Running News, viu que tinha uma porção de detalhes diferentes na minha vida.

Temperatura – Então…é engraçado! Deixa eu explicar por que!

Como boa tetrona (mesmo sendo tetra do Paraguai), eu não transpiro.

Ah, que bom, chego linda e morena (não rimou, mas tudo bem) na academia e saio de lá do mesmo jeito que eu entrei, maquiada (porque penteada, meu bem! já vou contar!) e tudo mais. Isso, mas pareço uma panela de pressão prestes a estourar. Eu, literalmente, fervo!

Em um campeonato, estava tão calor, que meu técnico me deu um saco de gelo pra colocar na cabeça. Era isso ou jogar água na blusa.

Mas como eu não queria virar a garota da camiseta molhada do campeonato, eu preferi virar a lavadeira, com a trouxa na cabeça. Só assim pra resfriar o corpo.

Ah, então eu estou sempre no estilo “pode vir quente que eu estou fervendo”? Também não. Da cintura pra baixo eu não esquento.

Pareço um cubo de gelo. Sofro horrores com o ar condicionado da academia. Todo mundo de shortinho, suando e eu te calça, casaco, duas meias.

De baixo pra cima, meu corpo parece aquela brincadeira do “quente e frio”, quando as crianças procuram um objeto escondido.

“Ta quente?” “Não, congelando. Muito frio. Frio. Morno. Quente. Fervendo”.

E a sensibilidade? Eu sinto coisas quentes e frias a ponto de ter espasmos, quando a coisa está no extremo (pro meu corpo). Como quando chego da academia parecendo um pinguin e vou tomar banho quente. A água quente cai na perna e a perna pula. Beleza, sei que a água pode queimar a perna se eu deixar ali por segundos seguidos. Isso é bom pra mim, me protege!

Força abdominal – hahahahaha é pra rir ou pra chorar? Quem tem lesão alta, perde os músculos abdominais. Assim, quando colocamos a órtese e levantamos “ó, que barriga legal, não muito grande”. Mas eu fico sentada, né?! Aí é melhor vocês fecharem os olhos e procurar uma para, porque sou tetrona.

Minha lombar era uma gelatina, lembram? Agora ela está mais pra geléia de motocó, mais firminha, graças aos professores que elaboraram exercícios específicos de musculação. Mas sinto dores fortes, exatamente pelo fato de a lombar estar mais forte que o abd.

Ah, prometi falar do cabelo. Então, lembram de toda aquela cabeleira cacheada e brilhante que eu tinha? Caiu quase tudo! 60% se foi, devido à anestesia. Aí, a doutora Tati, uma dermatologista que nadava na raia ao meu lado, me passou um remédio porreta que fez meu cabelo voltar a crescer. Mas, além de eu ter que cortar o que sobrou, os fios novos estão 1/3 do tamanho dos fios antigos.

Resultado? Estou sempre descabelada. Uma leoa jubada em plena caça na savana. Mesmo quando estou com o cabelo preso, lá vem os fios novos, rebeldes, pulando por todos os lados. Não há creme anti-frizz que me salve.

Nesses meses todos, que viraram um ano, ainda não sou uma exímia motorista da cadeira. Estou com uma cadeira infinitas vezes melhor do que a primeira (alugada), mas falta força nas mãos e sobra medo. Eu amarelo na hora de descer rampa empinando e ainda não consigo andar na rua sozinha. O dia que eu tentei (nesse final de semana, na saída do cinema, com duas primas), eu me esborrachei no chão. Ralei o tornozelo esquerdo, o joelho direito. E como brasileiro é solidário, saiu gente até do bueiro pra me ajudar. Eu e as primas caímos na gargalhada depois. Mas isso já me mostrou o total despreparo da criatura para esportes radiciais, como digirir meu Porsche azul (minha cadeira TiLite marivilinda) nas ruas e calçadas brasileiras.

Pois é, ainda não tenho força nas mãos. Já melhorou muito, é verdade. Mas está longe de uma pessoa que amassetou a medula mais pra baixo do que eu. Eu não conseguia abrir nada que necessitasse de giro da mão. Exemplo, um squeeze. Hoje consigo. Mas não consigo tirar o lacre de garrafas de água, nem abrir se estiver muito apertado. Se meu namorado fechar, eu não consigo abrir.

Não tenho filtro de água em casa. Um dia tinha zero garrafas abertas e três lacradas. Tive que pedir pra vizinha!

Eu consigo usar a tesoura, mas não consigo abrir uma barra de cereais, nem embalagem de chiclete. Tem que ser na boca!

Nesse último ano, ganhei muita coisa boa na minha vida! Fiz amigos maravilhosos, cadeirudos e cadeirudas que me ensinam muito, que me ajudam muito, todos os dias. Todos os anos de lesão acumulados, 10, 12, 15, 20, são experiência valiosa pra mim. Muito do que eu consegui de bom, ou evitei de ruim (como feridas na pele), devo às dicas que recebi deles e delas.

Também consegui, sem dificuldade, manter meus amigos antigos. E daí que eles correm e eu não? O amor e a amizade que sentimos são maiores que obstáculos físicos. E eu sou sempre convidada (e vou) às festas da antiga assessoria de corrida a qual eu pertencia antes do acidente. E eles (principalmente elas!) sempre me ajudam, me ligam, me dão carona. A amizade continua a mesma.

Falando em corrida, muito se engana quem pensa que não sinto mais falta de correr. Está no meu sangue! E se tem uma coisa que me faz chorar é a saudade de correr. Ok, são duas. A outra é a saudade de dançar. Ainda choro e sinto falta, como de um ente querido que se foi. Se bem que prefiro pensar que ele está em coma e pode um dia acordar.

Ainda faço fisioterapia. E faço também pilates. E musculação. E natação. Tudo em busca de alguma melhora, seja ela apenas de força e equilíbrio.

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Tem cadeirante que pensa que, só porque tem lesão completa, ou porque passou o período de choque medular, ou porque não pode voltar a andar, não deve fazer atividade física. Mas e seu bem estar? E sua saúde? E sua força? E sua independência? Sua qualidade de vida? Há muita coisa que pode ser melhorada, independente do voltar ou não a andar.

Se eu já perdi a esperança? Serei total e extremamente sincera aqui. Teve uma época que eu desencanei total. Estava na neura pelo esporte, pra emagrecer os mil quilos que trouxe do Sarah, pra ficar forte…e nem lembrava mais de voltar a andar. Só pensava nas medalhas. Troquei o plano A pelo B e fim de papo. Nisso, meu alongamento da perna esquerda começou a se perder e ela começou a doer. E, uma pessoa que me ama me fez enxergar que eu não posso perder a esperança nunca. E que devo continuar lutando. Ontem ele me perguntou o que eu quero. Eu simplesmente respondi que quero resgatar dentro de mim a garota que tinha o plano A como A e o B como B, não vice-versa.

Apesar de o plano B já ter surtido efeito (tenho 3 medalhinhas aí pra compartilhar com vocês nos próximos posts), acho melhor colocar cada coisa no seu lugar. Por isso, eu só não transpiro na fisioterapia porque não sai uma gota de suor desse corpinho, nem se vocês me colocarem dentro do forno de pão da padaria.

Nesse ano que passou, não me tornei uma pessoa perfeita. Estou há anos-luz disso! Mas me tornei um pouco mais calma, um pouco mais paciente. Aprendi a ouvir meu corpo e atendê-lo. Reaprendi o valor dos amigos e da família. Percebi e supervalorizo o valor da saúde.

Aprendi que é preciso costurar-se, remendar-se e reinventar-se todos os dias. Recomeçar também é só mais uma coisa que tivemos que fazer ontem, temos que fazer hoje e teremos que fazer amanhã. E que em todas essas situações, o desânimo de nada vale e não nos leva a lugar algum. Mas o sorriso cura um coração cansado, uma alma abatida, um momento de tristeza, um dia chato. O sorriso ilumina o seu e o dia das pessoas à sua volta. E continuar sorrindo, apesar das dificuldades, é o melhor que temos a fazer.

Então, bóra sorrir pras dificuldades e fazer da vida o melhor possível!

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Texto originalmente publicado no Blog Mãos pelos Pés, no Running News

28
maio

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A Dieta

Todo mundo sabe que antes do acidente eu era atleta das corridas e bikes e afins. Corria pra cima e pra baixo com o pessoal da assessoria, treinando pra minha primeira maratona. E ja tava ensaiando (re)braçadas (eu nadei a vida inteira) pra fazer meu primeiro triathlon em algumas semanas…
Isso tudo dava uma baita fome! E pra não perder o pique, nem ganhar um pânceps, eu seguia uma dieta a risca!

Aí, todo mundo sabe… Ah, tem gente que não sabe, então vou contar! Quando saí da UTI e fui pro quarto, eu despiroquei com a comida do hospital. Puro carboidrato, sem salada, fruta com gosto de isopor uma vez ao dia. O pesadelo de qualquer atleta e de qualquer intestino! Eu e uma amiga, a Kel, convencemos o médico a fazer um contrabando autorizado de comidas saudáveis pro frigobar do meu quarto.Quase que instantaneamente, a Ro e a Re Liza encheram o frigobar de frutas, verduras, iogurtes, grãos e tudo saudável. As amigas mais chegadas sempre levavam essas coisas pra mim e, graças a deus tenho boas amigas, que depois de dormir (ou não dormir) comigo no hospital, picavam as frutinhas pro meu café da manhã antes de irem trabalhar.
Fui pra casa maravilinda graças a elas! Em casa, algumas amigas, como a Paula, sempre cuidaram de mim, levando saladas e frutas toda semana. E minha mãe, fazia meu arroz integral, picava as frutas, fazia saladas delícia e cuidava muito bem de mim! Resultado? Fiquei magrinha, com a pele linda, o cabelo brilhante…

 
Aí, eu fui pro Sarah. O Sarah pode ter todas as qualidades do mundo, mudou minha vida pra muito melhor, aprendi muito, me diverti muito, fiz muitos amigos. Maaaaas… Sarah=hospital=comida de hospital=muito carboidrato. Café da manhã? Pão com manteiga + pão de queijo ou biscoito. Almoço? pouca salada! Fruta? uma vez por dia… Fui falar com a nutricionista. Ela não estava acostumada a lidar com atletas, mas com pessoas sedentárias que precisavam mudar a vida. Resolverei dar um desconto pra ela. Mesmo ela olhando pra mim e dizendo que eu precisava emagrecer 8kg! Enfim..fiquei em Brasília quase 3 meses e engordei 3kg! Eu via o pânceps crescendo e fui me desesperando. Mas quando comparei a foto “antes e depois”, com o mesmo vestido, não precisei ver nem a barriga! Só de olhar pro rosto e braços. Bem, a quem eu queria enganar? Eu já sabia disso! Precisava tomar uma atitude! E rápido!

 
Cheguei de Brasília e fui, praticamente direto, pra São Paulo. Lá, eu teria que tirar muitas fotos. O que fazer? Amigas cadeirudas, anotem o pulo do gato: coloque um dos braços sobre a barriga! A foto fica um charme e você disfarça a pochete! Como eu gosto de cruzar a perna na foto, fica melhor ainda!

 

Ok, medida provisória! O que fazer para a posteridade? Ligar para o nutricionista amado, claro! Mandei uma mensagem desesperada e ele respondeu instantaneamente: “Segunda estou aí.”  Beleza, menos uma coisa. Próxima medida do desespero? Abrir o ovo de páscoa (um dos) e dividir com a geral. Consciência mais leve!

 
Ele veio, tirou minhas medidas, conversou um tantão e disse que me entregaria o cardápio na próxima semana. A hora do pesadelo: eu estaria em São Paulo na próxima consulta! 4 dias comendo um pouco errado (Alex me salvou, me levando pra comer uma mega salada), de TPM, comendo vários brigadeiros que sobraram do niver da Bru (a sobrinha do Paulo, meu amigo piloto-cadeirante. Lembram dele, do outro post?)

 

Enfim, voltei de Sampa e mandei uma mensagem desesperada pro André Facchin, meu nutri. E fiquei esperando a dieta pipocar no meu e-mail. Foi quando resolvi escrever esse post  e fazer um diário da dieta. Ou seja, esse será o post mais longamente escrito! O e-mail chegou, eu não consegui abrir no celular (arquivo anexo) e demorei 24 horas de pura ansiedade pra ler. Assim sendo, começo meu diário agora! A dieta não está difícil, são 20h, mas eu resolvi começar assim mesmo. Portanto, esse será o

 

DIA 1 – a tarde comi um pedaço de chocolate. Sou mulher de TPM,  treinei muito, meu coach me assassinou no treino funcional, dentro e fora da piscina. E eu ainda não tinha lido o cardápio. Será que to perdoada?

Jantar: abobrinha recheada com carne (sem o arroz do almoço) e salada.

Decici postar fotos dos pratos no Instagram.

Nisso, um amigo atleta veio me zoar. Estamos falando sobre comida saudável. Isso ajuda muito!

Algumas horas após o jantar, eu devia comer uma barra de cereais. Burra! esqueci, minha pressão caiu e fui obrigada a comê-la no meio da noite (será que podia?) pra parar de passar mal.

 

DIA 2 – Caf’é da manhã ok. Lanche da manhã…i, esqueci! saí da piscina varada de fome!

Almoço e lanche da tarde ok.

O André passou aqui, pra trazer a lista de substituições para o cardápio. Conversamos um pouco. Foi Bom!

Jantar saudável e dentro da dieta, ok. Frango e salada. Confesso que eu parecia uma criança feliz quando vi a acelga já cortada, na geladeira. E parecia boba “olha, cenoura”, quando encontrei uma, dando mole na geladeira. Agora as pessoas em volta riem das minhas reações com relação às verduras.

Estou morrendo de vontade de comer chocolate, mas estou me controlando! Ainda mais por que o nutri veio aqui. Dar satisfações pra alguém, sobre a dieta, ajuda a controlar a gula!

Daqui a pouco tem a barrinha. Dá pra enganar a vontade de comer doce! vou comer a de limão com chocolate que comprei hoje! (sim, fiz compras saudáveis, de acordo com meu cardápio).

 

DIA 3 – Passei fome durante a noite. Mas não quero incomodar  o nutri no sábado (mesmo sabendo que vou levar bronca por isso). Mas a consulta já é segunda.

Café da manhã ok. Lanche da manhã não foi esquecido hoje!

Fui malhar na hora do almoço. Comi no shopping. Pedi purê no lugar do arroz, mas eu comi só metade, porque veio muito!

A TPM sai pelos poros. A vontade de chocolate está na estratosfera. Mas agora é hora do lanche da tarde. Comi um punhadinho de castanhas e frutas secas. Deu uma adoçada na boca, graças a Deus.

Janta, ok! Fiz certinho. Comi a barrinha de cereais de limão. Que delicia! Queria comer umas 10, mas não pode…

 

DIA 4- Pronto, almoço na casa da vó! Acordei e pensei:”Vou me controlar, vou me controlar, vou me controlar…”

Não deu! Comi dois pratos de macarrão  (sem queijo, que eu odeio queijo). Ainda bem que o prato é pequeno e eu coloco pouca comida. E comi frango e me entupi de salada. Comi um pouco de salpicão de frango. Deus, nutri, amigos, deem um desconto. Fazia 6 meses que eu não ia na casa da vó, não comia a comida da vó.

Tomei suco da fruta, que eu avô fez, porque ele sabe que eu amo.

Sobremesa? Salada de frutas sem açúcar e sem leite condensado, obviamente. E uma paçoca. Mas não deu..Sabe aquelas paçocas tipo lajotinha? Eu comia isso quando estava na 4ª série. Tem gosto de infância. E meu avô encontrou pra comprar pra mim.

Hoje foi dia do Deja  vú.

A tarde comi a fruta, bem comportada. Agora vou jantar.  A vó mandou salada e frango.

Jantei lindamente certinha…to morrendo de vontade de comer mais! E de comer chocolate! Socorro!

 

DIA 5 – Depois de comer um pouco errado na casa da vó, vamos fazer certo hoje!

Comi tudo direitinho, mas almocei tarde (problemas de transporte atrasaram meu horário) e senti fome.

O nutri alterou meu cardápio hoje. Seja o que Deus quiser, essa minha vida sem chocolate. Até durarem os estoques da minha paciência sem ele!

 

DIA 6 – Faz noites que não durmo (nada a ver com a dieta). O cansaço aumenta a vontade de comer chocolate (tudo a ver com a dieta). Bom, pelo menos em mim isso acontece! E com vocês, meninas?

Fiz tudo certinho.Frutas, saladas… Hoje comerei minha última barra de cereais com cobertura de chocolate. Depois sobraram apenas aquelas secas… Como não posso colocar palavrão aqui, direi apenas que estou perdida. Quadrupliquem isso!

(Confesso que quando abri o arquivo hoje, achei que já iria escrever o décimo dia).

 

DIA 7 – Corpo, corpinho querido…Hoje eu vou te pedir, por favor, por gentileza, por obséquio, acostume-se com a dieta LOGO!  E principalmente com a abstinência “doçal”(acho que inventei essa palavra).

Hoje estava tudo lindo. Mentira! Fiz treino de tiros na natação. Nadei 2000m. Saí de lá até de pressão baixa. Enquanto me trocava eu ataquei umas frutas secas que estavam na minha bolsa. Me salvaram, as pobrezinhas secas, até eu chegar ao shopping. Pedi a comida (frango grelhado, salada, legumes) e agredi o prato quando chegou. Mas comi com vontade mesmo. Aí fui malhar, feliz e contente. Até ganhei uma hora de fisioterapia. Cheguei em casa sem muita fome, pois comi o lanche da tarde. Jantei… E o bicho pegou. Fui guardar o que sobrou da salada e vi gelatina batida com creme…Respira fundo! Peguei uma colher de chá (não adianta mentir), colherei. Nem deu tempo de saborear. Enfiei na boca e engoli. Por que, meu Deus? Por que eu amo tanto doces? Agora estou me controlando pra não atacar o ovo de páscoa que eu ainda nem abri…

 

 

DIA 8 – Gente, fiz tudo certo! To orgulhosa de mim! Comi uma salada mega delícia  a noite (saí tarde da academia, aqui não tinha verdura e eu queria fazer tudo certinho..só o chocolate que ta daquele jeito. Sabe aquela música do Kid Abelha? “Mas você me persegue, por todos os lugares”. Esse é o choco na minha vida! Mas eu não comi!

 

DIA 9 – Chamo esse dia de “apagável”. Começou errado, porque não dormi à noite toda. Não tinha proteína pro café da manhã. Fui pro treino e esqueceram de me buscar (táxi! não foi a família!). Acabei almoçando um lanche natural na casa da minha mãe..Quatro horas da tarde! Jantei lanche natural também. Mas, minha mãe me ofereceu mousse de chocolate e eu fiquei firme! Não comi! Até quando vou aguentar eu não sei…

 

DIA 10 – Chamo o dia de dia perfeito, na forma social de ser. Hoje fui almoçar em uma fazenda, com meus amigos da corrida. Fiz um mega prato de salada. Coloquei um pouco de massa e frango (não aguentei comer tudo). A sobremesa foi maçã.Gastei tudo cantando, dançando e me divertindo horrores até 17 horas. A noite fui num bar de rock. Pula a parte que eu comi 3 mini-coxinhas (o namorado da minha amiga é uma praga e fez até brinde de coxinha, aquele magrelo engraçado!). Mas eu tomei suco de limão. Que linda!

 

DIA 11 – Eu disse que não nasci pra balada. Pois bem. Pensa numa mulher que acordou podre ao cubo. Essa mina sou eu.  Na verdade, podre ao cubo é apelido!  Eu acordei tarde. Belisquei. E fui pra um almo-janta, com um casal de amigos, num restaurante vegetariano. Achei que eu ia odiar. Mas descobri que é bem possível. Frango e carne de soja são bem bons e dá pra sair de lá empanzinada. Ainda fomos tomar sorvete. Eu tomei de limão. A minha amiga, a Carol, que também faz dieta com o André, tomou de melancia. Fizemos tudo certinho e eu descobri uma barrinha, la no fundo da sacola, que tinha cobertura de chocolate!

 

DIA 12 – Saí da piscina verde de fome, mas o André já deu jeito nisso. Esse cara é bom! Estou eu, me dirigindo para o restaurante, no shopping, quando encontro, o próprio! Ia dar uma entrevista pro Jornal A Cidade.  E o fotógrafo? O mesmo que me fotografou, pro mesmo jornal, quando eu saí! Fui pro restaurante e pedi. Quando chegou meu prato, também
chegou o dele. Pedimos igual, sem eu saber. Bom sinal! Sinal de que estou fazendo certinho! Tirei foto do prato e postei no instagram de novo. Comemos juntos e papeamos (jogamos conversa fora. A consulta é só a noite e a amizade é véia de 7 ou 8 anos já).

A noite ele veio aqui! Tirou minhas medidas e…tchantchantchantchan…Que alegria! Emagreci! Não sei quanto, pois não trabalhamos com peso! Mas as medidas todas diminuíram! Ele é bom mesmo! Ambos ficamos felizes e contentes!
Meninas, dá pra fazer dieta sim! Sem morrer! Prova disso é que estou aqui, vivinha da silva, escrevendo pra vocês!  Daqui um tempo escrevo outro post pra contar sobre a dieta de novo.

14
maio

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Reflexões sobre rodas: o que mudou depois de 6 meses de lesão medular

Primeiro eu pensei umas mil vezes antes de escrever esse post. Verdade seja dita, e pra quem me conhece desde antes do acidente e leu tudo que eu escrevia todo dia depois que saí da UTI, sabe que eu escrevia pra caramba. Depois parei. Depois retomei, falando sobre esportes adaptados, mas pouco sobre o que se passa aqui dentro.

Eu “escrevia na cabeça” alguns parágrafos. Mas não passava pro computador e esquecia o que e como iria dizer.

Então, na sexta-feira eu recebi uma mensagem assim: “eu estava vendo sua história(…). eu sofri um acidente de moto na Anhanguera faz 10 meses. Também estou sem andar,mas não tenho esse pique que você …me add para conversar mais..”. Fiquei pensando como eu poderia ajudar essa pessoa.

Até que um amigo compartilhou o texto publicado no blog no Jairo Marques, em janeiro (http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2013/01/07/um-relato-de-otimismo-e-coragem/).

Eu li de novo e pensei: “Acho que devo escrever de novo, contando as novidades, após 6 meses de lesão”.

Assim, eis-me aqui, tentando costurar a colcha de retalhos de tudo que aconteceu desde que o texto do Jairo saiu. Vamos por partes (não farei a piadinha do Jack porque já está muito manjada).

Como todo mundo sabe, eu consegui ir pro Sarah! Depois da mobilização de geral de vários amigos, conseguimos o dinheiro pra viagem, eu e meus pais nos aventuramos pela capital. Continuei contando com a ajuda dos amigos enquanto estava lá. Os resultados foram satisfatórios, eu não tinha escara, nem frieira nem pereba, e consegui minha vaga. Fiquei internada no Sarah Centro 1 mês. Depois fiquei hospedada na casa da minha amiga Carla e frequentando o Sarah Lago Norte por mais 1 mês e meio. Lá fui muito feliz, fiz muitos amigos, fiz um monte de esportes e não queria mais voltar. Mas voltei!

Pronto! Minha vida sobre rodas está muito mais fácil. Minha amiga Tábata me emprestou a Ferrari vermelha dela, enquanto meu Porsche azul não chega (uma Tilite linda e leve que chegará na loja da Mobility Brasil em breve). A Ferrari é bem mais leve que o Fusquinha, a cadeira alugada que eu estava.

Eu já aprendi a empinar a cadeira. Outro dia fui empinar a cadeira na academia (o parágrafo da academia será escrito abaixo. Aguentem a ansiedade) e quase matei professores e alunos no coração. Eu devia ter filmado a cara deles! E devia ter filmado um dos professores, tentando empinar e quase caindo (melhor parte do treino foi a cara de desespero dele e nossas risadas depois). Degraus um pouco altos ainda são obstáculos pra mim. Eu não tenho força nas mãos pra subir, nem pra descer. Mas os baixos eu consigo!

E as mãos? Então…parágrafo à parte. Minhas mãos ainda estão fracas. Principalmente a esquerda. Meu dedo indicador esquerdo não serve pra nada. Nem dobrar ele dobra! Está ali pra deixar a mão bonita. Já é uma serventia! Falando em lado esquerdo do corpo, todo o meu lado esquerdo é mais comprometido que o direito. O bíceps é menor, o braço tem menos força, a perna é mais fina. Que lindo! Eu tenho cada lado de uma grossura no corpo! Tenho dois tamanhos e duas forças! Eu ia me comparar a algo, mas não achei nada de tamanha magnitude no universo pra comparar! =O Um lado é estilo “pelos poderes de Grayskull” e do outro lado é tipo “a ponte do rio que cai”. Mas ta bom. Pelo menos Deus conservou um pouco a mão direita e eu consigo escrever. Se eu escrever bem devagar, a letra até que sai bonita.

Mas eu não consigo, por exemplo, usar a tesoura, nem abrir garrafas de água, tampouco usar abridor de latas. Também não consigo segurar a jarra de suco, pra encher meu copo. Nem abrir latinha de refrigerante (ainda bem que não bebo refri há uns 6 ou 7 anos). Não consigo abrir embalagens, como de chocolate ou de chiclete, com as mãos. Eu, geralmente, uso a mão direita e a boca. E quando nem assim eu consigo, eu peço pra alguém.

Mas me maquiar eu consigo! Sim, continuo vaidosa. Tudo bem que a pele encheu de espinhas e o cabelo caiu uns 80%. Mas a pele está começando a limpar (e a maquiagem tampa o que ainda sobrou no rosto. Exceto quando estou na piscina. Ninguém vá me olhar na natação, por favor) e a cabeça está cheia de fios de cabelo novos, cuidadosamente mimados com uma vitamina e um tônico que eu ganhei de uma dermato que nada na raia ao lado. Eu continuo me besuntando de hidratante, pois a piscina resseca a pele pra caramba.

Falando de piscina, assumo! Virei lodinho! Eu faço natação 5 vezes na semana, treinos de uma hora e meia a duas horas de duração. Por mim, ficaria mais, mas os braços ainda não aguentam. Estou desenvolvendo força agora. Meu treinador, muito experiente e perceptivo, monta treinos específicos pra cada dia da semana. E já sabe quando eu fico cansada e não aguento mais de dor no ombro direito, que é o que eu forço mais (estamos trabalhando isso).

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Chamem de baleia, peixa, golfinho, do que quiserem… Mas, descobri que, como não posso ser das pistas, eu sou uma mulher das águas. Eu sinto uma tremenda falta da canoagem (estou devendo o post da canoagem) e da vela. Ainda quero dar um jeito de encaixar isso na minha vida.

Vocês devem estar se perguntando: e as corridas? As corridas ainda me fazem sofrer e chorar! E muito! E sempre! Se eu disser que não, é mentira! Toda vez que estou na academia, e alguém reclama que odeia correr, que odeia a esteira, que odeia aeróbicos, eu olho bem pra cara da pessoa e digo: “me faz um favor? Pare de reclamar e vá logo pra esteira, porque eu daria tudo pra estar lá!”. Mas como quem vive de passado é museu, eu não fico pensando nisso o dia inteiro! Claro que ainda quero voltar pras corridas e pro triathlon. Pra isso, preciso da handbike, Eu e alguns amigos estamos atrás de patrocínio pra conseguir uma. Falta aparecer alguns empresários bonzinhos que querem deduzir minha handbike do imposto de renda deles.

Academia? Eu vou! Depois do treino de natação eu estou lá, firme e forte, puxando ferro, conversando, matando a saudade da galera…Sábado fui lá, com meu antigo treinador de corrida. Ele montou um treino funcional, para que consiga fortalecer o lado esquerdo do meu corpo (foi ele quem me chamou atenção, novamente, pra diferença de força nos braços) e para não lesionar os membros superiores do lado direito, já que faço mais força neles. E para fortalecer minhas costas! Elas não estão tão gelatina como antes, mas a lombar agora parece uma geleia de mocotó. Eu queria uma lombar estilo rapadura, pra ficar mais firminha…eu ainda pendo pros lados,como um pêndulo de relógio-cuco, em certos momentos. Como hoje, na academia. Encontrei duas ex-alunas que eu não via há 8 anos! Uma delas veio me abraçar de um lado e eu quase caí pro outro.

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Temperatura no corpo. Essa é uma coisa que melhorou um pouco. Pensem num mapa mundi. Antes meu corpo era o Mapa Mundi com todas as cidades do mundo (aqui eu sinto, 1 centímetro pra lá não, 2 pra cá sim). Agora você enxerga os estados de todos os países do mundo. Está um pouco mais agrupado…

Balada é uma coisa que não existe pra mim. Fui em uma, depois do acidente, pois era justamente uma das medidas de alguns amigos, pra arrecadar dindin e me ajudar a ir pro Sarah. Vou falar a verdade! Fiquei morta, acabada, destruída, por uns dois dias. E fui em uma, com minha amiga, em Brasília. Fiquei igualmente morta,acabada, destruída, não valia um real no dia seguinte!

Não tem jeito! Eu nasci pro esporte e é assim que quero ficar! É como me sinto bem e feliz!

Estou testando vários esportes diferentes, mesmo depois que saí do Sarah. Esse quesito é igual alimentação: experimentar é a alma do negócio. Só dá pra saber se gosta se você tentar, experimentar, testar. Não diga que não gosta se você nunca tentou. Lembro de um dia, era aula de basquete no Sarah e o professor disse: “Vamos aproveitar a presença de um paciente da seleção e jogar handball adaptado.” Ele disse que deu pra perceber na hora, pela minha cara, que eu não gostei (eu amava jogar basquete). Mas eu testei e amei. Pois, como tenho pouca força nas mãos e nos braços, marcar gol foi mais fácil que fazer uma cesta. Só depois de tentar é que eu tive a opinião formada.

Então, eu não devia ter feito careta (será que foi muito feia?) como as crianças fazem pros legumes, quando os veem pela primeira vez.

Eu ainda leio, escrevo, estou voltando a pintar…Mas todo o tempo que eu tenho, estou, preferencialmente, treinando, experimentando esportes novos, ou conversando com meus amigos. Nem sempre posso estar com eles pessoalmente, mas falo sempre por telefones ou internet.

Algumas pessoas, acabaram se afastando, por falta de tempo, por correria da rotina, porque não me encontram mais nos treinos de corrida ou razões diversas. Mas nem por isso deixo de ter gratidão por eles, pelo que fizeram nos momentos que eu mais precisava. Meus queridos amigos de verdade, continuam presentes, me apoiando de diversas maneiras. E eu procuro estar o mais presente possível na vida deles também, visto que amizade (como qualquer relacionamento) é uma via de mão dupla. Se você não se importa, não espere que a pessoa vai ficar correndo atrás de você pra sempre, pois não vai!

Ontem, depois de 6 meses do meu acidente, eu fui na casa da minha avó pela primeira vez. Alguns se lembram que era com eles que eu morava, quando me acidentei. Choramos muito, minha avó, meu avô e eu, por eu estar viva e estar ali com eles (apesar da escada enorme. Eu subi “de bundinha”, degrau por degrau, pois nem meu pai, tampouco meu avô, teriam forças pra me carregar ali).

Finalmente comi o “franguinho” da minha avó, que fazia parte do meu dia-a-dia, enquanto eu estava com eles (e trouxe um pouco pra comer na janta). Foi um dia muito emocionante pra mim. Também foi a primeira vez, em 6 meses, que eu saí de dentro da garagem (dessa vez no banco de trás do carro do meu avô) e fiz aquele trajeto. O mesmo trajeto que eu fazia todos os dias. O mesmo trajeto que eu fiz acelerando o carro com os pés, pela última vez. Minha avó falou a mesma coisa que me dizia todos os dias de manhã:”Coloca o cinto, chica”.

O cinto que salvou a minha vida! E eu fui olhando a estrada. E um filme passou pela minha cabeça…

Foi quando eu vi! As marcas que meu carro deixou na mureta de concreto na pista. Chorei muito na hora. E choro de novo agora, ao lembrar. Vi alguns pedaços do carro, ainda na grama. O que restou do carro, foi pro ferro-velho. Meu celular e meu computador, que estavam, respectivamente, na bolsa e na pasta, dentro do carro, já pararam de funcionar…

E eu estou aqui! Viva, inteira, renovada! Talvez um pouco mais quieta. Eu falo, brinco, rio, sorrio…Rio e sorrio muito, todos os dias, todos os momentos que posso! E gosto de fazer os outros rirem também! Porém, muita coisa eu guardo pra mim, aqui dentro da cachola (que não para um segundo) e do coração…Mas o que importa mesmo é que estou aqui, nadando muito, malhando muito, sorrindo muito, me divertindo muito, sonhando em voltar pras corridas..e viva!

E feliz!

Texto originalmente publicado no Blog  Mãos Pelos Pés, no Running News

10
maio

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Cadeirante correndo em Interlagos? Por que não?

Um belo dia, abro meu Facebook e vejo uma foto de um dos meus amigos virtuais, falando que estava indo treinar em Interlagos. Como louca cadeiruda que sou, não duvidei do meu amigo sobre rodas. Mas pensei: “um dia quero ver isso de perto”.

Cadeirantes em Interlagos – Foto: Divulgação

E esse dia chegou! Mas deixa eu contar como. Conheci esse meu amigo, o Thiago, pessoalmente, na Reatech. Fui dar uma olhada no stand deles e conheci os outros pilotos.

Paulo Polido, que além de piloto é idealizador desse projeto, era piloto de motocross. Aliás, foi o motocross que o deixou cadeirante, pois ele se acidentou durante uma prova. Mas isso não o abalou! Em 2006 foi o 1º piloto deficiente a participar do Rally Internacional dos Sertões e formou a 1ª equipe com pessoas com deficiência a participar das 500 Milhas de Kart da Granja Viana. Quem é próximo brinca que ele tem um motor no lugar no cérebro. Tanto que conseguiu voltar ao motocross recentemente! Sim, ele é cadeirante, mas lutou tanto por esse sonho, que conseguiu!

O Tales Lombardi era piloto de aeronaves, ficou na cadeira após uma falha mecânica no helicóptero que pilotava. Pensa que ele ficou na cadeira pensando que a vida acabou? Agora ele voa baixo nas pistas, pois é campeão de kart adaptado e piloto em Interlagos.

E o Thiago Cenjor, que ficou cadeirante após um assalto. Foi integrante da equipe de kart adaptado, que o Paulo formou em 2006. E anos depois também foi campeão de kart adaptado!

Lá na Reatech, conversei bastante com eles e eles me convidaram pra estar no box da Equipe IGT, na próxima etapa do Campeonato Marcas e Pilotos, que seria em duas semanas, em Interlagos. E eu fui!
Quem olha os carros na pista, não percebe que um deficiente está pilotando um deles. Fui olhar de perto as adaptações feitas no carro. Tem que ter raça pra pilotar um carro não-automático, naquela velocidade toda.

E quem pensa que os meninos foram lá de alegres, sem preparo nenhum, está muito enganado. Pra ter a carteira de piloto, a PGC (Pilotos Graduação de Competição), eles treinaram muito, passaram por exames médicos e tiveram que, inclusive, provar que conseguem sair do carro em 15 segundos, durante os testes.

Os meninos ainda estão começando, afinal, estamos na 4ª etapa de um mega projeto que está apenas no início. Mas a corrida já emociona, pelo barulho dos carros acelerando nos boxes, pelo apoio da torcida, pela adrenalina do ronco dos motores passando a toda velocidade na pista. Aí você pensa que quem está ali é um cadeirante, que podia estar em casa reclamando da vida, sentado na cadeira de rodas lamentando o acidente, sentado no sofá com o controle da TV na mão. Mas ele está ali, correndo de igual pra igual com 40 andantes, ou mais. Provando pra si e pros outros, que quando a gente quer, a gente vai lá e faz!

Duvida? A próxima etapa é dia 26 de maio. A entrada em Interlagos é gratuita, mas o estacionamento é pago. Mas vai lá, senta na arquibancada, assiste a corrida e tente descobrir qual é o carro dos “malacabados” na hora da largada!

Ah, e pros meus amigos cadeirudos que estão querendo por fim à vida de lamentações, o Paulo está procurando gente pra correr de kart na equipe deles. Procure por ele e faça um test! Quem sabe você também não se torna um viciado por esportes a motor?

Texto originalmente publicado no Blog Mãos pelos Pés, no Running News

02
maio

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Reatech 2013

Gente, aconteceu tanta coisa nesses últimos dias, que vocês devem pensar que os abandonei…Mas não é verdade! Olha a Reatech aí!

Primeiro, teve minha alta do Sarah. Sofri! Sofri muito! Chorei litros e baldes de lágrimas…E sinto muita falta do meu querido e amado “Quarteto Fantástico”, professores Fred, Cadu, Rodrigo e Elisa. Aprendi muito com eles e devo muito a cada um deles. E sinto falta do pessoal da Náutica, das enfermeiras, dos médicos, das fisioterapeutas, do Lago Paranoá…

Reatcech 2013 – Arquivo Pessoal

Também sofri muito ao me despedir da minha amiga Carla e da família dela. Eles cuidaram tão bem de mim e ela foi mais que uma amiga. Foi uma irmã! Chorei mais litros e baldes de lágrimas no avião (mas ela só ta sabendo agora dessa parte!)

Mas, mal coloquei minhas rodinhas em solo Ribeirão Pretano, lá fui eu alçar voo novamente. Dessa vez, fui pra São Paulo, direto pra Reatech 2013.

Pra quem não sabe, a Reatech é a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade. E eu, fui direto pro stand da Mobility Brasil, que ficava bem na entrada da feira, onde eu aprendi muito, conheci e vi muita gente!

Foram quatro dias incríveis que eu tentarei resumir! Confesso que está até difícil escolher a foto pra esse post (queria poder colocar várias – pra quem quiser dar uma olhada em todas as que eu tirei, abri a visualização do meu álbum da Reatech no Facebook), quanto mais escrever um pouco do que rolou, sem ficar dias e dias aqui, escrevendo um pergaminho atrás do outro.

Pude conhecer amigos virtuais que, como qualquer outra pessoa, mata seu leão por dia pra sobreviver. Também pude conhecer pessoalmente amigos cadeirudos que já me ajudaram e ensinaram muito no mundo virtual e passaram pro mundo real.

Conheci pessoalmente, também, personalidades do mundo sobre rodas, que tenho a felicidade e honra de chamar de amigos, como Tabata Contri, Billy Saga, Jairo Marques, Fernando Fernandes, Selma Rodeguero, entre outros. E conheci pessoas importantes que acrescentaram muito no meu dia e na minha vida, como Mara Gabrili (uma simpatia e doçura) e Marcelo Yuka (5 minutos que valeram a pena na minha vida).

Mas eu não fui lá só pra ver gente (apesar de que, isso foi uma das coisas que mais gostei). Eu fui pra conhecer a feira e todas as novidades pra quem anda nas rodinhas.

Primeira coisa muito legal pros amantes de esportes eram as palestras do Comitê Paralímpico. Eu queria ter assistido todas, mas não pude.

Teve sobre canoagem, triathlon, Jogos Paralímpicos e por aí vai.

Tinha um stand bem legal, da Fundação Selma, onde o pessoal podia testar os benefícios da Equoterapia. Tá..não fui, porque morro de medo de cavalo! Mas tirei foto e fiquei um tempão olhando…

Havia o stand da Mobility Brasil, onde o pessoal podia tirar a medida da cadeira de rodas com especialistas, testar vários modelos e até sair com a sua TiLite lindona, na mesma hora. (Mas a minha chega daqui uns dias porque..bom, vou fazer surpresa).

Tinha o stand dos meninos do IGT, com as motos de motocross e o carro adaptado que a equipe de cadeirantes usa pra correr em Interlagos.

E pros amantes do esporte, havia quadras! Confesso que morri de vontade de ir jogar basquete todos os dias. Quase fui sequestrada por um amigo, no domingo. Mas fiquei com vergonha. Quem me leu, lembra que ainda não consigo alcançar a cesta…Havia pista de atletismo e houve futebol para cegos, testes de halterofilismo e canoagem (o Fernando me fez pagar mico, sentar no caiaque e simular uma remada, na frente das pessoas! Pensa num homem que só não foi enforcado porque havia muitas câmeras e testemunhas).

Agora, uma coisa muito legal que eu fiz foi…dirigir! Sim, peguei num volante pela primeira vez, depois de 5 meses e meio. Gostei tanto e fui tão bem atendida pelo moço (lindo, mas pula essa parte) prestativo, que testei cinco modelos, com adaptações diferentes. Eu pensava que só havia uma jeito de acelerar e frear com as mãos, empurrando e puxando a alavanca. Mas descobri que há outras formas. E eu até preferi! Vamos ver se consigo importar algo pro interior do estado!

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente muitos atletas, de várias modalidades do esporte adaptado, como a Jady e o Dado, do ciclismo, o Evandro, que além de pedalar, joga golfe adaptado (será que eu vou testar isso um dia, com ele?), o Alex, da esgrima, o Thiago e o Paulo, meus amigos que pilotam em Interlagos. Aprendi muito com todos eles.

Verdade seja dita, aprendi o tempo todo nessa Reatech. Aprendi a respeitar e admirar todo tipo de deficiência, pois lá a convivência foi pacífica entre todos nós (tinha uns cães guia coisa mais fofa). Aprendi muito com as meninas que estavam comigo no stand da Mobility e que tem muito mais experiência sobre rodas do que eu. Aprendi muito nas conversar com Billy e Serginho do Movimento Superação e levo muita história pra contar.

Comentei com um amigo que, depois do Sarah e da Reatech, é bem complicado voltar pro mundo real, onde as calçadas são esburadas, onde não há banheiro adaptado em qualquer restaurante, onde os degraus são altos e curtos demais, ou a rampa é impossivelmente inclinada. Mas há sempre alguém disposto a empurrar sua cadeira e dar uma mãozinha quando sua mão de tetra falha (no caso, as minhas).

Ainda não contei sobre todos os esportes que aprendi no Sarah. Mas nós temos muitos posts juntos pela frente!

reatech 2013

16
abr

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Vela: um caso de amor

Quando você está apaixonado, você tem vontade de sair gritando pro mundo! O povo já trata de mudar o status do Facebook rapidinho. Será que posso ter dois novos amores? Será que posso colocar lá “em caso de amor com a vela e a canoagem”?

Vela no Lago Paranoá – Foto: Arquivo Pessoal

Meu Deus! Fiquei em dúvida sobre qual escrever primeiro. Aí, optei pela vela! Sem ciúme, canoagem, caiaque gracinha, vocês serão os próximos!

Contando a verdade. Quando li “vela” na minha grade de atividades do Sarah, não me empolguei. Pensei “mas que porcaria eu vou fazer lá?” E tinha 2 horas de atividade marcadas! Ó meu Deus! Respiremos!

Aí vem o querido professor Rodrigo, com aula de teoria! E eu, sentada (óbvio), adorando!

Vários significados novos para as palavras. Orçar, não é fazer orçamento! Caçar não é ficar atrás de um bicho com a intenção de atingi-lo com projétil (muito menos o que uns caras bobos fazem quando vão pra balada). Morder não é aquilo que o cachorro faz. Biruta não é gente doida. Catraca não é de ônibus, nem a da porta da academia. E ainda tem arribar, cambar, bombordo, boreste, retranca, quilha, jaibe, través…Leme, proa e popa, nem vou comentar, porque todo mundo sabe o que é!

E eu pensando:”Como eu vou decorar tudo isso?”. Claro que o professor ajudava, com umas piadinhas que…melhor não comentar! E depois eu pensava: “Pra que eu preciso saber tudo isso, se é só sentar naquele veleiro enorme e ficar curtindo o vento?” Ahãm…doce ilusão. E ainda bem que era ilusão! Porque no veleirinho amarelo, o Escape, é bem melhor! Centenas de vezes melhor!

Bem, entramos com o veleiro na água e eu já entendi o porquê do “Dani, vai de maiô e um shorts”. Entrou água pra tudo que era lado. Quem me conhece sabe bem a cara que eu fiz nessa hora. No melhor estilo “oba” possível.

Mas ainda não estava mega empolgada. Achei que ia ser uma paradeira danada. Até que os ventos começam a soprar, o professor diz “Dani, pega o leme” e começa a usar todas aquelas palavras lindas que eu tinha acabado de aprender e reaprender e eu fui ficando muito louca! Depois, o professor e o marinheiro, responsável por nos acompanhar no bote ao lado, começaram a falar outras palavras lindas e eu fui ficando mega empolgada!

Fizemos treino de sobrevivência, pois é necessário aprender a saber o que fazer caso a embarcação vire e você caia na água. E eu, mesmo de colete salva-vidas, dei umas braçadinhas na água do lago, para poder alcançar a popa e subir novamente (sozinha) na embarcação. E me empolguei mais ainda com tanta adrenalina!

No primeiro dia pareceu muito complicado, mas muito, muito ótimo. E eu saí da água com aquele gostinho de quero-mais, contando os segundos para a próxima aula.

A segunda aula chegou num dia de tempo nublado. Já fiquei toda triste, pensando que não ia ter aula. Até que um dos marinheiros do Sarah disse “Hoje está bom demais pra vela. Olha o vento” e apontou pra água. Eu conseguia ver o vento, mas não para onde ele estava indo ou de onde estava vindo. Aprendi nesse dia. O professor Rodrigo também me ensinou como perceber, pela água, que uma rajada de vento de aproxima. E nesse dia, meus amigos, tivemos várias e fortes rajadas de vento e a aula de vela mais animalmente empolgante da minha vida! A embarcação, que obviamente é na horizontal, chegou a verticalizar. Mesmo com o professor e eu fazendo peso pro lado contrário. Foi o dia que mais aprendi na prática. E fiquei sozinha por uns 5 minutos na vela. O professor voltou com medo que um jaibe fizesse a retranca bater na minha cabeça com muita força (falei grego?).

A Vela Adaptada, no Brasil, teve início em 1999 com o Projeto Água-Viva, desenvolvido a partir de uma parceria entre a Classe de Vela Day Sailer, o Clube Paradesportivo Superação e o Clube Municipal de Iatismo em São Paulo.

Os atletas treinam em vários tipos de barcos: o 2.4mR, oficial das Paraolimpíadas, o Day Sailer, barco de 5 metros sem quilha, que não é oficial. Em 2008 chegou ao país o barco Sonar, que foi usado pela equipe brasileira nas Paraolimpíadas de Pequim, e que será usado para treinamento dos atletas que participarão das Paraolimpíadas de 2012.

Com o apoio do CPB, a Vela paralímpica vem tendo um crescimento exponencial, tendo a equipe da CBVA conseguido a vitória de representar o país nas Paraolimpíadas de Pequim, com os atletas cariocas Luiz Faria, Darke de Matos e Rossano Leitão.

Pessoas com deficiência locomotora ou visual podem competir na modalidade. A Vela paralímpica segue as regras da Federação Internacional de Iatismo (ISAF) com algumas adaptações feitas pela Federação Internacional de Iatismo para Deficientes (IFDS). Três tipos de barco são utilizados nas competições paralímpicas: o barco da classe 2.4mR tripulado por um único atleta; o barco da classe Sonar, com 3 atletas; e o barco SKUD-18 para 2 tripulantes paraplégicos, sendo obrigatoriamente 1 tripulante feminino.

As competições, denominadas de “regatas”, são percursos sinalizados com bóias, feitas de acordo com as condições climáticas, de forma que o atleta teste todo seu conhecimento de velejador. Barcos com juízes credenciados pela ISAF fiscalizam o percurso, podendo o atleta ser penalizado com pontos, caso infrinja alguma regra. Uma competição é composta de várias regatas, ganhando o evento aquele que tiver melhor resultado, após a somatória de todos as suas colocações nas regatas.

A vela é maravilhosa em dias sem vento, pra você curtir a paisagem, conversar (se tem alguém junto) e pensar na vida. Mas dá o maior trabalho pra sair do lugar. Você tem que ficar atrás do vento, cambando e cuidando pra vela não panejar (falei grego de novo, ou hebraico dessa vez?). Legal mesmo é quando tem aquele ventão.

Mas, independente de como seja, amigos e amigas cadeirudos, eu indico! Tentem! Mas vão com quem manja, pra não passar apuros. E pros andantes que tiverem a chance, tentem também! Vale muito a pena!”
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